Clipping Diário

06 | Março | 2025

SIDERURGIA

O Estado de S.Paulo - SP   06/03/2025

A uma semana da data para os Estados Unidos efetivarem a sobretaxa no aço importado, o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, diz esperar que o País consiga recompor o acordo de cotas de exportação fechado em 2018 com os americanos, na primeira gestão de Donald Trump.

A expectativa gira em torno da conversa que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, terá com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. É esperado que o contato entre os dois aconteça ainda nesta semana.

“Expectativa é que sejam estabelecidos canais de comunicação. O governo brasileiro está de fato empenhado em negociar e o ministro já se colocou dessa forma, formalmente. Nossa expectativa é que a gente possa recompor um acordo que é bom para a siderurgia brasileira, mas é bom para a siderurgia americana também”, disse ao Estadão/Broadcast o presidente da entidade representativa das empresas brasileiras produtoras de aço.

Ontem, Trump reforçou seu plano de impor tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio que chegam de fora aos Estados Unidos. Aqui, por sua vez, o setor siderúrgico aposta na função estratégica que o aço brasileiro exportado exerce na indústria americana para manter o acordo de 2018. Por ele, o Brasil pode exportar anualmente 3,5 milhões de toneladas de aço semiacabado e 687 mil toneladas de laminados aos EUA – arranjo que evitou a sobretaxa anunciada pelo republicano em seu primeiro mandato.

É sobre o aço semiacabado que as atenções do mercado interno se voltam especialmente. No ano passado, das 5,6 milhões de toneladas de placas de aço importadas pelos Estados Unidos, 3,4 milhões de toneladas foram do Brasil. Como o produto é usado pela indústria americana e, portanto, complementar à produção de lá, o setor acredita que a gestão Trump irá reconhecer a importância econômica de manter o acordo fechado há praticamente oito anos.

“Temos completa convicção de que é bom para o Brasil, mas é bom para os Estados Unidos também. O Brasil é um fornecedor confiável para uma matéria-prima estratégica para os Estados Unidos e, por tudo isso, temos a convicção que, abertos os canais de comunicação, a gente consiga recompor o acordo”, apontou Lopes.

Outra informação destacada por Lopes é a posição brasileira de grande importador de carvão siderúrgico dos Estados Unidos. Em 2024, as empresas locais importaram US$ 1,4 bilhão do produto norte-americano, que é usado na fabricação do aço. No comércio dos principais itens da cadeia do aço – que inclui carvão, aço e máquinas e equipamentos – Estados Unidos e Brasil detêm uma corrente de comércio de US$ 7,6 bilhões. Nela, os EUA são superavitários em US$ 3 bilhões.

Como mostrou a reportagem mais cedo, a conversa de Alckmin com o secretário de Comércio dos Estados Unidos é avaliada dentro do governo como um possível “divisor” nas tratativas brasileiras para tentar amortecer o choque do tarifaço de Donald Trump.

A velocidade das negociações de alto nível com os Estados Unidos foi impactada porque apenas recentemente os indicados do republicano para a área de comércio foram confirmados pelo Senado americano. Entre os principais nomes estão Lutnick, com quem o vice-presidente conversará, e Jamieson Greer, escolhido como representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   06/03/2025

A mediana do relatório Focus para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2025 permaneceu em 5,65%, após 19 semanas seguidas de alta. Ela continua 1,15 ponto porcentual acima do teto da meta do Banco Central, de 4,50%. Um mês antes, estava em 5,51%. Considerando só as 49 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana caiu de 5,66% para 5,61%. O IPCA é usado como índice oficial da inflação no Brasil.

A partir deste ano, a meta perseguida pelo BC passa a ser contínua, com base na inflação acumulada em 12 meses. O centro continua em 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se o IPCA ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo.

Na ata da sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que o cenário para a inflação de curto prazo é adverso, com destaque para a alta dos preços de alimentos, influenciados pela estiagem e o ciclo do boi e com tendência de propagação. Os bens industriais são pressionados pelo câmbio.

“Em se concretizando as projeções do cenário de referência, a inflação acumulada em 12 meses permanecerá acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta nos próximos seis meses consecutivos”, disse o BC.

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 se estabilizou em 4,40%, após nove semanas seguidas de alta. Um mês antes, estava em 4,28%. Considerando somente as 49 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a projeção oscilou de 4,36% para 4,40%.

O Copom aumentou a taxa Selic em 1 ponto porcentual, de 12,25% para 13,25%, na reunião de janeiro. E voltou a sinalizar que vai elevar os juros em mais 1 ponto, a 14,25%, no encontro de março.

O horizonte relevante do BC é o terceiro trimestre de 2026, quando o Copom espera uma inflação de 4,0%, considerando o cenário de referência. A projeção para o IPCA de 2025 é de 5,2%. O balanço de riscos do comitê está assimétrico para cima.

A mediana do Focus para a inflação de 2027 permaneceu em 4,0%. Quatro semanas antes, estava em 3,90%. A projeção para o IPCA de 2028 caiu pela segunda semana seguida, de 3,79% para 3,75%. Um mês antes, era de 3,74%.

Taxa de juros

A mediana para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15,0%, estável há oito semanas. Considerando apenas as 41 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária para a taxa básica de juros no fim de 2025 também permaneceu em 15,0%.

A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou estável em 12,50% pela quinta semana consecutiva. Considerando somente as 39 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, também permaneceu em 12,50%.

A estimativa intermediária para o fim de 2027 continuou em 10,50%. Quatro semanas antes, era de 10,38%. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,0% pela décima semana consecutiva.

Na ata da reunião de janeiro, o Copom afirmou que a sua decisão foi “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.”

Alta do PIB

Já a mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 se manteve em 2,01% pela segunda semana seguida. Um mês antes, era de 2,06%. Considerando somente as 39 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 2,0% para 2,01%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o PIB do quarto trimestre de 2024 na próxima sexta-feira. A mediana da pesquisa Projeções Broadcast indica alta de 0,4% no período, na comparação com o terceiro trimestre. No acumulado de 2024, a expectativa é de crescimento de 3,5%.

A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2026 permaneceu em 1,70%. Quatro semanas atrás, era de 1,72%. Considerando só as 30 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, caiu de 1,70% para 1,65%.

A mediana para o crescimento do PIB de 2027 permaneceu em 2,0%. Um mês antes, era de 1,96%. A estimativa intermediária para 2028 ficou estável pela 51ª semana seguida, em 2,0%.

O Banco Central espera que a economia brasileira cresça 3,5% em 2024 e 2,10% este ano, conforme o mais recente Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Exame - SP   06/03/2025

O primeiro-ministro do Conselho de Estado da China, Li Qiang, apresentou nesta quarta-feira, 5, o relatório de trabalho do governo. Entre as prioridades, estão a expansão da abertura econômica, a estabilização do comércio exterior e o incentivo ao investimento estrangeiro. O governo chinês reafirmou seu compromisso com a política de abertura, independentemente das mudanças no cenário internacional, e anunciou medidas para fortalecer o comércio e a cooperação global.

Estímulo ao comércio exterior

Para impulsionar o setor, o governo pretende reforçar as políticas de estabilização do comércio exterior, apoiando empresas na captação de pedidos e na expansão para novos mercados. Estão previstas melhorias nos serviços financeiros, ampliação do seguro de crédito à exportação e incentivo à participação de empresas em feiras internacionais.

Outras iniciativas incluem o desenvolvimento do comércio eletrônico transfronteiriço, a modernização da logística de entregas internacionais e a ampliação da infraestrutura de armazéns no exterior. A China também pretende expandir as funções das zonas de cooperação econômica internacionais e fomentar o comércio de produtos intermediários. Além disso, será promovida a inovação no comércio de serviços, incentivando tanto a exportação quanto a importação de serviços de alta qualidade.

O país dará destaque à realização de grandes feiras internacionais, como a Feira de Importação da China (CIIE), a Feira de Cantão e a Feira de Comércio Digital, além de aprimorar a cooperação alfandegária para facilitar o comércio global.

Atração de investimento estrangeiro

O governo chinês também anunciou medidas para atrair mais investimentos estrangeiros, incluindo a ampliação da abertura do setor de serviços por meio de projetos-piloto. Áreas como internet, cultura, telecomunicações, saúde e educação terão maior flexibilidade para entrada de investidores internacionais.

Empresas estrangeiras terão incentivos para ampliar reinvestimentos e participar de colaborações em cadeias de suprimentos. Além disso, o governo garantirá tratamento igualitário a essas empresas no acesso a recursos, licenças e compras governamentais.

A China também pretende fortalecer as zonas de livre comércio, expandir as políticas de desenvolvimento aberto e aprimorar o ambiente de negócios, tornando-o mais competitivo e atrativo para empresas internacionais.

Fortalecimento da Iniciativa Cinturão e Rota

Outro ponto de destaque do relatório foi a continuidade dos investimentos na Iniciativa Cinturão e Rota. O governo pretende coordenar grandes projetos emblemáticos e iniciativas menores voltadas para o bem-estar social, criando modelos de cooperação bem-sucedidos.

O transporte internacional também receberá atenção especial, com ações para garantir a operação eficiente dos trens China-Europa e acelerar a construção do Novo Corredor Internacional de Transporte Terrestre-Marítimo. Além disso, serão aprimorados os serviços integrados para empresas chinesas no exterior, incluindo suporte jurídico, financeiro e logístico.

Acordos multilaterais e cooperação global

A China seguirá ampliando sua rede de zonas de livre comércio, promovendo a assinatura do acordo de atualização 3.0 da Zona de Livre Comércio China-ASEAN e buscando adesão a acordos internacionais como o Acordo de Parceria em Economia Digital (DEPA) e o Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP).

O país também reafirmou seu compromisso com o sistema de comércio multilateral liderado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), defendendo uma maior integração econômica global e promovendo o desenvolvimento comum com outras nações.

Veja - SP   06/03/2025

A escalada na disputa comercial entre China e Estados Unidos atingiu um novo patamar nesta quarta-feira 5, após a embaixada chinesa afirmar que está preparada para enfrentar “qualquer tipo de guerra” com os americanos, seja comercial, tarifária ou de outra natureza. O comunicado, publicado na rede social X (ex-Twitter), veio em resposta às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump e reforça a deterioração das relações entre as duas maiores economias do mundo.

Na abertura do Congresso Nacional do Povo, evento anual no qual a China define suas diretrizes políticas e econômicas, nesta quarta-feira, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, reafirmou que o país não cederá às pressões externas e anunciou um aumento de 7,2% nos gastos militares para 2025. Segundo ele, “mudanças inéditas em um século estão acontecendo no mundo em um ritmo acelerado.”

A disputa se intensificou depois que Trump elevou as tarifas sobre todos os produtos chineses, alegando que Pequim prejudica a economia americana. Em resposta, a China impôs taxas de 10% a 15% sobre produtos agrícolas americanos e acusou Washington de usar o combate ao fentanil — droga sintética que se alastra pelas ruas dos Estados Unidos com velocidade epidêmica, crise de saúde pela qual Trump pôs culpa parcial nos chineses — como pretexto para impor novas barreiras comerciais.

Além da retaliação econômica, o discurso agressivo de Pequim também busca projetar força e estabilidade para o público interno diante de desafios como o desaquecimento do consumo, a crise no setor imobiliário e o aumento do desemprego. A estratégia chinesa é atrair novos parceiros comerciais e reduzir os impactos das sanções americanas. No entanto, especialistas alertam que esse endurecimento pode fortalecer a visão de Washington de que o gigante asiático representa a maior ameaça econômica e geopolítica aos Estados Unidos.

No início do novo governo Trump, havia expectativa de uma reaproximação entre os dois países, especialmente após o republicano convidar Xi Jinping para sua posse e afirmar ter tido “um ótimo telefonema” com o líder chinês poucos dias antes de retornar à Casa Branca. No entanto, os desdobramentos mais recentes indicam que as tensões devem continuar.

Com um orçamento militar de 245 bilhões de dólares, a China mantém a segunda maior força armada do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Nos últimos anos, o país tem ampliado sua presença militar no Pacífico, realizado exercícios próximos a Taiwan, ameaçando embarcações das Filipinas e reforçando suas capacidades bélicas.

Globo Online - RJ   06/03/2025

Em meio ao tiroteio comercial entre EUA, Canadá, México e China, iniciado por Donald Trump, o Brasil pode sair ganhando em algumas frentes. É o caso das exportações do agronegócio, como carnes, soja e algodão, ou de alguns produtos industriais, como calçados e têxteis.

Por outro lado, efeitos colaterais de médio e longo prazos — mais inflação e menos crescimento na economia mundial ou a inundação de industrializados chineses no mercado brasileiro — poderão superar as oportunidades, dizem especialistas e representantes do setor produtivo.

Em resposta a Trump, o governo da China anunciou aumento de taxas sobre produtos agrícolas americanos. EUA e Brasil competem como maiores exportadores mundiais em diversas culturas, como soja, milho e algodão. Seria então uma oportunidade para os produtores brasileiros venderem mais para a China, maior importadora do mundo.

Segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA, associação de produtores de carne de frango e porco, a principal oportunidade para os brasileiros pode vir com melhores retornos. Isso porque a elevação de tarifas da China sobre as vendas americanas de frango e suínos aumentará os preços no mercado chinês.

Os brasileiros poderão, então, redirecionar as vendas de outros mercados que pagam menos e mandar mais para a China.

— Temos um concorrente (os EUA) que acaba de ter tarifação de 15% no frango e 15% nos suínos (no mercado chinês). E temos os canais abertos para exportação para a China — disse Santin.

A Abrapa, associação que representa os produtores de algodão, citou o aumento de preços de venda como um efeito positivo no curto prazo, mas ponderou, em nota, que, no médio e longo prazos a instabilidade provocada pela disputa comercial vai gerar incertezas, o que pode “impactar a demanda agregada”.

Para os produtores de grãos também poderá haver oportunidades de ampliação das vendas para o mercado chinês, mas, por enquanto, o momento é de esperar, segundo Alexandre Baumgart, sócio e presidente das Fazendas Reunidas Baumgart, que produzem soja, milho e gado de corte em Rio Verde, sudoeste de Goiás:

— Estamos, no momento, em espera. Os custos de matérias-primas subiram e, em meio ao caos, nem valor da soja para fevereiro do ano que vem nós temos.

Negócios congelados

A comercialização antecipada das safras é algo corriqueiro, mas, por causa das incertezas no comércio global, está paralisada, explicou o produtor rural. Na mesma altura do ano em 2024, as Fazendas Reunidas Baumgart já tinham negociado 25% da safra 2024/2025 de soja, que está sendo colhida agora. Neste ano, nada foi negociado ainda.

A especialista em comércio exterior Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), também chama a atenção para os efeitos colaterais:

— A situação é tão conturbada que o resultado final poderá ser negativo. A taxa de câmbio sempre foi volátil mesmo, mas as tarifas eram vistas como um cenário de mais estabilidade. Agora, Trump tornou a tarifa algo instável.

A incerteza poderá provocar um desarranjo nas cadeias globais da indústria, levando a uma triangulação das empresas para produzir em países onde não houver cobrança, disse o professor de economia chinesa do Insper, Roberto Dumas:

— No médio prazo, essa guerra de tarifas aponta para uma desordem nas cadeias de suprimentos, mas não é fácil, por exemplo, para uma empresa deixar de produzir na China e ir para o Vietnã.

No caso da indústria de calçados, há riscos e oportunidades. No ano passado, o Brasil exportou 10,28 milhões de pares para o mercado americano, uma queda de 3,3% ante 2023, mas, com as tarifas impostas a México, Canadá e China, maior produtora de calçados do mundo, as vendas brasileiras para os EUA poderiam crescer.

— Se não houver nenhum tarifaço sobre os produtos brasileiros, vemos oportunidade de crescimento das exportações para os EUA, que já é o nosso principal destino. Ao mesmo tempo, há o risco do excedente da produção chinesa, que deixaria de ser exportado aos EUA, vir parar no Brasil — disse Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, que representa a indústria nacional.

Risco semelhante existe na indústria têxtil, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel:

— Não temos muito a ganhar quando o mundo entra em conflagração, ainda que, no curto prazo, ganhemos um espaço de comércio aqui ou ali.

Luiz Ribas Jr, gestor de mercado internacional da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), diz que há boa chance de ampliar as vendas de insumos para o México.

Globo Online - RJ   06/03/2025

Em busca de melhorar sua popularidade, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva está dando um “tiro no pé” e contratando inflação e juros altos em 2026, ano eleitoral, avalia o economista Gustavo Loyola, que foi presidente do Banco Central nos primeiros anos do Plano Real.

Para Loyola, sócio da Tendências Consultoria, há um erro de diagnóstico do Palácio do Planalto nas soluções pensadas para reduzir os preços de alimentos e no lançamento de medidas de crédito que tendem a manter o consumo aquecido, anulando parte do esforço do BC para controlar a inflação.

A inflação preocupa?

Preocupa. Estamos vendo as expectativas inflacionárias não apenas acima da meta (de 3%, com teto de até 4,5%), mas se deteriorando gradualmente a cada pesquisa Focus (de projeções de mercado). Isso no meio de uma política do BC bastante contracionista, não apenas a que pratica hoje, mas considerando aquilo que está sinalizando nas suas comunicações. Isso mostra que há dificuldade maior para o BC trazer a inflação para o centro da meta.

Por qual razão?

A principal é o fato de que o governo está agindo na direção contrária à do BC. A política monetária tem efeito sobre a demanda, que demora um pouco a aparecer. Na medida em que o governo toma medidas fiscais e creditícias que incentivam a demanda, acaba anulando parte do esforço do BC.

Além disso, como não existe uma política fiscal vista pelos analistas como consistente com as necessidades do endividamento público, isso afeta a cotação do real, que se mantém desvalorizado, e exerce pressão altista sobre os preços. É uma situação que preocupa na medida em que o BC virou um cavaleiro solitário lutando contra a inflação.

O governo, liderado por Lula, tem o diagnóstico equivocado, achando que a inflação se controla com medidas intervencionistas. Mas elevando gastos fiscais gera-se ambiente macroeconômico cada vez mais desfavorável à redução da inflação.

Quais são as medidas?

A liberação de FGTS de R$ 12 bilhões. Isso é injeção na demanda. Medidas de crédito que o governo está dando, através de programas, como (reformulação) do consignado privado. O BC faz tudo para reduzir a demanda, o crédito, e vem o governo com uma medida contrária àquilo que o BC está buscando.

Medidas para impulsionar a atividade podem reduzir ainda mais a popularidade?

Sem dúvida. O governo está encomendando para o ano que vem uma inflação ainda alta e juros altos. Ou seja, dando um tiro no pé. Isso tem lembrado muito o fim do primeiro mandato da presidente Dilma (Rousseff), em que ela fez de tudo para tentar segurar a inflação artificialmente.

Foi reeleita, depois tentou corrigir esses equívocos e acabou se enrolando toda, inclusive com o crime de responsabilidade fiscal, que, junto com a perda de popularidade, acabou levando ao impeachment. O presidente e seus auxiliares têm atrapalhado o combate à inflação.

A redução de tarifas de importação ajudaria?

Reduzir tarifas é sempre boa coisa. Pode até provocar redução dos preços. É medida que pode ser importante para regularizar a oferta de algum produto, mas sozinha não vai resolver a inflação.

E para controlar a inflação não tem outra opção senão esfriar a economia?

É esfriar a economia e, principalmente, usar a política fiscal para ajudar o BC. Quanto mais a política fiscal é expansionista, mais a política monetária tem que ser contracionista. Isso acaba significando juros mais altos. Então se acaba prejudicando a economia como um todo, para eventualmente beneficiar um ou outro segmento.

Mas é possível avançar em medidas fiscais este ano, considerando o Congresso?

Sim. Primeiro, evitar piorar. Porque o governo, a cada dia que passa, anuncia mais gastos. Não significa que sou contra medidas sociais. Mas precisamos lembrar que não tem nada pior para a família de baixa renda do que a inflação, é um imposto que atinge os mais pobres. O governo não pode deixar a inflação subir porque a responsabilidade não é só do BC, é de todos.

Como vê declarações como a do ministro Haddad de que inflação de 4%, 5% é normal?

Esse tipo de declaração é inoportuna. Primeiro, você está normalizando um nível de inflação que é muito alto. Segundo, hoje, ele fala que 5% é normal. Amanhã, 6%. Depois, 7% e foi assim que o Brasil chegou onde chegou antes do Plano Real.

Não é para ficar confortável com 5% de inflação. É para estar preocupado e buscando reduzi-la a patamares internacionais, entre 2% e 3%. O ministro talvez tenha cometido esse erro porque quisesse tirar um pouco do sentimento de apavoramento, de crise imediata, que de fato não existe.

Infomoney - SP   06/03/2025

A atividade econômica dos Estados Unidos cresceu ligeiramente, mas de forma desigual, desde meados de janeiro, as vagas de emprego aumentaram e os preços subiram modestamente, disse o Federal Reserve nesta quarta-feira, com empresas e famílias expressando otimismo contínuo em meio à crescente incerteza sobre como as políticas do presidente norte-americano, Donald Trump, afetarão o crescimento futuro, a demanda de trabalho e os preços.

“Seis distritos não relataram nenhuma mudança, quatro relataram crescimento modesto ou moderado e dois observaram pequenas contrações”, disse o banco central dos EUA em seu resumo das observações de contatos comerciais e comunitários de cada um dos 12 bancos regionais do Fed. “As expectativas gerais para a atividade econômica nos próximos meses foram ligeiramente otimistas.”

As tensões entre as duas maiores economias do mundo aumentaram após Trump aplicar novas tarifas sobre todos os produtos chineses, levando a China a retaliar

Conhecido como “Livro Bege”, o documento fornece uma visão geral do humor e experiência econômicos do país duas semanas antes de cada reunião de política monetária do Fed. Em suas 54 páginas, houve 47 menções à incerteza, contra 17 no relatório de janeiro, com o dobro de referências a tarifas.
Como toda a coleta de dados foi concluída em 24 de fevereiro, é possível que já esteja obsoleta.

Na terça-feira, Trump impôs tarifas de 25% sobre a maioria das importações do México e do Canadá e dobrou as tarifas sobre produtos chineses para 20%, ações que, segundo muitos investidores e analistas, foram muito além do esperado. O Canadá e a China retaliaram imediatamente com novos impostos de importação sobre os produtos dos EUA, e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, prometeu sua própria resposta neste fim de semana.

Embora a Casa Branca tenha dito nesta quarta-feira que automóveis que chegam por meio do acordo comercial entre EUA, México e Canadá estarão isentos das tarifas por um mês, alguns economistas de Wall Street afirmam que os novos impostos são um presságio de uma inflação mais forte e de um crescimento mais lento, uma combinação que pode representar uma difícil escolha de política monetária para o Fed.

Essa combinação desafiadora já está evidente nas pesquisas que mostram o aumento das expectativas de inflação dos consumidores, a desaceleração da atividade empresarial, uma queda no setor industrial e um aumento nos preços pagos pelos materiais de fabricação.

Por enquanto, formuladores de política monetária sinalizaram que manterão a taxa de juros de referência overnight na faixa atual de 4,25% a 4,50% na reunião de 18 e 19 de março. Eles querem manter a pressão de queda sobre a inflação, que está progredindo lentamente, mas de forma irregular, em direção à meta de 2%, e consideram o mercado de trabalho saudável e sem necessidade do apoio que uma redução dos juros pode oferecer.

Eles também querem ver como as políticas do governo Trump, incluindo tarifas, mas também cortes de impostos, restrições à imigração e cortes nos empregos e gastos federais, afetarão a economia nos próximos meses.

Autoridades do Fed dizem que as observações diretamente das comunidades e das empresas podem ser particularmente informativas quando a economia pode estar mudando rapidamente, já que os dados oficiais muitas vezes estão defasados em semanas e meses em relação à realidade.

MINERAÇÃO

IstoÉ Online - SP   06/03/2025

O processo contra a mineradora BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015 no subdistrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, entra na reta final em Londres nesta quarta-feira (5), com a empresa australiana e os demandantes “confiantes” na vitória do caso.

O julgamento no Tribunal Superior de Londres, que começou em 21 de outubro, está paralisado desde o final de janeiro e os advogados das partes apresentarão seus argumentos entre 5 e 13 de março.

A decisão final, que pode ser objeto de apelação, em um processo que julgará a responsabilidade da BHP, deve sair no segundo semestre.

Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de rejeitos de uma mina de ferro em Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana, no estado de Minas Gerais, tirou a vida de 19 pessoas, devastou várias localidades, incluindo comunidades indígenas, e despejou 40 milhões de metros cúbicos de lama tóxica no rio Doce e no oceano Atlântico.

Os advogados dos demandantes pedem cerca de 36 bilhões de libras (cerca de R$ 265 bilhões, na cotação atual) para as quase 620.000 pessoas afetadas pela tragédia.

A BHP, que compartilha com a mineradora brasileira Vale a titularidade da Samarco, proprietária da barragem, negou ser uma “poluidora direta” desde o início do julgamento, em outubro.
– Argumentos dos denunciantes –

No entanto, os advogados dos demandantes discordam.

“Estamos muito confiantes no sucesso deste caso porque ficou inequivocamente provado que a BHP era responsável pelas operações da Samarco”, disse nesta quarta-feira Tom Goodhead, diretor-geral do Pogust Goodhead, um escritório de advocacia britânico que representa os demandantes.

Para Goodhead, “este caso mostrou que a BHP sabia, praticamente desde o início, do sério risco que a barragem de Mariana representava para as comunidades vizinhas e para o meio ambiente”.

“Todas as evidências documentais nos processos apontam para o forte envolvimento da BHP nas operações da Samarco”, acrescentou Goodhead.

A BHP enfrenta a reta final do julgamento confiante de que será absolvida.

“Estamos confiantes em nossa posição legal no Reino Unido e nas evidências apresentadas, que mostram que priorizamos a segurança e agimos com responsabilidade”, disse um porta-voz da BHP nesta quarta-feira.

Após o início do processo em Londres, a Justiça brasileira absolveu, em meados de novembro, a Samarco, a Vale e a BHP de qualquer responsabilidade pela tragédia.

A decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) de Belo Horizonte entendeu que as provas analisadas não eram “determinantes” para estabelecer sua responsabilidade.

Pouco antes, em 25 de outubro, quando o julgamento em Londres havia acabado de começar, o Governo Federal assinou um acordo de indenização com as empresas envolvidas no valor de cerca de R$ 132 bilhões.

“Nos últimos nove anos, a Samarco forneceu assistência financeira emergencial e indenização a aproximadamente 432.000 pessoas, empresas locais e comunidades indígenas e recuperou o meio ambiente, casas e infraestruturas locais”, disse um porta-voz da BHP nesta quarta-feira.
– Defesa da BHP –

A empresa de mineração australiana defende as medidas tomadas após a tragédia.

“Um novo acordo de 31,7 bilhões de dólares (R$ 132 bilhões, na cotação da época) foi executado com as autoridades brasileiras em outubro, o maior do gênero na história brasileira, para fornecer suporte de longo prazo às comunidades afetadas”, acrescentou o porta-voz.

Argumentos com os quais os advogados dos denunciantes não concordam.

“Quando o julgamento na Inglaterra começou, a BHP cinicamente concluiu um acordo político com as autoridades brasileiras, mas não disse a ninguém que sabia que menos de 40% dos afetados que fazem parte do processo inglês poderiam participar”, disse Tom Goodhead.

Nesta parte final do julgamento, caberá primeiro ao escritório de advocacia dos denunciantes apresentar suas conclusões à juíza, entre quarta e sexta-feira. Após o fim de semana, será a vez dos advogados da BHP apresentarem seus argumentos de defesa à juíza, de segunda a quarta-feira.

Por fim, na quinta-feira, 13 de março, os advogados dos denunciantes terão uma nova oportunidade de apresentar suas observações finais.

Infomoney - SP   06/03/2025

Os contratos futuros do minério de ferro recuaram nesta quarta-feira, pressionados pelas tarifas “olho por olho” entre os Estados Unidos e a China superando o otimismo com uma melhora na demanda por aço chinês.

O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China fechou em queda de 1,34%, para 771 iuanes (US$106,18) a tonelada.

O minério de ferro de referência para abril na Bolsa de Cingapura caiu 1,42%, para US$99,4 a tonelada.
A duplicação das tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre produtos chineses para 20% entrou em vigor na terça-feira, provocando uma rápida retaliação de Pequim e estimulando preocupações com a guerra comercial.

Pequim aumentou taxas de importação de produtos agrícolas e alimentícios norte-americanos no valor de US$21 bilhões, suspendeu as licenças de importação de soja de três empresas dos EUA e interrompeu as importações de toras.

“O sentimento também foi afetado pela perspectiva de novas tarifas”, disseram os analistas do ANZ.

As tarifas dos EUA sobre aço e alumínio devem entrar em vigor em 12 de março.

A China liberou mais estímulos fiscais na quarta-feira, prometendo maiores esforços para apoiar o consumo e amortecer o impacto da escalada da guerra comercial com os Estados Unidos, com medidas específicas que incluem uma expansão significativa do esquema de trocas de bens de Pequim, lançado no ano passado.

A China disse que reestruturaria sua gigantesca indústria siderúrgica por meio de cortes na produção, embora não tenha anunciado nenhuma meta na intervenção mais recente para lidar com o excesso de capacidade no setor.

“A expectativa é de que tanto a oferta quanto a demanda de minério de ferro importado na China se fortaleçam em março, geralmente um mês em que o consumo de aço no país é robusto”, disse a consultoria chinesa Mysteel.

“Isso deve manter firmes os preços do material de fabricação de aço.”

Folha On-Line - SP   06/03/2025

O Sinagências (Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação) divulgou uma nota cobrando investimentos regulares na Agência Nacional de Mineração e a contratação de servidores e na qual diz que a ANM não pode ter o orçamento reforçado apenas após tragédias.

O acordo de repactuação pela tragédia de Mariana (MG), homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em novembro do ano passado, prevê R$ 1 bilhão para prevenção e mitigação de riscos na mineração.

O valor será pago em 20 parcelas. Segundo o sindicato, nos primeiros cinco anos, R$ 600 milhões seriam destinados à compra de equipamentos, com a aquisição de tecnologia para monitoramento de barragens e melhorias na infraestrutura da agência. O restante será aplicado ao longo dos 15 anos seguintes.

Na nota, o Sinagências diz avaliar como positivo o valor destinado à ANM, mas afirma que "investimentos essenciais na agência não podem depender de desastres como o rompimento da barragem da Samarco para serem viabilizados."

Primeiro vice-presidente do Sinagências, Ricardo Peçanha, servidor da ANM, afirma que o desafio é garantir o orçamento regular previsto em lei e que não vem sendo cumprido.

"O governo não repassa o que está previsto na legislação. A previsão em lei é que 7% da arrecadação da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) seja destinada ao orçamento da ANM, mas isso não acontece", diz. "Se os 7% da arrecadação fossem repassados, o orçamento deveria ser em torno de R$ 520 milhões ao ano, mas atualmente gira em torno de R$ 100 milhões."

O projeto que indica como a ANM usará os recursos está em análise pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que precisa aprovar a destinação do dinheiro.

O sindicato defende que o orçamento regular da agência seja priorizado, para que a ANM tenha previsibilidade de recursos e autonomia para atuar de forma preventiva e evitar novos desastres ambientais.

Além disso, diz que o fator mais determinante para que a agência tenha capacidade real de fiscalização é o investimento em pessoal, com a ampliação do quadro de servidores por meio de novos concursos públicos e a valorização dos profissionais de carreira.

"Sem reforço no quadro técnico, mesmo com equipamentos modernos, a agência continuará com limitações para cumprir seu papel na prevenção de tragédias", alerta o sindicato. Hoje, das 1.984 vagas previstas em lei, apenas 645 estão ocupadas.

AUTOMOTIVO

IstoÉ Dinheiro - SP   06/03/2025

A associação das montadoras de veículos instaladas no Brasil, Anfavea, voltou a defender nesta quarta-feira a antecipação da volta do imposto de importação completo no setor, após a chegada ao país de um grande navio da chinesa BYD transportando mais de 5,5 mil veículos novos.

Sem citar marcas específicas, a entidade defendeu, em comunicado à imprensa, o retorno imediato da alíquota de 35% sobre veículos elétricos e híbridos importados, ante as tarifas atuais de 18% para elétricos e 20% a 25% para híbridos.

O comunicado veio depois que a BYD anunciou na sexta-feira a chegada ao porto Portocel, em Aracruz (ES), do navio Explorer Nº 1 com 5.524 carros e utilitários esportivos (SUVs) elétricos e híbridos.

Essa é a segunda vez que a embarcação, que tem capacidade para até 7 mil veículos, vem ao país com carros da montadora chinesa.

Segundo a Anfavea, há atualmente no Brasil cerca de 40 mil carros importados em estoque. A entidade afirmou que recebeu com “preocupação” a chegada da embarcação.

“Sem um equilíbrio saudável na balança comercial, essa indústria que gera mais de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos estará sob forte ameaça”, afirmou a entidade que representa marcas instaladas há décadas no país como Fiat, GM, Volkswagen, Renault e Toyota.

Os 5.524 veículos declarados pela BYD equivalem a cerca de um terço do volume de veículos elétricos e híbridos vendidos no Brasil, de todas as marcas, em janeiro, segundo dados da Anfavea.

A BYD, que vem ampliando sua participação no total vendido no Brasil em meio à expansão dos veículos eletrificados no país, afirma que a importação é necessária para “atender a crescente demanda de mercado” antes da construção de uma fábrica própria em Camaçari (BA), uma área anteriormente ocupada pela Ford. A fábrica em construção foi alvo de denúncias em dezembro de trabalho em condições análogas à de escravidão.

“Enquanto preparamos o iniÌ cio da produção em Camaçari, essa operação garante que mais consumidores tenham acesso aos nossos modelos com agilidade”, afirmou a BYD no comunicado de sexta-feira. Procurada nesta quarta-feira, a montadora chinesa não se manifestou de imediato.

Segundo a Anfavea, mais de 120 mil veículos importados da China foram vendidos no Brasil no ano passado — volume três vezes maior do que em 2023. “Apoiamos, sim, a chegada de novas marcas ao Brasil, para produzir, fomentar o setor de autopeças, gerar empregos e trazer novas tecnologias. O que vemos, entretanto, são anúncios sucessivos de adiamento dos prazos de início de produção no país”, afirmou a entidade.

Pelos planos originais do governo federal, definidos no final de 2023 após pressão do setor automotivo, o retorno do imposto de importação “cheio” se dará em julho do próximo ano.

Atualmente, a previsão é que a tarifa sobre os híbridos suba de 25% para 30% em julho deste ano. No mesmo período, a taxação sobre os elétricos vai passar de 18% para 25%. A indústria comumente cita que os picos de importação têm se dado previamente ao aumento das tarifas.

“Nenhum país do mundo, com indústria automotiva instalada, tem uma barreira tão baixa para as importações, o que torna o nosso importante mercado um alvo fácil, especialmente para modelos que estão sendo barrados por grandes alíquotas na América do Norte e na Europa. Elas são de 100% nos EUA e Canadá, e podem chegar a 48% na Europa”, afirmou a Anfavea.

Em janeiro, o então presidente da Anfavea, Marcio de Lima Leite, afirmou que as montadoras de veículos instaladas no Brasil estudavam encaminhar pedido de processo andidumping contra montadoras chinesas.

Paralelamente, as próprias montadoras instaladas no Brasil têm anunciado planos de vendas de veículos de marcas chinesas. A Renault anunciou em meados de fevereiro acordo com a Geely, dona de marcas como Volvo Cars e Zeekr, para distribuir e produzir veículos do grupo chinês no Brasil.

Já a Stellantis, dona da Fiat, deve anunciar em abril parceria com a chinesa Leapmotor para venda de veículos elétricos no Brasil e no Chile.

Também em fevereiro, a montadora estatal chinesa GAC anunciou a inauguração de um centro de distribuição de peças no Brasil, em uma preparação para o lançamento da marca no país ainda neste trimestre. A empresa projeta investimento de cerca de R$6 bilhões nos próximos cinco anos no Brasil.

Além da defesa do retorno da alíquota de 35% do imposto de importação sobre veículos eletrificados, a Anfavea também citou nesta quarta-feira “grande preocupação” com aumento da participação de máquinas autopropulsadas, como tratores, escavadeiras e colheitadeiras, importadas nas compras públicas.

“O crescimento acentuado das importações de máquinas transformou o tradicional superávit em déficit na balança comercial pelo segundo ano seguido, dobrando o valor do déficit em 2024”, afirmou a Anfavea sem citar nomes, mas dando destaque “para empresas ‘instaladas no Brasil’ que não contam nem com 20 funcionários”.

Segundo a entidade, os clientes das licitações de máquionas sofrem com “a falta de uma rede confiável para assistência técnica”.

Exame - SP   06/03/2025

A União Europeia (UE) apresentou, nesta quarta-feira, 5, seu plano para apoiar a recuperação da indústria automotiva, um setor crucial da economia do bloco que enfrenta um "risco de morte" devido à concorrência da China e ao fantasma de uma guerra comercial com os Estados Unidos.

O setor automotivo é tradicionalmente visto como a joia da coroa da indústria europeia. O segmento emprega quase 14 milhões de pessoas direta ou indiretamente e representa quase 7% do PIB de toda a UE.

Porém, o setor enfrenta a realidade de fechamento de fábricas e a perspectiva real de uma guerra comercial com os Estados Unidos, o que levou a UE a anunciar o auxílio.

Em uma entrevista à AFP, o comissário europeu de Estratégia Industrial, o francês Stéphane Séjourné, afirmou que o setor enfrenta um "risco de morte".

Diante do cenário, a UE apresentou um conjunto de medidas que inclui a flexibilização este ano das normas que punem as montadoras pelo nível de emissões poluentes.

Com a regulamentação em vigor, a partir deste ano a UE deve reduzir o nível de emissões que os veículos novos vendidos no bloco podem produzir.

A norma determina que as montadoras devem pagar multas caso as emissões fiquem acima do limite permitido.

Para enfrentar as multas elevadas previstas, várias empresas formaram conglomerados com montadoras menos poluentes para compartilhar seus programas, como Stellantis, Ford e Toyota com a Tesla.

Mas os fabricantes que chegaram tarde aos objetivos de eletrificação de 2025 terão mais tempo de adaptação.

Abordagem pragmática

Em um comunicado, a Comissão anunciou que "proporá ainda este mês uma emenda à regulamentação dos parâmetros de CO2 para automóveis e vans".

A emenda "permitiria aos fabricantes de automóveis alcançar seus objetivos de conformidade, ao estabelecer a média de seu desempenho durante um período de três anos", de 2025 a 2027.

A UE também pretende estimular a demanda de automóveis elétricos com uma aceleração de sua incorporação às frotas empresariais e o apoio à fabricação local de baterias.

Para que a indústria seja "mais resistente à concorrência feroz do exterior (...) a Comissão garantirá uma disputa justa com o uso de instrumentos de defesa comercial".

Entre as medidas, o bloco menciona a "norma para contrabalançar os subsídios e ajudas estatais, que estão no centro das tensões com montadoras chinesas, em particular fabricantes de veículos elétricos".

Em uma nota, o comissário europeu de Transporte Sustentável, Apostolos Tzitzikostas, destacou que com o plano "estamos dando passos decisivos para fortalecer a base industrial da Europa".

A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, indicou que a UE "promove a produção nacional para evitar dependências estratégicas, especialmente na produção de baterias".

O bloco mantém os objetivos em termos de emissões, acrescentou Von der Leyen, "mas com uma abordagem pragmática e flexível".

"Nosso objetivo comum é uma indústria automotiva sustentável, competitiva e inovadora, que beneficie nossos cidadãos, nossa economia e nosso meio ambiente", disse. Von der Leyen manteve "conversações estratégicas" com representantes da indústria para discutir soluções para a crise.

O Estado de S.Paulo - SP   06/03/2025

As tarifas de 25% impostas pelo presidente Donald Trump sobre os produtos do Canadá e do México podem ser sentidas de forma particularmente aguda pelas montadoras — e pelos compradores de automóveis — devido ao número de veículos e peças que entram nos Estados Unidos todos os dias para chegar ao mercado. Nesta quarta-feira, 5, Trump aceitou adiar em um mês o prazo para a aplicação de tarifas impostas na véspera para veículos do mercado do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês), mas o problema está longe de ser resolvido.

Nas últimas três décadas, desde que a zona de livre comércio da América do Norte foi criada, em 1994, as montadoras construíram cadeias de suprimentos que cruzam as fronteiras.

Os fabricantes obtêm economias de escala construindo fábricas de motores e transmissões grandes o suficiente para abastecer várias fábricas de veículos na América do Norte. Pensamento semelhante também funciona para outras peças — assentos, painéis de instrumentos, componentes eletrônicos, eixos.

“Isso aproveita a força de cada país, para a melhoria das empresas e do consumidor”, disse Sam Fiorani, vice-presidente da AutoForecast Solutions, uma empresa de pesquisa. “Os veículos seriam menos acessíveis se todas as peças tivessem de ser fabricadas em um único país.”

Em última análise, um veículo é considerado uma importação quando é enviado para os Estados Unidos após passar pela montagem final em outro país. Porém, devido à complexidade das cadeias de suprimentos, é cada vez mais difícil dizer quais veículos são fabricados nos Estados Unidos e quais são importados.

O Chevrolet Blazer 2024, um popular veículo utilitário esportivo fabricado pela General Motors, é montado em uma fábrica no México usando motores e transmissões produzidos nos Estados Unidos.

A Nissan fabrica seu sedã Altima no Tennessee e no Mississippi; a versão turbinada do carro tem um motor de dois litros que vem do Japão e uma transmissão feita em uma fábrica no Canadá.

Há também o Toyota RAV4. A maioria dos RAV4s vendidos nos Estados Unidos é fabricada no Canadá. Os modelos fabricados no Canadá usam motores e transmissões construídos nos Estados Unidos e enviados para o norte — antes que os veículos completos sejam transportados para os Estados Unidos para venda.

O governo Trump ainda não definiu como as tarifas seriam aplicadas a componentes como motores enviados através da fronteira e depois retornados aos Estados Unidos como parte de veículos completos.

Embora o RAV4 seja tecnicamente importado do Canadá, cerca de 70% dos componentes do veículo — medidos por seu valor — são provenientes dos Estados Unidos, de acordo com a National Highway Traffic Safety Administration, que rastreia o local ou a origem das peças que compõem os veículos vendidos aqui.

O Nissan Rogue S.U.V. faz o caminho inverso. Ele se qualifica como um veículo produzido internamente porque é montado na fábrica da Nissan em Smyrna, Tennessee. Mas apenas 25% de seu conteúdo é originário dos Estados Unidos. O motor da versão 2024 vem do Japão e sua transmissão do México, de acordo com dados da agência de segurança no trânsito.

A ameaça de tarifas deixa os fabricantes de automóveis preocupados. “Sejamos honestos”, disse o executivo-chefe da Ford Motor, Jim Farley, em uma conferência com investidores em fevereiro. “A longo prazo, uma tarifa de 25% sobre as fronteiras do México e do Canadá abriria um buraco na indústria dos EUA como nunca vimos.”

Na semana passada, o presidente da Stellantis, John Elkann, disse que sua empresa apoiava o desejo de Trump de promover a fabricação americana, mas acrescentou que a empresa — cujas marcas incluem Chrysler e Jeep — achava que o comércio com o México e o Canadá deveria permanecer “livre de tarifas”.

Nos últimos 20 anos, o número de veículos importados vendidos nos Estados Unidos permaneceu relativamente constante, com quedas causadas pela crise financeira de 2008-2009 e pela pandemia do coronavírus. A maior fonte é o México, seguido de perto pelo Japão, Coreia do Sul e Canadá.

Durante esse período, o número de carros produzidos nos Estados Unidos flutuou. A produção doméstica ultrapassou 12 milhões de veículos em 1999, mas esse número despencou durante a recessão.

Desde então, o setor apresentou uma forte recuperação à medida que os preços dos combustíveis se estabilizaram e a confiança do consumidor voltou, embora os volumes de produção nunca tenham recuperado totalmente os números vistos no início dos anos 2000.

Para muitos consumidores, a origem de seu carro não é uma grande preocupação. Frank Krieber, um executivo de tecnologia aposentado de Charlotte, N.C., comprou um Chevrolet Tahoe há alguns meses. Ele presumiu que se tratava de um veículo americano — e, de fato, é montado em Arlington, Texas. Mas um pouco mais de um terço de suas peças é fabricado nos Estados Unidos, e aproximadamente a mesma quantidade vem do México, de acordo com a National Highway Traffic Safety Administration.

“Não me importo com o conteúdo mexicano”, disse Krieber. “Se fosse fabricado no México em vez de no Texas, eu ainda o teria comprado.”

O Estado de S.Paulo - SP   06/03/2025

A Casa Branca confirmou, nesta quarta-feira, 5, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , concederá um prazo para a aplicação de tarifas impostas na véspera para veículos do mercado do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês).

As tarifas sobre os fabricantes de automóveis dos países vizinhos aos Estados Unidos serão adiadas por um mês, disse a secretária de imprensa do governo americano, Karoline Leavitt, em coletiva concedida nesta quarta-feira, 5, na Casa Branca.

A sinalização representa um abrandamento da posição dos EUA depois que o aumento de impostos de terça-feira, 4, prejudicou o mercado de ações, preocupou os consumidores e desencadeou uma guerra comercial.

Leavitt disse que decisão foi tomada após conversa de Trump com as principais montadoras. A representante afirmou ainda que as tarifas recíprocas (relativa a todo tipo de produto e com abrangência global) entrarão em vigor no dia 2 abril.

O dólar abriu esta quarta-feira, 5, com queda forte de 1,39%, a R$ 5,8338. O mercado brasileiro iniciou o pregão apenas às 13h, devido à data de quarta-feira de cinzas. Nos dias de carnaval, enquanto a Bolsa brasileira estava fechada, os mercados globais viveram momentos conturbados com o acirramento da guerra comercial de tarifas de Trump.

A queda da moeda americana ante o real se acentuou, e o dólar fechou o dia a R$ 5,7560, com desvalorização de 2,71% em relação ao real.

A trégua para as montadoras já havia sido acenada pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, em entrevista horas antes, quando cogitou exceções para as tarifas de 25% impostas aos países vizinhos.

Folha On-Line - SP   06/03/2025

A principal fabricante de veículos elétricos da China, BYD, comprometeu-se a trabalhar com a rival Tesla para combater os carros a gasolina, enquanto insiste que Pequim está "mais aberta" aos negócios estrangeiros do que o Ocidente.

"O nosso inimigo comum é o carro com motor a combustão interna. Precisamos trabalhar juntos para fazer a indústria mudar", disse a vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, em uma entrevista ao Financial Times.

Apesar de seus comentários, as duas montadoras estão competindo para se tornar o maior grupo de veículos elétricos (EV) do mundo. A BYD está buscando um crescimento rápido nas vendas de EVs avançados na Europa, com mais ofertas de produtos do que a empresa americana. A Tesla, por sua vez, sofreu uma queda nas vendas na Europa devido ao crescente ativismo político de Elon Musk.

Em uma loja da BYD em Londres, Li afirmou que a China estava disposta a compartilhar tecnologias-chave em EVs e direção autônoma com empresas estrangeiras, apesar do aumento das tensões comerciais com Bruxelas e Washington.

"O governo chinês é mais aberto, então talvez haja uma percepção errada aqui", disse ela.

Ela acrescentou que o mercado de automóveis da China é "a terra natal da inovação" e incentivou as empresas estrangeiras a virem para a China. "O governo vai apoiar você e trabalhar com você para permitir que qualquer tecnologia seja realizada", afirmou.

Folha Mercado

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A BYD revelou no mês passado que as funções avançadas de direção inteligente, através do seu sistema de direção autônoma "God’s Eye", estarão disponíveis para os clientes na maioria dos seus modelos, sem custo adicional.

O anúncio gerou preocupações em toda a indústria sobre receitas mais baixas com tais tecnologias de assistência ao motorista, com analistas prevendo que todo o mercado será forçado a acompanhar a popularização das funções de direção inteligente.

O grupo, apoiado por Warren Buffett, também tem feito avanços agressivos nos mercados europeus, com planos de produção local em suas fábricas na Hungria e na Turquia, para enfrentar as tarifas mais altas da UE sobre os importações de EVs feitos na China. A BYD também levantou US$ 5,6 bilhões por meio de uma venda de ações em Hong Kong para ajudar na sua expansão internacional, de acordo com um registro feito na terça-feira.

Mas Bruxelas também quer que as empresas chinesas transfiram propriedade intelectual para empresas europeias em troca de subsídios da UE. Enquanto isso, Pequim, respondendo ao crescente protecionismo ocidental, sinalizou que deseja que as empresas chinesas limitem algumas produções avançadas no exterior.

Nos últimos anos, a China também expandiu gradualmente os controles de exportação, limitando materiais de bateria como terras raras, além de tecnologias e processos que transformam as terras raras refinadas nos metais e ímãs permanentes usados nos veículos elétricos.

Quando questionada sobre os recentes desenvolvimentos políticos na UE em relação ao compartilhamento de tecnologias, Li afirmou que não prestava atenção à política, pois era "de curto prazo" e, no final, os consumidores escolheriam o melhor produto.

O governo chinês estava ajudando no empurrão internacional da empresa, e toda a sua inovação seria apresentada nos mercados globais, incluindo sua tecnologia de direção autônoma, disse ela. "Para cada investimento que temos no exterior, o [governo] chinês nos apoia muito."

Li afirmou que a BYD trará opções além dos EVs para os consumidores europeus, como o híbrido plug-in Seal U, após a queda nas vendas de EVs nos principais mercados europeus e com os híbridos não sendo sujeitos às tarifas anti-subsídios da UE. A empresa também planeja lançar sua marca premium Denza ainda este ano.

A participação de mercado de carros totalmente elétricos da BYD na Europa Ocidental, incluindo o Reino Unido, foi de 2% no ano passado, segundo a Schmidt Automotive Research.

Li confirmou que a BYD não tem planos de introduzir EVs nos Estados Unidos, que no ano passado impôs uma tarifa de 100% sobre os importados de EVs chineses. Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas adicionais sobre as importações da China e confirmou planos de avançar com impostos sobre o México e o Canadá a partir da próxima semana. Li disse que nenhuma decisão foi tomada sobre os planos da BYD de construir uma planta no México.

Ela afirmou não estar preocupada com uma desaceleração global na transição para os EVs devido às políticas de Trump. Referindo-se à mudança dos veículos a gasolina para os EVs na China, ela disse: "Por que as pessoas ainda estão escolhendo o EV? Porque é um carro melhor, um carro mais inteligente... e tem qualidade superior."

CONSTRUÇÃO CIVIL

Grandes Construções - SP   06/03/2025

Os volumes gerais de procura e venda no mercado imobiliário brasileiro fecharam estáveis no quarto trimestre de 2024 (4T24).

De um lado, o segmento residencial econômico, o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), seguiu aquecido. De outro, o de residências de médio e alto padrão (MAP) registrou quedas na procura e na venda.

É o que aponta a última edição do Indicador de Confiança do Setor Imobiliário, da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) – feita em parceria com a Deloitte – organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mundo.

No 4T24, o indicador de procura específica por imóveis do MCMV cresceu 3,3%. O índice de vendas teve aumento de 4,1%.

Embora tenha apresentado queda na comparação ao mesmo período do ano anterior, isso não tirou a confiança de construtoras e incorporadoras.

Dos executivos desse setor entrevistados, 100% planejam lançar pelo menos um novo empreendimento nos próximos 12 meses.

A pouca diversificação de funding e as altas consecutivas da taxa Selic impactaram o segmento de médio e alto padrão (MAP). A demanda apresentou queda de 10,7%.

As vendas nessa modalidade também retraíram: queda de 6,8 no 4T24. Os executivos desse segmento, portanto, não mostraram expectativas tão otimistas em comparação aos períodos anteriores, com 51% dos entrevistados expressando intenção de adquirir terrenos para futuros empreendimentos.

Os movimentos opostos de MCVM e MAP fizeram os índices gerais de procura e de vendas no mercado imobiliário se manterem estáveis no 4T24. A procura apresentou queda de 0,7% e as vendas, aumento de 0,6%.

O Indicador de Confiança do Setor Imobiliário considera dados das construtoras e incorporadoras com produtos MCVM, MAP ou ambos.

A média geral de procura por imóveis atingiu 1,97 pontos, entre 3 pontos possíveis, o que significa manutenção dos resultados. Isso depois de cinco trimestres consecutivos de alta.

Já os dados gerais de vendas ficaram em 2,03 pontos, o que também representa estabilidade, de acordo com a metodologia do levantamento e análise.

“Considerando que os últimos dados refletiram os fortes resultados do mercado imobiliário, uma relativa piora nas expectativas era esperada. Isso foi motivado pelo aumento recorrente da taxa Selic.

Para o segmento MCVM, cujo funding ao comprador é o FGTS, as perspectivas seguem boas. Para este ano, nós seguimos acreditando no fortalecimento do mercado, principalmente se analisarmos uma continuidade no processo de valorização dos imóveis, o que ainda possibilita uma ótima oportunidade de compra.

Para que o mercado continue sendo um grande protagonista no crescimento econômico, é extremamente importante para que novas fontes de financiamento sejam consideradas para garantir a todos o acesso a moradia.

Também precisamos de um ajuste fiscal que reduza os juros de forma sustentável. Assim teremos a manutenção do crescimento de um setor que representa mais de 7% do PIB nacional e gera 10 por cento dos empregos do país”, observou Luiz França, presidente da Abrainc.

Os preços dos imóveis continuaram a crescer no mesmo ritmo observado anteriormente, com um aumento de 5,2% no período analisado em relação ao 3T/24, para ambos os segmentos. Apesar de uma leve desaceleração em dezembro/24 em relação ao mês anterior, o índice IGMI-R/Abecip soma alta de 12,73% no acumulado de 12 meses até dezembro/24.

“Acreditamos na força do segmento residencial econômico, no qual o público-alvo conta com condições mais acessíveis de crédito e subsídios do governo federal. A manutenção dos níveis atuais desse programa propicia ao setor maior tranquilidade para trabalhar. Mas vemos um cenário de retração da economia e encarecimento do crédito ao longo do ano, comprometendo ainda mais o desempenho o segmento de médio e alto padrões”, afirmou Claudia Baggio, sócia de Financial Advisory e líder da prática de Real Estate da Deloitte.

2025 – Para o 1T25, com a aprovação do orçamento plurianual do FGTS, no valor de R$ 126 bilhões para habitação, há suporte aos compradores do MCMV.

No MAP, dado o cenário macroeconômico e o encarecimento do crédito, a tendência é de que o índice de vendas apresente nova redução.

Os executivos preveem aumento no preço dos imóveis para o segmento MCMV, no 1T25. Essa tendência de alta deve se manter em curto, médio e longo prazos. No segmento MAP também existe expectativa de forte alta a médio e longo prazos.
Essas perspectivas de novas valorizações reforçam o bom momento para investimento no mercado imobiliário.

InfraRoi - SP   06/03/2025

O governo federal publicou, nesta sexta-feira (28), a Medida Provisória (MP) que autoriza trabalhadores demitidos a acessarem recursos retidos do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a medida impacta na sustentabilidade do FGTS e põe em risco o financiamento habitacional. A entidade argumenta que a liberação de saques extraordinários compromete uma poupança para o investimento em moradia e infraestrutura no País.

Desde a criação do saque-aniversário, em abril de 2020, aproximadamente 37 milhões de trabalhadores aderiram à modalidade, movimentando R$ 141,9 bilhões até dezembro de 2024. De acordo com a CBIC, caso esses recursos tivessem sido investidos na construção civil, teriam viabilizado 2 milhões de moradias e gerado cerca de 6 milhões de empregos.

Com a nova MP, a expectativa é de que R$ 12 bilhões sejam sacados por empregados demitidos, valor que equivale ao aplicado pelo governo federal na Faixa 01 do Minha Casa, Minha Vida em um ano, segundo a CBIC. A entidade chegou a se reunir com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no dia anterior da publicação da MP para explicar os impactos negativos da decisão.
Entenda o caso

A nova MP é uma demanda importante para os trabalhadores. Quem havia aderido ao saque-aniversário em 2020, abriu mão do direito de acesso ao saldo integral em caso de demissão sem justa causa. Antes da MP, esses trabalhadores tinham acesso apenas à multa rescisória de 40% sobre o valor depositado pelo empregador, sem direito ao saque integral. Essa consequência acabava limitando o objetivo central do FGTS, que é ser uma poupança de emergência para o empregado quando ele é demitido.

De acordo com o governo, a mudança tem o objetivo de oferecer mais flexibilidade ao trabalhador e facilitar o acesso a recursos em momentos de desemprego. A expectativa é que a medida movimente a economia ao longo dos próximos meses, contribuindo para o consumo e a redução do endividamento das famílias.

A MP entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para se tornar definitiva. Enquanto o governo defende a ampliação do acesso ao FGTS, o setor da construção civil alerta para os possíveis impactos no financiamento habitacional e na sustentabilidade do fundo.

Monitor Digital - RJ   06/03/2025

Na última sexta-feira, o Governo Federal publicou a Medida Provisória que autoriza trabalhadores demitidos a acessarem recursos retidos do saque-aniversário do FGTS. A medida atende a uma demanda de trabalhadores que haviam aderido à modalidade e não tinham acesso ao saldo integral em caso de demissão.

A MP permite que trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário possam retirar o saldo total da conta vinculada do FGTS em caso de demissão sem justa causa. Antes, esses trabalhadores tinham acesso apenas à multa rescisória de 40% sobre o valor depositado pelo empregador, sem direito ao saque integral.

De acordo com o governo, a mudança tem o objetivo de oferecer mais flexibilidade ao trabalhador e facilitar o acesso a recursos em momentos de desemprego. A expectativa é que a medida movimente a economia ao longo dos próximos meses, contribuindo para o consumo e a redução do endividamento das famílias.

A MP entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para se tornar definitiva. Enquanto o governo defende a ampliação do acesso ao FGTS, o setor da construção civil alerta para os possíveis impactos no financiamento habitacional e na sustentabilidade do fundo.

Em nota, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) reforçou sua preocupação com a sustentabilidade do FGTS e os impactos da medida no financiamento habitacional. A entidade argumenta que a liberação de saques extraordinários compromete uma poupança essencial para o investimento em moradia e infraestrutura no país.

Desde a criação do saque-aniversário, em abril de 2020, aproximadamente 37 milhões de trabalhadores aderiram à modalidade, movimentando R$ 141,9 bilhões até dezembro de 2024. De acordo com a CBIC, caso esses recursos tivessem sido investidos na construção civil, teriam viabilizado 2 milhões de moradias e gerado cerca de 6 milhões de empregos.

“A habitação tira da precariedade milhões de famílias que precisam da casa própria. O FGTS é um fundo estruturante para o país, e seu uso deve ser preservado para finalidades que garantam segurança ao trabalhador e desenvolvimento ao Brasil”, pontua a entidade.

A CBIC tem levado essa preocupação a diferentes instâncias do Executivo e do Legislativo, destacando que o FGTS foi criado para garantir proteção ao trabalhador em momentos de vulnerabilidade, além de fomentar investimentos estruturantes. Para a entidade, medidas que direcionam os recursos para consumo imediato podem comprometer o equilíbrio financeiro do fundo e limitar sua capacidade de financiar habitação e infraestrutura.

Com a nova MP, o debate sobre o futuro do FGTS e sua utilização ganha ainda mais relevância. Enquanto o governo defende a flexibilização dos saques como uma forma de dar mais autonomia ao trabalhador, o setor da construção civil alerta para os riscos de fragilizar uma das principais fontes de financiamento da moradia no Brasil.

Já segundo o advogado trabalhista Eduardo Calixto, do escritório Strozzi. Daguer e Calixto, mais de 10 milhões de brasileiros serão contemplados com essa mudança no saque do FGTS.

“Nesta primeira etapa o pagamento será de até R$ 3 mil. O restante do valor, caso o trabalhador tenha, será disponibilizado na segunda etapa, que acontece 110 dias após a publicação da Medida Provisória”, explicou o especialista.

A medida tem como objetivo aquecer a economia nesta momento de crise econômica, movimentando o consumo. “As pessoas que aderirem ao saque depois da publicação da Medida continuam impedidos de sacar o valor total, caso a demissão seja sem justa causa”, afirmou.

Os pagamentos iniciam nos dias 6, 7 e 10 de março. A segunda parcela será paga a partir de 17, 18 e 20 de junho. Segundo o Governo Federal, desde 2020, o saque-aniversário retirou R$ 142 bilhões do FGTS.

FERROVIÁRIO

Grandes Construções - SP   06/03/2025

A economia, o desenvolvimento e a infraestrutura do Brasil ganham um novo impulso.

A partir de agora, o trecho de Açailândia (MA) a Barcarena (PA), continuação do Tramo Norte da Ferrovia Norte-Sul (FNS), está qualificado no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal.

Ou seja, o empreendimento poderá receber investimentos público e privado.

O trecho compreende a ligação entre Açailândia e o Porto de Vila do Conde, em Barcarena, totalizando cerca de 477 quilômetros de extensão. O Decreto nº 12.384/2025, que qualifica o segmento no PPI, foi publicado no Diário Oficial da União em 19 de fevereiro.

A qualificação abre caminho para a modernização e expansão do setor ferroviário nacional, impulsionando a economia e trazendo novas oportunidades para a região.

Com essa nova estrutura, espera-se um aumento na competitividade do país, tornando o transporte ferroviário de minério de ferro mais eficiente, bem como viabilizar nova alternativa para o escoamento da produção de açúcar, milho, etanol, soja e seus subprodutos farelo e óleo na área de influência da ferrovia.

Segundo o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, a medida é uma decisão estratégica do Governo Federal, voltada à expansão do transporte ferroviário no país.

“O escoamento da produção na região não pode depender somente da Estrada de Ferro Carajás. Precisamos ter uma solução logística alternativa para evitar a saturação no escoamento das cargas pelos portos do Arco Norte”, afirma.

Renovação – Ribeiro informa que o projeto está incorporado ao Plano Nacional de Ferrovias com uma abordagem renovada. Serão promovidos aprimoramentos nos aspectos de política pública, segurança jurídica e regulamentação, o que tornará o investimento mais atrativo e viável para a iniciativa privada.

“Essas mudanças trazem incentivos essenciais para viabilizar sua implantação. Assim, com uma nova estrutura regulatória e o suporte governamental, o projeto se torna mais atrativo para investidores e mais factível do ponto de vista econômico”, ressalta o secretário nacional de Transporte Ferroviário.

Além disso, a implantação do trecho deve gerar milhares de empregos diretos e indiretos, movimentando a economia local e proporcionando novas perspectivas para trabalhadores, empresas e comunidades ao longo da ferrovia.

“O impacto positivo se estenderá não apenas à logística e infraestrutura, mas também ao desenvolvimento social das cidades situadas ao longo do trajeto, que podem se transformar em polos de desenvolvimento, com a chegada de novas empresas, aumento da demanda por serviços e infraestrutura e fortalecimento da economia local”, finaliza.

NAVAL

Monitor Digital - RJ   06/03/2025

O presidente Donald Trump, em seu primeiro discurso, neste mandato, em uma sessão conjunta do Congresso norte-americano, colocou expressamente como meta do seu novo mandato o compromisso em proteger e incentivar a indústria de construção naval local: “Estou anunciando esta noite que criaremos um novo departamento de construção naval na Casa Branca e ofereceremos incentivos fiscais especiais para trazer esta indústria para a América, à qual ela pertence.”

“Esse claro e contundente posicionamento é uma evidência clara para aqueles que, no Brasil, ainda questionam as políticas públicas de apoio à indústria de construção naval local, como Conteúdo Local Mínimo, Depreciação Acelerada, Fundo de Marinha Mercante e regras mínimas de incentivo à cabotagem por empresas brasileiras; aliás, são incentivos muito aquém aos que os EUA já praticam atualmente, veja o Jones Act”, alerta Wagner Victer, que foi secretário de Energia e Indústria Naval do Rio de Janeiro.

Trump enxerga a indústria naval não só como importante para seu projeto de reindustrialização dos EUA, mas como de importância estratégica fundamental para a segurança nacional. “Que o discurso de ontem (4) sirva de reflexão para que não sejamos tão protecionistas quanto eles, mas que não sejamos ‘bobos’ na definição de políticas públicas”, acrescenta Victer.

A recuperação da indústria naval é uma das prioridades do governo Lula. Em fevereiro de 2025, a Petrobras lançou uma licitação para a compra de oito navios gaseiros. É a segunda do Programa de Renovação e Ampliação de Frota. Em julho de 2024, foi lançada licitação para aquisição de quatro navios da classe handy; o contrato, com valor de US$ 69,5 milhões por embarcação, foi assinado no final do mês passado.

Na ocasião, o presidente Lula defendeu o fortalecimento da indústria naval brasileira, com a utilização de conteúdo local na fabricação de embarcações. “O Brasil, 95% do nosso transporte de exportação vai de navio. O Brasil é o maior país da América do Sul. Por que a gente não tem uma indústria naval poderosa? Por que a gente tem que comprar navio da Coreia, de Singapura, da China?”, questionou.

A política anunciada por Trump em seu discurso no Congresso levanta também questões sobre segurança nacional, já que a construção naval impacta construção de navios para transporte comercial e plataformas para produção de óleo e gás. Há seis anos, o Sindicato da Indústria da Construção Naval (Sinaval) citou o caso da plataforma FPSO P-67 que, após chegar da China em julho de 2018, teve de passar por reparos na Baía de Guanabara antes de entrar em serviço. O Sindicato alega que o prejuízo com o adiamento da produção de petróleo em mais de seis meses por essa plataforma nunca foi divulgado.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   06/03/2025

O aumento da oferta mundial de petróleo em 2025, especialmente com a retomada gradual do padrão das exportações da Rússia a partir do segundo trimestre, e menor ritmo da demanda global pela commodity, causado pela imposição de tarifas de produtos importados pelos EUA, devem derrubar o preço do barril do Brent neste ano.

Na segunda-feira, 3, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Países Aliados (Opep+) decidiu aumentar a produção da commodity a partir de abril, citando como justificativa para a decisão “os fundamentos de mercado saudáveis”. Em nota, a Opep+ afirmou também que “o aumento gradual pode ser pausado ou revertido” se isso for necessário.

O grupo disse que aumentaria a produção em 2,2 milhões de barris por dia, ou cerca de 2% da demanda global, até 2026. Isso seria uma boa notícia para os consumidores, que geralmente se beneficiam quando a energia custa menos, mas reduziria os lucros dos produtores de petróleo e dos países e Estados onde eles operam.

A decisão teve efeito imediato no mercado e os preços atingiram o nível mais baixo do ano nos EUA: US$ 68,37 por barril na segunda-feira, queda de 2%. Uma ótima notícia para Donald Trump, que vinha pressionando por reduções no preço da commodity. A esse valor, em geral, é lucrativo perfurar novos poços nos Estados Unidos, que produzem mais petróleo do que qualquer outro país. Muitos outros poços deixam de ser lucrativos quando o petróleo é vendido a US$ 60 por barril ou menos.

Para Kim Fustier, chefe de pesquisas na Europa para petróleo e gás do HSBC, a média da cotação do barril do Brent será de US$ 70 no quarto trimestre. A redução ocorrerá pelo aumento da produção mundial de petróleo de 102,6 milhões de barris por dia em 2024 para 103,9 milhões de barris por dia neste ano. Enquanto isso, a demanda global avançará em menor velocidade no período, de 102,8 milhões de barris por dia para 103,8 milhões de barris por dia.

A adoção de tarifas a importados pelos EUA pode provocar uma desaceleração do nível de atividade em vários países e reduzir a demanda mundial por petróleo. “Há um grande risco de ocorrerem guerras comerciais. Tarifas gerais podem atingir o crescimento global, o comércio internacional e a demanda pela commodity”, disse Eric Lee, estrategista global de energia do Citi. O banco estima que o Produto Interno Bruto (PIB) americano reduzirá de uma alta de 2,8% em 2024 para 1,5% neste ano.

“O setor de energia dos Estados Unidos pode ser afetado por tarifas ao aço importado, um custo importante à indústria americana de petróleo e gás natural, o que poderá aumentar os preços de derivados aos consumidores do país”. Ele estima que a cotação média do barril do Brent baixará de US$ 68 no segundo trimestre para US$ 60 entre outubro e dezembro.

O governo americano já adotou tarifas de 20% sobre importados da China. Taxas de 25% sobre aço exportado por diversos países aos EUA começarão a valer em março e o presidente Donald Trump planeja implementar uma alíquota ao redor de 25% sobre automóveis fabricados no exterior, que poderão ser aplicadas no início de abril.

Essa política na área do comércio tem impactos diretos na produção industrial da Europa e China e terá efeitos na demanda global de diesel e gasolina, destacou Joel Hancock, analista de petróleo do banco Natixis. “A menor atividade das fábricas nesses mercados atingirá a renda real dos consumidores, o que diminuirá suas compras de gasolina.”

As tarifas a importados poderão elevar a inflação nos EUA e reduzir a aquisição de derivados de petróleo pelos seus cidadãos, destaca Hancock. “O consumo de gasolina no país representa 10% de toda demanda global de petróleo. Qualquer grande impacto nesse mercado pode ter efeitos sobre a tendência da demanda mundial do petróleo”, disse.

Para o Natixis, o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) terá uma pequena redução neste ano, passando de 2,9% em 2024 para 2,6%. Isso deve levar o Fed a cortar os juros somente em setembro e dezembro.

A tendência de menor demanda global do petróleo ante a oferta mundial neste ano também ocorre com as dificuldades econômicas da China, que poderão ser agravadas pela adoção de tarifas pelos EUA às suas exportações. “As tarifas causam incertezas, especialmente para investimentos em novas fábricas na China, que ficaram mais arriscados agora e podem ser o fator de maior repercussão negativa à sua economia no curto prazo”, comentou Jim Burkhard, vice-presidente da S&P Global Commodity Insights.

 

Petro Notícias - SP   06/03/2025

A presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, anunciou hoje (5) que o FPSO Alexandre de Gusmão já está em águas brasileiras. A unidade está indo rumo ao campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, onde deve começar a produzir ainda neste ano.

O navio foi construído na China e iniciou sua viagem rumo ao Brasil em dezembro do ano passado. O FPSO foi afretado pela Petrobrás junto à SBM E tem capacidade de produzir diariamente 180 mil barris de óleo.

A nova plataforma elevará em 31% a atual capacidade de produção instalada em Mero, para 770 mil barris diários. O campo está localizado em águas ultraprofundas da Bacia de Santos (profundidade de água de 2.100 metros), a 180 km da costa do estado do Rio de Janeiro.

Já há quatro FPSOs produzindo em Mero: Pioneiro de Libra, Guanabara, Sepetiba e Marechal Duque de Caxias. O FPSO Alexandre de Gusmão é a 5ª unidade prevista para instalação no campo.

Infomoney - SP   06/03/2025

As ações de petroleiras da B3 registraram forte queda nesta quarta-feira (5) na volta do Carnaval, seguindo as baixas da commodity. Os papéis ON da Petrobras (PETR3) caíram 4,61% (R$ 37,25) e os PNs (PETR4) tiveram baixa de 3,65%, a R$ 34,62; Brava Energia (BRAV3) teve queda ainda maior, de 8,27%, a R$ 16,52. PRIO (PRIO3) teve perda menos expressiva, com queda de 2,10% (R$ 37,37), isso também após o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) conceder a licença de perfuração para o campo de Wahoo.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato de petróleo WTI para abril fechou em queda de 2,85% (US$ 1,95), a US$ 66,31 o barril, enquanto o Brent para maio, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 2,44% (US$ 1,74), a US$ 69,30 o barril.

Os preços do petróleo caíram pelo terceiro dia nesta quarta, com os investidores preocupados em relação aos planos da Opep+ de prosseguir com os aumentos de produção em abril, e às tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre Canadá, China e México, que aumentaram as tensões comerciais.
Os contratos foram negociados na véspera perto das mínimas de vários meses, pressionados pelas expectativas de que as tarifas dos EUA e as respostas tarifárias dos países afetados desacelerarão o crescimento econômico e reduzirão a demanda por combustíveis.

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“A imposição de tarifas sobre China, Canadá e México pelos EUA provocou represálias rápidas de cada país, o que aumentou as preocupações com a desaceleração do crescimento econômico e o consequente impacto sobre a demanda de energia”, disse Ashley Kelty, analista da Panmure Liberum.

O Canadá e a China retaliaram imediatamente as tarifas de Trump na terça-feira, enquanto a presidente mexicana Claudia Sheinbaum disse que o país ainda responderia, sem dar detalhes.

Enquanto isso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+), incluindo a Rússia, decidiram na segunda-feira aumentar a produção pela primeira vez desde 2022, pressionando ainda mais os preços do petróleo.

O grupo fará um pequeno aumento de 138.000 barris por dia (bpd) a partir de abril, a primeira etapa de aumentos mensais planejados para desfazer seus quase 6 milhões de bpd de cortes, o equivalente a quase 6% da demanda global.

Ainda em destaque para a baixa, os estoques de petróleo nos Estados Unidos tiveram alta de 3,614 milhões de barris, a 433,77 milhões de barris na semana passada, informou o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) do país. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam alta muito menor, de 200 mil barris.

Os estoques de gasolina tiveram queda de 1,433 milhões de barris, a 246,83 milhões de barris, enquanto a projeção era de queda menor, de 500 mil barris. Já os de destilados recuaram 1,318 milhões de barris, a 119,15 milhões de barris, quando a previsão era de alta de 500 mil barris.

TN Petróleo - RJ   06/03/2025

Sergipe deu mais um passo importante no processo de abertura do mercado de gás natural, a partir de propostas para ajustes no contrato entre a empresa concessionária SERGAS e o estado visando reduzir os custos para os consumidores e ampliar a distribuição. Em nota técnica (012/2024), a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Sergipe (AGRESE) apresentou propostas que devem gerar benefícios diretos, como tarifas mais competitivas para indústrias, comércios, motoristas de GNV e consumidores residenciais; ambiente regulatório mais claro e previsível com estímulo a novos investidores; ampliação da rede de distribuição levando o gás natural a mais regiões do do estado e o fortalecimento do gás natural como alternativa energética limpa e eficiente.

"Essas propostas representam um marco para a modernização do setor de distribuição de gás natural no estado, que possui atualmente a regulação mais avançada do país em termos de abertura de mercado livre de gás natural", destacou Sylvie D´Apote (foto), diretora executiva de gás natural do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). "Sergipe entendeu que para utilizar o gás natural como instrumento para desenvolvimento econômico, é preciso enxergar a cadeia como um todo, trazendo competitividade ao custo final pago pelo consumidor. As propostas da AGRESE ressaltam mudanças centrais e necessárias para reduzir o custo da distribuição de gás", afirmou Adrianno Lorenzon, diretor de Gás Natural da ABRACE Energia, associação que representa os grandes consumidores de energia elétrica e gás natural. "Além de novos benefícios para os consumidores de Sergipe, este exemplo de revisão de contrato, além de corrigir distorções e estimular novos investimentos, reforça o papel de Sergipe como estrela-guia do mercado de gás brasileiro, inspirando outros estados", completou Marcio Felix, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP). Juntas, as entidades reconheceram o empenho de Sergipe para garantir mais competitividade, transparência e a atração de novos investimentos.

O documento é fruto de análises técnicas detalhadas e das contribuições da Audiência Pública nº 001/2024, realizada em julho do ano passado, mostrando o compromisso da Agência com a transparência e o equilíbrio regulatório.

Principais propostas
1. Revisão da Taxa de Retorno da Concessionária
Atualmente, a concessionária recebe uma remuneração fixa de 20% sobre os investimentos. Essa remuneração, estabelecida nos anos 90, quando o contrato foi assinado (11 de março de 1994), não reflete as atuais condições do mercado e representa um modelo ultrapassado de remuneração das concessões de serviços públicos. A proposta da AGRESE é substituir esse modelo pelo WACC (acrônimo que significa em Português "Custo Médio Ponderado de Capital"). Esse modelo, muito utilizado em outros setores e já adotado nos contratos de concessão das distribuidoras de gás canalizado do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Espírito Santo, visa ajustar a taxa de retorno do concessionário ao risco do setor, com revisões a cada 4 ou 5 anos, o que garante o equilíbrio econômico-financeiro do concessionário, mas ao mesmo tempo permite que os ganhos de eficiência sejam repassados ao consumidor final.

2. Eficiência na Gestão de Custos Operacionais
No contrato de concessão atual não é apenas o custo do capital que é remunerado em 20% ao ano. Essa mesma remuneração fixa de 20% incide sobre as despesas operacionais da concessionária, o que pode gerar incentivos à ineficiência. A Nota Técnica sugere eliminar a remuneração fixa sobre as despesas, estimulando a concessionária a buscar melhores práticas e reduzir custos para os consumidores.

3. Modernização do Cálculo Tarifário
A proposta dá mais transparência na separação dos custos de distribuição e comercialização, garantindo previsibilidade para consumidores e investidores e evitando distorções tarifárias.

4. Reavaliação dos Critérios de Depreciação
O contrato atual estabelece um prazo fixo de 10 anos para a depreciação dos ativos, independentemente de sua vida útil. A proposta da AGRESE pretende calcular a depreciação com base na real durabilidade dos equipamentos, em linha com as práticas mais modernas, o que teria o efeito de reduzir custos desnecessários nas tarifas.

5. Ajuste na Base de Cálculo Tarifário
No contrato atual, apenas 80% do volume projetado de gás é considerado para o cálculo tarifário, o que encarece desnecessariamente as tarifas. A proposta prevê que 100% do volume previsto seja usado no cálculo tarifário, tornando o sistema mais justo e reduzindo os custos para os consumidores.

6. Fortalecimento da Autonomia da AGRESE
A independência da Agência é essencial para garantir uma regulação equilibrada e transparente, protegendo os interesses dos consumidores, do Estado e da concessionária.

Money Times - SP   06/03/2025

Os preços do petróleo registraram uma forte queda em meio a expectativa de aumento de produção do óleo pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) e as negociações de um acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia, mediado pelos Estados Unidos.

Nesta quarta-feira (5), os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para abril, caíram 2,44%, a US$ 69,30 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para março recuaram 2,85%, a US$ 66,31 o barril, em New York Mercantile Exchange (Nymex).

O que mexeu com o petróleo hoje?

Hoje (5), o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky afirmou que está pronto para trabalhar “sob a forte liderança de Trump” para um possível acordo de paz com a Rússia.

“Hoje nossas equipes ucraniana e norte-americana começaram a trabalhar em uma reunião”, disse Zelensky em tradicional discurso noturno. “Há um movimento positivo. Esperamos obter os primeiros resultados na próxima semana.”

As falas apontaram para um possível alívio entre as tensões entre Zelensky e Trump, cerca de uma semana após a discussão entre as autoridades no Salão Oval da Casa Branca, e proximidade de um fim da guerra.

Além disso, os estoques de petróleo dos Estados Unidos aumentaram mais do que o esperado na semana passada e puxaram os preços do petróleo.

Os estoques de petróleo aumentaram em 3,6 milhões de barris, para 433,8 milhões de barris na semana, de acordo com dados do Departamento de Energia do país (AIE, na sigla em inglês). Os analistas consultados pela Reuters esperavam um aumento de 341.000 barris.

A forte queda foi limitada por falas do chefe do Departamento de Comércio norte-americano, Howard Lutnick. Ele disse Trump tomaria a decisão final sobre a concessão de qualquer alívio nas tarifas para determinados setores, na Bloomberg TV.

Embora Lutnick tenha dito que a tarifa de 25% cobrada sobre o Canadá e o México permaneceria, o alívio em consideração eliminaria a tarifa de 10% sobre as importações canadenses de energia, como petróleo e gasolina, que cumprem as regras de origem do Acordo EUA-México-Canadá, disse uma fonte familiarizada com as discussões.

RODOVIÁRIO

Globo Online - RJ   06/03/2025

Técnicos costumam dizer que nenhuma ponte cai de repente. Há avisos. Se houver vistorias periódicas, sempre será possível repará-las ou, no mínimo, interditá-las para salvar vidas. Como não houve nem uma coisa nem outra, o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek, sobre o Rio Tocantins, em dezembro, deixou 14 mortos e três desaparecidos. Os números sugerem que haverá outros casos assim se ninguém tomar providências. Há 736 pontes em estado crítico ou ruim no Brasil, de acordo com os dados oficiais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) revelados pelo GLOBO.

As estatísticas do Panorama Geral das Pontes Brasileiras sugerem que os riscos podem ser ainda maiores. Das 113.168 pontes existentes no país, apenas 12.142 passaram por alguma inspeção, e as condições de 1.039 foram classificadas como críticas ou ruins. Do total, 42 mil (37%) têm mais de 50 anos. É um percentual elevado e preocupante, pois todas elas exigem cuidados especiais para continuar funcionando sem risco. Há poucos dias, o Dnit fechou a Ponte dos Índios, sobre o Rio Pindaré, entre as cidades de Santa Inês e Bom Jardim, no Maranhão. A medida foi tomada depois que indígenas advertiram que a corrosão fez cair parte da estrutura embaixo do vão central.

A interdição infelizmente é uma exceção. Não se conhecem as condições de mais de 100 mil pontes, ou quase 90%, a maioria de responsabilidade de estados e municípios, de acordo com Ademir Santos, professor aposentado de pontes e estruturas de concreto da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A estrutura de vistoria e fiscalização é precária ou mesmo inexistente, segundo constatou estudo sobre o assunto apresentado em outubro por Santos e dois coautores no 65º Congresso Brasileiro do Concreto.

O Programa de Manutenção e Reabilitação de Estruturas do Dnit estima gastos de R$ 5,83 bilhões em 816 obras. Como não parece haver sentido de urgência, as autoridades ainda esperam resposta do setor de engenharia e construção sobre a capacidade de atender à demanda. Para evitar tragédias, seria necessário investir bem mais em infraestrutura de transporte. Em 2023, os investimentos ficaram em 0,56% do PIB, segundo estudo da MC2R Inteligência Estratégica. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) calculou, no mesmo ano, que o país precisaria investir 2,26% do PIB apenas para cobrir a depreciação dos ativos públicos de transportes.

Por 25 anos, o Brasil tem investido menos de 1% do PIB no setor, enquanto China, Rússia,Índia, Coreia do Sul, Vietnã, Chile e Colômbia despendem em média 3,4%. Tais números comprovam mais uma vez a necessidade de promover concessões de rodovias ao setor privado. Nem todas as estradas serão viáveis sob a administração privada, por isso o poder público precisará continuar a mantê-las. Justamente para manter o foco nessas e contribuir para preservar vidas, é preciso acelerar a privatização das demais.

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