Clipping Diário

07 | Março | 2025

SIDERURGIA

IstoÉ Dinheiro - SP   07/03/2025

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, conversou por quase uma hora nesta quinta-feira, 6, com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick. A reunião que ocorreu no fim da tarde por videoconferência e também contou com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O contato do vice-presidente aconteceu enquanto o Brasil busca negociar com os americanos uma forma de escapar da sobretaxa que os EUA querem cobrar do aço importado, o que irá afetar as vendas brasileiras para o país.

Alckmin se cercou de auxiliares do Mdic e do Itamaraty para conversar com Lutnick e Greer. Segundo apurou o Broadcast, estavam presentes o número 2 do ministro, Márcio Elias Rosa, a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, a secretária da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Marcela Carvalho, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira, o diretor do Departamento de Política Comercial do Itamaraty, Fernando Pimentel, e o Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros da pasta, Maurício Lyrio.

Na terça-feira, 4, Donald Trump reforçou seu plano de impor tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio que chegam de fora aos Estados Unidos. Aqui, por sua vez, o setor siderúrgico aposta na função estratégica que o aço brasileiro exportado exerce na indústria americana para manter o acordo de 2018. Por ele, o Brasil pode exportar anualmente 3,5 milhões de toneladas de aço semiacabado e 687 mil toneladas de laminados aos EUA, arranjo que evitou a sobretaxa anunciada pelo republicano em seu primeiro mandato.

Alckmin tem defendido a manutenção dessas cotas e uma saída negociada com os Estados Unidos. O ministro argumenta que o Brasil não é um problema para os americanos, uma vez que a balança comercial entre os dois países é superavitária para o lado dos EUA.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   07/03/2025

O presidente Donald Trump impôs novas tarifas sobre produtos importados do México, Canadá e China, arriscando criar uma guerra comercial prejudicial. Os três países são responsáveis por mais de um terço dos produtos trazidos para os Estados Unidos.

Os Estados Unidos não tinham visto tantas tarifas em quase 100 anos, quando a Lei de Tarifas Smoot-Hawley ajudou a aprofundar a Grande Depressão, segundo historiadores.

Trump argumenta que as tarifas podem ajudar as fábricas dos EUA e aumentar a receita do governo. Mas suas ações recentes também abalaram as relações diplomáticas com os maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos, fizeram os mercados despencarem e provocaram retaliações aos produtos americanos.

O que são tarifas? Como elas funcionam? E quem realmente paga por elas? As respostas nem sempre são simples ou óbvias e exigem a compreensão de como funcionam a manufatura, o comércio e as cadeias de suprimentos.

O que são tarifas e como elas funcionam?

Uma tarifa é uma sobretaxa do governo sobre produtos importados de outros países.

Entender as tarifas significa entender como funcionam a fabricação, o comércio e as cadeias de suprimentos - e como os custos aumentam ao longo do caminho.

Veja os calçados, por exemplo:

Quase todos os calçados vendidos nas lojas americanas são provenientes de outros países, sendo que as importações recentemente representaram mais de 95% do mercado. Para os Estados Unidos, a China continua sendo a fonte dominante, produzindo mais da metade de todas as importações de calçados.

O processo de produção começa nas fábricas chinesas, onde os trabalhadores montam os tênis.

Quando o produto chega a um porto dos EUA, a empresa importadora normalmente trabalha com um despachante aduaneiro licenciado para lidar com os pagamentos de tarifas à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. Um par de tênis típico da China já tinha uma tarifa de 20%. Desde que assumiu o cargo, Trump impôs uma tarifa adicional de 20%.
Quem paga as tarifas?

As tarifas são pagas diretamente pelas empresas que importam mercadorias para um país. Por exemplo, os governos da China, do México e do Canadá não pagariam nada ao governo dos EUA com as novas tarifas de Trump.

O custo das tarifas pode ser repassado dependendo da reação das empresas e dos países. Quando Trump impôs tarifas sobre a China durante seu primeiro mandato, por exemplo, estudos econômicos constataram que as empresas repassaram a maior parte dos custos das tarifas para os consumidores americanos.

De forma mais ampla, a maioria dos especialistas em política comercial concorda que a economia americana provavelmente arcará com o custo das tarifas adicionais de Trump. Isso pode ocorrer de várias maneiras:
Para compensar os custos mais altos de importação, os varejistas geralmente aumentam os preços, repassando o ônus para os consumidores. Como resultado, os consumidores pagam efetivamente por grande parte da tarifa.As empresas e os fabricantes americanos que usam materiais importados também enfrentam custos mais altos, reduzindo suas margens de lucro, a menos que repassem o custo para seus clientes.A imposição de tarifas sobre as importações também pode aumentar o valor do dólar americano. Isso compensa parte do impacto das tarifas, mas também torna as exportações americanas mais caras e menos competitivas. Como resultado, os exportadores dos EUA podem ser prejudicados.

As tarifas também podem afetar empresas e governos estrangeiros. Os fabricantes estrangeiros podem, às vezes, reduzir seus preços e aceitar lucros menores.

Como alternativa, o governo alvo pode instituir uma redução de impostos para ajudar a compensar a carga tarifária. Isso ocorreu na China, por exemplo, durante a guerra comercial com os Estados Unidos em 2018.

Outra opção é que o governo estrangeiro desvalorize sua moeda para compensar o impacto da tarifa, como a China já fez antes.
Qual é a situação das tarifas atuais de Trump?

Na terça-feira, novas tarifas sobre produtos importados do México, Canadá e China entraram em vigor, de acordo com ordens executivas emitidas pelo governo Trump.

Todos os produtos provenientes da China estão sujeitos a uma tarifa adicional de 20%, além das tarifas preexistentes, como as que Trump impôs à China em seu primeiro mandato.Todos os produtos importados do México e a maioria dos produtos do Canadá estão sujeitos a tarifas de 25%. Originalmente, essas tarifas deveriam entrar em vigor no início de fevereiro, mas Trump as adiou por um mês.Os produtos energéticos canadenses estarão sujeitos a uma tarifa de 10%.O governo Trump disse na quarta-feira que daria às montadoras de automóveis que operam sob o acordo comercial norte-americano uma isenção de um mês das tarifas impostas a todos os produtos do Canadá e do México.
O que Trump está tentando realizar?

Trump descreveu as tarifas como uma ferramenta para todos os fins. Seu governo argumentou isso:

As tarifas sobre o Canadá, o México e a China são um instrumento para forçar os maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos a reprimir o fluxo de drogas e migrantes para os Estados Unidos.Os impostos pendentes sobre o aço, o alumínio e o cobre são uma forma de proteger os setores domésticos importantes para a defesa, enquanto os impostos sobre os automóveis sustentarão uma base crítica de manufatura.Um novo sistema de tarifas “recíprocas” é uma forma de impedir que os Estados Unidos sejam “roubados” pelo resto do mundo.

Ele também afirma que as tarifas imporão poucos ou nenhum custo aos Estados Unidos e arrecadarão enormes somas de receita que o governo poderá usar para pagar por cortes de impostos e gastos e até mesmo para equilibrar o orçamento federal.

Os especialistas em comércio ressaltam que as tarifas não podem atingir simultaneamente todos os objetivos expressos por Trump. Na verdade, muitos de seus objetivos se contradizem e prejudicam uns aos outros.

Por exemplo, se as tarifas de Trump estimularem as empresas a fabricar mais de seus produtos nos Estados Unidos, os consumidores americanos comprarão menos produtos importados. Como resultado, as tarifas gerariam menos receita para o governo.

“Todas essas tarifas são internamente inconsistentes umas com as outras”, disse Chad Bown, membro sênior do Peterson Institute for International Economics, um think tank de Washington. “Então, qual é a prioridade real? Porque não é possível que todas essas coisas aconteçam ao mesmo tempo.”
Como os outros países reagiram?

Momentos após a entrada em vigor das tarifas de Trump, o Ministério das Finanças da China impôs tarifas de 15% sobre as importações de frango, trigo, milho e algodão dos Estados Unidos e tarifas de 10% sobre as importações de outros produtos agrícolas. O Canadá impôs tarifas de 25% sobre mercadorias no valor de US$ 20,5 bilhões.

“Este é o momento de revidar com força e demonstrar que uma briga com o Canadá não terá vencedores”, disse o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau.

“Você é um cara muito inteligente”, disse ele, dirigindo-se a Trump. “Mas isso é uma coisa muito idiota de se fazer.”

A medida de Trump acendeu um sentimento de ansiedade econômica e raiva entre os canadenses sobre como estão sendo tratados por seu vizinho, aliado e melhor cliente. A maioria ainda está intrigada com as motivações e os objetivos de Trump para as tarifas, bem como com seus comentários sobre anexar o Canadá como o 51º Estado.

O México fez um grande esforço para se defender das tarifas, concordando em enviar mais de duas dúzias de supostos líderes de cartéis para serem julgados nos Estados Unidos e enviando tropas para laboratórios de fentanil e para a fronteira com os EUA. Apesar de tudo isso, as tarifas foram aplicadas após a meia-noite de terça-feira.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse que seu governo tinha uma ligação com Trump agendada para quinta-feira e que, se as tarifas continuassem em vigor, o México anunciaria contramedidas, incluindo tarifas retaliatórias, no domingo.

“Não queremos entrar em uma guerra comercial”, disse ela. “Isso só afeta as pessoas”.

Espera-se que as tarifas retaliatórias da China, Canadá e México prejudiquem os agricultores, fabricantes e outros exportadores americanos.
Qual será o impacto sobre os preços ao consumidor?

As tarifas de Trump têm como alvo países que são grandes fornecedores de uma ampla variedade de produtos para os Estados Unidos.

Para as famílias americanas, o resultado provável é o aumento dos preços nos corredores dos supermercados, nas concessionárias de automóveis, nas lojas de eletrônicos e na bomba de combustível.

(O governo Trump disse na quarta-feira que permitiria que as montadoras de automóveis escapassem das tarifas impostas a todos os produtos do Canadá e do México por um mês).

Os produtos frescos, muitos dos quais são importados do México, são uma das primeiras categorias em que os compradores podem notar um aumento nos preços. Isso pode acontecer dentro de algumas semanas para abacates, tomates e morangos mexicanos, entre outros produtos.

Os aumentos de preços também estão prontos para atingir os corredores de bebidas, especialmente cerveja e tequila. Em 2023, quase três quartos das importações agrícolas dos EUA provenientes do México consistiam em vegetais, frutas, bebidas e destilados, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.

Pode levar mais tempo para que os preços dos bens duráveis, como carros, subam graças ao estoque existente ou se as empresas esperam que as tarifas sejam temporárias.

Trump argumentou que os aumentos de preços serão mínimos em comparação com outros benefícios econômicos. Em um discurso ao Congresso na terça-feira, o presidente disse: “Haverá um pequeno distúrbio, mas estamos bem com isso. Não será muito”.
O problema com as tarifas de automóveis: O que é uma importação?

Nas últimas três décadas, desde que a zona de livre comércio da América do Norte foi criada em 1994, os fabricantes de automóveis construíram cadeias de suprimentos que cruzam as fronteiras dos Estados Unidos, Canadá e México.

Os fabricantes obtêm economias de escala construindo fábricas de motores e transmissões grandes o suficiente para abastecer várias fábricas de veículos na América do Norte. Pensamento semelhante também funciona para outras peças - assentos, painéis de instrumentos, componentes eletrônicos, eixos.

Por exemplo, o Chevrolet Blazer 2024, um popular veículo utilitário esportivo fabricado pela General Motors, é montado em uma fábrica no México usando motores e transmissões produzidos nos Estados Unidos.

A Nissan fabrica seu sedã Altima no Tennessee e no Mississippi; a versão turbinada do carro tem um motor de dois litros que vem do Japão e uma transmissão feita em uma fábrica no Canadá.

A ameaça de tarifas preocupa os fabricantes de automóveis. “Vamos ser honestos”, disse o CEO da Ford Motor, Jim Farley, em uma conferência com investidores em fevereiro. “A longo prazo, uma tarifa de 25% sobre as fronteiras do México e do Canadá abriria um buraco no setor dos EUA como nunca vimos.”

Globo Online - RJ   07/03/2025

A economia brasileira acelerou no ano passado, após uma alta de 3% em 2023. Com o desemprego na mínima histórica, mais recursos na mão das famílias e um ambiente favorável aos negócios, o consumo das famílias e os investimentos das empresas ditaram o tom do crescimento.

Agentes econômicos ouvidos pelo GLOBO estimam uma alta de 3,5% em 2024, a serem confirmados pelo IBGE às 9h desta sexta-feira. A expectativa, contudo, é de uma perda de fôlego em 2025, num cenário que engloba taxas de juros mais elevadas e incertezas no cenário internacional.

Segundo a projeção do Monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a economia brasileira avançou 3,5% em 2024 frente o ano anterior. Enquanto o desempenho da economia em 2023 foi bastante influenciado pela safra recorde da agropecuária, o crescimento observado em 2024 foi mais disseminado, explica Claudio Considera, coordenador de Contas Nacionais do FGV Ibre.

— A agropecuária ter caído não foi o problema porque ela continuou com uma super safra e arrastou serviços complementares, inclusive a própria indústria de transformação. E todos os setores (da economia) cresceram. A indústria extrativa cresceu, assim como o comércio, os transportes, os serviços - desde os de informação até outros serviços, com a parte de alimentação fora de casa. Foi um ano bom de crescimento — resume ele.

Investimento e consumo são motores

Já pela ótica da demanda, os investimentos e o consumo das famílias foram os grandes motores do PIB, lembra Considera. A FGV estima que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBPC, indicador que reúne construção e investimentos) se recuperou da retração de 2023 e cresceu 7,6% no ano passado.

— Grande parte da formação bruta de capital fixo veio de equipamentos, e não da construção. Uma parte boa foi equipamentos importados. Ou seja, eles (os empresários) trouxeram tecnologia mais avançada para o país — explica o economista.

Destaque para gastos das famílias

Natalia Cotarelli, economista do Itaú Unibanco, concorda com a análise de Considera. Ela também trabalha com a estimativa de alta de 3,5% do PIB no banco, com um crescimento puxado, principalmente, pela demanda interna, diz:

— Pela ótica da oferta, destaque positivo para o comércio e serviços prestados às famílias. Na ótica da demanda, destaque fica por conta do consumo das famílias, que pelas nossas contas subiu 5,2% no ano passado — acrescenta.

A projeção de 5,2% de alta para o consumo das famílias do Itaú Unibanco é a mesma do Monitor do PIB, da FGV. Segundo Considera, o desemprego no menor nível histórico e o aumento das transferências de renda do governo deram impulso ao consumo. O desempenho foi mais forte na primeira metade do ano, quando o câmbio, os juros e o crédito apresentavam condições mais favoráveis.

— O consumo de produtos elementares e não duráveis cresceu mais do que o de duráveis, e isso tem a ver com as transferências do governo. O fato de o desemprego ter reduzido também significou mais dinheiro na mão das famílias. No início de 2024, o câmbio ajudou o consumo. Mas, no segundo semestre, o dólar e os juros foram aumentando, o que prejudicou o consumo de bens duráveis — explica ele.

Atividade mais intensa que o previsto

Economista da XP, Rodolfo Margato, também projeta uma alta de 3,5% para o PIB do ano passado, com destaque para o forte crescimento da demanda interna impulsionando a atividade econômica. Segundo ele, o consumo das famílias avançou mais de 5%, os investimentos saltaram mais de 7% e o consumo do governo cresceu cerca de 2%.

— Esses três componentes formam a demanda doméstica, que teve uma performance mais forte do que o antecipado. A fotografia de 2024 tem muito a ver com essa força da demanda interna impulsionando o PIB total. Foi um ano, de fato, com atividade econômica mais intensa que o previsto — diz ele, que estima uma expansão no ano de 7% da renda disponível às famílias (que inclui rendimentos do trabalho, benefícios previdenciários e transferências do governo).

Perda de fôlego em 2025

O quarto trimestre, contudo, já dá sinais iniciais de uma desaceleração que deve se intensificar ao longo de 2025. Segundo Margato, da XP, o PIB da indústria ficou estável no quarto trimestre em relação ao trimestre anterior, após um período de crescimento acima do esperado.

A desaceleração já é evidente na indústria de transformação, na mineração e na construção civil. O setor de serviços também já mostrou moderação no fim do ano, embora de forma mais suave em comparação ao trimestre anterior. Ele prevê que essa desaceleração continuará em 2025 e projeta uma alta de apenas 2% para o PIB deste ano, influenciada pelo aperto da política monetária.

— Estamos falando de níveis de juros reais bem mais restritivos. Além de um aumento da inflação que diminui poder de compra das famílias. E uma série de incertezas no ambiente macroeconômico que acaba pesando na confiança dos empresários e consumidores, levando à postergação de decisão de investimentos e consumo.

Desaceleração do consumo

Considera, do FGV Ibre, espera um crescimento mais modesto do consumo das famílias, já que o desemprego tende a subir frente o ano passado. Os investimentos, por sua vez, podem ser impactados pelas incertezas econômicas, já que o empresariado tende a adotar uma postura mais cautelosa.

A demanda da China, por outro lado, deve oferecer algum alívio às exportações . Com uma meta de crescimento de 5% para 2025, o país asiático deve continuar comprando commodities brasileiras, como aço e minério de ferro, o que ajuda a sustentar o PIB nacional.

Agro em alta

A agropecuária também terá alta expressiva, com potencial para safra recorde, caso as projeções da Conab e do IBGE se confirmem. Ainda assim, 2025 será um ano cercado de incertezas ao crescimento, diz:

— Não sabemos o que vai acontecer, com as tarifas de Trump, guerra na Ucrânia, Gaza.. Fica difícil fazer previsões — diz Considera, que trabalha com alta entre 1,8% e 2% do PIB.

Natalia, do Itaú, estima que a economia tenha crescido 0,4% no quarto trimestre, após altas de 1,4% e 0,9% no segundo e terceiro trimestres. Segundo ela, dados de novembro e em especial de dezembro vieram mais fracos e confirmam a desaceleração da atividade doméstica no final do ano passado.

No primeiro trimestre deste ano, porém, a expectativa é de uma alta de 1,1% puxada pelo empurrão particular que o setor agropecuário deve oferecer. Isso somado ao reajuste do salário mínimo, que tende a estimular os gastos no início do ano. Mas a tendência é de desaceleração no segundo semestre:

— Esperamos que a economia desacelere em 2025 para uma alta de 2,2%, diante de um impulso fiscal menor (embora ainda positivo) e do maior aperto monetário.

O Estado de S.Paulo - SP   07/03/2025

O presidente americano, Donald Trump, citou o Brasil, na noite de terça-feira, 4, em discurso ao Congresso dos Estados Unidos, ao comentar a sua abordagem para a política tarifária. “Outros países usaram tarifas contra nós por décadas, e agora é a nossa vez de começar a usá-las contra eles. União Europeia, China, Brasil, Índia, México e Canadá e diversas outras nações cobram tarifas tremendamente mais altas do que cobramos deles”, disse.

No mesmo dia, começou a ser aplicada a taxação de 25% sobre itens do México e do Canadá, e de 20% sobre as mercadorias chinesas. Em seu discurso, Trump também afirmou que novas tarifas seriam aplicadas a partir do dia 2 de abril.

Então, se o Brasil não esteve na primeira linha da mira de Trump, ele pode aparecer na segunda rodada de aplicação de taxas mais altas e ainda ser alvo de tarifas recíprocas que o presidente dos EUA promete adotar para os parceiros comerciais.

Em relatório entregue ao Congresso na segunda-feira, 3, em que critica os efeitos da Organização Mundial do Comércio (OMC), o governo de Trump fez diversas menções ao Brasil e a pedidos de retaliação do País contra os Estados Unidos.

Para entender um dos pontos da discórdia, é preciso compreender o conceito de tarifa consolidada média: a taxa máxima de importação que um país pode aplicar legalmente sobre um produto, conforme acordo na OMC. Esse limite, em geral, é maior do que as tarifas efetivamente aplicadas.

Já a tarifa de importação de nação mais favorecida (MFN, na sigla em inglês) é a realmente cobrada sobre bens de países com os quais não se têm acordos comerciais preferenciais vigentes.

No documento que trata da agenda de política comercial para 2025, o gabinete da presidência americana escreve que “um dos resultados dos fracassos de negociações é que muitas potências comerciais continuam a ter tarifas consolidadas muito altas, muito em excesso em relação às aplicadas pelos Estados Unidos”.

O primeiro exemplo citado é do Brasil, que tinha, em 2023, tarifa consolidada média de 31,4% e aplicava taxa de 11,2%. Já os Estados Unidos possuíam tarifa consolidada média de 3,4% e aplicavam taxa de nação mais favorecida de 3,3%.

O descompasso está expresso na diferença de taxação entre Brasil e EUA um com o outro. Relatório publicado em janeiro pelo banco Itaú cita que o Brasil tarifa, em média, em 11,2% os produtos importados americanos, enquanto os Estados Unidos aplicam uma média de apenas 1,5% para os itens brasileiros.

O relatório, assinado pelos economistas Igor Barreto Rose e Julia Marasca, avalia que o Brasil pode ter prejuízos, se Trump, de fato, aplicar uma tarifa “universal” de 10% ou se adotar como princípio a equiparação das tarifas cobradas por outros países.

Em entrevista para o Estadão, o ex-ministro das Relações Exteriores e do Desenvolvimento Celso Lafer afirma que Trump utiliza conceitos antigos de reciprocidade nas relações comerciais, trazendo de volta princípios de equiparação tarifária da guerra comercial ocorrida na década de 1930, que parte dos acadêmicos considera ter sido uma das responsáveis pela longa duração da Grande Depressão econômica de antes da Segunda Guerra Mundial.

“O GATT (sigla em inglês para Acordo Geral de Tarifas e Comércio), quando foi criado, logo após a Segunda Guerra Mundial, e depois a OMC, foi uma reação aos protecionismos dos anos de 1930, e trouxe a ideia do comércio como um caminho de paz”, afirma o ex-chanceler.

Há risco para o comércio internacional como um todo?

Trump, ao aplicar tarifas mais altas, pode levar a contramedidas de outros países e prejudicar o comércio internacional como um todo. O relatório do Itaú aponta que o Brasil, em uma nova rodada de conflito comercial, não deve colher os mesmos impactos positivos para o comércio brasileiro possíveis durante o primeiro governo de Trump. Um dos motivos é que a China não deve ter a capacidade de absorver mais de exportações brasileiras de produtos como soja e aço.

O País se transformou no principal fornecedor de soja para China. É responsável por cerca de 70% da soja comprada pelos chineses. “Até poderia ter um espaço para vender um pouco mais, mas não na magnitude que houve em 2018 e 2019", disse Barreto Rose, economista do Itaú.

Um outro relatório, feito pelo Bradesco em fevereiro, avaliou três cenários possíveis de aplicações de tarifas maiores pelos EUA ao Brasil. Se for adotada a reciprocidade, a tarifa média americana para produtos brasileiros subiria mais de nove pontos percentuais e poderia ocorrer uma redução de cerca de US$ 2 bilhões nas exportações, o que representaria 5% do total vendido pelo País ao Exterior.

Caso Trump aumente as tarifas de importação de produtos brasileiros para 25%, assim como faz contra o México e Canadá, o banco estima uma redução de US$ 6,5 bilhões das exportações brasileiras. O impacto maior ficaria com os bens intermediários (os mais vendidos para os Estados Unidos) e em combustíveis, uma vez que a diferença é bastante grande entre a tarifa atual, de apenas 0,2%, e a taxa possível de 25%.

Um terceiro cenário contempla o Brasil retaliando as medidas americanas e ampliando as suas tarifas para produtos norte-americanos para 25% também. Como resultado, as importações recuariam cerca de US$ 4,5 bilhões, e haveria repasse para a inflação com impacto máximo potencial de 0,3 ponto porcentual.
Como é a balança comercial entre os dois países?

Segundo as estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil teve pequeno déficit comercial de US$ 253 milhões com os Estados Unidos, em 2024. O País exportou US$ 40,330 bilhões e importou US$ 40,583 bilhões no ano passado.

Esses dados fazem dos Estados Unidos o segundo maior parceiro comercial do Brasil (depois da China), o segundo maior destino das mercadorias brasileiras e a terceira maior fonte de importações.

Sendo assim, em 2024, os EUA foram o destino de 12% das exportações brasileiras e origem de 15,5% das importações nacionais (US$ 40,7 bilhões). A corrente de comércio alcançou 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no ano passado.

Em um recorte temporal iniciado em 2014, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC indicam que as importações brasileiras de produtos vindos dos Estados Unidos foram 11,85% superiores às exportações.

Na soma do período, as exportações do Brasil para os Estados Unidos chegaram a US$ 337,8 bilhões; e as importações, a US$ 377,8 bilhões. O saldo da balança comercial no período indica que o Brasil “comprou” US$ 40 bilhões a mais do que “vendeu” para os Estados Unidos.

Na mão contrária, o Brasil é apenas o nono país que mais importa dos Estados Unidos e 18º que mais exporta aos americanos, o que indica que Trump tem razão quando afirma que muitos parceiros comerciais dependem mais do comércio com os americanos do que o contrário. Entre os exportadores para os Estados Unidos, o Brasil fica atrás de diversos países asiáticos, como a Tailândia, Vietnã e Malásia.

“Vendo as estatísticas, somos deficitários no comércio bilateral com os EUA. Assim, o Brasil está bem posicionado para negociar”, disse ao Estadão o embaixador do Brasil em Washington entre 1999 e 2004, Rubens Barbosa. “Trump tem falado que quer conseguir concessões de países com grandes superávits na balança com o seu país. O Brasil não é esse caso.”

Como traz um pequeno superávit a favor dos EUA, o Brasil fica bem balanceado nas relações comerciais americanas. Os maiores déficits para os EUA acontecem frente a China, México, Vietnã, Alemanha, Japão, Irlanda, Canadá e Coreia do Sul, nesta ordem.

Com a China, o déficit chegou aos US$ 275 bilhões, em 2023, e com o México, aos US$ 150 bilhões. Com o Vietnã, passa de US$ 100 bilhões.

Os maiores superávits americanos são com os Países Baixos (tradicional porto de entrada de produtos para a Europa Ocidental), Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Austrália, Bélgica, Panamá e Reino Unido.
Quais produtos podem ser impactados?

Num cenário de guerra comercial, os produtos mais prejudicados tendem a ser os de maior peso na corrente de comércio entre os dois países. Os mais importantes na pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos são produtos de ferro e aço, aeronaves, materiais de construção e manufaturas de madeira. Já os mais importados dos americanos são os motores e máquinas não elétricas e suas partes, óleos combustíveis e brutos de petróleo, aeronaves e gás natural.

Os óleos brutos de petróleo representam 14,3% da pauta exportadora brasileira para os EUA, e o país americano representa 12,9% das exportações desse produto pelo Brasil. Quanto aos produtos semiacabados de aço e ferro, esses índices respondem por 8,8% e 76,2%, respectivamente. Em aeronaves, são 6,7% e 61,7%.

Segundo o relatório do Itaú, a composição de exportações brasileiras “mais focada em produtos básicos, como petróleo e alimentos, pode ser um diferencial positivo”.

Do lado da importação brasileira, motores e máquinas não elétricos respondem por 15,2% da pauta comprada nos EUA e o país americano responde por 72,7% das importações desses produtos pelo Brasil. Quanto a óleos combustíveis de petróleo, esses índices respondem por 9,7% e 25,9%. Em aeronaves, são 4,9% e 49,1%.

O Estado de S.Paulo - SP   07/03/2025

O Índice Nacional de Confiança (INC), medido pela PiniOn para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alcançou em fevereiro 99 pontos, o seu pior nível desde junho de 2024, quando havia registrado 98 pontos. O índice do mês passado foi 2,9% inferior ao registrado em janeiro deste ano, que registrou 102 pontos, mesmo patamar de fevereiro de 2024.

Segundo a ACSP, o recuo aponta uma elevação do pessimismo entre os consumidores. A pesquisa, que contou com a participação de 1.679 famílias de diversas regiões, capitais e cidades do interior do Brasil, revelou uma diminuição da confiança em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste e Norte.

Além disso, todas as classes socioeconômicas, especialmente a classe C, demonstraram um recuo na confiança. Os dados apontam ainda para uma piora na percepção das famílias sobre sua situação financeira atual e as expectativas futuras, incluindo renda e emprego. Isso reflete uma sensação de insegurança no mercado de trabalho, contribuindo para o cenário negativo, segundo os dados da sondagem. Como consequência, houve uma redução significativa na disposição dos consumidores para realizar compras de alto valor, como veículos e imóveis, além de uma queda na intenção de adquirir bens duráveis, como eletrodomésticos.

Segundo Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, a queda do INC reflete o desaquecimento econômico, que impacta a geração de empregos e é agravado pela inflação, especialmente nos preços de itens básicos. O alto endividamento das famílias e os juros elevados também contribuem para a cautela dos consumidores, reforçando a tendência de retração no consumo, segundo o economista.

CNN Brasil - SP   07/03/2025

De olho em eventual resposta às barreiras protecionistas adotadas por Donald Trump nos Estados Unidos, caso não haja avanços nas negociações com a Casa Branca, o governo brasileiro avalia a possibilidade de editar uma medida provisória (MP) criando instrumentos legais de retaliação comercial.

A publicação de uma MP é vista, na Esplanada dos Ministérios, como alternativa a um projeto de lei que tramita no Senado e tem o mesmo teor.

O PL 2088, de 2023, foi apresentado originalmente em meio às ameaças de restrições da União Europeia para produtos agrícolas brasileiros. A UE alegava preocupação com a alta do desmatamento em florestas tropicais, como a Amazônia.

O projeto em tramitação no Senado foi costurado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e protocolado pelo senador Zequinha Marinho (Podemos-PA).

O chamado PL da Reciprocidade Ambiental permitiria ao Brasil fazer exigências ambientais para produtos de países ou blocos que impusessem barreiras do mesmo tipo às exportações brasileiras.

Designada relatora do projeto, a ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina (PP-MS) mudou o texto para adaptá-lo às ameaças de Trump na área comercial. A redação foi discutida com setores do governo Lula e teve respaldo de ministérios, como o MDIC (Indústria e Comércio) e Itamaraty.

O relatório de Tereza Cristina ficou pronto na sexta-feira (28) e está pronto para votação na Comissão de Meio Ambiente. Ela já conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para acelerar a tramitação.

Uma hipótese é apreciar o texto em caráter terminativo, dispensando a análise em plenário, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O substitutivo da ex-ministra autoriza e estabelece critérios para a Câmara de Comércio Exterior (Camex) suspender concessões comerciais e direitos de propriedade intelectual (patentes) “em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que impactam negativamente a competitividade internacional de bens e produtos brasileiros”.

O texto de Tereza Cristina foi pensado diante do novo contexto geopolítico e com o objetivo de não servir apenas para as barreiras adotadas pela UE, que acabaram ficando em segundo plano.

A questão avaliada pelo governo Lula é o “timing” da tramitação. Prestes a entrar em negociações intensas com os Estados Unidos, às vésperas do início da vigência de sobretaxas ao aço e da aplicação de tarifas recíprocas por Trump, o Brasil quer ter rapidamente mecanismos legais para adotar retaliações — mesmo que sejam apenas um instrumento de barganhar para sentar à mesa e discutir com o governo americano.

Por isso, está no radar do Palácio do Planalto a possibilidade de uma MP na mesma linha do substitutivo apresentado por Tereza Cristina, com discussões concentradas no MDIC.

A diferença é que a medida provisória tem vigência imediata e pode surtir efeitos já na negociação com os Estados Unidos — em vez de esperar avanços no Senado e, depois, na Câmara.

Hoje, para retaliar um país, é preciso ter aval da Organização Mundial do Comércio (OMC). Foi assim, por exemplo, que o Brasil conseguiu autorização para impor tarifas adicionais a produtos americanos no início da década passada. Foi a chamada “guerra do algodão”, quando o governo brasileiro levou à OMC o caso de subsídios ilegais aos cotonicultores nos Estados Unidos.

O problema é que a OMC hoje está completamente paralisada e Trump ameaça elevar tarifas à revelia das regras internacionais de comércio.

Tanto o projeto nas mãos de Tereza Cristina quanto uma MP editada pelo Planalto daria, pelo menos, instrumentos legais de retaliação hoje inexistentes nas leis internas do Brasil.

Infomoney - SP   07/03/2025

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,51% em fevereiro, acelerando em relação ao avanço de 0,24% de janeiro e também frente ao ganho de 0,23% observado na terceira quadrissemana do mês passado, segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta quinta-feira, 6.

O resultado de fevereiro ficou dentro das estimativas de instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de queda de 0,30% a alta de 0,62%, mas acima da mediana, de +0,45%.

No primeiro bimestre, o IPC-Fipe acumulou inflação de 0,75%. Nos 12 meses até fevereiro, a alta do índice foi de 4,52%, também superando a mediana das projeções, de 4,44%.
No segundo mês de 2025, dois dos sete componentes do IPC-Fipe ganharam força: Habitação (de -1,14% em janeiro a 0,39% em fevereiro) e Transportes (de 1,10% a 1,66%).

Por outro lado, houve arrefecimento nas demais categorias de janeiro para fevereiro: Alimentação (de 0,67% a 0,43%), Despesas Pessoais (de 0,35% a 0,20%), Saúde (de 0,81% a 0,20%), Vestuário (de 0,49% a 0,04%) e Educação (de 4,54% a -0,06%).

Infomoney - SP   07/03/2025

O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou para uma máxima recorde em janeiro, em meio à antecipação de importações a fim de se evitar possíveis tarifas, sugerindo que o comércio pode ser um entrave para o crescimento econômico no primeiro trimestre.

O déficit comercial dos EUA subiu 34,0%, atingindo uma máxima histórica de US$ 131,4 bilhões, em comparação com os US$ 98,1 bilhões revisados para cima em dezembro, informou o Departamento de Comércio nesta quinta-feira (6).

A variação percentual foi a maior desde março de 2015.
Economistas consultados pela Reuters previam que o déficit comercial subiria para US$ 127,4 bilhões, em comparação com os US$ 98,4 bilhões informados anteriormente em dezembro.

O presidente dos EUA, Donald Trump, impôs nesta semana tarifas de 25% sobre as importações de México e Canadá e dobrou as taxas sobre produtos chineses para 20%, desencadeando uma guerra comercial.

As importações aumentaram 10,0%, a maior alta desde julho de 2020, para US$ 401,2 bilhões.

As importações de bens subiram 12,3%, atingindo um recorde de US$ 329,5 bilhões. Elas foram impulsionadas por um aumento de US$ 23,1 bilhões nas importações de suprimentos e materiais industriais, refletindo principalmente formas metálicas acabadas, que provavelmente são ouro.

As importações de bens de consumo cresceram US$ 6,0 bilhões, impulsionadas por preparações farmacêuticas, celulares e outros produtos domésticos. As importações de bens de capital aumentaram US$ 4,6 bilhões em meio a aumentos em computadores, acessórios de informática e equipamentos de telecomunicações.

As exportações subiram 1,2%, chegando a US$ 269,8 bilhões. As exportações de bens aumentaram 1,6%, atingindo US$ 172,8 bilhões, impulsionadas por um aumento de US$ 4,2 bilhões em bens de capital que refletiu aeronaves civis, semicondutores, computadores e motores de aeronaves civis.

As exportações de bens de consumo aumentaram US$ 1,7 bilhão, impulsionadas por preparações farmacêuticas e joias.

A deterioração do déficit comercial e a queda nos gastos do consumidor em janeiro aumentaram o risco de uma contração no Produto Interno Bruto no primeiro trimestre.

Mas alguns economistas ainda esperam um crescimento moderado neste trimestre, argumentando que o ouro, principalmente da Europa, foi responsável por grande parte do aumento das importações.

MINERAÇÃO

Brasil Mineral - SP   07/03/2025

O valor da Produção Mineral Brasileira alcançou R$ 270,8 bilhões em 2024, o que representa um aumento de aproximadamente 9,1% em relação ao valor registrado em 2023

De acordo com as nossas estimativas, com base em dados da ANM (Agência Nacional de Mineração) e confirmadas pelo IBRAM, o valor da Produção Mineral Brasileira alcançou R$ 270,8 bilhões em 2024, o que representa um aumento de aproximadamente 9,1% em relação ao valor registrado em 2023, que foi de R$ 248,2 bilhões. Como de praxe, a produção foi liderada pelo minério de ferro, com um total de R$ 160,72 bilhões, equivalente a 59,3% do total produzido. A produção de minério de ferro ocorreu em 160 operações, concentradas principalmente nos estados Minas Gerais e Pará. O segundo lugar no ranking da produção foi do ouro, com 486 frentes de extração (incluindo as operações artesanais, que são a grande maioria), que respondeu por 8,81% do valor total produzido no ano passado, somando R$ 23,85 bilhões. O cobre manteve o terceiro lugar entre as substâncias minerais produzidas em 2024, com uma soma de R$ 20,28 bilhões, obtidas em 17 frentes de operação. O granito, tanto para uso como rocha ornamental quanto para produção de agregados para construção, ocupou a quarta colocação entre as substâncias produzidas em 2024, com um valor total de R$ 7,33 bilhões, gerados em 831 frentes de operação. O calcário, usado principalmente na produção de cimento e cal e como corretivo agrícola, registrou uma produção no valor de R$ 7,23 bilhões, em 481 operações, colocando-se em quinto lugar no ranking. A lista das dez substâncias com maior valor de produção em 2024 inclui ainda: a bauxita (minério de alumínio), com R$ 5,71 bilhões em 69 operações; o basalto (R$ 3,79 bilhões e 859 operações); areia (R$ 3,32 bilhões e 4.912 operações); gnaisse (R$ 3,30 bilhões e 293 operações); e fosfato (com R$ 3,28 bilhões e 24 operações.

Esse valor de produção mineral gerou uma arrecadação de CFEM (Contribuição Financeira pela Exploração Mineral), no total de R$ 7,45 bilhões em 2024, em comparação aos R$ 6,81 bilhões registrados em 2023, um aumento superior a 9%. O minério de ferro foi o produto mineral que mais gerou CFEM em 2024, com um total de R$ 5,57 bilhões, seguido pelo cobre (R$ 406,7 milhões), ouro (R$ 358 milhões), bauxita (R$ 165,7 milhões) e calcário (R$ 149,7 milhões).

Balança comercial

A indústria extrativa gerou um valor de US$ 80,9 bilhões em exportações no ano de 2024, montante um pouco acima do registrado em 2023. Com isto, a participação do setor no total das exportações aumentou de 23,2%, em 2023, para 24,0% em 2024.

No caso da indústria extrativa mineral, o principal produto exportado foi o minério de ferro e derivados, com um total de US$ 29,8 bilhões, o que equivale a uma participação de 8,9% no total das exportações brasileiras. O valor é um pouco abaixo do registrado em 2023, quando as vendas de minério de ferro e derivados ao exterior somaram US$ 20,6 bilhões, representando 9,0% das exportações. Em valor, as exportações de minério de ferro tiveram uma redução de -2,4%, enquanto os preços registraram um recuo de -5,2%.

Mesmo com uma redução de 0,8% em relação a 2023, no total geral as exportações brasileiras somaram US$ 337 bilhões, que é o segundo maior valor da série histórica. Em compensação, houve um aumento de 3,0% no volume embarcado.

Já as importações, que cresceram 9%, somaram US$ 262,5 bilhões, também o segundo maior valor da série histórica. Com isso, o saldo comercial da balança em 2024 foi de US$ 74,6 bilhões, uma redução de -24,6% em relação a 2023. Naquele ano, o saldo comercial havia sido de US$ 98,9 bilhões. As importações aumentaram 17,2% em volume e 9% em valor, já que os preços tiveram uma redução de 7,4%.

Perspectivas de crescimento

As perspectivas de crescimento da indústria mineral brasileira nos próximos anos são positivas, tanto em segmentos em que o Brasil já é um player importante e tradicional, como o minério de ferro e ouro, quanto naqueles em que o País está iniciando ainda uma caminhada, como os minerais considerados estratégicos para a transição energética.

Infomoney - SP   07/03/2025

Os preços futuros do minério de ferro caíram nesta quinta-feira, uma vez que preocupações comerciais e notícias de cortes na produção de aço pesaram mais nas negociações do que as medidas adicionais de estímulo para aumentar o consumo na China.

O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China fechou em queda de 0,45%, a 773 iuanes (US$106,78) a tonelada.

O minério de ferro de referência de abril na Bolsa de Cingapura subiu 0,49%, para US$100,25 a tonelada.
“Uma guerra comercial seria um desafio para o mercado, uma vez que a perda da demanda impulsionada por exportações na China poderia prejudicar a demanda de minério de ferro”, disseram analistas do ANZ.

A China liberou mais estímulos fiscais na quarta-feira, prometendo maiores esforços para apoiar o consumo e amortecer o impacto da escalada da guerra comercial com os Estados Unidos.

Washington dobrou para 20% as tarifas sobre produtos chineses, com o último incremento de 10% aplicado na terça-feira, atraindo a retaliação de Pequim.

Ainda assim, a ênfase renovada de Pequim no consumo não está sendo acompanhada pelas políticas, com as medidas imediatas para impulsionar a demanda das famílias deixando alguns economistas decepcionados.

Enquanto isso, em março, a produção média diária de ferro fundido deve aumentar para cerca de 2,329 milhões de toneladas, disse a corretora Hexun Futures, acrescentando que a demanda pelo material de fabricação de aço se recuperou na China.

Ainda assim, as notícias de cortes na produção de aço intensificaram a pressão de baixa sobre os preços, disse a Hexun.

A China reestruturará sua gigantesca indústria siderúrgica por meio de cortes na produção, embora não tenha anunciado nenhuma meta na mais recente intervenção para lidar com o excesso de capacidade no setor.

IstoÉ Dinheiro - SP   07/03/2025

A Rio Tinto vai investir US$ 1,8 bilhão para desenvolver um novo projeto de minério de ferro na região de Pilbara, na Austrália. A segunda maior mineradora do mundo em valor de mercado disse nesta quinta-feira (6) que garantiu todas as aprovações necessárias para o projeto da mina Brockman Syncline 1 (BS1), que fica a cerca de 8 quilômetros ao norte de seu atual projeto Brockman 4 em Pilbara.

Em 2024, a Brockman 4 produziu 43 milhões de toneladas de minério de ferro, de um total de 328 milhões de toneladas nas operações da Rio Tinto em Pilbara.

Em comunicado, a Rio Tinto disse que a BS1 terá capacidade de processar 34 milhões de toneladas de minério por ano.

Separadamente, a mineradora informou que concluiu a aquisição da produtora americana de lítio Arcadium Lithium, anunciada em outubro do ano passado.

Por volta das 8h45 (de Brasília), a ação da Rio Tinto subia 2% na Bolsa de Londres.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   07/03/2025

A Toyota lançou seu veículo elétrico mais barato na China na quinta-feira, estendendo sua linha mais acessível no maior mercado automotivo do mundo.

O bZ3X, um utilitário esportivo de cinco lugares voltado para famílias, começa em torno de 110 mil yuans (US$ 15 mil). Isso é cerca de 30% mais barato do que o sedã bZ3, um dos três veículos elétricos de médio a alto padrão que a Toyota vende na China.

O novo modelo foi desenvolvido pela GAC Toyota Motor -- uma joint venture com o GAC Group da China -- e um centro de pesquisa e desenvolvimento da Toyota. A Toyota diz que não tem planos de vender o bZ3X fora da China.

O SUV incorpora baterias e outras peças-chave provenientes de fornecedores da GAC na China, ajudando a reduzir o custo. Ele usa baterias de fosfato de ferro-lítio — que não precisam dos materiais caros encontrados em células de íons de lítio padrão — e pode rodar de 430 a 610 quilômetros com carga total.

Também incluído no novo modelo está um sistema avançado de assistência ao motorista (ADAS) desenvolvido com a startup chinesa Momenta, que pode lidar com mudanças de faixa e ultrapassagens.

Também na quinta-feira, a Honda lançou seu novo S7 EV, o primeiro modelo da série Ye. Desenvolvido e vendido por meio de uma joint venture com o Dongfeng Motor Group, o S7 usa uma nova plataforma de veículo elétrico dedicada e um sistema de iluminação que pode ser ajustado por meio de inteligência artificial.

A competição de preços entre as montadoras na China está se intensificando num momento de desaceleração dos gastos das famílias no país. O SUV Yuan Plus da principal fabricante de veículos elétricos BYD começa em 115.800 yuans e vem de fábrica com um ADAS. O sedã Mona M03 da Xpeng e o SUV Deepal S05 da Changan Automobile, ambos modelos elétricos, começam em pouco menos de 120 mil yuans.

O mercado automotivo da China é o maior do mundo e deve se manter em crescimento. As vendas de carros novos devem atingir 27,53 milhões de unidades em 2035, de acordo com a GlobalData, um incremento de 8% em relação a 2024.

A proporção de veículos elétricos no volume de vendas está a caminho de atingir 51% em 2035, ante 25% em 2024.

As montadoras japonesas têm sofrido na China ultimamente. As vendas da Toyota encolheram 7% no ano passado, para 1,77 milhão de unidades. As vendas da Honda caíram 31%, para 850 mil veículos, e as da Nissan recuaram 12%, para 690 mil unidades. A Mitsubishi abandonou o mercado chinês.

Auto Industria - SP   07/03/2025

A reação da Anfavea, que voltou a pedir a volta imediata do Imposto de Importação de 35% para os eletrificados após a chegada de um navio da BYD ao Brasil trazendo mais de 5,5 mil veículos do gênero, continua repercutindo no setor automotivo.

Após ser rechaçada pela Abeifa, que é contra tal pleito, a entidade das montadoras recebeu apoio do Sindipeças, que também teme pelo risco que a importação sem precedentes de veículos elétricos e híbridos representa para a cadeia automotiva no Brasil.

 

Auto Industria - SP   07/03/2025

Notícia desta quinta-feira, 6, que fará a Anfavea elevar ainda mais a voz para que o governo adote imediatamente a alíquota de importação de 35% sobre veículos elétricos e híbridos trazidos de fora: cerca de 1 mil utilitários esportivos da Omoda & Jaecoo estão em navio rumo ao Brasil.

O primeiro lote das duas submarcas da Chery deixaram os portos de Xangai e Tianjin, na China, em 27 de fevereiro e estarão na rede de 50 lojas que está sendo aberta este mês em 17 estados já no começo de abril para comercialização.

Curiosamente, chegarão em  um dos portos de Vitória, no Espírito Santo, onde na semana passada navio próprio da BYD atracou com mais de 5 mil veículos também trazidos da China, o que motivou apelo público da Anfavea para que o governo federal antecipe a aplicação dos 35% de imposto de importação previstos apenas para meados de 2026.

A Omoda & Jaecco Brasil está trazendo, inicialmente, os SUVs Omoda 5 elétrico e o híbrido plug-in Jaecoo 7, conhecidos, respectivamente, como OE5 e J7. As marcas, porém, fabricam também outros tipos de veículos, inclusive sedãs.

“É um momento vital para a marca. Estamos nos estágios finais para o lançamento oficial”, afirma Felipe Amaral, diretor de vendas e desenvolvimento de rede da operação brasileira, que pretende vender cerca de 30 mil veículos por ano no mercado brasileiro.

Para chegar a esse volume, O&J já admitiu planos de montagem local de seus veículos após período inicial de importação de seis SUVs com motorizações híbridas — podem ser flex — e elétricas nos próximos três anos.

Auto Industria - SP   07/03/2025

Mais uma vez a Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, mostra-se contrária ao pleito da Anfavea de retomada imediata do Imposto de Importação de 35% para carros eletrificados.

Por conta da chegada de um navio da chinesa BYD em Vitória, ES, com 5,5 mil veículos importados, a  entidade das montadoras emitiu nota oficial na quarta-feira, 5, questionando a manutenção de tarifas reduzidas para a importação de elétricos e híbridos.

A Abeifa contrapôs com comunicado divulgado nesta quinta-feira, 6, no qual o presidente da entidade, Marcelo Godoy, manifesta sua contrariedade a qualquer tentativa de aumento imediato da alíquota de importação para veículos híbridos e elétricos para 35%.

Ele lembrou que foi acertado em 2023 que esse porcentual, válido para veículos a combustão, só seria retomado para os eletrificados em  julho de 2026. Atualmente, as alíquotas são de 18% para elétricos, 24% para híbridos plug-in e 25% para os demais.

Em julho deste ano os porcentuais vão subir, respectivamente, para 25%, 28% e 30%. “Nossas associadas já contam com essa previsibilidade, o que é muito salutar. É relevante ressaltar que é imprescindível respeitar os consumidores brasileiros, que têm o direito ao acesso e a escolha por tecnologias de ponta”, argumenta Godoy.

A entidade lembra da importância para o setor automotivo da abertura do mercado nos anos 1990 e reforça o argumento de que políticas protecionistas não trazem benefícios ao Brasil:

“A indústria local deveria se preocupar em aumentar suas exportações, ao agregar mais tecnologias e produtividade, em lugar de restringir as importações, que tanto contribuem para o desenvolvimento do País””, complementa Godoy.

Com 9.021 unidades licenciadas, das quais 8.270 eletrificadas, as dez marcas filiadas à Abeifa anotaram em fevereiro último aumento em suas vendas de 5,8% ante janeiro de 2025, quando foram emplacadas 8.526. Comparado a fevereiro de 2024, a alta é de 46,8%

Na avaliação da Abeifa, os números mostram uma tendência inequívoca de contribuição dos importados rumo à descarbonização veicular.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   07/03/2025

O Grupo Manitou, referência na fabricação de máquinas para movimentação e plataformas de trabalho aéreo, tem acompanhado de perto o mercado de plataformas elevatórias no Brasil. Em 2024, a empresa cresceu 24% neste segmento e segue investindo para dobrar sua participação em 2025.

“O mercado de plataformas é muito significativo no Brasil e, por isso, vem atraindo novas empresas e o interesse dos fabricantes. A Manitou tem grande participação no mercado europeu e enxerga um enorme potencial no brasileiro”, afirma Marcelo Bracco, diretor geral da Manitou para a América Latina.

Para atingir a meta de dobrar o market share, a empresa está investindo em uma equipe dedicada para este segmento, com vendas e financiamento direto, estoque de peças e suporte técnico local. Hoje, o portfólio de plataformas da Manitou contempla nove modelos, entre diesel e elétricas, que variam de 10 a 28 metros de altura.

Bracco adianta que, em 2026, a gama de produtos deve aumentar com a chegada das Plataformas tipo Tesouras. “Na Europa e nos EUA já temos essa gama, fabricada na planta da Manitou da Índia. Em 2026 deverá chegar ao Brasil, deixando ainda mais completa nossa linha de produtos”, conclui.

Outros mercados - Além do grande investimento em plataformas, a Manitou está trabalhando fortemente no mercado de manipuladores de alta capacidade (MHT) e manipuladores rotativos (MRT), destinados aos setores de mineração, óleo e gás e construção, que carecem de equipamentos de alta performance, eficientes e que tragam segurança às operações.

NAVAL

InfraRoi - SP   07/03/2025

A produtividade dos navios porta-contêineres foi ampliada no Porto de Paranaguá após mais um aumento de calado, que é a distância entre o ponto mais profundo da embarcação (quilha) e a superfície da água. O limite máximo passou de 12,6m para 12,8m, o que parece pouco, mas representa um ganho de aproximadamente 160 TEUs por navio.

Não é a primeira vez que o calado do porto é aprofundado. Em novembro de 2024, o calado passou de 12,3 m para 12,6 m, proporcionando um ganho de capacidade de 220 TEUs por navio.

Outros nove berços e dois píeres também tiveram aumento de calado em 2024. O berço 201, que faz parte do corredor de exportação oeste, e os berços 202 e 204, responsáveis pela movimentação de granéis sólidos de exportação e carga geral, passaram de 12,8 m para 13,1 m.

Os berços 209 e 211, dedicados à movimentação de fertilizantes, assim como os berços 212, 213 e 214, que compõem o corredor de exportação leste, também tiveram suas profundidades alteradas, passando de 12,8 m para 13,1 m. Parte do berço 208, que opera fertilizantes, passou de 11 m para 13,1 m.

Dois píeres do Porto de Paranaguá também apresentaram aumento no calado operacional: o berço externo do píer do Terminal de Uso Privado (TUP) de granéis líquidos e o berço externo do píer da área arrendada de fertilizantes.
Derrocagem do Porto de Paranaguá

Com a conclusão da remoção de parte da Pedra da Palangana, em novembro do ano passado, a passagem entre o canal de acesso ao porto e a bacia de evolução foi facilitada, reduzindo os riscos das manobras.

Essa mudança garantiu mais espaço, agilidade e segurança nas manobras dos navios, além de reduzir os riscos de navegação e, consequentemente, permitir o aumento de calado. Ao todo, foram removidos aproximadamente 20 mil m³ de rocha, o que representa apenas 10% da formação rochosa total, estimada em mais de 200 mil m³. A obra foi realizada em conformidade com as medidas estabelecidas no licenciamento ambiental federal nº 1144/2016, emitido pelo Ibama.

Em 2024, foram movimentados 1.558.450 TEUs nos portos paranaenses, número 24% maior do que a movimentação realizada em 2023 (1.253.204 TEUs). A carne de aves congeladas foi líder em exportação, representando 30,5% das cargas movimentadas no terminal. Já os plásticos e produtos químicos inorgânicos somados representaram 31,4% da importação de contêineres.

Revista Ferroviaria - RJ   07/03/2025

A gigante chinesa de comércio agrícola Cofco inicia a operação, no final de março, do que descreve como o maior porto dentro do porto de Santos. O terminal consumiu R$ 1,64 bilhão em investimento direto e outro R$ 1,2 bilhão em investimento complementar, em logística, para a compra de 979 vagões e 23 locomotivas.

É parte de um programa estratégico chinês proposto há três décadas e iniciado oficialmente em 2007, para investimentos em agricultura pelo mundo –Agriculture Going Global, em inglês. Foi precursor da Iniciativa Cinturão, hoje mais conhecida.

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Quando o porto estiver concluído integralmente, até o final deste ano, a Cofco projeta operar 14 milhões de toneladas anuais, sobretudo soja, milho e açúcar. Para 2025, deve ficar em 8 milhões de toneladas, 5,5 milhões de soja e milho, 2,5 milhões de açúcar.

Será o maior terminal de exportação da Cofco International, que atua em 36 países, e “o maior porto em movimentação dinâmica de Santos”, segundo o CEO da empresa para o Brasil, Luiz Noto. Vai “concentrar as operações de todas as cargas da companhia”.

De acordo com o vice-presidente da Cofco International, Yunchao Wang, em entrevista no ano passado, é em Santos que se concentra sua atenção, não na alternativa recém-inaugurada do megaporto chinês de Chanqay, no Peru. Mesmo com o foco no Brasil, acrescentou, as outras operações continuam tendo importância para a companhia.

Questionado sobre os riscos geopolíticos recentes no Canal do Panamá, outra rota até a China, Noto respondeu que os navios do novo terminal santista vão passar pelo Cabo da Boa Esperança, na África.

O objetivo expresso do programa estratégico chinês, desde o princípio, é segurança alimentar, ou seja, garantir fontes estáveis de produtos agrícolas no exterior, dados os limites das terras aráveis na própria China.

Empresas encabeçadas pela Cofco investiram do Laos ao Uzbequistão e à Ucrânia, tanto em logística como em produção, pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, registra Noto, a companhia vai de armazéns e indústria de esmagamento no Centro-Oeste a quatro usinas de açúcar no interior paulista.

Em Santos, a concessão do novo terminal de 98 mil metros quadrados foi obtida em licitação há três anos, para se estender por pelo menos um quarto de século. Outros investimentos projetados abrangem automatizar o transporte dentro do porto, inclusive trens, a exemplo do que acontece com os chineses e o peruano Chanqay.

Com o tempo, ele servirá a outras empresas do setor, não só à Cofco. De acordo com Noto, “o Brasil é fundamental nas operações globais da Cofco, um ‘hub’ agrícola essencial para o nosso negócio”.

Um estudo sobre segurança alimentar da Universidade Renmin, de Pequim, publicado em 2023, defendeu “encorajar” ainda mais a Cofco a participar diretamente do comércio de commodities agrícolas, inclusive mercado futuro –citando os efeitos negativos da Guerra na Ucrânia, com redução no fornecimento.

Instalada no Brasil desde fevereiro de 2014, quando comprou o controle da holandesa Nidera, a Cofco International cresceu através de aquisições e acordos com produtores locais e agora dois terços de seus 11 mil funcionários estão no país.

Até 2022, ela não aparecia na lista das mil maiores empresas brasileiras, do jornal Valor/Serasa/FGV. Em 2024, já era a 14ª.

Questionado sobre ações para subir ainda mais no ranking, Noto respondeu que “a busca por novos negócios está no DNA da companhia, sempre atenta às movimentações do mercado”, sem detalhar.

No país e pelo mundo, as maiores concorrentes da Cofco são as ‘traders’ americanas Cargill e Bunge. E a sua busca por diferenciação no mercado é ambiental, em linha com as prioridades de Pequim na última década.

Por exemplo, segundo o CEO no Brasil, o investimento anunciado agora em ativos ferroviários “possibilita o crescimento da Cofco de forma sustentável, reforçando o compromisso de investir no agronegócio brasileiro atrelado à estratégia de reduzir emissões”.

Segundo o jornal China Daily, o novo terminal deve fazer seu primeiro embarque de 1,5 milhão de toneladas de soja sustentável certificada com destino à China. A empresa diz que ainda não é possível afirmar.

Infomoney - SP   07/03/2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está elaborando um decreto com o objetivo de ressuscitar a construção naval doméstica, reduzir o controle da China sobre o setor de transporte marítimo global de U$150 bilhões e combater o poder naval cada vez maior dos chineses.

Um rascunho visto pela Reuters nesta quarta-feira inclui um plano com 18 pontos que inclui o financiamento da operação com taxas sobre importação que chegam em navios de fabricação chinesa. Também pode estabelecer um Fundo de Segurança Marítima como fonte de financiamento e criar incentivos como créditos fiscais, subsídios e empréstimos.

“A Casa Branca está criando um escritório no Conselho de Segurança Nacional para liderar um esforço de todo o governo para fortalecer a base industrial marítima”, diz o documento, após o Trump anunciar seus planos durante um discurso ao Congresso na terça-feira.
Parlamentares republicanos e democratas têm alertado para o domínio cada vez maior da China sobre os mares e a prontidão naval reduzida dos EUA. O decreto pendente aparenta ter sido influenciado por propostas já existentes, incluindo legislações com apoio bipartidário.

Trump adota a iniciativa dois meses após o governo Biden concluir um inquérito de quase um ano solicitado pelo United Steelworkers e outros sindicatos, que concluiu que a China usa políticas e práticas injustas para dominar o setor.

Michael Wessel, presidente do Grupo Wessel, que ajudou a coordenar a investigação sob a Seção 301 da Lei Comercial de 1974, disse que o anúncio de Trump é um passo à frente encorajador após anos de esforços para revitalizar o setor.

“Ainda podemos ser os líderes industriais do mundo — mas apenas se agirmos”, afirmou.

“Agora é a hora de Trump transformar palavras em ações e cumprir seu compromisso.”

Portos e Navios - SP   07/03/2025

As operações de cabotagem voltaram a fazer escalas na TCP, administradora do Terminal de Contêineres de Paranaguá, no início de 2024. Desde então, a demanda pelo serviço tem crescido entre empresas do Paraná e estados vizinhos. Em janeiro, a movimentação inicial foi de 367 TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), alcançando 2.547 TEUs em maio.

“Durante os cinco primeiros meses de 2024, acompanhamos a retomada da cabotagem na TCP e a gradual adaptação de nossos clientes. A integração dessa solução logística sustentável, confiável e com custos competitivos demonstra o sucesso dessa parceria”, afirma Carolina Merkle Brown, gerente comercial de armadores e de inteligência de mercado da TCP.

Até o fim do ano, a TCP registrou um total de 16.426 TEUs movimentados em operações de cabotagem, o que equivale a 195 mil toneladas em cargas cheias. Os embarques para outros estados superaram os desembarques, com destaque para os segmentos de papel e celulose (76 mil toneladas exportadas) e carnes congeladas (9 mil toneladas). No fluxo de importações, bens de consumo lideraram com 6 mil toneladas desembarcadas.

O segmento de operadores logísticos representou 46% da carga transportada, com empresas buscando soluções de transporte porta a porta. “Neste recorte, temos um grande número de clientes que buscam a solução de transporte porta a porta, garantindo maior comodidade e segurança para o envio e recebimento de remessas”, ressaltou Carolina.

Ao longo do ano, 64 navios atracaram no terminal para operações de cabotagem, mantendo uma frequência semanal. “Com essa regularidade, garantimos pontualidade e capacidade operacional para exportadores e importadores, além de atender com eficiência indústrias e comércios do Paraná e estados vizinhos”, concluiu a gerente.

Portos e Navios - SP   07/03/2025

A Santos Brasil está destinando R$ 75 milhões para modernizar e expandir o Tecon Imbituba, terminal de contêineres operado pela empresa no sul de Santa Catarina. Em 2024, R$ 26 milhões já foram investidos, enquanto os R$ 49 milhões restantes estão previstos para 2025, reforçando a infraestrutura portuária da região.

O terminal registrou crescimento expressivo, movimentando 121 mil TEUs em 2024, um aumento de 75% em relação ao ano anterior. A produtividade operacional também avançou, passando de 40 para 50 movimentos por hora. Entre as melhorias implementadas estão a modernização da infraestrutura, aquisição de equipamentos, ampliação do armazém da Receita Federal e a instalação de um novo gate expresso para caminhões com contêineres vazios. Além disso, um novo prédio administrativo será concluído no primeiro trimestre de 2025.

O investimento inclui a contratação de 60 novos profissionais em 2024, com previsão de mais 40 admissões em 2025. Em janeiro, o terminal recebeu o MSC Vilda X, maior navio já atracado no Porto de Imbituba, com 346,98 metros de comprimento e capacidade para 9.600 contêineres. A embarcação faz parte de uma nova linha internacional que conecta a América do Sul à Ásia.

Localizado entre Curitiba e Porto Alegre, e próximo a Florianópolis, o terminal atende a quatro serviços regulares, sendo dois de cabotagem e dois de longo curso. Segundo o diretor comercial de operações portuárias da Santos Brasil, Danilo Ramos, o Tecon Imbituba está preparado para absorver a crescente demanda. "A chegada desse navio de grande porte ao nosso terminal confirma nossa capacidade de operar volumes expressivos com eficiência. Seguimos investindo para garantir um serviço de excelência, alinhado às necessidades do mercado e às tendências globais do setor portuário", afirma.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   07/03/2025

A ANP divulgou hoje (06/03) o Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural de janeiro de 2025, que traz os dados consolidados da produção nacional. A produção total (petróleo + gás natural) foi de 4,460 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d).

Com relação ao petróleo, foram extraídos 3,449 milhões de barris por dia (bbl/d), um aumento de 0,8% na comparação com o mês anterior e redução de 2% em relação ao mesmo mês de 2024.

A produção de gás natural em janeiro foi de 160,76 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). Houve queda de 0,2% frente a dezembro e aumento de 4,4% na comparação com janeiro de 2024.

Pré-sal
A produção total (petróleo + gás natural) no pré-sal, em janeiro, foi de 3,471 milhões de boe/d e correspondeu a 77,9% da produção brasileira. Esse número representa uma redução de 0,3% em relação ao mês anterior e aumento de 2,4% na comparação com o mesmo mês de 2024.

Foram produzidos 2,685 milhões de bbl/d de petróleo e 124,97 milhões de m³/d de gás natural por meio de 160 poços.

Aproveitamento do gás natural
Em janeiro, o aproveitamento de gás natural foi de 97,2%. Foram disponibilizados ao mercado 51,46 milhões de m³/d e a queima foi de 4,48 milhões de m³/d. Houve redução de 20,8% na queima, em relação ao mês anterior, e de 1,5% na comparação com janeiro de 2024.

Origem da produção
No mês, os campos marítimos produziram 97,4% do petróleo e 85,6% do gás natural. Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 88,56% do total produzido. A produção teve origem em 6.499 poços, sendo 533 marítimos e 5.966 terrestres.

Campos e instalações
No mês de janeiro, o campo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, foi o maior produtor, registrando 788,49 mil bbl/d de petróleo e 40,49 milhões de m³/d de gás natural. Já a instalação com maior produção foi a FPSO Guanabara, na jazida compartilhada de Mero, com 184.791 bbl/d de petróleo e 12,16 milhões de m³/d de gás.

Sobre o Boletim da Produção de Petróleo e Gás - Além da publicação tradicional em .pdf, é possível consultar os dados do boletim de forma interativa utilizando a tecnologia de Business Intelligence (BI). A ferramenta permite que o usuário altere o mês de referência para o qual deseja a informação, além de diferentes seleções de períodos para consulta e filtros específicos para campos, estados e bacias.
Variações na produção são esperadas e podem ocorrer devido a fatores como paradas programadas de unidades de produção em função de manutenção, entrada em operação de poços, parada de poços para manutenção ou limpeza, início de comissionamento de novas unidades de produção, dentre outros. Tais ações são típicas da produção de petróleo e gás natural e buscam a operação estável e contínua, bem como o aumento da produção ao longo do tempo.

Infomoney - SP   07/03/2025

A petroleira estatal mexicana Pemex está em negociações com possíveis compradores na Ásia, incluindo a China, e na Europa, conforme busca mercados alternativos para seu petróleo bruto depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas sobre importações, disse uma autoridade sênior do governo mexicano.

Trump implementou nesta semana tarifas de 25% sobre produtos do México e do Canadá. Enquanto o petróleo canadense ganhou exceção de uma taxa de 10%, o petróleo mexicano deve ser taxado em 25%.

Tarifas de Trump trazem volatilidade no curto prazo, mas podem abrir portas ao Brasil

O presidente americano confirmou uma tarifa de 25% sobre importações de Canadá e México, e dobrou a tarifa sobre produtos chineses; agronegócio nacional pode se favorecer com a guerra comercial

No ano passado, a Pemex exportou 806.000 barris por dia (bpd) de petróleo bruto, dos quais 57% foram para os Estados Unidos. Em janeiro, as exportações caíram 44% em relação ao ano anterior, para 532.404 bpd, o nível mais baixo em décadas.
Embora o México já envie cargas de petróleo bruto para a Europa e a Ásia — em especial para Índia e Coreia do Sul, de acordo com dados da Kpler –, seu vizinho do norte recebe a maior parte das exportações do carro-chefe, o heavy sour Maya.

O funcionário do governo disse que a Pemex estava conversando com possíveis novos compradores em mercados fora dos EUA, falando sob condição de anonimato porque as conversas são comercialmente sensíveis.

“O bom é que há apetite pelo petróleo bruto mexicano na Europa, Índia e Ásia”, disse ele. “Há demanda por petróleo bruto pesado e bruto Pemex.”

O funcionário disse que os possíveis compradores chineses estavam “muito interessados” nas conversas iniciais, acrescentando que “a demanda decidirá como esses fluxos serão redirecionados”.

Duas fontes da PMI Comercio Internacional, braço comercial da Pemex, confirmaram à Reuters que China, Índia, Coreia do Sul e até mesmo Japão seriam mercados adequados para o que a Pemex produz diante das tarifas, apesar dos custos mais altos de transporte.

Um desses traders disse que “somente a Ásia” poderia receber o volume que não foi enviado aos EUA, dado o tipo de refinarias que operam lá, já que elas devem ser capazes de processar o tipo específico de petróleo bruto.

Nem a Pemex nem seu braço comercial responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Sem descontos

Durante semanas, traders especularam se a empresa de energia mais endividada do mundo daria um desconto a seus clientes norte-americanos, enquanto tenta mantê-los diante das tarifas.

No entanto, o funcionário do governo descartou categoricamente essa concessão e disse que, quando os contratos atuais com os clientes dos EUA expirarem neste mês, os navios provavelmente irão para Ásia e Europa. Os compradores nos EUA não discutiram a rescisão dos contratos, acrescentou a fonte.

As duas fontes do braço comercial também confirmaram que não havia planos de aplicar descontos para tornar suas exportações mais competitivas.

Infomoney - SP   07/03/2025

O petróleo fechou praticamente estável após negociações voláteis nesta quinta-feira, com o Brent, referência global, fechando abaixo de US$70 por barril, sob pressão das tarifas entre os Estados Unidos, Canadá e China, e dos planos da Opep+ de aumentar a produção.

Os futuros do Brent fecharam em alta de 0,2%, a US$69,46 por barril. Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate dos EUA subiram 0,1%, para US$66,36.

Na quarta-feira, o Brent atingiu US$68,33, seu valor mais baixo desde dezembro de 2021, depois que um aumento maior do que o esperado nos estoques de petróleo dos EUA pressionou ainda mais o petróleo após o aumento das cotas de produção da Opep+ pela primeira vez desde 2022 e as novas tarifas dos EUA anunciadas na terça-feira.
“As notícias da Opep sobre a adição de barris no próximo mês, juntamente com um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia que agora parece mais promissor e uma reviravolta nas tarifas, estão mantendo o petróleo em um comércio volátil”, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de negociações da BOK Financial.

A Rússia disse que buscará um acordo de paz na Ucrânia que proteja sua própria segurança a longo prazo e não recuará dos ganhos que obteve no conflito.

Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, isentou os produtos do Canadá e do México, sob um pacto comercial norte-americano, por um mês, das tarifas de 25% que ele impôs esta semana, na mais recente reviravolta na política comercial em rápida mudança que tem abalado os mercados financeiros e os líderes empresariais.

RODOVIÁRIO

BOL - SP   07/03/2025

O Brasil terá seu primeiro túnel subaquático, com 870 metros, instalado embaixo do mar para ligar as cidades de Santos e Guarujá, no litoral de São Paulo. Aguardada há quase cem anos por moradores da Baixada Santista, a obra, que ainda não tem data para ser inaugurada, promete reduzir o tempo da travessia entre os dois municípios para cerca de dois minutos. Mas como é possível fazer uma obra dessa magnitude por baixo d'água?
Entenda as etapas da construção

Preparação do solo. A primeira etapa é a preparação do fundo do canal onde o túnel será instalado. Uma enorme vala é aberta no terreno submerso para abrigar os módulos que formarão o túnel. A vala também receberá placas de concreto para que consiga suportar os chamados elementos de túnel —blocos construídos em terra, que, são montados sobre a vala e formam o túnel.

Construção. Os elementos de túnel são gigantescos blocos de concreto construídos em uma espécie de canteiro de obras perto do local do túnel. No caso específico desta obra, há seis elementos de túnel que, após construídos em terra firme, serão encaixados embaixo d'água.

Inundação. Quando as peças ficam prontas, elas passam por testes de vedação e impermeabilidade. O teste é feito uma espécie de piscina provisória, com a doca seca sendo inundada.

Transporte. Com os elementos de concreto prontos e sem problemas de vedação, é o momento de serem transportados até o mar. Nessa etapa, a água da piscina provisória é fundamento para o transporte. Isso porque os elementos flutuam para, desta forma, serem transportados por rebocadores para o local onde o túnel vai ficar.

Posicionamento. Os elementos são fixados em pontes flutuantes e posicionados por sistemas eletrônicos no ponto exato onde devem ser submersos.

Acoplagem. A água presente nas piscinas provisórias do interior dos módulos é bombeada, fazendo afundar lentamente os elementos do túnel. Esse processo é monitorado por sensores. Por meio de guinchos hidráulicos, os elementos são aproximados, até o contato entre eles. A união final dos módulos é feita pela diferença de pressão atmosférica no interior do elemento já posicionado e a pressão que a água exerce no novo elemento.

Nivelamento e proteção. Em uma das extremidades do elemento, são ancorados macacos hidráulicos, que movimentam pinos de aço para nivelar o módulo. Os pinos são soldados e os macacos hidráulicos, retirados. Em seguida, é injetada areia na base, formando uma "cama" para assentar o elemento de túnel. Por fim, uma camada de pedras é utilizada para recobrir e proteger o túnel contra impactos de embarcações e o enganchamento de âncoras soltas.

Os estudos foram realizados pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), por meio da Companhia Paulista de Parcerias. De acordo com o governo paulista, o projeto do empreendimento foi validado por duas consultorias internacionais especializadas em projetos de alta complexidade de engenharia e já possui licença ambiental prévia.
Engenheiro diz que método é seguro

Professor de engenharia afirma que método escolhido é seguro. Pedro Henrique de Lyra, professor e coordenador do curso de engenharia civil do Instituto Mauá de Tecnologia, explica que a metodologia escolhida para a construção do túnel submerso é segura e já foi aplicada em outros países, como Dinamarca, Coreia do Sul e Suécia.

"Este será o primeiro túnel desse tipo no Brasil. É um método relativamente novo se comparado com outros portanto não é tão comum. O túnel mais comum é feito por escavação", diz o engenheiro

Pesquisador ressalta que tecnologia vai precisar ser importada. De acordo com o professor do Instituto Mauá, a realização da obra permitirá a transferência dessa tecnologia, possibilitando seu uso frequente no futuro. "Para um projeto dessa magnitude é essencial a escolha de uma empresa com experiência na construção desse tipo de túnel".

Lyra cita que entre as opções, a ideia do túnel submerso parece a mais adequada. "O túnel escavado exigiria uma escavação muito profunda abaixo do leito, resultando em rampas íngremes e um túnel mais longo. Já a ponte precisaria de um gabarito elevado para permitir a passagem dos navios", afirma.
Túnel é aguardado há quase cem anos

Não há data oficial para inauguração do túnel. As cidades são separadas pelo canal do estuário, a uma distância de 400 metros, o que traz desafios à mobilidade urbana da população. A distância é percorrida em aproximadamente sete minutos, sendo que a espera para a travessia pode variar de 15 minutos até mais de uma hora, dependendo das condições da maré no estuário.

A construção do túnel é uma promessa antiga de diferentes governos. Hoje, a ligação entre as duas cidades é feita pela rodovia Cônego Domenico Rangoni (SP-055), com 43 km de extensão, e pelas balsas das travessias litorâneas (administradas pelo Departamento Hidroviário), que levam em média 18 minutos para concluir a travessia. De acordo com o governo federal, as conexões hoje disponíveis entre os municípios também apresentam impactos na operação do Porto de Santos, formado por um conjunto de terminais voltados à armazenagem e à movimentação de cargas e passageiros.

Demanda histórica da Baixada Santista. O túnel servirá como ligação seca entre os dois municípios para o deslocamento de veículos, bicicletas e pedestres. Atualmente, mais de 21 mil carros cruzam diariamente as duas margens utilizando balsas e catraias, além de 7.700 ciclistas e 7.600 pedestres.

A obra vem sendo discutida há pelo menos 98 anos. Em janeiro de 1927, o jornal A Tribuna publicou uma reportagem sobre a construção do túnel. O texto cita a ideia do engenheiro Enéas Marini, que também planejava um túnel entre Rio de Janeiro e Niterói.

Primeira folha da edição de 23 de janeiro de 1927 do Jornal A Tribuna

A construção do túnel é uma promessa antiga de diferentes governos. Hoje, a ligação entre as duas cidades é feita pela rodovia Cônego Domenico Rangoni (SP-055), com 43 km de extensão, e pelas balsas das Travessias Litorâneas (administradas pelo Departamento Hidroviário), que levam em média 18 minutos para concluir a travessia. De acordo com o governo federal, as conexões hoje disponíveis entre os municípios também apresentam impactos na operação do Porto de Santos, formado por um conjunto de terminais voltados à armazenagem e à movimentação de cargas e passageiros.

O leilão para definir a empresa que vai tocar a obra deve ser realizado em 1º agosto. A empresa que vencer o leilão será responsável pela construção, operação e manutenção do túnel.

Caso a obra saia do papel, este será o maior túnel submerso da América Latina. O objetivo é garantir mais segurança e agilidade no deslocamento entre Santos e Guarujá. O projeto faz parte do Programa de Parcerias de Investimentos de São Paulo.
Como será o túnel entre Santos e Guarujá?

Túnel Santos-Guarujá

Nova ligação entre cidades. O túnel submerso fará a ligação entre o cais de Outeirinhos, no bairro do Macuco, em Santos, e o Linhão da Codesp, no bairro de Vicente de Carvalho, no Guarujá.

Tempo da travessia deve cair para cerca de dois minutos. A projeção é da Autoridade Portuária de Santos.

A travessia pela estrada dura 60 minutos. O objetivo principal da obra é melhorar o fluxo de carros, pedestres e cargas entre as duas cidades do litoral.

Toda a estrutura terá 1,5 km de extensão, sendo 870 metros submersa. Haverá três faixas de rolamento por sentido, com uma delas para a passagem do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). O túnel será aberto par travessia de pedestres e ciclistas.

Governo prevê que construção do túnel deve gerar 9.000 empregos diretos e indiretos. Ao todo, 86% do investimento será dividido entre o Ministério de Portos e Aeroportos e o governo de São Paulo. O restante do valor será custeado pela iniciativa privada.

AGRÍCOLA

Veja - SP   07/03/2025

O alinhamento do agro brasileiro às ideias e políticas de Donald Trump não é novidade, já que o setor é um dos principais sustentáculos do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos, que seguem promovendo a agenda do americano no Brasil. Como está provado nas investigações da Polícia Federal parte do financiamento para as ações dos golpistas veio do “pessoal do agro”

No entanto, há um paradoxo evidente: enquanto setores do agro brasileiro demonstram simpatia por Trump, suas políticas protecionistas representam um risco direto ao comércio exterior do Brasil, em grande parte de produtos do agro. O líder tem sustentado o discurso mais nacionalista das últimas décadas no país norte-americano. O problema é que o Brasil é o principal concorrente dos EUA no comércio global de produtos do agro. Além disso, é o segundo maior destino do Brasil quando se trata desses produtos. Assim, o apoio do setor a Trump pode se revelar um erro estratégico.

Já em seus primeiros meses no poder, Trump mencionou diversas vezes o Brasil como um dos países que precisariam ser retaliados por, segundo ele, aplicarem tarifas alfandegárias injustas contra os Estados Unidos. Em seu discurso ao Congresso americano na terça-feira, 4, voltou a reforçar essa narrativa, deixando claro que o Brasil está no radar de suas medidas protecionistas. Os primeiros alvos são os de sempre, aço e alumínio, mas logo depois vem etanol, em grande parte produzido em São Paulo.

Uma das principais formas de retaliação seria o aumento imediato das tarifas sobre produtos brasileiros, o que prejudicaria fortemente o setor agroexportador nacional. Além disso, há o risco de um acordo de livre comércio entre Estados Unidos e Argentina, o que poderia abrir novas oportunidades para os hermanos no mercado internacional. Embora a Argentina não tenha a mesma capacidade de produção que o Brasil, uma parceria estratégica com os EUA poderia fortalecê-la consideravelmente, principalmente se envolver transferência de tecnologia e investimentos industriais, e principalmente tornar letra morta o próprio Mercosul.

Outro fator determinante para o agro brasileiro é o desenrolar das relações comerciais entre EUA e China. Se um acordo entre as duas potências for concretizado, os produtos brasileiros podem perder espaço no mercado chinês, hoje o principal destino das exportações do agronegócio nacional. Neste momento está deixado de lado porque o ambiente é de guerra comercial. Se as negociações entre Washington e Pequim permanecerem travadas, o Brasil tende a ganhar ainda mais relevância nesse comércio, reforçando sua posição como grande fornecedor de commodities agrícolas para a China. O problema é que pode vender mais um produto ou outro, mas será atingido pela crise global se a guerra comercial de Trump for efetivada.

Diante desse cenário, é evidente que o agronegócio brasileiro precisa agir com cautela. O alinhamento automático a Trump pode ser perigoso, pois sua lógica nacionalista e protecionista visa fortalecer a produção interna americana, não os interesses do Brasil. Apoiar um líder que já declarou a intenção de retaliar o país é um movimento arriscado, que pode comprometer um setor essencial para a economia brasileira. Em um cenário de incertezas globais, é fundamental que o Brasil adote uma postura pragmática e estratégica, diversificando seus mercados e fortalecendo sua posição comercial sem depender de preferências políticas voláteis. Afinal, no jogo da geopolítica, simpatias ideológicas não pagam contas – estratégia e inteligência, sim.

Valor - SP   07/03/2025

A iniciativa pode fazer parte do pacote de medidas a ser anunciado

O governo federal avalia destinar R$ 500 milhões adicionais para as ações de assistência técnica e extensão rural para pequenos produtores em 2025. A iniciativa pode fazer parte do pacote de medidas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai anunciar ainda nesta quinta-feira como tentativa de frear a alta dos alimentos. Ainda não se sabe, no entanto, se Lula irá dar aval para essa sugestão ou não.

A ideia surgiu no Ministério de Desenvolvimento Agrário, comandado por Paulo Teixeira, e foi levada à Casa Civil há algum tempo. Como parte dessa operação, o governo terá que fazer uma suplementação no projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025. Uma outra fonte disse que a agricultura familiar terá uma medida específica no pacote, mas que não envolverá gastos da União.

Em janeiro, em entrevista ao Valor, o ministro Paulo Teixeira negou que o governo faria "intervenções" no mercado e disse que o combate à inflação dos alimentos seria feito com reforço no crédito rural e na assistência aos pequenos produtores rurais.

"Nós precisamos aumentar a produção agrícola voltada ao mercado interno: carne, frutas, legumes, verduras. Ao aumentar a oferta podemos incidir sobre a inflação mais fortemente", disse, na ocasião. "Precisamos fazer um esforço para aumentar o crédito agrícola e para aumentar a assistência técnica. Parte desses produtos são de produção intensiva de pequenas áreas. Queremos que o agricultor possa se apropriar de novas tecnologias e oferecer quantidade maior de produtos. Como estamos nas vésperas de debate orçamentário é um tema presente", completou.

Se liberado, o recurso extra deverá ser encaminhado à Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), que firma contratos com empresas nos Estados para prestarem o serviço, de apoio técnico na ponta aos pequenos produtores rurais. A atividade foca na transferência de tecnologias e orientações para aumentar a produção e a produtividade na agricultura familiar.

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