Clipping Diário

10 | Março | 2025

SIDERURGIA

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2025

Em meio à ameaça de imposição de tarifas de importação de 25% por parte do governo dos Estados Unidos ao aço brasileiro, e em meio a um plano de investimentos no Brasil de R$ 25 bilhões, até 2027, o grupo ArcelorMittal, segundo maior fabricante mundial de aço e líder no País com quase metade da produção, anunciou que vai mudar o comando de suas operações no País a partir de 1º de abril.

A mudança se deve à decisão, planejada há algum tempo, de aposentadoria de Jefferson De Paula, atual presidente da subsidiária ArcelorMittal Brasil e da divisão de Aços Longos e Mineração Latam (América Latina), conforme apurou o Estadão com pessoas próximas. O anúncio foi feito em na sede do grupo em Londres. A empresa, no Brasil, no meio da tarde, divulgou mais informações das mudanças.

De Paula deixará a companhia no início de abril, após 34 anos na empresa. Como é tradição no grupo, o executivo vai ocupar uma cadeira no conselho de administração da subsidiária brasileira. Também será um dos conselheiros da ArcelorMittal Argentina (Acindar), destacou Lakshmi Mittal, principal acionista do grupo e presidente do conselho.

O executivo, que entrou para o grupo em 1991, assumiu a atual posição em 1º de outubro de 2021 com a saída de Benjamin Baptista Filho, também por aposentadoria após uma longa carreira na ArcelorMittal. Atual membro do comitê de gestão do grupo, De Paula ingressou na ArcelorMittal em 1991 como gerente de fundição em uma das siderúrgicas brasileiras da empresa.

Durante sua carreira, ocupou vários cargos de liderança sênior, incluindo COO (principal executivo de operação) da Acindar, que é a siderúrgica de produtos longos do grupo na Argentina, CEO da Divisão do Sul de Produtos Longos da ArcelorMittal Europa e CEO dos negócios de Produtos Longos e mineração da América do Sul do grupo desde 2011, informou a ArcelorMittal em comunicado.

Com as mudanças, dois executivos brasileiros do grupo estão ganhando projeção na companhia comandada pelo empresário indiano Lakshmi Mittal: Jorge Luiz Ribeiro de Oliveira, que é CEO da divisão de Aços Planos Latam (América Latina), e Everton Negresiolo, atual CEO da divisão de Aço Longos Brasil.

Oliveira será promovido a vice-presidente executivo do grupo ArcelorMittal a partir de 1° de abril e, ao mesmo tempo, CEO da subsidiária brasileira, ArcelorMittal Brasil (AMB), responsável pelas operações do grupo no País e na América do Sul. O executivo vai se reportar diretamente ao CEO global, Aditya Mittal, que fica baseado em Londres, onde está a sede corporativa do grupo.

O executivo iniciou a carreira na ArcelorMittal Tubarão há 38 anos como trainee da área de Engenharia de Desenvolvimento. Ocupou diversos cargos na siderúrgica nas áreas de operações da companhia. Após ficar três anos fora, voltou em julho de 2014 como diretor de operações na América do Sul. Foi nomeado presidente e CEO da joint venture ArcelorMittal/Nippon Steel, em Calvert, no Alabama, em setembro de 2019. É graduado em engenharia metalúrgica na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Novas atribuições para o CEO de Aços Longos

Para Negresiolo, as atuais atribuições serão ampliadas: ele passa a ser responsável por todas as operações de produção de aços longos (vergalhões, perfis, fio-máquina, arames) na América do Sul e pelo negócio de mineração de ferro na América Latina. No Brasil, a empresa opera duas minas de ferro, ambas em Minas Gerais — Andrade, próximo de João Monlevade, e Serra Azul, na região metropolitana de Belo Horizonte, que está triplicando sua capacidade de produção.

O executivo ingressou na ArcelorMittal em 2010 como especialista comercial nas operações do País. De 2010 a 2020, trabalhou em uma série de funções seniores em compras, logística, cadeia de suprimentos e vendas, antes de ser nomeado CEO da Acindar em 2020. Em 2023, foi nomeado vice-presidente comercial e metálicos da ArcelorMittal South America Long Products, antes de se tornar CEO da ArcelorMittal Aços Londos da América do Sul, em junho de 2024, já dentro do processo sucessório deslanchado pela companhia.

Negresiolo é graduado em engenharia mecânica com especialização em gestão de produção. Ele possui MBA pela Fundação Dom Cabral no Brasil. O executivo passa a ser membro do comitê de gestão do grupo no início de abril, também se reportando a Aditya Mittal.

O CEO global do grupo comentou no comunicado: “Ao longo de sua carreira de 34 anos na empresa, Jefferson provou ser um líder excepcional que agregou valor significativo ao nosso grupo”. “A nomeação de Everton traz uma continuidade importante para nossos negócios de mineração e produtos longos na América do Sul. Estou confiante de que ele continuará a progredir e fortalecer nossas operações na América do Sul”, acrescentou Mittal.

Novo projeto no Espírito Santo de R$ 4 bilhões

Ficará para a gestão de Jorge Oliveira, novo CEO da AMB a partir de abril, e também de Aços Planos Latam, a condução dos estudos de uma nova unidade de laminação de aço plano na usina siderúrgica de Tubarão, em Serra (ES), que tem projeção do grupo para entrar em operação em 2029. O investimento previsto é de R$ 3,8 bilhões a R$ 4 bilhões. O projeto está em fase de estudos de viabilidade técnica e econômica, mas é dado como certo que sairá do papel, uma vez que é muito aguardado pelo governo capixaba.

Na quinta-feira, no comunicado de resultados do quarto trimestre e de 2024, a ArcelorMittal informou que a nova unidade de laminação terá capacidade de fazer 1,55 milhão de toneladas por ano. Desse volume, 550 mil serão transformadas em aço galvanizado, um material considerado nobre que é aplicado na indústria automotiva, de bens eletrodomésticos e na construção civil. É um aço com camada na superfície (zinco) de proteção contra corrosão.

Com isso, o grupo diversifica no Brasil sua produção desse tipo de material, considerado de alto valor agregado. Hoje, as operações estão concentradas na unidade Vega, situada em São Francisco do Sul (SC), que ganhou, em novembro, mais uma linha de produção.

Estará a cargo de Oliveira também a conclusão do pacote de investimentos de US$ 25 bilhões, iniciado em 2022 com a compra da siderúrgica de Pecém, no Ceará, por R$ 11,2 bilhões. Esse pacote vai até 2027, incluindo modernização e expansão da usina Barra Mansa (RJ), expansão da mina de ferro de Serra Azul, em Minas Gerais, aportes na geração de energia renovável (eólica e solar) e a nova linha de aço revestido da unidade Vega, que foi inaugurada em novembro.

No Brasil, a companhia emprega 20 mil pessoas e tem operações industriais em oito Estados (MG, ES, RJ, SC, CE, BA, SP e MS), com receita na casa de R$ 70 bilhões no ano passado. A siderúrgica também produz mais de 5 milhões de toneladas de minério de ferro e atua ainda na geração de energia renovável para consumo próprio.

IstoÉ Dinheiro - SP   10/03/2025

Brasil e Estados Unidos iniciaram diálogos sobre as tarifas às importações anunciadas pelo presidente americano, Donald Trump, a poucos dias de entrarem em vigor, informou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As relações comerciais entre Brasília e Washington ficaram tensas após o anúncio do republicano de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio.

Está previsto que as novas políticas alfandegárias sejam aplicadas a partir de 12 de março.

Os impostos terão grande impacto sobre o Brasil, o segundo maior fornecedor de aço dos Estados Unidos.

Em uma conversa telefônica na sexta-feira (7), o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o novo Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, concordaram em criar um “grupo de trabalho (…) para tratar de temas tarifários”, disse o Ministério das Relações Exteriores brasileiro em sua conta no X.

O grupo técnico prevê uma possível reunião virtual na próxima semana, acrescentou a chancelaria.

Vieira destacou o superávit comercial favorável aos Estados Unidos e o papel estratégico do Brasil como fornecedor de insumos para a indústria americana.

A conversa ocorreu um dia após o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, ter realizado uma videoconferência com Greer e o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick.

Durante a reunião, Alckmin destacou que a balança comercial bilateral é de cerca de US$ 80 bilhões (R$ 461 bilhões), com um superávit de US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão) a favor dos EUA.

Também ressaltou que oito dos 10 principais produtos que o Brasil importa dos Estados Unidos são isentos de tarifas.

Ambos concordaram em realizar novas reuniões bilaterais “nos próximos dias”, de acordo com um comunicado do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Após o anúncio de Trump, Lula advertiu que responderá com “reciprocidade” se Washington implementar as medidas.

“Se taxar o aço brasileiro, vamos reagir comercialmente ou vamos denunciar na OMC [Organização Mundial do Comércio] ou vamos taxar os produtos que a gente importa dele”, disse o presidente brasileiro em entrevista à Rádio Clube do Pará, em fevereiro.

O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço dos EUA, atrás apenas do Canadá, com 4,08 milhões de toneladas exportadas a este país em 2024.

Durante seu primeiro mandato entre 2017 e 2021, Trump já havia imposto tarifas de 25% sobre o aço, que foram parcialmente eliminadas mais tarde.

Globo Online - RJ   10/03/2025

Os CEOs das três maiores siderúrgicas americanas pediram ao presidente Donald Trump que resista a fazer qualquer concessão na decisão de taxar em 25% todas as importações de aço, medida que atinge o Brasil. Eles afirmam que trocar a taxação por cotas, medida adotada na primeira gestão do republicano, não adiantou e que manter as tarifas anunciadas como estão é questão de segurança nacional. O pedido acontece após o vice-presidente Geraldo Alckmin discutir o assunto com altos representantes do governo Trump, em busca de uma negociação que preserve os produtores brasileiros, e da abertura de diálogo do chanceler Mauro Vieira com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

No total, nove altos executivos da indústria siderúrgica dos EUA enviaram uma carta a Trump dizendo que as cotas concedidas no primeiro mandato do republicano a alguns países (caso do Brasil) permitiram maiores volumes de importação que amorteceram o impacto original dos impostos. Entre os signatários estão os CEOs Leon Topalian, da Nucor; David Burritt, da US Steel; e Lourenco Gonçalves, da Cleveland-Cliffs.

“Milhões de toneladas de exclusões específicas de produtos foram concedidas, mesmo para produtos prontamente disponíveis de fornecedores nacionais. O resultado foi uma indústria siderúrgica dos EUA enfraquecida, exposta novamente à crise global de excesso de oferta de aço. Pedimos que você resista a quaisquer solicitações de exceções ou exclusões e continue firme em nome do aço americano”, diz a carta.

A pressão das siderúrgicas sobre Trump surge num momento em que empresas e países fazem lobby na Casa Branca para tentar uma isenção das tarifas argumentando que as taxas aumentarão os preços para os consumidores americanos.

Na quinta-feira, Alckmin, que além de vice-presidente é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, teve uma videoconferência com os dois principais responsáveis pelo tema na equipe de Trump: o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o representante comercial americano, Jamieson Greer. Segundo o ministério, os dois lados "concordaram em manter, nos próximos dias, reuniões bilaterais". Nesta sexta-feira, o Itamaraty informou que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por 40 minutos com Jamieson Greer sobre a política comercial dos EUA, e ficou acertado que haverá reuniões técnicas entre representantes dos governos a partir da semana que vem.

A pressão da indústria siderúrgica dos EUA para que Trump não ceda acontece no pior ano do setor desde o primeiro mandato do republicano, já que a fraca demanda por construção, a inflação e os altos custos de empréstimos criaram um triplo golpe nos lucros. As importações aumentaram em 2024, mas permaneceram abaixo dos níveis de 2021 e 2022, de acordo com dados do Departamento de Comércio.

A ameaça iminente de tarifas fez com que houvesse uma corrida por compras antecipadas de aço no mercado americano. Resultado: o preço do metal produzido nos EUA dispararou nas últimas semanas e ficou mais de 20% mais caro que o importado. Em janeiro, uma tonelada de aço estava sendo vendida por menos de US$ 700 a tonelada. No final de fevereiro, os produtores nacionais estavam cotando preços aos clientes de até US$ 1.000.

IstoÉ Dinheiro - SP   10/03/2025

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vai participar na terça-feira, 11, de um evento da Gerdau em Ouro Branco (MG), junto do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

A cerimônia está marcada para as 15 horas (de Brasília).

Segundo o Planalto, a siderúrgica investiu R$ 1,5 bilhão na unidade do município mineiro, visando ampliar a produção e o fornecimento de aço, especialmente para setores de máquinas e equipamentos, além do automotivo.

Os recursos integram o investimento total de R$ 6 bilhões que a companhia desembolsa atualmente.

A unidade em Ouro Branco responde por 12% da produção total de aço do Brasil.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2025

Em seu discurso ao Congresso em 4 de março, o presidente Donald Trump pintou um quadro fantástico. O sonho americano, declarou ele, estava crescendo mais e melhor do que nunca. Suas tarifas preservariam empregos, tornariam os Estados Unidos ainda mais ricos e protegeriam sua própria alma. Infelizmente, no mundo real, as coisas são diferentes. Investidores, consumidores e empresas mostram os primeiros sinais de desinteresse pela visão trumpiana. Com seu protecionismo agressivo e errático, Trump está brincando com fogo.

Ao impor tarifas de 25% sobre os produtos do Canadá e do México, também no dia 4 de março, Trump estava incendiando uma das cadeias de suprimentos mais integradas do mundo. Embora ele tenha adiado, dois dias depois de implementá-las, as tarifas por um mês, muitos setores sofrerão. Ele também aumentou as tarifas sobre a China e ameaçou a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul. Algumas dessas tarifas também podem ser adiadas; outras podem nunca se concretizar.

No entanto, tanto na economia quanto nas relações exteriores, está ficando claro que a política está sendo definida de acordo com os caprichos do presidente. Isso causará danos duradouros no país e no exterior.

Quando Trump ganhou a eleição em novembro, os investidores e os chefes o aplaudiram. O S&P 500 subiu quase 4% na semana após a votação, na expectativa de que o novo presidente acendesse uma fogueira de burocracia e promovesse generosos cortes de impostos. Sua retórica protecionista e anti-imigração, esperavam os investidores, não daria em nada. Uma correção no mercado de ações ou o retorno da inflação certamente refrearia seus piores instintos.

Infelizmente, essas esperanças estão virando fumaça. O Doge de Elon Musk está causando caos e ganhando as manchetes, mas ainda há poucos sinais de uma bonança desregulatória. (A ordem de Trump que proíbe a compra federal de canudos de papel fará pouco para os resultados da America Inc.). O projeto de orçamento aprovado no Congresso em fevereiro mantém os cortes de impostos de 2017, no primeiro mandato de Trump, mas não os expande - embora acrescente trilhões à dívida nacional. Enquanto isso, as promessas de tarifas de Trump retornariam o imposto médio efetivo a níveis não vistos desde a década de 1940, quando os volumes de comércio eram muito menores.

Não é de se admirar que, apesar do discurso de Trump sobre um retorno estrondoso, os mercados estejam piscando no vermelho. O S&P 500 perdeu quase todos os ganhos desde a eleição. Embora o crescimento econômico continue razoável, nas últimas semanas, o rendimento dos títulos do Tesouro de dez anos caiu, as medidas de sentimento do consumidor despencaram e a confiança das pequenas empresas diminuiu, o que sugere uma desaceleração futura. Enquanto isso, as expectativas de inflação estão aumentando, talvez porque Trump esteja falando sobre todas aquelas novas e maravilhosas tarifas.

Por trás do alarme está a percepção de que Trump é menos limitado por restrições do que os investidores esperavam. Embora os aumentos de preços tenham detonado a campanha presidencial de Kamala Harris, a perspectiva de inflação não está dissuadindo Trump, que argumenta que os danos econômicos das tarifas valem a pena. Durante seu primeiro mandato, ele se vangloriou com o longo boom do mercado de ações; desta vez, os mercados não apareceram em suas muitas postagens nas mídias sociais. Seu adiamento das tarifas sobre automóveis é muito curto para que o setor se adapte. Trump está mantendo sua crença de que as tarifas são boas para a economia.

Igualmente importante, as pessoas que cercam o presidente também parecem não ter influência. Scott Bessent, o secretário do Tesouro, e Howard Lutnick, o secretário do Comércio, são ambos financistas, mas se estão tentando controlar Trump, não estão se saindo muito bem. Em vez de serem conselheiros sábios, eles parecem fantoches, explicando por que as tarifas são essenciais e Wall Street não importa. Poucos empresários querem falar a verdade ao poder por medo de atrair a ira de Trump. Assim, o presidente e a realidade parecem estar se distanciando cada vez mais.

Isso ameaça os parceiros comerciais dos Estados Unidos. Por alguma razão, Trump reserva uma hostilidade especial para o Canadá e a União Europeia. Como sua abordagem carece de uma lógica coerente, não há como saber como evitar suas ameaças. O pior está por vir se ele cumprir sua promessa ao Congresso de impor tarifas recíprocas, que correspondem às taxas que as exportações americanas enfrentam no exterior. Isso criaria 2,3 milhões de impostos individuais, exigindo ajustes e negociações constantes, um pesadelo burocrático que os Estados Unidos abandonaram unilateralmente na década de 1920. As tarifas recíprocas seriam um golpe fatal para o sistema de comércio global, segundo o qual cada país tem uma taxa universal para cada mercadoria que não esteja em um acordo de livre comércio.

Como se isso não fosse ruim o suficiente, as tarifas também prejudicarão a economia dos Estados Unidos. O presidente diz que quer mostrar aos agricultores que os ama. Mas proteger as 1,9 milhão de fazendas americanas da concorrência inflacionará as contas de supermercado de seus quase 300 milhões de consumidores; e compensá-las por tarifas retaliatórias aumentará o déficit.

Independentemente da opinião de Trump, o crescimento econômico será prejudicado porque as tarifas aumentarão os custos dos insumos. Se as empresas não puderem repassá-los aos consumidores, suas margens murcharão; se puderem, as famílias sofrerão o que equivale a um aumento de impostos.

As políticas de Trump preparam um confronto poderoso com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que ficará dividido entre manter as taxas altas para conter a inflação e reduzi-las para estimular o crescimento. Uma das instituições independentes remanescentes mais importantes dos Estados Unidos, o Fed teria de enfrentar um presidente furioso, acostumado a conseguir o que quer. Quando o governo encenou uma tomada de poder sobre as responsabilidades regulatórias do Fed, ele separou cuidadosamente a política monetária. Quanto tempo duraria essa distinção?

MAGAlomania

A economia mundial está em um momento perigoso. Tendo desafiado a realidade (e a constituição) após perder a eleição em 2020, apenas para ser triunfantemente reeleito em 2024, Trump não tem paciência para ser informado de que está errado. O fato de que sua crença no protecionismo é fundamentalmente falha pode não ser compreendido por algum tempo, se é que será. À medida que a mensagem de Trump que está prejudicando a economia se torna mais alta, ele pode atacar os mensageiros, inclusive seus assessores, o Fed ou a mídia. É provável que o presidente habite sua fantasia protecionista por algum tempo. O mundo real pagará o preço.

Infomoney - SP   10/03/2025

As importações da China encolheram inesperadamente no período de janeiro a fevereiro, enquanto as exportações perderam força, no momento em que a escalada das pressões tarifárias dos Estados Unidos lança uma sombra sobre a recuperação da segunda maior economia do mundo.

Nos dois primeiros meses do ano, houve o início de uma nova guerra comercial entre os EUA e a China, com o presidente norte-americano, Donald Trump, impondo uma taxa extra de 10% sobre os produtos chineses, argumentando que Pequim não fez o suficiente para conter o fluxo do opioide fentanil.

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Isso fez com que os esforços dos exportadores para adiantar as remessas antes das restrições fossem interrompidos, enquanto a produção também diminuía à medida que os trabalhadores chineses paravam para o festival do Ano Novo Lunar.

As importações caíram 8,4% em janeiro e fevereiro em relação ao mesmo período do ano anterior, mostraram os dados da alfândega na sexta-feira, contra expectativa de crescimento de 1% previsto em uma pesquisa da Reuters com economistas e um aumento de 1% em dezembro.

As exportações aumentaram apenas 2,3% no mesmo período, ante expectativas de alta de 5% e desacelerando em relação ao ganho de 10,7% de dezembro.

A agência alfandegária da China publica dados comerciais combinados de janeiro e fevereiro para suavizar as distorções causadas pela mudança no calendário do Ano Novo Lunar, que caiu entre 28 de janeiro e 4 de fevereiro neste ano.

Analistas afirmam que a queda nas importações sinaliza que Pequim começou a reduzir as compras de commodities importantes, enquanto se prepara para mais quatro anos de tensões comerciais exaustivas com o segundo governo Trump.

“A queda nas importações é observada em grãos, minério de ferro e petróleo bruto, e pode estar relacionada à própria consideração da China de construir reservas estratégicas”, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit.

“A China pode ter importado muitos deles em 2024 e precisa reduzir o volume de compras”, acrescentou. “Isso certamente é verdade para o minério de ferro, já que a produção de aço claramente excede o que é necessário para a economia.”

O impulso das exportações tem sido, até agora, um ponto positivo para uma economia que luta contra a fraqueza da confiança das famílias e das empresas, causada por uma prolongada crise da dívida no mercado imobiliário.

“(A desaceleração das exportações) pode se dever, em parte, à desaceleração da antecipação das exportações, que foi forte no final do ano passado para evitar a guerra comercial”, disse Zhang Zhiwei, economista-chefe da Pinpoint Asset Management.

“O declínio acentuado das importações pode refletir tanto a fraqueza da demanda doméstica quanto o declínio das importações para o comércio de processamento”, acrescentou.

As importações das empresas estatais encolheram 20,6% em comparação com um aumento de 2,7% entre as empresas privadas, mostraram os dados da alfândega, sugerindo que o maior importador de commodities do mundo está confiando mais nos estoques, dado o papel dominante dos compradores estatais.

As importações de petróleo bruto da China caíram 5% nos dois primeiros meses do ano, com a entrada em vigor de sanções mais rígidas dos EUA contra navios que transportam petróleo russo e iraniano. Enquanto isso, a China viu as importações de terras raras despencarem 24,1% e suas importações de cobre caírem 7,2% no mesmo período.

As importações de minério de ferro caíram 8,4% no mesmo período, reduzidas por interrupções relacionadas ao clima no principal produtor, a Austrália.

IstoÉ Dinheiro - SP   10/03/2025

A queda no preço de diversas commodities (bens primários com cotação internacional) e a importação concentrada de plataformas de petróleo pressionaram o resultado da balança comercial em fevereiro. No mês passado, o Brasil importou US$ 323,7 milhões a mais do que exportou.

Esse foi o primeiro déficit mensal na balança comercial (exportações menos importações) desde janeiro de 2022, quando o saldo tinha ficado negativo em R$ 59,1 milhões. O resultado é o pior para meses de fevereiro desde o início da série histórica, em 1989. No mesmo mês de 2024, a balança tinha ficado positiva em US$ 5,13 bilhões.

Com o resultado de fevereiro, o superávit comercial nos dois primeiros meses do ano atinge US$ 1,934 bilhão. O montante é 82,9% inferior ao do mesmo período de 2024. Esse é o resultado mais baixo para o acumulado do ano desde o primeiro bimestre de 2021, quando o superávit tinha atingido US$ 1,616 bilhão.

Em relação ao resultado mensal, as exportações caíram, enquanto as importações dispararam, impulsionada pela compra de plataforma de petróleo de US$ 2,7 bilhões. Em fevereiro, o Brasil vendeu US$ 22,929 bilhões para o exterior, recuo de 1,8% em relação ao mesmo mês de 2024. As compras do exterior somaram US$ 23,253 bilhões, alta de 27,6%.

Do lado das exportações, a queda no preço internacional do ferro, do petróleo, da soja, e do açúcar foram os principais fatores que provocaram a queda no valor vendido. As vendas de alguns produtos, como café, celulose e carne bovina, subiram no mês passado, compensando a diminuição de preço dos demais produtos.

Do lado das importações, as aquisições da plataforma de petróleo somaram US$ 2,675 bilhões em fevereiro, contra US$ 16,39 milhões no mesmo mês do ano passado. Também cresceram as compras de motores e de veículos. Sem a plataforma, a importação teria ficado em US$ 20,6 bilhões em fevereiro, em linha com o volume do mês em outros anos.

No mês passado, o volume de mercadorias exportadas subiu 1,4%, puxado por combustíveis, açúcares e veículos, mas os preços caíram 3,6% em média na comparação com o mesmo mês do ano passado. Nas importações, a quantidade comprada subiu 20,2%, mas os preços médios recuaram 6,1%, indicando o aumento das compras externas decorrentes da recuperação da economia, além da concentração de entrada de plataformas de petróleo.

Setores

No setor agropecuário, houve pequena recuperação. O volume de mercadorias embarcadas caiu 0,8% em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2024, enquanto o preço médio subiu 2%.

Na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios e de petróleo, a quantidade exportada caiu 11,7%, enquanto os preços médios recuaram 17,8%. A indústria de transformação foi a exceção, com a quantidade exportada subindo 7%, com o preço médio avançando 0,8%.
Estimativa

Em janeiro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulgou estimativas para a balança comercial do ano. A pasta prevê que o Brasil terá superávit entre US$ 60 bilhões e US$ 80 bilhões em 2025, com as exportações ficando entre US$ 320 bilhões e US$ 360 bilhões, e as importações entre US$ 260 bilhões e US$ 280 bilhões. Tradicionalmente, a pasta divulgava as projeções para o ano a partir de abril, com revisões em julho e em outubro.

O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit comercial de US$ 76,8 bilhões neste ano. Em 2024, a balança comercial registrou superávit de US$ 74,176 bilhões, com as exportações somando US$ 337,046 bilhões e as importações atingindo US$ 262,869 bilhões.

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2025

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, avaliou ao Estadão/Broadcast que o crescimento do PIB em 2025 será menor do que em 2024, refletindo os efeitos defasados da política monetária com a taxa Selic mais contracionista. Esse impacto já se fez notar desde o último trimestre de 2024. Para este ano, a projeção é de avanço de 2,3%.

“Nós esperamos que neste ano de 2025 o crescimento do PIB seja menor que o de 2024, exatamente pelos efeitos defasados da política monetária, mas ainda um crescimento robusto para uma economia que está com a menor taxa de desemprego da sua história, maior nível de massa salarial, então ele está numa situação positiva do ponto de vista de atividade. O crescimento de 2025 deve sustentar o Brasil, que se mantém com um crescimento próximo do seu potencial”, avaliou.

A expectativa da SPE é a de que o primeiro e segundo trimestres deste ano sejam positivos, especialmente em função de uma safra muito boa. “O ano de 2025 deve ter, provavelmente, a maior safra da história, o que movimenta não só o setor agropecuário, como também o setor de serviços, armazenamento, transporte e o próprio setor industrial de máquinas e implementos agrícolas”, disse.

A expectativa é que a primeira metade do ano seja bastante forte, mas puxada pelo agro, que não teve um bom desempenho em 2024. “Isso também deve ajudar na questão do preço dos alimentos, uma boa safra com mais oferta de alimentos deve reduzir a pressão sobre o preço de alimentos”, pontuou.

Investimentos

O secretário avaliou que o resultado do PIB de 2024 (um crescimento de 3,4%) foi muito positivo do ponto de vista da composição e também por trazer um crescimento expressivo de investimentos.

Mello ressaltou que o desempenho da economia brasileira em 2024 representa “uma surpresa muito boa” em relação às expectativas do mercado no início do ano, que esperava algo em torno de 1,5%. Os 3,4% de avanço do PIB refletem o aumento dos rendimentos do trabalho, mas principalmente retomada de investimentos e melhora de composição.

“No ano anterior (2023), apesar do PIB ter crescido 3,2%, a gente tinha observado uma queda nos investimentos. Este ano (2024), não. É um PIB um pouco maior, só que com um crescimento do investimento expressivo, mais de 7% de avanço no ano”, afirmou.

Mello destacou a recuperação da indústria, que é um setor dinâmico e que gera bons empregos, e o resultado expressivo de serviços, que compensaram o desempenho da agropecuária. Para esse setor, 2024 foi um ano marcado pela quebra de safra, pela crise climática e por uma safra menor do que a de 2023. “Do ponto de vista de composição também, foi um PIB muito positivo, muita gente não acreditava na capacidade da indústria e dos investimentos se recuperarem, e eles mostraram muita força em 2024", avaliou.

Globo Online - RJ   10/03/2025

As exportações da China atingiram um recorde até agora neste ano, à medida que tarifas mais altas dos Estados Unidos e a ameaça de novas tarifas impulsionaram o adiantamento de embarques. O valor das vendas ao exterior aumentou 2,3% nos dois primeiros meses do ano, totalizando US$ 540 bilhões, de acordo com um comunicado da Administração Geral de Alfândegas divulgado nesta sexta-feira.

As importações caíram inesperadamente 8,4%, resultando em um superávit comercial recorde de quase US$ 171 bilhões. As previsões medianas de economistas consultados pela Bloomberg apontavam para um aumento de 5,9% nas exportações e um crescimento de 1% nas importações.

Os números ofereceram um vislumbre de como a maior nação comercial do mundo tem se saído desde que Donald Trump começou a aumentar as tarifas sobre os produtos chineses. Os EUA impuseram uma taxa de 10% sobre quase todas as importações da China em 4 de fevereiro e elevaram essa alíquota para 20% no início desta semana.

— O impacto das tarifas mais altas dos EUA sobre as exportações da China provavelmente aparecerá no próximo mês — disse Zhiwei Zhang, presidente e economista-chefe da Pinpoint Asset Management. — Embora o setor de tecnologia na China esteja em alta, a demanda doméstica ainda é fraca, pois a desaceleração do setor imobiliário não terminou.

Vulnerável à guerra comercial

A queda nas importações reflete a demanda fraca no mercado interno e mostra como a saúde da economia doméstica está afetando outros países. As compras chinesas no exterior atingiram o nível mais baixo desde 2020.

Nesta semana, o governo de Pequim anunciou que expandiria o déficit orçamentário na tentativa de atingir uma meta de crescimento de 5% para este ano.

A China é altamente vulnerável ao risco de uma guerra comercial global. Embora os EUA absorvam diretamente apenas cerca de 15% das exportações chinesas, muitos produtos são enviados para lá por meio do Vietnã, México e outros países.

As empresas exportaram um recorde de US$ 87 bilhões em bens para os 10 países do bloco da Asean nos dois primeiros meses, com as exportações para o Vietnã atingindo o nível mais alto já registrado. As compras por empresas da União Europeia também foram maiores do que no mesmo período do ano passado.

Impacto em motor de crescimento

Se os EUA continuarem a aumentar as tarifas, isso poderá reduzir drasticamente um importante motor de crescimento que contribuiu para quase um terço da expansão econômica da China no ano passado. Mesmo nos níveis atuais, as taxas mais altas de Trump podem desacelerar o crescimento das exportações chinesas ao longo do ano.

O aumento recente das exportações chinesas para os EUA mostra como a ameaça de tarifas está levando empresas de ambos os países a tentar enviar mercadorias para a América antes que o governo Trump eleve ainda mais os custos.

As exportações para os EUA subiram para quase US$ 76 bilhões, o maior volume em três anos para os dois primeiros meses do ano. Ainda assim, o número ficou abaixo do registrado no mesmo período de 2022, quando a pandemia impulsionou uma grande expansão do comércio bilateral.

Os números comerciais divulgados pela China combinam os dois primeiros meses do ano para suavizar distorções causadas pelo calendário irregular do feriado do Ano Novo Lunar. Os dados para os meses individuais serão divulgados posteriormente.

Em toda a região, os dados comerciais de Taiwan também mostraram um padrão semelhante, com as exportações nos dois primeiros meses do ano atingindo um recorde de US$ 80 bilhões, segundo um comunicado divulgado em Taipei nesta sexta-feira. Os embarques para os EUA totalizaram US$ 11,8 bilhões em fevereiro, o maior volume em seis meses e 66% acima do registrado um ano antes.

China chama tarifas dos EUA de ‘malignas’

O ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, acusou Donald Trump de adotar uma abordagem hipócrita nas relações bilaterais e condenou as tarifas comerciais, à medida que as tensões entre as duas maiores economias do mundo aumentam.

O principal diplomata da China defendeu as ações do governo de seu país para conter o fluxo de fentanil para os EUA durante uma entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira e acusou o presidente americano de usar o tema como pretexto para pressionar seu governo.

— Os EUA não deveriam retribuir o bem com o mal ou impor tarifas arbitrárias sobre produtos chineses — disse ele à margem do Congresso Nacional do Povo, em Pequim. — Nenhum país deveria fantasiar que pode suprimir a China e ao mesmo tempo manter boas relações conosco. Esses atos de duas caras não fazem bem à estabilidade das relações bilaterais — acrescentou Wang, aparentemente criticando Trump por elogiar Xi Jinping como "brilhante" e destacar sua "ótima" relação, enquanto impõe suas tarifas mais severas até o momento contra o país asiático.

Incerteza sobre negociações

A forte crítica de Wang aos EUA aumenta a incerteza sobre possíveis negociações para um acordo comercial que impeça novos aumentos de tarifas. Até agora, as autoridades chinesas responderam com medidas direcionadas e uma retórica contida, ao contrário da postura agressiva adotada na última guerra comercial. No entanto, sem diálogo, a frustração parece estar crescendo.

— Pelas palavras de Wang, podemos ver que a China percebe que os EUA não a respeitam — disse Zhu Junwei, ex-pesquisador do Exército de Libertação Popular e agora diretor do Instituto Grandview, em Pequim.

Nenhum dos governos deu qualquer indicação pública de que negociações estão previstas. Enquanto Trump expressou interesse em falar com Xi antes da primeira onda de tarifas, os dois líderes ainda não conversaram desde que o presidente dos EUA assumiu o cargo. O ministro do Comércio da China afirmou na quinta-feira que enviou uma carta ao seu homólogo americano no mês passado para abrir canais de comunicação.

Sem discussão sobre fentanil

Nos próximos dias, uma série de medidas comerciais dos EUA pode aumentar a necessidade de negociação para evitar que a guerra comercial saia do controle. No entanto, a retórica de Pequim sugere que o país não aceitará discussões que vinculem a crise do fentanil ao aumento de tarifas, afirmou Yun Sun, diretora do Programa China no Stimson Center, em Washington.

— Se cedermos ou aceitarmos compromissos nestas primeiras rodadas, isso incentivará os EUA a nos coagir ainda mais, usando novas tarifas para forçar concessões — disse ela em entrevista à Bloomberg TV, analisando a possível postura de Pequim.

Míriam Leitão: Retaliação em bloco às tarifas de Trump seria o pior cenário para a economia global, diz especialista

À medida que Trump sacode a economia global com tarifas, Wang aproveitou a oportunidade para apresentar a China como um fator de estabilidade:

— A China trouxe a estabilidade necessária para um mundo em transformação e turbulência.

A entrevista coletiva, que durou cerca de 80 minutos, teve um tom triunfal, com Wang exaltando a força econômica da China e seus avanços em inteligência artificial, enquanto questionava a situação da inflação nos EUA e a competitividade da indústria americana.

— O que os EUA ganharam com tarifas e guerras comerciais ao longo desses anos? Seu déficit comercial aumentou ou diminuiu? A inflação subiu ou caiu? A vida do povo americano melhorou ou piorou? —questionou.

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2025

Os líderes do Canadá e do México falaram ao telefone com o presidente Donald Trump na semana passada para buscar soluções depois que ele impôs tarifas sobre seus países, mas parece improvável que o presidente da China faça uma ligação semelhante em breve.

Pequim, que, ao contrário dos parceiros e vizinhos próximos dos Estados Unidos, está envolvida em uma guerra comercial e tecnológica com os EUA há anos, adotou uma abordagem diferente no segundo mandato de Trump, deixando claro que qualquer negociação deve ser conduzida em pé de igualdade.

Os líderes chineses dizem que estão abertos a conversações, mas também se prepararam para as tarifas mais altas dos EUA, que aumentaram 20% desde que Trump assumiu o cargo há sete semanas. Com a intenção de não serem pegos desprevenidos como foram durante o primeiro mandato do republicano, os chineses estavam prontos com medidas retaliatórias — impondo seus próprios impostos na semana passada sobre as principais importações agrícolas dos EUA e muito mais.

“À medida que Washington aumenta as tarifas, Pequim não vê outra opção a não ser retaliar”, disse Sun Yun, diretor do programa da China no Stimson Center, um think tank com sede em Washington. “Isso não significa que Pequim não queira negociar, mas não pode ser vista como se estivesse implorando por conversas ou misericórdia.”

Como a segunda maior economia do mundo, a China aspira a ser uma grande potência no cenário regional e global, exigindo respeito de todos os países, especialmente dos Estados Unidos, como prova de que o Partido Comunista tornou a China próspera e forte.

Depois que os EUA impuseram, na semana passada, outra tarifa de 10%, além da tarifa de 10% imposta em 4 de fevereiro, o Ministério das Relações Exteriores da China proferiu sua resposta mais incisiva até o momento: “Se os EUA quiserem guerra, seja uma guerra tarifária, uma guerra comercial ou qualquer outro tipo de guerra, estamos prontos para lutar até o fim.”

A retórica dura ecoou comentários semelhantes em 2018, quando Trump lançou sua primeira guerra comercial com a China e o país se esforçou para alinhar ações de retaliação. Desde então, os líderes de Pequim desenvolveram um conjunto de ferramentas de tarifas, restrições de importação, controles de exportação, sanções, revisões regulatórias e medidas para impedir que as empresas façam negócios na China.

Todas foram projetadas para infligir dor à economia e às empresas dos EUA em resposta às medidas americanas.

Isso permitiu que o governo chinês reagisse rapidamente à recente duplicação generalizada de novas tarifas sobre produtos chineses por Trump, lançando uma cesta de medidas retaliatórias, incluindo a taxação de muitos produtos agrícolas americanos em até 15%, a suspensão das importações de madeira dos EUA e a inclusão de 15 empresas americanas na lista negra.

Pequim demonstrou moderação em sua resposta para deixar espaço para negociação, segundo analistas.

A liderança de Xi Jinping no Partido Comunista no poder abrange os dois mandatos de Trump, dando a Pequim mais continuidade em seu planejamento. Foi ele quem decidiu que ainda não é hora de falar com Trump, disse Daniel Russel, vice-presidente de segurança internacional e diplomacia do Asia Society Policy Institute.

“Isso não é uma questão de agendamento, é uma vantagem para a China”, disse Russel, que já foi secretário de Estado adjunto para Assuntos do Leste Asiático e do Pacífico. “Xi não participará de uma ligação se houver a possibilidade de ser assediado ou humilhado e, por motivos políticos e estratégicos, Xi não desempenhará o papel de suplicante.”

“Em vez disso, a China está revidando prontamente — mas de forma criteriosa — a cada conjunto de tarifas”, disse Russel.

Em sua entrevista à imprensa anual na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse que “nenhum país deve fantasiar que pode suprimir ou conter a China e, ao mesmo tempo, desenvolver boas relações com o país”.

“Esses atos de duas caras não só são ruins para a estabilidade das relações bilaterais, mas também não criam confiança mútua”, disse Wang. Ele acrescentou que a China acolhe a cooperação com os EUA, mas observou que “se vocês continuarem pressionando, a China retaliará com firmeza”.

Scott Kennedy, diretor de negócios e economia chineses do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, com sede em Washington, disse que os chineses desta vez “não estão psicologicamente chocados” com as táticas de “choque e pavor” de Trump.

“Eles já viram isso antes”, disse Kennedy. “Esse é o tipo de coisa que eles previram.”

A economia da China desacelerou, mas ainda está crescendo a um ritmo anual de quase 5% e, sob o comando de Xi, o partido está investindo pesadamente em tecnologia avançada, educação e outras áreas. A China tem laços comerciais mais fortes com muitos outros países do que durante o primeiro mandato de Trump e diversificou onde obtém seus principais produtos, por exemplo, comprando a maior parte de sua soja do Brasil e da Argentina em vez dos EUA.

Por sua vez, a porcentagem de produtos chineses vendidos para os EUA caiu.

“Eles estão mais bem preparados para absorver o efeito dos choques, em comparação com vários anos atrás”, disse Kennedy.

Enquanto isso, mais de 80% das exportações do México vão para os EUA, e o Canadá envia 75% de suas exportações para lá.

A China aprendeu com suas negociações anteriores com Trump, disse Russel. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, estão enfrentando uma reversão das políticas comerciais anteriores de Trump, com tarifas impostas e depois adiadas duas vezes em pelo menos alguns produtos.

“Pequim já viu o suficiente para saber que apaziguar Trump não funciona”, disse Russel. Na primeira vez, Trudeau e Sheinbaum “ganharam um pouco de tempo, mas a pressão voltou com mais força”.

Trudeau viajou para Mar-a-Lago para se encontrar com Trump em dezembro, depois que o presidente eleito ameaçou com tarifas. Mas ao anunciar as tarifas retaliatórias na terça-feira, Trudeau advertiu severamente: “Este é o momento de revidar com força e demonstrar que uma briga com o Canadá não terá vencedores”.

Sheinbaum também disse que “ninguém ganha com essa decisão”.

CNN Brasil - SP   10/03/2025

O Ministério da Fazenda divulgou nesta sexta-feira (7) que projeta desaceleração no ritmo de crescimento da economia brasileira neste ano. Segundo a Secretaria de Política Econômica, a economia deve crescer 2,3% em 2025, abaixo da casa dos 3% como nos 3 anos anteriores.

Em comunicado sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de 2024, divulgado mais cedo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Fazenda destacou que a atividade econômica seguirá um bom ritmo de expansão no começo deste ano.

“No primeiro trimestre de 2025, o ritmo de crescimento deverá voltar a subir na margem, desacelerando em seguida. A expansão da atividade agropecuária deverá ser na casa de dois dígitos, repercutindo principalmente a colheita recorde de soja. O PIB de serviços também deve acelerar na margem no primeiro trimestre, refletindo o reajuste do salário mínimo e o maior ritmo de crescimento de atividades relacionadas à agropecuária, como os transportes e o comércio”, diz a nota da Secretaria de Política Econômica.

No entanto, mudanças no rumo do agronegócio no decorrer de 2025 devem levar o PIB brasileiro a encerrar na casa dos 2%, desacelerando cerca de 1 ponto percentual (p.p.) em relação ao que foi registrado em 2024.

“A partir do segundo trimestre de 2025, a contribuição do setor agropecuário para o crescimento deverá se tornar negativa, junto com a redução na expansão de atividades cíclicas. Para a segunda metade do ano, a perspectiva é de que o ritmo de crescimento se mantenha próximo à estabilidade, refletindo menores impulsos vindos dos mercados de crédito e de trabalho em função do patamar contracionista da política monetária”.

Analistas do mercado destacaram que a variação do PIB de 0,2% nos quarto trimestre de 2024, abaixo das previsões, reflete que a política monetária contracionista do Banco Central deve contribuir para frear a economia, com o objetivo de levar a inflação para dentro da meta.

IstoÉ Dinheiro - SP   10/03/2025

Os preços ao consumidor na China caíram em fevereiro, um sinal de pressão desinflacionária persistente, encerrando um ano de fraco avanço dos preços e colocando em evidência os desafios que as autoridades locais enfrentam para estimular a demanda interna ao mesmo tempo em que as tensões comerciais se intensificam.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) caiu 0,7% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado, invertendo o aumento de 0,5% visto em janeiro, informou o Departamento Nacional de Estatísticas neste domingo, 9 (noite de sábado no Brasil). Pesquisa do Wall Street Journal com economistas estimava uma queda de 0,5%.

Economistas afirmam que a queda nos preços se deve em parte a uma base de comparação alta, pois em 2024 o feriado de uma semana do Ano Novo Lunar caiu inteiramente em fevereiro.

Ainda assim, eles alertam que o recuo indica que, mesmo após uma recente mudança nos estímulos econômicos, as autoridades têm muito a fazer para convencer as cautelosas famílias chinesas a abrirem suas carteiras, uma tarefa que, segundo economistas, é essencial para manter funcionando uma economia afetada por tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As exportações, importante motor de crescimento para a economia de US$ 18 trilhões, já mostram sinais de oscilação. Os embarques da China cresceram apenas 2,3% no primeiro bimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado.

“Isso reflete o retorno da antecipação de exportações e os aumentos tarifários mais rápidos e amplos de Trump”, disseram economistas do banco Barclays em nota.

Com as tarifas dos EUA entrando em vigor em fevereiro e março, muitos analistas preveem que o impacto será sentido com mais força nos próximos meses e Pequim pode ser forçada fazer uma nova rodada de estímulos.

Em uma medida vista como um reconhecimento tácito das autoridades sobre a persistente pressão desinflacionária, Pequim reduziu na quarta-feira, 5, sua meta de inflação ao consumidor para cerca de 2% em 2025, o menor nível em mais de duas décadas e um distanciamento da meta de longo prazo de 3%, que na prática serviu como um teto flexível em vez de uma meta rígida em anos anteriores. O CPI anual ficou em 0,2% nos dois últimos anos.

Ao explicar o pensamento das autoridades econômicas a jornalistas recentemente, Chen Changsheng, um alto funcionário do governo chinês, destacou que preços continuamente baixos elevariam os encargos da dívida e suprimiriam o investimento corporativo. Seus comentários ecoaram as preocupações de economistas de que a China poderia cair em uma armadilha econômica semelhante à experiência do Japão na década de 1990, quando um colapso de ativos levou a anos de estagnação.

Apesar de uma meta mais atingível, economistas dizem que Pequim provavelmente ainda terá dificuldades para atingi-la, dado que uma crise imobiliária que dura anos ainda não está no fim.

As medidas iniciais que Pequim revelou para impulsionar o consumo decepcionaram alguns economistas que têm pedido medidas políticas mais fortes, incluindo gastos fiscais intensificados em programas de bem-estar social, como pensões e assistência médica.

Cálculos baseados em metas oficiais de déficit indicam uma perspectiva ainda mais sombria para os preços, sinalizando que as autoridades não estão contando com uma recuperação substancial dos preços este ano. A China agora está a caminho da mais longa sequência de quedas de preços desde a década de 1960.

Globo Online - RJ   10/03/2025

Ao estabelecer a política de aumento real — acima da inflação — para o salário mínimo, o governo acredita beneficiar a população mais pobre. Não apenas aqueles que recebem esse salário pelo trabalho, mas também os que dependem da Previdência, cujos benefícios são indexados ao mínimo. Um problema conhecido dessa política é seu impacto nas contas públicas — cada real de aumento no salário mínimo gera quase R$ 400 milhões de despesas anuais para o governo. Os aumentos reais do mínimo contribuem, portanto, para agravar o déficit previdenciário e degradar ainda mais a situação fiscal.

Para reduzir esse impacto nas contas públicas, o pacote fiscal aprovado no ano passado limitou os reajustes a 2,5% em termos reais (descontada a inflação). Com isso, o salário mínimo recebeu aumento de 7,5% e foi para R$ 1.518. Além do efeito nas contas da Previdência, porém, o reajuste também terá impacto na inflação, como mostra um estudo dos pesquisadores Ricardo Sabbadini e Julia Regina Scotti publicado pelo Banco Central.

Reajustes do mínimo podem ter influência nos preços por duas vias. Primeiro, as empresas podem precisar aumentá-los para arcar com a alta na folha de pagamento de seus funcionários. Segundo, o crescimento real da massa salarial acarreta aumento da demanda, sem necessariamente haver maior oferta — e então os preços sobem. Pelos cálculos de Sabbadini e Scotti, cada ponto percentual de aumento no mínimo está associado a alta de 0,1 ponto percentual na inflação de serviços 12 meses depois (eles adotaram esse indicador porque está menos sujeito a flutuações de câmbio e preços de commodities no mercado internacional). Isso significa que os 2,5% de aumento real do mínimo podem acarretar serviços 0,25% mais caros.

Eles também calcularam o impacto na inflação levando em conta os canais indiretos de propagação de pressões sobre os preços, como aquecimento ou ociosidade da economia, inércia inflacionária — os preços sobem hoje porque subiram ontem — e expectativas de inflação. Considerando também os demais fatores, o aumento de 1 ponto percentual do mínimo pode contribuir, diretamente ou em conjunto com eles, em 0,24 ponto percentual para a inflação 12 meses depois. Assim, a alta real de 2,5% está associada a inflação anual 0,6 ponto percentual maior. Não é pouco. Isso corresponde a um quinto da meta de inflação, hoje em 3%.

O estudo traz para o campo da racionalidade o que costuma ser tratado de forma voluntarista. Além do impacto dos reajustes do mínimo nas contas da Previdência, elevar o poder aquisitivo acima das condições da economia de atender ao aquecimento da demanda corrói a renda trazida pelos próprios reajustes. Políticas salariais que não considerem ganho (ou perda) de produtividade e gargalos no mercado de trabalho são ilusórias. O que é concedido hoje, a inflação toma amanhã.

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2025

O presidente Donald Trump se recusou a descartar a possibilidade de que suas políticas econômicas, incluindo tarifas agressivas contra os parceiros comerciais dos Estados Unidos, causem uma recessão.

Em uma entrevista que ocorreu na quinta-feira, na Casa Branca, mas que só foi exibida neste domingo, 9, pela Fox News, a apresentadora do “Sunday Morning Futures”, Maria Bartiromo, fez referência às “crescentes preocupações sobre uma desaceleração”. Ela perguntou a Trump: “Você está esperando uma recessão este ano?”.

“Eu odeio prever coisas assim”, respondeu o presidente. “Há um período de transição, porque o que estamos fazendo é muito grande. Estamos trazendo riqueza de volta para a América. Isso é algo grande. Leva um pouco de tempo, mas acho que deve ser ótimo para nós.” Trump também disse que estava considerando aumentar as tarifas contra o México e o Canadá.

A imposição de tarifas abrangentes sobre os dois vizinhos e a China na semana passada abalou os mercados de ações e provocou resistência das indústrias, incluindo as maiores montadoras, que disseram ao presidente que as taxas dizimariam seus negócios.

O Canadá imediatamente retaliou com tarifas sobre US$ 20,5 bilhões em exportações americanas e ameaçou medidas adicionais. A China também colocou tarifas sobre produtos dos EUA e planeja impor outra rodada na segunda-feira.

Na quinta-feira, Trump reverteu abruptamente suas tarifas de 25% sobre muitas exportações canadenses e mexicanas.

Mas o presidente está planejando mais tarifas em breve — aumentando as chances de uma guerra comercial global economicamente prejudicial. Na quarta-feira, sua administração está pronta para colocar em prática uma tarifa de 25% sobre todo o aço e o alumínio estrangeiros, que ele previu no mês passado. E disse esperar mais impostos em 2 de abril, quando planeja impor o que ele está chamando de “tarifas recíprocas” para responder às taxações de outros países e outras práticas comerciais.

Bartiromo disse a Trump que os líderes empresariais apreciam a certeza: “As empresas públicas querem ter certeza de que teremos clareza depois de 2 de abril, quando essas tarifas recíprocas entrarem em vigor. Vocês vão mudar alguma coisa depois disso? Teremos clareza?”.

“Podemos aumentar algumas tarifas. Depende. Podemos aumentar. Não acho que vamos diminuir, ou podemos aumentar”, disse Trump. “Eles têm bastante clareza. Eles apenas usam isso. Isso é quase um som. Eles sempre dizem que queremos clareza. Olha, nosso país foi roubado por muitas décadas, por muitas, muitas décadas, e não seremos mais roubados.”

Economistas ficaram mais pessimistas quanto à perspectiva econômica em meio à abordagem vertiginosa de Trump às tarifas, o que alimentou considerável incerteza e prejudicou empresas que consideram novos investimentos e contratações. A preocupação é que a volatilidade em andamento esfrie ainda mais essa atividade, intensificando uma desaceleração econômica que já está em andamento.

No segundo mandato de Trump na Casa Branca, a economia havia diminuído para um ritmo de crescimento mais modesto, o mercado de trabalho havia esfriado, e a inflação, embora ainda estável, estava bem longe do pico de 2022. O cenário econômico ainda é sólido, mas políticas como tarifas, deportações e cortes acentuados nos gastos do governo, centrais para a agenda econômica de Trump, devem testar essa resiliência.

As tarifas, por exemplo, são amplamente esperadas para aumentar os preços de bens de uso diário, enquanto também amortecem o crescimento, pois empresas e consumidores são forçados a realocar recursos e cortar gastos em outros lugares. A inflação elevada limitou até certo ponto o quanto o Federal Reserve pode ser capaz de apoiar a economia se as condições se deteriorarem. Por enquanto, o Banco Central optou por manter as taxas de juros em espera em 4,25% a 4,5%.

Jerome H. Powell, presidente do Federal Reserve, reiterou na sexta-feira que o Fed não estava com “pressa” para reduzir as taxas de juros porque a economia permanecia em boa forma, mas reconheceu a natureza potencialmente disruptiva dos planos de Trump, especialmente em relação à inflação.

O fraco crescimento combinado com o aumento dos preços alimentou temores de estagflação, uma combinação tóxica que colocaria o Fed em uma posição ainda mais difícil.

Em uma entrevista na sexta-feira, Austan D. Goolsbee, presidente do Fed de Chicago e membro votante do comitê de definição de políticas deste ano, disse que tal dinâmica estava cada vez mais “no radar”, especialmente porque ele ouviu de empresas em seu distrito que elas estavam lutando contra um “calafrio induzido pela incerteza”.

Falando à imprensa no domingo, Howard Lutnick, o secretário de Comércio, disse que as tarifas ajudariam a “fazer nossa economia crescer de uma forma que nunca crescemos antes”.

Questionado sobre previsões de bancos como JP Morgan e Goldman Sachs, que dizem que uma recessão nos próximos 12 meses se tornou mais provável, Lutnick disse que os americanos não deveriam se preparar para uma recessão.

“Eu nunca apostaria em recessão”, ele disse. “Nem pensar.”

Lutnick afirmou que os esforços da administração Trump para reduzir os déficits governamentais reduziriam as taxas de juros, enquanto a perfuração de mais petróleo também reduziria o preço da energia. Ele reconheceu que as tarifas poderiam aumentar o preço de produtos estrangeiros, mas disse que os produtos nacionais ficariam mais baratos.

Muitos economistas expressaram outras opiniões, dizendo que tarifas sobre produtos estrangeiros podem ajudar empresas americanas a se tornarem mais lucrativas, dando-lhes espaço para aumentar seus preços também.

“Produtos estrangeiros podem ficar um pouco mais caros”, disse Lutnick. “Mas produtos americanos vão ficar mais baratos, e você estará ajudando os americanos comprando produtos americanos.”

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   10/03/2025

Os contratos futuros de minério de ferro na bolsa de Dalian registraram queda em base semanal, apesar de terem interrompido uma sequência de nove sessões de perdas nas negociações desta sexta-feira, pressionados por relatos de cortes na produção de aço na China e pela intensificação da guerra comercial entre Washington e Pequim.

O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China subiu 0,19%, para 774 iuanes (US$106,81) a tonelada. O contrato caiu 3,49% esta semana.
O minério de ferro de referência para abril na Bolsa de Cingapura subia 0,04%, a US$100,4 a tonelada, perdendo 1,99% até agora nesta semana.

Os esforços de Pequim para apoiar o crescimento econômico local impulsionaram o sentimento nos mercados de commodities, disseram analistas do ANZ.
A China liberou mais estímulos fiscais na quarta-feira, prometendo maiores esforços para sustentar o consumo e impulsionar a demanda doméstica.

Na quinta-feira, as autoridades chinesas deixaram a porta aberta para mais medidas de estímulo, além das anunciadas na reunião anual do parlamento desta semana, caso o crescimento econômico saia dos trilhos.

Esses movimentos seguem novas medidas comerciais, já que Washington impôs, na terça-feira, tarifas adicionais de 10% sobre os produtos chineses, elevando a tarifa cumulativa para 20% e atraindo retaliação de Pequim.

Enquanto isso, os cortes na produção de aço na China podem aumentar a oferta de minério de ferro, intensificando a pressão sobre os preços do minério, disse a Hexun Futures.

A China reestruturará sua gigantesca indústria siderúrgica por meio de cortes na produção, embora não tenha anunciado nenhuma meta na mais recente intervenção para lidar com o excesso de capacidade no setor.

Ainda assim, as importações de minério de ferro da China nos dois primeiros meses de 2025 caíram 8,4% em relação ao ano anterior, reduzidas pela interrupção do fornecimento relacionada ao clima na Austrália, um dos principais produtores mundiais de minério.

Valor - SP   10/03/2025

Revisão de portfólio e corrida por minerais críticos aquecem fusões e aquisições no setor

A revisão de portfólio das maiores mineradoras do mundo e a corrida por minerais críticos têm impulsionado transações de fusão e aquisição (M&As, na sigla em inglês) no setor mineral. Considerando apenas os mandatos que estão na rua neste momento, segundo fontes de mercado, as operações no Brasil têm potencial de somar, juntas, até R$ 15 bilhões.

Esse movimento já teve início. O ano passado foi aquecido para transações no setor, com volume financeiro chegando a R$ 13 bilhões (US$ 2,291 bilhões) e perdendo na linha histórica apenas para 2023, que somou R$ 20,1 bilhões (US$ 3,51 bilhões), valor que foi inflado pela venda de uma fatia de 10% da Vale Base Metals por R$ 14,25 bilhões (US$ 2,5 bilhões), segundo estudo do UBS BB, feito a pedido do Valor.

Em 2024, a maior transação envolveu a CSN Mineração, com a venda de uma fatia minoritária de 11% para a Mitsui, por R$ 4,4 bilhões. Desconsiderando o negócio multibilionário da Vale em 2023, o ano passado registrou mais transações no setor em uma década, o que tende a ser superado em 2025.

Já neste ano, a Anglo American vendeu a operação de níquel no Brasil para a chinesa MMG por US$ 500 milhões e encerrou sua atuação no segmento no país. A transação reflete o movimento estratégico das grandes mineradoras diante do excesso de oferta global do metal, ao mesmo tempo em que sinaliza a aposta da China no potencial futuro do níquel.

A BHP Billiton, depois de comprar a Oz Minerals em 2023, também colocou à venda ativos de cobre no Brasil. O diretor do UBS BB, João Auler, diz que o tabuleiro de M&A no setor de mineração tem se organizado com as grandes empresas ajustando operações após um processo de consolidação.

“As empresas enfrentam, no momento, pressão de como gerar valor”, afirma. A Anglo American, por exemplo, recusou oferta hostil da BHP e agora busca gerar valor para seus acionistas de forma independente. Nesse contexto, M&As se tornam peça-chave. “Existe ainda corrida pelos minerais críticos, e esse é o principal ‘driver’ de consolidação”, diz Auler.

Esse movimento se refletiu na precificação das mineradoras listadas em bolsa. “As empresas mais diversificadas estão negociando com prêmio”, afirma o corresponsável pela área de M&A do Goldman Sachs na América Latina, Pedro Muzzi. Com isso, depois de um período em que predominou a venda de ativos, empresas globais estão mais uma vez olhando para aquisições, em busca de diversificar seus negócios. “A diversificação está sendo reconhecida em bolsa e isso tem gerado mais M&As. Muitas empresas também querem surfar a onda da transição energética”, diz. Um dos focos dessas mineradoras, segundo ele, são terras raras, metais usados na indústria de alta tecnologia, incluindo veículos elétricos e turbinas eólicas.

Essa percepção dos investidores aparece no desempenho das empresas listadas em bolsa globalmente. Estudo recente do Boston Consulting Group (BCG), intitulado “Value Creation in Mining 2024”, analisou o desempenho de 77 empresas de mineração, com valor de mercado superior a US$ 5 bilhões, e mostra que apenas uma em cada quatro empresas do setor superou o índice MSCI World - que acompanha ações de mais de mil empresas em diferentes países - entre 2013 e 2023.

Em média, conforme a pesquisa, o retorno total para o acionista (TSR) dessas empresas ficou 2,5 pontos percentuais abaixo do “benchmark”. “O estudo mostra que o desempenho abaixo da média das empresas de mineração em ciclos anteriores de commodities abalou os investidores”, explica a diretora executiva e sócia do BCG, Juliana Abreu.

Conforme a executiva, essa performance reflete a dificuldade de gerar retornos consistentes em um ambiente volátil de preços e desafiador. Por outro lado, há um novo grupo de mineradoras que se destacou em geração de valor ao acionista. “Isso mostra que, independentemente do minério explorado ou do local de atuação, a mineração ainda apresenta muita oportunidade de geração de valor”, pondera.

Em sua avaliação, fusões e aquisições são um caminho para acelerar o crescimento do setor e garantir acesso a novos recursos e mercados. Em determinados casos, são também um meio de simplificar portfólio e buscar eficiência e alocação de capital mais efetiva.

“Para navegar em um ambiente volátil e incerto e tomar decisões estratégicas que criem valor a longo prazo, as empresas de mineração precisam explorar novas oportunidades de mercado e os M&As podem ajudá-las a expandir operações e diversificar seus portfólios”, afirma. Essa decisão, porém, exige visão “estratégica e cuidadosa”, com foco em “oportunidades que realmente agreguem valor”.

As empresas enfrentam, no momento, pressão de gerar valor”

— João Auler

Existem mais mandatos de venda em curso no Brasil. Há anos, o Eurasian Resources Group (ERG) busca um comprador para a Bamin. O grupo assumiu o controle da mineradora baiana em 2010 e chegou a negociar com um grupo chinês, mas as tratativas não vingaram.

A Vale avalia a aquisição da Bamin, mas o ativo também despertou o interesse da Brazil Iron, conforme o Valor informou. O caso, contudo, é complexo e o potencial comprador terá de resolver infraestrutura de ferrovia e porto para viabilizar o projeto. (Veja reportagem Venda da Bamin tem 2 rotas possíveis, mas é incerta)

Outro processo de venda na rua é o do Porto Sudeste, terminal portuário de minério de ferro no Rio de Janeiro, do fundo Mubadala e da trading Trafigura, que inclui a mina Morro do Ipê, comprada em 2014 do empresário Eike Batista.

Do lado comprador, a Pan American Silver, listada na bolsa canadense, levou a Yamana Gold e, segundo fontes, segue compradora em ativos de ouro no país.

Especialistas afirmam que este rearranjo é impulsionado pela corrida por minerais essenciais para a transição energética, como lítio, níquel, cobalto e cobre, além de ajustes para aumentar a rentabilidade, pressões ambientais, além da busca por maior competitividade via fusões e aquisições. A instabilidade geopolítica também leva as empresas a diversificar riscos, enquanto o ciclo de preços das commodities influencia a compra e venda de ativos estratégicos.

De acordo com Juliana, do BCG, as mineradoras enfrentam um cenário complexo, com desafios relacionados às incertezas quanto à desaceleração econômica na China, à geopolítica fragmentada, à substituição dos combustíveis fósseis, ao aumento de barreiras regulatórias e à crescente resistência social. Mas há três que chamam a atenção: queda do teor de metal obtido por tonelada de minério, eventos climáticos extremos e questões políticas e regulatórias.

A queda no teor de metal, em particular nas regiões mineradoras já consolidadas, tem se refletido em concentrações cada vez maiores de “jurisdições de fronteira”, áreas com menor exploração histórica, menos ativos e regulamentação menos estabelecida.

“Eventos climáticos extremos e imprevisíveis estão se tornando mais comuns, causando interrupções maiores para as mineradoras”. Além disso, diz, preocupações sociais e ambientais têm colocado pressão em reguladores e políticos para restringir e até impedir o desenvolvimento mineral.

AUTOMOTIVO

Exame - SP   10/03/2025

A Volkswagen no Brasil está entre as protagonistas do maior ciclo de investimentos da história do setor automotivo brasileiro. Até 2028, a fabricante prevê um aporte de R$ 16 bilhões no país, com foco em descarbonização e mobilidade sustentável. O plano inclui o lançamento de 16 novos veículos dentro de uma estratégia que prioriza a eletrificação combinada com etanol, considerado a alternativa mais viável para o mercado brasileiro no curto e médio prazo.

Embora motores a combustão movidos a hidrogênio estejam sendo estudados globalmente, especialmente para veículos de grande porte, a Volkswagen avalia que a tecnologia tem pouca viabilidade no Brasil.

Roger Guilherme, gerente do Way to Zero Center (Caminho para Zero) da Volkswagen do Brasil, explica à EXAME que, além dos desafios de infraestrutura e do alto custo da tecnologia, a disponibilidade no país de combustíveis de baixa pegada de carbono, como o biometano e o biodiesel, torna o hidrogênio menos atrativo para o mercado local.

"Mesmo com uma célula de combustível eficiente, o custo por quilômetro seria mais do que duas vezes o custo do mesmo percurso com um veículo totalmente elétrico, com maior emissão de CO2 no conceito 'do poço à roda'", diz o especialista, em referência à metodologia da análise de ciclo de vida para estabelecer metas para a mobilidade sustentável de baixo carbono.

O plano industrial da montadora no Brasil

A aposta da montadora de origem alemã para a transição energética no Brasil se concentra no avanço dos motores Total Flex, – que foram lançados pela marca em 2003 com o Gol Total Flex –, para novos veículos híbridos flex e elétricos.

De acordo com Rafael Teixeira, CFO da Volkswagen do Brasil e Região América do Sul, o etanol continua sendo a solução mais rápida e eficaz para reduzir emissões, aproveitando a infraestrutura já existente. "A tecnologia híbrida flex representa um passo natural nessa transição, ao combinar a propulsão elétrica e o etanol, resultando em eficiência, sustentabilidade e autonomia", afirma Teixeira.

Parte dos investimentos da Volkswagen no Brasil também está direcionada ao desenvolvimento da plataforma MQB Hybrid, que servirá de base para os novos modelos híbridos e elétricos.

O projeto conta com uma nova arquitetura eletrônica, que amplia a conectividade e aprimora a segurança com tecnologia ADAS (Advanced Driver Assistance System). Desenvolvida com a participação da engenharia brasileira e sul-americana, a plataforma está sendo concebida por meio de tecnologias avançadas de simulação digital.

Para o desenvolvimento da iniciativa, a montadora conta com os recursos do Plano Mais Produção, braço de financiamento da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada para estímulos à inovação.

No ano passado, R$ 500 milhões foram aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com o objetivo de impulsionar a produção automotiva sustentável da VW, com foco na descarbonização e na transição energética.

Desde então, segundo o CFO da marca, os recursos têm sido aplicados em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para a nova plataforma, além de projetos ligados à transformação digital e avanços tecnológicos na produção automotiva e modernização de suas quatro fábricas no Brasil – São Bernardo do Campo, Taubaté, São José dos Pinhais e Vinhedo, localizadas em São Paulo.

"Parte dos investimentos segue para o Centro de Design e Engenharia da empresa, localizado na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo, que é um dos mais avançados do Grupo Volkswagen no mundo e conta com quase 1 mil profissionais atuando nas fábricas Anchieta, Taubaté e Pacheco (Argentina), sendo que em 2024 foram contratados mais de 100 engenheiros e engenheiras para reforçar o time de Inovação e Tecnologia", diz Teixeira.

Por questões estratégicas, segundo a marca, os detalhes do cronograma do projeto não foram divulgados.

Em pleno carnaval no Rio de Janeiro, contudo, a Volkswagen apresentou seu novo SUV subcompacto desenvolvido no Brasil, o Tera 2026, como parte do plano de lançamento de 16 modelos pelos próximos três anos.

O veículo será fabricado em Taubaté e posicionado abaixo do Nivus e do T-Cross. O novo modelo é indiretamente apontado como um substituto do Gol, um dos carros mais populares da Volkswagen em território nacional. A estreia nas concessionárias é prevista para maio, enquanto as exportações para outros mercados da América Latina devem ocorrer no segundo semestre.

A empresa está presente em Brasil há 71 anos, e o país ocupa um papel estratégico na operação global da Volkswagen. Em 2024, pelo segundo ano consecutivo, foi o terceiro maior mercado mundial para a marca, ficando atrás apenas da China e da Alemanha.

Segundo o CFO da marca, a relevância brasileira levou a montadora a investir no país não apenas como um polo produtivo, mas também como centro de inovação para exportação.

Um exemplo disso, diz Teixeira, é o SUV Nivus, primeiro veículo desenvolvido na América do Sul a ser comercializado na Europa sob o nome Taigo. O modelo também estreou o sistema de infotainment VW Play, exportado para mais de 70 países.

"No ano passado, a Volkswagen foi a marca de volume que mais cresceu em unidades vendidas no Brasil. Os 400.379 veículos Volkswagen vendidos em 2024 representaram 55.340 unidades a mais do que em 2023, com crescimento acima do mercado. Enquanto a Volkswagen cresceu 16% em vendas em 2024, o mercado total cresceu 14,1%", afirma o executivo da empresa.

Desafios e expectativas

Apesar dos resultados positivos, Teixeira também observa que o setor automotivo no Brasil ainda enfrenta desafios significativos.

Entre eles a alta carga tributária, que representa mais de 40% do valor dos veículos, segundo ele, e o custo do crédito, impactado pelos juros elevados. Outro ponto de preocupação para a Volkswagen é o que classifica como "concorrência desigual" com marcas que não produzem no Brasil, mas se beneficiam de incentivos para importação de veículos eletrificados.

"A concorrência é benéfica e faz parte do negócio, mas as marcas precisam produzir aqui, enfrentando as mesmas dificuldades e contribuindo com a economia. A Volkswagen do Brasil, por exemplo, conta com 80% de seus fornecedores locais. Além das operações da empresa, são mais 1.000 fornecedores e uma rede de 472 concessionárias gerando emprego e renda", diz o CFO da VW.

Anfavea pressiona governo para aumentar em duas vezes a alíquota de importação de elétricos

Na área internacional, o executivo afirma que mesmo diante da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e um possível impactado na agenda verde brasileira, a Volkswagen manterá seu plano de eletrificação e aposta no etanol como solução viável para a realidade local. "Fomos a primeira fabricante de automóveis do mundo a assinar o Acordo de Paris", lembra.

A montadora também segue as previsões da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que prevê para 2025 crescimento de vendas de 6,6%, e aumento das exportações em 7,7% e produção positiva de 8,4% para o mercado de veículos leves.

A Tribuna - SP   10/03/2025

Embora as vendas de veículos eletrificados estejam em alta no Brasil, as montadoras ainda desconhecem qual é, exatamente, o perfil do consumidor interessado nesse tipo de tecnologia, que ainda é relativamente recente no País.

Para jogar luz sobre o que pensa esse público, a Associação Brasileira de Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeifa) encomendou para a empresa Dados X uma ampla pesquisa denominada “A jornada de compra de veículos eletrificados”. Com duração de dois meses, o levantamento acompanhou inicialmente o movimento de 3 milhões de pessoas nas ferramentas digitais. Depois de um primeiro funil, passou a se concentrar em 268 mil potenciais clientes que, efetivamente, iniciaram o processo de aquisição. “Trata-se de uma análise minuciosa do comportamento de quem pretende comprar carros elétricos e híbridos”, afirma Galileu Prezzotto, CEO da Dados X.

A primeira conclusão do estudo chama atenção: no ano passado, 88.250 veículos eletrificados deixaram de ser vendidos para os chamados “early adopters”, os consumidores que correm para comprar pela primeira vez uma novidade. Os motivos passam pela indecisão se o carro se encaixa no estilo de vida do consumidor (29%), insegurança provocada pelas análises negativas publicadas em sites e mídias sociais (25%), falta de confiança no momento da compra (22%) e resistência familiar (13%).

EFEITO TESLA

Segundo a pesquisa, o aumento do interesse por um automóvel 100% elétrico ou híbrido é determinado por uma série de fatores promovidos pela indústria automotiva e políticas do governo. A previsão é que no primeiro trimestre deste ano a jornada de compra cresça de 24% a 32%. “Cerca de 54 mil pessoas demonstraram ser movidas por certos estímulos, como desconto nos preços, entrada facilitada e financiamento”, diz Prezzotto.

O estudo apontou que o tempo médio da jornada de compra de um automóvel com motor a combustão vai de um a dois meses. Mas, quando os interessados se deparam com a possibilidade de escolher um eletrificado, o período se estende: 53% que queriam, inicialmente, um carro tradicional demoraram mais três ou quatro meses, porque também começaram a pesquisar veículos elétricos e híbridos. Desse universo, 72% eram mulheres.

“O carro elétrico é para quem deseja muita tecnologia e ele não tira o público de quem prefere motor a combustão. Ainda não existe esse impacto de um sobre o outro”, conta o CEO da Dados X. “O mercado brasileiro é muito peculiar. Apesar do dólar em alta, o modelo eletrificado tem consumo garantido.”

De 2022 até o primeiro semestre de 2023, 95% dos clientes concluíram a jornada de compra de um carro totalmente elétrico e 5% de um híbrido, graças ao “efeito Tesla”. “Naquele momento, os modelos da fabricante americana ocupavam o noticiário e muita gente ficou curiosa para entender aquela tecnologia”, explica.

Em 2023, a divisão mudou para 70% de aquisição de elétricos, 25% híbridos e 5% híbridos plug-in. No ano passado, os veículos híbridos viraram o jogo: 65% do total. A pesquisa revela certa frustração do cliente ao ter contato com as limitações do carro elétrico, o que leva a maioria a optar pelo híbrido.

HATERS

Das 18 milhões de buscas de informações sobre os eletrificados, entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, 38% eram de questionamentos a respeito de funcionamento, custos, além de vantagens e desvantagens. “Essas dúvidas causaram algumas desistências”, salienta Prezzotto.

A pesquisa identificou que as faixas etárias mais propensas a comprar um eletrificado são de 35 a 40 anos (26%) e 41 a 45 anos (25%). Em seguida, aparecem 30 a 34 anos (15%), 50 a 55 anos (14%) e mais de 55 anos e de 25 a 29 anos empatados com 10%. Ou seja, os extremos - os mais jovens e os mais velhos - ainda não abrem mão do veículo a combustão.

Um dado estarrecedor colhido pelo levantamento diz respeito à guerrilha digital presente, atualmente, nas mídias sociais. O veículo eletrificado também está no alvo do bombardeio. O contingente avaliado detectou a presença de 16 mil haters, cujos posts contrários aos veículos eletrificados impactam cerca de 2 milhões de pessoas.

Diante disso, as montadoras que mais se empenham para a eletrificação automotiva estão diante de uma missão difícil. A pesquisa aponta quatro tarefas importantes para elas: aumentar a confiança do cliente, reduzir o tempo da jornada de compra, facilitar a escolha do modelo e gerar confiança na indústria.

“Agora, a batata quente está em nossas mãos”, afirma Marcelo Godoy, presidente da Abeifa. “Precisamos fazer a lição de casa e melhorar o trabalho de informação e educação para dar uma resposta eficiente aos haters”, finaliza.

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2025

À medida que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impõe novas tarifas sobre os produtos da China e ameaça uma guerra comercial com aliados como o México e o Canadá, uma empresa global provavelmente sofrerá menos do que a maioria de seus concorrentes: a Tesla.

Mas a fabricante de carros elétricos liderada por Elon Musk, que responde por um terço da riqueza do bilionário, também estará vulnerável se as relações com a China piorarem. O país asiático é o segundo maior mercado da empresa, depois dos Estados Unidos, e ela produz mais carros lá do que em qualquer outro lugar.

A Tesla construiu cadeias de suprimentos amplamente autossuficientes nos Estados Unidos e na China, uma raridade em um mundo de comércio interconectado. Como resultado, as tarifas impostas pelo governo Trump sobre os produtos chineses e a ameaça contínua de impô-las sobre os produtos mexicanos e canadenses podem ajudar a Tesla, prejudicando ainda mais seus concorrentes.

Embora não haja evidências de que Musk esteja moldando as políticas comerciais, as tarifas são uma das várias medidas adotadas pelo governo Trump que podem beneficiar a Tesla às custas de seus rivais.

Na quarta-feira, Trump suspendeu as tarifas de 25% sobre a maioria dos automóveis e peças fabricadas no Canadá e no México, mas a suspensão expira em um mês, deixando as montadoras dos Estados Unidos que dependem de cadeias de suprimentos estrangeiras em um estado de incerteza.

O governo também está tentando eliminar o apoio financeiro para a construção de estações de carregamento rápido para veículos elétricos, uma medida que poderia prejudicar as empresas que buscam competir com a extensa rede da Tesla. Além disso, está tentando cortar ou eliminar empréstimos e subsídios que concorrentes como a Ford Motor e a Rivian estão usando para financiar fábricas de veículos elétricos e baterias.

Musk não disse quase nada sobre comércio ou sobre a cruzada do governo para promover os combustíveis fósseis e impedir as vendas de veículos elétricos, o que também poderia prejudicar a Tesla. E seu apoio a Trump inspirou protestos nas concessionárias da Tesla e pesou sobre o preço das ações da Tesla. Mas sua posição como membro de fato do gabinete de Trump lhe dá uma influência que excede em muito qualquer outro executivo do setor automotivo.

“Conflito de interesses é um termo muito brando”, disse John Helveston, professor assistente da Universidade George Washington que ensina gerenciamento de engenharia.

A Tesla não respondeu a um pedido de comentário. Um funcionário da Casa Branca disse que suas políticas eram anteriores ao apoio de Musk a Trump.

“O presidente Trump criticou consistentemente as políticas de veículos elétricos que matam empregos de Biden na campanha desde o verão de 2023 - mais de um ano antes de Elon Musk endossar o presidente Trump - e ele tem pressionado consistentemente as empresas para que seus produtos sejam fabricados nos Estados Unidos desde que concorreu à presidência em 2015“, disse Kush Desai, porta-voz da Casa Branca, em um e-mail.

A guerra comercial e outras políticas de Trump também representam riscos para a Tesla quando a empresa já está em crise, com as vendas despencando na China e na Europa, mesmo quando o mercado geral de veículos elétricos está crescendo.

Os amplos investimentos de Musk na China o deixam vulnerável à medida que aumentam as tensões comerciais entre o governo chinês e o governo Trump.

“Ele pode se tornar um peão em tudo isso”, disse Lei Xing, um analista automotivo independente baseado em Massachusetts que se concentra na China.

A Tesla já está enfrentando dificuldades na Europa e na China devido à concorrência das montadoras chinesas de carros elétricos e à escassez de novos modelos. A revolta com as atividades políticas de Musk, incluindo a promoção de partidos de extrema direita, também prejudicou a demanda na Alemanha, nos Estados Unidos e em outros mercados. A riqueza pessoal de Musk está vinculada às ações da Tesla, que estão em queda acentuada.

Quando a Tesla começou a produzir carros elétricos em massa em uma fábrica em Fremont, Califórnia, em 2012, ela projetou uma cadeia de suprimentos menos dependente de importações do que praticamente todos os seus concorrentes. Na época, os veículos elétricos eram uma nova tecnologia, o que obrigou a Tesla a desenvolver amplamente suas próprias fontes de baterias, motores e outros componentes.

A Tesla construiu uma fábrica de baterias em Nevada, em parceria com a Panasonic do Japão, e continua sendo uma das poucas empresas automobilísticas a produzir baterias em massa nos Estados Unidos.

Quando, em 2014, Musk começou a falar sobre a construção de uma fábrica na China, ele recebeu uma recepção calorosa das autoridades governamentais. Seis anos depois, a Tesla abriu uma fábrica em Xangai sob condições excepcionalmente favoráveis. Pequim alterou as regras de propriedade para que a empresa pudesse se estabelecer sem um parceiro local, algo inédito para uma montadora estrangeira na China. O governo chinês também garantiu empréstimos a juros baixos, acesso aos principais líderes e até mesmo mudanças que a Tesla havia buscado nas regulamentações de emissões.

Mas Musk manteve as cadeias de suprimentos das fábricas da China e dos EUA relativamente separadas, ao contrário de outras empresas automotivas que dependem muito de peças importadas.

“Ele se preparou muito bem para o caso de o comércio ficar de lado e as tarifas aumentarem”, disse Michael Dunne, consultor automotivo de longa data da China. “E isso lhe serve muito bem hoje.”

Atualmente, os carros fabricados em Xangai são vendidos na Europa, no Sudeste Asiático ou no mercado doméstico chinês - mas não nos Estados Unidos.

Os carros que a Tesla vende nos Estados Unidos são fabricados nas fábricas de Fremont e Austin, no Texas. A Tesla também produz equipamentos de recarga para sua rede de recarga própria - a maior do país - em Buffalo, Nova York. A Tesla regularmente está no topo de uma classificação anual do Cars.com, um site de compras on-line, sobre a quantidade de veículos fabricados nos Estados Unidos.

“A Tesla está em uma boa posição” para resistir às tarifas, disse Patrick Masterson, que supervisiona a compilação dos dados que entram na classificação da Cars.com. “Sua produção doméstica é robusta.”

A Tesla ainda está vulnerável às tarifas sobre produtos da China e do México porque um quarto dos componentes e materiais do carro, medido pelo valor, é importado, de acordo com dados compilados pela Administração Nacional de Segurança de Tráfego Rodoviário. Mas os veículos elétricos fabricados pelos concorrentes da Tesla são muito mais vulneráveis às tarifas.

O veículo utilitário esportivo Chevrolet Equinox da General Motors, por exemplo, é fabricado no México. Com um preço inicial de US$ 34 mil, o Equinox movido a bateria é uma ameaça para o Tesla Model Y, que custa a partir de US$ 45 mil antes dos incentivos governamentais. A tarifa de 25% do governo Trump eliminará a maior parte dessa vantagem, se for mantida.

O risco para a Tesla na China é mais difícil de avaliar. Até o momento, os líderes chineses parecem ver o papel de Musk no governo Trump como uma vantagem, considerando-o como um possível ponto de contato. Em janeiro, quando Han Zheng, vice-presidente da China, foi a Washington para participar da posse de Trump, ele se reuniu com Musk.

“A política entre os EUA e a China geralmente funciona por meio de relacionamentos pessoais específicos”, disse Ilaria Mazzocco, pesquisadora sênior de negócios e economia chineses no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, um think tank de Washington. “Há esperança na China de que ele possa desempenhar um papel construtivo.”

Mas Musk também perdeu algum poder de barganha na China.

Quando os líderes chineses deram luz verde à fábrica de Xangai, a Tesla era vista como líder em tecnologia que estimularia o desenvolvimento do setor de veículos elétricos. Entretanto, com a queda nas vendas na Europa e o enfraquecimento na China, a produção da Tesla em Xangai caiu 50% em fevereiro em relação ao ano anterior. As montadoras chinesas, como a BYD e a Xiaomi, estão lançando novos modelos que rivalizam com a Tesla em recursos como a direção autônoma.

Como resultado, o prestígio e a influência da Tesla na China podem ser reduzidos.

“A Tesla não pode mais controlar a China”, disse Jia Xinguang, um analista automotivo independente da Austrália. “Mas a China, por outro lado, pode controlar a Tesla.”

Ainda assim, a China provavelmente pensaria duas vezes antes de visar a Tesla e Musk, pois isso poderia dificultar a atração de investimentos estrangeiros, disse Wang Yanhang, membro do Instituto Chongyang de Estudos Financeiros da Universidade Renmin, em Pequim, que acompanha questões comerciais. “A China não dará um tiro no próprio pé”, disse ele. “Essa é a última opção.”

Até agora, a China evitou os automóveis ao retaliar as tarifas do governo Trump sobre os produtos chineses e, em vez disso, aumentou as tarifas sobre os produtos agrícolas dos EUA, como frango e trigo.

A Tesla tem lutado discretamente contra pelo menos uma possível tarifa sobre materiais chineses que teria um impacto direto em sua competitividade.

A China é a principal fonte de grafite de alta pureza, um material essencial para as baterias. Em dezembro, um grupo de empresas que está tentando produzir grafite para baterias nos Estados Unidos acusou a China de praticar dumping e solicitou à Comissão de Comércio Internacional dos EUA que impusesse tarifas punitivas que poderiam chegar a mais de 800%.

Em uma audiência sobre a questão em janeiro, a Tesla contratou um importante escritório de advocacia de Washington para defender seu caso, e quatro executivos da Tesla falaram, de acordo com documentos públicos.

A Tesla está “recuando porque não vê uma alternativa ao grafite chinês”, disse Iola Hughes, chefe de pesquisa da Rho Motion, que acompanha o setor de baterias.

No mês passado, a agência de comércio disse que havia uma “indicação razoável” de que as exportações chinesas de grafite estavam prejudicando os produtores dos EUA. A agência ainda não emitiu uma decisão final. A retórica de Trump sobre o comércio não incluiu nenhuma menção ao grafite.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

A Tribuna - SP   10/03/2025

Entre 2010 e 2024, a participação da produção nacional no consumo de máquinas e equipamentos caiu de 77% para 53%. A conta, divulgada pela diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Cristina Zanella, em entrevista a A Tribuna, mostra como esse ramo sofre com problemas de competitividade, principalmente em relação à China. Entre vários gargalos no setor, ela aponta para a carga tributária elevada e o alto custo do crédito, que dificultam investimentos tanto pelos fabricantes como compradores.

Tais dificuldades ganham importância pelo tamanho do setor de máquinas e equipamentos. Com faturamento anual de R$ 277 bilhões, ele emprega 400 mil trabalhadores, geralmente de melhor capacitação, lembrando ainda que essa indústria é mais forte e sofisticada no Estado. Esse ramo atende as necessidades da construção, do agronegócio e das empresas em geral que produzem outros bens, como vestuário, alimentos industrializados e veículos.

Portanto, as companhias de máquinas dependem profundamente dos juros, inflação, mercado de trabalho e crescimento do PIB para avançarem. Isso explica a expansão do setor no ano passado. Porém, a competição deverá se tornar mais feroz devido à guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos e com a provável estratégia da China de responder com preços baixos para entrar de forma pulverizada nos mercados emergentes.

Apesar das desvantagens do custo Brasil, como impostos altos e crédito caro, infraestrutura deficiente e mão de obra sem ensino básico de qualidade, muito menos ainda com preparo técnico, o País deu passos importantes nos últimos anos. Os principais foram as reformas trabalhista e tributária, esta última com efeito a ser sentido a partir do fim desta década. O governo também implantou a depreciação acelerada, que permite às empresas amortizar mais rapidamente os investimentos na compra de máquinas e equipamentos, com o efeito prático de estimular a modernização dos parques industriais. Esse programa gera mais faturamento para os segmentos ligados à Abimaq e torna toda a produção mais eficiente, viabilizando o uso das novas tecnologias.

No ano passado, em meio à recuperação da indústria, os dados da balança comercial apontaram um aumento preocupante da importação de automóveis e máquinas agrícolas de origem chinesa. Não se trata de reivindicar protecionismo para os fabricantes nacionais, estratégia que está no centro da gestão do presidente americano Donald Trump e que deverá ganhar fôlego no Brasil. Aliás, experiências nessa linha, no País, já mostraram resultados indesejados, como preços mais altos e desinteresse pela competição. Para reflexos sustentáveis, o melhor caminho é investir em capacitação e tecnologia, cortar impostos, baratear o crédito e abrir novos mercados, o que envolve expor o próprio Brasil à concorrência internacional.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Globo Online - RJ   10/03/2025

A Justiça determinou que a Prefeitura de São Paulo deve fiscalizar os imóveis construídos para a população de baixa renda que receberam benefícios do poder público, e que a lista desses empreendimentos deve ser divulgada no site do município. A decisão foi proferida em uma ação ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que pediu a suspensão total da política de dar incentivos financeiros para as empreiteiras que constroem moradias destinadas às famílias de menor poder aquisitivo. Esse pedido, porém, não foi aceito pelo juiz. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça.

O juiz Renato Augusto Pereira Maia, da 11ª Vara de Fazenda Pública, determinou que o município tem a obrigação de instaurar procedimentos administrativos para apuração de fraude na venda de unidades habitacionais destinadas a famílias que ganham entre um e seis salários mínimos. Outra determinação é que a prefeitura tem que dar “transparência e publicidade” a esses procedimentos, além da divulgação constante dos imóveis que foram construídos com esses benefícios na cidade.

O Plano Diretor de São Paulo prevê uma série de benefícios para as construtoras que constroem habitação de interesse social (HIS) e habitação de mercado popular (HMP), especialmente a possibilidade de construir prédios mais altos sem pagar a mais (outorga onerosa) por isso. Em contrapartida, esses imóveis só podem ser vendidos para as famílias que de fato estão na renda prevista: que ganham entre 0 a 6 salários mínimos. Para essa venda, é considerada a renda familiar bruta, a depender de quantas pessoas compõem a avaliação de renda.

Na prática, é muito mais vantajoso financeiramente para as empreiteiras incluírem apartamentos "populares" em seus prédios porque elas de fato pagam menos à prefeitura para construir unidades desse tipo. Um efeito disso foi a proliferação dos microapartamentos chamados de "studios" na cidade nos últimos anos. Ocorre que é a construtora que precisa avaliar se os compradores de fato preenchem os requisitos — e isso nem sempre é feito.

Segundo o Ministério Público, isso não está sendo feito e fraudes foram constatadas, sem que a prefeitura faça nada para conter os problemas. Foi somente o ajuizamento da ação, em janeiro, que a Prefeitura passou a notificar e a multar construtoras que venderam apartamentos classificados como HIS para pessoas que ganham mais que seis salários mínimos. Até o momento, foram punidas 13 empreiteiras, que terão de devolver aos cofres públicos os valores de outorga e de Imposto sobre Serviços (ISS) que haviam sido isentos. Essa política de incentivos para construção dessas unidades existe há mais de dez anos.

Por isso, o MP pediu que fosse suspensa a produção e comercialização de todos os imóveis feitos pelo setor privado classificados como HIS e HMP no município, até que a prefeitura demonstrasse que conseguia fiscalizar devidamente a política. O juiz entendeu que a suspensão total da política seria desproporcional, primeiro porque é obrigação constitucional o fornecimento de moradias àqueles que precisam e a construção privada é essencial para isso, e também porque isso impediria "a defesa dos empreendimentos e beneficiários supostamente irregulares".

"Afinal, ao invés de atacar um valor amostral relevante ou pedir medidas de suspensão pontuais pretende o Ministério Público um pleito amplo e genérico, o que compromete não apenas os empreendedores, mas os adquirentes das unidades. As irregularidades narradas podem existir. De fato, irão existir. Basta lembrar da recente política pública de fornecimento de auxílio emergencial pela Caixa Econômica Federal durante a pandemia de Covid. Fraudes foram cometidas e combatidas. Operações foram feitas, pessoas foram denunciadas e presas. Mas igualmente inúmeras outras que efetividade precisavam da política foram por ela beneficiadas", destacou o magistrado.

A Tribuna - SP   10/03/2025

Basta olhar para o alto para perceber que Praia Grande está com cada vez mais prédios. A expansão populacional do município tem feito construtoras ampliarem investimentos na Cidade, e os números confirmam essa tendência. Um deles indica que, hoje, o município é o segundo mais verticalizado da Baixada Santista, de acordo com o último Censo Demográfico do IBGE, realizado em 2022 e divulgado no ano passado.

Na Cidade, 26,59% dos moradores residem em apartamentos. Só Santos possui número superior, com 63,45% — índice que colocou o Município em primeiro lugar no ranking nacional. Na sequência, pela ordem, vêm São Vicente (20,75%), Cubatão (19,65%), Guarujá (12,53%), Itanhaém (8,67%), Bertioga (8,47%), Mongaguá (7,04%) e Peruíbe (5,68%).

Outro número atesta o crescimento vertical de Praia Grande. De 2021 a 2024, foram erguidos 225 edifícios no Município, segundo a Prefeitura, o que resulta, em média, em 56 novos prédios a cada ano, conforme A Tribuna noticiou no mês passado.

Como ainda há mais áreas disponíveis para construir, o diretor regional de Santos do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis (Secovi-SP), Carlos Meschini, afirma que Praia Grande deve ocupar a lista das cidades mais verticalizadas do País nas próximas décadas.

Os bairros Tupi e Caiçara foram os mais procurados pelas construtoras de quatro anos para cá, conforme o Município. Mas o maior preço do metro quadrado está no Canto do Forte, com valores entre R$ 10 mil e R$ 12 mil por metro quadrado em valor de mercado, diz o Secovi-SP.

O gerente comercial da construtora Arco-Íris, Vitor Oliveira, declara estar com quatro prédios em construção no Município. Um deles, no Bairro Guilhermina, será entregue em março.

Oliveira acredita que a proximidade com a Capital paulista (menos de 100 quilômetros) e a qualidade de vida têm atraído novos moradores a Praia Grande. Ele enfatiza que a praia é o grande diferencial da Cidade, pois boa parte dos compradores busca imóveis com vista para o mar.

Outro ponto abordado pelo gerente foi o impacto da pandemia da covid-19 no setor imobiliário na Cidade. “A procura por imóveis já era alta antes de 2020. Porém, a pandemia trouxe a particularidade do home office. Isso contribuiu para as pessoas mudarem de município e procurarem apartamentos em cidades litorâneas.”

Quem está próximo da aposentadoria, acrescenta Oliveira, também vê em Praia Grande aspectos como a possibilidade de se exercitar na orla, como em caminhada, ciclismo e atividades funcionais.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   10/03/2025

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já calcula que a Ferrogrão —obra monumental da região Amazônia que liga o Mato Grosso ao Pará— não vai sair do papel neste mandato.

O Ministério dos Transportes diz que ainda trabalha com a perspectiva de fazer o leilão até o fim de 2026, mas que o projeto não depende apenas da pasta. Já a secretaria do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), ligada à Casa Civil, acredita que a licitação deve ficar para o próximo ciclo.
POD NOS TRILHOS
Investimentos, projetos e desafios da CCR na mobilidade urbana O projeto de renovação de 560 km de vias da MRS Da expansão da Malha Norte às obras na Malha Paulista: os projetos da Rumo no setor ferroviário TIC Trens: o sonho começa a virar realidade SP nos Trilhos: os projetos ferroviários na carteira do estado

Em entrevista à Folha, Marcus Cavalcanti, secretário especial do PPI, afirma que a Ferrogrão é um projeto de longo prazo e grandes investimentos, e que o governo também trabalha em outras concessões ferroviárias, como a Fico (Ferrovia do Centro-Oeste) e a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste).

“Está no Novo PAC a conclusão dos estudos [da Ferrogrão]. Tem a alternativa de mudança de traçado. Mas eu acho que a gente não licita nesse ciclo”, diz.

Segundo ele, o governo está colocando esses outros projetos na frente para correr.

“Não adianta eu querer botar no pipeline, porque não tem nem player [interessado], não tem nem financiamento”, diz.

“Nosso trabalho nesse ciclo de um ano e dez meses [até o fim do mandato] é deixar concluídos os novos estudos e aí ficar para o novo ciclo tomar a decisão da execução”, acrescenta.

A Ferrogrão é um dos projetos que integram o Plano Nacional de Ferrovias do governo federal, voltado para a concessão de 4.700 km de estradas de ferro, com empreendimentos que cortam as regiões Sudeste, Norte e Nordeste.

A previsão do governo é que esses projetos atraiam investimentos na ordem de R$ 100 bilhões.

Com 933 quilômetros previstos para interligar Sinop (MT) a Miritituba (PA), levando a carga do agronegócio para os portos da região Norte do país, a Ferrogrão é o projeto que tem enfrentado maior dificuldade de licenciamento ambiental, por avançar em território amazônico.

Hoje, a definição desse empreendimento ainda depende de um aval do STF (Supremo Tribunal Federal), após ter sido judicializado por causa de suas implicações na região e impacto em unidades de conservação.

No ano passado, o governo atualizou o traçado da estrada para diminuir as contestações socioambientais ao projeto.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) chegou a considerar “perfeitamente possível” que o leilão da Ferrogrão acontecesse ainda em 2025.

Atualmente, o projeto está com a agência reguladora, que atua na estruturação jurídica, regulatória e econômica dos estudos de viabilidade do projeto.

“A previsão é de que os documentos sejam novamente protocolados no Tribunal de Contas da União (TCU) até o fim do primeiro semestre deste ano, conforme lista de prioridade de tratamento de projetos ferroviários. No entanto, a ANTT ressalta que não há uma data exata definida para o envio”, diz em nota.

George Santoro, secretário do Ministério dos Transportes, explica que a pasta fez a atualização que precisava. Segundo ele, a audiência pública está agendada e o governo espera o TCU e o aval do STF.

“Estamos fazendo o que podemos, dentro das nossas competências”, diz.

“Melhoramos o projeto, criamos um item de sustentabilidade com R$ 1 bilhão de compensação ambiental que não tinha. Fizemos discussões com os povos indígenas. Eles entendem que não foi suficiente, mas ok, fizemos uma discussão”, afirma.

Questionado se a Ferrogrão pode sair ainda neste mandato, Santoro diz que o ministério está trabalhando com esse cenário. “Mas não depende só de nós.”

A Tribuna - SP   10/03/2025

Renovações antecipadas de contratos, relicitações e outras concessões que podem beneficiar a rota da celulose até o Porto de Santos estão no radar do Ministério dos Transportes.

“A pasta atua na otimização da Malha Oeste, cujo processo está em análise no Tribunal de Contas da União (TCU). Além disso, está prevista a implantação de um novo trecho greenfield para atender à crescente demanda pelo transporte de celulose com destino ao Porto de Santos”, informou o ministério,

Em paralelo, a pasta avalia alternativas para a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), incluindo possível relicitação. A renovação antecipada do contrato está em estudo.

O ministério destacou que a otimização do contrato da Malha Paulista, concedida à Rumo em 2024, foi um avanço. “A solução consensual possibilitou uma alocação mais eficaz dos investimentos na prorrogação antecipada do contrato. Esse processo resultou no aumento da capacidade e gerou impactos positivos para o transporte de cargas com destino a Santos”.

Processo semelhante está em andamento com a Malha Sudeste, operada pela MRS. A União espera um consenso no TCU que beneficie o escoamento para Santos.

O Ministério cita ainda o eixo do Corredor Leste-Oeste. Destaca-se a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) que, junto com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), conecta a produção agroindustrial do Centro-Oeste ao Porto de Ilhéus (Bahia), passando por Água Boa (Mato Grosso) e Mara Rosa (Goiás). Com a integração desse corredor à Ferrovia Norte-Sul, será possível expandir as opções logísticas, para que a carga siga até o Porto de Santos. “As ferrovias que acessam o Porto de Santos já transportam volumes significativos de celulose e seguem investindo em melhorias para modernizar o escoamento”.

NAVAL

Portos e Navios - SP   10/03/2025

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) darão início à rodada de arrendamentos de terminais portuários em 2025 com o leilão de três áreas no próximo dia 30 de abril. Os terminais RDJ11, no Porto do Rio de Janeiro, e PAR14 e PAR15, no Porto de Paranaguá (PR), receberão investimentos estimados em R$ 830 milhões.

O ministro de portos e aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou a relevância do certame, que integra um plano de concessões portuárias que prevê mais de 40 leilões até 2026, totalizando quase R$ 20 bilhões em investimentos. O leilão, que ocorrerá na B3, em São Paulo, tem como objetivo expandir a infraestrutura logística para o escoamento da produção agrícola. Ao longo de 2025, o governo pretende leiloar pelo menos 20 unidades portuárias em quatro regiões do país.

Entre os terminais a serem leiloados, o PAR14, voltado para granéis sólidos vegetais como soja e milho, terá investimento de R$ 529,2 milhões para movimentar até 6,8 milhões de toneladas por ano em uma área de 82.436 metros quadrados, gerando cerca de 310 empregos diretos. Já o PAR15, também dedicado a granéis sólidos vegetais, contará com aporte de R$ 293,2 milhões para movimentar até 4 milhões de toneladas anuais em uma área de 43.279 m², criando 180 empregos diretos.

O RDJ11, no Porto do Rio de Janeiro, será leiloado em modelo simplificado, com contrato de 10 anos. Destinado à movimentação de granéis sólidos e carga geral, terá investimentos de R$ 6,8 milhões para a implantação de um novo terminal na poligonal do porto organizado.

Monitor Digital - RJ   10/03/2025

Enquanto o Brasil já constrói e expande sua frota, rumo ao crescimento e à autossuficiência marítima, os Estados Unidos ainda tentam estruturar um plano para reverter sua crise na construção naval. “No entanto, especialistas alertam que barreiras comerciais não resolvem a escassez de estaleiros competitivos e profissionais qualificados nos EUA, tornando o plano de Trump um desafio de longo prazo”, analisa documento divulgado nesta sexta-feira pelo Sinaval, sindicato que representa a indústria naval brasileira.

Na terça-feira (4), o presidente Donald Trump anunciou a criação de um Escritório de Construção Naval na Casa Branca e novos incentivos fiscais para estaleiros norte-americanos. O plano visa combater a hegemonia da China, que hoje domina 50% do mercado global de construção naval, enquanto os EUA ocupam apenas a 19ª posição mundial, fabricando menos de cinco embarcações por ano. “Os norte-americanos implementaram uma taxa de até US$ 1,5 milhão para navios chineses que entrarem em portos dos EUA, além de sanções contra a gigante Cosco Shipping”, explica o Sinaval.

“Diferente do cenário norte-americano, onde a recuperação do setor depende de políticas ainda não implementadas, o Brasil já está gerando empregos e fortalecendo sua indústria naval”, atesta o documento, lembrando que o País já tem investimentos concretizados, com contratos assinados e obras em andamento.

“A indústria naval brasileira está em plena retomada, com R$ 23 bilhões em investimentos e 44 novas embarcações encomendadas, incluindo navios petroleiros, gaseiros e fragatas militares. Esse crescimento já está gerando cerca de 44 mil empregos, revitalizando estaleiros e impulsionando a economia nacional”, ressalta o Sinaval.

“O programa de renovação da frota da Petrobras e Transpetro fortalece o setor, garantindo trabalho para os estaleiros de Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco, enquanto o governo amplia o financiamento via BNDES e Fundo da Marinha Mercante, assegurando crédito para novas construções.”

O Brasil está expandindo sua capacidade de transporte marítimo, reduzindo a dependência de embarcações estrangeiras e criando um ambiente competitivo para construtores navais e fornecedores. “Essa comparação deixa claro que o Brasil está na frente, com oportunidades reais para empresários, investidores e profissionais do setor. A hora de apostar na indústria naval nacional é agora, garantindo que os talentos e as encomendas permaneçam no Brasil, consolidando o país como uma potência no setor naval” finaliza o Sinaval no documento “Brasil constrói seu futuro enquanto EUA ainda planejam a retomada da indústria naval nacional”.

Consultor Jurídico - SP   10/03/2025

O setor de portos é o objeto de constantes mudanças normativas. Desde a Lei n° 8.630/93, não à toa apelidada de Lei de Modernização dos Portos, o Direito Portuário se posiciona como ponta de lança de inovações no Direito Administrativo. Seguindo essa tendência, a Lei nº 12.815/2013 trouxe alterações significativas no modelo de exploração das instalações portuárias, as quais foram acentuadas por mudanças implementadas pela Lei nº 14.047, de 2020.

Recentemente, o setor foi objeto de uma nova investida: a comissão especial de juristas criada em 2023 para elaborar uma proposta de revisão do arcabouço legal para o sistema portuário público e privado aprovou, no fim de outubro, o anteprojeto da lei que visa substituir a Lei nº 12.815/2013 [1].

O anteprojeto, convertido em projeto de lei, foi protocolado na Câmara dos Deputados na última sexta-feira, dia 28 de fevereiro de 2025 [2]. Agora, o PL nº 733/2025 (PL) aguarda a designação da Mesa Diretora para iniciar sua tramitação nas comissões.

Por isso e por conta de o projeto de lei conter propostas relevantes que devem pautar o debate daqueles interessados em setor tão vital para o desenvolvimento nacional — sendo elas concretizadas ou não —, entendemos que o texto do PL merece ser analisado e debatido pela comunidade portuária.

Este breve artigo tem o objetivo de inaugurar a apresentação das propostas trazidas, tendo sido eleitas, para esta primeira etapa, como forma de divulgar a discussão legislativa, as: (1) redefinição das competências administrativas da União, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e da autoridade portuária; (2) maior relevância institucional atribuída para o Conselho de Autoridade Portuária (CAP); (3) possibilidade de nova prorrogação para contratos de arrendamento vigentes; (4) previsão legal dos contratos de transição e de passagem; (v.) criação de entidade responsável por autorregulação e resolução conflitos e (vi.) maior flexibilidade nas relações de trabalho portuário.
1. Redefinição das competências da União, da Antaq e da autoridade portuária (artigos 7º a 19)

O projeto de lei, na forma como apresentado, visa alterar as competências atribuídas à União, à Antaq e à autoridade portuária, chamando maior atenção a transferência de competências da União para a Antaq.

Exemplo disso é que a Antaq deve passar a ser o poder concedente de portos privados, responsável, portanto, por outorgar as autorizações de (1) de atividade portuária fora das poligonais de portos públicos, (2) de exploração de instalação portuária de pequeno porte; (3) de exploração de estação de transbordo de mercadorias fora de poligonais de portos públicos e por autorizar a transferência de titularidade de todos os contratos celebrados no setor.

No que se refere aos contratos de arrendamento, a despeito de não ter sido eleita poder concedente, o artigo 10º prevê que caberá à Agência a disciplina das alterações contratuais, tais como alteração de área (expansão, diminuição ou substituição), de carga movimentada, unificação de contratos, além daquelas relacionadas a investimentos (revisão de cronograma e pactuação de novas obrigações, dentre e fora do porto organizado). Assim, a ideia do PL é que a entidade reguladora passe a concentrar competências para além da fiscalização e da supervisão e assuma competências atribuídas à União no regime da Lei nº 12.815/2013.

As competências que segundo o PL remanescem com a União, por meio do ministério competente, são de cunho mais estratégico: planejar e estabelecer as políticas públicas do setor portuário (artigo 7º, I); elaborar os planos ferais de outorgas e os planos setoriais portuários (artigo 7º, II); estabelecer os portos estratégicos (artigo 7º, IV); definir, revisar ou revogar as poligonais dos portos públicos (artigo 7º, V); disciplinar o conteúdo, a forma e a periodicidade de atualização dos Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto (artigo 7º, VII); entre outras.

Outra entidade que compõe o Sistema Portuário Brasileiro (artigo 2º) e ganha maior relevância com o projeto de lei é a autoridade portuária, já que o texto proposto reverte a lógica centralizadora de competências na União prevista na Lei nº 12.815/2013. Ao lado da Antaq, as autoridades portuárias também foram alçadas à condição de poder concedente, com competências para “arrendar áreas em terra ou água e infraestrutura portuária, em consonância com o PDZ do porto” (artigo 13, XIV) e “celebrar os contratos de transição, de uso temporário e de passagem, observada a regulamentação da Antaq” (artigo 13, XV).
2. Recuperação da relevância do Conselho de Autoridade Portuária (artigos 20 a 22)

O Conselho de Autoridade Portuária (CAP), órgão proeminente no regime da Lei n° 8.630/93, perdeu relevância sob a égide da Lei nº 12.815/2013. O projeto de lei, ainda que não tenha a pretensão de devolver-lhe toda a sua força, confere-lhe nova roupagem, criando algumas competências (artigo 22).

Ainda mantendo o caráter consultivo do órgão, o texto proposto elevou a status legal as competências do CAP, elencando-as. No texto do PL, por exemplo, é prevista no artigo 16 a obrigatoriedade de que as propostas de revisão da poligonal do porto e do PDZ sejam submetidas ao CAP. Há, também, nova e relevante atribuição: a de sabatinar os indicados à diretoria da autoridade portuária e emitir parecer opinativo ao Conselho de Administração. Esse tratamento legal mais minucioso, com competências claras, mostra a expectativa do projeto de lei em dar relevância ao CAP no eventual novo marco regulatório do setor.
3. Câmara de autorregulação e resolução de conflitos (artigos 38 a 40)

O projeto de lei propõe que os setores portuários e aquaviários possam constituir uma Câmara de Autorregulação e Resolução de Conflitos, como uma associação sem fins lucrativos, com poderes normativos para regular relações dos atores dos referidos setores e a resolução de seus conflitos. Essa autorregulação será fiscalizada, regulada e supervisionada pela Antaq (artigo 38, §2º).

A previsão dessa Câmara deve ser vista com bons olhos, já que tende a contribuir para maior eficiência regulatória, em demandas com alto grau de especialização que exigem conhecimento técnico profundo, além de reduzir conflitos e garantir maior previsibilidade.

Para alcançar tão caros objetivos, o PL prevê que a Câmara poderá criar “documentos comuns, como regras dos setores, que possam ser adotados pelos interessados, permitindo maior clareza nas negociações comerciais, maior segurança jurídica e prevenção de litígios” (artigo 40, II) e, ainda, “resolver conflitos “por intermédio de pessoas técnicas e com expertise nos setores aquaviários e portuários” (artigo 40, IV).
4. Prorrogação para contratos de arrendamento vigentes — possibilidade até 70 anos (artigos 53 e 54)

Outro ponto relevante do PL é a disciplina, em âmbito legal, da possibilidade de contratos de arrendamento vigentes serem prorrogados até o limite máximo de 70 anos, considerando a vigência original e todas as suas prorrogações. Nesses casos, deverá a autoridade portuária fundamentar a vantagem da prorrogação em detrimento à realização de nova licitação, considerando o interesse público, a garantia de continuidade das atividades portuárias e a indução da competitividade (artigo 53). Essa previsão busca solucionar tema espinhoso no setor.

No atual regime da Lei nº 12.815/2013, os contratos de arrendamento firmados a partir de 2017 — quando foi publicado o Decreto nº 9.048/2017 –, já podem ser prorrogados até o limite de 70 anos. No entanto, há inúmeros contratos de arrendamentos celebrados sob a égide da Lei nº 8.630/1993 e Lei nº12.815/2013, mas antes do advento do Decreto nº 9.048/2017 que, a despeito da previsão normativa, não tiveram a prorrogação admitida para além do prazo originalmente contratado [3]. Agora com fundamento em lei em sentido estrito, haverá um aumento significativo na mutabilidade dos contratos de arrendamento vigentes, possibilitando a realização de sucessivas prorrogações, o que incentivará a realização de novos investimentos, contribuindo para o desenvolvimento do setor.

Além disso, na ótica de maior liberdade contratual, uma vez vencido o prazo de 70 anos e caso a autoridade portuária verifique a vantajosidade na permanência do arrendatário no terminal, o texto do PL autoriza que ela dê início ao processo de contratação por chamamento público (artigo 54), o que tende a tornar mais célere e simples o processo de outorga.
5. Inclusão de previsões sobre os contratos de transição e de passagem (artigos 62 a 75)

Ainda no âmbito da contratualização das atividades dentro do porto organizado, o PL incorpora no âmbito legal figuras até então regulamentadas pela agência reguladora: os contratos de transição e de passagem, celebrados, respectivamente, para a operação transitória do terminal até que o processo de outorga seja concluído e para o acesso em área do porto organizado pelo interessado em desenvolver atividade de movimentação e armazenagem de carga.

Atendendo à necessidade de segurança jurídica, a projeto de lei prevê um período de transição para os contratos de passagem atualmente vigentes, de 12 meses, para que se adaptem às disposições da nova lei.
6. Alterações nas relações de trabalho portuário (artigos 99 a 130)

Um dos pontos mais polêmicos do projeto de lei diz respeito às profundas alterações regime jurídico do trabalho portuário. Com as alterações propostas, o trabalhador portuário dos portos públicos deixará de ser intermediado exclusivamente pelo Órgão Gestor de Mão de Obra Portuária (Ogmo) que, no entanto, não deixará de existir [4].

O trabalhador portuário poderá ser avulso, intermediado pelo Ogmo (que contará com a associação daqueles que quiserem receber mão de obra de trabalhadores portuários e com trabalhadores efetivamente inscritos) ou pela Empresa Prestadora de Trabalho Portuário (EPTP) — criação PL, a EPTP não é considerada sucessora da OGMO e só poderá utilizar trabalhador portuário certificado pelo Senat — ente responsável por expedir certificado profissional previsto projeto de lei como necessário aos trabalhadores portuários). O trabalhador também poderá ser vinculado, por prazo determinado ou indeterminado, nas formas previstas na lei trabalhista, com contrato celebrado diretamente com o terminal portuário, operador portuário ou a EPTP. É o que se extrai da leitura dos artigos 101, 103 e 124 do PL.

Aos portos privados é possibilitada a contratação de mão de obra por todas as formas admitidas na legislação trabalhista, inclusive a terceirização, sendo facultativo o treinamento pelo Senat (artigo 107).
7. Breve conclusão

A análise das propostas do projeto de lei selecionadas com o intuito de estimular o debate sobre o texto leva à conclusão de que existem dois eixos principais: (1) a redefinição de competências com ênfase na descentralização, com reforço das competências da autoridade portuária e atribuição de maior relevância ao CAP, e (2) uma maior liberalização das relações jurídicas do setor portuário, tanto no que refere às relações contratuais para exploração de área, quanto em relação às relações trabalhistas, antigas aspirações do setor.

Agora é aguardar para ver qual será a sorte do projeto de lei em sua tramitação na Câmara dos Deputados e, na sequência, no Senado. Diante das diversas pressões que devem incidir sobre o PL, há que se acompanhar se e como ele avançará nas casas do Congresso e o que resistirá ao processo legislativo.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   10/03/2025

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, decidiu agir pessoalmente para cobrar do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) uma decisão rápida a favor da exploração de petróleo na Margem Equatorial. Ele disse à Coluna do Estadão que irá à sede do órgão, nesta semana, para falar com o presidente Rodrigo Agostinho, e afirmou estar confiante de que o gestor rejeitará o parecer técnico contrário à perfuração do bloco FZA-M-59 no litoral do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas.

O ministro alegou que a Petrobras já atendeu os requisitos solicitados no processo para a concessão da licença ambiental e avaliou que o parecer técnico não tem solidez porque é discricionário. “O laudo não aponta uma ilegalidade, aponta uma convicção”. Para ele, arrastar a decisão dá “uma péssima sinalização para a economia, causa estagnação de investimentos estratégicos, e frustração ao povo do amapá”. Nesta conversa com a Coluna do Estadão ele também aborda as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao “lenga-lenga” do Ibama e evita falar sobre o isolamento da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, nessa discussão. A disputa sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial opõe o setor de energia e os ambientalistas no governo.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista

Conversa com presidente do Ibama: “Estou muito confiante que o presidente Rodrigo Agostinho vai deixar que os brasileiros e brasileiras façam os estudos para conhecer o potencial daquela região. Eu espero que essa decisão não se arraste mais. As condições estão dadas para uma tomada de decisão. Há dois pareceres jurídicos da AGU (Advocacia Geral da União) atestando a legalidade do procedimento, e a Petrobras cumpriu recentemente a exigência de ter um centro de reabilitação de fauna (para tratar animais marinhos em caso de acidentes na Margem Equatorial). Eu acho que essas duas coisas dão muito conforto para ele pra definir”.

Importância do parecer técnico contrário à exploração: “Quando é apontado no processo uma ilegalidade não tem jeito. É um obstáculo intransponível. Como lá (no laudo) não tem, é óbvio que Agostinho pode entender diferente daqueles pareceristas do Ibama. Se não existe impedimento legal, a decisão tem um grau de discricionariedade do gestor. O parecer não tem solidez porque ele é completamente discricionário. Ele não aponta uma ilegalidade, ele aponta uma convicção. Não há nenhum estudo que aponte um risco lá no Amapá diferente dos riscos da Bacia de Campos. A Bacia de Campos está muito mais próxima do Rio de Janeiro do que a área de estudo do Amapá.

Prazo para decisão: “Não tem prazo legal, esse é o problema. O que eu fico cobrando sempre é celeridade. Eu só acho que Agostinho deve fazer o mais rápido possível para que a estabilidade dos investimentos da Petrobras não fique à mercê do tempo dele. Desde 2013 (há essa discussão). O que adiantou demorar 11 anos para licenciar a linha de transmissão Manaus Boa Vista? Deixar as térmicas a óleo de Manaus Boa Vista? E agora nós vamos entregar. E o óleo queimou durante 11 anos, aumentando o custo de energia para o consumidor do Brasil”.

Riscos de arrastar a decisão: “Prejuízo para a maior companhia do País e uma péssima sinalização para a economia nacional por causa da estagnação de investimentos estratégicos. E um crime lesa pátria contra o povo do Amapá”.

Críticas de Lula a “lenga-lenga” do Ibama: “Todos os órgãos de governo, quando o Brasil está crescendo como está, naturalmente têm uma limitação de gente, uma limitação de resposta. Mas é muito necessário que a gente tenha celeridade nos licenciamentos. A Margem Equatorial é uma grande fonte do desenvolvimento do Norte e Nordeste do País. Você tem várias licenças ambientais em obras de geração de energia que precisam ser aceleradas. Então, isso é uma realidade que a gente lida no dia a dia.”

Constrangimento na COP-30: “O Brasil tem que se orgulhar de sua matriz energética. 90% de energia limpa e renovável, o maior pulmão do planeta está na nossa floresta amazônica. O Brasil não tem que se envergonhar de ter também na sua matriz uma fonte de recursos que o mundo demanda por ela, que é o petróleo. Nós não estamos falando de uma vontade de vender. Nós estamos falando de uma necessidade do mundo de comprar. Se não comprar da gente, vai comprar do Oriente Médio. Aí vai enriquecer, aumentar o PIB dos países do Oriente Médio, e vai empobrecer o povo brasileiro”.

Isolamento da ministra Marina Silva (Meio Ambiente): “Marina nunca deu a voz que era a favor ou contra. Nas reuniões nossas várias reuniões com o Rui Costa (ministro da Casa Civil), ela sempre falou ‘isso é de competência do Ibama’. Ela é muito correta com o Davi Alcolumbre (presidente do Senado). Então, independentemente das convicções pessoais, ela tem sido muito coerente em dizer que essa decisão era de exclusiva responsabilidade do gestor do Ibama.

Portos e Navios - SP   10/03/2025

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou a lista das 30 empresas aptas a participar do 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC). As empresas interessadas têm até 31 de março para apresentar declaração de interesse e garantia de oferta para um ou mais setores disponíveis no edital. Caso uma empresa não manifeste interesse dentro do prazo, ainda poderá participar do certame em consórcio com outra que tenha feito a declaração.

Das 30 empresas habilitadas, 26 já estavam inscritas na OPC e passaram por atualização documental conforme a Resolução ANP nº 969/2024, enquanto quatro são novas inscrições: Westlawn Energia do Brasil Ltda., CNODC Brasil Petróleo e Gás Ltda., Lux Oil Ltda. e Dilllianz Petróleo & Gás Natural-Biocombustível S.A.

O edital da OPC oferece 332 blocos exploratórios. Até 14 de abril, a ANP divulgará os setores que receberam declarações de interesse, os quais estarão disponíveis na sessão pública do 5º Ciclo. A Oferta Permanente de Concessão é um modelo de licitação contínua que permite a oferta constante de blocos exploratórios e áreas com acumulações marginais em bacias terrestres e marítimas. Empresas inscritas podem indicar setores de interesse e, após aprovação da documentação, a Comissão Especial de Licitação (CEL) estabelece o cronograma para um novo ciclo. Mais informações sobre a OPC podem ser acessadas no site da ANP.

AGRÍCOLA

IstoÉ Dinheiro - SP   10/03/2025

A China deverá demandar mais mercadorias do agronegócio brasileiro, como soja, milho, algodão e carnes, já que aplicou tarifas retaliatórias aos Estados Unidos sobre esses produtos, o que também pode impactar preços das matérias-primas e custos para as indústrias frigoríficas e compradoras de grãos.

O gigante asiático irá impor uma tarifa adicional de 15% sobre carne de frango, trigo, milho e algodão dos Estados Unidos, e uma taxa extra de 10% sobre soja, sorgo, carne suína e carne bovina, entre outros produtos agropecuários norte-americanos, a partir de 10 de março.

O Brasil é o maior exportador global de soja, algodão e carnes bovina e de frango, com a China respondendo por grande parte das exportações brasileiras.

“As crescentes tensões entre os EUA e a China provavelmente levarão a China a obter mais grãos e proteínas do Brasil, potencialmente reduzindo a demanda por commodities (dos EUA) e os preços nos EUA, ao mesmo tempo em que aumentam a demanda e os preços no Brasil”, afirmou o banco Santander em relatório.

Preços no Brasil devem subir

Se preços em mercados de referência para grãos, como a bolsa de Chicago, podem ser pressionados para baixo, os prêmios sobre essas cotações desses produtos no Brasil podem fortalecer os valores.

“No primeiro momento, é possível achar que as medidas terão um ótimo impacto… já que a China vai se fixar ainda mais como um parceiro comercial estratégico da América do Sul. Mas só teremos certeza da situação com o passar do tempo”, afirmou Sergio Mendes, diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Produtores brasileiros como a SLC Agrícola e a BrasilAgro provavelmente serão os mais beneficiados, na avaliação do Itaú BBA.

“Semelhante à guerra comercial entre a China e os EUA em 2018, acreditamos que os efeitos positivos para os agentes brasileiros listados podem se concentrar na SLC e na BrasilAgro. Qualquer demanda adicional da China pode resultar em exportações mais fortes do Brasil a preços mais altos”, afirmaram Gustavo Troyano e Bruno Tomazetto em relatório.
‘Efeito Trump’ menor do que no primeiro mandato

Apesar desse potencial, eles ressaltaram que é improvável que os impactos da guerra comercial sino-americana para o Brasil sejam da mesma dimensão daqueles vistos durante a primeira administração Donald Trump, já que atualmente as exportações brasileiras de soja para a China representam cerca de 70% do total, em comparação com 53% em 2017.

Desde a guerra comercial anterior, em 2018, produtos brasileiros como algodão e carne bovina também avançaram nas exportações para a China, respondendo no ano passado por aproximadamente 35% e 50% do total que o Brasil exportou, respectivamente.

Procurada, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) afirmou que as mudanças têm sido “relevantes”. Mas a entidade que representa tradings e processadores de soja acrescentou que “ainda é prematuro qualquer avaliação sobre os possíveis impactos das novas medidas tarifárias anunciadas”.
Custos para indústria de carnes

Os analistas do Santander Guilherme Palhares e Ulises Argote citaram que companhias brasileiras com operações nos EUA, como a JBS, poderão ver redução de custos com a ração uma vez que a China importe menos grãos norte-americanos.

De outro lado, as unidades brasileiras poderiam ter que pagar mais pelos insumos, já que a China poderia vir com mais força em busca da soja e do milho brasileiro.

“Vemos a JBS como uma vencedora líquida no cenário de guerra comercial EUA-China. Uma mudança na demanda de importação chinesa de soja e milho pode deprimir os preços das commodities dos EUA, ao mesmo tempo em que eleva os preços brasileiros. Esse cenário deve reduzir os custos das operações de frango e carne suína da JBS nos EUA, que representam 40% do seu Ebitda”, afirmaram.

No entanto, a Seara, unidade de processados e carne de frango e suína da JBS no Brasil, que representa 20% do Ebitda da JBS, pode enfrentar desafios semelhantes aos de sua concorrente, a BRF, com a maior parte de suas operações no Brasil, segundo o Santander.

“Ambas as empresas são compradoras de ração brasileira, que pode ter os preços subindo”. Vendas maiores de carnes para o país asiático poderiam, assim, compensar apenas parcialmente o impacto de uma eventual inflação de custos para a BRF e a Seara, segundo analistas.

Para o Bradesco BBI, os EUA também desempenham um “papel um tanto limitado nas importações totais de proteína da China”, equivalente a 5% para carne bovina, 10% para carne suína e 11% para aves. “Se outros países, particularmente o Brasil, intervirem para compensar qualquer redução nas exportações dos EUA para a China, acreditamos que os benefícios provavelmente também seriam marginais”, completou.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, demonstrou mais otimismo. “O Brasil vai acabar se beneficiando, especialmente no efeito preço (da carne) e rentabilidade das empresas”, disse ele à Reuters.

“Pode ter uma mudança de mercado, mas nesta troca vejo o Brasil ganhando”, acrescentou, referindo-se a embarques dos EUA que deverão ir para outros países, em vez da China.

Santin disse acreditar ainda que, em um primeiro momento, os ganhos de exportações adicionais para a China seriam maiores do que qualquer possível custo adicional com a ração. Ele citou as perspectivas de uma “boa de safra” no Brasil.
Oferta brasileira

Carlos Cogo, sócio-diretor da consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio, destacou que a guerra comercial entre EUA e China reduzirá a competitividade dos produtos norte-americanos em relação aos do Brasil, e acrescentou que maiores prêmios sobre os preços dos grãos brasileiros, que poderiam encarecer os custos de ração, dependeriam da dinâmica entre oferta e demanda.

O Brasil está colhendo uma safra recorde de soja próxima de 170 milhões de toneladas, enquanto a Argentina vem com uma boa produção e pode concorrer com os brasileiros, lembrou Cogo.

No setor de carne bovina, embora os impactos iniciais provavelmente indiquem maior espaço para exportações de unidades brasileiras para a China, analistas do Itaú BBA avaliam que uma maior oferta nos EUA poderia resultar em preços mais fracos lá.

A JBS e Marfrig têm grande parte de suas operações de bovinos nos EUA, que também importam produtos brasileiros.

“Nesse cenário, as recentes mudanças nas exportações brasileiras de carne bovina favorecendo os EUA em detrimento da China devem ser reavaliadas no curto prazo”, afirmou o Itaú BBA.

Depois da China, os EUA são os maiores importadores de carne bovina brasileira.

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