O Estado de S.Paulo - SP 11/03/2025
A Comissão de Economia da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais do Brasil (Apimec) avalia que as empresas CBA, Usiminas e CSN podem enfrentar dificuldades caso as tarifas de 25% sobre aço e alumínio importados, prometidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sejam realmente impostas.
Para a entidade, embora seja cedo para ter uma visão clara dos efeitos sobre as exportações do País, a “iminente guerra comercial não é favorável para o Brasil e para o mundo”. O comunicado indica que as próximas semanas serão cruciais para entender as repercussões dessa decisão e como as empresas brasileiras se adaptarão a esse novo cenário, se concretizado.
O documento da Apimec ressalta que os cinco maiores fornecedores de aço para o mercado americano são o Canadá, o Brasil, o México, a Coreia do Sul e a Alemanha. Embora a China represente cerca de 54% da produção mundial de aço, não é um grande exportador para os EUA, uma vez que as tarifas sobre produtos siderúrgicos e de alumínio chineses já ultrapassam 25% desde o ano passado.
“O principal desafio trazido pela superprodução de aço chinês é que muitos produtos fabricados no México e no Canadá utilizam aço chinês como matéria-prima, resultando em preços extremamente competitivos para produtos como veículos e eletrodomésticos. Essa situação tem gerado insatisfação entre trabalhadores nos Estados Unidos, que enfrentam concorrência desleal”, avalia a Comissão de Economia da Apimec.
Segundo relatório divulgado no dia 27 de janeiro de 2025 pelo American Iron and Steel Institute (Instituto Americano de Ferro e Aço), o Brasil exportou 4,49 milhões de toneladas líquidas de aço em 2024, o que representou um avanço de 14,1% em relação a 2023, quando foram exportados 3,94 milhões.
A entidade afirma que as proteções comerciais impostas, desde o primeiro mandato do governo Trump, elevaram a capacidade produtiva da indústria siderúrgica dos EUA em cerca de 20% nos últimos seis anos, impulsionada pelas tarifas sobre o aço, embora ainda exista uma capacidade ociosa de cerca de 25% no setor.
A brasileira Gerdau, porém, avalia a Apimec, que tem cerca de 50% de suas operações voltadas para o mercado norte-americano, sendo parte fabricada nos EUA, pode se beneficiar desse movimento protecionista.
Qual é a importância dos EUA para o alumínio do Brasil
Embora a participação do Brasil nas importações americanas de produtos de alumínio seja relativamente pequena, menos de 1%, as exportações brasileiras do metal para os Estados Unidos corresponderam a 16,8% das vendas externas do metal, movimentando US$ 267 milhões do total de US$ 1,5 bilhão exportado pelo setor em 2024, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).
“Ainda não temos a reação oficial do governo brasileiro a essa situação, que pode criar barreiras para importações iniciadas nos EUA, abrangendo eventualmente outros setores, como tecnologia. Além disso, é importante aguardar as medidas oficiais do governo Trump, que tem mudado o tom a cada semana e, como Japão e União Europeia se posicionarão diante dessa nova dinâmica comercial”, avalia a comissão da Apimec.
Valor - SP 11/03/2025
Segundo analistas, a nota reflete a posição competitiva da CSN como uma das principais siderúrgicas brasileiras, além de ser a segunda maior exportadora de minério de ferro e cimenteira do Brasil
A Moody’s Local reiterou a nota de crédito nacional “AA+.br” da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), mantendo também perspectiva estável.
Os analistas Alain Nicolau, Nicole Salum e Thais Cordeiro escrevem que a nota reflete a posição competitiva da CSN como uma das principais siderúrgicas brasileiras, além de ser a segunda maior exportadora de minério de ferro e cimenteira do Brasil.
A reiteração da nota reflete a melhora prospectiva do mercado de aço brasileiro, com o início das medidas antidumping contra o aço importado da China, além de melhor performance de custos após ciclo pesado de investimentos.
A nota da CSN é limitada pela sua dificuldade em reduzir alavancagem, com frustração na trajetória dos últimos anos, além de fluxos de caixa pressionados por investimentos e dividendos.
A perspectiva estável reflete a expectativa de que a CSN continuará melhorando sua operação, em particular com um cenário mais favorável para siderurgia, além de uma gestão financeira mais prudente ee m linha com as metas de desalavancagem.
O Estado de S.Paulo - SP 11/03/2025
Perto de completar 90 anos, o estaleiro Mac Laren está pronto para embarcar em mais uma tentativa de revitalização da indústria naval brasileira, um dos setores mais afetados pela Operação Lava Jato e que ficou estagnado pela falta de encomendas no governo Bolsonaro. Vencedor da primeira licitação da Petrobras no atual governo, para construção de quatro navios Handy, a empresa vai participar também da segunda licitação da estatal, de oito navios gaseiros. Ao Estadão/Broadcast, o vice-presidente da Mac Laren, Alexandre Kloh, afirmou que tem interesse em “tudo o que a nossa capacidade permitir”. Segundo o executivo, após o “efeito Trump”, talvez seja possível comprar no Brasil o aço que seria importado.
“Com essa taxação dos Estados Unidos no aço, o que vai acontecer é que o nosso aço pode baratear, e isso que vai ser bom, porque você aumenta conteúdo local, passa a comprar aqui o que vem de fora. Sem dúvida, a possibilidade de queda no preço do aço faz com a gente olhe aqui também, nosso desejo é esse. A gente ainda vai sentar com a indústria nacional para conversar, mas se a gente vai chegar no preço, é outra história”, avaliou Kloh.
As negociações estão começando fortes agora, disse Kloh. Ao todo serão entre 23 mil a 24 mil toneladas de chapas de aço para a construção das quatro embarcações, que, no início da licitação, no ano passado, foram cotadas em países como China e Indonésia.
Para ganhar a licitação, o conteúdo nacional foi reduzido de 67% para 50,05%. “Isso incluía a chapa, naquele momento da cotação, o preço do importado era mais vantajoso do que a indústria nacional, mas, agora, a gente vai conversar com a indústria”, informou.
Apesar de ter conseguido se manter vivo com outras atividades ao longo da estagnação da indústria naval, como a prestação de serviços portuários, entre outros, a Mac Laren viu seus quatro estaleiros reduzidos a dois, localizados em Niterói, no Rio de Janeiro, além de perder milhares de empregados qualificados. Em 10 anos, a empresa viu minguar seu quadro de 14 mil empregados, no auge das obras, para 300, o que agora terá que ser recomposto.
“O desafio é a requalificação deles. Como a indústria foi desmantelada, você tem uma requalificação, porque a mão de obra que naquele momento estava super qualificada, mas o que eles foram fazer? Uns foram para Uber, outros para outro segmento, parte para construção civil. Quantas vezes eu ia de Uber para o Centro do Rio e a pessoa falava que era soldador. Foram para outros caminhos, mas com o reaquecimento, esse pessoal já está voltando”, disse o executivo, que no auge da construção dos navios tipo Handy prevê entre contratar entre 1.500 e 2 mil pessoas.
Ele observou que, para sustentar o crescimento da indústria naval no Brasil, é necessário que o apoio do governo vire uma política de Estado, para não ser intermitente. Para isso, é preciso que haja mais encomendas, de forma continuada. O Plano de Negócios da Petrobras até 2029 é uma grande locomotiva desse crescimento, mas ainda é cedo para afirmar se haverá uma retomada como ocorreu nos anos 2000, quando o setor chegou a mais de 90 mil empregos diretos, fora os indiretos, que, nas contas de Kloh, somavam juntos meio milhão de pessoas. “É uma indústria que tem capacidade de desenvolvimento muito forte”, destacou.
Segundo ele, o estaleiro Rio Grande, onde serão feitos os cascos dos navios Handy, da parceira Ecovix na licitação, por exemplo, que continuará com capacidade ociosa após as encomendas. “A Ecovix pode fazer um casco deste por mês, de 5,4 mil toneladas, mas não funciona assim. Isso traz um otimismo para a indústria, mas não é suficiente para você manter aquela indústria na sua capacidade operacional, que é muito alta”, explicou.
Fundado em 1938, o estaleiro Mac Laren construiu a primeira frota de apoio marítimo do Brasil, para a Petrobras, na década de 1970, e reconhece que, além da estatal, poucas petroleiras brasileiras trabalham com frota própria, o que reduz o volume de encomendas aos estaleiros brasileiros. E é da estatal que virá também outra aposta para a empresa: os trabalhos de revitalização de antigas plataformas e os descomissionamentos previstos para os próximos anos, que devem passar por licitação.
“A gente está conversando com a Petrobras. O Plano de Investimento da Petrobras para os próximos anos traz otimismo pra gente, e não só a parte de construção, mas de descomissionamento, de revamp (revitalização) das plataformas. A gente quando olha esse plano e consegue enxergar pelo menos cinco anos com os estaleiros alavancados”, avaliou.
Infomoney - SP 11/03/2025
O Itaú BBA cortou o preço-alvo para ações da Gerdau (GGBR4) de R$ 25 para R$ 23, refletindo as estimativas menos otimistas após os resultados do quarto trimestre de 2024 (4T24). O banco revisou suas projeções para Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2025, reduzindo-as em 8%. Às 10h23 (horário de Brasília), a ação da companhia caía 0,71%, cotada a R$ 16,84.
Apesar disso, o BBA reiterou recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), devido à avaliação atrativa, com potencial de alta de 36% e negociando 3,6 vezes Valor da Firma (EV)/Ebitda para 2025.
Por outro lado, os analistas reconhecem que o rendimento de fluxo de caixa (FCF) de 5% estimado para este ano é limitado, impactado pelo forte desembolso para investimentos (capex) de R$ 6,0 bilhões e R$ 515 milhões, respectivamente, para: i) a aquisição de duas pequenas usinas hidrelétricas e ii) investimentos na Addiante.
O BBA espera que a geração de FCF possa melhorar a partir do próximo ano, com uma possível diminuição do capex estratégico/crescimento. No entanto, devido à falta de visibilidade sobre o capex da Gerdau nos próximos anos, o banco decidiu ser mais conservador em suas projeções para siderúrgica, considerando um capex estratégico médio de R$ 2,25 bilhões entre 2026 e 2028, o que resultaria em um rendimento médio de FCF de 12% para o período.
Nova configuração
A Gerdau vai incorporar sua “Special Steel BD” nas divisões Brasil e América do Norte a partir do primeiro trimestre de 2025 (1T25), o que foi visto pelo BBA de forma positiva, pois aumenta a visibilidade da “verdadeira” exposição da empresa nessas regiões em termos de volumes e receitas.
Vale destacar que as margens para América do Norte e Brasil podem diferir do que os investidores consideravam como níveis sustentáveis para essas divisões nas divulgações anteriores. De fato, o BBA projeta que as margens históricas de Ebitda para a divisão de aço especial giravam em torno de 20 a 25% no Brasil e 10 a 15% na América do Norte.
O Estado de S.Paulo - SP 11/03/2025
Nesta quarta-feira, 12, está prevista a entrada em vigor de uma tarifa de 25% sobre todo o aço e o alumínio, de todo o mundo, vendido aos Estados Unidos. Dados os últimos movimentos de idas e vindas de Donald Trump em relação às tarifas impostas ao México e ao Canadá, ninguém tem certeza absoluta se essas tarifas passarão a valer mesmo. E, se passarem, por quanto tempo.
Trump tem provocado enormes incertezas mundo afora com suas idas e vindas em relação às taxas sobre importações. Isso já vem se refletindo nos mercados financeiros, que nesta segunda-feira, 10, operam em queda, principalmente nos Estados Unidos. Para analistas, essas medidas podem provocar inflação e acabar levando os Estados Unidos a uma recessão. E, em entrevista à Fox News, divulgada neste domingo, 9, Trump se recusou a descartar a possibilidade de que suas políticas causariam uma recessão.
O grande problema para países, empresas, investidores e toda a economia global é a turbulência que o vai e volta de Trump provoca. Fica até difícil acompanhar o que realmente entrou em vigor e o que ficou apenas nas palavras do presidente americano, no que se refere às tarifas. A tabela abaixo mostra como está esse cenário hoje:
Na prática, o que realmente Trump fez até agora foi elevar as tarifas das importações chinesas — 10% em fevereiro e mais 10% agora em março.
As tarifas de 25% sobre os produtos mexicanos e canadenses até entraram em vigor no dia 4 de março, mas praticamente foram todas suspensas dois dias depois, por 30 dias.
O que está por trás disso? Não está muito claro para ninguém. Trump tem dito que quer a volta das fábricas para os Estados Unidos, com a consequente geração de empregos que elas trariam. Mas é difícil pensar que isso seria algo assim tão simples. Entre outras coisas, a mão de obra americana é muito mais cara que a de outros países, principalmente na Ásia, e produzir nos EUA seria muito mais caro para qualquer empresa.
Segundo reportagem publicada pelo The New York Times na semana passada, “quando Trump determina as tarifas e depois as retira por mais ou menos um mês, os líderes mundiais telefonam para defender seu caso, um pouco como se fossem Estados vassalos apelando para uma potência maior. Os CEOs também telefonam, deixando claro que é com Trump que você precisa lidar se estiver trazendo peças de automóveis do Canadá ou chips da China”.
“E o presidente responde, como se estivesse concedendo indultos, embora não perdões. Se, em uma presidência normal, as tarifas são debatidas por camadas de especialistas e assessores, e seu impacto potencial é avaliado com cuidado, na Casa Branca de Trump as determinações são parte capricho, parte trama, parte ressentimento. As explicações sobre o que desencadeou a imposição de tarifas mudam, e as decisões de adiá-las ou suspendê-las não são acompanhadas de justificativas detalhadas. O próprio Trump diz que toma a decisão com base em suas últimas conversas.”
As retaliações contra esse movimento, claro, já começaram. Nesta segunda-feira, a China começou a cobrar uma tarifa extra sobre produtos agrícolas dos EUA. Essas taxas chinesas incluem uma cobrança de 15% sobre produtos como frango, trigo e milho, além de 10% sobre produtos como soja, carne suína, carne bovina e frutas.
O governo chinês também disse que estava impedindo 15 empresas americanas de comprar produtos chineses, a menos que fosse concedida uma permissão especial, incluindo um fabricante de drones que abastece as forças armadas americanas. E disse que estava impedindo outras 10 empresas americanas de fazer negócios na China.
Também nesta segunda-feira, o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, e o ministro da Energia local, Stephen Lecce, anunciaram que a província canadense impôs uma sobretaxa de 25% sobre toda a eletricidade vendida aos EUA. A medida faz parte das retaliações contra as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos canadenses.
“As tarifas de Trump são desastrosas para a economia dos Estados Unidos. Elas tornam a vida mais cara para as famílias e empresas americanas. Até que a ameaça das tarifas desapareça de vez, Ontário não vai recuar”, afirmou Ford. O premiê ainda alertou que a sobretaxa poderá ser aumentada caso o governo dos EUA “escale ainda mais” a guerra comercial.
Além das medidas já oficialmente anunciadas, Trump também já ameaçou taxar as importações da União Europeia e da Rússia.
Ainda não é possível saber se essa disputa tarifária aberta por Donald Trump em algum momento beneficiará os Estados Unidos. Mas uma coisa fica a cada dia mais clara: o mundo econômico que conhecíamos até agora provavelmente ficou para trás.
IstoÉ Dinheiro - SP 11/03/2025
O mercado financeiro aumentou a projeção da inflação para este ano. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,68%, ante 5,65% na semana passada.
A pesquisa Focus é realizada com economistas do mercado financeiro e é divulgada semanalmente pelo BC. Para 2026, o Focus projeta um índice inflacionário de 4,4%, o mesmo da semana passada. Para 2027, o mercado financeiro prevê IPCA em 4% e para 2028, 3,75%.
No ano passado, o IPCA, que leva em conta a variação do custo de vida de famílias com rendimento de até 40 salários mínimos, fechou o ano passado em 4,83%, acima do teto da meta, que era de 4,5%.
PIB
O boletim manteve a projeção de crescimento de 2,01% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma dos bens e serviços produzidos no país, para este ano. Para 2026, os agentes do mercado financeiro projetam um crescimento de 1,7% , a mesma da semana anterior.
Já para 2027, a projeção é de que o PIB fique em 2%, a mesma para 2028.
Taxa de juros
Em relação à taxa básica de juros, a Selic, o Focus manteve a projeção da semana passada (15%) para 2025. A mesma das últimas nove semanas.
Para 2026, a projeção do mercado financeiro é de que a Selic fique em 12,5%, também a mesma projetada na semana passada. Para 2027 e 2028, as projeções são de que a taxa fique em 10,5% e 10%, respectivamente.
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
No final de janeiro, o colegiado aumentou a Selic em 1 ponto percentual, com a justificativa de que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o centro da meta.
O Copom destacou que os preços dos alimentos aumentaram de forma significativa, em função, dentre outros fatores, da estiagem observada ao longo do ano passado e da alta de preços de carnes, também afetada pelo ciclo do boi.
Com relação aos bens industrializados, o comitê apontou que o movimento recente de aumento do dólar pressiona preços e margens, sugerindo maior aumento em tais componentes nos próximos meses, o que tornou o cenário inflacionário mais adverso, demandando uma política econômica contracionista.
Ainda de acordo com o Copom, o cenário mais adverso para a convergência da inflação para o centro da meta (3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%) pode demandar um novo aumento de 1 ponto percentual na Selic na próxima reunião do comitê nos dias 18 e 19 de março.
Câmbio
Em relação ao câmbio, a previsão de cotação do dólar ficou em R$ 5,99 para 2025. Nesta segunda-feira a cotação da moeda está em R$ 5,78. No fim de 2026, a previsão é de que a moeda norte-americana fique em R$ 6. Para 2027, o câmbio também deve ficar, segundo o Focus, em R$ 5,90, a mesma para 2028.
CNN Brasil - SP 11/03/2025
O Federal Reserve não reduzirá a taxa básica de juros em sua reunião de política monetária na próxima semana, mas poderá realizar a primeira de uma série de reduções rápidas nos custos de empréstimos em junho, se temores crescentes de uma desaceleração econômica nos Estados Unidos desencadeada por uma guerra comercial se concretizarem.
Pelo menos é isso que está sendo apostado nos mercados futuros, onde contratos ligados à taxa de juros do Fed foram cada vez mais precificados para reduções de 0,25 ponto percentual em junho, julho e outubro, após os comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, no último fim de semana, sobre um “período de transição”, conforme ele aumenta as tarifas sobre a China, o Canadá e o México.
As ações dos EUA e os rendimentos dos Treasuries também caíram nesta segunda-feira (10) devido à preocupação de que os comentários sinalizem uma recessão iminente.
Na sexta-feira (7), o chair do Fed, Jerome Powell, disse que o banco central norte-americano não tem pressa em cortar os juros, com o mercado de trabalho ainda forte, a inflação em uma trajetória instável em direção à meta de 2% do Fed e a alta incerteza sobre o efeito das políticas comerciais, fiscais, de imigração e regulatórias de Trump.
Economistas afirmam que essas políticas podem elevar os preços e desacelerar a economia, pelo menos no curto prazo. Nesta segunda-feira, economistas do Goldman Sachs reduziram sua previsão de crescimento dos EUA para 1,7% e aumentaram sua previsão de inflação.
Esse cenário pode forçar o Fed a fazer uma escolha difícil entre manter a pressão sobre a inflação, mantendo sua taxa básica na faixa atual de 4,25% a 4,50%, ou reduzir os juros para proteger o mercado de trabalho contra a deterioração.
IstoÉ Dinheiro - SP 11/03/2025
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 3,156 bilhões na primeira semana de março. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 10, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,035 bilhões e importações de US$ 3,878 bilhões. No ano, o superávit acumulado é de US$ 5,091 bilhões.
Até a primeira semana de março, a média diária das exportações registrou alta expressiva, de 69,6%, em relação à média diária do mesmo mês de 2024. O resultado se deu devido ao crescimento de US$ 305,36 milhões (86,1%) em Agropecuária, alta de US$ 95,04 milhões (29,4%) em Indústria Extrativa e avanço de US$ 556,04 milhões (79,9%) em produtos da Indústria de Transformação.
Os produtos que se destacaram nos embarques para fora, na agropecuária, foram a Soja (com alta 49,7%), Café não torrado (273,7%), Milho não moído, exceto milho doce (598,7%), Algodão em bruto (79,7%) e Animais vivos, não incluído pescados ou crustáceos (357,6%).
Na indústria da Transformação, tiveram altas relevantes a Celulose (183,9%), a Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (161,3%); Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas (129,8%), Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas (170,3%), e Veículos automóveis de passageiros (150,2% com aumento).
Na Indústria Extrativa, as exportações cresceram de forma expressiva no grupo de Minérios de cobre e seus concentrados (486,9%), de Outros minérios e concentrados dos metais de base (444,3%) e de Pedra, areia e cascalho (93,3%).
Já as importações tiveram crescimento de 26,2% na mesma comparação, com avanço de US$ 17,61 milhões (75,1%) em Agropecuária, crescimento de US$ 1,57 milhões (2,2%) em Indústria Extrativa e alta de US$ 250,21 milhões (27,1%) em produtos da Indústria de Transformação.
Entre as importações, se destacaram o Cacau em bruto ou torrado (3.187,4%), o Milho não moído, exceto milho doce (96%), Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (51%), Outros minerais em bruto (27,9%), Linhita e turfa (307,2%), Motores e máquinas não elétricos, e suas partes (82,9%), Equipamentos de telecomunicações, incluindo peças e acessórios (72,9%) e Cobre (110,5%).
O Estado de S.Paulo - SP 11/03/2025
O presidente americano, Donald Trump, gosta de dizer que guerras comerciais são fáceis de vencer. Entre as falsidades repetidas por Trump, essa é uma das que têm maior potencial destrutivo, mas também uma das mais fáceis de desmoralizar. Ninguém ganha com guerras comerciais – na melhor das hipóteses, há quem perca menos. Diferentemente das guerras convencionais, o combatente mais agressivo é sempre quem mais se autoinflige danos, e a melhor estratégia é sempre desescalar, reduzindo danos internos e respondendo com retaliações cirúrgicas, menos como quem quer destruir um inimigo e mais como quem quer ajudar um amigo (no caso, um parceiro comercial) a recobrar a razão.
Manter essas perspectivas em mente é importante num momento em que o Brasil elabora estratégias para navegar na maré protecionista global e constrói arsenais para se defender das ameaças do país mais rico e poderoso do planeta de implodir as regras do comércio internacional e abrir fogo contra todos.
O Senado tomou a iniciativa de retomar a tramitação de um projeto de lei (PL) que equipa o governo com instrumentos de retaliação. Em condições normais, seria preciso recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra práticas abusivas. Mas, pela sabotagem dos EUA, o órgão de apelação da OMC para solução de controvérsias está paralisado.
Sintomaticamente, o PL 2.088/2023 foi de início elaborado para defender exportadores agrícolas brasileiros contra restrições impostas seletivamente por legislações ambientais da Europa. Ante a agressividade trumpista, a relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), ampliou o escopo para responder a outros tipos de ações unilaterais, autorizando a Câmara de Comércio Exterior a restringir importações ou suspender concessões comerciais, de investimento e de obrigações relativas à propriedade intelectual ou previstas em acordos comerciais.
Indagado sobre as ameaças tarifárias de Trump, o presidente Lula da Silva costuma invocar a taxação recíproca de produtos americanos. Esse posicionamento vago, se comunicado sem um ânimo de provocação, é defensável. Ele preserva um senso de orgulho patriótico escorado numa justiça retributiva fácil de intuir. “Simples, não tem nenhuma dificuldade”, disse Lula. Mas a verdade é que uma resposta inteligente é complexa e difícil.
Dadas as assimetrias entre dois países em conflito, uma reciprocidade meramente matemática pode ser muito mais danosa ao agredido que ao agressor. Os EUA, por exemplo, são um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, mas a recíproca não é verdadeira; a tarifa média do Brasil sobre produtos importados dos EUA é de 11,2%, e a dos EUA sobre o Brasil, só de 1,5%; as exportações brasileiras são mais focadas em produtos básicos, e as importações, em maquinário, e assim por diante.
Uma estratégia inteligente precisa, em primeiro lugar, estar integrada a um esforço amplo pela manutenção das regras comerciais internacionais e reformas da OMC e pela ampliação de parcerias que diversifiquem a rede comercial do Brasil. Além disso, ela precisa considerar áreas de interesses extracomerciais com o país ou bloco em conflito, mapeando convergências e divergências e privilegiando um engajamento bilateral que evite a imposição de tarifas.
Retaliações devem ter um caráter tático dentro dessa estratégia maior e ser o último recurso, sempre com o objetivo de conter – não incentivar – uma escalada tarifária. A análise introdutória do PL 2.088 reconhece isso e afirma que os instrumentos contemplados foram formulados “de maneira compassada de modo a deixar aberto espaço para negociação, tendo em vista que o objetivo não é punir o parceiro comercial”.
O fato de que uma parlamentar de oposição esteja articulando com órgãos subordinados ao governo, como os Ministérios das Relações Exteriores e da Indústria e Comércio, a criação de um repertório de respostas institucionais, técnicas e sistêmicas, e não politizadas, voluntaristas e arbitrárias, é um sinal alvissareiro de que há autoridades em Brasília trabalhando com maturidade para defender os interesses nacionais em meio à tempestade comercial que se aproxima.
O Estado de S.Paulo - SP 11/03/2025
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, descartou a possibilidade de uma recessão no país. Em entrevista à NBC News, ele afirmou que os americanos não precisam se preparar para uma desaceleração econômica.
“Não haverá recessão nos EUA. As tarifas globais serão aplicadas porque o presidente Donald Trump disse: ‘Vocês querem cobrar 100% de nós? Então vamos cobrar 100% de vocês’”, declarou.
Lutnick também mencionou que, embora alguns produtos importados possam ficar mais caros, os produtos fabricados nos Estados Unidos se tornarão mais acessíveis. Ele destacou que os preços dos alimentos no país devem começar a cair já no início do próximo mês.
O secretário de Comércio reiterou que Trump pretende negociar tarifas país a país antes de implementar as tarifas recíprocas. “Ele vai reduzir as barreiras comerciais de outros países. Os preços dos produtos agrícolas, da produção e da pesca nos EUA vão cair”, afirmou.
Na semana passada, no entanto, durante evento na Índia, Lutnick enfatizou que os EUA estariam, naquele momento, focados em uma conversa bilateral com o país, já que “incluir o mundo todo nessa discussão seria impossível”.
Lutnick ainda completou que, se Trump estiver trazendo crescimento para os EUA, “jamais apostaria em uma recessão”. No domingo, 9, em entrevista à Fox News, o republicano disse que a economia do país está passando por um “período de transição” devido às novas medidas implementadas por seu governo e se recusou a descartar possibilidade de que suas tarifas causem recessão.
Money Times - SP 11/03/2025
A Vale (VALE3) aprofunda a queda nesta segunda-feira. Após cair 4% na sexta, o papel recuava mais 2,31% hoje. Com isso, a mineradora acumula tombo de 6% em duas sessões.
Hoje, o vilão da vez é o perigo da recessão nos Estados Unidos, o que pode bater no preço do minério de ferro.
O movimento acontece após o presidente Donald Trump não descartar uma queda no PIB. Em entrevista à Fox News no último domingo (9), o chefe da Casa Branca afirmou que a economia pode “passar por um período de transição”.
“Odeio prever coisas assim. Há um período de transição, porque o que estamos fazendo é muito grande — estamos trazendo riqueza de volta para os EUA”, afirmou Trump. Ele ainda acrescentou que isso “leva um pouco de tempo”.
O preço de referência para abril, na Bolsa de Cingapura, caiu abaixo do nível psicológico chave de US$ 100, para US$ 99,8 a tonelada.
Além disso, o mercado também observa a guerra comercial entre EUA e China. As próximas tarifas de 25% sobre todo o aço importado pelos EUA obscureceram as perspectivas de demanda e pesaram sobre o sentimento dos investidores.
Outra preocupação diz respeito crescente em relação à possibilidade de anúncios de novas medidas por Pequim nas próximas semanas, depois de o governo ter se comprometido a continuar com cortes de produção de aço bruto este ano para lidar com o excesso de capacidade que assola o setor, também pressionou os preços do minério de ferro.
Vale a pena?
Em relatório publicado há poucas semanas, o Safra elevou a recomendação para compra. Os analistas elevaram o preço-alvo de R$ 68 para R$ 72, potencial de cerca de 30%.
Eles argumentam que a mineradora faz a lição de casa, com controle de custos e foco em aumentar a qualidade do ferro que vende, o que pode ajudar a diminuir o impacto da queda dos preços do minério.
“Vemos um cenário mais positivo para a produção e custos da empresa, que, juntamente com prêmios de minério de ferro potencialmente mais altos, poderiam compensar os preços mais fracos do minério de ferro – que foram a principal razão para nosso downgrade em dezembro passado”.
Vale: Casa arrumada
De acordo com o Safra, dentro de casa a Vale tem feito o seu papel.
O banco acredita que as fortes entregas em produção e custo devem continuar em 2025, à medida que a aceleração das operações em toda a empresa abre caminho para números sequencialmente melhores e um mix de vendas potencialmente mais rico.
Ademais, a empresa negocia com um desconto de 30% no EV/Ebitda (valor da empresa sobre resultado operacional) em relação aos concorrentes com base no consenso da Bloomberg.
IstoÉ Dinheiro - SP 11/03/2025
As vendas de automóveis na China aumentaram 26% em fevereiro na comparação ao ano anterior e estabeleceram um novo recorde para o mês, informou a China Passenger Car Association (CPCA) nesta segunda-feira, 10. A alta aconteceu por conta do programa contínuo de troca de veículos do governo e do forte sentimento do mercado após o Ano Novo Lunar.
De acordo com a agência, o mercado de veículos elétricos continuou se destacando, com as principais fabricantes desse tipo de automóvel experimentando fortes vendas e exportações. A venda de veículos elétrico e híbridos aumentou 80%, para 686.000 unidades.
As vendas da Tesla caíram 49% em relação ao ano anterior e 51% em relação a janeiro. O secretário-geral da CPCA, Cui Dongshu, disse que o declínio nas exportações e vendas da marca pode ser devido a fatores políticos e ao fato de a fabricante de veículos elétricos iniciar as entregas do novo Modelo Y em março.
A expectativa da CPCA é que as vendas de automóveis permaneçam robustas em março, já que as montadoras costumam lançar novos modelos após o Ano Novo Lunar. “Com os governos locais também oferecendo algumas políticas de estímulo ao consumo, o sentimento do consumidor deve aumentar ainda mais em março”, diz. Fonte: Dow Jones Newswires.
Exame - SP 11/03/2025
A Tesla (TSLA) acumula uma desvalorização de 45% em valor de mercado desde dezembro, quando atingiu um pico de US$ 1,5 trilhão de capitalização.
O recuo, segundo analistas ouvidos pela Reuters, é reflexo da queda nas vendas de veículos, redução dos lucros e do impacto negativo do envolvimento político de Elon Musk, que, como integrante do governo Donald Trump, tem defendido cortes de funcionários públicos e desregulamentação.
Ainda assim, a empresa mantém uma avaliação de US$ 757 bilhões, superando o valor combinado das nove maiores montadoras do mundo. Enquanto essas fabricantes venderam cerca de 44 milhões de veículos em 2023, a Tesla entregou apenas 1,8 milhão no mesmo período.
Mesmo com um desempenho inferior em vendas, a Tesla é vista como mais do que uma simples montadora. Segundo analistas, apenas 25% de seu valor está ligado ao setor automotivo, enquanto a maior parte se baseia em expectativas de crescimento com robotáxis e inteligência artificial – tecnologias que Musk promete desde 2016, mas que ainda não foram totalmente adotadas pela empresa.
Entre abril e novembro de 2023, as ações da Tesla saltaram 71%, impulsionadas pela promessa de uma nova frota de robotáxis. O entusiasmo persistiu, mesmo diante de queda nos lucros e do cancelamento do aguardado "Model 2", um veículo de US$ 25.000 que investidores viam como essencial para aumentar as vendas.
Essa mudança de foco, no entanto, gerou questionamentos no mercado. Ryan Brinkman, analista do JP Morgan, afirmou à Reuters que discrepância entre o desempenho real da empresa e as projeções otimistas têm levantado dúvidas: “Por quanto tempo as ações continuarão desconectadas dos fundamentos?”
Crise de Imagem
Além da pressão do mercado, a Tesla enfrenta uma onda de vandalismo e protestos em várias partes do mundo, o que reflete o crescente descontentamento com as posições políticas de Musk.
Nos Estados Unidos, diversos pontos de venda e postos de carregamento da montadora foram alvos de ataques, segundo o The Washington Post. Em Loveland, Colorado, uma mulher foi presa após lançar coquetéis molotov contra carros da Tesla e escreveu insultos contra Musk na fachada de uma concessionária. Em Salem, Oregon, um homem armado atirou contra uma loja da marca e incendiou veículos, causando um prejuízo estimado em 500 mil dólares.
A hostilidade não se restringe a atos violentos. Para evitar serem associados ao empresário bilionário, alguns proprietários passaram a adesivar seus veículos com mensagens como "Comprei antes de Musk enlouquecer" . Em um dos vídeos que viralizaram no TikTok, um dono de Tesla exibe o adesivo como uma forma de se distanciar da imagem politizada da empresa.
A concorrência e a precificação da Tesla
Apesar da queda nas ações, a empresa de Musk continua sendo negociada com um prêmio elevado em relação às montadoras tradicionais e até mesmo às gigantes da tecnologia.
O índice preço/lucro futuro (P/E) da Tesla é nove vezes maior do que a média das 25 principais montadoras e mais que o dobro do de empresas como Nvidia, Apple, Amazon e Google.
Enquanto isso, a chinesa BYD, que superou a Tesla como a maior vendedora de EVs do mundo, tem uma capitalização de mercado seis vezes menor. Além disso, anunciou que oferecerá gratuitamente um sistema de assistência ao motorista semelhante ao Full Self-Driving, que a Tesla vende por US$ 8.000 na China.
Mesmo diante dessas incertezas, analistas otimistas seguem apostando na Tesla. A Ark Investment Management, por exemplo, prevê que as ações da empresa possam atingir US$ 2.600 até 2029, com 88% do seu valor vindo de robotáxis.
Às 11h39, no horário de Brasília, as ações da companhia tinham queda de 7,30% na Nasdaq, acompanhando a cautela dos investidores em relação às Sete Magníficas — grupo que, além da Tesla, inclui Apple, Nvidia, Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta.
Por enquanto, a Tesla ainda é mais uma aposta no futuro do que um reflexo do seu desempenho atual. A questão que persiste no mercado é: até quando dura o 'hype'?
Infomoney - SP 11/03/2025
Os emplacamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus no mês passado somaram 184.964 unidades, crescimento de quase 12% sobre o mesmo período de 2024 e avanço de 8% ante janeiro, segundo dados da associação de concessionários, Fenabrave.
O desempenho de fevereiro foi o melhor para o mês desde os 200.997 emplacamentos de 2020, segundo dados do setor.
No bimestre, os licenciamentos subiram 9% ante o acumulado dos dois primeiros meses de 2024, para 356.179 veículos, com destaque para crescimento de 39,6% em ônibus.
Segundo a entidade, os emplacamentos de motos em fevereiro subiram 14,4% sobre um ano antes, para 155.954 unidades, acumulando no bimestre avanço de 10,1%.
A montadora chinesa BYD, que está construindo uma fábrica de carros eletrificados na Bahia, ficou na nona posição entre os carros mais vendidos em fevereiro, com 5,17% de participação, apesar de trabalhar por ora apenas com veículos importados, o que tem incomodado montadoras tradicionais reunidas na associação Anfavea.
Na semana passada, a Anfavea, apoiada pela associação de fabricantes de autopeças Sindipeças, voltou a defender a antecipação da volta do imposto de importação completo no setor, após a chegada ao país de um grande navio da BYD transportando mais de 5,5 mil veículos novos importados.
A BYD afirmou na ocasião que possuía “exíguos estoques” e que eles têm como objetivo “atender à crescente demanda do mercado até que a produção local seja iniciada em 2025” e citou necessidade de um “ambiente regulatório equilibrado e previsível” para “garantir a competitividade e a inovação no setor”.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 11/03/2025
A Volvo está comemorando os resultados das vendas de caminhões elétricos pesados na Europa e na América do Norte. De acordo com a fabricante, 47% dos caminhões elétricos desse segmento vendidos na Europa são da marca Volvo. O segmento de caminhões pesados compreende modelos acima de 16 toneladas de PBT.
A Volvo encerrou o ano de 2024 com a venda de 1.970 caminhões elétricos na Europa, o que corresponde a quase metade do total vendido no continente. Os principais mercados foram Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega e Suíça.
O número é próximo do registrado nos Estados Unidos, onde a Volvo também detém 40% do mercado de elétricos pesados.
“Estamos orgulhosos de liderar a transformação para o transporte com emissão zero. Temos um portfólio muito forte de caminhões elétricos para transporte regional, urbano e de construção. Nosso próximo caminhão elétrico no mercado percorrerá distâncias maiores de até 600 quilômetros com uma única carga”, diz Roger Alm, presidente da Volvo Trucks.Caminhão acessórios.
A Volvo Trucks, que iniciou a produção em série de caminhões elétricos em 2019, agora tem oito modelos de caminhões elétricos em sua linha de produtos e já entregou mais de 4.800 caminhões elétricos no total para clientes em todo o mundo.
Atualmente, essa frota de caminhões Volvo elétricos no mundo já percorreu o equivalente a 140 milhões de quilômetros, destacando a grande versatilidade da eletricidade como combustível.
Apesar de comemorar os números, a Volvo diz que é necessário fazer mais para ampliar o acesso dos transportadores aos modelos elétricos. Atualmente, na Europa, apenas 1,3% do total de caminhões são elétricos.
Para a montadora, a adoção mais ampla de caminhões elétricos depende de vários fatores, como a expansão da infraestrutura de carregamento público, incluindo capacidade da rede elétrica, um custo total de propriedade mais favorável para operadores de transporte, aquisição pública de caminhões com zero emissões de escape e uma cadeia de suprimentos sustentável.
“Para acelerar a mudança para o transporte de emissão zero, não é suficiente que tenhamos os caminhões elétricos prontos. De acordo com nossa análise, precisaremos de 40.000 carregadores rápidos ao longo das estradas europeias, para um total potencial de 400.000 caminhões elétricos até 2030. Também precisamos de políticas econômicas mais eficientes que tornem as operações de caminhões elétricos lucrativas para todas as empresas de transporte”, diz Roger Alm.
“Temos um diálogo próximo com todas as partes interessadas, porque está muito claro que muito mais precisa ser feito, e com um maior senso de urgência, para garantir que a transformação esteja se acelerando”, finaliza.
Auto Informe - SP 11/03/2025
Vendas da marca chinesa crescem 56% no primeiro bimestre, quase sete vezes acima da média geral de 8,6% no período
A voraz estratégia comercial da BYD, que desde o ano passado fez do Brasil o seu maior mercado fora da China, capturou a maior parte do crescimento do mercado brasileiro de veículos leves no primeiro bimestre deste ano. Enquanto as vendas totais de 333,7 mil automóveis e utilitários em janeiro e fevereiro representaram expansão de 8,6% sobre iguais meses de 2024, os emplacamentos da BYD registraram avanço quase sete vezes maior, de 56%, somando 15,6 mil unidades.
Com este número pode-se dizer que a BYD tomou 60% do crescimento das vendas no bimestre em unidades, que foi de 26,4 mil veículos leves em comparação com o mesmo período de 2024.
No ano passado inteiro a BYD vendeu 76,8 mil carros no País, com crescimento exponencial de 328% sobre o ano anterior. Sozinha a marca emplacou 16,7% de todos os veículos leves importados no Brasil – e por 64% de os emplacamentos de importados vindos da China. Este ano o ritmo segue em aceleração.
Nos dois primeiros meses de 2025 a BYD aumentou em 1 ponto porcentual sua participação de mercado no País, de 3% em 2024 inteiro para 4% agora, subindo do décimo para o nono lugar no ranking das marcas mais vendidas.
As vendas do híbrido plug-in Song foram as que mais cresceram no bimestre: 71,5%. Com 5,9 mil unidades emplacadas o modelo foi o 23º veículo leve mais vendido do País e participou de pouco mais de um terço das vendas da marca. O elétrico Dolphin Mini somou 4,1 mil emplacamentos e ficou em 29º.
Estoques e distorção
Todo este desempenho meteórico nem leva em conta os altos estoques. Estimativas dão conta de que a fabricante chinesa tinha mais de 40 mil carros para vender parados em pátios de portos brasileiros na virada do ano, volume que foi inflado no segundo semestre, após a aceleração das importações em junho para evitar o aumento do imposto de importação sobre híbridos e elétricos ocorrido a partir de julho.
Para isto, segundo declarou à época o diretor de vendas Henrique Antunes, a BYD investiu R$ 10 bilhões para formar estoques com a alíquota menor – o valor é quase o dobro dos R$ 5,5 bilhões que a empresa anunciou que investirá até 2030 para montar carros em Camaçari, BA.
Os estoques caíram por pouco tempo com as vendas dos últimos dois meses, mas voltaram a subir no fim de fevereiro com a chegada de mais 5,5 mil carros da marca no porto de Vitória, ES.
Volumes estocados tão elevados acabam por gerar distorções no mercado, com ofertas de grandes descontos para desovar o estoque, que para alguns modelos que chegavam a R$ 30 mil no fim de 2024 – o que certamente deixou enraivecidos alguns clientes que pagaram mais por estes carros antes das promoções e ainda tiveram os seus usados desvalorizados de forma imediata e acima da média.
A estratégia de manter estoques elevados também atrasa a renovação da linha de produtos, que fica prejudicada pela necessidade de vender os modelos velhos antes da chegada dos novos, o que também acelera a desvalorização dos veículos da marca.
O prejuízo fica com o consumidor, já que a BYD parece ter larga margem para queimar, pois vende seus carros no Exterior por valores bem mais altos. Uma análise da consultoria Rhodium Group calcula que a BYD poderia cortar os seus preços em 30% na Europa e, ainda assim, teria o mesmo lucro que obtém na China.
O elétrico BYD Dolphin é vendido na China por 99,8 mil yuans, o equivalente a US$ 12,6 mil, enquanto no Brasil o modelo é vendido por mais que o dobro deste valor em dólares: com todos os impostos aplicados sai por R$ 159,8 mil, ou cerca de US$ 28 mil.
Exploração de importações
Ao que parece a BYD deverá aproveitar até a última gota do imposto de importação reduzido para elétricos, de 18%, e híbridos plug-in, de 20%, previsto para subir respectivamente para 25% e 28% em julho próximo. Este movimento deve provocar uma nova onda de formação de estoques antes do aumento – e não só da BYD; a conterrânea Omoda & Jaecoo, que pertence à Chery, recentemente embarcou 1 mil carros para o Brasil e outras marcas da China devem tomar rumo parecido antes da virada do semestre.
Dentre todos os maiores mercados de veículos no mundo as fabricantes chinesas encontram atualmente no Brasil uma das mais baixas barreiras tarifárias, o que estimula muito mais a importação do que a produção local, sempre prometida e atrasada enquanto for mais lucrativo importar do que produzir aqui.
Nenhum grande dano será causado aos lucros pelo atraso na construção dos novos prédios da BYD em Camaçari, provocado, por ironia, pela importação de 163 trabalhadores da China que foram trazidos pela construtora Jinjiang e mantidos em condições degradantes “análogas à escravidão”, segundo apurou o Ministério do Trabalho, que embargou as obras.
Antes disto a BYD prometia para agora, no começo de março, o início da montagem local de seus carros em SKD, chegados semidesmontados e em grande medida já manufaturados na China. Portanto nada mais seriam do que veículos importados apenas parcialmente montados no Brasil, com as bênçãos incentivos tributários dos governos federal e estadual da Bahia.
Se até trabalhadores a BYD importou para construir suas novas instalações no Brasil não se pode esperar nada muito diferente da produção local. Até o momento nenhum fornecedor local foi contratado.
A BYD recusou o pedido de fornecer informações sobre a atualização de seu plano produtivo no Brasil, mas é fato que o início da montagem local de partes importadas já foi postergado para o segundo semestre, talvez setembro, segundo notícias publicadas na imprensa recentemente.
Mesmo antes de eclodir o escândalo dos trabalhadores chineses a empresa nunca esclareceu como faria a contratação de 10 mil trabalhadores que prometeu fazer até agosto, nem como construiria 28 novos prédios em seu terreno na Bahia antes de concluir o primeiro, muito menos quais serão as operações nacionais.
Até o momento, portanto, a maior contribuição da BYD ao País foi na erosão da balança comercial com o escoamento de bilhões de dólares para a China, que seguirá assim se não houver nenhuma intervenção do governo brasileiro.
Valor - SP 11/03/2025
EPE inclui os quase 600 km da Fase 2 do Gasup (Uruguaiana - Porto Alegre) em plano de expansão de malha de dutos de transporte
A perspectiva de aumento da produção de gás natural pela Argentina nos próximos anos pode destravar o projeto de um gasoduto de quase 600 quilômetros não concluído no Rio Grande do Sul. A construção da chamada Fase 2 do Gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre (Gasup) voltou a ganhar força no planejamento do governo. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) incluiu o empreendimento em um plano de expansão da malha nacional de gasodutos. Seria uma alternativa para atender eventual alta na demanda por gás natural pela indústria via importação das reservas de gás de xisto (“shale gas”) de Vaca Muerta, na região argentina da Patagônia.
O projeto do gasoduto entre Uruguaiana e Porto Alegre foi revisto pela EPE, que propõe a implantação de 593 quilômetros, passando por 12 municípios. Para tirar o trecho não concluído do papel, a EPE estima investimento de R$ 6,83 bilhões.
O montante é próximo do valor em dólares do projeto quando foi concebido, no começo dos anos 2000, de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,9 bilhões pela cotação atual). Walter Farioli, presidente da Transportadora Sulbrasileira de Gás (TSB), dona do Gasup, diz que, na época, 30% do total seriam bancados por capital próprio e 70% viriam de fontes de financiamento que incluiriam o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O modelo de financiamento seria de “project finance”, no qual o empreendimento é usado como garantia da operação.
Para o presidente da TSB - consórcio entre Petrobras, Ipiranga, Repsol e TotalEnergies, cada uma com 25% de participação -, a retomada do gasoduto poderia contar com formato semelhante, “certamente” com o BNDES, e uso de instrumentos como debêntures de infraestrutura. O Gasup foi um dos oito projetos listados na edição mais recente do Plano de Indicativo de Gasodutos de Transporte (PIG), anunciado em fevereiro. Os oito dutos têm investimentos totais estimados em R$ 29,3 bilhões para implantar 2.333 mil quilômetros de extensão. Hoje a malha de gasodutos de transporte totaliza 9.244 quilômetros de extensão.
Concebido na década de 1990, o Gasup teve o traçado dividido em três partes, mas apenas dois trechos com apenas 50 km de extensão foram concluídos em 2000, em cada extremo do gasoduto. Um trecho de 25 km conecta a termelétrica Uruguaiana à fronteira com a Argentina. O outro trecho de 25 km se conecta com o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) em Porto Alegre.
O diâmetro do duto é de 24 polegadas, com capacidade de transportar 15 milhões de metros cúbicos por dia (m³/dia). O trecho incompleto do Gasup tem autorização pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) desde 2000 e vai de Uruguaiana ao Polo Petroquímico de Triunfo, na região metropolitana de Porto Alegre.
O projeto não foi concluído à época pelo declínio da produção de gás na Argentina. Também pesou a falta de investimentos em exploração e produção, diz a EPE no estudo. “A Argentina admitiu [na época] que não tinha condições de bancar os compromissos que teria firmado”, diz Farioli. O executivo participa do projeto desde o início. Segundo Farioli, a Fase 2 do Gasup pode ser viabilizada com demanda de gás natural de 5 milhões de m³/dia, um terço do total.
Farioli diz que o Gasup contava com licença ambiental e direito de passagem firmado com 900 propriedades quando o projeto foi suspenso. A TSB estava em vias de assinar contrato de engenharia, construção e montagem, conhecido como EPC, que incluía o fornecimento dos tubos e a construção do trecho com um consórcio.
Obra pode ser viabilizada com demanda diária de 5 milhões de m3”
— Walter Farioli
Embora seja considerado importante, o Gasup não seria o único caminho para escoar o gás de Vaca Muerta, segundo a EPE. Em novembro de 2024, Brasil e Argentina firmaram memorando para estudar rotas alternativas de aumento da oferta do insumo. Há opções como o aproveitamento de infraestruturas existentes do Gasbol. Essa alternativa considera a reversão do fluxo para levar o gás da Argentina até a Bolívia e dali ao Brasil. Outra saída seria a construção de um novo duto entre Brasil e Argentina, passando pelo Paraguai.
A EPE diz que todas as opções serão avaliadas considerando não apenas os custos, mas aspectos como prazos de execução, relações diplomáticas, atração de investimentos e garantias de suprimento, entre outras questões. “O avanço nas explorações da reserva de Vaca Muerta tende a transformar a Argentina em um exportador líquido de gás natural”, disse a EPE.
A EPE diz ainda que há desafios como a travessia de cursos d’água e riscos de inundação, como as enchentes que ocorreram no ano passado no Estado, o que deve exigir adequação de técnicas construtivas. Também há aspectos ambientais a serem considerados, como interferências em atividades minerárias e agrícolas, entre outros pontos, segundo a estatal.
Farioli, da TSB, diz que o processo de licenciamento ambiental teria que ser reiniciado, com a realização de audiências públicas, além da atualização do projeto, entre outros aspectos. Mas isso não seria um impasse, considerando que as outras alternativas envolvem o início de um projeto “do zero”.
“Nesse aspecto, ficamos tranquilos sobre a execução de uma obra dessa envergadura”, afirmou Farioli. Concedida a licença de instalação, o executivo estima uma duração de dois anos para a conclusão do trecho e o início da operação comercial do duto.
Petro Notícias - SP 11/03/2025
A necessidade brasileira por mais gás natural faz os profissionais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) quebrarem a cabeça pensando em alternativas. De um lado, há a expectativa do gás do pré-sal, que pode ser uma realidade maior; por outro lado, há a realidade boliviana que vê as suas reservas diminuírem. Mas, como uma espécie de tábua de salvação, existe a possível utilização do gás argentino de Vaca Muerta (segunda maior reserva de shale gás do mundo), com todos os seus desafios logísticos para chegar até o Brasil. Muito embora haja ainda os estudos da Margem Equatorial, não se pode contar com ela. O que virá de lá poderá ser uma boia no mar da necessidade do Norte e do Nordeste. Na última semana, o Petronotícias informou sobre o acordo de fornecimento de gás celebrado entre a Pan American Energy (PAE) e a Comgás (Companhia de Gás de São Paulo). A Pan American Energy é uma empresa de energia com presença em seis países da América Latina: Argentina, Brasil, México, Bolívia, Uruguai e Paraguai e está trabalhando para garantir a disponibilidade de gás natural de Vaca Muerta para o Brasil, onde já possui presença no mercado de energia renovável e conta com autorizações para exportar gás da Argentina para o Brasil.
E aí surge uma outra necessidade: a construção de um gasoduto desde Vaca Muerta, que fica no extremo sul da Argentina, há mais de mil quilômetros até a fronteira brasileira. O custo previsto para isso esbarra no teto de R$ 7 bilhões, se for construído pelos métodos tradicionais com a tubulação enterrada. Mas, pelo método de construção com tubos aparentes, como já é usado e difundido em vários países, esse custo pode cair 1/3. Por isso, o presidente da Liderroll, Paulo Fernandes (foto principal), com a sua expertise internacional, está sugerindo uma reunião de alto nível, envolvendo o presidente da TAG, Gustavo Labanca, o presidente da Transpetro, Sergio Bacci, o presidente da NTS, Erick Portela, do vice-presidente de Desenvolvimentos Internacionais da Pan American Energy no Brasil, Enrique Lusso; da presidente da TBG, Angélica Laureano, da Diretora Geral interina da ANP, Patrícia Baran, do Diretor Geral da EPE, Thiago Prado, e do presidente do BNDES, Aloisio Mercadante.
Gustavo Labanca, presidente da TAG
O que Fernandes pretende é discutir o assunto com objetivo de viabilizar a construção de gasodutos de forma aparente, o que poderá ser viável e muito mais barato em sua construção. “O Petronotícias tem acompanhado a nossa luta em defesa de mudarmos o método de construção dos gasodutos aqui no Brasil. É preciso que haja uma evolução nesse aspecto. Desde 2011, venho trazendo este tema para a mesa. Tive, inclusive, uma primeira reunião sobre este tema com a então diretora geral da ANP e atual presidente da Petrobrás, Magda Chambriard. A nossa empresa nasceu no mundo dos gasodutos e oleodutos. Sabemos trabalhar com qualquer diâmetro de tubulação e já desenvolvemos inúmeros métodos revolucionários de construção em qualquer desafio. Seja subindo ou descendo grandes montanhas, furando montanhas e cruzando túneis, projetos sob lagos, piers etc. Parece cabotino eu lembrar que somos a única empresa brasileira a receber o reconhecimento e um prêmio internacional da ASME por nossa criatividade construtiva. Mas, na verdade, isso demonstra que não somos cururu neste assunto. Temos uma história e sabemos o que estamos falando”, declarou.
O presidente da Transpetro, Sergio Bacci, e a diretora-geral interina da ANP, Patricia Baran
Paulo Fernandes rebate o argumento de que os gasodutos não seriam seguros: “Eles seriam ainda mais seguros. O tempo de durabilidade e a vida útil operacional seriam ainda maiores. A tubulação enterrada sofre mais com a umidade do terreno. Com esta umidade, as agressões químicas das camas do substrato de cada formação geológica e com as diferenças de potencial elétrico e a resistividade de cadacamada. O desgaste é ainda maior. Na tubulação aparente, a manutenção levará a um maior tempo de vida. Os roletes que desenvolvemos fazem com que a tubulação não sofra o desgaste natural de seu movimento natural com a diferença de temperatura. Eles evitam o atrito do aço e não amassa e nem cria pontos de tensão. São excelentes isolantes elétricos e eliminam os pontos de corrosão localizada dos tubos por contato com o potencial negativo de terra.”
O presidente da NTs, Erick Portela, e o presidente da EPE, Thiago Prado
Atualmente, a malha de gasodutos brasileira completa tem cerca de 45 mil km. Porém, temos diferenças nos tipos de dutos. A malha para transporte de gás natural é de apenas 9,5 mil km em um país continental. A Argentina, por exemplo, bem menor territorialmente do que o Brasil, dispõe de mais de 16 mil km. Esses são gasodutos que realizam a movimentação de gás natural desde as unidades de processamento de gás natural, as UPGNs, até às instalações de estocagem. Esses dutos podem levar a molécula diretamente também para grandes consumidores como indústria pesada ou térmicas, ou finalmente aos pontos de entrega a (City Gate) de concessionários estaduais de distribuição.
A presidente da TBG, Angelica Laureano
Já a nossa malha de distribuição é de 35,5 mil km – mais que o triplo da escala da malha de transporte. São estes dutos que recebem o gás natural no ponto de entrega (City Gate) e entregam aos consumidores finais, completando a cadeia do gás. Essa infraestrutura pertence aos concessionários estaduais de distribuição.
A EPE estuda alternativas para viabilizar a entrega do gás desde Vaca Muerta até o Brasil. Uma delas pode ser levar o gasoduto até Uruguaiana e de lá usar a malha até Porto Alegre ou seguir a reta até o Paraguai, servir ao Paraguai e entrar no Brasil pelo Paraná. O gasoduto também poderá seguir até a Bolívia, atender a queda da reserva boliviana, entrar pelo Mato Grosso do Sul, pelo Gasbol. Os trechos pelo Paraguai e Bolívia custariam mais R$ 3,8 bilhões, mas nesses aspectos poderiam também ter a participação desses países na divisão das despesas.
Karine Fragoso, gerente de petróleo, gás, energias e naval da Firjan
“Um empreendimento deste porte ficaria melhor com um investimento com interesses diversos. Um encontro dessas empresas seria muito benéfico, como as grandes empresas petrolíferas fazem”, disse Fernandes. “Sentam e debatem em alto nível. Acredito que podemos fazer o mesmo, envolvendo também, além de todos esses representantes das empresas, a Karine Fragoso lá da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, a FIRJAN, pois sei que é uma área que ela conhece e domina bem. Poderia ser até ser capitaneada pela FIRJAN, do que pela Liderroll. Eu acho apenas que precisamos romper este marasmo da economia que estamos cruzando e pensar também no desenvolvimento brasileiro. Todos juntos, porque acredito no envolvimento dessas empresas como um pensamento comum”, concluiu.
TN Petróleo - RJ 11/03/2025
A ANP está lançando hoje (10/03) o Painel Dinâmico de Incidentes em Exploração e Produção, que apresenta informações recebidas pela ANP por força da Resolução ANP nº 822/2022. A Resolução estabelece o procedimento para a comunicação de incidentes e o envio de relatórios de investigação pelos operadores de contrato de exploração e produção de petróleo e gás natural (E&P) e demais empresas autorizadas a exercer atividades reguladas pela Agência.
As informações do painel são de interesse para as empresas do segmento de E&P, que contarão com dados mais detalhados sobre os incidentes ocorridos no país e poderão, assim, estimular uma cultura de prevenção nas instalações sob sua responsabilidade. O painel também permitirá a elaboração, pela academia, de estudos mais aprofundados sobre o tema.
O painel permite a consulta às informações sobre incidentes, com atualização diária. Antes da publicação da nova ferramenta, esses dados só podiam ser acessados em formato de dados abertos, com atualização semestral.
Dados disponíveis no Painel Dinâmico de Incidentes em Exploração e Produção:
- Resoluções da ANP relativas a comunicação de incidentes em E&P;
- Tipos de incidentes que devem ser comunicados à ANP: acidentes (eventos com danos ao meio ambiente ou à saúde humana, prejuízos materiais ao patrimônio próprio ou de terceiros ou interrupção das operações da instalação) e quase acidentes (eventos com potencial de dano) nos termos da Resolução ANP nº 822/2022;
- Total de incidentes comunicados anualmente à Agência;
- Detalhamento de dados referentes a incidentes no ambiente marítimo e no terrestre;
- Alertas de segurança de organismos internacionais divulgados pela ANP.
O painel também apresenta orientações para facilitar a navegação.
Além do Painel Dinâmico de Incidentes em Exploração e Produção, também estão publicados no site da ANP outros painéis com dados de segurança operacional em E&P: https://www.gov.br/anp/pt-br/centrais-de-conteudo/paineis-dinamicos-da-anp/paineis-dinamicos-sobre-exploracao-e-producao-de-petroleo-e-gas
Infomoney - SP 11/03/2025
A Petrobras informou nesta segunda-feira que comprovou boa produtividade de gás natural em teste de formação realizado no poço Sirius-2, em águas profundas da Colômbia.
Segundo a estatal, o teste de formação avaliou um intervalo de aproximadamente 100 metros de reservatório. Foram coletadas amostras que serão posteriormente caracterizadas por meio de análises laboratoriais.
“O resultado preliminar do teste reforça o potencial volumétrico para gás na região”, afirmou a Petrobras.
A petroleira brasileira é operadora do consórcio que explora o Sirius-2, junto com a colombiana Ecopetrol.
O poço marítimo representa a maior descoberta de gás da história da Colômbia, com volumes de gás superiores a 6 trilhões de pés cúbicos in place, segundo anunciado pelas empresas no ano passado.
“A atuação da Petrobras no Bloco Gua-Off-0 está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, visando à recomposição das reservas de petróleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras e atuação em parceria”, acrescentou a empresa, em comunicado.
Diário do Comércio - MG 11/03/2025
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) avalia o leilão da concessão de mais uma parte mineira da BR-262 e também da BR-153 ainda este ano, revelou o diretor-geral da agência, Guilherme Theo Sampaio. Trata-se do trecho da BR-262 entre Uberaba, no Triângulo Mineiro, até a divisa com o estado de São Paulo, e o entroncamento com a BR-153, até Goiás.
A fatia da estrada estava integrada a uma concessão assumida pela Concessionária de Rodovias Centrais do Brasil (Concebra), do grupo Triunfo, em 2014, que foi devolvida à União para fins de relicitação em 2020. Um trecho dessa antiga concessão, entre Uberaba e Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), foi concedido ao consórcio Rotas do Brasil no final do ano passado.
Durante a cerimônia de início das operações da Via Cristais, concessionária do grupo francês Vinci Highways, vencedora do leilão da concessão do trecho da BR-040 entre Belo Horizonte e Cristalina (GO), o diretor da ANTT explicou que o trecho rodoviário das BR-262 e BR-153 passa por um processo de otimização contratual semelhante ao realizado com o trecho da BR-381 conhecido como Fernão Dias.
Este trecho deverá ir a leilão novamente e a atual concessionária, Arteris Fernão Dias, poderá disputar a permanência no controle da rodovia, que administra desde 2008. Originalmente, o contrato da concessionária vigoraria até 2033. A concessão teve o programa de obras praticamente todo executado, mas o contrato não previa regras claras sobre ampliação de capacidade e outras melhorias, caso tivesse aumento do tráfego ao longo dos anos.
Assim, o Ministério dos Transportes, a ANTT e a gestora da rodovia fecharam um acordo para relicitação da Fernão Dias na Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos (Secex Consenso), do Tribunal de Contas da União (TCU). A repactuação deve gerar em torno de R$ 15 bilhões em aportes e faz parte do programa de otimização de contratos de concessões de rodovias federais.
O diretor da ANTT revelou que as negociações sobre a BR-262 e a BR-153 com a Concebra vão começar neste mês e terão um prazo de quatro meses para serem concluídas. Se a agência não chegar a um acordo de extensão da concessão com a concessionária, a alternativa será a publicação do edital de concessão e leilão do trecho ainda no final deste ano.
“Caso não chegue num acordo, nós já temos uma concessão pronta para abrir edital e é um edital que certamente vai ter uma vantajosidade e interesse rápido de vários players”, disse Guilherme Theo Sampaio. “Caso não tenha acordo, a gente consegue publicar o edital e fazer um leilão em 100 dias”, completa.
Por meio de um programa de otimização de contratos de concessões de rodovias federais, lançado pelo governo federal, Minas Gerais deve receber R$ 21,8 bilhões de investimentos em infraestrutura rodoviária nos próximos anos. A previsão é que o Estado seja contemplado com parte deste montante, R$ 2,9 bilhões, já entre este ano e 2026.
Valor - SP 11/03/2025
Disposição de usar alimentos como uma medida de resposta aos EUA, ressalta o sucesso do governo em impulsionar a autossuficiência agrícola e impacto de uma economia em desaceleração sobre a demanda
As tarifas chinesas sobre uma série de produtos agrícolas dos Estados Unidos entraram oficialmente em vigor nesta segunda-feira (10), na mais recente retaliação na guerra comercial em curso entre as duas maiores economias do mundo.
A disposição da China de usar alimentos como uma medida de resposta aos EUA, historicamente um de seus maiores fornecedores, ressalta o sucesso do governo em impulsionar tanto a autossuficiência agrícola quanto o impacto de uma economia em desaceleração sobre a demanda.
As tarifas agrícolas, que variam de 10% a 15% em uma lista ampla de itens que incluem grãos, proteínas, algodão e produtos frescos, seguem uma ação inicial focada em energia e metais críticos. As importações de soja de três empresas dos EUA, bem como as compras de madeira americana, também foram interrompidas.
Em uma medida separada, Pequim anunciou tarifas retaliatórias sobre uma série de bens agrícolas canadenses que entrarão em vigor em 20 de março.
Garantir que 1,4 bilhão de cidadãos sejam alimentados adequadamente continua no topo da agenda política chinesa. Embora a China continue sendo um mercado de exportação importante para os Estados predominantemente republicanos do cinturão agrícola do Meio-Oeste dos EUA, os esforços de Pequim para reconfigurar as cadeias de abastecimento após a guerra comercial do primeiro mandato de Trump enfraqueceram a alavancagem de Washington.
A desapontadora recuperação da economia chinesa da pandemia rendeu um ponto positivo: um excesso de alimentos. Lidar com o impacto do excesso de oferta interna assumiu uma maior urgência. Os preços locais do trigo encontram-se nos menores níveis em cinco anos e as importações de milho colapsaram. Os dados mais recentes, divulgados no domingo (09), mostram a deflação tomando conta dos preços ao consumidor, estimulada por uma grande queda nos preços dos alimentos.
O governo respondeu tentando proteger seus agricultores. Os traders foram orientados a limitar as compras externas de grãos como cevada e sorgo, enquanto embarques de soja foram adiados.
O entusiasmo de Pequim por investigações comerciais e impostos nos últimos meses, visando itens como colza, leguminosas, frutos do mar, carnes e laticínios sugere que as autoridades não estão excessivamente preocupadas em criar barreiras às importações, especialmente em produtos de alto valor, que têm sido mais afetados no corte de gastos das famílias.
Apoiando todos esses esforços está a produção recorde de grãos e uma determinação em usar esse período de fartura para formar estoques. Em sua reunião legislativa anual, que termina esta semana, o governo elevou tanto sua meta de produção para o ano como seu orçamento para estocagem.
Mais medidas técnicas, como a redução do farelo de soja nas rações animais, também estão sendo promovidas, um sinal da persistente preocupação com a vulnerabilidade dos rebanhos de gado ao fornecimento estrangeiro de soja.
A soja é a principal exportação agrícola dos EUA para a China, um comércio avaliado em perto de US$ 13 bilhões em 2024, e o foco de esforços intensos nos últimos anos para mudar a dependência do país para outros fornecedores menos antagônicos, como o Brasil.
A sazonalidade da produção mundial deixará o Brasil respondendo pela maior parte das importações chinesas pelo menos até o quarto trimestre, o que provavelmente torna a tarifa de 10% sobre a soja dos EUA irrelevante nos próximos meses.
E claro, o governo quer fazer a economia acelerar o crescimento, uma grande parte disso será convencer os consumidores a abrirem suas carteiras. Um estímulo bem-sucedido das autoridades poderá fazer os preços dos alimentos subirem e alterar a abordagem em relação às importações. O impacto do clima extremo sobre as colheitas, resultado das mudanças climáticas, também afetaria esses cálculos.
Mas, enquanto isso, ao mirar os produtos agrícolas dos EUA, Pequim está empregando uma das armas de maior impacto e menor custo de seu arsenal comercial.