IstoÉ Dinheiro - SP 02/04/2025
Em 2024, a maior siderúrgica do Chile, Huachipato, fechou as portas derrotada pelo aço barato da China. Meio ano depois, as tarifas de Donald Trump ameaçam os meios de subsistência de 1,4 milhão de pessoas que trabalham neste setor na América Latina.
Assim como em seu primeiro mandato (2017-2021), o presidente americano pretende proteger a indústria siderúrgica dos Estados Unidos ao tornar o metal importado mais caro, com as tarifas alfandegárias de 25%, em vigor desde 12 de março.
Os Estados Unidos importam 25 milhões de toneladas do metal por ano. O Canadá é seu maior fornecedor individual, seguido por Brasil e México, com produtos destinados a outras indústrias, como a automotiva e de construção.
A indústria americana “precisa se abastecer” de produtos com “tecnologias especiais (…), aços que sempre comprou da América Latina”, disse à AFP Ezequiel Tavernelli, diretor executivo da Associação Latino-Americana do Aço (Alacero).
Portanto, em um contexto de superprodução mundial de aço, com a China na vanguarda, as tarifas serão uma grande distorção para o mercado: “A única coisa que traria seria uma enxurrada de aço devido ao desvio de comércio desse aço, que ia para os Estados Unidos (…), para regiões menos protegidas (e) com menor capacidade de defesa”, como a América Latina, ressalta o executivo.
Para explicar a gravidade da ameaça, o especialista lembra que, em 2000, a China exportava menos de 100.000 toneladas de aço anualmente para a América Latina. “Hoje são mais de 14 milhões. (O crescimento) é exponencial”, enfatizou.
A produção de aço na América Latina está em declínio há três anos. Em 2024, a queda foi de 3,6%, para 56 milhões de toneladas, ante um consumo de 73 milhões. A participação da China no total utilizado na região é cada vez maior.
Devido às tarifas de Trump, os produtores latino-americanos não perderiam apenas o acesso aos Estados Unidos. A perda de participação de mercado para o aço chinês em seus próprios países também seria acentuada.
– Dilúvio –
Os números são gritantes.
O mundo tem uma capacidade de produção de 2,48 bilhões de toneladas de aço por ano. Desse total, a China representa 1,14 bilhão, mais de 45%. O país asiático utiliza a maior parte, mas sobra cerca de 140 milhões de toneladas, que acabam no mercado internacional a preços de ‘dumping’ (a venda de produtos abaixo do preço de produção), segundo a Alacero.
“Um dos países com maior excesso de capacidade e que inunda os nossos mercados com o aço é a China, e ela faz isso de forma desleal”, com preços abaixo do custo graças aos subsídios governamentais que vão de energia a créditos, observou Tavernelli.
Vinte e três por cento do excesso de produção mundial de aço vem da China.
Em setembro do ano passado, os chilenos vivenciaram em primeira mão o impacto dessa situação, que Tavernelli descreve com preocupação: Huachipato, a maior indústria siderúrgica do país, fechou seus fornos, dando fim a quase 75 anos de história.
As sobretaxas anunciadas pelas autoridades não foram suficientes. O aço chinês é 40% mais barato que o aço chileno. A competição tornou-se impossível.
– Trabalhar em equipe –
A Alacero argumenta que a “regionalização” da cadeia de produção — ou seja, que os Estados Unidos adquiram o aço de seus vizinhos — é “a melhor defesa contra o comércio desleal da China e dos países do sudeste asiático”.
Ou, como destacou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Geraldo Alckmin, o objetivo é a “complementaridade econômica”. O Brasil, assim como o México, negocia alternativas para evitar as tarifas de Trump, um caminho que já funcionou durante o primeiro mandato do americano.
Na mesma linha, no México, a Câmara Nacional da Indústria do Ferro e do Aço (Canacero) lembrou em fevereiro “o alto nível de integração produtiva” com os Estados Unidos e destacou que “os benefícios regionais devem ser prioritários diante da ameaça de excesso de capacidade da China e do sudeste asiático”.
Da mesma forma, a Câmara Argentina do Aço (CAA) afirmou que, embora entenda “a necessidade de estabelecer medidas defensivas contra a concorrência desleal diante da ascensão da China como o maior produtor mundial de aço, a resposta deve ser coordenada”.
Nesse contexto de tensão, o risco é que haja mais casos como o de Huachipato, “de empresas com história, com anos de produção, com grande prestígio, (que) perdem e têm que fechar”, alertou Tavernelli, que insiste em trabalhar de forma coordenada nas Américas para evitar que isso aconteça.
Globo Online - RJ 02/04/2025
Quase 100 anos atrás, os Estados Unidos promulgaram uma lei tarifária que desencadeou uma guerra comercial global e prolongou e aprofundou a Grande Depressão. Agora, o presidente Donald Trump aposta que o mundo mudou o suficiente para que a história não se repita.
Isso equivaleria a reduzir mais de US$ 1 trilhão da produção dos EUA, aproximadamente o equivalente ao PIB da Pensilvânia. Para comparação, esse impacto seria quase tão grave quanto o da crise financeira global, que deixou a economia americana cerca de 6% menor após três anos do que sua trajetória pré-crise.
As preocupações expressas por Trump sobre o imposto sobre valor agregado na Europa e as barreiras não tarifárias na China indicam que esses mercados podem enfrentar um grande choque tarifário e possivelmente perder grande parte de suas exportações para os EUA, segundo a Bloomberg Economics.
No entanto, como apenas uma parcela limitada do PIB desses países está exposta, o impacto econômico provavelmente seria administrável. Já o Canadá e os países do Sudeste Asiático provavelmente sentiriam uma interrupção maior.
A previsão da Bloomberg Economics pressupõe que outros países retaliarão com tarifas sobre as importações americanas. No entanto, ela não leva em conta os custos econômicos indiretos dessas políticas, como a incerteza sobre o futuro, que pode levar empresas a adiarem planos de investimento e consumidores a postergarem compras.
O governo Trump tem rejeitado os alertas de que as tarifas poderiam afundar a economia e celebra quase US$ 2 trilhões em anúncios de investimentos, que insiste serem prova de que as tarifas já estão trazendo a manufatura de volta para os EUA. No entanto, ainda não está claro quantos desses investimentos de longo prazo realmente se concretizarão ou quantos novos empregos serão gerados.
Atração de investimentos
— As tarifas tornarão os Estados Unidos mais competitivos. Elas incentivarão investimentos no país — disse Stephen Miran, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, em uma entrevista à Bloomberg News em 19 de março, na qual também destacou a receita que as tarifas vão gerar.
Outros altos funcionários afirmam que as novas tarifas trarão mais de US$ 700 bilhões para os cofres federais.
Além das tarifas de 25% sobre automóveis que entraram em vigor na semana passada, Trump já impôs tarifas de 25% sobre muitas importações do Canadá e do México, alegando que a medida tem o objetivo de pressionar esses países a reprimirem a migração e o tráfico de fentanil para os EUA.
A China também foi atingida com tarifas de 20% por, segundo Trump, não fazer o suficiente para impedir a exportação de precursores de fentanil para o México, Canadá e os EUA.
Trump também aplicou tarifas globais sobre importações de aço e alumínio e prometeu novas tarifas sobre cobre e produtos farmacêuticos.
No entanto, nenhuma dessas tarifas deve se comparar, em termos de valor das importações afetadas, às chamadas tarifas recíprocas. As novas taxas têm o objetivo de sintetizar em um único número — a taxa tarifária — todas as barreiras comerciais que as exportações dos EUA enfrentam em outros mercados, incluindo impostos, regulamentações ambientais e normas de segurança.
Um dos principais alvos da ira de Trump tem sido o uso do imposto sobre valor agregado (IVA) por países europeus e outros, que permitem que seus exportadores recebam reembolsos desse imposto. Os planos evoluíram nas últimas semanas, desde que Trump se afastou de sua ideia de campanha de aplicar uma tarifa universal, que teria imposto uma taxa fixa mais simples de 10% a 20% sobre todas as importações dos EUA.
Não houve discordância pública entre os principais funcionários do governo Trump. No entanto, há sinais de disputas internas. Um assessor se referiu publicamente a "negociações" dentro da administração. E, no fim de semana, Kevin Hassett, chefe do Conselho Econômico Nacional de Trump, deixou claro que os detalhes ainda não foram decididos.
— O presidente tem diante de si uma enorme quantidade de análises e, tenho certeza, tomará a decisão certa — disse Hassett à Fox News no domingo.
Os americanos parecem céticos de que as tarifas fortalecerão a economia e estão preocupados com o aumento dos preços: o sentimento do consumidor em março caiu para o nível mais baixo em mais de dois anos, enquanto as expectativas de inflação de longo prazo subiram para o maior patamar em 32 anos.
Autoridades do governo Trump têm tentado acalmar as preocupações dos eleitores, argumentando que a promessa de uma grande transformação econômica valerá o sacrifício.
Trump afirmou em uma entrevista no fim de semana que “não poderia se importar menos” se as montadoras estrangeiras aumentassem os preços em resposta às tarifas, porque “as pessoas vão começar a comprar carros americanos.”
‘Esqueçam’ o GATT
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA lideraram o esforço para reduzir tarifas e adotaram o conceito de “nação mais favorecida”, que, desde a assinatura do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) em 1947, aplicou taxas cuidadosamente negociadas a milhares de produtos altamente específicos. O sistema oferecia a menor tarifa possível a todos os membros do GATT e, depois, de sua sucessora, a Organização Mundial do Comércio (OMC).
— O que isso faz é dizer: ‘Esqueçam o GATT. Esqueçam a OMC. Vamos simplesmente estabelecer nosso próprio conjunto de regras bilateralmente com cada país’ — afirma Michael Froman, presidente do Conselho de Relações Exteriores e principal negociador comercial dos EUA durante o governo Obama.
O objetivo declarado do governo Trump é reduzir os desequilíbrios globais, que agora são amplamente reconhecidos como uma fonte de tensão. No melhor dos cenários, essa abordagem poderia levar a uma série de acordos dos EUA que diminuiriam as barreiras comerciais ao redor do mundo, disse Michael Froman.
Há sinais de que a União Europeia e outros países já começaram a elaborar concessões na esperança de que Trump pelo menos suavize suas tarifas.
No entanto, "o maior risco, na minha opinião, é que isso leve a uma escalada nas barreiras comerciais, afetando o crescimento, além da inflação, produtividade e competitividade", afirmou Froman:
—E que, em vez dos benefícios de uma economia global em crescimento, vejamos uma redução do bolo econômico, inclusive para os Estados Unidos.
Além disso, as tarifas de Trump parecem não ter limites, diz Mary Lovely, pesquisadora sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional.
— Se você acredita que os EUA precisam de proteção para todos os bens manufaturados, então, em pouco tempo, a única coisa que você não estará protegendo são os produtos que não produzimos. Mas esses caras parecem querer produzir tudo — ela diz.
Atrasos por incerteza
As empresas estão correndo para se adaptar e tentando prever o que está por vir, o que para muitas significa apertar o freio até mesmo em pequenas decisões. Na DataDocks, empresa que auxilia companhias como PepsiCo e Stitch Fix a coordenar o tráfego em fábricas e armazéns, as reservas para abril caíram 35% em relação ao ano anterior.
Mais preocupante para Nick Rakovsky, fundador da DataDocks, é que empresas que normalmente planejariam entregas para os meses de verão não estão reservando nada além da primeira quinzena de abril. Isso, segundo ele, é um "comportamento consistente com a incerteza que vimos no passado" durante o caos da cadeia de suprimentos na pandemia de Covid-19.
Em 2019, durante a primeira guerra comercial de Trump, o Federal Reserve concluiu que o impacto da incerteza na desaceleração dos investimentos e contratações foi maior do que o efeito direto das tarifas. Desta vez, a incerteza disparou para níveis superiores aos daquela época e já está aparecendo nas previsões oficiais.
Em março, o Fed reduziu sua previsão de crescimento anual na maior queda desde 2022, revisando a projeção deste ano de 2,1% para 1,7%. Isso aconteceu antes das novas tarifas anunciadas nesta semana e logo após a OCDE alertar que as políticas comerciais de Trump desacelerariam o crescimento global e aumentariam os preços.
— Essa é a mudança mais dramática na confiança que eu posso lembrar, exceto quando a Covid atingiu — , disse Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis desde 2016, na semana passada. — É concebível que o impacto na confiança possa ser maior do que o efeito das próprias tarifas.
Outros compararam os riscos potenciais ao choque do petróleo dos anos 1970, que levou à estagflação, ou à incerteza gerada pela crise financeira de 2008. Sayuri Shirai, ex-integrante do conselho de política do Banco do Japão, teme que, ao contrário das recentes desacelerações, a inflação persistente — que provavelmente será ainda mais impulsionada pelas tarifas — limite a capacidade dos bancos centrais de reagir desta vez.
Tudo isso deixou Wall Street inquieta, com o S&P 500 entrando em território de correção em março, à medida que economistas do Goldman Sachs Group, JPMorgan Chase e outras grandes casas de investimento reduziram suas previsões de crescimento para os EUA.
As preocupações continuaram a afetar os mercados financeiros globais na segunda-feira, com as ações americanas registrando seu pior trimestre em relação ao resto do mundo desde 2009 e o índice japonês Nikkei 225 encerrando o dia em queda de cerca de 4%.
—É difícil de acreditar, mas estamos de volta ao alerta de recessão — escreveu Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics, em uma nota recente.
Até janeiro, esperava-se que os EUA superassem o restante do mundo graças ao forte consumo e a um mercado de trabalho sólido, com esperanças até mesmo na agenda pró-negócios de Trump. Mas a ofensiva tarifária mudou completamente esse cenário.
Preocupações dos economistas
—Muitos países tentaram crescer por trás de grandes barreiras tarifárias, e simplesmente não funciona — diz Simon Johnson, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e vencedor do Prêmio Nobel de Economia. — Protecionismo não é uma boa estratégia, e já vimos isso muitas vezes na história mundial.
Enquanto os CEOs americanos inicialmente receberam bem as promessas de Trump sobre cortes de impostos e desregulamentação, agora eles alertam cada vez mais sobre os perigos do protecionismo e o impacto negativo na confiança do consumidor. Ainda assim, algumas empresas apoiam o ataque de Trump contra as barreiras comerciais estrangeiras.
Em uma carta enviada em 11 de março às autoridades comerciais dos EUA, a JM Smucker Co. reclamou de um desequilíbrio: as tarifas americanas sobre geleias importadas são inferiores a 2%, enquanto as tarifas efetivas da União Europeia chegam a 37%.
A empresa apontou que essa diferença levou os fabricantes europeus a exportarem quase US$ 240 milhões em geleias, marmeladas e outras conservas para os EUA em 2024, enquanto os EUA enviaram apenas US$ 295.614 em produtos similares para a Europa. A carta afirmou que as tarifas da UE sobre esses produtos "prejudicam os agricultores, produtores e trabalhadores americanos".
Por outro lado, executivos da Tesla escreveram recentemente às autoridades comerciais americanas alertando que as novas tarifas poderiam prejudicar não apenas a montadora, mas também a competitividade dos EUA, ao aumentar os custos de fabricação no país.
Na semana passada, Trump afirmou que não discutiu tarifas com Musk, dizendo que isso representaria um possível conflito de interesses.
A Tesla tem enfrentado reações negativas dos consumidores, e há sinais de que boicotes contra produtos americanos estão se espalhando. Após a implementação das tarifas Smoot-Hawley, parceiros comerciais europeus e de outras regiões impuseram suas próprias tarifas sobre exportações americanas, incluindo automóveis da Ford e outros veículos fabricados nos EUA, conforme documentado pelo economista Kris James Mitchener e seus coautores em um artigo de 2021.
Dessa vez, diz Douglas Irwin, as empresas americanas podem enfrentar um cenário semelhante. No Canadá, algumas lojas já removeram uísques e outros produtos americanos das prateleiras.
Irwin observa que as queixas comerciais de Trump remontam aos primeiros dias dos EUA, quando Thomas Jefferson e Alexander Hamilton protestavam contra importações e defendiam tarifas.
Globo Online - RJ 02/04/2025
O plenário do Senado, aprovou nesta terça-feira, por 70 votos a 0, o projeto de lei que permite ao Brasil responder com sanções comerciais a países que não mantenham uma relação de isonomia econômica. O texto ganhou força em resposta ao chamado "tarifaço" imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e às possíveis restrições impostas pelo mercado europeu à proteína bovina brasileira e à soja produzida em áreas desmatadas.
A proposta segue agora para a análise da Câmara dos Deputados.
Mais cedo, o texto já havia sido aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos da Casa em caráter terminativo, ou seja, podendo seguir direto para a Câmara. Porém, para passar o prazo de 5 dias necessário nesse caso, o projeto foi votado no plenário.
Na Câmara, o nome do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) é o favorito para assumir a relatoria. Indicado pela bancada do agro e sem resistências entre os governistas, ele deve ser oficializado nesta quarta-feira como relator do texto. De acordo com o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, Hugo Motta, presidente da Casa, já sinalizou que o texto será votado ainda nesta semana, em regime de urgência.
O chamado PL da Reciprocidade, originalmente, tratava de equiparar exigências de controle ambiental, mas também criar barreiras econômicas para outros países ou blocos que afetem a competitividade brasileira no exterior.
O presidente da CAE, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que também pedirá ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que o projeto seja votado com urgência ainda nesta semana.
Caso aprovado nas duas Casas Legislativas, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) terá poderes para suspender concessões comerciais e de investimentos em resposta a países ou blocos econômicos que impactam negativamente a competitividade dos produtos nacionais.
A Camex também poderia adotar medidas de restrição às importações e suspender concessões, patentes ou remessas de royalties, além de aplicar taxações extras sobre os países a serem retaliados.
A redação final foi feita pela relatora e autora do substitutivo, senadora Tereza Cristina (PP-MS), que articulou detalhes do texto com técnicos do Itamaraty.
Pelas regras de hoje, o Brasil não pode aplicar tarifas unilateralmente a um país, o que poderia dificultar a resposta a Trump — se essa vier por meio de retaliação.
Em paralelo com o avanço do projeto, negociadores brasileiros e americanos já se reuniram quatro vezes, e há outras conversas programadas, para um acordo que tire o Brasil da linha de frente da guerra comercial deflagrada por Donald Trump.
As prioridades são a taxação em 25% sobre o aço e a aplicação de tarifas recíprocas pelos EUA contra o Brasil. Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que, diante da falta de perspectiva em torno de um entendimento a curto prazo, não se pode descartar a possibilidade de a Casa Branca optar por uma tarifa linear. Ou seja, que atinja todos os bens da pauta de exportações do Brasil.
Embora não seja algo dado como certo, é possível que todos os produtos exportados para os EUA sejam sobretaxados. Uma das razões é que, para adotar alíquotas recíprocas a bens que têm imposto maior do que o aplicado nos EUA, casos do etanol e dos automóveis do Brasil, será necessário examinar cada um dos milhares de itens que entram naquele país, processo que seria trabalhoso e demorado.
Também não há, até o momento, uma previsão clara sobre a data em que as tarifas recíprocas entrarão em vigor. No próximo dia 3 de abril, automóveis de todos os países exportados para os EUA terão uma alíquota de 25%. O percentual é menor do que o aplicado pelo Brasil, de 35%, mas, de acordo com um executivo do setor automotivo, é muito pequena a quantidade de veículos brasileiros que vão para os EUA.
O Estado de S.Paulo - SP 02/04/2025
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira, 1º, que é possível que os canais de transmissão da política monetária do Brasil não tenham a mesma fluidez que em outros países. Isso pode explicar a razão pela qual o País precisa de juros mais altos para controlar a inflação, argumentou.
“Eventualmente, você precisa dar doses maiores do remédio para conseguir o mesmo efeito”, disse, durante uma sessão da Câmara dos Deputados em homenagem aos 60 anos do BC.
O chefe da autoridade monetária tentava rebater críticas de deputados que, durante a sessão, pediram a redução da taxa Selic. Minutos antes, Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) havia dito que não faria sentido o Brasil ter juros de 14,25% ao ano, contra 5% nos Estados Unidos, e afirmou que seria “inaceitável” Galípolo seguir a mesma metodologia do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto.
O presidente do BC afirmou que, na literatura internacional e nas conversas com outros banqueiros centrais, o principal questionamento é como o Brasil pode ter juros que seriam elevados para vários países e, mesmo assim, ter uma economia dinâmica. Ele lembrou que, recentemente, o desemprego caiu ao menor nível da história no País, e o rendimento das famílias cresceu às máximas.
Galípolo citou a estrutura de subsídios da economia brasileira como uma das explicações para o mau funcionamento dos canais de transmissão. “Nós temos uma série de subsídios cruzados, perversos e regressivos na sociedade brasileira. E talvez, para nós, do Banco Central, esses trade-offs, como a gente costuma chamar, esses ônus e bônus, essas trocas, sejam mais evidentes”, disse.
Servidores do BC
O presidente do Banco Central disse ainda que as obrigações da autarquia têm crescido, em linha com as transformações observadas no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Mas os recursos e o próprio arcabouço legal e institucional do regulador não cresceram com a mesma velocidade, e é necessário garantir que os servidores tenham condições de assumir essas novas obrigações.
“Hoje a gente tem esse trabalho feito através da excelência da equipe técnica dos servidores do Banco Central, mas é muito importante e tempestivo que a gente consiga dar as condições essenciais e necessárias para que os servidores do Banco Central possam assumir as novas obrigações”, disse.
Ele não citou nominalmente a Proposta de Emenda à Constituição número 65 (PEC 65), que concede a autonomia financeira e orçamentária ao BC. O texto está parado desde o ano passado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, aguardando apreciação.
Durante sua fala, Galípolo acrescentou que o BC foi “forjado” sob calor e pressão e, hoje, é reconhecido pela sociedade e outros banqueiros centrais como uma instituição de excelência. Ele repetiu que a autoridade monetária tem demonstrado seu compromisso com as metas de inflação e os demais objetivos legais.
“A vigilância e o zelo pela estabilidade monetária e financeira é uma batalha contínua. Ela é permanente para toda a autoridade monetária, não só para o Banco Central do Brasil”, disse. “O objetivo do Banco Central é fundamentar de forma técnica, imparcial e objetiva cada ação e decisão que ele toma.”
60 anos do BC
Galípolo enfatizou o aumento das atribuições da instituição ao longo dos 60 anos da autarquia, o trabalho de fortalecimento e saneamento do sistema financeiro nacional, e o impacto dos debates das questões climáticas para a autarquia, bem como a estreia de um negro, em 2023, na diretoria colegiada da instituição.
“O início das atividades ocorreu apenas no fim de março de 1965, e é por isso que nós estamos comemorando agora, esta semana, o aniversário do Banco Central. Desde então, inúmeras competências foram realizadas pelo Banco Central, tornando a instituição cada vez mais relevante para a sociedade”, disse.
Depois de citar taxas de inflação estratosféricas em alguns dos anos na década de 80 e 90, Galípolo citou o “papel relevantíssimo” do Banco Central na renegociação da dívida, considerada a condição necessária para a estabilização monetária. Ele também mencionou o “trabalho essencial” de saneamento e fortalecimento do sistema financeiro nacional. “O Banco Central passa a ser admirado por uma agenda de inovações, onde o Brasil hoje é reconhecido internacionalmente e admirado e copiado pelos avanços que foram produzidos”, considerou.
Sobre sustentabilidade, o presidente enfatizou que as questões climáticas afetam cada vez mais mandato e atuação do BC e, ao citar a presença de Ailton Aquino na diretoria do BC, disse que ver um grupo mais diversificado, com a presença também de mulheres, é algo que gostaria de verificar mais no Banco e no setor privado. “Essa é uma agenda que eu espero ver, não só no Banco Central, mas também no sistema financeiro como um todo.”
Agência Brasil - DF 02/04/2025
O governo brasileiro espera ser poupado do tarifaço prometido pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, que deve ser anunciado nesta quarta-feira (2). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que causará estranheza caso o Brasil sofra alguma retaliação comercial.
“Os EUA têm uma posição muito confortável em relação ao Brasil até porque é superavitário tanto em relação aos bens, quanto em relação aos serviços”, disse Haddad, em viagem a Paris, nesta terça-feira (1º).
O comércio bilateral é superavitário para os EUA uma vez que o Brasil importa mais do que exporta para o país norte-americano. Por isso, Haddad considera que não haveria motivos para taxação dos produtos brasileiros.
“Causaria até certa estranheza se o Brasil sofresse algum tipo de retaliação injustificada, uma vez que nós estamos na mesa de negociação desde sempre com aquele país justamente para que a nossa cooperação seja cada vez mais forte”, completou o ministro da Fazenda.
Às vésperas do anúncio de novo tarifaço prometido por Trump, um relatório de órgão ligado ao governo dos EUA fez críticas ao modelo de tarifas que o Brasil impõe a suas importações em setores como etanol, filmes, bebidas alcoólicas, máquinas e equipamentos, carne suína, entre outros.
Nesse contexto, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, por unanimidade nesta terça, projeto de lei da reciprocidade comercial, que permite ao governo retaliar medidas unilaterais comerciais que prejudiquem a competitividade das exportações do Brasil. O texto agora segue para análise da Câmara dos Deputados.
Lei da reciprocidade
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin, elogiou a iniciativa do Legislativo, mas ressaltou que o caminho deve ser o do diálogo.
“Você ter um arcabouço jurídico legal é positivo, louvo a iniciativa do Congresso Nacional, nesse caso do Senado, que procura preservar o interesse do Brasil, mas quero dizer que o caminho é o diálogo e procurar ter uma complementariedade econômica”, comentou Alckmin nessa terça-feira.
Assim como Haddad, o vice-presidente avalia que, como os EUA têm superávit com o Brasil, o país deve ser poupado do tarifaço.
“[São] US$ 25 bilhões de superávit para os Estados Unidos. Dos dez produtos que eles mais exportam para o Brasil, oito são de tarifa zero, não tem imposto de importação. E a tarifa média final de todos os produtos e serviços é 2,7%. Então, o Brasil não é problema para os EUA”, justificou o ministro.
O Estado de S.Paulo - SP 02/04/2025
O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, afirmou nesta terça-feira, 1º, que há chances altas de que o teto de gastos seja retomado a partir do próximo mandato presidencial. Segundo ele, a manutenção do atual arcabouço fiscal tornaria muito lenta a estabilização da dívida pública como proporção do PIB, o que dificultaria a retomada do grau de investimento.
“A mim, parece inevitável voltarmos ao teto de gastos no próximo mandato”, disse ele durante o 18° Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento, realizado em São Paulo. Segundo Mesquita, a política fiscal do País deveria almejar “no mínimo” uma redução da dívida pública para 60% do PIB.
Segundo ele, países com grau de investimento ou algo próximo disso têm uma dívida pública de cerca de 50% do PIB, e quando o País recebeu o selo de bom pagador, em 2008, esse índice estava em 56%. Por outro lado, no terceiro governo Lula, o índice deve subir de 10 a 12 pontos porcentuais.
De acordo com Mesquita, é possível que o dólar siga enfraquecendo em relação ao real. Fatores como um diferencial de juros “cavalar” ajudam a segurar a moeda, mas o déficit de conta corrente do País tem crescido e não é mais compensado por investimentos diretos.
O economista-chefe do Itaú Unibanco disse que os atuais índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão abaixo daquilo que historicamente é necessário para um presidente se reeleger ou fazer o sucessor. No entanto, ele não fez previsões sobre os resultados das eleições de 2026.
“Para um presidente ser reeleito ou eleger um sucessor, ele tem de ter um índice de 40% de ótimo ou bom”, afirmou. Em 2014, a ex-presidente Dilma Rousseff tinha 42% de ótimo ou bom e se reelegeu, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha 38% em 2022 e perdeu a disputa, lembrou ele.
Mesquita disse, por outro lado, que é difícil fazer projeções sobre qual será o resultado da eleição, dada a distância do pleito. “Ainda tem muita água para rolar”, afirmou.
Ele disse que o governo Lula exibe uma situação frágil no Congresso, refletida em notícias de que políticos do Centrão têm recusado ministérios. Isso deve se refletir em dificuldades na aprovação de medidas compensatórias à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, que incluem tributação de dividendos.
PIB
Mesquita disse que as projeções do banco para o PIB neste ano e no próximo têm viés de alta. Fatores como o consignado privado, que deve ter mais impactos no próximo ano, ajudam a explicar esse viés.
“Nós temos uma projeção de PIB de 2,2% este ano e de 1,5% no ano que vem, com viés de alta”, disse. Segundo ele, a desaceleração da economia este ano diante da alta da Selic deve acontecer, mas só no segundo semestre. Antes disso, a retomada do agro deve aquecer a economia.
Mesquita calcula que as concessões do novo consignado devem ter impacto de 0,2 ponto porcentual a 0,6 ponto no PIB do País, com a maior parte desse impacto no próximo ano. “O novo consignado privado deve ter um impacto similar ao do consignado original”, disse ele, referindo-se ao crédito criado em 2003, no primeiro governo Lula.
Segundo o economista, fatores como a troca de dívidas mais caras, como o crédito pessoal, por contratações na nova linha devem ajudar a dar impulso ao PIB. Efeito similar aconteceu há 20 anos com as primeiras linhas de consignado, lembrou.
Dólar
Para o economista, o dólar pode voltar a valorizar em todo o mundo se a economia americana enfraquecer a ponto de levar consigo o restante da economia global. Segundo ele, os EUA vivem um “choque de laboratório” com as medidas do presidente americano, Donald Trump.
“Se os Estados Unidos entrarem em uma recessão mais profunda que arraste a economia global, aí o dólar volta a se fortalecer por conta da aversão ao risco”, disse.
De acordo com Mesquita, com a imposição de tarifas pela gestão Trump, a economia americana vive um “choque de laboratório” contracionista, dado que há uma reversão forte em relação ao padrão de abertura comercial anterior.
Ele afirmou ainda que o Brasil deve estar na lista de países que terão importações taxadas pelos EUA, porque o próprio Trump mencionou o País como um dos que praticam tributações a produtos americanos sem retribuições.
Diário do Aço - MG 02/04/2025
O Governo de Minas atingiu mais um recorde ao ultrapassar a marca de R$ 475 bilhões em investimentos privados atraídos para o estado desde 2019. O resultado reforça o ambiente favorável aos negócios e impulsiona o desenvolvimento econômico, gerando emprego e renda para os mineiros.
Ao todo, são 947 projetos foram atraídos pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e sua agência Invest Minas. A expectativa é de que os projetos possam gerar mais de 249 mil empregos diretos em 302 municípios mineiros.
O valor é um marco histórico e aproxima o estado da meta de R$ 500 bilhões, ou seja, meio trilhão de reais, atraídos. Além da marca de um milhão de carteiras assinadas.
A confiança de empresas nacionais e internacionais reflete o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal, contas equilibradas e um ambiente propício para negócios.
"Este é um valor que vem crescendo desde 2019, quando eu e o governador Romeu Zema decidimos arrumar a casa e viajar por todo o estado e pelo exterior para consolidar negócios pioneiros", afirma o vice-governador Mateus Simões.
"Hoje, cada vez mais empresas do Brasil e do mundo querem estar em Minas. Ter mais negócios no estado significa ter mais emprego e renda para os mineiros. E é isso que garante a comida na mesa das famílias e a abertura de novas perspectivas para todos", destaca Mateus Simões.
Setores impulsionados
Os investimentos atraídos abrangem diversos setores estratégicos. No segmento de energia solar, empresas como Solatio e Atlas já aportaram mais de R$ 23 bilhões em Minas Gerais. No setor automobilístico, a Stellantis investiu R$ 14 bilhões, consolidando o estado como um polo industrial de destaque.
"Aliado a uma forte política industrial, o estado tem riquezas naturais, mas também riquezas intelectuais. Os centros de inovação, centros de desenvolvimento e a formação de uma mão de obra especializada são atributos que têm colocado Minas Gerais em uma posição de vanguarda no setor automotivo", declara o vice-presidente Jurídico e de Relações Institucionais da Stellantis América do Sul, Márcio de Lima.
A indústria também segue em expansão com aportes de grandes companhias como Heineken, Ambev e Bem Brasil. No campo da tecnologia, a gigante Amazon fortaleceu sua presença no e-commerce mineiro, demonstrando o potencial do estado no setor digital.
Destaque na geração de oportunidades, o município de Pouso Alegre, no Sul de Minas, tem garantido um ambiente de negócios atrativo para as grandes empresas.
Em dezembro de 2024, a chinesa Midea inaugurou uma fábrica de eletrodomésticos na cidade, sendo a primeira planta 100% própria da empresa no Brasil. Foram R$ 630 milhões investidos e a previsão é de que a unidade alcance mil empregos até o fim de 2025.
"Minas Gerais é um polo de investimentos pela sua localização estratégica, infraestrutura em constante desenvolvimento e ambiente de negócios favorável. O estado oferece acesso privilegiado a importantes mercados, além de contar com uma malha logística robusta, que inclui rodovias, ferrovias e aeroportos”, afirma o gerente financeiro da Midea de Pouso Alegre, Marcelo Alevato.
“Outro fator essencial é a disponibilidade de mão de obra qualificada, impulsionada por ações governamentais voltadas para a capacitação profissional", completa.
Atração de investimentos
De 2019 a 2025, o Governo de Minas alavancou a atração de investimentos no estado. Dentre os dez maiores setores em atração e geração de empregos diretos, estão:
Mineração com R$ 113,3 bilhões de investimentos no estado, gerando mais de 46 mil empregos;
Infraestrutura com 85,8 bilhões e mais de 25 mil postos de trabalho;
Energia solar (R$ 81 bilhões e 6,9 mil);
Automotivo e autopeças (R$ 41,1 bilhões e 19,5 mil);
Ferroviário (R$ 33,9 bilhões e 1,9 mil);
Sucroenergético (R$ 16,8 bilhões e 3,5 mil);
Siderurgia R$ 12,7 bilhões e 2,2 mil;
Minerais críticos (R$ 10,4 bilhões e 5,1 mil);
Indústria química (R$ 9,1 bilhões e 1,2 mil)
Embalagens (R$ 8,9 bilhões e 10,5 mil).
Expectativas para 2025
Com uma política baseada na responsabilidade fiscal e na atração de novos negócios, o Governo de Minas Gerais segue comprometido em ampliar os investimentos e consolidar o estado como referência para grandes empresas do Brasil e do mundo.
"Acreditamos que o melhor programa social é a geração de emprego e renda. Não por acaso, estamos muito perto de bater 1 milhão de novas vagas de carteira assinada criadas", ressalta o governador Romeu Zema.
Somente em 2025, o Governo de Minas já atraiu mais de R$ 16 bilhões em novos investimentos no estado, contemplando 34 projetos, em 24 municípios mineiros, que devem gerar mais de 10 mil empregos diretos.
O setor minerário lidera os aportes com R$ 10,4 bilhões, seguido pela siderurgia, que destinará R$ 2,6 bilhões em projetos de instalação e expansão. Esses números reforçam a confiança do setor produtivo no potencial de Minas Gerais e na continuidade do desenvolvimento econômico. (Agência Minas Gerais).
Infomoney - SP 02/04/2025
Os preços futuros do minério de ferro se recuperaram nesta terça-feira, com a demanda crescente pelo ingrediente de fabricação de aço na China superando as preocupações com uma guerra comercial decorrente das próximas tarifas dos EUA.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China fechou em alta de 1,86%, a 792 iuanes (US$108,98) a tonelada.
No início da sessão, os preços atingiram 797 iuanes, o maior valor desde 3 de março.
O minério de ferro de referência de maio na Bolsa de Cingapura avançava 1,64%, a US$102,65 a tonelada.
“Um novo aumento na produção de ferro gusa pelas siderúrgicas chinesas deu algum suporte aos preços do minério de ferro importado na semana passada”, disse a consultoria chinesa Mysteel.
A produção de ferro gusa em março continuou a aumentar em 10.200 toneladas, para 2,3728 milhões de toneladas mês a mês, enquanto o consumo diário de minério importado registrou um salto mensal de 13.200 toneladas, disse a corretora Everbright Futures.
A produção de ferro gusa é normalmente usada para avaliar a demanda de minério de ferro.
“Se a força nos preços do minério poderá ser mantida depende da sustentabilidade da recuperação da demanda ‘downstream'”, acrescentou a Mysteel.
De modo geral, a atividade fabril da China expandiu-se no ritmo mais rápido em quatro meses em março, impulsionada por uma demanda mais forte e por pedidos de exportação robustos, segundo uma pesquisa do setor privado divulgada na terça-feira.
No entanto, os preços médios de revenda de imóveis residenciais em 100 cidades chinesas caíram em março em ritmo mais acentuado na comparação mensal, segundo uma pesquisa privada divulgada na terça-feira, sinalizando desafios persistentes no setor imobiliário.
Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, deve anunciar na quarta-feira um amplo plano tarifário voltado para todos os países, com aumento das tarifas sobre todos os produtos da China.
Money Times - SP 02/04/2025
A Vale (VALE3) tem uma flexibilidade adicional de caixa para apoiar o pagamento de proventos no ano, com US$ 4 bilhões em dividendos se tornando mais prováveis, mesmo em um cenário desafiador para o preço do minério de ferro, disse o BTG Pactual nesta terça-feira (1).
Na véspera, a mineradora anunciou um acordo com a Global Infrastructure Partners (GIP) para criar uma joint venture na Aliança Energia, empresa que atua no setor de energia no Brasil. Com o negócio, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%.
Controlado pelo BlackRock, o GIP é um dos maiores fundos de investimentos em infraestrutura do mundo, com um portfólio avaliado em cerca de US$ 170 bilhões.
Segundo os analistas Leonardo Correa e Marcelo Arazi, do BTG, o acordo deve ajudar a Vale a administrar sua meta de dívida líquida, hoje entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. “Reconhecemos isso como um desenvolvimento positivo (ainda que pequeno), reforçando a capacidade da Vale de manter um dividend yield sólido em torno de 10%”.
As ações da Vale encerraram a sessão desta terça-feira (1º) com alta de 0,86%, a R$ 57,19, depois de o contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China fechar em alta de 1,86%, a 792 iuanes (US$108,98) a tonelada.
A ação da Vale acumula alta de 8,93% neste ano, mas o BTG segue com recomendação neutra, por conta de uma perspectiva menos otimista em relação ao minério de ferro. No entanto, o banco observa que há uma melhora gradual nos fundamentos da empresa, tanto operacionalmente quanto na mitigação de riscos-chave.
Valor - SP 02/04/2025
Acordos envolviam não pagar aos desmontadores de veículos pelo processamento e não divulgar informações sobre quanto de um carro antigo poderia ser reciclado, recuperado e reutilizado
A Comissão Europeia multou mais de uma dúzia de montadoras e a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) em 458 milhões de euros por formação de cartel de reciclagem de veículos no fim da vida útil. A comissão afirmou, nesta terça-feira (1º), que 16 grandes fabricantes de automóveis e a Acea firmaram acordos que violam as regras de concorrência, mantendo práticas anticompetitivas no setor de reciclagem de veículos antigos por quase 15 anos.
Esses acordos envolviam não pagar aos desmontadores de veículos pelo processamento e não divulgar informações sobre quanto de um carro antigo poderia ser reciclado, recuperado e reutilizado. Segundo a Comissão Europeia, as empresas tentaram impedir que os consumidores considerassem a reciclabilidade ao escolher um carro, o que reduziria a pressão sobre as montadoras para superar os requisitos legais de reciclagem.
O caso envolve a reciclagem de veículos no fim da vida útil, quando carros obsoletos são desmontados e processados para reaproveitamento de materiais. A comissão afirmou que as empresas agiram em conluio, com a Acea organizando reuniões entre os fabricantes de 2002 a 2017.
Pelas regras da União Europeia, as montadoras devem arcar com os custos de descarte de veículos no fim da vida útil, permitindo que os consumidores se desfaçam deles gratuitamente em desmontadoras. Além disso, as empresas devem fornecer informações sobre a eficiência da reciclagem dos novos modelos.
A maior multa foi aplicada à Volkswagen, no valor de 127,7 milhões de euros, seguido por Renault-Nissan, com 81,46 milhões de euros. Outras montadoras multadas por participarem do cartel incluem, Stellantis e sua subsidiária Opel, General Motors, Ford, BMW, Toyota, Hyundai-Kia, Volvo, Honda e Jaguar Land Rover (da Tata Motors).
A Mercedes-Benz evitou uma multa de aproximadamente 35 milhões de euros ao denunciar o cartel à Comissão Europeia. Além disso, Mitsubishi, Ford, Stellantis e Opel tiveram suas multas reduzidas por cooperarem com a investigação, informou o regulador.
Hyundai-Kia, Volvo, Honda, BMW, Jaguar Land Rover, Toyota, GM, Mercedes-Benz, Ford e Stellantis não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Enquanto isso, a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA) multou dez montadoras e duas associações comerciais em 77,68 milhões de libras após concluir uma investigação paralela sobre a reciclagem de veículos.
Um porta-voz da Renault afirmou que as práticas investigadas ocorreram em um período em que o setor de reciclagem de veículos ainda estava em desenvolvimento, e que não houve prejuízo financeiro aos consumidores.
A Acea declarou que cooperou integralmente com as autoridades da UE e do Reino Unido e que não pretende recorrer das decisões. “Embora reconheçamos a infração, que não deveria ter ocorrido, ressaltamos que não houve danos aos consumidores nem impacto negativo na inovação”, afirmou a associação.
IstoÉ Dinheiro - SP 02/04/2025
A BYD e outras montadoras chinesas registraram vendas robustas em março, impulsionadas por subsídios governamentais e pelo crescente interesse por veículos elétricos (EVs) na segunda maior economia do mundo.
Maior fabricante global de EVs, a BYD informou nesta terça-feira que suas vendas de veículos de nova energia (NEVs) cresceram 25% no mês, alcançando 377.420 unidades e elevando o total do primeiro trimestre para 1.000.804 veículos. Desse total, 166.109 foram modelos elétricos a bateria.
Especializada em híbridos, a Li Auto aumentou as entregas em 26,5% em março, para 36.674 unidades. No acumulado do trimestre, as entregas avançaram 15,5%, somando 92.864 veículos, dentro da previsão da empresa, que variava entre 88.000 e 93.000 unidades.
O desempenho positivo das principais montadoras chinesas reflete tanto o apoio dos subsídios governamentais para renovação da frota quanto as promoções e esforços de marketing das empresas após o feriado do Ano Novo Lunar.
A XPeng, de Guangzhou, conhecida por sua tecnologia avançada de direção assistida, destacou-se entre as concorrentes domésticas ao mais que triplicar as entregas em março, para 33.205 unidades. No trimestre, os volumes quadruplicaram em relação ao ano anterior, chegando a 94.008 veículos.
Enquanto isso, a NIO entregou 15.039 unidades no mês, um avanço de 26,7%, e totalizou 42.094 veículos no primeiro trimestre, alta de 40,1%. Em março, foram 10.219 unidades da marca NIO e 4.820 da Onvo.
A Geely Automobile também registrou um crescimento expressivo, com alta de 54% nas vendas de março, para 232.177 unidades, elevando o total trimestral para 703.824 veículos.
Já o grupo Zeekr, nova marca fruto da fusão entre Zeekr e Lynk&Co, contabilizou 40.715 entregas no mês.
O Estado de S.Paulo - SP 02/04/2025
Duas das maiores montadoras estatais da China estão em discussões avançadas para se fundirem, em um acordo que criaria um fabricante formidável de carros e veículos militares, mas também poderia criar problemas para seus parceiros americanos e japoneses.
A Dongfeng Motor e a Changan Automobile conduziram conversas detalhadas sobre como combinar suas operações e informaram seus parceiros estrangeiros sobre suas intenções, disseram duas pessoas com conhecimento detalhado das discussões que não estavam autorizadas a comentar.
Embora pouco conhecidas fora da China, cada empresa produz um pouco mais de carros para suas próprias marcas e por meio de joint ventures do que as montadoras globais como a Mercedes-Benz ou a BMW. A Dongfeng e a Changan juntas fabricam cerca de cinco milhões de carros por ano — mais do que a Ford Motor e quase tantos quanto a General Motors ou a Stellantis, a gigante que possui a Fiat, Chrysler e Peugeot.
Uma fusão entre Dongfeng e Changan representaria uma consolidação significativa do mercado automotivo da China, o maior do mundo, e outro sinal da rápida adoção do país aos veículos elétricos. Ambas as empresas têm consideravelmente mais capacidade de fábrica para produzir carros movidos a gasolina do que precisam.
A esperança de Pequim é que uma empresa combinada possa fechar fábricas excedentes de carros a gasolina e se tornar mais bem-sucedida em carros elétricos.
O governo nacional da China possui participações majoritárias na Dongfeng e na Changan. A Dongfeng é um importante fornecedor de veículos militares para o Exército de Libertação Popular, e a Changan é uma subsidiária de um contratante militar chinês, o que poderia atrair atenção indesejada da administração Trump para um novo fornecedor militar maior e seus parceiros de joint venture.
A Changan, com sede em Chongqing, tem sido a principal parceira da Ford no mercado automotivo chinês por mais de 20 anos. A Dongfeng, com sede em Wuhan, é a principal parceira da China para a Nissan Motor e uma das duas principais parceiras na China para a Honda Motor.
Changan e Dongfeng produzem principalmente carros movidos a gasolina para suas joint ventures. Uma fusão que levasse a uma maior ênfase em carros elétricos para suas próprias marcas poderia afetar seus parceiros internacionais.
A Ford e a Nissan recusaram-se a comentar, e a Honda não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Em uma indústria na qual as fábricas precisam operar com 60 a 80% da capacidade para obter lucro, as fábricas da Dongfeng operaram no ano passado a 48% e as da Changan a 47%, de acordo com a AlixPartners, uma firma global de consultoria.
A Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais da China possui diretamente uma participação controladora na Dongfeng e detém um interesse semelhante indiretamente na Changan por meio de um grande contratante militar, o Grupo de Indústrias do Sul da China.
Em um discurso no sábado, Gou Ping, vice-diretor da comissão, pediu à China para “implantar a reestruturação estratégica das empresas automotivas centrais para a produção de veículos completos” e focar em carros elétricos.
As ações de ambas as empresas estão listadas publicamente, com a Dongfeng negociando em Xangai e Hong Kong e a Changan em Shenzhen. Cada uma emitiu uma declaração em 10 de fevereiro de que sua controladora corporativa estava considerando uma transação para mudar sua estrutura de propriedade. As duas empresas não mencionaram uma à outra em suas declarações.
Uma mulher do departamento de valores mobiliários da Changan disse que “estamos atualmente aguardando notificação adicional do acionista controlador”. A pessoa de plantão no acionista controlador da Changan, China South Industries, disse que não tinha informações sobre a Changan. Os oficiais da Dongfeng não responderam a um pedido de comentário.
A China enfrenta uma enorme sobrecapacidade na produção de carros. Bancos controlados pelo estado oferecem empréstimos praticamente ilimitados a taxas de juros baixas para empresas que desejam construir fábricas de carros elétricos. Como resultado, as empresas automobilísticas embarcaram em uma onda de construções.
Veículos elétricos a bateria e carros híbridos plug-in representaram pouco mais da metade dos carros vendidos na China desde o último verão. A China possui fábricas suficientes para construir mais do que o dobro de carros do que pode ser vendido internamente e está aumentando as exportações. Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram tarifas sobre carros da China para limitar as importações.
A empresa combinada após uma fusão da Dongfeng e Changan poderia ser um grande contratante militar.
A produção da Dongfeng inclui caminhões e veículos de transporte de pessoal semelhantes ao Humvee, bem como veículos mais especializados para lançamento de drones, mísseis e granadas.
Quando Pequim realizou um grande desfile militar em 2015 para marcar o 70º aniversário da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, a Dongfeng forneceu 180 veículos militares. Outro desfile é esperado neste setembro para marcar o 80º aniversário.
A Dongfeng tem sido líder no esforço de Pequim para garantir que a China faça todo o seu material militar dentro das fronteiras do país. O jornal oficial China Daily disse em 2015 que, do motor até cada parafuso minúsculo, o veículo tático leve da Dongfeng foi feito inteiramente na China.
Portos e Navios - SP 02/04/2025
A Volkswagen do Brasil deu início às suas operações de importação de veículos no complexo portuário de Vitória, administrado pela Vports, com a chegada de 32 unidades do SUVW Taos vindas da Argentina, desembarcadas no Terminal de Vila Velha (TVV), na última segunda-feira, 31 de março. A operação faz parte da nova estratégia logística da montadora no país, com a expectativa de novo desembarque do mesmo modelo em maio.
Com mais de 25,8 milhões de veículos produzidos no Brasil, a Volkswagen vê nas importações uma forma de complementar seu portfólio, com destaque para a futura chegada do Novo Jetta GLI, do México, prevista para 2025. Em 2024, a empresa já importou 33.597 veículos, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior, sendo a Argentina responsável por 86% desse volume. Para a empresa, a operação em Vitória reforça a eficiência da logística, reduzindo trajetos terrestres e impulsionando a distribuição para Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e sul da Bahia.
A iniciativa também fortalece o desenvolvimento regional, conforme destacou o vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, ao ressaltar o ambiente de negócios favorável e a infraestrutura portuária do estado. O diretor-presidente da Vports, Gustavo Serrão, afirmou que a operação com a Volkswagen consolida o papel do porto capixaba como multipropósito e competitivo, responsável atualmente por 40% das importações nacionais de veículos de passeio e 65% no segmento de elétricos.
O Estado de S.Paulo - SP 02/04/2025
Alvo de investigação de dois anos do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a destinação de apartamentos com incentivos municipais para a baixa renda será apurada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo. A definição foi anunciada pelo presidente do Legislativo, Ricardo Teixeira (União Brasil), na reunião semanal das lideranças dos partidos, o Colégio de Líderes, nesta terça-feira, 1º.
As principais associações do setor afirmam que houve apenas poucos casos de “desvirtuamento” de moradia popular. A gestão Ricardo Nunes (MDB) tem argumentado que as irregularidades são “pontuais” e diz que está apurando as denúncias recebidas - já houve multas aplicadas em casos de irregularidades identificadas pelo Município.
A comissão sobre Habitação de Interesse Social (HIS) foi proposta pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil), presidente da Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente da Câmara. Proposta semelhante havia sido apresentada pelo vereador Nabil Bonduki (PT) - que envolveria também prédios irregulares em geral -, mas a oposição foi atendida com outra CPI.
Os parlamentares da oposição conseguiram emplacar a abertura de uma comissão sobre enchentes, proposta por Alessandro Guedes (PT). Estará focada especialmente no histórico de inundações do Jardim Pantanal, na zona leste.
Por que a habitação para baixa renda é investigada em São Paulo?
O MP-SP apura indícios de destinação desses imóveis para público fora da faixa de renda prevista desde 2022. Por lei, esses apartamentos somente podem ser moradia para pessoas com renda mensal de até três salários mínimos (HIS-1) e de três a seis salários (HIS-2), porém foram identificados casos de unidades compradas ou alugadas para público distinto.
Grande parte dos endereços identificados envolve bairros de classe média e nobres, como Vila Olímpia, Pinheiros e Itaim-Bibi. Além disso, os condomínios são majoritariamente de microapartamentos e pequenas unidades.
A partir das denúncias do MP e de um convênio com cartórios, a gestão Nunes recentemente começou a emitir as primeiras multas e avisos de sanção a pelo menos 11 empreendimentos que não comprovaram a destinação adequada. O número de notificações é de cerca de 200, com apuração ainda parcial, segundo a Prefeitura.
A partir do Plano Diretor de 2014, a criação de HIS pela iniciativa privada ganhou diversos incentivos construtivos, tributários e fiscais em São Paulo. Os benefícios são destinados às empresas, que são responsáveis por todas as fases de desenvolvimento, desde o projeto até a venda, como qualquer outro empreendimento.
Nesse caso, o único compromisso é de que as unidades sejam destinadas às faixas de renda previstas em lei. Além disso, desde 2018, não é necessário atender preferencialmente a público cadastrado na Cohab ou em qualquer outra lista preferencial.
Esse tipo de empreendimento teve um “boom” nos últimos anos. Desde 2016, com a Lei de Zoneamento, o número de empreendimentos licenciados com esse perfil passou de 77 para 636, em 2020. Em total de apartamentos, esse crescimento foi de 242%, de 14.488 para 49.589, no mesmo período. O balanço parcial é da plataforma de monitoramento da Prefeitura, atualizado apenas até meados de 2021.
Dados compilados pelo Secovi-SP e pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) apontam que esse segmento se tornou predominante na cidade, chegando a 75,1% das moradias com alvará expedido entre janeiro de 2019 e setembro de 2024. Ao todo, são 248.498 HIS e Habitação de Mercado Popular (HMP), que também recebe benefícios, mas é uma minoria em relação à de Interesse Social.
Como o Estadão mostrou, ao menos 11 empreendimentos na cidade receberam multas e aviso de sanção desde o fim de janeiro, somando cerca de 2 mil unidades, a maioria microapartamentos em bairros de classe média, como Pinheiros, Lapa, Vila Romana e Alto do Ipiranga. Por enquanto, dois tiveram a penalidade inicial publicada, de R$ 31 milhões ao todo.
Essas penalidades envolvem empreendimentos ligados a diferentes incorporadoras, construtoras e grupos do mercado imobiliário, como Benx, Cyrela, Canopus, MF7, You,Inc, Tecnisa, Metrocasa, Presence Empreendimentos, Rev³ Incorporadora, Floor e Consthruir. A maioria das empresas afirmou ter seguido a legislação vigente à época do licenciamento dos edifícios.
Os casos envolvem basicamente microapartamentos e pequenas unidades classificadas como HIS-2, categoria voltada a famílias com renda de três a seis salários mínimos.
Hoje, não há, contudo, um sistema geral de verificação e controle da destinação dessas unidades na cidade, a fim de avaliar se viraram moradia para o público de menor renda. A Prefeitura está em processo de contratação de uma empresa para o desenvolvimento de um sistema de monitoramento, por cinco anos, no valor de R$ 43,7 milhões.
O Município obteve recente vitória na Justiça para manter a política de incentivos, enquanto a Promotoria defendia a suspensão temporária até se intensificar a fiscalização. A gestão Nunes disse que os casos seriam “pontuais”, mas, quando anunciou as primeiras multas, afirmou que as empresas “se beneficiaram de isenção de impostos para construir unidades habitacionais à população de baixa renda, mas desvirtuaram o processo comercializando moradias a pessoas que não se encaixavam na modelagem”.
A ação do MP-SP também era vista com preocupação pelo mercado imobiliário. Na decisão, a Justiça reconheceu a obrigação da Prefeitura em fiscalizar e dar transparência para a aplicação da política de incentivo. “A necessidade de se criarem instrumentos de controle é incontroversa nos autos e restou devidamente reconhecida já nas informações prestadas”, pontuou o juiz Renato Augusto Pereira Maia, da 11ª Vara da Fazenda Pública.
Quais são os benefícios?
A política municipal de incentivo foi criada a partir do Plano Diretor de 2014 e da Lei de Zoneamento de 2016, na gestão Fernando Haddad (PT), com regulamentações e alterações nos anos posteriores. Hoje, reúne uma série de benefícios fiscais, tributários, urbanísticos e construtivos muito atraentes para o mercado imobiliário, reduzindo custos em milhões, como a isenção de outorga onerosa, principal taxa cobrada para prédios verticais na cidade.
A produção de HIS é incentivada especialmente para os chamados Empreendimentos de Habitação de Interesse Social (EHIS), onde essas unidades são ao menos 80% da área construída. Esses imóveis têm maior volume construtivo permitido (calculado em relação ao tamanho do terreno) e, em diversos tipos de zoneamento, não têm limite de altura. Como exemplo, em Zona Mista (”miolos de bairro”), o máximo é 28 metros para construções sem esse perfil.
À Promotoria, alguns compradores relataram que não foram informados de que tinham adquirido uma habitação de baixa renda. Além disso, há indícios de que pessoas físicas e jurídicas adquiriram os imóveis cientes de ser uma habitação de interesse social e, mesmo assim, anunciaram a revenda ou aluguel (comum e via plataformas de hospedagem) por valores considerados incompatíveis para essa faixa.
O que o MP critica?
“Essa privatização dos lucros e socialização dos prejuízos é resultado de uma política pública mal formulada e que pode estar gerando vultosos prejuízos ao erário, sendo também fruto, inexoravelmente, da falta de avaliação técnico financeira. Nesse contexto, questões como eficácia, economicidade e eficiência jamais foram verificadas pelo requerido”, diz o MP. “É certo que vem ocorrendo em larga medida”, também assinalou.
Na ação judicial, é mencionada expressão do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (Labcidade) da USP: “fake HIS”. Os pesquisadores da Faculdade de Arquitetura de Urbanismo têm falado em “social housing washing”, com possível maquiagem que daria indevida aparência de produção de moradia popular a uma política que incentivou imóveis utilizados por outra parcela da população.
No ano passado, após solicitar notificação dos cartórios, a Promotoria recebeu, em menos de dois meses, mais de 560 casos de imóveis e empreendimentos suspeitos. “Unidades colocadas à venda pelo mercado imobiliário como HIS e HMP têm metragem (em geral) entre 24 e 30 m², não raras vezes por valor que ultrapassa R$ 20 mil por metro quadrado. Essa tipologia e preço evidenciam-se claramente, em princípio, como sendo incompatíveis com famílias que recebem de três a seis salários mínimos”, aponta o MP na ação.
Valor Investe - SP 02/04/2025
Em doze meses, segundo o índice, a valorização acumulada foi de 8,13% no preço dos imóveis à venda
Os imóveis residenciais à venda tiveram um aumento de 1,87% no primeiro trimestre deste ano, segundo dados de março do Índice FipeZAP de Venda Residencial divulgados nesta terça-feira (1). Na liderança entre as altas do período, João Pessoa (PB), com elevação de 6,07% no preço somente este ano.
Para se ter ideia, no período, o IGP-M — conhecido como índice do aluguel — avançou 0,99% no período, enquanto a inflação ao consumidor, considerando o IPCA acumulado até fevereiro e a sua prévia de março, foi de 2,12%.
A alta abrangeu 54 das 56 cidades monitoradas no trimestre, incluindo 21 das 22 capitais. Além de João Pessoa (PB), entre as maiores altas do trimestre estão Salvador (BA), com 5,52% e Vitória (ES), que avançou 5,44%. Em Aracaju, os preços recuaram 0,94% no período.
Em março, o preço dos imóveis residenciais à venda subiram 0,60%, ante 0,68% em fevereiro deste ano, o que mostra uma desaceleração da alta. O maior aumento foi percebido em unidades de um dormitório, com avanço de 0,65% nos preços, enquanto os imóveis com quatro ou mais dormitórios tiveram a menor valorização mensal, de 0,48%.
No mês, o preço médio calculado pelo índice foi de R$ 9.185/m².
A alta foi percebida nos preços de imóveis de 54 das 56 cidades acompanhadas, incluindo 21 das 22 capitais que integram essa lista. João Pessoa também lidera a maior alta no mês, com aumento de 2,22%, seguida de Salvador (1,69%) e Natal (1,49%). Em Maceió, por outro lado, os preços recuaram 0,42% em março.
Veja maiores altas:
Entre as 22 capitais monitoradas, Vitória (ES) foi quem teve o metro quadrado mais caro no mês, chegando a custar R$ 12.920/m², seguida por Florianópolis (R$ 12.126/m²) e São Paulo (R$ 11.497/m²). Isso quer dizer que, para comprar um apartamento de 50 metros quadrados em Vitória, seria necessário desembolsar mais de meio milhão de reais: R$ 646 mil.
Já nas cidades pesquisadas em geral, a liderança ficou com Balneário Camboriú (SC), com metro quadrado custando R$ 14.334. Ou seja: para morar lá, tem que pagar mais ainda. O custo de um imóvel também de 50 metros é de, em média, R$ 716,7 mil.
Preço médio de venda por cidade
Cidade | Valor/m² (R$) |
Balneário Camboriú | 14.334 |
Itapema | 13.848 |
Vitória | 12.920 |
Itajaí | 12.376 |
Florianópolis | 12.126 |
São Paulo | 11.497 |
Barueri | 11.044 |
Curitiba | 10.936 |
Rio de Janeiro | 10.459 |
Belo Horizonte | 9.835 |
Brasília | 9.655 |
Fonte: Índice FipeZAP
Salvador teve maior valorização em doze meses
Já em doze meses, segundo o índice, a valorização acumulada foi de 8,13% no preço dos imóveis à venda. As unidades com um dormitório lideraram os avanços, com alta de 9,28%, enquanto a menor variação ficou entre unidades com quatro ou mais dormitórios (6,29%).
No período, todas as 56 cidades registraram valorização imobiliária no período, incluindo as 22 capitais. Aqui, a maior alta no acumulado ficou com Salvador (19,62%). Na sequência, João Pessoa (18,39%) e Vitória (15,95%). Para o cálculo das variações acumuladas do IPCA no ano e nos últimos 12 meses, o levantamento considera a informação do IPCA-15 no mês de março.
Variação acumulada em 12 meses nas capitais
Cidade | % de valorização |
Salvador | 19,62% |
João Pessoa | 18,39% |
Vitória | 15,95% |
Curitiba | 15,52% |
Belo Horizonte | 13,68% |
Aracaju | 12,92% |
Fortaleza | 12,23% |
Cuiabá | 11,20% |
Belém | 10,38% |
Florianópolis | 10,22% |
Manaus | 9,39% |
São Luís | 8,98% |
Maceió | 8,83% |
Goiânia | 8,64% |
Natal | 8,21% |
Campo Grande | 8,20% |
Teresina | 8,08% |
Porto Alegre | 8,07% |
São Paulo | 6,45% |
Brasília | 5,92% |
Rio de Janeiro | 4,24% |
Recife | 3,86% |
Fonte: Índice FipeZAP e IBGE
Valor - SP 02/04/2025
A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda estuda a possibilidade de permitir que os fundos de pensão possam voltar a comprar imóveis diretamente. Essa é uma demanda das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), que administram os fundos de pensão.
A expectativa era que a medida viesse em conjunto com o fim da obrigatoriedade de venda, até 2030, de imóveis e terrenos que constam no portfólio das EFPCs, aprovado na quinta-feira passada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Por enquanto, ainda não há previsão de quando a matéria será apreciada pelo conselho.
Segundo um técnico ouvido pelo Valor, ainda há muito questionamento sobre essas operações de compra de imóveis por fundos de pensão, porque muitas delas foram ruins para as entidades no passado. “Por isso, resolvemos analisar a questão mais a fundo. Se devemos ou não liberar”, disse.
Essa avaliação considera, por exemplo, o fato de que os fundos de pensão estrangeiros podem adquirir imóveis diretamente e os brasileiros, não. “Lá fora, eles podem [fundos de pensão]; e no Brasil, também podia; mas teve muito problema nessas operações, o que levou o governo a proibir”, explicou.
Em maio de 2018, o CMN proibiu que os fundos de pensão fechados aplicassem diretamente na compra de empreendimentos imobiliários. Atualmente, os investimentos em imóveis só podem ser feitos indiretamente, por meio de cotas de Fundos de Investimento imobiliário (FIIs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Cédulas de Crédito Imobiliário (CCI). Na ocasião, também foi determinado que os fundos teriam que se desfazer dos imóveis em carteira até 2030. Essas restrições foram criadas devido à dúvida sobre se o valor dos imóveis informado nos balanços seria suficiente para fazer frente aos passivos.
“Os motivos de tais ajustes envolvem questões relacionadas à precificação, melhoria do potencial de liquidez, ganhos de eficiência com gestão especializada de FII [Fundo de Investimento Imobiliário] e tratamento harmônico com outros tipos de investimentos”, informou nota do CMN à época. Em abril de 2024, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta de ajuste na resolução CMN nº 4.994, de 24 de março de 2022, que dispõe sobre as diretrizes de aplicação dos recursos dos fundos de pensão. O objetivo era ampliar o cardápio de investimentos.
Nós não estamos defendendo investir em imóvel. Nós queremos ter um cardápio melhor”
— Ricardo Pena
Além da retirada da obrigatoriedade de venda dos imóveis que já estavam na carteira, atendida pelo CMN na reunião de março deste ano, a Previc sugeriu que o fim da vedação à compra direta de imóveis viesse acompanhado da fixação de um teto que iria variar conforme o tamanho da entidade, proposta que ainda está na mesa de discussão.
Em entrevista ao Valor, o diretor da Previc, Ricardo Pena, disse que a ideia é que fundos de pensão de grande porte (enquadradas como S1), como é o caso de Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Petro (da Petrobras) e Postalis (dos Correios) possam destinar até 8% de sua carteira para a compra direta de imóveis. Já para os fundos menores, esse percentual seria de 5%. “Nós aqui não estamos defendendo investir em imóvel. Nós queremos ter um cardápio melhor”, afirmou Pena.
O diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir Silva, ressalta que a entidade também vai continuar defendendo a liberação da compra direta de imóveis. Para ele, a medida seria importante para dar mais opções de investimentos para diversificar riscos. “A Abrapp vai continuar insistindo em medidas de proteção do patrimônio e diversificação do risco, mas o CMN deu um passo importante”, disse.
Já as outras demandas das EFPCs, como possibilidade de investimentos em debêntures de infraestrutura, em CBIOs, Fiagros e créditos de carbono, foram previstas na resolução do CMN aprovada no mês passado.
Infomoney - SP 02/04/2025
Os gastos com construção nos Estados Unidos subiram mais do que o esperado em fevereiro, uma vez que a queda nas taxas de hipoteca impulsionou a construção de residências unifamiliares, embora o aumento da incerteza econômica devido às tarifas de importação possa desacelerar o ritmo.
O Departamento de Comércio informou nesta terça-feira que os gastos com construção aumentaram 0,7% em fevereiro, após uma queda revisada para baixo de 0,5% em janeiro.
Economistas consultados pela Reuters previam que os gastos com construção subiriam 0,3%, depois de um declínio de 0,2% relatado anteriormente em janeiro.
Em fevereiro, os gastos com construção avançaram 2,9% na base anual. Os gastos com projetos de construção privada subiram 0,9%. O investimento em construção residencial aumentou 1,3%, com os gastos em novos projetos unifamiliares se recuperando em 1,0%.
As taxas hipotecárias têm diminuído em relação aos altos níveis registrados no início do ano. No entanto, as tarifas sobre produtos importados continuam sendo uma restrição para as construtoras.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou uma nova investigação comercial que poderia impor mais tarifas sobre madeira serrada importada, somando-se aos impostos existentes sobre a madeira serrada de fibra longa canadense, usada na construção, na produção de móveis e de papel.
Trump aumentou as tarifas sobre os produtos chineses para 20% e impôs taxas sobre o aço e o alumínio.
Os gastos com unidades habitacionais multifamiliares permaneceram inalterados em fevereiro. O investimento em estruturas privadas não residenciais, como escritórios e fábricas, aumentou 0,4%.
CNN Brasil - SP 02/04/2025
Após leiloar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, o governo de São Paulo mira bater o martelo e conceder trilhos mais três vezes em 2025: para o Lote ABC Guarulhos, com a linha 10-Turquesa e futura linha 14-Ônix de trens urbanos; a linha 16-Violeta de metrô; e o trem intercidades (TIC) que ligará a capital a Sorocaba.
Na última sexta-feira (28), o grupo Comporte arrematou as linhas da CPTM, com previsão de investir R$ 14,3 bilhões por 25 anos. Entre as melhorias estão a ampliação de 22,6 km das linhas, com a construção de dez novas estações e reforma de outras 24.
Dentre os projetos que estão “no forno”, o mais avançado é o Lote ABC-Guarulhos, que já teve audiência pública concluída e agora aguarda a publicação do edital entre o segundo e o terceiro trimestre e leilão no quarto. O mais provável é que aconteça em junho.
O pacote que contém a operação e expansão de uma linha já existente, a 10-Turquesa, que liga Rio Grande da Serra à estação Luz, e uma nova, ligando as cidades de Santo André e Guarulhos, seria concedido por 30 anos com previsão de R$ 19 bilhões em investimentos e ampliação de 80 km de trilhos.
Há previsão de construção de quatro novas estações na linha 10: ABC, entre Capuava e Prefeito Celso Daniel; São Carlos-Parque da Mooca, entre Ipiranga e Mooca; Pari, entre Brás e Luz; e Bom Retiro, após a Luz.
A futura linha 14 prevê 23 estações: nove em Santo André, de Jardim Irene a Parque Oratório; onze na capital, de Sapopemba a Hospital Jardim Helena; e mais três em Guarulhos, de Sacramento a Bonsucesso. Haverá ligações com as linhas 11-Coral, 12-Safira e 15-Prata.
Nem o TIC ou a linha 16-Violeta teve audiência pública, mas ambas têm leilão previsto para o quarto trimestre. O trem de São Paulo a Sorocaba prevê a extensão de 100 km e R$ 10 bilhões em investimentos; o metrô ligando as regiões Leste e Oeste da Capital, 32 km e R$ 38,4 bilhões. Ambos preveem 30 anos de concessão.
Com quatro estações novas, o trem sai da região metropolitana da capital e passa por Osasco, Barueri, Itapevi, São Roque, Mairinque e Alumínio, todos a Oeste de São Paulo, antes de chegar em Sorocaba. O trajeto será feito em 60 minutos, sendo que hoje é feito em 110 minutos de carro e 130 minutos de ônibus.
Já a nova linha do metrô ligará a estação Oscar Freire à futura estação Cidade Tiradentes. Haverá ao todo 25 estações, com ligações nas linhas Linha 1-Azul, 2-Verde, 4-Amarela, 10-Turquesa, e 15-Prata. Conhecida também como a “Linha dos Parques”, o ramal terá estações próximas aos parques do Ibirapuera, Aclimação e Independência.
TN Petróleo - RJ 02/04/2025
A PPSA (Pré-Sal Petróleo SA) vai comercializar 75,5 milhões de barris de petróleo da União no dia 26 de junho, na B3. O pré-edital com todas as informações do 5º Leilão de Petróleo da União será publicado na próxima quarta-feira, 2, no Diário Oficial e no site da PPSA, e ficará aberto para consulta pública até o dia 14 de abril. As cargas são referentes à produção da União, prevista para 2025 e 2026, nos campos de Mero, Búzios, Itapu, Sépia e Bacalhau.
Este será o maior leilão em volume já realizado pela PPSA, o que segundo o Diretor de Administração, Finanças e Comercialização da empresa, Samir Awad, reflete o crescimento progressivo da produção da União. "Em 2024, vendemos 37,5 milhões de barris na B3, em um leilão muito disputado e de excelente retorno para a União. Estamos novamente confiantes no sucesso do próximo Leilão. Temos um portfólio de grande volume, o que oferece previsibilidade ao mercado, e ainda por cima de um óleo de excelente qualidade, descarbonizado e que tem atraído o interesse do mercado internacional. Também estamos ofertando ao mercado pela primeira vez o óleo do campo de Bacalhau, que iniciará a produção nos próximos meses", disse Awad.
O leilão será dividido em oito lotes, com destaque para a produção do campo de Mero, que responde por mais de 70% do volume total. Serão quatro lotes de Mero (três deles com quantidades estimadas de 13 milhões de barris e um de 15,5 milhões de barris), um de Búzios (3,5 milhões de barris), um de Itapu (7 milhões de barris), um de Sépia (6,5 milhões de barris) e um de Bacalhau (4 milhões de barris).
Poderão participar do leilão empresas brasileiras de exploração e produção (E&P) ou de refino e empresas brasileiras ou estrangeiras que façam parte de grupo econômico do qual participe empresa de E&P ou de refino. As empresas podem participar individualmente ou em consórcio de até três integrantes. Empresas estrangeiras não poderão participar do leilão como proponente individual. Como o óleo da União é comercializado na plataforma, todos os proponentes deverão contar com capacidade logística para retirar a carga.
As manifestações ao pré-edital devem ser enviadas para a Comissão do Leilão pelo e-mail leilao5@ppsa.gov.br. Todas as contribuições, acatadas ou não, serão disponibilizadas no site da PPSA até o dia 29 de abril.
Portos e Navios - SP 02/04/2025
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biococmbustíveis (ANP) divulgou os dados consolidados da produção nacional de petróleo e gás natural referentes a fevereiro de 2025. A produção total foi de 4,487 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), com 3,488 milhões de barris por dia (bbl/d) de petróleo, representando aumentos de 1,1% em relação a janeiro e 1,2% frente a fevereiro de 2024. A produção de gás natural foi de 158,76 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), com leve queda mensal de 1,2% e alta anual de 6,8%.
O pré-sal respondeu por 78,8% da produção, com 3,532 milhões de boe/d, oriundos de 162 poços. O aproveitamento do gás natural foi de 96,9%, com 48,54 milhões de m³/d disponibilizados ao mercado e queima de 4,91 milhões de m³/d, esta última com aumento de 9,7% frente ao mês anterior. A maior parte da produção veio de campos marítimos (97,4% do petróleo e 87,1% do gás), com a Petrobras responsável por 89,26% do volume total. O campo de Tupi, na Bacia de Santos, foi o maior produtor, enquanto a FPSO Guanabara, na jazida de Mero, liderou entre as instalações.
Petro Notícias - SP 02/04/2025
A ANP está prevendo para este ano, de acordo com os dados consolidados, investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão, chegando à ordem de US$ 2,3 bilhões para o período entre 2025 e 2028. A perfuração de poços é a atividade que mais impactará os investimentos previstos para o ano de 2025, com US$ 1,1 bilhão projetado para a perfuração de 25 poços exploratórios. Isso representa 73,5% dos investimentos estimados para este ano. Cerca de 95% estão concentrados nas bacias marítimas. Para as bacias da Margem Leste (bacias marítimas de Pernambuco-Paraíba, Sergipe-Alagoas, Jacuípe, Camamu-Almada, Jequitinhonha, Cumuruxatiba, Mucuri, Espírito Santo, Campos, Santos e Pelotas), o total pode chegar a US$ 1,45 bilhão, o que representa 93,6% dos investimentos totais previstos para o ano de 2025 e 98,8% dos investimentos previstos a serem realizados em bacias marítimas no mesmo ano.
Estas informações resultam da atualização do Painel Dinâmico da Previsão de Atividades e Investimentos na Fase de Exploração dos contratos de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás natural. O regulamento estabelece os requisitos e os procedimentos para a apresentação e a aprovação do Plano de Trabalho Exploratório (PTE), instrumento para acompanhamento e fiscalização das atividades exploratórias previstas e realizadas associadas à Fase de Exploração, a primeira dos contratos de exploração e produção de petróleo e gás natural. Todas as informações, no entanto, estão sujeitas a atualizações pelas empresas detentoras de contratos de E&P e a estimativa refere-se somente à Fase de Exploração dos contratos de E&P. Ou seja, não inclui a segunda fase, a de Desenvolvimento e Produção.
Acesse o painel dinâmico: https://www.gov.br/anp/pt-br/centrais-de-conteudo/paineis-dinamicos-da-anp/paineis-dinamicos-sobre-exploracao-e-producao-de-petroleo-e-gas/painel-dinamico-da-previsao-de-atividades-e-investimentos-na-fase-de-exploracao. O painel é uma ferramenta de business intelligence (BI) que consolida as previsões de atividades e investimentos apresentadas pelas empresas detentoras de contrato de exploração e produção (E&P) em seus Planos de Trabalho Exploratório (PTE). Podem ser aplicados filtros para obter as atividades por ano de referência (ano de previsão), ano da atividade, etapa, ambientes (mar ou terra), bacias agrupadas (mar – Margem Equatorial, mar – Margem Leste, terra – bacias de nova fronteira, e terra – bacias maduras), por cada uma das atividades e por regime contratual (partilha da produção ou concessão). Os mesmos filtros podem ser usados para consultar previsões de investimentos, que podem ser obtidos em dólares ou reais.
Infomoney - SP 02/04/2025
A TotalEnergies exportou gás natural do campo de Vaca Muerta na Argentina para a brasileira Matrix Energia, usando um conjunto de gasodutos bolivianos pela primeira vez, disse a Matrix em comunicado nesta terça-feira (1º).
Empresas e governos da Bolívia, Argentina e Brasil negociam acordos há mais de um ano, tentando garantir uma rota de longo prazo para o gás argentino chegar a um dos mercados de gás mais importantes da América Latina.
De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, cerca de 500 mil metros cúbicos foram exportados pelo gasoduto boliviano nesta terça-feira.
O contrato é spot, o que significa que o fornecimento pode ser interrompido durante o inverno, quando a demanda na Argentina é maior, disse uma das fontes à Reuters.
“A inédita operação tem como objetivo atestar a viabilidade técnica da rota logística, que passa pela interconexão de diferentes agentes ao longo da cadeia de suprimento”, disse a Matrix, em nota.
A companhia acrescentou que o movimento foi fruto de acordos de importação de gás, firmados entre Matrix Energia e TotalEnergies Argentina, e da contratação do serviço de agregação e transporte pela Matrix Energia junto à YPFB, consistente com o acordo operacional tripartite comunicado a mercado ao final de 2024.
Um grande impedimento para a operação foi uma intenção inicial da Bolívia em cobrar uma taxa pelo uso de sua infraestrutura, preferindo uma opção que a veria comprar gás da Argentina e depois revender ao Brasil, disseram fontes à Reuters no ano passado.
Mas as negociações melhoraram nos últimos meses, com vários possíveis contratos de fornecimento identificados, acrescentaram.
O gasoduto transportou durante anos gás boliviano para o Brasil e a Argentina, mas à medida que a produção de gás da Bolívia diminui, os volumes exportados reduziram.
A chegada do gás de Vaca Muerta ao Brasil é uma vitória para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca o fornecimento de gás mais barato para a indústria do país.
Se as exportações perdurarem, elas também representarão um triunfo para a Argentina, cuja produção de gás está crescendo sob as políticas favoráveis ao mercado do presidente Javier Milei, abrindo uma nova fonte de receita para o país, que até recentemente tinha um déficit em sua balança comercial de energia.
A empresa estatal de energia da Bolívia YPFB não respondeu imediatamente a um pedido da Reuters para comentar sobre as novas exportações por meio de gasodutos bolivianos.
Valor - SP 02/04/2025
A companhia já tem três concessões federais e três lotes do governo de Minas Gerais
Após um ciclo de expansão acelerado nos últimos anos, a EPR, plataforma de rodovias da Equipav e da Perfin, tem investimentos de quase R$ 38 bilhões para tirar do papel, mas segue disposta a crescer de forma “seletiva”, segundo o presidente da empresa, José Cassaniga.
Apesar do aumento da taxa de juros, o executivo avalia que os governos têm feito ajustes e aumentado os retornos dos projetos, que em sua avaliação estão alinhados com o cenário atual. “A gente constata uma disposição importante dos modeladores e dos reguladores de fazer a revisão das taxas periodicamente. Os últimos projetos já trazem a taxa para um patamar mais adequado”, diz ele.
O grupo conquistou seu primeiro contrato em meados 2022 e, de lá para cá, já se consolidou como um dos principais atores do mercado rodoviário, com ampla participação nos leilões do setor. Ao todo, a companhia já tem três concessões federais (uma delas, do Lote 6 do Paraná, foi arrematada no fim de 2024 e ainda não foi iniciada oficialmente) e três lotes do governo de Minas Gerais.
As obras a serem feitas já somam R$ 37,6 bilhões. Cassaniga, porém, afirma que o valor precisa ser visto de forma fragmentada. Do total, R$ 4,2 bilhões se referem a serviços iniciais do contrato, de baixa complexidade.
Outros R$ 17,5 bilhões serão despendidos em ampliações. Esses são os investimentos que apresentam o maior desafio de execução, mas que o executivo minimiza. “São investimentos também com complexidade conhecida, duplicações, terceiras faixas, remodelação de dispositivos, são intervenções a partir de eixos conhecidos”, diz. Ele também afirma que essas obras deverão se iniciar só a partir do terceiro ano dos contratos, o que dá tempo de preparação. Por fim, há outros R$ 15,9 bilhões de investimentos em manutenção periódica ao longo dos contratos, que são diluídos no tempo.
Do ponto de vista financeiro, a empresa já fechou o “take out” (empréstimo de longo prazo) de quatro de suas seis concessões: das três em Minas, sendo que uma delas foi firmada em março, e da concessão federal do Lote 2 do Paraná, um financiamento de R$ 6,4 bilhões com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que terá desembolsos ao longo do projeto.
Do total, R$ 4,2 bi se referem a serviços iniciais e R$ 17,5 bilhões, a ampliações
Hoje, a empresa está discutindo também com o banco de fomento o financiamento da concessão da BR-040, entre Belo Horizonte e Juiz de Fora, afirma o diretor financeiro, Enio Stein.
Além disso, ainda será preciso discutir o financiamento para o Lote 6, porém, neste projeto a empresa tem uma garantia de que a taxa de juros poderá ser fixada pela data do leilão - medida instituída em lei de julho do ano passado -, o que garante uma “blindagem” financeira, diz o diretor financeiro.
O ano de 2024 foi de transformação para a EPR, afirma o executivo. O grupo foi de uma receita operacional líquida de R$ 655 milhões em 2023 para R$ 2,6 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) foi de R$ 843 milhões.
A empresa encerrou o ano passado com uma dívida líquida de R$ 733,4 milhões - que ainda não inclui o “take out” de uma das concessões em Minas Gerais, fechado no primeiro trimestre - e uma alavancagem financeira (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda) baixa para o setor, de 0,87 vez, dado que a companhia ainda está no processo de fechar seus financiamentos, afirma Stein.
Ainda assim, o arranjo da EPR prevê que novos projetos tenham aporte adicional dos acionistas. “É um modelo típico de uma empresa que está começando agora. Os acionistas estão investindo”, diz ele.
Canal Rural - SP 02/04/2025
Durante a coletiva, o presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, projetou até R$ 15 bilhões em intenção de negócios para a edição deste ano. Marchesan informou aos jornalistas que a estimativa de negócios ocorre devido ao clima favorável à colheita e ao retorno da produção para os agricultores.
Ele também destacou a previsão da câmara setorial da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que neste ano, prevê uma elevação de 8,2% na comercialização de máquinas agrícolas.
O presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da (Abimaq), Pedro Estavão, afirmou que a previsão estimula o interesse dos compradores nos cinco dias do evento.
A Agrishow reúne soluções para todos os tipos de culturas, safras, máquinas e tamanhos de propriedades, além de ser reconhecida como o palco dos lançamentos das principais tendências e inovações para o agronegócio.
A coletiva de imprensa contou com a presença de autoridades, lideranças do setor e representantes de entidades ligadas ao agronegócio. Estiveram presentes Ricardo Silva, prefeito de Ribeirão Preto; Orlando Melo de Castro, subsecretário de Agricultura de São Paulo; Maurilio Biagi, presidente de honra da Agrishow; Tirso Meirelles, presidente da Faesp; e Gislaine Balbinot, diretora executiva da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), entre outros.
No ano passado a feira reuniu em 2024 mais de 800 marcas expositoras e mais de 195 mil visitantes qualificados em 520.000 m² de área, apresentando o que há de mais novo neste show de tecnologia rural.
Mais sobre a Agrishow
A Agrishow 2025 é uma iniciativa da – Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e Sociedade Rural Brasileira (SRB), e é é organizado pela Informa Market.
Agência Camara - DF 02/04/2025
O Projeto de Lei 4515/24 prevê o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compra de máquinas e implementos agrícolas. O texto, em análise na Câmara dos Deputados, altera a Lei do FGTS.
Atualmente, a legislação já permite sacar o FGTS em algumas situações, como na demissão sem justa causa, na concessão da aposentadoria, para quitação de financiamento imobiliário ou em casos de câncer (trabalhador ou dependentes).
“A mudança na lei contribuirá para a subsistência do trabalhador rural e de sua família”, disse o autor da proposta, deputado Defensor Stélio Dener (Republicanos-RR), ao lembrar que o agronegócio representa hoje quase 27% das ocupações no Brasil.
Próximos passos
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Trabalho; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para virar lei, terá de ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.