Clipping Diário

01 | Abril | 2025

SIDERURGIA

Valor - SP   01/04/2025

Consumidores reclamam de preço alto e produtores alegam competição desleal com China

Com a demanda enfraquecida em diversos setores industriais, é a construção civil que tem sustentado o consumo de aço no Brasil. Impulsionadas por obras de habitação e infraestrutura, construtoras seguem comprando, enquanto outros segmentos recuam ou aumentam as importações para reduzir custos.

O mercado brasileiro enfrenta uma inundação de aço chinês, o que pressiona os resultados das siderúrgicas nacionais. Em momentos de 2024, as importações chegaram a quase 25% do total consumido. Contudo, a penetração das importações na construção civil é menor, já que os chamados aços longos - como vergalhões, barras e perfis usados em estruturas metálicas - são menos suscetíveis à concorrência asiática.

“Se não fosse a demanda interna da construção civil, teríamos um ano de 2024 muito difícil, talvez até com prejuízo”, diz a presidente da Aço Verde Brasil, Silvia Nascimento, que destaca que 2025 será parecido com o ano passado, e a construção civil continuará segurando a demanda.

O setor da construção tem ampliado a compra de aço porque a produção imobiliária cresceu desde a pandemia e segue elevada, mesmo diante do aumento dos juros, puxada pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), 60% do consumo atual de aço vem do setor imobiliário e 40% da infraestrutura, embora as obras de infraestrutura utilizem, proporcionalmente, mais aço.

Em 2024, o número de residências lançadas no país subiu 18,6%, de acordo com a entidade. Foram 383,5 mil novas unidades colocadas à venda, metade das quais pertencem ao MCMV - o número de unidades lançadas no programa subiu 44% em um ano.

Empresas como a Gerdau se beneficiam desse cenário, porque concentram sua produção em aços longos. Em entrevista ao Valor em fevereiro, o diretor financeiro e de relações com investidores, Rafael Japur, disse que as perspectivas são positivas para o primeiro semestre de 2025, mas ainda incertas para o segundo.

“Há uma incerteza em alguns setores importantes, como o de construção civil, a respeito dos efeitos de uma escalada mais forte da taxa de juros e de financiamentos imobiliários”, explicou.

As importações de vergalhões somaram 156 mil toneladas no acumulado dos nove meses até setembro, ante uma venda interna de 2,75 milhões de toneladas. A participação ainda é baixa, mas cresceu desde a pandemia, lembra Dionyzio Klavdianos, presidente da comissão de materiais, tecnologia, qualidade e produtividade da Cbic. Em 2020, por exemplo, a proporção era de 15,2 mil toneladas importadas para 3,28 milhões de toneladas vendidas internamente.

Pode ser que, com a questão nos EUA, comece a ter vergalhão chinês na construção civil”

— Dionyzio Klavdianos

Como faltou aço naquele período, a importação foi incentivada, o que fez o setor da construção “conhecer mais” os produtores estrangeiros, afirma Klavdianos. O maior país exportador de vergalhão para o Brasil é a Turquia, mas ele também pode vir do Egito e de nações da América Latina. Produtores chineses não possuem a certificação necessária para atender o mercado brasileiro, mas o diretor ressalta que essa não é uma barreira incontornável - é possível consegui-la, se houver interesse.

“Pode ser que, com essa questão de ter ficado mais caro [vender para] os EUA, a indústria chinesa passe a se interessar pelo mercado nacional, resolva essa questão da barreira técnica e comece a ter vergalhão chinês na construção civil”, diz.

Os produtores nacionais ainda são os preferidos dos construtores porque oferecem material de boa qualidade e até serviços extras, como suporte na obra, afirma Klavdianos. Há também uma dificuldade para pequenas construtoras arcarem com o custo do aço importado, pago à vista, e um receio de confrontar a indústria siderúrgica, que poderia impor um preço maior aos construtores brasileiros caso o volume importado subisse demais. “E você vai precisar comprar deles”, afirma o diretor da Cbic.

Por enquanto, o aço não é o material que mais tem pesado nas obras. Segundo o indicador setorial de inflação, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), o vergalhão apresentou alta de 5,84% nos últimos 12 meses, ante 7,32% do indicador geral, até março. Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos de construção civil do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV) faz a ressalva de que, apesar de outros materiais terem altas maiores, como tubos de PVC (17,6%) e blocos de concreto (8,12%), o aço é muito usado na construção, então qualquer aumento é sentido pelo setor.

Além dos vergalhões, usados na fundação e na estrutura de prédios e obras de infraestrutura, outro item que tem ganhado espaço são as telas de aço, que vão dentro das paredes de moradia popular, justamente o setor que mais tem crescido no país. Como explica Klavdianos, ela é essencial para o sistema construtivo de parede de concreto armado, que é o mais usado no MCMV, porque reduz o tempo de obra - quanto mais rápido entregam o projeto, mais rápido as construtoras recebem o repasse da Caixa Econômica Federal.

O setor de siderurgia já se movimentou para pedir ao governo um aumento do imposto de importação para o fio máquina, tipo de aço que dá origem às telas - em outras especificações, ele também é usado para fazer pregos e arames. O tema está em estudo. Segundo a Cbic, foram importadas, até setembro, 172 mil toneladas de fio máquina, dos mesmos países que produzem vergalhão, enquanto a indústria nacional vendeu 1,2 milhão de toneladas do fio no período.

Para o diretor da entidade, apesar de o governo defender a siderurgia nacional, ele está ciente de que onerar a importação levaria a um aumento geral dos preços do material, o que bateria diretamente no custo da obra e na atratividade do MCMV, um dos seus principais programas.

Enquanto isso, outros setores importantes para o consumo de aço, como máquinas e equipamentos, apontam redução no crescimento. O segmento alega que a alta nos custos de insumos, especialmente o aço nacional, é um dos fatores que comprometem sua competitividade.

Tivemos cotas de importação em 2024 que não frearam a entrada”

— Rodrigo Scolaro

Ao Valor, o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, afirma que o setor de máquinas e equipamentos vem reduzindo seu faturamento e, portanto, a demanda por aço ao longo da última década, reflexo do encolhimento do segmento no país. Segundo ele, a maioria das empresas não tem porte para comprar diretamente das usinas por conta de volume nas aquisições. Mais de 90% dos fabricantes se abastecem nos distribuidores - onde os preços são mais elevados.

“A maioria das companhias do setor não importa aço, é de porte médio, com ticket em torno de R$ 100 milhões. Não tem volume mínimo”, explica. Segundo o dirigente, o fator que mais tira competitividade é o preço do insumo no Brasil em relação ao internacional. “O preço do aço laminado subiu de 12% a 17% de maio de 2024 até janeiro de 2025”, acrescenta.

Outras entidades representativas, como a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), também defendem que os produtores locais reduzam seus preços, argumentando que o custo do aço nacional encarece os produtos finais e compromete a competitividade frente aos concorrentes internacionais. Procurada, a Anfavea não quis se manifestar. Nesse cenário, a diferença de preço entre o aço brasileiro e o internacional tem ganhado destaque.

Do outro lado, o Instituto Aço Brasil - que representa as principais siderúrgicas do país - tem dito que os custos de produção são mais altos devido a fatores como carga tributária, energia elétrica e logística. Além disso, o aço chinês é subsidiado pelo governo de Pequim. A entidade não quis comentar o assunto.

Ao analisar os dados de comércio exterior sobre a importação de aço, Rodrigo Scolaro, economista da GEP Costdrivers, destaca o aumento da entrada de aço chinês, especialmente em aços planos voltados a processos industriais, como a fabricação de máquinas e automóveis.

“Quando falamos de outras indústrias que estão importando [aço], estamos falando também da indústria de peças. Tivemos no ano passado cotas de importação no Brasil que não tiveram o resultado esperado para frear a importação”, diz.

Segundo Scolaro, enquanto as siderúrgicas pressionam o governo por medidas de defesa comercial, indústrias de autopeças e montadoras atuam na direção oposta, pedindo que o aço importado não seja sobretaxado.

Procurado, o Sindipeças, que representa a indústria de autopeças, não quis se manifestar.

O governo acompanha o movimento com atenção. Há discussões no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) sobre eventuais salvaguardas ou tarifas antidumping para conter o avanço do aço importado, mas nenhuma decisão foi tomada até agora.

IstoÉ Dinheiro - SP   01/04/2025

Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, utiliza conceitos modernos e orientais para melhorar a qualidade de vida dos mais de 30 mil funcionários da gigante do aço.

Ao Dinheiro Entrevista, o executivo conta que viajou ao Butão para aprofundar seu conhecimento sobre o conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB), e lá foi recebido pelo ex-primeiro-ministro do país, Tshering Tobgay, um dos principais embaixadores mundiais do tema.

O conceito foi trazido para dentro da empresa, e Gustavo Werneck promove a ideia de que o bem-estar dos colaboradores é um impulsionador essencial para os negócios.

O CEO da Gerdau diz que visa ‘usufruir de toda a capacidade criativa das pessoas’ e que não concorda com ferramentas de gestão que, por exemplo, demitem 10% dos que possuem pior desempenho em um ano.

“As pessoas às vezes tem dificuldades, enfrentam problemas familiares, elas estão em momentos mais difíceis. E nós vamos punir justamente quem está enfrentando problemas difíceis como depressão e ansiedade?”, diz.

Werneck revela que atualmente a companhia opera uma central de chamados e atende funcionários e familiares com problemas, sejam eles emocionais, financeiros ou de outro teor.

“Um dos indicadores que temos é o número de ligações que recebemos em um canal que se chama Mais Cuidado. Mais Cuidado é o seguinte, se a pessoa tem um problema que não está diretamente relacionado à medicina tradicional, mas ela precisa de apoio, ela liga para nós, e nós enviamos especialistas para ajudar o colaborador ou a colaboradora – ou até seus familiares – a resolver esse problema. No ano passado recebemos 5 mil ligações. Tanto aqui quanto nos Estados Unidos os campeões de ligações foram problemas de ansiedade e depressão.”

Além disso, Werneck revela que a empresa viu um ‘grande crescimento’ nos últimos anos, especialmente no Brasil, de funcionários com problemas com apostas online.

“As famílias se endividando porque um membro da família está utilizando a renda da família para fazer apostas. No pós pandemia vimos crescimento de uso de remédios controlados, de problemas financeiros”, relata.

“Queremos as pessoas mais felizes e com mais saúde mental, e que possam dedicar melhor o seu tempo à empresa, e ao mesmo tempo que nós como empresa possamos dedicar mais tempo para cuidar delas e das famílias”, completa.

Como o Butão influenciou a Gerdau

Werneck revela que foi estudar com o ex-primeiro-ministro do Butão, Tobgay, e que o conheceu em grupos que tinha com outros executivos.

“Eu participo de muitos grupos junto com outros CEOs, outros líderes, que querem compartilhar aprendizados, problemas, avanços. Num desses conheci o Tshering Tobgay, que foi o primeiro-ministro do Butão quando o Rei pediu para implantar os conceitos de Felicidade Interna Bruta (FIB). Conheci ele num desses eventos e aí então fui atrás. Fiz contato, encontrei o Tshering, fui ao Butão estudar com ele e a equipe dele, conta.

“Eles aprenderam lá que algumas coisas muito simples estão vinculadas à felicidade, por exemplo a qualidade do sono. Dá para trabalharmos na qualidade do sono dos nosso colaboradores? Sim, dá para trabalhar nisso. Coisas como essa que se aplicam a nível de estado também se aplicam a nível de empresa. Aprendemos que quanto maior foi o nível de espiritualidade do time – e não estou falando de religião, mas de espiritualidade – mais felizes e mais produtivas as pessoas são. Quanto mais trabalho voluntário, mais a pessoa é feliz”, completa.

O conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB) foi implementado oficialmente no Butão em 1972 pelo então rei Jigme Singye Wangchuck, que governou o país de 1972 até o ano de 2006.

À época, foi decidido que o desenvolvimento do país não deveria ser medido apenas pelo Produto Interno Bruto (PIB), mas sim pela felicidade e bem-estar da população.

O conceito foi estruturado em quatro pilares principais:
Desenvolvimento socioeconômico sustentável e equitativo Preservação e promoção da cultura butanesa Conservação do meio ambiente Boa governança

Com o tempo, o FIB foi refinado e passou a ser mensurado através de nove dimensões que avaliam desde o bem-estar psicológico até o uso do tempo e a resiliência da comunidade.
‘Não adotamos políticas de diversidade porque era moda’

Sobre os temas de diversidade e inclusão, o CEO disse que apesar do movimento de empresas voltando atrás no tema, a Gerdau sequer cogita um movimento análogo – nem nos EUA, onde Trump assumiu e impulsionou mudanças nesse sentido.

Werneck defende que as mudanças aplicadas foram bem fundamentadas e causaram melhoras na companhia;

“Esse tema que agora tem talvez uma desaceleração, para nós, sempre fez parte da nossa história. A gente não surfou essa onda de ESG porque todo mundo estava fazendo. Sempre vimos isso como elementos centrais para nossa longevidade”, comenta.

“Às vezes eu descia do escritório para a rua e observava a beleza da demografia brasileira, e olhava para dentro de casa e falava ‘poxa, a gente não representa, aqui no Brasil o que tem na demografia’. Então tem algo errado. Então [entendi] que deveríamos ter no nosso quadro de pessoas uma representação da demografia brasileira, no que tange a mulheres, a gênero, no que tange à raça. As pessoas precisam ter abertura para aprender”, completa.

Sobre os impactos positivos, o executivo conta que a Gerdau segue com os mesmos objetivos, que considera alcançáveis. A empresa, até o fim deste ano, pretende alcançar 30% de mulheres e 30% de pessoas negras em cargos de liderança.

“Nós montamos um plano que vem evoluindo a passos largos. Essas metas públicas que temos divulgado estão sendo atingidas ano após ano, e em uma certeza de que isso faz bem para a empresa. Qualquer indicador da empresa evoluiu quando começamos a colocar os temas de diversidade, equidade e inclusão”, conta.

“Hoje, nas nossas usinas, qualquer atividade que antigamente só o gênero masculino fazia, hoje pode ter mulheres. Um exemplo prático: operação de equipamentos móveis. Você olha o índice de acidentalidade naquelas célular operacionais com mais mulheres, ele é muito mais baixo do que onde se tem um percentual de mulheres menor. Com esses indicadores fomos quebrando os vieses. Nenhuma atividade dessas não pode ser preenchida pelo gênero feminino”, completa o CEO da Gerdau.

Tribunal Superior do Trabalho - DF   01/04/2025

A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou o recurso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Volta Redonda (RJ), para manter a dispensa de 10 industriários que formaram uma comissão interna para buscar negociar com a empresa condições de trabalho para seus empregados. Para a Turma, a relação de trabalho foi rompida por ato discriminatório.
Comissão discutia reivindicações dos empregados

Segundo depoimento dos trabalhadores, eles participaram de negociações coletivas de forma paralela, sem a participação do sindicato da categoria, para reivindicar direitos como reajustes salariais, fim do banco de horas e participação nos lucros. No fim, elaboraram, como porta-vozes dos empregados, uma pauta de pedidos a ser entregue ao sindicato de classe e também à CSN.

O objetivo, segundo o grupo, foi, junto com o sindicato, buscar eleger uma comissão de trabalhadores, elaborar e aprovar uma pauta de reivindicação a ser entregue à empresa para que, a partir daí, a entidade pudesse assumir a frente das negociações junto com a comissão.

Contudo, a empresa, em plena campanha salarial, demitiu nove membros da comissão. Para os trabalhadores, a atitude foi “totalmente antissindical e intimidatória”.

Em defesa, a CSN disse que se tratava de um pequeno e inexpressivo grupo, composto por empregados que não eram da categoria, sem nenhuma representatividade formal dos trabalhadores. Segundo a siderúrgica, os industriários passaram a incitar a paralisação ilegal das atividades, sem aviso prévio, com o uso de meios não pacíficos (coação e ameaça) e sem o apoio do sindicato.
Dispensa foi considerada abusiva na 1ª e na 2ª instância trabalhista

Em novembro de 2022, a 2ª Vara do Trabalho de Volta Redonda considerou a dispensa discriminatória e determinou a reintegração do grupo. Segundo a sentença, houve conduta antissindical da CSN ao demitir os 10 empregados em razão de suas atuações. A decisão ressalta que a pauta de reivindicações foi entregue à CSN e ao sindicato e que o movimento foi pacífico e ordeiro.

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região manteve a sentença, o que fez a CSN recorrer ao TST. Seu argumento era de que os trabalhadores não observaram os requisitos para o exercício do direito de greve nem assumiram o direito de representação sindical, já que agiram informalmente. Assim, a dispensa não poderia ser classificada como conduta antissindical.
TST confirma ter havido abuso de direito

A relatora, ministra Maria Helena Mallmann, ressaltou que o fato de o sindicato não estar representado num movimento reivindicatório promovido por uma comissão de trabalhadores não impede o reconhecimento da dispensa como ato antissindical.

Mallmann observou que, apesar de a manifestação dos industriários não ser um movimento grevista no sentido estrito, já que não contou com a atuação do sindicato, é evidente o caráter sindical das reivindicações formuladas, pois diziam respeito à categoria profissional representada pelos trabalhadores. “Foi legítimo o movimento promovido, e o empregador não deveria desmobilizá-lo ou inviabilizá-lo”, concluiu.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   01/04/2025

Dois dias antes de uma onda histórica de tarifas dos Estados Unidos sobre importações nesta quarta-feira, 2, que o presidente Donald Trump vem chamando de “Liberation Day”, a incerteza sobre o cenário externo dominou a reunião entre economistas e diretores do Banco Central nesta segunda-feira, 31.

Participantes do encontro relataram ao Estadão/Broadcast, sob a condição de anonimato, que o debate acerca dos impactos das tarifas tomou a maior parte do tempo. O único consenso dos economistas, disseram esses participantes, é que a incerteza aumentou e que ainda não é possível cravar qual será o efeito do tarifaço.

Em linhas gerais, a avaliação dos analistas é que a mudança na política comercial americana vai levar a uma desaceleração da economia do país e, consequentemente, a um cenário de juros mais baixos. Isso, teoricamente, seria positivo para o real — mas o aumento da aversão ao risco pode enfraquecer a moeda brasileira e pressionar o IPCA.

O debate ecoa os dois riscos decorrentes dos EUA para a inflação brasileira detalhados pelo Banco Central no Relatório de Política Monetária (RPM) da semana passada. Na entrevista à imprensa para comentar o documento, o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, disse que os riscos não são excludentes.

Sobre o cenário doméstico, a maioria dos analistas concluiu que o crescimento da economia deve ser maior do que se esperava este ano, devido a medidas como o novo consignado privado. Esse quadro acaba implicando em uma inflação alta por mais tempo, exigindo que o BC mantenha os juros em nível restritivo.

Esse cenário de juro alto por mais tempo não deve ter impacto relevante para as grandes empresas, que estão capitalizadas. Mas pode resultar em uma consolidação do mercado, já que pequenas e médias empresas têm menos estofo para evitar os efeitos.

A maioria das projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 ficou entre 1,8% e 2,3%, enquanto as estimativas para a inflação estiveram entre 5% e 6%. Para a Selic, os economistas esperam um nível de 15,0% a 15,5% no fim do ciclo. Atualmente, a taxa básica está em 14,25% ao ano, e o BC já indicou que fará uma nova elevação, menor do que 1 ponto porcentual, em maio.

A reunião aconteceu na manhã desta segunda-feira, na sede do BC em São Paulo, na Avenida Paulista. Pela autoridade monetária, participaram do encontro Guillen e o diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti. Os encontros servem para que a autarquia possa acompanhar a percepção dos agentes sobre a economia.

O Estado de S.Paulo - SP   01/04/2025

A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15,0% pela 12ª semana seguida, sugerindo que os juros terão de subir mais 0,75 ponto porcentual. No último dia 19, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa de 13,25% para 14,25% e sinalizou uma nova alta, de menor magnitude, em maio.

Considerando somente as 68 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária para a taxa básica de juros no fim de 2025 também permaneceu em 15,0%.

Com isso, o mercado espera que a Selic suba ao maior nível desde maio de 2006, no primeiro governo Lula, quando o Copom cortou a taxa de 15,25% para 14,75%. Nessa época, os juros estavam em queda após terem atingido 19,75% em maio de 2005, um dos maiores patamares do século 21.

A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou estável em 12,50% pela nona semana consecutiva. Mas, considerando apenas as 65 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, subiu de 12,50% para 12,75%.

A estimativa intermediária para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela sétima semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,0% pela 14ª semana consecutiva.

No último ciclo de comunicações, o Copom disse que, para além de maio, a magnitude total do ciclo será ditada pelo seu “firme compromisso de convergência da inflação” e dependerá da evolução do cenário. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na última quinta-feira, 27, que o comitê quer reunir a maior quantidade de informações possível para ganhar confiança sobre o processo de convergência.

“Querer garantir esse grau de liberdade (sem um guidance) significa que a gente quer continuar reunindo informações para ir analisando, reunindo essas informações a partir de um cenário de pós-elevação da taxa de juros do patamar que nós temos”, disse Galípolo, durante entrevista coletiva para comentar o Relatório de Política Monetária (RPM), que substituiu o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).
Inflação

A mediana para o IPCA de 2025 se estabilizou em 5,65%, após duas semanas de queda. Está 1,15 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. Um mês antes, também estava em 5,65%. Considerando só as 57 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana passou de 5,66% para 5,64%.

A projeção para o IPCA de 2026 se estabilizou em 4,50% — colada ao teto da meta —, após duas semanas seguidas de alta. Um mês antes, estava em 4,40%. Considerando somente as 55 expectativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, também permaneceu em 4,50%.

O Banco Central espera que o IPCA some 5,1% em 2025 e 3,7% em 2026, conforme a trajetória divulgada no RPM na última quinta-feira. A autarquia trabalha com o terceiro trimestre de 2026 como horizonte relevante da política monetária, mas o período deve mudar na próxima reunião do Copom, marcada para 6 e 7 de maio.

O colegiado já aumentou a taxa Selic em 3,75 pontos porcentuais desde setembro, para 14,25%, incluindo uma rápida elevação de 3 pontos entre dezembro e março. Na ata da sua última reunião, do dia 19, o Copom indicou que deve elevar os juros novamente em maio, embora com uma alta inferior a 1 ponto porcentual.

A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, com base no IPCA acumulada em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se o IPCA ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo.

A mediana do Focus para a inflação de 2027 permaneceu em 4,0% pela sexta semana consecutiva. A projeção para o IPCA de 2028 se estabilizou em 3,78%. Um mês antes, era de 3,75%.
PIB

A mediana do Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 caiu pela terceira semana consecutiva, de 1,98% para 1,97%. Um mês antes, estava em 2,01%. Considerando apenas as 35 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, permaneceu em 2,0%.

Na última quinta-feira, 27, o Banco Central diminuiu a sua estimativa para o crescimento do PIB deste ano, de 2,1% para 1,9%. O diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, explicou que a revisão é consistente com a perspectiva de moderação do crescimento, devido à política monetária mais contracionista. Mas notou haver uma incerteza maior sobre a taxa, devido às dúvidas sobre o cenário externo e sobre o ritmo de arrefecimento da atividade.

“A incerteza sobre essa projeção aumentou, tanto pelas questões externas que a gente já discutiu, quanto pelas internas, como é que vai se dar esse processo (de desaceleração)”, disse Guilen, durante entrevista.

A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2026 se manteve em 1,60% pela segunda semana seguida. Um mês antes, era de 1,70%. Considerando só as 31 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, caiu de 1,64% para 1,60%.

A mediana para o crescimento do PIB de 2027 subiu de 1,99% para 2,0%. Um mês antes, era de 2,0%. A estimativa intermediária para 2028 ficou estável em 2,0% pela 55ª semana seguida.
Dólar

A mediana para a cotação do dólar no fim de 2025 caiu pela terceira semana seguida, de R$ 5,95 para R$ 5,92. Um mês antes, estava em R$ 5,99. A estimativa intermediária para 2026 continuou em R$ 6,0 pela 11ª semana consecutiva.

A projeção para o fim de 2027 se manteve em R$ 5,90 pela quarta semana seguida. A estimativa intermediária para o fim de 2028 permaneceu em R$ 5,90, também pela quarta semana consecutiva.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não mais no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

Diário do Comércio - MG   01/04/2025

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) setorial caiu em 19 de 29 setores na passagem de fevereiro para março. É o que revela pesquisa divulgada nesta segunda-feira (31) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com esse movimento, cinco segmentos da indústria saíram de um estado de confiança para falta de confiança: veículos automotores, impressão e reprodução, calçados e suas partes, couros e artefatos de couro, e biocombustíveis.

Nos demais dez setores, a confiança aumentou e três deles fizeram a transição contrária, da falta de confiança para confiança: equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos; máquinas e materiais elétricos; e obras de infraestrutura.

Com isso, destaca a CNI, entre fevereiro e março deste ano, o número de setores industriais confiantes recuou de dez para oito e o número de setores com falta de confiança subiu de 18 para 21 setores.

Entre as pequenas empresas, o índice de confiança caiu 1 ponto em março, não mudou entre as médias empresas e ficou praticamente estável entre as grandes, com ligeira queda de 0,2 ponto. Dessa forma, seguem com falta de confiança as indústrias de pequeno e médio porte e somente as de grande porte estão confiantes.

O levantamento revela ainda que, por região, a confiança da indústria caiu no Sul (-1,3 ponto) e Nordeste (-1,2 ponto), ficou estável no Sudeste e subiu no Centro-Oeste (+0,9 ponto) e Norte (+2,3 pontos). Assim, as indústrias do Sudeste e Sul seguem registrando falta de confiança, enquanto as do Norte, Nordeste e Centro-Oeste continuam confiantes.

A pesquisa foi feita de 6 a 17 de março, com 1.764 empresas, sendo 699 de pequeno porte, 654 de médio porte e 411 de grande porte.

IstoÉ Dinheiro - SP   01/04/2025

A enxurrada de novas tarifas previstas para produtos que entram nos Estados Unidos deixou os parceiros comerciais da maior economia do mundo nervosos e os mercados de ações no vermelho no início desta semana.

Depois do aço e do alumínio e antes dos automóveis, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se prepara para anunciar, na quarta-feira (2), tarifas alfandegárias “recíprocas” que mudarão as regras do jogo do comércio mundial.

Em 2 de abril, que ele chama de “Dia da Libertação”, Trump pretende adotar novas barreiras de importação, que dependerão das tarifas que os países envolvidos impõem aos produtos americanos, mas também de outros fatores.

“Começaria com todos os países, então vamos ver o que acontece”, disse Trump no domingo aos jornalistas a bordo do Air Force One. Ao ser questionado quais seriam afetados, ele disse que não sabia se serão “15 países, 10 ou 15” e garantiu que “não há um limite”.

Antes das declarações, muitos analistas esperavam que a nova série de tarifas de 15% fosse direcionada aos países que têm mais desequilíbrios comerciais com os Estados Unidos, um grupo que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, chamou de “os 15 sujos”.

Trump está convencido de que o mundo inteiro, em particular os aliados dos Estados Unidos, “se aproveita” de seu país.

“Eles nos roubaram como nenhum país jamais foi roubado na história e seremos muito mais gentis do que eles foram conosco”, afirmou.

Os mercados financeiros sentiram o golpe.

As bolsas asiáticas fecharam em forte queda (-4,04% em Tóquio, -3% em Seul). As bolsas da Europa e Wall Street também despencaram.

O plano preciso é um mistério, assim como a dimensão da resposta dos países no alvo. China e Canadá começaram a responder às tarifas adotadas contra seus produtos. A União Europeia promete fazer o mesmo.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, considerou nesta segunda-feira que a Europa se encontra diante de “um momento existencial”.

“Ele chama de ‘Dia da Libertação’ nos Estados Unidos, mas eu vejo como um momento em que devemos decidir juntos como controlar da melhor maneira o nosso destino e acredito que é um passo para a independência”, declarou à rádio France Inter.

Além disso, a partir de 3 de abril às 4h01 GMT (1h01 de Brasília), os Estados Unidos devem adotar tarifas de 25% para os veículos e componentes fabricados fora do país.

A decisão afeta em particular os vizinhos Canadá e México, parceiros dos Estados Unidos no Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), e onde as montadoras americanas têm fábricas.

Como é necessário levar em consideração que cada nova medida se acumula à anterior, os veículos chineses, por exemplo, serão objeto de tarifas mais elevadas que os europeus, no momento.

– Tarifas para todos os países –

O cenário atual, em que os Estados Unidos importam mais do que exportam, é uma obsessão para o presidente republicano. Na opinião de Trump, isto demonstra que os outros países abusam do acesso ao mercado americano sem demonstrar a mesma abertura.

Trump considera que não se trata apenas de tarifas de importação, como na China ou na Índia, mas também de barreiras regulamentares. Ele aponta para a tributação interna dos Estados europeus, pois considera muito elevado o nível do imposto sobre o valor agregado local em alguns países.

Se em um primeiro momento, ele não imaginava “nem isenção, nem exceção”, Trump enviou leves sinais de distensão. Na quarta-feira, ele afirmou que as tarifas “recíprocas” poderiam ser “mais brandas”, embora afetem “todos os países”.

As estimativas do Laboratório Orçamentário da Universidade de Yale calculam um aumento de 5% para o Canadá, 16% para o México, 17% para a Índia, quase 19% para França e Alemanha, e 13% para a China, que, no entanto, já foi particularmente penalizada.

– Impacto nas famílias –

Para Trump, a questão envolve financiar pelo menos parcialmente os cortes de impostos que ele deseja aplicar aos americanos enquanto mantém, teoricamente, o sistema de pensões e saúde dos idosos, assim como os gastos militares.

Na lógica do republicano, o aumento dos preços provocado pelas tarifas de importação é compensado por um maior poder aquisitivo, graças a uma menor pressão fiscal e pela redução de certos custos a partir de sua política a favor das energias fósseis.

Segundo os modelos elaborados pela Universidade de Yale, a conta pode ser elevada para as famílias americanas, já que apontam uma perda média de renda disponível de mais de 2.700 dólares (15.566 reais na cotação atual), e mais de 3.000 dólares (17.296 reais) caso os parceiros dos Estados Unidos respondam às tarifas impostas por Washington.

“No futuro imediato, parece que Trump não se importa se suas tarifas aumentam os custos de produção para as empresas ou os preços para os consumidores”, comentou o ganhador do Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman em postagem em um blog nesta segunda-feira (31).

IstoÉ Dinheiro - SP   01/04/2025

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta segunda-feira, 31, que o regime de câmbio flutuante dá “tranquilidade” para o gerenciamento das reservas internacionais. Em um evento online do Itaú, ele afirmou que as reservas estão em um bom nível, e não há razão para aumentar o colchão.

“Nesse momento eu entendo que as reservas estão em níveis confortáveis com essa política, ali tem tranquilidade, os poucos momentos onde eu tenho tranquilidade ali é por conta disso”, afirmou o diretor.

Indagado sobre a composição, David disse que a maior parte das reservas está em dólares porque esse colchão tem de estar na moeda dos passivos esperados, seja das empresas ou do governo. “Por hora, o dólar ainda é a moeda majoritária dos nossos passivos externos e também a moeda majoritária dos nossos termos de troca”, explicou.

O diretor ponderou, no entanto, que a composição das reservas pode ser atualizada ao longo do tempo, por decisão da diretoria colegiada. “O que vai nos pautar é a evolução do mercado internacional em termos de troca, se vai ou não alterar a moeda de troca”, afirmou.

Intervenções

Nilton David disse também que a autarquia usa diferentes instrumentos para intervir no mercado de câmbio, a depender da disfuncionalidade observada. Os swaps cambiais endereçam disfuncionalidades no mercado de derivativos, e as intervenções à vista, no mercado spot.

“O objetivo do Banco Central é ser o mais eficaz possível, para ser o mais cirúrgico possível, para endereçar a questão diretamente aos participantes onde o mercado viu essa disfuncionalidade”, comentou ele.

Para o diretor, as oscilações recentes vistas no cupom cambial do Brasil estão em linha com a volatilidade dos mercados à vista e futuro.

David explicou que o BC observa o cupom como um indicador de qual é o custo para aportar recursos no Brasil.

Impulso fiscal

No mesmo evento, o diretor repetiu que a autarquia não projeta o impulso fiscal futuro nos seus modelos. “Não existe uma variável dummy para colocar surpresas, isso também é capturado da mesma forma que o câmbio”, afirmou.

Pouco antes, David explicou que o BC não projeta variação futura do câmbio, que é obtida olhando as expectativas de inflação do Focus.

O Estado de S.Paulo - SP   01/04/2025

A competitividade de uma economia está diretamente ligada à sua capacidade de produzir um ambiente de negócios estável, atrair investimentos e gerar ganhos de produtividade. Um país de alta produtividade também é caracterizado por uma educação de qualidade, infraestrutura avançada, energia confiável e acesso à tecnologia de ponta.

Mas o estudo mais recente da Firjan mostra que o Brasil ocupa a 46ª posição num ranking de competitividade composto por 66 nações. O Índice Firjan de Competitividade Global (IFCG) revela que o País tem baixa taxa de investimento (Formação Bruta de Capital Fixo), cerca de 18% do PIB, bem inferior à da China (43%) e da Índia (33%).

Em economias competitivas, o orçamento prioriza investimentos em infraestrutura, inovação e educação, essenciais para a eficiência do setor produtivo. No Brasil, o alto comprometimento com despesas obrigatórias restringe os recursos, limitando o crescimento de longo prazo.

Ou seja, o equilíbrio das contas públicas é um pré-requisito para o desenvolvimento econômico. A ausência de um ajuste fiscal estruturado perpetua um ciclo de baixo crescimento, inflação elevada e fuga de investimentos, reforçando um quadro de baixa competitividade.

A relação entre equilíbrio fiscal, política monetária e competitividade é inegável. Há dez anos, o País ocupava a 40ª posição no ranking global de competitividade, com um ambiente macroeconômico mais estável, inflação dentro da meta e superávit primário. Havia previsibilidade e acesso a crédito mais barato. Mas a deterioração fiscal enfraqueceu as demais variáveis macroeconômicas.

A meta do governo de zerar o déficit fiscal em 2025 é vista com ceticismo pelo mercado, pressionando as expectativas inflacionárias e dificultando a queda dos juros. O Boletim Focus, do Banco Central, projeta uma Selic de 15% para este ano, refletindo a preocupação dos agentes com o cenário fiscal. Juros elevados encarecem o crédito, desestimulam investimentos e dificultam a modernização do setor produtivo, tornando o País menos competitivo globalmente.

Sem um compromisso sério com a responsabilidade fiscal, o Brasil continuará refém de juros elevados, crescimento limitado e baixa competitividade. O caminho para um país mais produtivo e competitivo passa, inevitavelmente, pela solidez fiscal e por uma política econômica coordenada e previsível.

MINERAÇÃO

Diário do Comércio - MG   01/04/2025

A Vale anunciou nesta segunda-feira (31) que acertou com a Global Infrastructure Partners (GIP) um acordo para formar uma joint-venture na Aliança Energia, em que receberá US$ 1 bilhão em dinheiro e terá uma participação de 30% no empreendimento.

A mineradora afirmou em fato relevante ao mercado que a GIP terá o restante da joint-venture e que com a transação vai garantir “volume estratégico de geração de energia para manter a matriz elétrica, que é 100% baseada em fontes renováveis no Brasil”.

A Vale afirmou ainda que o negócio “garante custos de energia competitivos, com preços definidos em dólares americanos sem ajuste de inflação”.

Em meados de fevereiro a Reuters publicou, citando fontes, que a mineradora tinha avançado nas negociações para vender à GIP uma fatia majoritária na Aliança Energia e em um complexo solar.

A Vale passou a ter 100% do capital da Aliança Energia no ano passado, depois de ter adquirido 45% que estavam nas mãos da Cemig por R$ 2,7 bilhões.

A mineradora informou também que a Aliança Energia passará a consolidar os ativos da usina fotovoltaica Sol do Cerrado e a integralidade da hidrelétrica Risoleta Neves, ambos em Minas Gerais.

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Além disso, o negócio envolve outras seis hidrelétricas em Minas Gerais e outros três parques eólicos no Rio Grande do Norte e Ceará.

“Juntos, esses ativos alcançam 2.189 MW em capacidade instalada e 1.003 MW médios de garantia física”, afirmou a mineradora.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   01/04/2025

A longa aliança entre Renault e Nissan, que também inclui a Mitsubishi, permite que as empresas compartilhem conhecimento tecnológico e se beneficiem de plataformas e produção comuns

A Renault e a Nissan concordaram em ajustar sua parceria de 25 anos, abrindo caminho para mais vendas de ações, enquanto a Nissan continua a implementar um amplo plano de eficiência.

O acordo anunciado na segunda-feira (31) reduz a participação mínima com direito a voto que cada empresa deve manter na outra para 10%, ante os 15% atuais. Além disso, a Nissan poderá desistir de um compromisso anterior de investir até 600 milhões de euros no negócio de veículos elétricos Ampere, da Renault.

A longa aliança entre Renault e Nissan, que também inclui a Mitsubishi, permite que as empresas compartilhem conhecimento tecnológico e se beneficiem de plataformas e produção comuns.

Atualmente, tanto a Renault quanto a Nissan possuem 15% de participação acionária com direito a voto uma na outra. Além disso, a Renault também detém 18,7% em um fundo fiduciário francês, que tem reduzido gradualmente ao longo dos anos.

No entanto, a montadora japonesa Nissan busca formas de economizar dinheiro e recentemente anunciou planos para cortar custos, reduzir a capacidade de produção e eliminar milhares de empregos, à medida que enfrenta queda nas vendas, especialmente na China. O mercado chinês tem sido desafiador para montadoras estrangeiras devido à guerra de preços e ao aumento da presença de fabricantes locais de veículos elétricos. No mês passado, as negociações de fusão entre a Nissan e a concorrente japonesa Honda terminaram sem um acordo.

O diretor-presidente da Renault, Luca de Meo, afirmou que, como principal acionista da Nissan, a empresa francesa tem um forte interesse em ver a montadora japonesa recuperar seu desempenho rapidamente.

“O pragmatismo e uma mentalidade voltada para os negócios foram o foco de nossas discussões para identificar as formas mais eficazes de apoiar seu plano de recuperação, ao mesmo tempo em que desenvolvemos oportunidades de negócios que geram valor para o Grupo Renault”, diz.

Como parte do acordo anunciado na segunda-feira, a Renault comprará os 51% da participação da Nissan na Renault Nissan Automotive India Private, tornando-se a única proprietária da empresa conjunta indiana que produz veículos das duas marcas.

Após o acordo, a unidade indiana continuará fabricando modelos Nissan, segundo a montadora.

O negócio ajudará a Renault a acelerar seu crescimento na Índia, como parte dos planos de expansão internacional da empresa. Já a Nissan continuará adquirindo veículos da unidade desinvestida tanto para o mercado indiano quanto para exportação.

A transação na Índia terá um impacto de aproximadamente 200 milhões de euros no fluxo de caixa livre da Renault neste ano. No entanto, a montadora francesa ainda espera reportar um fluxo de caixa livre do grupo de pelo menos 2 bilhões de euros em 2024, pois já identificou medidas para compensar o impacto.

A empresa também confirmou sua previsão de margem operacional para 2025, que deve atingir pelo menos 7%.

O diretor-presidente da Nissan, Ivan Espinosa, afirmou que a empresa busca se tornar mais ágil, permitindo responder rapidamente às mudanças do mercado e, ao mesmo tempo, preservar recursos para futuros investimentos.

“A Nissan está comprometida em preservar o valor e os benefícios de nossa parceria estratégica dentro da Aliança, ao mesmo tempo em que implementamos medidas de recuperação para aumentar a eficiência.”

O amplo anúncio feito na segunda-feira também incluiu um acordo pelo qual a marca de veículos elétricos Ampere, da Renault, desenvolverá e produzirá um carro compacto derivado do modelo Twingo para a Nissan a partir de 2026. O modelo será projetado pela Nissan.

Infomoney - SP   01/04/2025

As montadoras dos EUA estão fazendo lobby junto à administração Trump para excluir determinadas peças de veículos das tarifas, em um esforço de última hora para influenciar os impostos antes que comecem a entrar em vigor esta semana, segundo fontes familiarizadas com a situação.

Ford, General Motors e Stellantis, empresa controladora da Chrysler, buscam evitar o pagamento de tarifas sobre milhares de peças adquiridas globalmente, frequentemente provenientes de países de baixo custo, como o México. As montadoras se reuniram com representantes da Casa Branca, do Departamento de Comércio e do Escritório do Representante de Comércio dos EUA para discutir a exclusão, conforme relataram as fontes que pediram anonimato ao comentar sobre as discussões internas.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as negociações relacionadas às peças automotivas, e as montadoras optaram por não se pronunciar.

Exame - SP   01/04/2025

A montadora chinesa GAC está intensificando seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para consolidar sua presença global e expandir sua atuação - inclusive no Brasil, com portfólio de carros elétricos, híbridos e à combustão. Em entrevista exclusiva à EXAME, Zhang Fan, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da GAC, revelou que a empresa já investiu 50 bilhões de yuans (aproximadamente 25 bilhões de reais) em inovação, com mais de 19.000 pedidos de patentes, desde a criação do centro de pesquisa em 2006, na China. No Brasil, a companhia irá destinar R$ 120 milhões para iniciativas de pesquisa e desenvolvimento, buscando fortalecer a inovação local.

“O Brasil tem um grande potencial pelo tamanho do seu mercado e pela diversidade de consumidores, e queremos contribuir com inovação e tecnologia de ponta”, afirma Zhang Fan.

Presença global e planos para o Brasil

Com uma sede robusta de P&D em Guangzhou, na China, e quatro estúdios satélites pelo mundo, a GAC já está posicionada estrategicamente para avançar nos mercados globais. Os centros de design estão localizados em Los Angeles (Estados Unidos), e Milão (Itália), enquanto as unidades de pesquisa tecnológica ficam em Xiamen e Xangai, (China). Anteriormente, a empresa possuía centros de pesquisa no Vale do Silício e em Detroid (Estados Unidos), mas a instabilidade nas relações comerciais entre China e Estados Unidos, especialmente durante o governo de Donald Trump, levou ao encerramento dessas operações.

Agora, o Brasil desponta como um dos mercados mais promissores para a empresa. "Definitivamente queremos entrar no mercado brasileiro este ano. Ainda não podemos revelar detalhes, mas estamos preparando novidades", disse Zhang Fan.

A GAC já estabeleceu em 2024 parcerias com universidades brasileiras para aproveitar o talento local e adaptar suas tecnologias às necessidades do país.

Carros voadores e o futuro da mobilidade

Inicialmente, a GAC operava como uma joint venture, produzindo veículos em parceria com grandes marcas, como Honda e Toyota, para o mercado chinês. No entanto, Zhang Fan conta que em vez de se manter dependente dessas colaborações, a empresa decidiu investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para criar seus próprios produtos e sua própria marca global.

Entre os projetos inovadores e recentes da GAC está o desenvolvimento de carros voadores. A companhia já lançou dois protótipos: o primeiro, apresentado em 2023, foi um modelo de uma turbina capaz de voar por 30 minutos com alcance de 30 km. O segundo, nomeado Airjet, comporta até três passageiros e tem autonomia de 260 a 300 km.

"Estamos na fase de transição dos protótipos para a linha de produção. As primeiras entregas estão previstas para o final de 2026 ou início de 2027", afirma o executivo.
Sustentabilidade e metas de emissão zero

Uma das metas da montadora é atingir a neutralidade de carbono até 2050 – algo que está alinhado às metas ambientais da China. Para isso, Zhang Fan afirma que a GAC investe na produção de veículos elétricos e híbridos, o que pode reduzir as emissões de poluentes. A marca de carros elétricos, ION, por exemplo, já tem se destacado no mercado da China, sendo utilizada inclusive por serviços de mobilidade urbana, como táxis e aplicativos de transporte.

"Nosso desafio agora é levar essa tecnologia para outros mercados e ajudar os governos locais a impulsionarem a eletrificação", afirma Zhang Fan.

Avanços em baterias de carregamento rápido

Apesar do carro elétrico ser uma promessa das grandes potências mundiais para diminuir o impacto no meio ambiente, há um grande desafio quando o assunto é a eletrificação de veículos no mundo: a recarga rápida das baterias. Para se destacar neste mercado, a GAC anunciou recentemente que seu novo modelo Hyper HL contará com tecnologia avançada de carregamento, permitindo que o veículo ganhe 300 km de autonomia em apenas 5 minutos.

"Nosso objetivo é fazer com que os carros elétricos sejam recarregados mais rápido do que um carro a combustão abastecendo em um posto de gasolina", conta Zhang Fan.

No entanto, ele reforça que a infraestrutura de carregamento precisa evoluir em diversos mercados para que essa tecnologia seja amplamente adotada aos clientes.

“Os países precisam investir e modernizar suas redes elétricas, expandir a infraestrutura de recarga e criar políticas para facilitar a adoção de veículos elétricos ultrarrápidos. Sem isso, mesmo com a tecnologia disponível nos carros, o carregamento em tempo recorde não será viável para os consumidores”, afirma o executivo que lidera o setor de P&D da GAC na China.

Estratégia para superar desafios globais

Mesmo sem os EUA como mercado-chave, Zhang Fan reforça que a GAC segue otimista com sua expansão global. Ele vê Brasil, América Latina e outros países emergentes como grandes oportunidades para a empresa crescer, especialmente com a demanda crescente por veículos elétricos.

“Nosso plano para os Estados Unidos não funcionou, mas ainda temos muitas oportunidades no resto do mundo”, afirma. “"Nosso foco é desenvolver tecnologias avançadas, mas sem envolver componentes sensíveis a restrições políticas. O verdadeiro desafio está em encontrar o equilíbrio certo entre custo, tecnologia e demanda local", afirma.

Para Zhang Fan, a indústria automotiva está mudando rapidamente, mas especialmente na China.

“A eletrificação, por exemplo, não está desenvolvida tão rápida como na China, mas eu vejo isso como uma tendência. Não podemos só ficar como estávamos antes, desenvolvendo custos por meio do petróleo. Acredito que as jovens gerações estão aprimorando a nova tecnologia para apoiar um amanhã mais verde”, afirma.

GAC no Brasil

A GAC Motor, quinta maior montadora chinesa, no final do ano passado anunciou que irá expandir suas operações para o Brasil com um investimento de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) ao longo de cinco anos. A empresa pretende construir uma fábrica no país em 2025 e lançar inicialmente veículos elétricos, seguidos por modelos híbridos. A meta é vender 80 mil unidades até 2030 e transformar o Brasil em sua base para a América Latina.

Sob a liderança de Alex Zhou, CEO da operação brasileira, a montadora já instalou seu escritório no Morumbi, em São Paulo, e iniciou parcerias estratégicas. Um dos principais focos é a pesquisa e desenvolvimento, com um aporte de R$ 120 milhões em colaboração com as universidades UFSC, Unicamp e UFSM. Os projetos incluem a adaptação de motores flex, inteligência artificial para veículos e tecnologias para carros voadores.

A GAC também busca uma presença forte no setor de mobilidade urbana no Brasil e negocia parcerias com a 99.

Para o CEO da GAC Motor no Brasil, a estratégia no Brasil é clara. “Somos uma empresa estatal e faz parte da nossa cultura ter uma estratégia de longo prazo. Queremos fincas as nossas raízes no Brasil”.

IstoÉ Dinheiro - SP   01/04/2025

A Fitch Ratings calcula, atualmente, que as vendas de veículos leves nos EUA devem ficar em 16,0 milhões de unidades em 2025, uma queda de 300 mil em relação à estimativa no início do ano, refletindo preços mais elevados de veículos e taxas de juros mais altas por mais tempo.

“As tarifas de 25% impostas às importações de automóveis nos EUA aumentarão os preços e exercerão pressão descendente sobre a procura”, afirma a Fitch Ratings.

As implicações de crédito para os fabricantes de automóveis e de peças são amplamente negativas, mas variam de acordo com o emissor, diz a agência de rating em relatório divulgado nesta segunda-feira, 31.

Em 26 de março, os EUA anunciaram tarifas de 25% sobre todos os automóveis importados e determinadas peças de automóveis, a partir de 3 de abril. Anteriormente, os EUA anunciaram e depois atrasaram as tarifas sobre as importações de automóveis e autopeças do México e do Canadá.

O último anúncio tarifário permite que os fabricantes de veículos compatíveis com o USMCA certifiquem o conteúdo dos EUA, com tarifas aplicadas apenas a conteúdo fora dos EUA. As tarifas sobre peças compatíveis com o USMCA não serão aplicadas até que um processo seja estabelecido para identificar conteúdo de origem norte-americano nessas partes.

De acordo com a Fitch, as importações representam, atualmente, cerca de metade do mercado de veículos leves dos EUA em volume. O México é o maior fornecedor estrangeiro, seguido pela Coreia do Sul, Japão, Canadá e Alemanha. A maioria, mas não todas, as importações do México e do Canadá estão em conformidade com as disposições do acordo comercial USMCA.

A Fitch pontua que o último anúncio é cada vez mais negativo para as montadoras que vendem carros fabricados no Japão, Coreia e Alemanha no mercado dos EUA. Para a Volkswagen (A-/Estável), as tarifas atingirão o segmento de luxo com margens mais elevadas (incluindo a Porsche). O mercado dos EUA representa um quarto das vendas globais da Toyota (rating A+/perspectiva estável) e da Hyundai (incluindo Kia) (rating A-/perspectiva estável), mas cerca de 60% das vendas da Hyundai nos EUA são feitas na Coreia e sujeitas às novas tarifas de 25%, em comparação com apenas 23% feitas no Japão para a Toyota.

Exame - SP   01/04/2025

O ano de 2025 tem uma agenda cheia com a chegada de novas marcas de carros no Brasil. Estima-se que pelo menos dez novas montadoras desembarquem no mercado brasileiro ao longo do ano. A “onda” de estreias começa com Omoda e Jaecoo, que chegam ao país no dia 15 de abril. Além delas, espera-se a chegada da Wey, divisão de carros de luxo da GWM, além de GAC, Zeekr, MG e SAIC — todas de origem chinesa.

Entretanto, nesse grupo de estreias, há uma marca que não tem origem asiática. A Cadillac, montadora de luxo pertencente a General Motors, também deve desembarcar no Brasil em 2025. Há anos circulam especulações sobre a chegada da Cadillac ao país, mas, agora, o movimento parece estar cada vez mais concreto.

Atualmente, já é possível ver alguns modelos da marca no Brasil, trazidos por importadores independentes. Segundo informações do portal Autos Segredos, Cadillac deve abrir duas lojas no país: uma em São Paulo e outra em Curitiba. No entanto, ainda não há confirmação oficial da marca sobre a data de lançamento e os modelos que serão oferecidos no mercado brasileiro.

A Cadillac deve seguir a receita que tem no exterior, com o foco em carros elétricos de luxo, sendo o Escalade um dos modelos de maior destaque. O último lançamento do modelo apresentou uma autonomia de até 740 km de alcance estimado. Quando chega o momento de recarregar, os clientes podem esperar até 187 quilômetros de alcance em 10 minutos em uma estação pública de carregamento rápido. Nos Estados Unidos, o preço do Escalade começa em 132.695 dólares (cerca de 750.000 reais).

Cadillac na Fórmula 1 em 2026

Em 2026, a Cadillac fará sua estreia na Fórmula 1. A Cadillac Formula 1 Team recebeu aprovação final para integrar o Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA a partir de março de 2026. A equipe será apoiada pela TWG Motorsports e pela General Motors.

A parceria entre a TWG Motorsports e a GM resultará em uma equipe dos Estados Unidos, com foco em tecnologia de ponta, excelência em engenharia e alto desempenho no automobilismo, segundo as marcas. O experiente executivo de automobilismo Graeme Lowdon é o diretor da Cadillac Formula 1 Team.

Além disso, o veterano Russ O'Blenes foi nomeado CEO da nova empresa TWG GM Performance Power Units LLC, que será responsável por desenvolver as unidades de potência da Cadillac e também os chassis da equipe, com o objetivo de torná-la uma equipe "full works" na Fórmula 1.

Diário do Comércio - MG   01/04/2025

Quando o mundo emergiu das paralisações causadas pela pandemia no início de 2021, um choque na cadeia de oferta deixou uma marca duradoura no custo de se ter um carro nos Estados Unidos, repercutindo primeiro nos preços dos veículos usados e depois nos dos novos, chegando às peças de reposição e, por fim, aos custos dos empréstimos e de seguro.

Essa inflação sustentada no setor automobilístico – os preços dos veículos e das peças estão 20% mais altos do que antes da pandemia; e os seguros 60% mais caros – afetou de forma persistente a inflação geral ao consumidor. E o presidente Donald Trump pode agravar ainda mais esse cenário com as tarifas de 25% sobre os veículos importados.

O choque do imposto de importação de Trump pode estar atingindo uma economia diferente. Há quatro anos, os consumidores estavam cheios de dinheiro proveniente da ajuda da pandemia e, embora as vendas de veículos tenham permanecido abaixo dos níveis anteriores à crise sanitárias, elas aumentaram quando a economia foi totalmente reaberta.

Isso também pode se mostrar uma força muito mais persistente nos preços dos automóveis do que os problemas da cadeia de oferta da pandemia, que se desfez à medida que os chips de computador e outras peças saíram das fábricas e portos reabertos.

Com alguns consumidores já sobrecarregados e com o aumento da inadimplência nos financiamentos de automóveis, as tarifas podem criar um novo e confuso problema de custo e preço cuja solução envolve uma mudança de anos e provavelmente cara para a produção doméstica.

“A tarifa de 25% sobre automóveis e peças criará aumentos imediatos de preços e causará estragos nas cadeias de oferta”, disse o diretor de estudos trabalhistas da Escola de Relações Industriais e Trabalhistas da Universidade de Cornell e especialista em setores de transporte, Art Wheaton. “Os EUA importam cerca de metade dos automóveis que vendemos e uma parte significativa das peças”.

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Wheaton estima que os impostos de Trump, uma vez considerado o impacto das tarifas adiadas sobre as peças importadas, podem acrescentar de US$ 10 mil a US$ 20 mil aos preços dos veículos.

Essa é uma das estimativas mais agressivas, mas ele disse que “se o objetivo final for aumentar a produção de peças e a montagem nos EUA, as tarifas provavelmente precisarão ser consistentes por décadas para permitir o planejamento da cadeia de oferta em constante mudança”.

O economista do JP Morgan Michael Feroli considera que as tarifas aumentarão a inflação este ano e reduzirão o crescimento geral devido ao impacto sobre os consumidores, uma perspectiva consistente com as recentes reduções das previsões do Federal Reserve.

As tarifas podem elevar o índice de preços PCE, excluindo alimentos e energia, em 0,3 ponto percentual até o final do ano, para 3,1%, mais distante da meta do Fed de 2%, disse Feroli.

“O aperto resultante sobre o poder de compra real do consumidor pesará ainda mais sobre os gastos reais do consumidor” e, juntamente com a erosão da confiança empresarial, fará com que a produção econômica caia 0,2 ponto percentual, para 1,3%.
Desfazendo a integração

Os novos dados do PCE para fevereiro, divulgados na sexta-feira (28), mostraram que o núcleo do índice subiu 2,8%, contra 2,7% em janeiro, marcando mais um mês sem progresso em direção à meta de inflação de 2% do Fed.

As autoridades de Trump dizem que estão planejando o retorno do domínio da manufatura e do emprego nos EUA, esperando que a produção aumente rapidamente. Os riscos também podem aumentar rapidamente e serem sentidos com mais intensidade entre as famílias de classe média, que Trump prometeu durante a campanha proteger do aumento dos preços.

Nesse caso, ele está tentando reverter, com o uso de sua caneta, décadas de tendência à integração internacional da indústria automobilística, com fábricas japonesas e alemãs espalhadas pelo sudeste dos EUA, peças em grande parte fabricadas no exterior e o pacto comercial entre México, EUA e Canadá permitindo que diferentes peças de veículos sejam montadas em lugares diferentes.

Embora Trump queira que os veículos sejam fabricados “em um único local”, o sistema existente proporcionou exatamente o benefício que Trump diz estar buscando: desde a assinatura do Acordo de Livre Comércio da América do Norte entre os EUA, o Canadá e o México, no final de 1992, até o choque de oferta da pandemia, os preços dos carros novos quase não subiram.

Valor - SP   01/04/2025

Samuelsson, 74, substituirá Jim Rowan em 1º de abril e servirá por dois anos enquanto o conselho busca um sucessor de longo prazo

A Volvo Car escolheu seu antigo CEO Hakan Samuelsson para retomar o comando enquanto a montadora sueca tenta sair de um mal-estar agravado pelas tarifas iminentes dos EUA.

Samuelsson, 74, substituirá Jim Rowan em 1º de abril e servirá por dois anos enquanto o conselho busca um sucessor de longo prazo, disse a empresa no domingo. Samuelsson foi CEO da Volvo por uma década até 2022.

A Volvo está entre os fabricantes europeus afetados pelas taxas adicionais de 25% sobre automóveis do presidente Donald Trump. Embora tenha uma fábrica na Carolina do Sul, a Volvo ainda exporta uma parcela significativa de veículos da Europa para os EUA.

As tensões comerciais e a demanda decrescente por EVs pesaram sobre as ações, que caíram cerca de 48% no ano passado.

"Com mudanças tecnológicas rápidas, crescente complexidade geopolítica e competição cada vez mais intensa entre regiões, o conselho acredita que a empresa é melhor atendida por uma liderança com profunda experiência industrial, profundo conhecimento do nosso grupo e uma capacidade comprovada de execução em ambientes desafiadores", disse a Volvo.

Controlada pela chinesa Geely, a Volvo alertou em fevereiro que terá dificuldades este ano para igualar suas vendas e lucros de 2024, já que a demanda fraca e as tensões comerciais cobram seu preço.

A empresa vem cortando custos e se concentrando em proteger o caixa enquanto lida com a demanda decrescente por EVs e as tensões comerciais. Isso está mais de acordo com uma nova estratégia proposta pelo bilionário proprietário da Geely, Li Shufu, que quer eliminar redundâncias em seu império automobilístico que também inclui marcas como Polestar, Zeekr e Lotus.

A Volvo também confirmou que Li, presidente da Volvo, fará uma rara aparição na assembleia geral anual da empresa na quinta-feira em Gotemburgo, Suécia, onde Samuelsson será proposto como um novo membro do conselho.

A Volvo também está sentindo o calor dos impostos mais altos da União Europeia sobre veículos elétricos feitos na China, que atingiram seu popular EX30. O utilitário esportivo elétrico é atualmente produzido na China, mas será feito na fábrica da Volvo em Ghent, Bélgica, a partir deste ano para contornar essas obrigações.

Rowan, 59, entrou para a Volvo em 2022 após ocupar cargos como o de CEO na fabricante de aspiradores Dyson. Ele diminuiu as ambições de EV da empresa, fazendo com que a Volvo abandonasse a meta de vender apenas carros totalmente elétricos até o final da década. Em vez disso, ela continuará construindo modelos híbridos em meio à demanda mais fraca dos consumidores por carros mais caros movidos a bateria.

Com sede em Gotemburgo e listada na bolsa Nasdaq de Estocolmo, a Volvo foi adquirida pela Geely Automobile Holdings em 2010 da Ford Motor.

Samuelsson foi CEO da Volvo por uma década até 2022 e agora retorna ao posto — Foto: Bloomberg

CONSTRUÇÃO CIVIL

Monitor Digital - RJ   01/04/2025

Em fevereiro de 2025, os financiamentos com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somaram R$ 12,74 bilhões. Foi o melhor resultado histórico para um mês de fevereiro. Em relação a janeiro, houve queda de 5,5%. Entretanto, comparado a fevereiro de 2024, verificou-se alta de 21,8%.

Nos primeiros dois meses de 2025, o volume financiado foi de R$ 26,2 bilhões, com crescimento de 30,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Nos últimos 12 meses, entre março de 2024 e fevereiro de 2025, foram financiados R$ 192,8 bilhões com recursos da poupança SBPE, crescendo 28,3% em relação aos 12 meses precedentes.

Em fevereiro de 2025 foram financiados, nas modalidades de aquisição e construção, 36,3 mil imóveis. Comparado a janeiro, houve redução de 5,9% e em relação a fevereiro do ano passado, verificou-se elevação de 18,7%.

No primeiro bimestre do ano, foram financiados 74,8 mil imóveis com recursos da poupança SBPE, crescendo 27,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em fevereiro, a poupança SBPE registrou captação líquida negativa em R$ 5,1 bilhões, confirmando a prevalência histórica da ocorrência de mais saques que depósitos para esse mês. Isso é parcialmente explicado pela concentração de gastos típicos de início de ano, como IPTU, IPVA, despesas escolares, entre outros. Para honrar esses compromissos, parte dos poupadores fazem uso de suas reservas para reforçar o orçamento doméstico, levando as cadernetas a mostrarem captação líquida negativa nesse período.

A poupança de fevereiro encerrou o mês com saldo de R$ 757,2 bilhões, ficando muito parecido com o de janeiro. A captação líquida negativa não conseguiu reduzir substancialmente o saldo, uma vez que foi praticamente anulada pelo crédito do rendimento. Com isso, o saldo caiu apenas 0,04% em relação a janeiro. Comparado a fevereiro do ano passado, cresceu 3%.

Na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa Selic deve avançar, alcançando 14,25%, conforme apontam as expectativas do mercado. Essa elevação impacta diretamente o crédito imobiliário, tornando os financiamentos bancários ainda mais caros. Para quem deseja adquirir um imóvel, essa alta representa parcelas mais elevadas e um custo final significativamente maior devido aos juros compostos. Diante desse cenário, o consórcio imobiliário surge como a melhor alternativa, pois permite a compra sem juros e com um planejamento financeiro mais saudável.

Além de não ter juros, o consórcio possui uma taxa de administração muito menor do que os encargos cobrados pelos bancos em financiamentos tradicionais.

“Enquanto um financiamento pode dobrar o valor final pago pelo imóvel devido aos altos juros, a taxa de administração do consórcio, a taxa do consórcio varia entre 1% a 1,5% ao ano, enquanto do financiamento imobiliário está entre 12% a 15% ao ano”. Além disso, com uma estratégia bem planejada, é possível ser contemplado rapidamente dando um lance de apenas 30% do valor do bem, garantindo assim a carta de crédito para a compra do imóvel. Desde a última reunião do Copom, que subiu para 13,25% os juros, tivemos uma alta de 42% na busca por consórcios”, ressalta Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

Segundo ele, “o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, após semanas consecutivas de altas na previsão da inflação, dessa vez mostrou uma ligeira queda nas projeções. Entretanto, isso é insuficiente para conter a alta da Selic na reunião de quarta, que deve avançar, indo para 14,25%. Um dos setores mais afetados será a construção civil, com a taxa de financiamento sendo elevada. Agora, mais do que nunca, o consórcio vira a melhor alternativa para a compra do imóvel, sendo possível dar um lance embutido de apenas 30% e após ser contemplado as prestações podem ser pagas com o próprio aluguel gerado pelas plataformas de locação”.

Um exemplo prático dessa estratégia é a possibilidade de obter uma renda passiva com o aluguel do imóvel adquirido via consórcio.

“Por exemplo, se comprar um imóvel no valor de R$ 300 mil e este for alugado por meio de plataformas como Airbnb, com uma ocupação média de 20 dias no mês e uma diária de R$ 250, a receita mensal pode chegar a R$ 5 mil. Esse rendimento cobre as parcelas do consórcio, e gera um fluxo de caixa positivo, garantindo um investimento sustentável e lucrativo”, finaliza o executivo.

FERROVIÁRIO

O Estado de S.Paulo - SP   01/04/2025

O governo de São Paulo fez mudanças na modelagem da parceria público-privada (PPP) do Lote Alto Tietê, referente às linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM), para evitar repetir problemas percebidos em outra concessão de ramais de trem para a iniciativa privada, segundo o secretário de Parcerias em Investimentos do Estado, Rafael Benini, contou ao Estadão/Broadcast. Na sexta-feira, 28, as três linhas foram arrematadas pelo Grupo Comporte.

”Tomamos algumas medidas importantes com base no que aprendemos com as concessões anteriores. A primeira delas foi aumentar o tempo de transição. Enquanto nas linhas 8 e 9 a transição foi feita em cerca de sete meses, agora estamos falando de dois anos”, disse Benini. “Será um ano com a concessionária supervisionando a operação da CPTM e treinando o pessoal, seguido de mais um ano com a CPTM supervisionando a operação da concessionária.”

As linhas 8-Diamente e 9-Esmeralda foram concedidas para a ViaMobilidade, por meio de leilão, em abril de 2021. Os ramais registraram falhas técnicas e a empresa chegou a assinar acordo com o Ministério Público de São Paulo em 2023. Dentre casos de repercussão recentes, estão problemas na operação e um princípio de incêndio (sem feridos, que foi “prontamente apagado”, segundo a concessionária).

Em nota, a ViaMobilidade diz ter feito melhorias afirma que a qualidade do serviço foi reconhecida em pesquisa de satisfação, além de destacar investimentos de R$ 4,1 bilhões. A ViaMobilidade foi a única concorrente da Comporte no leilão da última sexta-feira.

Outro problema, segundo o secretário, é que durante o período de transição das linhas 8 e 9, não havia previsão de investimentos. Nem CPTM nem a concessionária teriam investido nesse intervalo, conforme Benini. Logo, quando houve a transição de fato, as linhas já estavam mais deterioradas, o que gerou dificuldades operacionais.

Agora, os investimentos começam já na fase pré-operacional. Ao todo, o contrato prevê que deverá ser feito investimento de R$ 14,3 bilhões nas linhas, além de reformas e a construção de novas estações no Bom Retiro, na região central da capital, e na Grande São Paulo, como Mogi das Cruzes e Guarulhos. A estimativa do Estado é dobrar o número de passageiros até 2040, chegando a cerca 1,3 milhão ao dia.

”O terceiro ponto é questão do inventário de peças. No contrato das linhas 8 e 9, estava previsto que a CPTM entregaria determinado número de peças. Porém, essas peças não estavam disponíveis, e foi preciso comprá-las no exterior, em plena pandemia”, continuou Benini. “Aprendemos com isso. Neste novo contrato, já estamos exigindo que a concessionária providencie desde o início as peças que têm prazo longo de entrega.”/

NAVAL

Exame - SP   01/04/2025

O plano de investimentos para o Porto de Santos, no litoral sul paulista, mais do que dobrou em um ano, de acordo com Anderson Pomini, presidente da Autoridade do Porto de São Paulo (APS). No 7º episódio do videocast EXAME INFRA, realizado pela EXAME em parceria com a empresa Suporte, o dirigente afirmou que o total de investimentos alcança agora R$ 22 bilhões, combinando recursos públicos e privados.

"São R$ 12 bilhões de investimentos públicos, o maior investimento da história do Porto de Santos numa janela de quatro a cinco anos. E R$ 10 bilhões da iniciativa privada", detalha Pomini sobre ampliação do plano que buscar modernizar a infraestrutura do maior porto do Brasil e da América Latina, e fortalecer sua integração com a cidade.

"Na iniciativa privada qual é o investimento? Sempre que um operador assina um contrato com o Porto de Santos, para utilizar a área de forma arrendada, por 25 anos, o Porto impõe a ele uma série de obrigações de obras, como acessos, reforma do cais, preparar a área para a operação dele. E essas contrapartidas estão previstas em contrato. Somam 10 bilhões de reais nos próximos quatro a cinco anos", afirma.

Inicialmente, o governo federal previa um plano de investimento de R$ 10,64 bilhões voltado a 12 projetos considerados estratégicos para a região portuária. Uma parcela significativa, de R$ 6 bilhões, com aportes do governo federal e do estado de São Paulo, será destinada à construção do túnel subterrâneo que ligará os municípios de Santos e Guarujá.

Porto de Santos como motor de desenvolvimento

A obra é uma das mais aguardas e utilizará a tecnologia de imersão, já empregada em países como Holanda e China, reduzindo o tempo de travessia entre as margens do porto para cerca de 1 minuto e 30 segundos. O edital foi publicado no final de fevereiro e, segundo o presidente da APS, diversas empresas já sinalizaram interesse na licitação, que será internacional, seguindo a exigência técnica de expertise nesse tipo de construção imersa, a primeira no Brasil.

A previsão é que o leilão ocorra no dia 2 de agosto, com o início das obras previsto para novembro. A perspectiva é que cerca de 7 mil postos de trabalhos sejam criados na região do Guarujá. Mas, de acordo com Pomini, há "inúmeras" outras vantagens esperadas com impactos econômicos, ambientais e sociais.

"São 5 mil caminhões que circulam hoje 45 quilômetros, pouco menos de uma hora. Esses caminhões emitem 70 mil toneladas de CO2 por ano, um impacto ambiental. Com o túnel, será 1 minuto e 30 segundo. Ao todo 27 mil pessoas cruzam o canal de veículos, balsas, dessas, 15 mil pelas chamadas catraias. Elas não precisarão mais aguardar de 40 minutos a um hora", diz o presidente da APS.

O projeto inclui a remoção de famílias que vivem em palafitas na região da desembocadura do túnel, com a oferta de moradias dignas, segundo o dirigente, que prevê com a modernização do Porto de Santos, ao longo dos próximos 10 anos, "um impacto muito positivo para a região mais pobre de uma cidade rica, que é o Guarujá".

"O combinado é trocar a chave de uma palafita pela chave de uma casa decente, com infraestrutura. O Porto investiu R$ 50 milhões. A empresa pública tem que exercer uma função pública social também nesse sentido. Porque aquele metro quadrado vale ouro para a operação portuária e não faz sentido ter pessoas ainda vivendo em condições de palafita. Já retiramos 300 famílias, faltam agora 600. Mas a área da desembocadura do túnel já está livre. Então o impacto na vida dessas pessoas, que receberão moradias adequadas, é absolutamente significativo", complementa.

Principais projetos e obras

Os investimentos bilionários também serão aplicados em outras frentes, com destaque para o aprofundamento do canal de navegação e melhorias nos acessos rodoviários e ferroviários.

O aprofundamento do canal será dividido em três fases: derrocagem das pedras, aprofundamento inicial de 15 para 16 metros e, posteriormente, para 17 metros, com manutenção do calado pelos próximos 30 anos. O projeto tem custo estimado entre R$ 6 e R$ 7 bilhões.

Nos acessos terrestres, serão construídos dois viadutos na região do Alemoa para desafogar o trânsito. O Porto de Santos direcionou R$ 1 bilhão de crédito junto à ferrovia interna do porto para essas melhorias. Além disso, a segunda fase da perimetral do Guarujá, um projeto de R$ 700 milhões incluído no PAC, será licitado ainda neste ano, facilitando a logística para os caminhões que transportam cargas na região.

A ampliação do Porto de Santos também envolve a construção do Tecon Santos 10, que será o maior terminal de movimentação de contêineres do Hemisfério Sul. Com capacidade para movimentar mais 3 milhões de contêineres ao ano, ele representará um aumento de quase 60% na capacidade atual.

Para suportar essa expansão, está previsto o desenvolvimento de um Condomínio Logístico Retroportuário na área do Saboó, que será concedido à iniciativa privada por 25 anos. Esse condomínio incluirá, entre outras infraestruturas, um edifício-garagem para otimizar a armazenagem de veículos.

Segundo Pomini, um chamamento no formato de concessão será publicado ainda neste primeiro semestre para implementação do condomínio. O objetivo é que a estrutura esteja pronta no mesmo período que a área do Tecon 10, prevista para o início de 2027.

"Teremos movimentação de contêineres, veículos e cargas gerais, e será preciso um condomínio logístico conectado que atenda também a essa operação. Uma das exigências será o estudo de um edifício-garagem, porque precisamos armazenar esses veículos que, ao serem recebidos no Tecon 10, precisam imediatamente se deslocarem para um edifício-garagem, porque não podemos contar com carga parada nesses terminais, o custo é muito alto", afirma o presidente da Autoridade de Portos.

Terminal de cruzeiros transformará turismo em Santos

A integração do porto com a cidade é outro eixo prioritário do plano. Tradicionalmente isolado dos municípios vizinhos Guarujá, Cubatão e São Vicente, o Porto de Santos agora busca oferecer áreas de lazer e convivência para a população, seguindo modelos de sucesso em portos europeus e latino-americanos.

Um exemplo desse esforço foi a inauguração do Parque Valongo, em julho do ano passado, que já recebeu cerca de 300 mil visitantes, segundo Pomini. O plano é ampliar para o Valongo também as estruturas para um terminal de passageiros, voltado a cruzeiros marítimos, e "transformar o turismo de Santos", afirma o presidente da APS.

"Hoje [o Valongo] é a principal área de atração turística do litoral. E nós entregaremos a segunda fase dos 30 mil metros agora em dezembro. E a transferência do terminal de passageiros é a cereja desse bolo, que vem ao lado ali, exatamente do Tecon 10. Teremos três berços de atracação para os grandes navios de cruzeiros. O turista vai chegar e acesso a uma área parecida com o Porto Madeiro, em Buenos Aires", compara.

A Autoridade Portuária destaca que o local será servido de restaurantes, lanchonetes, casas de vinho, e ao fundo, atravessando uma passarela instalada há menos de um mês, chamada de Boulevard, o turista terá acesso ao Museu do Café, Museu do Rei Pelé e à rua 15 de novembro, no centro. "É uma área lindíssima e histórica, riquíssima da cidade de Santos", diz Pomini.

Portos e Navios - SP   01/04/2025

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), em conjunto com a Infra S.A, elabora um levantamento com os terminais arrendados e com os terminais de uso privado (TUPs) que trará um diagnóstico dos terminais portuários brasileiros. A pesquisa de custos, receitas e despesas na operação portuária nacional por perfil de carga pode ser respondida até o próximo dia 28 de abril e é um dos temas da Agenda de Estudos 2025-2028 da agência.

O trabalho servirá de subsídio na elaboração do Plano Nacional de Logística (PNL), conduzido pela Infra S.A. De acordo com a Antaq, serão levantadas informações que caracterizam o sistema portuário nacional e esses dados serão utilizados como subsídio para a criação de ferramentas, estudos, projetos, planos e políticas voltadas ao desenvolvimento do setor.

A pesquisa contempla perguntas sobre o tipo de terminal, perfil das cargas movimentadas, infraestrutura, acessos, equipamentos portuários, mão de obra, segurança patrimonial, riscos e entraves, entre outros. A Antaq informou que os questionários foram enviados diretamente para os respondentes, via email, com todas as orientações necessárias para o preenchimento.

PETROLÍFERO

IstoÉ Dinheiro - SP   01/04/2025

A demanda por petróleo subiu ao maior nível para o mês de janeiro nos Estados Unidos desde que o dado passou a ser registrado, em 1963, segundo relatório mensal divulgado nesta segunda-feira, 31, pela Administração de Informações de Energia (EIA, na sigla em inglês), do Departamento de Energia dos EUA (DoE, em inglês).

De acordo com o levantamento, os produtos de petróleo bruto e derivados fornecidos (PDA, em inglês) – principal indicativo de demanda e consumo nos EUA – subiram 5,9% na comparação anual de janeiro de 2025, a 20,736 milhões de barris por dia (bpd).

Já a produção de petróleo bruto nos EUA caiu para 13,146 milhões de bpd em janeiro, o menor nível desde fevereiro de 2024, mas uma alta de 4,72% no confronto anual.

Em relação a dezembro, a demanda por petróleo e derivados subiu 303 mil bpd em janeiro, enquanto a produção de petróleo bruto teve queda de 305 mil bpd na mesma comparação.

Em documento separado, a EIA também revelou que a demanda por gás natural subiu a máximas recorde nos EUA.

O Estado de S.Paulo - SP   01/04/2025

A China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) anunciou nesta segunda-feira, 31, a descoberta de um grande campo petrolífero no leste do Mar da China Meridional, com reservas que ultrapassam os 100 milhões de toneladas.

O campo Huizhou 19-6 está localizado a cerca de 170 km da cidade de Shenzhen, na província de Guangdong, no sul do país, informou a agência de notícias oficial Xinhua.

O presidente-executivo da gigante estatal do petróleo, Zhou Xinhuai, comemorou “o progresso sucessivo na exploração de petróleo e gás nas águas orientais do Mar da China Meridional”.

A descoberta foi interpretada como um “grande avanço” para especialistas da companhia.

Os testes de perfuração realizados pela empresa petrolífera acarretaram numa produção diária de 413 barris de petróleo bruto e 68 mil metros cúbicos de gás natural, de acordo com a Xinhua.

A Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos disse que o Mar da China Meridional permanece em grande parte inexplorado devido a disputas territoriais, mas a maioria das descobertas de petróleo e gás ocorreram em áreas não disputadas.

A China reivindica a maior parte do mar, embora seja disputado pelas Filipinas, Malásia, Vietnã, Indonésia e Brunei. O país também é o maior importador de petróleo do mundo, com uma geração de 11,1 milhões de barris por dia no ano passado, de acordo com análise do governo dos EUA.

RODOVIÁRIO

InfraRoi - SP   01/04/2025

A pavimentação de um trecho da MG-164 na região de Curvelo está usando escória siderúrgica para substituir o cascalho. O produto é resíduo de aciaria de uma empresa de ferro gusa de Sete Lagoas, que doou cerca de 2,2 mil toneladas.

A escória siderúrgia está sendo aplicada em um trecho não pavimentado de 10,5 quilômetros entre Felixlândia (Córrego do Bagre) até a barragem Três Marias, região Central de Minas, de forma descontinuada, eliminando os pontos críticos da rodovia.

O agregado siderúrgico surge do processo de produção de aciaria, composto de óxidos e silicatos e possui alta resistência ao desgaste. A medida além de evitar a criação de um passivo ambiental gera economia aos cofres públicos, uma vez que o material substitui o cascalho extraído de jazidas para melhorar as estradas de terra.

“A escória siderúrgica é aplicada na via e misturada ao leito da estrada com o auxílio de uma motoniveladora, o que melhora significativamente as condições da pista. A principal vantagem desse material é sua durabilidade, que contribui para a prevenção do surgimento de buracos e aumenta a capacidade de suporte da estrada”, explica Ricardo Paulino, coordenador regional do DER-MG em Curvelo, segundo o governo de Minas Gerais.

Além da aplicação de escória siderúrgica, o trecho da MG-164 passou por uma série de melhorias, incluindo a manutenção das saídas d’água e das bacias de escoamento, poda e corte de árvores, roçada e a instalação de sinalização vertical.

Grandes Construções - SP   01/04/2025

A Melhores Rodovias do Brasil – ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias) divulga, nesta segunda-feira (31/3), seu Relatório Anual 2024, ressaltando um ano transformador para o setor rodoviário brasileiro.

O documento apresenta conquistas significativas impulsionadas por avanços regulatórios, inovações tecnológicas e práticas sustentáveis, consolidando o protagonismo das concessões na modernização da infraestrutura de transporte no Brasil.

Em 2024, a malha rodoviária concedida registrou um crescimento expressivo de 14%, superando a marca de 28 mil quilômetros sob gestão privada. Desde 1998, os investimentos acumulados no setor já somam mais de R$ 270 bilhões, reafirmando as concessões como motores estratégicos do desenvolvimento econômico e logístico do país.

Segundo Marco Aurélio Barcelos, presidente da ABCR, “as concessões rodoviárias seguem como vetor essencial para a infraestrutura sustentável, para uma logística mais eficiente e como impulsionadoras desenvolvimento econômico do país”.

Entre os avanços regulatórios, destacam-se a revisão metodológica do Custo Médio Ponderado de Capital (WACC), que ampliou a atratividade dos investimentos, e a consolidação do modelo Free Flow, que moderniza a cobrança de pedágios e aprimora a gestão operacional das rodovias.

Além disso, iniciativas como os Pontos de Parada e Descanso (PPDs) garantem melhores condições de descanso e segurança para os profissionais do transporte rodoviário.

No campo tecnológico, a homologação das balanças de pesagem dinâmica (HS-WIM) pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) representa um salto na gestão viária, permitindo monitoramento contínuo e aumentando a eficiência operacional.

Simultaneamente, a pauta ESG consolidou-se com a criação do Comitê de Sustentabilidade e o lançamento do Atlas de Sustentabilidade das Concessões Rodoviárias, fortalecendo o compromisso com práticas responsáveis e resiliência socioambiental.

A perspectiva para 2025 é ainda mais promissora: a ABCR prevê a realização de 30 novos leilões, que adicionarão 14 mil quilômetros à malha concedida, mobilizando investimentos superiores a R$ 180 bilhões, o Brasil está consolidando sua posição como referência mundial no setor de concessões rodoviárias.

Infomoney - SP   01/04/2025

Desde o domingo (30) o complexo rodoviário Raposo Tavares-Castello Branco, que foi administrado nos últimos 27 anos pela CCR (CCRO3), está com nova gestão. Depois de o governo do Estado de São Paulo ter optado no ano passado por dividir em dois os lotes de renovação da concessão, a CCR passou a operar agora a Rota Sorocabana e a Ecorodovias (ECOR3) assumiu a Nova Raposo.

Segundo informações da Secretaria de Parcerias em Investimentos, a Rota Sorocabana – um complexo de 460 quilômetros de 12 rodovias localizadas na região sudoeste do estado – receberá investimentos de R$ 8,8 bilhões durante 30 anos em modernização da infraestrutura rodoviária e a segurança viária.

Já a Nova Raposo – que abrange 92 quilômetros das rodovias Castello Branco (SP-280), Raposo Tavares (SP-270) e Coronel PM Nelson Tranchesi (SP-029) — terá aportes de R$ 7,9 bilhões pelo mesmo prazo.

As duas áreas de concessões terão disponíveis postos provisórios de Serviços de Atendimento ao Usuário (SAU), oferecendo assistência emergencial, sanitários, fraldários, salas de descanso, Wi-Fi, água potável e estacionamento.

Outro recursos previstos são novos 10 veículos de inspeção de tráfego, guinchos leves, veículos plataformas (VIA’s), guinchos pesados, caminhões pipa e  veículos de apreensão de animais, além de mais 16 ambulâncias.

Tarifas foram anunciadas reduções nos valores dos pedágios de até 25% na Rota Sorocabana e de até 35% na Nova Raposo nas cabines automáticas. O governo do Estado diz que busca uma padronização das tarifas para facilitar a futura implantação do sistema “free flow”, que permitirá uma cobrança eletrônica proporcional à distância percorrida, sem a necessidade de praças físicas.

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CCRO3: o que justifica impressionante ágio de 267.835% para CCR levar Rota Sorocabana

Em comunicado sobre a mudança, a CCR ViaOeste lembrou que administrou 169,25 quilômetros das rodovias Castello Branco (SP-280), Raposo Tavares (SP-075), Senador José Ermírio de Moraes (SP-075) e Dr. Celso Charuri (SP-091) por mais de duas décadas, tendo investido mais de R$ 9,3 bilhões na modernização e ampliação da infraestrutura rodoviária, trazendo impactos significativos para a segurança viária e o desenvolvimento regional.

“Os investimentos realizados permitiram uma redução de 41% no índice de acidentes e 57% na ocorrência de mortes, além de promover melhorias que beneficiaram diretamente as cidades ao longo das rodovias”, disse a concessionária em nota

Entre as principais obras executadas, destacam-se a ampliação do Complexo Cebolão, que liga a Castello Branco à Marginal Tietê, o acesso à Osasco pela ponte Fuad Auada, a ampliação das marginais na Raposo Tavares e muito mais, sempre melhorando a fluidez de tráfego no local.

Valor - SP   01/04/2025

O lote é referentes a 426 quilômetros de rodovias, compreendendo trechos da BR-060 e BR-452 em Goiás

A Azevedo & Travassos anunciou nesta segunda-feira (31) que assinou o contrato de concessão referente ao lote rodoviário Rota Verde.

Confira indicadores e resultados da Azevedo & Travassos e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360

O lote é referentes a 426 quilômetros de rodovias, compreendendo trechos da BR-060 e BR-452 em Goiás. A concessão de 30 anos tem valor de R$ 10 bilhões ao longo do período contratual e exigirá R$ 4 bilhões em investimentos.

O projeto inclui investimentos significativos, como implantação de duplicações de pista, faixas adicionais, vias marginais, além da construção e modernização de dispositivos de acesso e segurança viária.

“Esses aportes irão contribuir para a melhoria da infraestrutura rodoviária do Centro-Oeste, importante zona produtora de grãos, dando ainda mais competitividade ao agronegócio brasileiro”, afirma a Azevedo & Travassos.

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