Clipping Diário

21 | Março | 2025

INDA

Times Brasil - SP   21/03/2025

As vendas de aços planos em fevereiro tiveram um crescimento de 4,7% em comparação com o mesmo mês de 2024, alcançando 321,8 mil toneladas, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda)
Em fevereiro de 2025, as compras de aços planos registraram um aumento de 7,8% em comparação com o mesmo mês de 2024, totalizando 346 mil toneladas contra 321 mil toneladas. Em relação a janeiro, as compras subiram 1,2% comparadas às 341,9 mil toneladas do primeiro mês de 2025.
Para março de 2025, a expectativa da rede associada é que as compras e vendas tenham um aumento de 3,8% em relação a fevereiro.

Siderúrgicas.

As vendas de aços planos em fevereiro tiveram um crescimento de 4,7% em comparação com o mesmo mês de 2024, alcançando 321,8 mil toneladas, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (20). Em relação a janeiro, quando foram vendidas 320,3 mil toneladas, o aumento foi de 0,5%.

Em fevereiro de 2025, as compras de aços planos registraram um aumento de 7,8% em comparação com o mesmo mês de 2024, totalizando 346 mil toneladas contra 321 mil toneladas. Em relação a janeiro, as compras subiram 1,2% comparadas às 341,9 mil toneladas do primeiro mês de 2025.

Para Carlos Jorge Loureiro, presidente do Inda, as usinas brasileiras estão com uma boa demanda, apesar de o mercado ainda estar retraído e inundado pelo aço chinês. Ele destacou que, com os preços atuais, não é viável no curto prazo aumentar a produção ou elevar os preços. Loureiro também lembrou que a CSN tem comprado placas devido à parada de um de seus fornos.

Em termos absolutos, o estoque de dezembro teve um aumento de 2,3% em relação ao mês anterior, atingindo 1,05 milhão de toneladas. O giro de estoque fechou em 3,3 meses.

As importações encerraram o mês de fevereiro com um aumento de 8,4% em comparação com o mesmo mês de 2024, totalizando 211,2 mil toneladas contra 241,5 mil. Em comparação com janeiro de 2025, quando as importações chegaram a 241,5 mil toneladas, houve uma queda de 12,5%. A China representou 80,5% das importações totais em fevereiro.

Para março de 2025, a expectativa da rede associada é que as compras e vendas tenham um aumento de 3,8% em relação a fevereiro.

Para 2025, a Ativa ainda vê com preocupação o elevado volume de importação de aço e a possível desaceleração da economia do país, o que pode impactar os volumes vendidos. A corretora destacou também que, no curto prazo, o fortalecimento das atuais medidas protetivas ou a criação de novas medidas antidumping ao aço chinês podem melhorar o cenário para o setor.

Antidumping e tarifas dos EUA
Na semana passada, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reconheceu preliminarmente o dano causado à indústria nacional por importações de aços laminados a frio da China, mas recomendou que o caso siga sem a aplicação de direitos antidumping provisórios.

Em nota, o MDIC ressaltou que a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) concluirá a investigação, ouvindo todas as partes e coletando os elementos necessários para seu julgamento, antes de recomendar ou não os direitos antidumping definitivos.

O presidente da Inda afirmou que a constatação do MDIC sobre o dumping chinês é importante, mas a falta de uma ação concreta para resolver o problema frustra as siderúrgicas nacionais. “O MDIC apenas confirmou o que todos já sabiam. Com o custo do minério e do carvão, é evidente que há dumping por parte do aço chinês”.

Impacto das tarifas dos EUA sobre o aço
Sobre as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre aços brasileiros, Loureiro não acredita que o setor de placas será negativamente impactado. “Há uma completa falta de placas nos EUA, por isso eles terão que continuar importando. O grande importador de placas nos EUA é a ArcelorMittal, e eu imagino que a matriz deva manter o mesmo volume de importação da sua filial brasileira. Já os produtos acabados devem sentir mais os efeitos das novas tarifas norte-americanas”, concluiu Loureiro.

Em nota, o MDIC informou que as indústrias do Brasil e dos Estados Unidos mantêm, há décadas, uma relação de complementaridade mutuamente benéfica. O Brasil é o terceiro maior importador de carvão siderúrgico dos EUA (US$ 1,2 bilhão, aproximadamente R$ 6,24 bilhões) e o maior exportador de aço semi-acabado para aquele país (US$ 2,2 bilhões, aproximadamente R$ 11,44 bilhões, representando 60% do total das importações dos EUA), insumo essencial para a própria indústria siderúrgica norte-americana.

“À luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras, o governo do Brasil buscará, em coordenação com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos. Vamos avaliar todas as possibilidades de ação no campo do comércio exterior, para contrabalançar os efeitos nocivos das medidas norte-americanas, bem como defender os legítimos interesses nacionais, inclusive junto à Organização Mundial do Comércio”.

CNN Brasil - SP   21/03/2025

As vendas do setor em fevereiro por dia útil foram as maiores para o mês dos últimos 10 anos

O setor de distribuição de aços planos elevou estoques no Brasil em fevereiro na comparação com janeiro e em relação a um ano antes, em meio a um mercado interno com vendas fortes, afirmou a associação Inda nesta quinta-feira (20).

Os estoques dos distribuidores reunidos na entidade somavam 1,06 milhão de toneladas ao final de fevereiro, um crescimento de 16,7% sobre um ano antes e expansão de 2,3% ante janeiro. O volume é suficiente para 3,3 meses de vendas, nível considerado “acima do ideal”, disse o presidente da entidade, Carlos Loureiro, a jornalistas.

“Estamos orientando nossos associados a terem cuidado com os estoques. Em momentos de incertezas como este é um risco especular com estoques”, afirmou o executivo.

As vendas do setor em fevereiro por dia útil foram as maiores para o mês dos últimos 10 anos e uma das maiores de qualquer mês no período, somando 17,9 mil toneladas, disse Loureiro.

As vendas do mês passado somaram 321,8 mil toneladas, crescimentos de 4,7% sobre um ano antes e de 0,5% ante janeiro. No primeiro bimestre do ano, as vendas dos distribuidores acumularam alta de 0,8%, para 642,1 mil toneladas.

Para março, a expectativa do Inda é de crescimento de 3,8% nas vendas ante fevereiro, para 334,1 mil toneladas.

Preços

Loureiro afirmou que o nível de prêmio atualmente no Brasil para aços planos laminados a quente é de cerca de 28%, acrescentando que é um nível elevado e que contribui para incentivar importações em um momento em que o dólar acumula uma queda de 8,3% ante o real desde o começo do ano.

O “prêmio” é um jargão do setor siderúrgico para tratar do quão mais caro é o aço nacional em relação ao material importado. Historicamente, prêmios considerados ideais pelo setor siderúrgico são de cerca de 10%.

Diante do cenário, Loureiro afirmou que os preços de aço plano no Brasil devem se manter estáveis “pelo menos nos próximos 30 dias”, diante da pressão da importação e do consumo interno elevado.

Em fevereiro, as importações de aços planos no Brasil cresceram 8,4% sobre um ano antes, acumulando no bimestre expansão de 38,5% frente o mesmo período de 2024.

O porto que mais recebe material siderúrgico importado, São Francisco do Sul (SC), está sem espaço para armazenar mais material e navios estão tendo que esperar 30 a 40 dias para descarregar, afirmou Loureiro, citando que isso encarece os fretes.

Das 492 mil toneladas de aço plano que foram importadas pelo Brasil no primeiro bimestre, 52,7% chegaram ao país por meio de São Francisco do Sul, segundo os dados do Inda.

“Tem muito material lá estocado que ainda não foi nacionalizado. Qualquer coisa que acontecer, ainda vamos ter três ou quatro meses de muita importação”, disse Loureiro, se referindo à possibilidade de o governo federal decidir aplicar medidas antidumping nos próximos meses.

Na exportação, Loureiro afirmou que as usinas instaladas no Brasil – notadamente CSN, Ternium e ArcelorMittal – aproveitaram o tempo antes da entrada em vigor das tarifas de importação dos Estados Unidos para “raspar o tacho”.

Segundo os dados do Inda, as exportações de aço plano do Brasil em fevereiro somaram 636,2 mil toneladas, um declínio de 3,9% ante janeiro, mas crescimento de 3,6% na comparação anual. Os EUA ficaram com 86,4% do volume exportado pelo Brasil no mês passado, seguidos por Argentina, com cerca de 5%.

No bimestre, as exportações de aços planos somaram 1,57 milhão de toneladas, com os EUA tendo uma participação nessas vendas de 87,1%, segundo o Inda. Loureiro citou que os preços no mercado norte-americano já subiram 30% diante das notícias da guerra comercial movida por Donald Trump.

“Os números de março e abril provavelmente vão continuar mostrando exportações para os EUA porque eles não têm alternativa que não seja importar”, disse o executivo se referindo ao material semi-acabado, placas que precisam ser laminadas antes de se transformarem em produtos finais.

Em relação às exportações de produtos siderúrgicos acabados do Brasil para os EUA, cerca de 600 mil toneladas, Loureiro afirmou que as usinas “terão problemas para exportar” para os EUA nos próximos meses diante do impacto das sobretaxas de Trump.

SIDERURGIA

IstoÉ Dinheiro - SP   21/03/2025

O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, relata que a companhia ‘está próxima’ de repensar o patamar de alocação de capital em solo brasileiro em meio a um cenário de ‘inundação de aço da China’, que provoca prejuízos à indústria nacional e subutilização da capacidade de produção da empresa no país.

Atualmente o setor pleiteia medidas do governo federal para conter de forma mais efetiva o crescimento das importações de aço chinês.

“Eu diria que estamos próximos de tomar essa decisão [de investir mais nos EUA do que no Brasil]. Agora no mês de maio vence um ano de que o governo federal colocou um mecanismo de defesa comercial chamado cota tarifa, que permite entrada de um volume de aço sem pagar uma taxa de importação maior, e acima de determinado volume essa taxa sai de 11% para 25%. Esse mecanismo não foi efetivo, as importações cresceram nos últimos 12 meses.”

O CEO da Gerdau comenta que a empresa ‘sempre esteve próxima da coisa pública’ visando promover mudanças estruturais no país.

Um dia antes de conceder entrevista ao Dinheiro Entrevista o executivo esteve com o Presidente da República em uma unidade da companhia em Ouro Branco (MG), em uma inauguração de expansão do laminador de bobinas a quente da empresa – projeto que representa um investimento de R$ 1,5 bilhão. Junto com Lula estiveram ministros como Haddad (Fazenda) e Silveira (Minas e Energia), além do Governador do Estado, Romeu Zema.

Werneck relata que o investimento feito é substancial e foi feito anos antes, quando não se sabia que a situação do mercado seria a atual, com problemas por conta da concorrência que considera ‘desleal’ com os asiáticos.

“Com a inauguração de ontem, mostramos que a Gerdau continua acreditando no Brasil. Mas em um negócio como o nosso, uma decisão que terminou ontem foi tomada cinco anos atrás. Precisamos projetar um Brasil daqui a cinco anos para tomar uma decisão, hoje, de alocar R$ 1,5 bilhão, imaginando que o Brasil vai estar melhor do que agora. Que vai ter mercado. Essa inundação de produtos chineses traz dificuldades. Nós inauguramos um equipamento ontem e hoje não temos pedidos suficientes para manter esse equipamento rodando.”

O CEO da Gerdau relatou também que o Movimento Brasil Competitivo – chefiado por Jorge Gerdau- calcula que o chamado Custo Brasil é de 22% do PIB, cerca de R$ 1,5 trilhão. O grupo empresarial trabalha em defesa de uma melhor eficiência da gestão pública.

“Aqui no Brasil temos 123 pessoas trabalhando na área tributária. Lá nos Estados Unidos temos somente três. Temos 120 pessoas a mais aqui para lidar com essa confusão que são os tributos e taxas”, conta
Juros altos e fator Trump

Sobre o impacto das decisões de política tarifária nos Estados Unidos, Werneck cita que a empresa ‘não sai ilesa’, mas descreve uma posição consideravelmente mais confortável do que a dos pares.

Isso, dado que a Gerdau possui produção de aço na América do Norte, com 11 unidades de produção de aços longos e especiais nos Estados Unidos e Canadá – e atualmente avalia ampliar a capacidade de produção em plantas como as localizadas no Michigan e Arkansas.

“Essa decisão que tomamos há 35 anos atrás, de ter operação fora do Brasil, em um país de moeda forte [EUA]….isso comprovadamente foi um acerto que tivemos. A Gerdau opera nos Estados Unidos como uma empresa local, nós não enviamos aço para lá”, comenta.

Sobre um eventual aumento de receita em solo americano por conta dos incentivos à indústria local de Donald Trump, Werneck diz que ‘num geral’ a companhia espera que ocorra.

“Esses mecanismos de defesa comercial que os EUA têm implementado e esses programas de incentivo ao aço local tem nos beneficiado, e acredito que vai continuar assim ao longo dos próximos anos. Todo esse programa de fortalecer a indústria americana tem um impacto direto e rápido no nosso dia a dia.”
Dividendos da Gerdau vão aumentar?

Sobre os resultados mais recentes, referentes ao quarto trimestre de 2024, o CEO da companhia relata que o mercado ainda tem penalizado a empresa por motivos que não considera justos.

“Todo esse debate no 4T24 é de uma realidade que não é mais a nossa. A Gerdau é muito vista ainda como uma empresa produtora de vergalhões para construção civil. Isso foi nossa história durante quase a vida toda. Mas hoje somos uma empresa que produz mais planos do que vergalhões. Não podemos ser precificados somente com base no mercado de vergalhão”, defende.

A Gerdau reportou lucro de R$ 666 bilhões no período e um Ebitda de R$ 2,4 bilhões, ao passo que o consenso Bloomberg estimava R$ 1,5 bilhão e R$ 3,2 bilhões. O mercado respondeu ao resultado com uma alta tímida de 0,7% em GGBR4 no pregão que sucedeu a divulgação do balanço, todavia alguns analistas fizeram ressalvas, citando ‘incertezas do mercado em relação à demanda e preços futuros’, como a XP, por exemplo.

Para o ano de 2025, com os efeitos da nova administração, Werneck espera um ‘resultado bastante sólido’ na operação da América do Norte.

Além disso, reforça que a gestão vê as ações da Gerdau como ‘muito baratas’ dados os múltiplos atuais e dado que a companhia abriu um programa de recompra de ações.

Sobre os dividendos da Gerdau, o executivo considera que a companhia está em um ‘patamar equilibrado’ sobre a alocação do seu lucro, citando que no momento a companhia prefere manter aportes relevantes na sua operação, com um Capex mais alto.

A Gerdau pagou R$ 0,80 por ação preferencial no acumulado dos últimos 12 meses, representando um dividend yield de 4,6%.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   21/03/2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala em reciprocidade, e não em retaliação, ao tratar das negociações comerciais com os Estados Unidos.

Em entrevista à GloboNews, Haddad disse ser preciso aguardar para ver o que o governo do presidente Donald Trump pensa do Brasil, ressaltando há uma “longa negociação” a ser feita entre os dois países e que a diplomacia brasileira tem histórico de bons resultados em casos complexos.

“Nós não estamos levando combustível para essa fogueira, estamos deixando eles apresentarem o plano de voo da relação conosco”, disse.

“Vamos deixar as semanas correrem, vamos aguardar para ver o fechamento desse entendimento… O presidente Lula fala em reciprocidade, não fala em retaliação.”

Em declarações pública, Lula tem afirmado que se houver taxação dos EUA sobre produtos brasileiros, haverá reciprocidade. No entanto, o governo ainda não agiu depois dos anúncios de tarifas sobre aço e menção sobre o etanol brasileiro.

ATUAÇÃO DO BC

Ao falar sobre a condução da taxa básica de juros no país, Haddad afirmou que Banco Central tem que olhar para as expectativas de inflação ao executar a política monetária, mas também tem que observar os fundamentos da economia.

Haddad afirmou confiar que o BC olhará para todas as variáveis e trará a inflação para a meta da maneira mais inteligente possível.

“O BC tem que olhar para a expectativa, sim, o modelo do BC considera as expectativas para a tomada de decisão, mas ele tem que olhar também para os fundamentos da economia”, afirmou.

Ao elevar a taxa básica de juros a 14,25% ao ano nesta semana, a autoridade monetária mencionou a desancoragem das expectativas de mercado para a inflação, mas também fez alertas sobre a resiliência da atividade econômica do país e pressões do mercado de trabalho.

Na entrevista, Haddad citou “barbeiragens” feitas por economistas na elaboração de estimativas para a economia, que são usadas pelo BC em suas avaliação. Para ele, o governo recebe cobranças maiores quando erra projeções.

O ministro disse ter confiança na liderança de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e nos outros diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a autarquia.

Ele ainda defendeu a atuação do governo na área fiscal, afirmando que todas as medidas enviadas Executivo foram na direção correta e estão produzindo resultados positivos.

Questionado sobre a preocupação de analistas com a trajetória crescente da dívida pública brasileira, o ministro afirmou que não se pode projetar o endividamento do país à frente com base na atual taxa Selic.

“Você está projetando a trajetória da dívida imaginando que essa Selic é eterna? Essa Selic é momentânea para corrigir um problema inflacionário que tem razões domésticas, mas tem razões externas também”, disse.

O Estado de S.Paulo - SP   21/03/2025

ripulação, preparar para o pouso. Depois de três reuniões em que a taxa básica da economia, a Selic, subiu em velocidade constante — 1 ponto porcentual a cada vez que os diretores do Banco Central (BC) se reuniram desde dezembro —, o Comitê de Política Monetária (Copom) avisou nesta quarta-feira, 19, que, salvo mudança relevante do cenário, pretende reduzir o ritmo em maio.

O comunicado, ao estabelecer 0,75 ponto porcentual como o teto da próxima decisão, reforçou a percepção do mercado de que o BC encaminha para o fim o ciclo de aperto de juros.

Não houve compromisso, no entanto, de que o BC fará em maio o último aumento da Selic, pois a autoridade monetária não deu pistas para além de seu próximo encontro. Assim, na sequência do comunicado em que o Copom confirmou a elevação dos juros para 14,25% ao ano, as primeiras reações no mercado mostraram convergência para o fim do ciclo em junho, mas também há quem aposte que o BC vai passar a régua e fechar a conta já em maio.

No texto em que expõe os primeiros argumentos que levaram à alta da Selic, o Copom mostra-se ainda preocupado com a desancoragem das expectativas, fala em elevada incerteza e apresenta o diagnóstico de que a atividade econômica, apesar de sinais de desaceleração, mostra dinamismo e resiliência. Essa visão ajudou a reforçar projeções, majoritárias, de que a Selic vai subir pelo menos mais uma vez após maio, chegando a 15% ou 15,25% em junho.

Por outro lado, o BC, além de indicar que seu próximo passo será um aumento em menor magnitude da Selic, fez menção a efeitos defasados do aperto monetário. Foi, na interpretação de alguns economistas, uma senha de que as altas dos juros estão chegando ao fim, por sugerir um entendimento de que a política monetária, em território já bastante restritivo, terá efeito sobre a inflação. Após a leitura do comunicado, economistas de bancos como BMG e BNP Paribas projetaram fim de ciclo em maio, com uma elevação final da taxa entre 0,50 e 0,75 ponto porcentual.

Com a experiência de quem já esteve no Copom, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, observou que menções às defasagens da política monetária ocorrem, historicamente, antes do fim do ciclo de ajustes.

Ele pondera que isso não sugere que o Copom “necessariamente interrompa o aperto monetário”. Em maio de 2022, o Copom fez menção a defasagens na ata de sua reunião e, ainda assim, fez mais dois aumentos de 0,5 ponto porcentual.

A previsão do Itaú, assim como a de economistas de bancos como Bank of America, Barclays, Daycoval e BTG Pactual, é de que a Selic vai subir mais duas vezes e chegar a 15,25%.

O Estado de S.Paulo - SP   21/03/2025

A notícia foi divulgada pelo IBGE no dia 7 de março de 2025, e só hoje a estou comentando porque no dia anterior eu havia publicado meu artigo neste espaço, e escrevo a cada duas semanas. O governo e muitas pessoas se contentaram com a taxa de 3,4%, mas ela veio de novo no contexto de baixas taxas de crescimento econômico desde 1980. E esse crescimento é cíclico, em ondas que não se sustentam. Entendo que isso ainda é mal compreendido pela população do País, que parece dominada por baixas aspirações quanto ao crescimento econômico nacional e não reclama.

De minha parte, acho que o Brasil deveria ter uma meta de crescimento maior, começando com 4% ao ano, e num caminho marcado por mais investimentos públicos e privados, porque hoje são muito baixos. E são maiores investimentos em Formação Bruta de Capital Fixo que levam a uma produção maior, a mais empregos, mais renda, tudo aquilo que impulsiona a economia de um país e seu Produto Interno Bruto (PIB).

O relatório do IBGE sobre 2024 e seus demais dados mostram duas fragilidades importantes do PIB. A primeira foi que esta taxa de investimento relativamente ao PIB manteve-se em nível baixo, de 17%, quando para crescer bem mais precisaria ficar mais próxima de 25% do PIB.

A segunda fragilidade é que a partir do segundo trimestre de 2024 as taxas trimestrais de variação do PIB foram decrescentes até o último trimestre. Mais precisamente, 1,3%, 0,7% e 0,2% no segundo, terceiro e quarto trimestres, respectivamente. E isso é um dos fatores que sustentam as previsões da maioria dos analistas, de que em 2025 o PIB crescerá mais perto de 2% do que de 3%, lembrando que as taxas de 2022, 2023 e 2024 ficaram próximas desta última, ou seja, 3%, 3,2% e 3,4%, respectivamente. Isso levaria a um novo ciclo de taxas insatisfatórias, que marca a maior parte das taxas pós-1980.

Segundo o IBGE, pela “(...) ótica da despesa, houve crescimento de 7,3% da Formação Bruta de Capital Fixo, os investimentos. Tal crescimento é explicado pelo aumento tanto da produção interna de bens de capital quanto de sua importação, além da expansão da Construção e do Desenvolvimento de Software”. Mas a taxa de investimento anual só passou de 16,4% para 17% do PIB entre 2023 e 2024.

Volto agora, mais uma vez, à minha repetida pregação, que resume a situação da economia retornando ao passado e contemplando o futuro próximo, a visão dos agentes políticos, que não demonstram preocupar-se com o baixo crescimento econômico, e o que poderia ser feito a respeito. Ao leitor peço desculpas pela repetição, mas pregações precisam ser repetidas para que tenham alguma chance de serem ouvidas.

No momento, como vimos, a situação da economia olhando o presente e o futuro é a de um ciclo em que suas três últimas taxas anuais, em torno de 3%, se esgotaram e a perspectiva é de um crescimento mais próximo de 2%. Olhando a área política federal, o presidente Lula continua preocupado, mesmo, é com sua reeleição e segue uma política de gastos que provoca inflação e contrasta com a disposição do Banco Central de combatê-la levando a juros elevados, que também oneram a dívida pública e prejudicam o investimento, que permitiria maior crescimento.

Sua mais recente medida, populista, voltada para sua queda de popularidade e confirmada na terça-feira passada, foi a remessa ao Congresso Nacional de um projeto de lei que isenta o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais e corta o imposto para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, com uma perda de arrecadação estimada pelo governo em R$ 27 bilhões, mas que alguns analistas calculam que poderá ser maior. Essa conta o governo pretende financiar com o aumento de alíquota para quem ganha acima de R$ 50 mil, o que os atingidos procurarão contornar em parte. Ademais, há o risco de o Congresso aprovar a isenção, e não a nova tributação. Sem se preocupar com o crescimento, é por aí que o governo segue gerando também novas incertezas, que diminuem a confiança dos empreendedores e os seus investimentos.

Quanto ao Congresso, ele tampouco demonstra maior preocupação com o crescimento econômico do País e aparenta estar mais interessado nas suas emendas parlamentares. Na minha opinião, elas deveriam ser completamente extintas, pois a Constituição diz que todos são iguais perante a lei, mas nas eleições os parlamentares que distribuíram emendas têm maiores chances de serem eleitos do que os candidatos sem mandato, conforme demonstrado pelas eleições passadas.

Para voltar a atenção do governo para o crescimento, um caminho, já apontado anteriormente, seria pressioná-lo para criar uma meta começando com 4% ao ano, que, se não cumprida, abriria uma grande discussão dos fatores que impediram isso e como atuar em sentido contrário. Isso ocorre com a meta de inflação. Como a sociedade em geral não pressiona pelo crescimento econômico, minha proposta é de que os empresários, por meio de suas associações, se organizassem para exercer essa pressão. E a imprensa também poderia colaborar na mesma direção.

O Estado de S.Paulo - SP   21/03/2025

O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira, 20, o Orçamento de 2025, com três meses de atraso – o esperado era que a peça orçamentária fosse votada antes do Natal. No texto aprovado pelos parlamentares, que vai à sanção presidencial, há a previsão de um saldo positivo de R$ 15 bilhões nas contas públicas – que ignorou o aumento de despesas e a projeção menor de arrecadação feita por especialistas e por técnicos do próprio Legislativo. Além disso, os congressistas usaram parte da economia do pacote fiscal aprovado no ano passado para aumentar o valor de emendas parlamentares, que somarão R$ 50 bilhões.

O Congresso optou por reestimar a arrecadação federal para cima em R$ 22,5 bilhões neste ano, enquanto técnicos recomendavam uma abordagem mais conservadora devido à dinâmica da economia neste ano. Enquanto o projeto estima um superávit de R$ 15 bilhões por conta da arrecadação turbinada, a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado afirma que o governo deve fechar o ano com um déficit de aproximadamente R$ 15 bilhões, apontando para um resultado negativo, no sentido contrário.

Dentro do projeto, estão receitas que dificilmente serão concretizadas, como R$ 28,6 bilhões de arrecadação pela volta do voto de qualidade no Carf (Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais), o tribunal da Receita Federal. Em 2024, o governo disse que poderia arrecadar R$ 54,7 bilhões com essa medida, mas menos de R$ 300 milhões entraram de fato nos cofres públicos.

Para 2025, integrantes da equipe econômica já admitiram que a medida não vai gerar os efeitos pretendidos mais uma vez. Além disso, o governo projetou o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e os Juros sobre Capital Próprio (JCP) para empresas – medida que não foi aprovada.

Na parte das despesas, o Congresso aumentou a projeção de gastos com benefícios previdenciários em R$ 8 bilhões, após o aumento do salário mínimo e da inflação, que impactam diretamente no valor dos pagamentos aos aposentados e pensionistas e também no seguro desemprego e no abono salarial.

O valor foi apresentado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento e o relator atendeu exatamente o que o governo solicitou nesse ponto. Consultores da Câmara dos Deputados, porém, indicaram que o aumento de despesas obrigatórias vai gerar uma pressão ainda maior, de R$ 32,8 bilhões no Orçamento deste ano.

“O Orçamento é justo, equilibrado e atende as necessidades do Brasil”, disse o relator do projeto, senador Angelo Coronel (PSD-BA), ao ler o parecer na Comissão Mista de Orçamento (CMO). “Talvez não seja a peça perfeita, mas foi um tempero que pode contemplar o Congresso Nacional, o Poder Judiciário, o Poder Executivo e o povo brasileiro em geral.”

Bolsa Família, Auxílio Gás e Pé-de-Meia

O Legislativo aprovou ainda um corte de R$ 7,7 bilhões no Bolsa Família, que ficou com R$ 159,5 bilhões, e de R$ 4,8 bilhões no programa de ensino integral, que foi zerado, também a pedido do governo, para incorporar medidas de pente-fino e o pacote de corte de gastos aprovado no ano passado. O relator incluiu ainda R$ 3 bilhões para viabilizar o Auxílio Gás neste ano, após o governo tentar turbinar o programa por fora do Orçamento e não colocar os recursos necessários para beneficiar as famílias atendidas.

O programa Pé-de-Meia ficou com apenas R$ 1 bilhão, sendo que o gasto total pode chegar a R$ 15,5 bilhões. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a inclusão dos valores na peça orçamentária, o que ainda não foi concretizado.

O Orçamento reservou apenas R$ 80,9 milhões para o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais, criado pela reforma tributária para compensar os Estados pelo fim dos incentivos do ICMS – o valor necessário era de R$ 8 bilhões. A emenda constitucional aprovada em 2023 obrigava a União depositar o valor em 2025, mas o governo não fez a previsão da despesa.

Com esse rearranjo nas contas, parte do espaço fiscal aberto com o pacote de corte de gastos foi ocupado por emendas parlamentares, recursos indicados por deputados e senadores para seus redutos eleitorais. O Congresso aumentou o valor de R$ 39 bilhões para R$ 50,4 bilhões, com a inclusão de R$ 11,4 bilhões em emendas de comissão – herdeiras do orçamento secreto, esquema revelado pelo Estadão.

O governo havia estimado uma economia de gastos com emendas no pacote fiscal, em função do crescimento menor que os recursos terão após limites aprovados no ano passado. Os valores das emendas de comissão, no entanto, não estavam no Orçamento enviado pelo governo ao Congresso, e foram incluídos durante a tramitação na Comissão Mista do Orçamento.

Atraso na votação se explica por congelamento de emendas

O atraso na votação do Orçamento deste ano teve como pano de fundo o impasse no pagamento de emendas parlamentares, provocado por uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no ano passado. A votação acabou destravada após uma promessa do governo, transmitida pela ministra Gleisi Hoffmann, que assumiu a articulação política do Palácio, de pagar emendas que não foram quitadas em 2024 e liberar novos recursos pelos ministérios, com o aval de parlamentares, neste ano.

Dino havia mandado o governo congelar os repasses por falta de transparência sobre quem são os deputados e senadores que enviaram os recursos a Estados e municípios, além dos critérios para a transferência.

Desde então, o Congresso aprovou um projeto de lei complementar e uma resolução de procedimentos internos para responder às ordens de Dino, mas não vedou efetivamente que emendas parlamentares sejam feitas sem a identificação do autor do repasse. Na última terça-feira, 18, Dino pediu novas explicações ao Congresso e a expectativa é que ele dê a palavra final nas próximas semanas.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), confirmou que o governo se comprometeu em pagar as emendas que ficaram bloqueadas em 2024 na negociação para liberar a votação do Orçamento.

“Reconhecemos que tem dívida, o governo reconhece que tem dívida”, disse Rodrigues, estimando que ela gira em torno de R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões. “Tudo o que tiver de dívida, o governo vai buscar mecanismos para fazer o pagamento. Vamos apresentar um cronograma. A gente pediu um tempo para fazer a apresentação desse cronograma, mas no máximo, logo após o retorno do presidente, já com o estabelecimento da nova comissão de orçamento, na primeira reunião, a gente pretende já ter construído e apresentado esse cronograma”, acrescentou.

O governo tem a meta de zerar o déficit nas contas públicas em 2025, mas há uma tolerância de um resultado negativo de R$ 31 bilhões autorizado pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) – o chamado “piso” da meta. O cumprimento dessa meta só será possível porque o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o Poder Executivo a retirar R$ 44,1 bilhões em despesas com precatórios (dívidas judiciais da União) da meta.

Se as projeções dos economistas se confirmarem, o Orçamento estará inflado e será preciso um corte nas despesas do governo federal ao longo do ano para cumprir a chamada meta de resultado primário – que é o equilíbrio entre receitas e despesas, sem contar os juros da dívida – e o arcabouço fiscal, que limita o crescimento dos gastos públicos. O que pode aliviar é um aumento na arrecadação dos impostos federais, como aconteceu nos dois primeiros meses do ano, mas o cenário é incerto devido ao desempenho da economia daqui para frente.

Endividamento ainda preocupa

De acordo com o diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana, o Orçamento ainda está distante de equilibrar a contas a ponto de estancar o crescimento do endividamento público, que atingiu 75,3% do PIB em janeiro e deve ultrapassar 80% do PIB no final do ano. “O Orçamento é uma bússola e tem uma solidez de projeções, mas a realidade vai indicar o grau de irrealismo da peça orçamentária”, diz Pestana.

O forte comprometimento do Orçamento com despesas obrigatórias, como salários e aposentadorias, e transferências diretas de programas sociais, como o Bolsa Família, ainda é um problema a ser enfrentado e o Orçamento continua dependendo do crescimento das receitas. No primeiro bimestre de 2025, o governo teve um crescimento real (acima da inflação) de 3% na arrecadação.

O resultado daqui para frente, no entanto, pode ser impactado pelo desempenho da economia, pela redução da massa salarial, pelo aumento da taxa de juros e pelo cenário internacional com a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Não vemos dificuldade de o governo cumprir a meta, mas isso se dá num quadro muito distante de um objetivo estratégico, que é gerar um superávit primário de 2,5% do PIB para estancar o crescimento da dívida, e com um patamar de investimentos absolutamente medíocre comparado a outros países com taxas mais promissoras”, afirma o especialista. Os investimentos somaram R$ 89,4 bilhões no relatório, valor considerado pequeno para Pestana quando comparado a um Orçamento de R$ 2,3 trilhões.
Governo consegue fôlego maior para mexer no Orçamento por conta própria

O governo reverteu em negociação de última hora uma restrição que havia sido imposta pelo relator, o senador Angelo Coronel a uma manobra do Executivo para remanejar, sem autorização do Legislativo, 30% de suas despesas. O parlamentar havia restringido a autorização a 10% dos gastos da União, mas após a interrupção da votação, na Comissão de Mista de Orçamento, aceitou o porcentual pleiteado pelo Palácio do Planalto.

O governo Lula também conseguiu a autorização para remanejar, sem autorização do Parlamento, 25% das despesas do PAC – o equivalente a R$ 15 bilhões.

Com isso, o governo poderá acomodar os gastos com o programa Pé-de-Meia no Orçamento, como determinou o TCU, em até 120 dias, sem recorrer à autorização do Congresso para cancelar outras despesas como compensação.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, afirmou que, apesar do sinal verde ao remanejamento, o governo vai enviar um projeto de lei para inserir no Orçamento o Pé-de-Meia – bolsa paga a estudantes do ensino médio para incentivar a permanência dos jovens e adolescentes nos estudos.
Minha Casa Minha Vida turbinado

O Orçamento aprovado no Congresso prevê R$ 27,33 bilhões em gastos com o Minha Casa, Minha Vida, um dos programas que são carro-chefe do PT. O governo Lula vai lançar uma nova faixa de atendimento do programa, voltado a famílias de classe média, com renda de até R$ 12 mil – hoje, as famílias atendidas devem ter renda, no máximo, de R$ 8 mil. Para isso, foram reservados R$ 18,33 bilhões.

O presidente Lula assinou uma medida provisória (MP) autorizando o uso do Fundo Social, formado com recursos do pré-sal, para essa modalidade. O dinheiro é classificado como um gasto financeiro, portanto, fora do teto de gastos do arcabouço fiscal, e por ser um empréstimo, deve voltar para os cofres do governo.

Os recursos para a faixa 1 do programa, voltada para a população de baixa renda, ficaram em R$ 9,2 bilhões, com um corte de R$ 1,24 bilhão em relação à proposta original do governo.

Infomoney - SP   21/03/2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira, 20, que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, é uma pessoa séria e tecnicamente preparada para a função, que é trazer a inflação para a meta com inteligência. A declaração foi realizada em entrevista à Globonews.

Haddad foi questionado sobre uma declaração feita por ele mesmo no período da manhã, dizendo que não esperava que Galípolo desse um “cavalo de pau” na gestão da autoridade monetária.

“O Galípolo é uma pessoa muito séria. Na minha opinião, é uma pessoa não só tecnicamente preparada, mas eu acredito que ele é uma pessoa psicologicamente preparada para o cargo, porque não é um cargo simples. É um cargo que recebe muita pressão de todas as forças sociais do País”, disse o ministro da Fazenda.
Haddad afirmou que, com base em entrevistas e declarações anteriores de Galípolo, era sabido que ele cumpre as guidances e que o BC havia contratado, ainda em 2024, três altas da Selic, encerrando este ciclo na reunião de março, o que foi cumprido pela nova diretoria.

“Galípolo tem um compromisso com a coerência das medidas do BC para cumprir o seu mandato, qual seja, trazer a inflação para a meta. Esse é um compromisso do Galípolo, com inteligência. Há várias formas de fazer isso, e tem a forma mais inteligente de fazer isso, porque, se fosse uma coisa que fosse resolvida por um algoritmo, não precisava nem de diretor. Você rodava o algoritmo e aplicava a fórmula na reunião, não precisava de diretor”, declarou o ministro.

Haddad disse que confia que o Banco Central olhará para os dados e conduzirá a inflação para a meta com inteligência. “O BC tem que olhar para a expectativa, sim, o modelo do BC considera as expectativas para a tomada de decisão. Mas ele tem que olhar também para os fundamentos da economia, é uma combinação. Por isso que tem uma arte no Banco Central, não é uma ciência exata. O que eu confio que vai acontecer é que o Banco Central vai olhar para todas essas variáveis, sabe que tem um mandato a cumprir, sabe que tem que trazer a inflação para a meta e vai fazer isso da maneira mais inteligente possível”, comentou.

O ministro criticou algumas projeções de economistas, como quando estimaram que o dólar ultrapassaria a barreira dos R$ 7 após o estresse no câmbio no final de 2024. “É curioso, e a vida é assim: ninguém cobra esses economistas sobre a barbeiragem da previsão. Mas se o governo tivesse dito uma coisa dessa, para o lado contrário, ele ia estar sendo cobrado aqui”, disse.

Durante a entrevista, ele voltou a repetir sobre como a transição de 2022 foi traumática, e também ponderou sobre o desafio de o governo conviver por dois anos com um presidente de Banco Central indicado em governo anterior.

MINERAÇÃO

Brasil Mineral - SP   21/03/2025

A Mina Miguel Burnier se junta a um grupo exclusivo de 11 minas de todo o mundo que concluíram e receberam o reconhecimento pós processo de avaliação.

A Gerdau informa que recebeu reconhecimento do padrão IRMA (Iniciativa para Garantia de Mineração Responsável) para sua mina de minério de ferro Miguel Burnier, localizada no município de Ouro Preto (MG). O reconhecimento é concedido pelo fato de a operação ter atingido o nível de desempenho IRMA 50, “concedido após uma auditoria independente realizada pela SCS Global Services. Essa conquista reforça a transparência e o compromisso da empresa com a sustentabilidade e a integridade dos negócios”, como informa a Gerdau.
Segundo a Gerdau, o reconhecimento atesta que a Mina Miguel Burnier foi avaliada por auditores independentes que analisaram aproximadamente 400 requisitos, divididos em quatro princípios: integridade corporativa, planejamento para legados positivos, responsabilidade social e responsabilidade ambiental. Com essa conquista, a Mina Miguel Burnier se junta a um grupo exclusivo de 11 minas de todo o mundo que concluíram e receberam o reconhecimento pós processo de avaliação.

"Como uma empresa genuinamente brasileira, com mais de 124 anos de história, a Gerdau segue comprometida em fazer parte das soluções para os desafios da sociedade e impactar positivamente as regiões onde atua. A mineração responsável é um dos pilares estratégicos da Gerdau e o reconhecimento IRMA 50 reafirma que estamos sempre buscando aprimoramento contínuo, diálogo aberto com as comunidades e adoção das melhores práticas no setor", diz Wendel Gomes, diretor de Mineração e Matérias-Primas da Gerdau.

"Por meio do relatório de auditoria da IRMA para a Mina Miguel Burnier, os stakeholders têm acesso público a informações que podem ser usadas para entender o que está indo bem e o que pode exigir mais atenção e melhoria. Um relatório de auditoria da IRMA pode ser uma ferramenta usada pelos stakeholders para elaborar um diálogo construtivo e impulsionar melhorias no nível do local da mina", disse Aimee Boulanger, Diretora Executiva da IRMA.

Criada para melhorar o desempenho ambiental e social das operações de mineração, a IRMA é uma iniciativa global que avalia o desempenho das minas de acordo com uma definição comumente acordada das melhores práticas em mineração entre um conjunto diversificado de stakeholders. Ela garante a participação igualitária entre todos os stakeholders, incluindo empresas de mineração, compradores de minério, investidores, organizações trabalhistas, comunidades e ONGs. O processo de auditoria voluntária envolve avaliações detalhadas realizadas por firmas independentes, incluindo visitas in loco para verificar a conformidade da operação com os mais altos padrões internacionais.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   21/03/2025

Há tempos em que a tecnologia automotiva avança por caminhos inusitados. Este é o caso da Bosch, que acaba de confirmar o desenvolvimento de um motor capaz de rodar com diesel e etanol ao mesmo tempo. A empresa alemã, vale lembrar, ajudou a criar os motores flex no começo dos anos 2000.

O novo motor funciona com partes iguais de diesel e etanol, o que representa uma diferença em comparação com os propulsores flex, que podem misturar gasolina ou etanol em qualquer proporção. Neste novo sistema, o combustível fóssil será injetado no início da operação do propulsor para que, depois, o derivado de cana-de-açúcar entre gradativamente na mistura.

Para tornar a combinação possível, a Bosch instalou um segundo sistema de injeção de combustível (sendo este a etanol) e um controlador eletrônico da mistura. Dessa forma, o propulsor detecta de forma autônoma a possibilidade de substituição e, sem qualquer interferência do condutor, ajusta a proporção de diesel e etanol.

A Bosch trabalha no desenvolvimento deste novo motor há pelo menos uma década, mas apenas em 2024 os estudos avançaram suficientemente ao ponto de viabilizar sua produção em escala comercial. Outro fato interessante é que essa tecnologia não é nova: foi aplicada comercialmente no Brasil em 1983, pela antiga empresa Valmet, como revelou o site Auto Entusiastas. Na ocasião, a combinação de diesel e etanol não foi bem aceita.

A intenção da Bosch é que a tecnologia esteja pronta para ser lançada no fim deste ano. Antes de aparecer em caminhões e ônibus, entretanto, o inédito motor vai dar as caras em máquinas agrícolas, como colheitadeiras e locomotivas.

De acordo com a Bosch, existem mineradoras que consomem 1 milhão de litros de diesel por ano. Logo, um motor que também consome etanol poderia equilibrar a balança e emitir menos dióxido de carbono (CO2). Por se tratar de uma tecnologia em testes, ainda não é possível mensurar a redução do impacto ambiental ao adicionar o derivado de cana-de-açúcar na mistura do diesel.

Após a incorporação em colheitadeiras e locomotivas, a Bosch pretende apresentar a mesma tecnologia para motores de caminhões. A empresa obteve financiamento de R$ 521 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da (Finep) para o viabilizar o projeto.

A chegada dos motores que combinam diesel e etanol representaria uma revolução para a mobilidade brasileira. A própria Bosch esteve à frente de outra inovação que mudou a indústria automotiva para sempre: o lançamento do primeiro motor flex, em 2003.

Naquele ano, 22 anos atrás, o Volkswagen Gol chegava às lojas na versão Total Flex, que poderia combinar qualquer proporção de gasolina e etanol. Os primeiros meses foram difíceis por conta da tecnologia recém-incorporada, mas os conjuntos flex logo se consagraram e hoje equipam até modelos de luxo no Brasil. Mesmo veículos híbridos, aos poucos, se tornam compatíveis.

Valor - SP   21/03/2025

Toyota, Honda, Nissan, Subaru, Mazda, Mitsubishi e Suzuki viram seus lucros combinados caírem no quarto trimestre de 2024, o que deve se repetir no primeiro e segundo trimestres deste ano

As sete principais montadoras japonesas se preparam para entrar em uma fase prolongada de declínio de lucro, já que a competição cada vez maior nos Estados Unidos e as despesas crescentes pesam sobre seus lucros.

Toyota, Honda, Nissan, Subaru, Mazda, Mitsubishi e Suzuki viram seus lucros combinados caírem no quarto trimestre de 2024, o que deve se repetir no primeiro e segundo trimestres deste ano.

O lucro operacional combinado totalizou 1,99 trilhão de ienes (US$ 13,3 bilhões) no período de outubro a dezembro, caindo 25% na comparação com um ano antes, sendo o segundo trimestre consecutivo de declínio.

Cinco das sete montadoras relataram queda. O lucro da Toyota caiu 28%, para 1,21 trilhão de ienes, enquanto a Nissan recuou 78%, para 31,1 bilhões de ienes, e a Mitsubishi afundou 75%, para 13,8 bilhões de ienes. A Honda subiu 5%, para 397,3 bilhões de ienes, graças às fortes vendas de motocicletas, enquanto a Suzuki avançou 9%, para 144,7 bilhões de ienes, graças às fortes vendas domésticas.

As vendas consolidadas combinadas para as sete montadoras aumentaram 3% no ano no quarto trimestre do ano passado, atingindo 25 trilhões de ienes, impulsionadas pelo iene fraco. As vendas globais de unidades caíram 2%, para 6,36 milhões. Mas excluindo as vendas da Honda e da Nissan na China — que estão em queda contínua — resultaria em um ligeiro aumento.

Os lucros estão diminuindo em parte porque a lucratividade está sendo minada pela intensificação da concorrência nos Estados Unidos. Um grande aumento nos incentivos de vendas pagos aos revendedores está espremendo os lucros das montadoras.

A média da indústria para incentivos nos Estados Unidos era de quase US$ 4 mil por veículo no fim de 2024, aumentando 50% em um ano, relata a Cox Automotive. A Subaru, que tem incentivos relativamente baixos, viu esses valores dobrarem para pouco mais de US$ 2.500.

"Como os mercados chinês e europeu não estão indo tão bem, as montadoras japonesas, americanas e europeias estão todas se concentrando na América do Norte", disse Katsuyuki Mizuma, diretor do conselho da Subaru, em uma conferência de lucros em fevereiro.

Até a Toyota, que tem os menores incentivos dos Estados Unidos na indústria, aumentou-os para quase US$ 2 mil, mais que o dobro de um ano atrás.

Os incentivos da Honda subiram 130%, para quase US$ 3.500. Seus veículos elétricos, que foram lançados em 2024, ajudaram a aumentar o valor. Os incentivos para veículos elétricos permanecem e cerca do dobro da média da indústria.

Os incentivos gerais da Nissan foram de quase US$ 4.500, um aumento de 60% em relação a 2023.

As despesas também estão aumentando, principalmente os custos de desenvolvimento e mão de obra para veículos eletrificados. O investimento da Toyota em áreas de crescimento como veículos elétricos e software reduziu o lucro em 70 bilhões de ienes no quarto trimestre de 2024, enquanto o aumento dos custos de mão de obra — incluindo em fornecedores — reduziu o lucro em 130 bilhões de ienes.

Os custos de pesquisa e desenvolvimento reduziram o lucro em 17,5 bilhões de ienes para a Honda e em 7,5 bilhões de ienes para a Mazda.

As tendências de lucros entre as sete montadoras nos últimos anos mostram que os aumentos ou reduções do lucro operacional trimestral ano a ano tendem a continuar por períodos prolongados.

Coletivamente, um aumento ano a ano mudou para queda no trimestre seguinte apenas cinco vezes nos últimos 10 anos. No trimestre seguinte a cada uma dessas mudanças iniciais para declínio, os lucros continuaram a diminuir ou até mesmo mergulharam em território de prejuízo quatro das cinco vezes, incluindo no último trimestre de 2024.

Por outro lado, das quatro vezes em que os lucros passaram de uma queda ano a ano para um aumento, eles continuaram a aumentar ou entraram no azul no trimestre seguinte, três dessas vezes.

Esses ciclos de lucro tendem a ser relativamente longos por vários motivos. No passado, a principal causa era que as tendências de oferta e demanda impulsionadas pelas taxas de câmbio ou pela pandemia de covid-19 continuaram por algum tempo.

Hoje, as tendências prolongadas de incentivos e despesas crescentes são um fator importante.

"Um dos motivos é que o ciclo de renovação do modelo para automóveis é mais longo do que para outros produtos", disse Seiji Sugiura, do Tokai Tokyo Intelligence Laboratory.

Levar um novo modelo ao mercado geralmente leva de três a cinco anos, do desenvolvimento ao lançamento. E se as vendas do novo modelo forem baixas, o corte da produção pode levar vários meses devido a considerações de emprego e equipamento, disse Sugiura. Os lucros da Nissan pioraram devido às vendas fracas de seus principais modelos na América do Norte.

O lucro operacional combinado das montadoras japonesas deve cair 12% de janeiro a março deste ano, com base em suas próprias previsões. A estimativa de consenso do mercado apurado pelo provedor de dados Quick mostra um declínio de 2%. O mercado também espera um recuo de 9% de abril a junho.

As tarifas propostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, podem aprofundar essas dificuldades. O Boston Consulting Group estimou que, se forem impostas taxas de 25% sobre importações do Canadá e México, 60% sobre a China e 20% sobre outros países, o Japão incorreria em uma carga tarifária de US$ 11 bilhões somente sobre automóveis e peças. A carga do México no setor chegaria a US$ 45,1 bilhões.

Entre as montadoras japonesas, espera-se que a Nissan e a Mazda sejam particularmente afetadas. A Nissan depende das exportações mexicanas para cerca de 35% de suas vendas nos Estados Unidos. No caso da Mazda, quase 30%. Ambas as empresas também exportam do Japão para os Estados Unidos.

IstoÉ Dinheiro - SP   21/03/2025

Medida afeta mais de 46 mil veículos. Agência americana alerta sobre risco de desprendimento de peça da lataria após vídeos nas redes sociais supostamente demonstrarem o problema.Autoridades americanas fizeram um recall nesta quinta-feira (20/3) de praticamente todos os Cybertrucks vendidos pela Tesla nos Estados Unidos, num novo baque para a fabricante de carros elétricos do bilionário Elon Musk.

O recall, emitido pela Administração de Segurança no Tráfego em Rodovias Nacionais (NHTSA, na sigla em inglês), afeta mais de 46 mil veículos. Segundo o órgão, um painel externo que percorre os lados do para-brisa pode se desprender durante a viagem, pondo em perigo outros motoristas e aumentando o risco de acidentes.

As peças em questão são duas faixas de aço inoxidável afixadas à direita e à esquerda, entre o para-brisa e o teto do carro, com um adesivo que pode se desprender. O risco afeta os carros ano 2024 e 2025, fabricados entre novembro de 2023 e fevereiro de 2025.

Antes do anúncio da NHTSA foram divulgados nas redes sociais vídeos em que pessoas arrancam painéis de Cybertrucks com as mãos. O órgão contabiliza 151 queixas de proprietários do carro, mas sem registros de acidentes ou feridos. A Tesla fará a reposição do painel sem custos. As cartas de notificação começarão a ser enviadas a proprietários de veículos em 19 de maio.

Novo modelo

Mais novo modelo da Tesla, o Cybertruck começou a ser entregue a compradores no fim de 2023. É a oitava vez, nos últimos 15 meses, que há um recall do modelo. Em novembro de 2024, a falha dizia respeito a um inversor elétrico que podia reduzir a potência das rodas. Antes disso, em abril, outro recall visou pedais de aceleradores que poderiam travar.

O recall desta quinta-feira é mais um revés para Musk e a Tesla. A montadora está sob críticas desde que Donald Trump voltou à Casa Branca e encarregou o empresário de liderar uma ofensiva para cortar gastos e funcionários do governo americano.

O alinhamento de Musk com a administração do republicano tem sido associado à queda de ações e vendas de carros da companhia. Uma onda de vandalismo contra veículos, estações de recarga e concessionárias da marca tem se alastrado, inclusive na Alemanha, após Musk declarar apoioao controverso partido de ultradireita Alternativa para Alemanha (AfD).

Mesmo antes da escalada dos ataques à Tesla nos EUA das últimas semanas, a empresa já enfrentava dificuldades, registrando queda de 42% no valor de suas ações e retração das vendas, em meio a uma concorrência cada vez mais acirrada com montadoras rivais, especialmente da China.

Em meados de março, a montadora enviou carta não assinada a uma agência do governo americano para promoção do comércio exterior em que se queixa da política de tarifas de Trump, alegando que a medida poderia prejudicar a Tesla e torná-la menos competitiva dentro do país e no exterior.

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   21/03/2025

A indústria de caminhões vem atravessando momento delicado frente ao aumento da taxa básica de juros, 13,25% ao ano, com possibilidade de avançar para 14,25% ainda em março e terminar 2025 em 15%.

Se, por um lado, ainda estão sendo produzidos caminhões que foram negociados durante a Fenatran, em novembro, por outro quando as entregas acabarem – com a ressalva de que alguns pedidos foram cancelados diante do cenário – é possível que o mercado comece a se retrair por causa do encarecimento do crédito.

“Existe a tendência de queda nas vendas por causa do financiamento proibitivo”, assinalou Alexandre Parker, vice-presidente da Anfavea, durante a abertura do Fórum AutoData Perspectivas Caminhões na terça-feira, 18. “Esta é uma realidade. Embora a entidade ainda trabalhe com projeção de mercado estável muitas associadas já estão com expectativa de queda nas vendas.”

Para Parker os próximos três meses serão cruciais para balizar como o segmento se comportará este ano. A favor dele existe a expectativa de aumento de 10% da safra de grãos, para 328 milhões de toneladas, o que configurará uma super safra. Também o índice de confiança do consumidor segue trajetória ascendente e o PIB, ainda que abaixo do crescimento de 2024, deverá encerrar o ano com alta de 2%.

“Este contexto poderá impulsionar a demanda por caminhões semipesados e pesados, mas que comprarão por uma necessidade de entrega de grãos. Tanto que muitos deles têm comprado à vista, de 25% a 30%, mas, sabemos, que só com quem tem dinheiro em caixa e realmente precisa do veículo novo. Ou seja: o reflexo é limitado.”

Dados da Anfavea apresentados por seu vice-presidente apontam que 78% das vendas de caminhões têm sido de semipesados e pesados, e que por causa do valor mais robusto requerem financiamento: “Os bancos de montadoras não têm tanto fôlego como os bancos privados, que fecharam a torneira diante da tendência de alta da Selic e do aumento da inadimplência. O aumento da taxa de juros exerce um efeito perverso no mercado”.

Segundo Parker a inadimplência de janeiro, aos 2,6%, e a taxa média de juros para o financiamento de veículos para pessoa jurídica, 19,7%, apresentaram o pior resultado desde 2017: “Digamos que taxas de 19% a 20% ao ano do Finame e de 21% a 22% do CDC não são muito apetitosas”.

A concessão de crédito no primeiro mês do ano, de R$ 3,5 bilhões, de abril a julho havia encostado em R$ 6 bilhões.

A projeção da Anfavea, inalterada até o momento, é de que sejam emplacados 125,2 mil caminhões em 2025, praticamente estabilidade frente a 2024, com alta de 0,2%. A produção aguardada de 139,9 mil veículos ficará 1% abaixo do ano passado. E as exportações, diante da expectativa de reação do mercado argentino, espera avanço de 2,8%, para 18,4 mil unidades.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   21/03/2025

As incorporadoras que atuam no Minha Casa Minha Vida (MCMV) estão pedindo ao governo federal que ajuste as faixas de renda dos mutuários, permitindo que mais pessoas sejam atendidas pelo programa nas cidades. O pleito é que a faixa 1 suba de R$ 2.850 para R$ 3.000; a faixa 2 vá de R$ 4.400 para R$ 4.700; e a faixa 3 aumente de R$ 8.000 para R$ 8.500, conforme valores apurados pela Coluna. No entanto, não há certeza de que o pleito será atendido.

O argumento das empresas é que o crescimento da renda média da população fez os beneficiários subirem de faixa nos últimos anos, perdendo subsídios e começando a criar algumas dificuldades para a compra e venda de imóveis. Por exemplo: uma família na faixa 1 tem direito a subsídios de até R$ 55 mil na entrada, além de financiamento com juros entre 4% e 5% ao ano. Ao subir para a faixa 2, há perda do subsídio, e o juro do financiamento aumenta para até 7% ao ano, situação que se torna uma barreira para as famílias que subiram para o piso da faixa seguinte.

Essa visão não é consenso dentro do governo federal, conforme apurou a Coluna. Isso porque o último ajuste aconteceu há menos de um ano, em agosto de 2024. Na ocasião, apenas a faixa 3 não foi reajustada, permanecendo no limite de R$ 8.000. “Mas esse valor já cobre uns 80% da população”, ponderou um interlocutor do governo, reticente em promover novos ajustes.
Limite do FGTS é gargalo

O gargalo para se colocar mais gente para dentro do MCMV é a limitação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abastecer os financiamentos. Procurado na segunda-feira, 17, para comentar o tema, o Ministério das Cidades não deu retorno.

O que pegou de surpresa as incorporadoras foi a proposta do próprio governo Lula para criar uma nova faixa no Minha Casa Minha Vida, voltado a famílias com renda de até R$ 12 mil. Isso não foi um pleito dos empresários, mas uma iniciativa do próprio governo para afagar a classe média. Fora do programa, esse público tem que recorrer a crédito com juro em torno de 12% ao ano, o que representa parcelas pesadas para o bolso dos consumidores, esfriando as vendas. Com a criação da faixa 4, esses consumidores devem contar com financiamentos a taxas menores e subsidiadas.

Sem poder contar com mais recursos do FGTS, o governo federal fez um remanejamento de recursos no Orçamento e pediu ao Congresso que a Lei Orçamentária Anual (LOA) seja modificada para que R$ 15 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal sejam destinados ao Minha Casa Minha Vida. A iniciativa tem como pano de fundo o esforço do governo Lula em adotar medidas que estimulem a economia e criem uma agenda positiva para diversos setores produtivos.

FERROVIÁRIO

Valor - SP   21/03/2025

Ao todo, a via suspensa com trilhos tem 2,7 km de extensão com quatro estações, uma ligada à do trem da CPTM e outras em cada um dos três terminais do aeroporto internacional

O "people mover" aeromóvel, como é chamado o sistema de trem que ligará a estação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) aos terminais do aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, tem nova previsão de inauguração, agora para agosto deste ano.

A operação ao público deveria ter começado no primeiro semestre de 2024, mas atrasou. Depois, o prazo passou para o segundo semestre do ano passado, o que não ocorreu.

Em janeiro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) publicou em suas redes sociais que a inauguração deveria ocorrer em março e, no mês passado, o vice-governador Felício Ramuth (PSD) disse em entrevista que ela só deverá começar no fim do ano.

A nova data para início de funcionamento dos trens, de 31 de agosto, é um pedido da Aerom Sistemas de Transporte, empresa responsável pelo desenvolvimento do projeto e pelo contrato de concessão do transporte entre a estação de trem e o aeroporto. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a solicitação foi formalizada pela concessionária GRU Airport, que tem a gestão do aeroporto.

"O término da implantação e início da operação estão atrasados devido a questões construtivas, de implantação da tecnologia e internas do consórcio construtor, conforme informado pela concessionária", diz Anac, em nota. Questionada sobre prazos, a GRU Aiprot não respondeu.

A agência reafirmou que pode multar a concessionária por causa dos atrasos.

Segundo apurou a reportagem, a ideia é a partir de maio fazer uma espécie de operação assistida com transportes de passageiros aos fins de semana até a inauguração definitiva no fim de agosto. A informação não foi confirmada pela Anac.

Desde o início do ano, os três trens estão em testes nos fins de semana, inclusive com peso e em busca de certificações. Começaram a rodar primeiro aos domingos e, no dia 8 de março, também aos sábados. Havia uma estimativa de que passageiros pudessem participar destas pré-operações em fevereiro, o que não aconteceu.

A certificação exigida em contrato é a mesma de metrôs no exterior ou para instalação de usinas nucleares, dizem Hulbéia Ribas, gerente de segurança, e Marcus Coester, CEO da Aerom, empresa com sede no Rio Grande do Sul.

Ao todo, a via suspensa com trilhos tem 2,7 km de extensão com quatro estações, uma ligada à do trem metropolitano e outras em cada um dos três terminais do aeroporto internacional. Quando o sistema estiver inaugurado, esse trajeto final será feito em aproximadamente seis minutos.

O trem, que circula por meio de propulsão pneumática, é composto por dois carros articulados que pesam 16 toneladas e deverá levar até 200 passageiros por viagem. Eles rodam em dois trilhos, como se fossem trens convencionais.

As estações estão totalmente prontas e sinalizadas. Há portas automáticas em cada uma delas e que só abrem após a abertura das do veículo parado.

O custo total foi estimado no ano de 2023 em pouco mais de R$ 300 milhões. O pagamento é custeado com recursos da outorga da concessionária. O contrato de operação da Aerom é de dez anos, depois o sistema passa para a União.

Atualmente há duas opções para se chegar pelo sistema ferroviário ao aeroporto de Cumbica. Uma delas é a linha 13-jade, com saída da estação Engenheiro Goulart, na zona leste de São Paulo.

A outra alternativa é o Expresso Aeroporto, que também circula na linha 13, provisoriamente até abril, a partir da estação da Luz (centro), por causa de obras - normalmente a partida é da estação Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

O embarque é de hora em hora. Nos dois casos, a tarifa custa R$ 5,20. O acesso ao aeromóvel é gratuito e ele poderá ser usado, inclusive, para o deslocamento de pessoas entre os terminais.

O "people mover" precisou ser construído porque a estação da CPTM não chega ao aeroporto. O transporte aos terminais atualmente é feito em ônibus.

NAVAL

Portos e Navios - SP   21/03/2025

A construção das fragatas classe Tamandaré no Estaleiro Brasil Sul, da thyssenkrupp Marine Systems, conta com três fragatas em diferentes fases de desenvolvimento. A primeira embarcação, fragata Tamandaré, já foi lançada ao mar e passa pelo comissionamento dos sistemas de combate e armamentos. A segunda fragata tem o casco praticamente finalizado, enquanto a terceira avançou para a etapa de construção.

O projeto adota a metodologia Paperless, que melhora a precisão e rastreabilidade das informações e reduz o impacto ambiental. Também utiliza realidade aumentada para otimizar montagens e oferecer suporte remoto.

O programa gera 23.000 empregos diretos, indiretos e induzidos, movimentando uma cadeia produtiva com mais de 1.000 fornecedores no Brasil. Além disso, faz parte do Novo PAC (Programa de Aceeleração do Crescimento) do governo federal, ampliando investimentos no setor de defesa e infraestrutura naval.

A Tribuna - SP   21/03/2025

O estado do Piauí será contemplado com investimentos de aproximadamente R$ 1 bilhão para o fortalecimento da infraestrutura portuária e hidroviária. O anúncio foi feito ontem pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. As obras incluem a revitalização do Porto de Luís Correia e a construção da hidrovia do Parnaíba.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   21/03/2025

Executivos do setor de petróleo e gás se reuniram com o presidente Donald Trump na Casa Branca na quarta-feira, 19, buscando influenciá-lo em questões que vão desde a desregulamentação até as tarifas.

Alguns executivos do setor, que gastaram mais de US$ 75 milhões para ajudar a eleger o republicano, estão cada vez mais frustrados com a agenda do governo. As tarifas estão encarecendo materiais essenciais, como tubos de aço, além de abalar a confiança do consumidor.

Os preços do petróleo caíram cerca de 14% desde pouco antes de Trump assumir o cargo, para cerca de US$ 67 o barril. Peter Navarro, assessor sênior da Casa Branca, falou sobre os benefícios do petróleo vendido por apenas US$ 50 o barril. Com esses preços, as empresas que operam em grandes áreas do setor petrolífero americano perderiam dinheiro perfurando novos poços.

Os preços do petróleo não foram discutidos durante a reunião de quarta-feira, disseram as autoridades do governo Trump.

“Não há nada que pudéssemos dizer naquela sala que mudasse isso nem um pouco e, portanto, não foi realmente um tópico de discussão”, disse Doug Burgum, secretário do Interior, aos repórteres.

Em vez disso, de acordo com Burgum, os executivos se concentraram em questões como facilitar a obtenção de licenças para projetos de energia. “Temos de ser capazes de construir, baby, construir para que tenhamos de fato a infraestrutura para impulsionar nossa economia”, disse ele.

Aqui estão algumas das prioridades do setor:
Reforma do licenciamento

As empresas de energia estão pressionando Trump e o Congresso a flexibilizar as regras de licenciamento para facilitar a construção de linhas de transmissão, oleodutos e outras infraestruturas. Muitas empresas querem dificultar que os estados bloqueiem os projetos propostos e que os ambientalistas e outros os prendam nos tribunais.

“Se você quer mais energia nos Estados Unidos e mais investimentos nos Estados Unidos, temos de ser capazes de construir coisas novamente. Já ouvi isso várias vezes”, disse Chris Wright, o novo secretário de Energia dos EUA, na semana passada, resumindo o feedback dos executivos com quem se reuniu na conferência CERAWeek by S&P Global, em Houston. “Minha resposta é: Dê-me detalhes específicos. Que licença? Qual foi o problema?”
Tarifas

As refinarias dos EUA compram petróleo do Canadá e do México, transformam-no em combustíveis como a gasolina e depois exportam esses produtos mais valiosos. Esses laços comerciais foram formados ao longo de décadas e seria difícil e caro desfazê-los.

Trump anunciou tarifas de 25% sobre as importações do Canadá e do México, com uma taxa menor, de 10%, para os produtos energéticos canadenses. Mas, neste mês, ele adiou essas tarifas sobre a maioria das mercadorias, incluindo a energia importada de acordo com um acordo comercial norte-americano negociado por Trump durante seu primeiro mandato. Esse adiamento está previsto para terminar no início de abril.

A tarifa de 25% sobre o aço importado, que entrou em vigor este mês, também é uma grande preocupação para os executivos. O metal é usado em tudo, de tubulações a poços, e está ficando mais caro por causa da tarifa. Alguns executivos continuam esperançosos de que conseguirão obter isenções, embora Trump tenha rejeitado essa ideia.

Wright disse aos repórteres na quarta-feira que as discussões sobre as tarifas estavam em andamento.
Exportações de gás natural

Mais cedo na quarta-feira, o Departamento de Energia concedeu aprovação condicional a um grande projeto de exportação de gás natural na Costa do Golfo, conhecido como CP2 LNG. Essa é uma área em que as empresas de petróleo e gás e o governo Trump estão alinhados: Ambos querem vender mais gás natural no exterior.

O ex-presidente Joseph R. Biden Jr. suspendeu o licenciamento em janeiro de 2024 para estudar como os projetos afetariam as mudanças climáticas, entre outras preocupações.

O gás natural é composto principalmente de metano, um potente gás de efeito estufa que pode vazar de poços, tubulações e outras infraestruturas. A queima de gás natural também produz dióxido de carbono, outro gás de efeito estufa, embora muito menos do que a queima de carvão.

O governo Biden acabou descobrindo que um grande aumento nas exportações dos EUA poderia fazer com que as emissões globais de gases de efeito estufa aumentassem modestamente e criassem poluição nas comunidades próximas aos terminais de exportação. Um estudo separado divulgado este mês pela S&P Global concluiu que o aumento das exportações dos EUA ajudaria a manter o controle das emissões globais porque o gás substituiria outras fontes de energia mais sujas.

O desenvolvedor da CP2, a Venture Global, estava esperando há mais de três anos pela aprovação do Departamento de Energia. O departamento disse na quarta-feira que estava concedendo a aprovação porque o projeto ajudaria a economia dos EUA e contribuiria para a segurança energética do país e de seus aliados.
Créditos fiscais

Algumas empresas de petróleo e gás querem preservar os créditos fiscais para a produção de hidrogênio e combustíveis renováveis, bem como a captura e o armazenamento de dióxido de carbono, a principal causa das mudanças climáticas.

Vicki Hollub, executivo-chefe da Occidental Petroleum, uma grande empresa petrolífera dos EUA que está construindo uma usina de captura de carbono no oeste do Texas, está pressionando para manter os incentivos federais para a remoção do gás de efeito estufa do ar. Esse crédito fiscal é conhecido como 45Q, com base em sua posição no código tributário.

“Para acelerar a tecnologia no ritmo em que os EUA precisam acelerar para começar a ter um impacto positivo em nossa independência energética, precisamos que o 45Q aconteça e permaneça em vigor”, disse Hollub na CERAWeek.

Os créditos fiscais de energia limpa não foram discutidos na reunião de quarta-feira, disse Burgum.

Valor - SP   21/03/2025

Com o uso do assistente Petronemo, a companhia prevê economia de R$ 20 milhões com melhora da eficiência até 2029

A Petrobras desenvolveu um novo modelo de inteligência artificial (IA) generativa para acelerar o processo de manutenção de plataformas de produção de petróleo operadas pela companhia e uso também em outras unidades industriais, como refinarias e plantas de processamento de gás.

Até 2029, a empresa prevê economizar R$ 20 milhões ao ganhar eficiência com o assistente de IA chamado “Petronemo”, informou o gerente-geral de tecnologia da informação da Petrobras, Otavio Ciribelli, nesta quinta-feira (20). O executivo apresentou o projeto que foi desenvolvido em parceria com a consultoria Deloitte no evento GTC 2025, realizado pela Nvidia, em San Jose, na Califórnia.

“Consideramos métricas conservadoras”, disse Ciribelli, ao Valor, logo após sua palestra no GTC 2025. O assistente de IA está em fase de homologação. Nos próximos meses, começa a ser inserido no processo de avaliação de itens que devem ser reparados nas plataformas.

“Temos 30 mil inspeções por ano, e cerca de 20% geram inconsistências, que demandam recomendações de reparo”, explicou o executivo da Petrobras. O processo atual de análise das recomendações de reparos e manutenções nas plataformas leva de duas a três semanas.

O Petronemo atuará sugerindo as recomendações, que serão avaliadas pela equipe de 400 engenheiros de confiabilidade da empresa. “Não é um público muito grande, mas é um público absolutamente essencial”, ressaltou Ciribelli.

O trabalho desses engenheiros tem impacto direto na duração das plataformas de produção da Petrobras, explica o executivo. “Quando a gente coloca uma plataforma em prática, queremos que ela fique até o último minuto saudável. A história mais triste é quando uma plataforma feita para durar 25 anos tem que sair [da operação] antes da hora.”

O projeto desenvolvido com a Deloitte usou os modelos grandes de linguagem de código aberto Llama 1 e 2, da Meta, como uma base inicial de treinamento do assistente de IA. A parte mais robusta de carga de dados e treinamento foi desenvolvida internamente e hospedada em computadores da Petrobras.

O modelo do Petronemo é processado em quatro supercomputadores que rodam unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia. São as máquinas Pégasus, Tatu e Gaia, da Petrobras, em conjunto com o supercomputador Santos Dumont, do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

É triste quando uma plataforma feita para durar 25 anos tem que parar antes da hora

— Otavio Ciribelli

A empresa também buscou desenvolver um assistente de IA que seja integrado de forma fluida aos processos e que fale a linguagem dos engenheiros da Petrobras, o “petrolês”, citou Ciribelli, em sua palestra.

O sócio e líder da prática de inteligência artificial e dados da Deloitte Brasil, Tim Wiesel, que apresentou o Petronemo ao lado de Ciribelli, na GTC 2025, disse que o projeto ilustra uma tendência de internalização de infraestruturas computacionais pelas empresas, modelo conhecido como “on premisses” (“nas instalações”, na tradução livre para o português), com a finalidade de reduzir custos no desenvolvimento de aplicações de IA.

“Fizemos um estudo, na Deloitte, que demonstrou ganho de 30% em performance [computacional] e um custo 50% inferior por token”, disse Wiesel ao Valor, referindo-se aos fragmentos de dados que são usados para treinar os modelos de inteligência artificial e cobrados por provedores de IA na nuvem.

No caso da Petrobras, o treinamento do Petronemo demandou uma capacidade computacional robusta de 128 GPUs, “que é uma máquina muito grande e pesada”, disse o sócio da Deloitte. Já para a inferência do modelo [que é o processo da IA de gerar conclusões] foram exigidas 8 GPUs.

“Você pode treinar o seu modelo internamente e depois rodá-lo numa infraestrutura que pode ser sua ou pode ser uma nuvem, com uma demanda bem inferior [de tokens de dados]. E isso pode valer a pena muito rápido”, explicou Wiesel. Segundo o executivo, a estratégia tem sido aplicada “em muitas empresas, incluindo bancos.”

A repórter viajou a convite da Nvidia.

Valor - SP   21/03/2025

Projeções se baseiam em cenário de preços mais baixos para o petróleo tipo Brent e cotação mais alta para o dólar

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocomubstíveis (ANP) divulgou nesta quinta-feira (20) uma atualização das estimativas de distribuição de royalties e participações especiais aos entes federativos. As novas projeções da agência para o período 2025-2029 se baseiam em um cenário de preços mais baixos para o petróleo tipo Brent e em um dólar mais alto.

Para 2025, a agência estima uma cotação do Brent de US$ 74,52 por barril, 13% menor do que a estimativa anterior da ANP, feita em setembro do ano passado. O petróleo Brent fechou ontem a US$ 72 por barril, aumento de 1,72% sobre quarta-feira (19).

Mesmo com a revisão de estimativas do Brent, a ANP calcula que os royalties de 2025 somem R$ 68 bilhões, alta de 16,8% em relação aos R$ 58,22 bilhões distribuídos em royalties em 2024. Isso acontece porque há outros fatores que contam para a arrecadação dos royalties, caso do volume de produção dos campos e a taxa de câmbio.

No câmbio, a ANP estima o dólar a R$ 5,93 em 2025. Ontem, a moeda americana fechou a sessão cotada a R$ 5,67, alta de 0,50%.

Para o período 2026 a 2029, a estimativa da ANP de preço do Brent é de US$ 66,50 por barril. O câmbio é estimado em R$ 5,97 para 2026, R$ 5,90 para 2027 e R$ 5,92 para os anos de 2028 e 2029.

Os royalties são compensações financeiras pagas à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios beneficiários pelas petroleiras. Esses valores são formados a partir da produção de cada campo e recolhidos mensalmente. Para o cálculo dos royalties, a agência considera a estimativa de volume de produção de cada campo declarado pelas concessionárias, as projeções do Brent, a partir da Agência de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), e a taxa de câmbio, segundo expectativas coletadas pelo Banco Central (BC).

Em nota, a agência reforçou que o mercado é afetado por fatores internacionais: “Tais dados reforçam as características intrínsecas do mercado internacional de petróleo e gás natural, marcado por volatilidade dos parâmetros econômicos e sendo afetado por fatores geopolíticos globais, com efeitos na arrecadação de participações governamentais”.

País precisa descobrir novas fronteiras exploratórias”

— Pedro Rodrigues

Para 2026, a estimativa da agência é de R$ 69,4 bilhões em pagamentos de royalties, número que sobe para R$ 71,8 bilhões em 2027 e para R$ 75,79 bilhões em 2028. Em 2029, há estimativa de queda ante o ano anterior, para R$ 74,59 bilhões.

Além dos royalties, as companhias produtoras de petróleo no Brasil também pagam participações especiais, uma contribuição que incide somente sobre os grandes campos. O repasse é feito trimestralmente. Em participações especiais, as petroleiras pagaram R$ 39,8 bilhões em 2024. Para 2025, a estimativa da ANP é de R$ 32,4 bilhões. O valor chega a um pico de R$ 33 bilhões na estimativa de 2026 e depois recua para R$ 30,8 bilhões em 2027; R$ 28,8 bilhões em 2028; e R$ 24,9 bilhões em 2029.

Especialistas do setor disseram que estimativas de arrecadação são voláteis por depender de variáveis que mudam com o cenário global. “O preço do Brent, em especial, pode mudar de tendência a qualquer sinal diferente da Opep [Organização dos Países Exportares de Petróleo] ou alteração nos conflitos do Oriente Médio. É muito relativo”, disse uma fonte.

Pedro Rodrigues, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), diz que a estimativa da ANP é um sinal de que o Brasil precisa reforçar a busca pela reposição de reservas de petróleo, para que o volume produzido compense possíveis perdas com a cotação internacional ou variações do câmbio. “O país precisa descobrir novas fronteiras exploratórias, como a Margem Equatorial ou a bacia de Pelotas, se quiser continuar a receber royalties”, afirma Rodrigues.

CNN Brasil - SP   21/03/2025

A Opep+ publicou nesta quinta-feira (20) um cronograma para que sete países membros façam novos cortes na produção de petróleo para compensar o bombeamento acima dos níveis acordados, o que mais do que superará os aumentos mensais de produção que o grupo planeja introduzir no próximo mês.

O plano representará cortes mensais entre 189.000 barris por dia e 435.000 bpd, de acordo com uma tabela no site da Opep. Os cortes programados duram até junho de 2026.

A Opep+, que inclui a Opep mais a Rússia e outros aliados, vem cortando a produção em 5,85 milhões de bpd, o equivalente a cerca de 5,7% da oferta global, acordada em uma série de medidas desde 2022 para apoiar o mercado.

Em 3 de março, confirmou que oito de seus membros, incluindo Rússia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuweit, Omã, Argélia, Cazaquistão e Iraque, prosseguiriam com um aumento mensal de 138.000 bpd a partir de abril, citando fundamentos de mercado mais saudáveis.

No entanto, fontes disseram à Reuters que o recente excesso de produção do Cazaquistão irritou outros membros e foi um dos fatores decisivos que levaram o grupo a prosseguir com o aumento.

De acordo com o plano revisado, o Iraque fará a maior parte da contribuição para os cortes de compensação, seguido pelo Cazaquistão e pela Rússia.

O plano também prevê que a Arábia Saudita, um dos principais defensores da adesão ao acordo da Opep+, faça pequenos cortes de compensação de 6.000 a 15.000 bpd em um período de três meses.

O Cazaquistão vem produzindo em um nível recorde, já que a Chevron, a importante petroleira norte-americana, expande a produção no maior campo de petróleo do Cazaquistão, Tengiz.

Dados recentes da Opep mostraram que o Cazaquistão produziu 1,767 milhão de bpd de petróleo em fevereiro, acima dos 1,570 milhão de bpd em janeiro, em comparação com uma cota da Opep+ de 1,468 milhão de bpd.

Infomoney - SP   21/03/2025

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta quinta-feira, 20, estendendo os ganhos da véspera, em meio às tensões no Oriente Médio e o conflito entre Rússia e Ucrânia. A commodity também foi impulsionada por novas sanções dos EUA.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato de petróleo WTI para maio fechou em alta de 1,73% (US$ 1,16), a US$ 68,07 o barril, enquanto o Brent para mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), avançou 1,72% (US$ 1,22), a US$ 72,00 o barril.

No radar geopolítico, Israel lançou novos ataques à Faixa de Gaza entre a noite de quarta e a manhã desta quinta, em mais uma demonstração de instabilidade na região em meio as negociações de uma segunda fase do cessar-fogo com o Hamas. Na Ucrânia, um cessar-fogo mais amplo ainda parece distante.
Embora tenha concordado com a oferta dos EUA para uma pausa mútua nos ataques a alvos energéticos por 30 dias, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, caracterizou na quarta-feira algumas das imposições do líder russo, Vladimir Putin, como uma tática para ganhar tempo enquanto manobra para obter vantagem militar e o melhor acordo possível.

Também nesta quinta-feira, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), do Departamento do Tesouro dos EUA, anunciou a imposição de sanções contra uma refinaria independente chinesa por comprar e refinar petróleo bruto do Irã. Parte do petróleo seria proveniente de navios vinculados aos Houthis, do Iêmen, e ao Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irã.

“As compras de petróleo iraniano por refinarias ‘teapot’ fornecem a principal fonte de sustentação econômica ao regime iraniano, o maior patrocinador estatal do terrorismo no mundo”, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) informou nesta quinta, em comunicado, que Rússia, Iraque, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Casaquistão e Omã apresentaram um plano de compensação da produção de petróleo.

Valor - SP   21/03/2025

Agência projeta R$ 68 bilhões em 2025, R$ 69,4 bilhões em 2026, R$ 71,8 bilhões em 2027, R$ 75,79 bilhões em 2028 e R$ 74,59 bilhões em 2029

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgou nesta quinta-feira (20) que projeta arrecadação de royalties e participações especiais pagos a entes públicos de R$ 68 bilhões em 2025. Aumento em relação aos R$ 58,22 bilhões distribuídos em royalties em 2024.

A agência considera que as expectativas de recuo da cotação do Brent e a alta do dólar americano devem reduzir os repasses a partir de 2025. A ANP não informou a variação entre a estimativa atual e a anterior, de setembro do ano passado.

Para 2026, a estimativa da agência é de R$ 69,4 bilhões. Para 2027, R$ 71,8 bilhões. Para 2028, a agência espera R$ 75,79 bilhões. Em 2029, há estimativa de queda ante o ano anterior, para R$ 74,59 bilhões.

Para os cálculos, a agência reguladora considera a estimativa de volume de produção de cada campo declarado pelas concessionárias, as estimativas do Brent, a partir da Agência de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), e a taxa de câmbio, conforme expectativas coletadas pelo Banco Central brasileiro.

Para 2025, a ANP estima cotação média do Brent em US$ 74,52 por barril. Para 2026 a 2029, a estimativa é a mesma, de US$ 66,50 por barril. O câmbio é estimado em R$ 5,93 para 2025, R$ 5,97 para 2026, R$ 5,90 para 2027 e R$ 5,92 para os anos de 2028 e 2029.

Conforme a ANP, o petróleo Brent aponta para uma redução de 13% neste ano e de 22% para 2026 a 2029.

"Tais dados reforçam as características intrínsecas do mercado internacional de petróleo e gás natural, marcado por volatilidade dos parâmetros econômicos e sendo afetado por fatores geopolíticos globais, com efeitos na arrecadação de participações governamentais."

Os royalties são as compensações financeiras pagas à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios beneficiários pelas petroleiras. Esses valores são calculados a partir da produção de cada campo e recolhidos mensalmente.

As petroleiras também pagam participações especiais, uma contribuição que incide somente sobre os campos mais rentáveis. O repasse é feito trimestralmente.

Em participações especiais, as petroleiras pagaram R$ 39,8 bilhões em 2024. Para 2025, a estimativa da ANP é de R$ 32,4 bilhões. O valor chega a um pico de R$ 33,04 bilhões na estimativa de 2026 e depois recua para R$ 30,8 bilhões em 2027; R$ 28,8 bilhões em 2028; e R$ 24,9 bilhões em 2029.

Globo Online - RJ   21/03/2025

Em meio à pressão para o licenciamento de pesquisas pela Petrobras na Margem Equatorial e o adiamento do presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, para a decisão final, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quinta-feira que o presidente do órgão ambiental não tem “coragem” para expressar sua resposta em relação ao pedido e que tem “ansiedade” e “pressa” pela decisão, sugerindo que ela seria suficiente para “dar respostas às demandas da sociedade”, se referindo aos eventuais investimentos decorrentes da exploração.

Silveira tem pedido reuniões com Agostinho para tratar do tema, mas afirmou que tem sido ignorado pelo órgão ambiental. Recentemente, o Ibama enviou o pedido para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para que ela também participasse do encontro. Na ocasião, Silveira quer cobrar celeridade pela decisão por parte do Ibama.

— Eu já fiz o pedido (de reunião), reiterei o pedido, mas não recebi nenhuma resposta do presidente do Ibama — afirmou, completando: — Há um receio grande em falar ao povo brasileiro qual é a resposta dele em relação à resposta que eu cobro dele há vários meses em relação à Margem Equatorial. Não quero levar para o lado pessoal, quero falar institucionalmente. Eu acho que ele está receoso de dizer "eu vou atender um interesse nacional". Ou "não tenho coragem e não vou licenciar porque falta um requisito".

Silveira também criticou o silêncio de Agostinho sobre o andamento do processo. O presidente do órgão ambiental já foi questionado publicamente em mais de uma ocasião sobre o tema, mas não deu prazos nem detalhes sobre o andamento da análise.

— Acho que todo mundo tem de vir a público quando questionado e responder aos questionamentos. E é só isso que estou querendo do presidente do Ibama.

Como mostrou O GLOBO, técnicos do Ibama recomendaram negar o plano apresentado pela Petrobras para realizar pesquisas de exploração na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A área fica a cerca de 500 quilômetros da foz em si e a 160Km da costa de Oiapoque (AP).

A palavra final fica, no entanto, fica na mão do presidente Rodrigo Agostinho, que decidirá com base em outras informações e conversas com outras instâncias do Ibama.

O entorno presidencial defende que se acelere a liberação da licença para distanciá-la da realização da COP30, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, marcada para novembro, em Belém. Para esse grupo, composto por Waldez Góes (Integração), Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Silveira (Minas e Energia), quanto mais próximo do evento, mais difícil será para a licença sair. Há temor, por exemplo, que se a licença for dada no segundo semestre ocorram protestos contrários a essas pesquisas durante a COP.

A Petrobras teve o pedido de licença negado em 2023. A estatal recorreu. É esse recurso que agora está em análise no Ibama. Os técnicos entenderam, porém, não haver elementos para rever a recomendação de indeferimento da licença.

Estima-se que na Margem Equatorial, que se estende por mais de 2,2 mil km, do Rio Grande do Norte até o Amapá, existam reservas de 30 bilhões de barris de petróleo. A região é uma aposta da Petrobras para a produção de petróleo e gás em meio a grandes descobertas de reservas na Guiana e Suriname, próximas ao norte do Brasil.

RODOVIÁRIO

Valor - SP   21/03/2025

A concessão será de responsabilidade da Rotas do Brasil, plataforma formada pela gestora Kinea e pelas construtoras da Way, que venceu o leilão do concessão realizado em outubro do ano passado

A Concessionária das Rodovias Centrais do Brasil (Concebra), controlada pela Triunfo Participações, formalizou a devolução da concessão do trecho Rota do Zebu ao poder concedente.

A administração do trecho pela empresa vai até o fim desta quinta-feira (20), depois a concessão será de responsabilidade da Rotas do Brasil, plataforma formada pela gestora Kinea e pelas construtoras da Way, que venceu o leilão do concessão realizado em outubro do ano passado.

A Rota do Zebu inclui a rodovia BR-262 entre Uberaba (MG) e Betim (MG) e faz parte de corredor entre o Distrito Federal até a divisa de Minas Gerais com São Paulo.

O caminho era administrado pela Concebra até que, em 2020, a empresa pediu para devolver a concessão ao governo. O projeto foi dividido em três partes, incluindo a Rota do Zebu, e a companhia entrou com processo de repactuação junto ao Ministério dos Transportes para os outros dois trechos.

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