Clipping Diário

13 | Março | 2025

INDA

O Estado de S.Paulo - SP   13/03/2025

Como estratégia de ter uma maior capilaridade de vendas no mercado brasileiro, no momento em que amplia a oferta de aços planos laminados na usina mineira de Ouro Branco, o grupo Gerdau informa que fechou o processo de aquisição do centro de serviços pertencente à companhia alemã Kloeckner Metals. A empresa chegou ao País em 2011 com a aquisição de uma distribuidora local. O valor da transação não foi revelado.

A Gerdau informa que o ativo que faz parte do negócio é uma unidade de processamento de vários tipos de aços localizada em Araucária (PR). E lembra que a transação ainda depende do aval do órgão antitruste brasileiro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Segundo pessoas ligadas ao setor, a Kloeckner Metals, uma gigante do mercado europeu de distribuição de aço, não atingiu a meta de crescimento que projetou para o Brasil. Aqui, nesses 14 anos, enfrentou uma competição acirrada, tanto com distribuidoras controladas pelas siderúrgicas - Usiminas, CSN, ArcelorMittal e Gerdau - quanto com grupos independentes desse setor atuantes no País há muitas décadas.

A Kloeckner Metals estreou no Brasil pagando cerca de R$ 300 milhões, entre dinheiro e dívidas, por 70% do controle do grupo Frefer Metals Plus, distribuidor de aço sediado em São Paulo. A família controladora, inicialmente, permaneceu com 30%, e o principal acionista, Christiano Cunha Freire, foi mantido à frente da presidência executiva por algum tempo.

A empresa alemã, com os ativos da Frefer, atua no País com uma ampla variedade de produtos siderúrgicos, muitos dos quais a Gerdau fabrica e vende no mercado interno, como bobinas e chapas laminadas a quente, chapa grossa, tiras e perfis estruturais.

Em aço plano, a produção da Gerdau no País está concentrada na usina siderúrgica de Ouro Branco, que faz semiacabados (placas e tarugos), com uma capacidade total de 4,5 milhões de toneladas por ano. A partir das placas, faz bobinas laminadas a quente e chapa grossa. Com os tarugos, processa perfis estruturais, vergalhões e fio-máquina. O aço feito na usina atende os setores da construção civil, automotivo, agrícola, energia, naval e ferroviário.

A aquisição é um movimento estratégico do grupo, no momento em que acaba de ampliar a produção de bobinas a quente (produto laminado) na usina de Ouro Branco - adicionou 250 mil toneladas à capacidade de produção anual, indo a 1,1 milhão de toneladas, com investimento de R$ 1,5 bilhão. A companhia já opera a Comercial Gerdau, que é uma rede consolidada de distribuição de aço no País, que irá incorporar os ativos em aquisição da Kloeckner Metals.
Experiência frustrada por anos de crise do setor e do País

A Klöckner & Co, sediada em Duisburg, Alemanha, marcou, com a Frefer, a entrada em mercados emergentes. A companhia alemã, além da competição local, teve de lidar com a crise econômica do País, e do setor, de 2015 a 2020. De acordo com informações do setor siderúrgico, a empresa já vinha operando com baixa capacidade, indicando uma intenção de sair do País.

A entrada no Brasil ocorreu logo após adquirir a distribuidora americana Macsteel Service Centers, cuja receita anual era de 1 bilhão de euros. Nos dois negócios o desembolso do grupo Klöckner foi de 700 milhões de euros (R$ 4,2 bilhões pela cotação atual). Fundada em 1906, a alemã era um dos maiores distribuidores independente de aço e de produtos de metal e centro de serviços de aço nos mercados europeu e norte-americano.

A Frefer, na época, era a terceira maior distribuidora independente do País, segundo informações do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), com 8% de participação nas vendas em 2010 e tinha um faturamento estimado de R$ 340 milhões. No ranking geral, que inclui as coligadas das siderúrgicas, a Frefer fechou 2010 com 213 mil toneladas vendidas - 4,9% de participação no mercado nacional.

As informações são de que a Kloeckner Metals traçou como estratégia focar no México, com uma grande operação de centro de serviços e distribuição de aço voltada para atender principalmente a indústria automotiva.

SIDERURGIA

O Estado de S.Paulo - SP   13/03/2025

O Canadá anunciou nesta quarta-feira, 12, novas tarifas de 25% sobre cerca de 30 bilhões de dólares canadenses (US$ 20,8 bilhões) de produtos fabricados nos Estados Unidos, incluindo aço e alumínio, depois que o governo Trump avançou com taxas globais sobre as importações desses dois materiais.

As medidas retaliatórias do Canadá também se aplicarão a itens de consumo, como computadores e artigos esportivos. Os novos impostos correspondem às tarifas dos EUA “dólar por dólar” e entrarão em vigor às 12h01, horário de Nova York, na quinta-feira, 13, disse o ministro canadense das Finanças, Dominic LeBlanc.

LeBlanc disse que o governo não teve escolha. “Com essas tarifas mais recentes sobre o aço e o alumínio canadenses, o governo dos EUA está mais uma vez inserindo perturbação e desordem em uma parceria comercial incrivelmente bem-sucedida”, disse ele.

A medida ressalta a estratégia do governo canadense — contra-atacar imediatamente toda vez que o presidente dos EUA, Donald Trump, impuser novas tarifas — depois que uma ofensiva de meses em Washington não conseguiu fazer com que a Casa Branca isentasse o Canadá de suas tarifas.

Ao mesmo tempo, as autoridades canadenses afirmam que continuam a procurar uma saída para a guerra comercial. LeBlanc deve se reunir com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, na quinta-feira, e terá a companhia do primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, e do ministro da Indústria canadense, François-Philippe Champagne.

O objetivo é ter um “plano coerente” até o prazo final de 2 de abril para as tarifas recíprocas dos EUA, disse LeBlanc aos repórteres em Ottawa. “Minha mensagem para Lutnick será: os mercados falam com você”, acrescentou Champagne.

No total, a retaliação canadense afetará 12,6 bilhões de dólares canadenses em produtos de aço, 3 bilhões de dólares canadenses em alumínio e 14,2 bilhões de dólares canadenses em outros itens.

A União Europeia também anunciou retaliação contra as tarifas de metal de Trump, impondo suas próprias taxas sobre até € 26 bilhões (US$ 28,3 bilhões) em produtos americanos. Melanie Joly, ministra das Relações Exteriores do Canadá, disse que a resposta foi coordenada com a UE. Ela também disse que o Canadá “desejará fazer mais com a Europa” em matéria de defesa.

Joly disse que abordará as tarifas com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na reunião dos ministros das Relações Exteriores do Grupo dos Sete, que o Canadá sediará nos próximos três dias em uma região rural de Quebec. Precisamos lutar contra esse absurdo”, disse Joly, acrescentando que o governo canadense também precisa “encontrar saídas”.

Na semana passada, o governo do primeiro-ministro Justin Trudeau impôs tarifas sobre 30 bilhões de dólares canadenses de produtos norte-americanos — incluindo centenas de itens de consumo como bebidas alcoólicas, cosméticos e manteiga de amendoim — em resposta à medida de Trump de impor tarifas de 25% sobre muitos produtos canadenses.

Portal Fator Brasil - RJ   13/03/2025

Consumo e importações mantiveram-se estáveis, o que mostra que continua crescendo a relação de aços importados em nossa região.

De acordo com o último relatório mensal da Associação Latino-Americana do Aço (Alacero), divulgado no dia 11 de março (terça-feira), sobre a evolução da produção, consumo e balança comercial da indústria da região, a produção de aço bruto na América Latina alcançou 56,2 milhões de toneladas (Mt) em 2024, o que representa uma queda anual (a/a) de -3,6%, o terceiro declínio consecutivo (-2,9% em 2022 e -7,4% em 2023). As quedas mais significativas foram registradas no México, Argentina e Chile, enquanto o Brasil, com 33,7 Mt (+5,3%), foi o único país a registrar aumento na produção.

A produção de aço laminado totalizou 51,9 milhões de toneladas, com uma diminuição de -2,5% a/a, mantendo a tendência de queda dos últimos anos (-2,4% em 2022 e -2,7% em 2023). O segmento de tubos sem costura foi o que mais caiu (-8,8%), seguido dos aços longos (-5,0%). Por outro lado, os produtos planos cresceram 0,7%.

A balança comercial na América Latina registrou um déficit de 19,5 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2024, o que representa um aumento de 4,3% em relação ao mesmo período de 2023. Esse déficit foi causado por uma queda de -10,5% nas exportações, enquanto as importações permaneceram estáveis, com um crescente aumento das compras provenientes da China.

O consumo aparente de laminados foi de 67,4 milhões de toneladas no acumulado de 11 meses, o que representa uma redução de -1,0% a/a. O desempenho foi muito heterogêneo entre os países da região, com quedas superiores a -20% na Argentina, Bolívia e Panamá, que foram parcialmente compensadas por aumentos no Brasil, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Quanto aos setores consumidores de aço, a construção acumulou um crescimento de 1,5% a/a, embora tenha enfrentado quedas de agosto a novembro de 2024, com exceção do Brasil. A indústria fechou o semestre com um desempenho positivo em novembro de 2024 (1,3% a/a), destacando-se o setor automotivo (5,9%), enquanto o de máquinas e equipamentos industrais teve um crescimento moderado de 0,4%. O segmento de eletrodomésticos, por sua vez, registrou uma queda de -1,9%.

—Fechamos 2024 com uma queda pela terceira vez consecutiva na produção de aço na América Latina. No entanto, o consumo e as importações mantiveram-se estáveis, o que mostra que a relação de aços importados continua a crescer em nossa região. Isso impacta diretamente a competitividade e a estrutura da cadeia de valor regional—explica Ezequiel Tavernelli, diretor executivo da Alacero.

IstoÉ Dinheiro - SP   13/03/2025

O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, sinaliza que a gigante do aço pode repensar os investimentos no Brasil caso não tenha uma mudança de postura por parte do governo acerca do que chama de “inundação de aço” chinês.

Segundo o CEO da Gerdau, há uma competição desleal dentro do setor, sem isonomia nas práticas de importação de aço da China. O executivo avalia que as medidas tomadas até então pelo governo não foram suficientes.

“O Brasil não tem tido problemas de demanda de aço nesses últimos dois anos. A grande questão do Brasil é essa inundação de aço, especialmente o chinês, que chega aos nossos portos de uma maneira não isonômica, de uma forma que não segue as práticas da Organização Mundial do Comércio”, afirma Gustavo Werneck à IstoÉ Dinheiro.

“Nosso diálogo com o Governo Federal é que novos mecanismos de defesa comercial sejam implementados, porque se continuar com essa entrada nunca vista de tanto aço importado de forma desleal, vamos ter que debater se de fato o Brasil é o melhor lugar para continuarmos alocando capital, novos investimentos, ou se não tem outros países como os EUA”, completa o executivo.

A visão da companhia é de que a competição – que considera injusta – tem lesado diretamente a indústria do aço, causando, inclusive, fechamento de plantas.

“No Brasil temos lidado com inundação de aço importado com uma adequação da nossa capacidade produtiva. A gente vem fechando algumas plantas. Um grande exemplo é nossa usina no município de Barão de Cocais (MG). Nós hibernamos essa usina. 400 pessoas que trabalhavam lá perderam seus empregos. É um momento complexo no sentido de estarmos ceifando empregos no Brasil para promover empregos em países como a China, que produz aço com excesso de capacidade e não respeitando uma competição isonômica.”

Não é apenas a Gerdau que aponta para o problema da ‘inundação chinesa’. O setor como um todo tem reivindicado o assunto para com o Planalto, representado pelo Instituto Aço Brasil.

Jefferson De Paula, então CEO da ArcelorMittal Brasil, relatou ao Dinheiro Entrevista que a companhia também enxergava com preocupação o contexto atual. À época, na entrevista feita em dezembro de 2024, De Paula citou que a imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos, inclusive, agravaria a situação, “criando um problema seríssimo” para várias nações ao redor do globo.

“O governo [brasileiro] vai ter que estar atento a isso, porque se houver inundação de produtos industriais e o aço estiver nesse ‘bolo’, com uma importação muito grande ocorrendo tanto no Brasil quanto em outros países, nós vamos receber muitos produtos, e isso vai afetar as empresas brasileiras. Nesse cenário, as empresas vão cortar investimentos [no Brasil]”, disse De Paula.

O executivo citou que o Instituto Aço Brasil tem dialogado com o Planalto e colocado a questão como uma das prioridades para a economia doméstica e para as empresas brasileiras produtoras de aço.
Lula e Haddad participam de inauguração da Gerdau

Nesta terça-feira, 11, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou da inauguração da ampliação da capacidade de produção de aço da Gerdau em Ouro Branco (MG).

A ampliação incluiu a instalação de um novo laminador de bobinas a quente, aumentando a capacidade de produção de aço da planta.

Werneck declarou que o investimento feito, no patamar de R$ 1,5 bilhão, foi planejado há cerca de cinco anos – sem levar em consideração o cenário de ‘inundação chinesa’ citado pelo executivo.

Segundo o executivo, a planta não deve operar a “plenos pulmões” justamente por conta desse contexto de mercado, a despeito de uma demanda que ainda considera aquecida.
Tarifaço de Trump não é ‘pedra no sapato’ para a Gerdau

Acerca do tarifaço de Donald Trump, o CEO da Gerdau diz que a empresa está em uma posição relativamente confortável.

Dado que a companhia tem unidades nos EUA e não exporta aço para lá, mas sim produz e vende em solo americano, os impactos devem ser mínimos.

“Nós temos operação nos EUA que não depende da nossa operação do Brasil. Operamos localmente, como empresa americana, então todo programa de incentivo ao consumo de aço nos EUA, todo mecanismo de defesa comercial que promover a indústria local ou um crescimento da indústria de aço nos EUA, favorece nossa operação na América do Norte”, diz o executivo da Gerdau.

Valor - SP   13/03/2025

Ebitda ajustado ficou em R$ 3,335 bilhões nos últimos três meses do ano passado, queda de 8% ante um ano antes

A CSN teve prejuízo líquido de R$ 85 milhões no quarto trimestre de 2024, ante lucro líquido de R$ 851 milhões no mesmo período de 2023, segundo demonstrações financeiras enviadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quarta-feira. Os valores referem-se aos atribuíveis aos sócios controladores.

A receita líquida aumentou 0,2% entre os dois períodos, de R$ 12,005 bilhões para R$ 12,026 bilhões.

O lucro antes de juros impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ficou em R$ 3,335 bilhões nos últimos três meses do ano passado, queda de 8% ante Ebitda ajustado de R$ 3,626 bilhões um ano antes.

No consolidado de 2024, a companhia apurou prejuízo líquido de R$ 1,538 bilhão, ante lucro líquido de R$ 403 milhões em 2023; a receita líquida totalizou R$ 43,688 bilhões (queda de 3,9% sobre o ano anterior) e o Ebitda ajustado totalizou R$ 10,230 bilhões (redução de 14,1%).

IstoÉ Dinheiro - SP   13/03/2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recebeu do setor siderúrgico nesta quarta-feira, 12, sugestões de medidas de proteção da indústria local, tanto sobre as exportações de aço, afetadas pela sobretaxa dos Estados Unidos, quanto da importação do produto pelo Brasil, impactado especialmente pelas vendas chinesas.

“Nós vamos estudar, como sempre fazemos, nós vamos sentar, lembrando que quem capitaneia esse processo no governo é o Ministério do Desenvolvimento. Mas, a pedido do vice-presidente Alckmin, a Fazenda sempre dá suporte técnico, como outros ministérios também devem dar”, disse o ministro.
Questionado se o pedido do setor em torno das importações seria relacionado ao aumento do imposto sobre o aço que chega ao Brasil, Haddad confirmou.
“É nesse sentido. O setor do aço pede providências tanto em relação às importações quanto em relação às exportações. E obviamente que a estratégia não pode ser a mesma, num caso e em outro, porque no caso das exportações envolve uma negociação, no caso das importações envolve uma defesa mais unilateral. Isso, a proposta que eles fizeram, nós vamos analisar”, respondeu o ministro.
Na terça-feira, em evento com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a siderurgia reforçou os pleitos por proteção comercial, preocupada com o volume de aço que chega ao Brasil. No ano passado, o governo já estabeleceu medidas para tentar reduzir esse problema, mas o setor afirma que elas foram insuficientes. No mesmo evento, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, se limitou a dizer que o Executivo irá se empenhar para aprimorar o que chamou de “recomposição tarifária”.

Globo Online - RJ   13/03/2025

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calculou em US$ 1,5 bilhão a perda em exportações do setor siderúrgico brasileiro com as novas tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos ao aço neste ano e queda na produção de quase 700 mil toneladas. Começou a valer nesta quarta-feira a nova taxação, inclusive para o Brasil, que exporta mais de 50% do produto para os EUA.

“Isso se deve ao fato de que os Estados Unidos são um mercado muito importante para o aço brasileiro. Em 2024, último dado de ano fechado que nós temos, eles foram destino de mais da metade das exportações. Portanto é um mercado crucial de aço para o Brasil e daí a importância de lidar com essa questão”, explica Fernando Ribeiro, coordenador de Relações Econômicas Internacionais do Ipea, em nota divulgada pelo Ipea.

Diante do peso do mercado americano para a indústria siderúrgica brasileira, o Instituto Aço Brasil e as empresas associadas, em nota divulgada nesta quarta-feira, afirmam que "mantêm a expectativa de que, com a abertura do canal de diálogo pelo governo brasileiro com o governo norte-americano, seja possível prosseguir com as negociações para restabelecer as bases do sistema de importação construído no primeiro governo de Donald Trump com o Brasil, em 2018, e que vigorou até esta terça-feira".

No primeiro governo Trump, foram estabelecidas cotas de entrada de 3,5 milhões de toneladas de semiacabados e 687 mil toneladas de laminados, isentas de impostos, segundo a entidade. Mas, na última sexta-feira, os CEOs das três maiores siderúrgicas americanas pediram ao presidente Donald Trump que resista a fazer qualquer concessão na decisão de taxar em 25% todas as importações de aço. Eles afirmam que trocar a taxação por cotas, medida adotada na primeira gestão do republicano, não adiantou e que manter as tarifas anunciadas como estão é questão de segurança nacional.

Pelo estudo do Ipea, as novas tarifas de Trump podem gerar queda de 2,19% da produção, contração de 11,27% das exportações do metal e redução de 1,09% das importações. Pelos cálculos de Ribeiro, o efeito no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro será residual, de apenas -0,01% e de -0,03% nas exportações totais. Ribeiro defende uma negociação para manter a situação como era antes da nova taxação:

“O Brasil tem uma indústria siderúrgica bastante desenvolvida, bastante forte e que exporta, principalmente, produtos semiacabados. É importante que o país busque algum tipo de negociação para o governo americano para reverter essa medida e impedir que isso possa trazer prejuízos para o setor”, diz Ribeiro.

Segundo a nota do Instituto Aço Brasil, a indústria brasileira respondeu por 60% da demanda das usinas dos Estados Unidos por placas, de 5,6 milhões de toneladas.

"O Aço Brasil reafirma que o não restabelecimento do acordo trará perdas não só para a indústria de aço brasileira, mas também para a indústria do aço norte-americana."

O Estado de S.Paulo - SP   13/03/2025

O primeiro dia da tarifa de 25% sobre as importações de aço do Brasil determinada por Donald Trump foi de choque para a indústria siderúrgica brasileira. Afinal, a medida afetou bem mais da metade das exportações de aço do País. Até o início da noite de terça-feira, 11, as empresas exportadoras para os EUA ainda tinham a esperança de que o governo americano pudesse adiar por um mês a decisão. Trump, no entanto, foi implacável na sua taxação global.

Alegando estratégia de negociação, as empresas do setor não estão expondo as potenciais perdas que as medidas trazem para suas vendas ao mercado americano. A decisão das associadas do Instituto Aço Brasil é manter as negociações iniciadas com os EUA por meio do governo brasileiro, em um esforço conjunto dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e de Relações Exteriores (MRE).

Marco Polo de Melo Lopes, presidente do Aço Brasil, disse ao Estadão que o setor mantém a expectativa de que o processo negocial aberto em alto nível por representantes do Brasil e EUA seja mantido e que volte a priorizar o acordo (de cotas de exportação), bom para os dois países. “Tivemos hoje, 12, o rompimento de um acordo que durou por seis anos. Deixou de existir, e isso não é bom para nenhum dos lados”, afirmou, após reunião pela manhã com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

O executivo lembrou que nas bases do sistema de importação construído no primeiro governo de Trump, em 2018, e que vigorou até esta terça-feira, os embarques de aço brasileiros aos EUA ficaram isentos da tarifa de 25%. Naquele ano Trump usou a Seção 232 para adotar as tarifa, mas concordou, logo depois, em negociar um regime de “hard quotas”. O acordo, ressalta Lopes, foi respeitado à risca: 3,5 milhões de toneladas de aços semiacabados e 687 mil toneladas de laminados por ano.

Lopes alerta que há, agora, com a taxação global de Trump, um mercado imenso, de 26 milhões de toneladas – que são as importações de aço por ano por parte dos EUA – em que as empresas brasileiras vão ter de competir. “Poderão ocorrer desvios de comércio numa disputa diferente, em novas bases, por esse material. As siderúrgicas nacionais e de outros países, como México e Canadá, contavam com as cotas”, afirma. Mas acredita muito numa solução negociada por parte do governo brasileiro”.

A ArcelorMittal, que abastece sua planta industrial de Calvert, no Alabama, com mais de 4 milhões de toneladas de placas, deve avaliar alternativas para manter a operações de sua laminadora americana em sociedade com a Nippon Steel. Uma delas é continuar enviando o material com tarifa de 25% e tentar repassar a sobretaxa, ou boa parte dela, aos seus clientes locais.

Outra empresa, a ítalo-argentina Ternium, leva placas de sua usina no Rio de Janeiro para o México e as transforma em produtos acabados (bobinas). A partir de suas unidades no país atende demandas do mercado americano. Como o México também entrou na mira de Trump com tarifa de 25%, as exportações Ternium ficam afetadas.

A CSN, de Benjamin Steinbruch, segundo informações, com a tarifa, fica com as exportações comprometidas. São cerca de 250 mil toneladas por ano de produtos de alto valor agregado que colocava no mercado americano: zincados, pré-pintados e folhas metálicas.

Como a empresa está com um alto-forno de seus altos-fornos parado em Volta Redonda (RJ), um caminho é suspender a importação de placas de aço que vem fazendo e deixar de produzir o volume que exportava. Com isso, a perda anual que teria é estimada em pelo menos US$ 200 milhões.
A grande dúvida são as novas bases de preços

Avaliação de especialistas do setor ouvidos pelo Estadão é de que os EUA continuarão comprando do Brasil e de outros países fornecedores de placas porque não se consegue uma nova fonte de suprimento da noite para o dia. Levaria alguns anos para o volume importado ser substituído por produção local. O grande ponto, agora, são as novas bases de preços com a tarifa.

Calvert, da ArcelorMittal, por exemplo, terá fornecimento próprio de 1,5 milhão de toneladas anuais, mas somente a partir do final do ano. A empresa está finalizando a construção de uma usina de placas usando sucata de ferro e aço como matéria-prima. Todavia, ArcelorMittal e Nippon Steel já avaliam a construção de uma segunda unidade, do mesmo porte, o que demandaria cerca de 30 meses para entrar em operação desde o início das obras.

Por isso, acredita-se em um novo acordo, que envolva cotas e tarifa, por um período determinado. O Brasil tinha a cota garantida e pagava mais 7% sobre o preço para entrar no mercado americano. Agora, ressalta o especialista, ninguém mais tem cotas, a competição é geral. No caso de Calvert, a preferência deverá ser pela compra de aço das duas usinas brasileiras da ArcelorMittal.

Disparada dos preços nos EUA

As tarifas passaram a valer nesta quarta-feira, mas desde o início do ano os preços de produtos laminados de aço no mercado americano vêm em alta acelerada, segundo informações de consultorias que acompanham os negócios internos. Na média, os preços da bobina a quente (BQ), produto de referência para aço laminado, subiram mais de 30%.

A Nucor Corporation, terceira maior siderúrgica americana e uma defensora ferrenha da tarifa ao aço importado, e fim das isenções, já implementou vários aumentos de preço para a BQ. Saiu de US$ 790 a tonelada curta (907 quilos) em 10 de fevereiro para US$ 915 a partir de segunda-feira, 10. Na mesma data, a California Steel Industries (CSI), uma controlada da Nucor que pertenceu à Vale até o final de 2021, reajustou o preço para a US$ 975 a tonelada curta.

Em uma semana, desde 3 de março, a Nucor e a California Steel reajustaram seu preço-base da BQ em US$ 15 a tonelada curta para todas as suas uidades de produção no território americano.

Segundo levantamento da S&P Global Insights, utilizando o sistema Platts, a tonelada curta da BQ americana está cotada, em média, a US$ 950. Esse valor equivale a US$ 1.045 a tonelada métrica (mil quilos), ou R$ 6.115. No Brasil, o produto está sendo comercializado a R$ 4,5 mil, o que significa uma diferença a mais de quase 36% para a BQ americana.

Desrespeito às regras de livre-comércio

Neste momento, ante o elevado grau de imprevisibilidade das decisões de Trump e das medidas adotadas por ele, a melhor atitude é prudência, caminho da negociação diplomática e aguardar os próximos passos, afirma Renê Medrado, sócio do escritório Pinheiro Neto Advogados especializado em comércio internacional.

O melhora caminho, diz Medrado, é seguir as iniciativas do Mdic, que normalmente dá apoio com procedimentos técnicos, em defesa comercial e em casos como este, de medidas que não eram imaginadas. “Trata-se de uma questão global da nova administração americana, que leva a um processo de incerteza grande para quem exporta aos EUA, para os importadores do país e para empresas brasileiras que têm manufatura lá.”

Na avaliação de Medrado, os EUA podem estar criando mais perdas para si mesmo com essas medidas intempestivas. “Com certeza, a tarifa será repassada ao consumidor”, afirma. Ele lembra que em processos normais de ações antidumping são feitas análises sobre o interesse público da medida, avalia-se o efeito sobre a economia como um todo de forma estruturada.

Não é o que se vê nessas decisões de Trump, que fogem de um sistema de regras estabelecidas para um regime de demonstração de força entre nações. “O Brasil tem potência média, sairia em prejuízo partir, de imediato, para retaliação tarifária. Por isso, o caminho é buscar apoio nas áreas técnica e diplomática do Mdic e do Itamaraty”, afirma Medrado.

Nessa situação deflagrada por Trump, afirma, ficou evidente a desconfiança e o desprestígio do sistema multilateral de comércio internacional. “O que temos hoje é uma desestruturação das regras básicas definidas mais de 70 anos atrás, no GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), que não estão sendo respeitadas. Aplicam-se medidas fora do âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC).”

O GATT, assinado em 1947 e que entrou em vigor em 1948, foi um tratado internacional que estabeleceu regras para o comércio entre países, baseado no princípio do livre-comércio.

Na avaliação do Instituto Aço Brasil, o não restabelecimento do acordo que vigorou até dia 11 à meia noite, que fixou um regime de cotas pesadas (”hard quotes”) vai trazer perdas não só para a indústria de aço brasileira, mas também para a indústria siderúrgica americana.

IstoÉ Dinheiro - SP   13/03/2025

O governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira (12) que avaliará todas as possibilidades de ação no campo do comércio exterior contra a medida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impõe tarifa de 25% às importações americanas de aço e alumínio e entrou em vigor hoje. Nesse sentido, recorrer à Organização Mundial do Comércio está entre as possibilidades, diz comunicado.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma instituição multilateral que tem como função regular o comércio internacional, negociar regras, gerir acordos comerciais e resolver disputas. Brasil e Estados Unidos são dois dos 166 países-membros da OMC, que abarca 98% do comércio mundial.

A taxação definida por Trump é uma forma de protecionismo às siderúrgicas americanas, que passam a concorrer em vantagem com produtos importados que chegarão mais caros aos Estados Unidos.

O Brasil é um dos principais afetados, por ser grande exportador de metal para os americanos. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os Estados Unidos são o destino de 54% das exportações de ferro e aço brasileiros.

Em nota conjunta publicada pelos ministérios das Relações Exteriores, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços na tarde desta quarta-feira, o governo brasileiro lamenta a decisão.

“Tais medidas terão impacto significativo sobre as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA, que, em 2024, foram da ordem de US$ 3,2 bilhões”.

O governo brasileiro demonstra apoio ao sistema multilateral de comércio e considera “injustificável e equivocada” a imposição de barreiras unilaterais.

Histórico de cooperação

A nota destaca o histórico de cooperação e integração econômica entre os dois países e usa dados do próprio governo americano para mostrar que o país de Donald Trump tem saldo positivo nas trocas comerciais com o Brasil.

“Os EUA mantêm um superávit comercial de longa data com o Brasil, que foi, em 2024, da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens”.

O texto ressalta a relação de “complementaridade mutuamente benéfica” entre Brasil e Estados Unidos, citando que somos o terceiro maior importador de carvão siderúrgico dos EUA (US$ 1,2 bilhão) e o maior exportador de aço semiacabado para aquele país (US$ 2,2 bilhões, 60% do total das importações dos EUA), insumo essencial para a própria indústria siderúrgica americana.O comunicado termina com a afirmação de que o governo buscará, em coordenação com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos.
Haddad: Ordem é negociar

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a ordem do governo é negociar e não retaliar as exportações vindas dos Estados Unidos.

“O presidente Lula falou ‘muita calma nessa hora’. Já negociamos outras vezes em condições até muito mais desfavoráveis do que essa”, disse a jornalistas após reunião com representantes do setor, que apresentaram um relatório com argumentos para a negociação.

De acordo com Haddad, a Fazenda deve preparar uma nota técnica sobre as propostas das siderúrgicas brasileiras, para ser enviada ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a fim de orientar as negociações com o governo americano.

Manifestações do Instituto Aço Brasil – que representa os produtores de aço – e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam para esforços de convencimento via negociações entre os governos.

Portal Fator Brasil - RJ   13/03/2025

Ante o mesmo mês em 2024. As exportações tiveram queda de 2,9% em volume e valor, respectivamente, comparado ao mesmo mês no ano passado.

A produção brasileira de aço bruto foi de 2,8 milhões de toneladas, um crescimento de 2,4% frente ao apurado no mesmo mês de 2024. Já a produção de laminados foi de 2,0 milhões de toneladas, uma redução de 2,2% na comparação com janeiro de 2024. A produção de semiacabados para vendas foi de 643 mil toneladas, uma queda de 10,7% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2024, de acordo com o Aço Brasil, divulgado no final do mês de fevereiro de 2025.

Consumo e vendas — As vendas internas cresceram 3,1% frente ao apurado em janeiro de 2024 e totalizaram 1,7 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos siderúrgicos foi de 2,2 milhões de toneladas, 11,4% superior ao apurado no mesmo período de 2024.

Exportações — As exportações de janeiro de 2025 foram de 909 mil toneladas, ou US$ 651 milhões, o que resultou em queda de 2,9%, tanto em volume quanto em valor, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2024.

Importações— As importações de janeiro de 2025 foram de 548 mil toneladas e de US$ 529 milhões, um aumento de 49,4% em quantum e de 30,4% em valor na comparação com o registrado em janeiro de 2024.

Confiança da Indústria do Aço — O Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA), fechou em 34,7 pontos no mês de fevereiro de 2025, apresentando uma queda de 7,7 pontos em comparação a janeiro. Esta foi a quarta queda seguida de confiança dos CEOs da indústria. Ao medir, o Instituto Aço Brasil considera que números abaixo de 50 pontos representam falta de confiança.

IstoÉ Dinheiro - SP   13/03/2025

Bloco diz que reação será “forte e proporcional” após entrada em vigor das tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio impostas pelos EUA, que também afetam o Brasil.Tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio para os Estados Unidos entraram em vigor nesta quarta-feira (12/03), provocando medidas de retaliação da União Europeia e a ira da China, que promete fazer o que for “necessário” para defender seus interesses.

O presidente Donald Trump, defensor de uma política econômica agressiva do tipo “America First”, prometeu em fevereiro taxar esses dois metais e seus derivados sem exceções, incluindo o Canadá e o México, seus parceiros no acordo comercial do USMCA, o antigo Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

O Brasil, que é o segundo maior fornecedor de aço dos EUA, também será afetado. Em 2024, o país exportou 4,1 milhões de toneladas do produto para os EUA. Em primeiro lugar, está o Canadá, que responde por 6 milhões de toneladas em envios ao mercado americano. O México vem em terceiro lugar, vendendo 3,2 milhões de toneladas.

Cerca de metade das exportações de aço brasileiras são destinadas aos EUA. Por isso, as tarifas americanas devem ter um impacto significativo no mercado siderúrgico brasileiro. Algumas empresas do setor devem ser pouco afetadas por venderem pouco para os EUA ou porque têm produção no país, como no caso da Gerdau. Já companhias que exportam grandes volumes para os EUA, como ArcelorMittal, Ternium e CSN, devem ser mais impactadas.

UE promete retaliar

Por sua vez, a UE respondeu no início da quarta-feira com a renovação das tarifas sobre os produtos dos EUA que havia adotado em 2018 e 2020 e que, posteriormente, havia deixado sem efeito.

“Acreditamos firmemente que, em um mundo cheio de incertezas geopolíticas e econômicas, não é de nosso interesse comum sobrecarregar nossas economias com tarifas”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em um comunicado.

“As contramedidas que tomamos hoje são fortes, mas proporcionais. Como os Estados Unidos estão aplicando tarifas no valor de 28 bilhões de dólares, estamos respondendo com contramedidas no valor de 26 bilhões de dólares”, acrescentou von der Leyen.

A Comissão Europeia afirma que as medidas têm o objetivo de “ser inteligentes e atingir onde dói”, por isso são escolhidos produtos com “alto valor agregado e simbólico”.

Isso inclui, por exemplo, a soja, cuja produção é significativa no estado de Louisiana, de onde vem o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson. A UE pode obter soja de outros países, como o Brasil ou a Argentina.

Os produtos escolhidos por Bruxelas, que ainda estão sujeitos a modificações após consultas aos Estados-membros, também incluem carne bovina e frango, setores importantes em estados como Nebraska e Kansas, que votam nos republicanos, além de fogões, fornos, geladeiras, freezers e cortadores de grama.

Outro exemplo dessas medidas simbólicas são as motocicletas Harley-Davidson, bem como insumos importantes para a economia dos EUA, como produtos de madeira, com peso na Geórgia, Virgínia e Alabama.

China: “Ações violam regras da OMC”

A China sustentou que “as ações dos EUA violam seriamente as regras da (Organização Mundial do Comércio), prejudicam seriamente o sistema de comércio multilateral baseado em regras e não contribuem para a solução do problema”, de acordo com a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim, Mao Ning.

Em resposta, ela disse que a China – maior fabricante de aço do mundo – “tomará todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e interesses legítimos”.

Reino Unido “decepcionado”, Japão lamenta

Por outro lado, o Reino Unido disse estar “decepcionado” com as medidas dos EUA, mas anunciou que não tomaria medidas retaliatórias imediatamente.

“Nós nos concentramos em uma abordagem pragmática e rapidamente negociamos um acordo econômico mais amplo com os Estados Unidos para eliminar as tarifas extras”, disse o Secretário de Estado do Comércio, Jonathan Reynolds.

O Japão lamentou não ter sido excluído das tarifas dos EUA, embora não tenha anunciado inicialmente uma retaliação, de acordo com o porta-voz do governo, Yoshimasa Hayashi.

Canadá

O país mais afetado pelas tarifas dos EUA será o Canadá, que fornece metade das importações de alumínio e 20% das importações de aço, de acordo com a empresa de consultoria EY-Parthenon.

Nesta terça-feira, Trump atacou o país vizinho, ameaçando com tarifas de 50% sobre aço e alumínio canadenses, mas recuou logo depois que o governador de Ontário, Doug Ford, retirou uma sobretaxa de 25% que aplicaria sobre exportações de eletricidade do estado canadense para os EUA.

No caso do alumínio, os Emirados Árabes Unidos, a Coreia do Sul, o Bahrein e a China, que respondem, cada um, por 3% a 6% das importações dos EUA, também serão afetados pelas tarifas, segundo a EY-Parthenon.

Globo Online - RJ   13/03/2025

As siderúrgicas brasileiras ArcelorMittal e Ternium, que exportam placas de aço para os EUA, serão as mais afetadas pela imposição da tarifa de 25% pelo governo Trump sobre importações americanas de aço e alumínio, que entraram em vigor nesta quarta-feira.

Empresas como Usiminas e CSN, que exportam cerca de 1% e 4% de sua produção local para os EUA, serão impactadas marginalmente pela medida, segundo analistas.

Já a Gerdau tende a ser beneficiada, já que possui unidades em território americano, de onde vêm cerca de 40% de seu faturamento.

Ainda há dúvidas, no entanto, se a sobretaxa poderá ser amenizada em razão de negociações entre os governos de Brasil e EUA. O Brasil é o segundo maior exportador de aço para o país.

Sistema de cotas no passado

Os analistas Leonardo Correa e Marcelo Arazi, do BTG Pactual, lembram que, em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump, foi implementada a seção 232, com imposição de tarifas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio, sob o argumento de segurança nacional.

No entanto, vários países conseguiram garantir isenções na época, como o Canadá e México, que têm acordo de livre comércio com os EUA. Outros, como Brasil, Austrália, Coreia do Sul, Argentina e alguns da União Europeia, negociaram para implementar um sistema de cotas, em substituição às tarifas.

"A primeira reação é esperar que preço do aço e o alumínio suba nos EUA, no curto prazo, devido a uma potencial escassez de abastecimento regional ou interrupções na cadeia de abastecimento", escreveram os analistas do BTG em relatório a clientes no mês passado, antes do anúncio oficial da medida.

Mas eles alertam que a oferta global de aço é normalmente redirecionada de uma região para outra, o que significa que os preços globais podem não reagir.

"A Gerdau é normalmente vista como uma das principais beneficiárias neste contexto. No entanto, alertamos os investidores que ainda não sabemos por quanto tempo essas tarifas permanecerão e os fundamentos do aço nos EUA ficarão pressionados no curto prazo", disseram os analistas, lembrando que a indústria brasileira está funcionando com cerca de 73% de sua capacidade.

Gerdau deve ter aumento de receita

Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, diz que empresas que têm sua produção de aço no Estados Unidos, como a Gerdau, deverão aumentar sua receita por lá com aumento de preços do produto.

— O preço doméstico do produto com as alíquotas de importação mais altas vai subir. A participação do aço brasileiro é importante no mercado americano. Já as exportadoras tendem a ver sua rentabilidade diminuir com as tarifas — diz Silveira, lembrando que o aço brasileiro perderá competitividade no mercado americano.

Ele lembra que quando houve aumento de tarifas do suco de laranja brasileiro nos EUA, para privilegiar a produção dos plantadores da Flórida, em 2011, (a taxa atual é de US$ 415 por tonelada), muitos produtores brasileiros redirecionaram a plantação para os EUA. Mas com aço é diferente.

— O investimento numa usina é bilionário pela natureza da atividade, que tem muito valor agregado — explica.

Efeito sobre indústria automotiva

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Márcio de Lima Leite, avalia que pode haver impactos para a indústria automotiva nacional, com menor volume de produção nacional.

Tiago Feitosa, CEO da T2 Educação, instituição que prepara analistas do mercado financeiro, diz que como o aço é matéria-prima de diferentes produtos, de carros a eletrodomésticos, o aumento do preço do produto terá efeito inflacionário.

— Inevitavelmente esse aumento de preços vai ser repassado para o consumidor americano em forma de inflação. Para as companhias brasileiras que exportam aço para os EUA, haverá redução das vendas — diz ele, que não acredita em freio nos investimentos que as siderúrgicas vêm fazendo, já que podem direcionar sua produção para outros países.

Valor - SP   13/03/2025

Especialistas afirmam que é cedo para prever todos os efeitos das tarifas sobre o aço no país

Especialistas consultados pelo Valor dizem que ainda é cedo para se ter certeza sobre os efeitos completos do aumento tarifário sobre o aço brasileiro. Mas citam uma série de desdobramentos possíveis, a depender da eficácia do tarifaço aplicado pelo governo Donald Trump sobre as importações americanas. Entre as possíveis consequências para o Brasil, estão o aumento da disponibilidade interna de aço, impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e sobre as exportações brasileiras. Ainda assim, o momento é de espera, uma vez que os países ainda devem negociar condições para tentar alterar as alíquotas impostas pelos EUA.

As tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio dos Estados Unidos iniciaram à meia-noite desta quarta-feira (12) a todos os parceiros comerciais, como Brasil, México, Canadá, Alemanha, Japão e Coreia do Sul.

A União Europeia anunciou que vai impor contra-medidas às novas taxas dos Estados Unidos, com planos de impor até € 26 bilhões (US$ 28 bilhões) sobre produtos americanos. Os europeus terão como alvo produtos politicamente sensíveis em Estados liderados pelos republicanos, como a soja da Louisiana, segundo um alto funcionário da União Europeia.

O vice-presidente do conselho do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e principal negociador comercial brasileiro entre 1998 e 2002, embaixador José Alfredo Graça Lima, disse que o aço e o alumínio são produtos que estão periodicamente sujeitos a medidas para sustentar preços nos EUA, uma vez que a indústria siderúrgica americana está em “crise permanente porque se tornou pouco competitiva em relação aos demais produtores, especialmente a China”.

Ele ressalta que o Brasil exporta para os EUA principalmente placas e tarugos, semiacabados importantes na cadeia automotiva e nas obras públicas. “O comércio Brasil-Estados Unidos é de operações intrafirmas, exemplo de complementaridade que dá certo e é confortável para os americanos”, diz Graça Lima, que pondera que, do ponto de vista operacional, o governo brasileiro deve manter conversas para reverter aumentos tarifários. “Acredito que conversas estejam em curso”, pondera o diplomata, acrescentando que a pauta de costumes fica mais visada e atende a determinados setores que não estão preocupados com a economia. “Mas é ela [a economia] que prevalece.”

Graça Lima diz que “dificilmente” o aço brasileiro que porventura deixar de ser exportado para os EUA encontrará outros mercados externos. Um efeito possível, diz, é o aumento da oferta de aço no Brasil, com efeito nos preços. “Pode ter redução do preço do aço internamente. Têm leituras mistas. Não é bom para a indústria, mas pode ser bom para a cadeia.” Ele também considera “provável” que aumente a presença do aço chinês no Brasil, caso os EUA sejam bem-sucedidos em evitar a triangulação em outros países.

Para Larissa Wachholz, sócia da Vallya Participações e especialista de Ásia do Cebri, por ora, os países que mais exportam aço para os americanos estão em pé de igualdade de competição, com a mesma tarifa sobre todos eles. Na visão dela, os desdobramentos vão depender da capacidade de negociação entre esses países e os Estados Unidos: “Vemos que vários países têm repensado a forma como respondem à tarifação, o que tem feito os americanos mudarem de posição”.

Em relação ao Brasil, Wachholz diz que os americanos devem estar abertos a negociar, uma vez que o aço brasileiro é importante para os EUA. “O produto brasileiro vai diretamente para a fabricação de bens importantes, como carros, ou para fomentar o mercado imobiliário. São setores diretamente relacionados ao custo de vida das pessoas. Se as tarifas forem muito altas, elas não serão absorvidas pela indústria sem serem repassadas aos consumidores.”

O Instituto Aço Brasil disse, em nota, que têm expectativa de diálogo do governo brasileiro com o americano para restabelecer bases do sistema de importação do primeiro governo Trump, em 2018. Na ocasião, importações de aço brasileiro mantiveram-se isentas de imposto, desde que respeitadas as cotas de entrada de 3,5 milhões de toneladas de semiacabados e 687 mil toneladas de laminados por ano. “A negociação de 2018 atendeu não somente o interesse do Brasil em preservar o acesso a seu principal mercado externo do aço, mas também o da indústria de aço dos Estados Unidos.”

As tarifas de 25% sobre as importações de aço pelos EUA devem ter efeito “insignificante” na economia brasileira como um todo, mas levar a uma queda de 11,27% nas exportações brasileiras de metais ferrosos e a uma perda equivalente a US$ 1,5 bilhão, conforme estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de autoria do pesquisador Fernando Ribeiro. A medida deve representar 0,01% a menos no PIB brasileiro, mesma influência prevista para ocorrer nas economias do Canadá e do México. As exportações brasileiras totais, por sua vez, podem cair 0,03%, enquanto o efeito nas importações seria mais intenso, de -0,26%, por causa da redução na atividade econômica. O estudo do Ipea também estima os efeitos das novas tarifas para a economia dos Estados Unidos. A projeção é de um efeito negativo de 0,02% no PIB americano; 0,49% nos investimentos; 0,39% nas exportações e 0,66% nas importações.

Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, afirma que entre as poucas certezas por enquanto está o fato de que a imposição de tarifas a parceiros terá efeitos na inflação. “Os Estados Unidos importam cerca de 25% do aço que consomem. Existe um peso grande de se cortar essa importação toda, mas ainda é cedo para sabermos qual o peso disso. Trump poderia estar discutindo aspectos que traria benefícios para a economia americana.”

Infomoney - SP   13/03/2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira (12) que o governo brasileiro não deve promover uma retaliação imediata após o governo dos Estados Unidos implementar tarifa adicional sobre o aço e o alumínio, ressaltando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu calma na análise do tema.

Em entrevista a jornalistas, Haddad afirmou que o Ministério da Fazenda vai estudar propostas apresentadas pelo setor de aço e vai elaborar uma nota técnica sobre o tema para subsidiar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O governo também vai acompanhar como os EUA irão reagir em torno da perspectiva de risco de recessão na economia norte-americana, disse o ministro. Na avaliação de Haddad, certamente os EUA não ficarão “parados” diante desse cenário.
“Vamos acompanhar como é que também vai ser a reação deles a essa perspectiva. Certamente eles não vão ficar parados em relação a isso”, afirmou.

Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que “não vê nenhuma recessão” nos EUA e que a economia americana “vai bombar”.

O temor de uma recessão na economia norte-americana derrubou o mercado de ações no início da semana, reflexo também da preocupação com as tarifas impostas pelo republicano.

ECONOMIA

CNN Brasil - SP   13/03/2025

Os preços ao consumidor dos Estados Unidos aumentaram menos do que o esperado em fevereiro, mas a melhora provavelmente é temporária em um cenário de tarifas agressivas sobre as importações que devem elevar os custos da maioria dos produtos nos próximos meses.

O índice de preços ao consumidor avançou 0,2% no mês passado, de 0,5% em janeiro, informou o Departamento do Trabalho nesta quarta-feira (12).

Nos 12 meses até fevereiro, o índice teve alta de 2,8%, após ter subido 3,0% em janeiro. Economistas consultados pela Reuters previam avanços de 0,3% na base mensal e de 2,9% na anual.

O primeiro relatório completo de inflação do governo do presidente Donald Trump ainda mostrou os preços em níveis que, segundo economistas, são inconsistentes com a meta de 2% do Federal Reserve.

Neste mês, Trump desencadeou uma guerra comercial ao elevar as tarifas sobre produtos da China para 20% e impor uma nova taxa de 25% sobre as importações canadenses e mexicanas, antes de voltar atrás e conceder uma isenção de um mês para quaisquer produtos que atendam às regras de origem do Acordo de Comércio EUA-México-Canadá.

Tarifas mais altas sobre o aço e o alumínio entraram em vigor nesta semana, provocando uma rápida retaliação da Europa.

Os consumidores, temerosos de preços mais altos, provavelmente correram para comprar bens como veículos automotores e outros itens de grande valor, o que pode aparecer em fevereiro ou nos próximos meses.

As expectativas de inflação dos consumidores aumentaram em fevereiro.

“Quanto mais tempo a inflação ficar acima da meta do Fed, mesmo que isso se deva a forças temporárias como as tarifas, maior será a chance de que as expectativas se desancorem para cima”, disse Stephen Juneau, economista do Bank of America Securities. “Se isso acontecer, a restauração da estabilidade de preços será muito mais difícil para o Fed.”

Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice subiu 0,2% em fevereiro, após ter aumentado 0,4% em janeiro. Nos 12 meses até fevereiro, o chamado núcleo dos preços ao consumidor aumentou 3,1%, depois de subir 3,3% em janeiro.

Após a cascata de tarifas, economistas atualizaram suas previsões de inflação.

O Goldman Sachs estima que o núcleo do índice PCE, uma das medidas monitoradas pelo Fed para a política monetária, aumentará de 2,65% em janeiro para cerca de 3% até dezembro. A previsão era de que permanecesse em cerca de 2% até o fim do ano.

O banco central dos EUA deve manter sua taxa de juros de referência na faixa de 4,25% a 4,50% na próxima quarta-feira. Os mercados financeiros esperam que o Fed retome os cortes dos juros em junho, devido à deterioração das perspectivas econômicas, após uma pausa em janeiro.

O Estado de S.Paulo - SP   13/03/2025

investidores finalmente começaram a levar a sério as ações intempestivas e irracionais adotadas pelos EUA desde a posse do presidente Donald Trump. Na segunda-feira passada, os mercados viveram um dia de caos. As bolsas de valores despencaram, o índice de tecnologia Nasdaq recuou 4%, no pior pregão desde setembro de 2022, e as big techs perderam mais de US$ 750 bilhões em valor de mercado.

O pessimismo é resultado das bravatas de Trump, que, no dia anterior, em entrevista à Fox News, não descartou a possibilidade de que a economia norte-americana entre em recessão neste ano e menosprezou o risco de que a guerra tarifária que tem empreendido com países do mundo todo impulsione a inflação.

“Detesto prever coisas como essas. Há um período de transição, porque o que estamos fazendo é muito grande. Estamos trazendo a riqueza de volta para a América. Isso é uma grande coisa, e sempre há períodos, isso leva um pouco de tempo, mas acho que será ótimo para nós”, afirmou Trump.

Com a declaração, cresceram as apostas de que a economia norte-americana de fato vai entrar em crise. O Goldman Sachs elevou de 15% para 20% a chance de uma recessão nos EUA no ano que vem, enquanto o JPMorgan Chase já considera que a possibilidade de uma recessão global é de 40% neste ano. Nos dois casos, as instituições mencionaram as mudanças na política externa norte-americana para justificar o pessimismo.

Mais do que as tarifas aplicadas contra Canadá, México e China, os analistas estão preocupados com a incerteza gerada pelas idas e vindas em torno delas, explicou o diretor de investimentos do Bahnsen Group, David Bahnsen. Ademais, recessão e inflação não estavam na lista de promessas que Trump fez quando ainda estava em campanha eleitoral.

Com tanta imprevisibilidade, o mercado cansou de esperar e optou por precificá-la, punindo, sobretudo, os papéis das big techs. A Tesla, por exemplo, caiu 15,43%, refletindo vendas menores que o esperado e o controverso papel que seu CEO, Elon Musk, tem exercido no governo Trump. Apple, Nvidia, Meta e Alphabet também sofreram quedas relevantes e arrastaram consigo, além da Nasdaq 100, os índices Dow Jones e S&P 500.

Já há alguns sinais de desaceleração na economia norte-americana, mas ainda é cedo para sacramentar se eles levarão a uma depressão. O déficit comercial aumentou 34% em janeiro, ante dezembro, maior variação desde março de 2025, e a confiança do consumidor recuou sete pontos em fevereiro, terceira queda consecutiva e pior variação mensal desde agosto de 2021, mas a inflação e o mercado de trabalho continuam pressionados.

Já estava claro que Trump agia sem medir as consequências políticas e diplomáticas de suas decisões, mas ainda havia uma esperança, entre os investidores, de que o presidente norte-americano preservasse uma relação de proximidade com Wall Street, como a que manteve em seu primeiro mandato.

Essa expectativa acaba de cair por terra, e o mercado optou por proteger seus ativos, em vez de tentar encontrar alguma lógica nas bravatas do republicano, quando percebeu a tranquilidade com que o presidente norte-americano falou sobre a chance de os EUA enfrentarem uma estagflação.

E a incerteza prosseguiu na terça-feira passada. Ao longo do mesmo dia, o presidente norte-americano decidiu ampliar as tarifas sobre o aço e o alumínio canadenses para 50%, para em seguida voltar atrás e mantê-las em 25%.

O impacto que essa política terá sobre a competitividade da indústria norte-americana pode ser brutal, uma vez que os EUA importam 25% do aço que consomem e a maior parte vem justamente do Canadá. Mas Trump parece disposto a arcar com as consequências, talvez subestimando as razões pelas quais derrotou seu antecessor, Joe Biden.

Justa ou injustamente, a população julgou que houve certa leniência do democrata com a inflação e vislumbrou na eleição do republicano uma situação econômica melhor, ainda que ela fosse melhor somente para os americanos. Parece que se equivocaram, mas, na dúvida, o mercado já se ajustou para perder menos dinheiro neste cenário.

Globo Online - RJ   13/03/2025

Depois de uma curta trégua em janeiro, o IPCA, índice oficial de inflação, subiu 1,31% no mês passado, impulsionado pelo aumento da energia elétrica. Trata-se da maior alta para fevereiro desde 2003, quando o indicador avançara 1,57%. O resultado veio em linha com as projeções e confirma um cenário de índice de preços acima do teto da meta, de 4,5% ao ano. Na avaliação dos economistas, o Banco Central (BC) segue pressionado e deve cumprir a indicação de elevar os juros para 14,25% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para a próxima semana.

O índice acumulado em 12 meses ficou em 5,06%, o maior nível desde setembro de 2023, quando havia subido 5,19%.

Em janeiro, a energia elétrica teve queda de 14,21% e contribuiu para que o IPCA avançasse apenas 0,16%, em razão do bônus da usina de Itaipu, que resultou em um desconto na tarifa de todos os consumidores. Com o fim desse efeito, em fevereiro, a energia subiu 16,8%.

De acordo com Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, se o índice não considerasse o número da energia elétrica, o resultado da inflação de fevereiro ficaria em 0,78%, o que mostra o peso do item neste mês.

O segundo item individual que mais teve influência no IPCA do mês foi o da gasolina, que viu seu preço subir 2,78%, como reflexo do aumento do ICMS.

Mensalidade escolar

Entre os grupos analisados pela pesquisa, o de Educação foi o que mais avançou, em razão do movimento sazonal de aumento do preço das mensalidades escolares.

— Olhando sazonalmente, a inflação de início de ano é sempre muito elevada. A questão da educação também contribuiu bastante em fevereiro, embora esse ajuste de mensalidades escolares tenha sido o mais baixo nos últimos três anos — diz Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos.

Nos cálculos de Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, 73% da inflação do mês passado foi resultado da combinação do fim do efeito do bônus de Itaipu, da alta da gasolina com aumento do ICMS pelos estados e do aumento das mensalidades, com destaque para cursos regulares, que subiram 5,69%.

“A inflação no início deste ano foi e voltou, mas o recado que ela nos deu não foi bom. Na média dos resultados de janeiro e fevereiro, a inflação foi de 0,74%, bem maior do que os 0,63% da média dos dois primeiros meses de 2024 e dos 0,39% da média do ano passado como um todo”, escreveu o economista em relatório.

Para Arnaldo Lima, economista e RI da Polo Capital, os resultados confirmam um cenário de conversão do índice abaixo do teto da meta em agosto de 2026, o que reforça que Gabriel Galípolo, presidente do BC , deve ter que redigir carta aberta para justificar o não cumprimento da meta. Seria o primeiro comunicado do tipo desde que o país passou a adotar este ano a meta contínua de 4,5%.

Alimentos desaceleram

Na ponta positiva, os alimentos, que impulsionaram a inflação ao longo do ano passado, começaram a desacelerar. O grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,7% em fevereiro, após alta de 0,96% em janeiro.

Andréa Angelo, da Warren, que está na ponta mais otimista das projeções, com previsão de alta de 0,5% do IPCA em março, afirma que a alimentação deve ajudar a inflação a perder fôlego adiante.

— A perspectiva é que o pico, que chegou a mais de 8% em 12 meses, vai começar devagarzinho a desacelerar e fechar em cerca de 6,5% ou 7% no ano que vem. Vai incomodar menos. E, principalmente, esses itens que pesam no orçamento familiar, como arroz, leite e carnes, têm uma perspectiva de variações menos elevadas mesmo.

A preocupação com o tema foi de tal ordem que o governo anunciou neste mês um pacote anti-inflação, com medidas que incluem zerar a alíquota de importação de produtos como azeite, café, carne e óleo de cozinha, entre outros. Além disso, flexibilizava a fiscalização sobre produtos de origem animal e fortalecia os estoques reguladores.

Embora a alta dos alimentos tenha perdido fôlego, alguns dos itens recorrentes à mesa do brasileiro tiveram salto nos preços, como ovo (15,39%) e café (10,77%). Além disso, em 12 meses, os alimentos ainda acumulam variação de 7%.

Para março, Matheus Dias, economista do FGV Ibre, projeta que o índice pode ficar em torno de 1%. Ele pondera que, apesar da perspectiva de safra maior este ano, outros itens são mais suscetíveis à flutuação de preços, como hortaliças, frutas e verduras. O que ele aponta como fator de atenção é a inflação de serviços, que tem dado sinais de aceleração. Em relação aos alimentos, ele estima que o grupo deve terminar o ano com alta até maior do que a do ano passado, mas sem choque de preços como em 2024:

— Não tem as mesmas questões que fizeram com que os alimentos subissem muito, então ter um clima mais estável favorece, não ter tantos choques do dólar facilita.

Política fiscal e Trump

Na avaliação de economistas, além das incertezas no cenário doméstico, especialmente na política fiscal, é preciso levar em conta o cenário internacional, com idas e vindas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à guerra comercial. Diante do quadro, analistas mantiveram suas projeções para a taxa básica de juros este ano.

— A visão é que a inflação está muito forte, e as medidas do governo podem continuar a elevando por causa de auxílios de renda ou impulsos ficais. Mas a nossa perspectiva de Selic não muda, com a reunião de março indo para 14,25% e depois 14,75%. E aí deve começar a ter uma queda de Selic no final desse ano — prevê Andréa, da Warren.

Para Gilberto Braga, economista e professor de pós-graduação em Finanças do Ibmec, a Selic deve fechar o ano em ao menos 15%.

— Todos os orçamentos públicos são elaborados com a meta de 3% (centro da meta), e a inflação está destoando disso. Isso significa que a pressão em cima da equipe econômica continua — afirma Braga, citando dúvidas quanto à política fiscal: — A gente já percebe que a necessidade de recuperação de imagem tem levado a medidas expansionistas, como a liberação do FGTS, além do consignado para o setor privado. Essas questões pressionam a política monetária.

Dias, do FGV Ibre, avalia que a inflação deve fechar o ano entre 5,5% e 6% e projeta a Selic no fim do ano em 15%:

— Existe a incerteza na política econômica que tem ocorrido no mercado internacional, que pode contribuir bastante para as decisões de política monetária, e consequentemente da taxa de juros.

 

IstoÉ Online - SP   13/03/2025

A China pediu nesta quinta-feira (13) um “diálogo” com os Estados Unidos para solucionar as crescentes tensões comerciais, nas quais as duas maiores economias do mundo adotaram tarifas mútuas às importações nas últimas semanas.

“China e Estados Unidos devem adotar uma atitude positiva e de cooperação diante de suas diferenças e controvérsias nos campos econômico e comercial”, declarou a porta-voz do Ministério do Comércio, He Yongqian, em uma entrevista coletiva.

“Mas deve ser enfatizado que qualquer forma de comunicação e consulta deve ser baseada no respeito mútuo, na igualdade e benefício mútuo”, acrescentou.

“As ameaças e intimidações são contraproducentes. Esperamos que Estados Unidos e China trabalhem juntos (…) para voltar ao caminho correto de solucionar os problemas por meio do diálogo e da consulta”, afirmou He.

Desde que retornou ao poder em janeiro, o presidente americano Donald Trump impôs tarifas contra seus principais parceiros comerciais, incluindo China, Canadá e México, alegando que estes países não atuaram para conter o fluxo de fentanil e outros precursores químicos das drogas.

Trump inicialmente impôs tarifas adicionais de 10% sobre as importações chinesas e, neste mês, aumentou as tarifas para 20%.

Pequim respondeu com tarifas de até 15% sobre uma série de produtos agrícolas norte-americanos, como soja, porco e frango.

A China, maior produtora mundial de aço, também anunciou na quarta-feira que adotará “todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses diante de outras tarifas americanas sobre as importações de aço e alumínio.

MINERAÇÃO

Valor - SP   13/03/2025

Ebitda ajustado ficou em R$ 2,015 bilhões nos últimos três meses do ano passado, queda de 27% ante um ano antes

A CSN Mineração teve lucro líquido de R$ 2,016 bilhões no quarto trimestre de 2024, aumento de 48,4% sobre o ganho de R$ 1,359 bilhão no mesmo período de 2023, segundo demonstrações financeiras enviadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quarta-feira. Os valores referem-se aos atribuíveis aos sócios controladores.

A receita líquida recuou 22,1% entre os dois períodos, de R$ 5,018 bilhões para R$ 3,907 bilhões.

O lucro antes de juros impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ficou em R$ 2,015 bilhões nos últimos três meses do ano passado, queda de 27% ante Ebitda ajustado de R$ 2,759 bilhões um ano antes.

No consolidado de 2024, a companhia apurou lucro líquido de R$ 4,528 bilhões, aumento de 26,9% sobre o ganho líquido de R$ 3,569 bilhões em 2023; a receita líquida totalizou R$ 13,009 bilhões (queda de 23,7% sobre o ano anterior) e o Ebitda ajustado totalizou R$ 5,896 bilhões (redução de 25%).

AUTOMOTIVO

Monitor Digital - RJ   13/03/2025

A chegada do navio BYD Explorer nº 1, com 5.524 veículos elétricos e híbridos da BYD, gerou protesto da Anfavea, que pediu aumento imediato do imposto de importação para 35%.

A BYD, terceira marca mais vendida do mundo em 2024, é responsável por grande parte dos veículos eletrificados no Brasil e aumentou sua capacidade logística.

A Anfavea expressou preocupação com as importações, que podem afetar empregos e a balança comercial, e defendeu a restituição de alíquotas mais altas.

A BYD, em resposta, destacou seus investimentos no Brasil, incluindo fábricas em Campinas (SP) e Manaus (AM) e investimentos em Camaçari (BA), apesar de atrasos na construção.

Importadores, representados pela Abeifa, contestaram os pedidos de aumento do imposto e defenderam a importância da abertura de mercado para o desenvolvimento da indústria automotiva.
Volks exibe protótipo elétrico acessível

A Volkswagen apresentou, na Alemanha, o protótipo Every1, um carro elétrico básico previsto para produção em 2027, com preço de 20 mil euros na Europa.

O modelo, que deverá ser chamado de ID.1, foi projetado para ser acessível e tem design ousado. Com 3,80 metros de comprimento, porta-malas de 305 litros, motor de 95 cv, autonomia de 250 km e velocidade máxima de 130 km/h, o modelo é voltado para o conceito de mobilidade elétrica básica.

A possibilidade de produção no Brasil depende da infraestrutura de carregamento e da demanda por elétricos no país. A Volkswagen busca competir globalmente, enfrentando marcas chinesas com uma estratégia de preços atraentes.
EV4 e EV2, os novos elétricos da Kia

A Kia também exibiu novos elétricos durante o EV Day, na Espanha. O EV4, primeiro sedã e hatchback elétricos da marca, foi projetado para ser versátil, com versões de quatro e cinco portas, sendo ideal para uso urbano e viagens longas.

Ele possui opções de baterias de 58,3 e 81,4 kWh e tem autonomia de até 630 km. O interior inclui recursos como o Digital Key 2.0 e um painel de 30”.

Já o Concept EV2 é um SUV subcompacto com design inovador, focado em interações urbanas, portas traseiras de abertura invertida e tecnologia conectada.

EX90 é o Volvo mais tecnológico já feito

A Volvo Car iniciou a pré-venda do novo EX90, um SUV elétrico de sete lugares, com preço de R$ 849.990 e previsão de entregas a partir de abril.

O EX90, considerado o modelo mais seguro da marca, é o primeiro a oferecer espaço para sete ocupantes sem motor a combustão, juntando-se aos modelos EX30, EX40 e EC40.

O veículo possui autonomia de 459 km (Inmetro) e é equipado com motores elétricos que geram 517 cv de potência. Ele acelera de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos e tem velocidade máxima de 180 km/h.

Destaque para seu sistema de reconhecimento de cansaço do motorista, premiado como uma das melhores invenções do ano pela revista Time, que pode intervir em caso de sinais de distração ou sonolência. O EX90 pode até parar o veículo automaticamente se o motorista adormecer.
Ranger foi a única picape que valorizou

Um estudo do marketplace Mobiauto apontou a Ford Ranger como a picape média que mais ganhou valor no mercado, com uma valorização de 6,28% de janeiro de 2024 (zero-km) a janeiro de 2025 (como seminova), o que a torna um bom investimento mesmo após um ano de uso. Esse aumento é atribuído à boa aceitação da nova geração do modelo, que teve um aumento de quase 12% nos emplacamentos em comparação com 2023.

Apesar de a Ranger ser a segunda picape média mais vendida em 2024, com 31.860 unidades, não há correlação entre vendas e valorização.

A Nissan Frontier, com 9.258 unidades vendidas, teve desvalorização de apenas -11,44%, posicionando-a como a segunda menos desvalorizada.

A Fiat Strada foi o veículo comercial mais vendido, com quase 145 mil licenciamentos e uma desvalorização de -6,18%. A Rampage, lançada no final de 2023, perdeu apenas -9,16% em um ano.

Auto Industria - SP   13/03/2025

A BYD ultrapassou, neste primeiro bimestre, nada menos do que 100 mil veículos negociados no mercado interno. O marco, historicamente digno de registro e comemorações pelas fabricantes, não mereceu qualquer alarde por parte da empresa chinesa, criticada pelas montadoras com produção local exatamente pelo grande volume de importação.

Desde as poucas centenas de unidades trazidas da China em 2022 até o mês passado, a marca acumulou 108,4 mil licenciamentos. Cerca de 75% em 2024, quando acelerou os embarques para cá com o Mini Dolphin, modelo elétrico de entrada, e expandiu o cardápio de produtos ainda com o sedã King e novas versões dos SUV Song e Yuan.

A rede de revendas da marca oferece agora um total de doze opções entre híbridos e elétricos, dentre eles até mesmo uma picape média, a híbrida Shark, lançada no último trimestre de 2024 e com vendas ainda incipientes.

É portfólio muito mais amplo do que o de marcas tradicionais e com fábricas no Brasil. Para citar duas da poderosa Stellantis, Peugeot e Citroën vendem, cada uma, somente cinco modelos de automóveis e comerciais leves e com tíquete médio muito inferior aos da linha da BYD.

Em unidades licenciadas, as francesas já estão bem atrás da chinesa, que entregou aos clientes finais 13,6 mil veículos no primeiro bimestre contra 6 mil da Citroën e somente 4,3 mil da Peugeot — ambas, importante lembrar, com novos produtos de entrada.

Se encerrou 2024 já como a 10ª marca mais vendida de automóveis e comerciais leves, após os dois primeiros meses deste ano é a 9ª colocada, com participação de 4% — já à frente da Nissan, que deteve 3,7% dos licenciamentos.

Considerados somente os 143,4 mil emplacamentos de automóveis de passeio, a penetração da BYD sobe para  espantosos — em função de prazo tão curto e por se tratar de importados apenas — 5,2%,  mais que o triplo da Peugeot ou quase o dobro da Caoa Chery, que também produz aqui.

Com essa participação, já ameaça até mesmo roubar a 8ª colocação da Renault no segmento de carros de passeio. A marca francesa ficou à frente por meros 388 licenciamentos no acumulado do bimestre.

Infomoney - SP   13/03/2025

Quando o australiano Dick Friend comprou um Tesla em 2015, ele ficou tão impressionado com suas credenciais ambientais e seu desempenho que ele e a esposa compraram mais dois veículos elétricos, além de ações da empresa liderada por Elon Musk.

Agora, no entanto, ele está vendendo suas ações da Tesla e não substituirá um de seus carros, destruído em um acidente no ano passado, citando objeções à tendência de direita de Musk e seu crescente papel no governo de Donald Trump.

“Os carros são brilhantes, mas não gostamos da direção do proprietário e estamos votando com nossos pés”, disse Friend, que divide seu tempo entre as casas em Hobart e Melbourne.

As vendas da Tesla nos quatro meses desde a eleição de Trump caíram 35% em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Conselho de Veículos Elétricos da Austrália, com uma onda de vandalismo na Austrália e na Nova Zelândia na última semana, o que também aumentou as evidências de contágio do papel de Musk no governo Trump.

Um porta-voz da Tesla não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

As vendas da Tesla no país já estavam caindo um pouco antes da vitória de Trump, com vendas totais em 2024 17% menores do que no ano anterior, em linha com vendas mais fracas em todo o mundo.

As vendas na Europa também caíram em meio ao apoio de Musk a partidos de extrema-direita na Europa, informou a Reuters na semana passada.

Carros e concessionárias da Tesla na Austrália e na Nova Zelândia foram vandalizados na última semana, ecoando os protestos nos EUA.

Trump disse na terça-feira que a violência contra as concessionárias da Tesla seria rotulada como terrorismo doméstico, ao aparecer com Musk na Casa Branca para escolher um novo Tesla para sua equipe usar.

No Estado australiano da Tasmânia, uma concessionária da Tesla foi vandalizada na semana passada, com pichações chamando Musk de nazista.

Um porta-voz da polícia estadual da Tasmânia disse que a força estava ciente do incidente e buscando mais informações.

Em um grupo do Facebook para proprietários de Tesla na Austrália, vários usuários disseram que seus carros haviam sido vandalizados nos últimos meses.

“Temos nosso Tesla Model Y há 2,5 anos e, nos últimos seis meses, experimentamos uma hostilidade cada vez maior nas estradas”, disse uma delas, acrescentando que planejava vender seu carro porque não se sentia mais segura. “Depois de falar com a polícia, parece que os Teslas estão sendo alvo de ataques com mais frequência.”

Na vizinha Nova Zelândia, a polícia disse na quarta-feira que um homem de 52 anos foi preso na noite de terça em conexão com vários Teslas vandalizados em Auckland.

As quedas nas vendas da Tesla na Nova Zelândia no último ano refletem as do setor de veículos elétricos de forma mais ampla, de acordo com dados da Motor Industry of New Zealand, após a remoção dos subsídios do governo.

Infomoney - SP   13/03/2025

Os fãs de Elon Musk são conhecidos por seu comprometimento com a Tesla, mas com a atual queda das ações, até mesmo os que acreditam nela há muito tempo estão recuando.

A retirada da empresa de veículos elétricos de Musk, que teve a maior queda no Índice S&P 500 neste ano, foi tão extrema que na segunda-feira (10) à noite o presidente Donald Trump interveio, dizendo que compraria um novo Tesla para apoiar Musk.

Na terça-feira (11), Trump escolheu um Model S vermelho dos Teslas que foram entregues a ele na Casa Branca. As ações subiam forte em Nova York na quarta-feira, colocando-as no caminho para estender os ganhos enquanto tentam encenar uma recuperação após a queda de 15% na segunda-feira.
Mas, apesar da compra presidencial — e da aparente oportunidade de comprar na queda — os fiéis de Musk estão nervosos para entrar e comprar ações baratas, temendo que o banho de sangue possa estar longe de acabar.

As ações agora caíram 52% em relação à máxima histórica atingida em meados de dezembro e perderam todos os ganhos obtidos após a eleição, quando os investidores apostavam que a Tesla se beneficiaria dos laços estreitos de Musk com o novo presidente.

Trump diz que rotulará violência contra Tesla como terrorismo doméstico

Recentemente, ativistas têm realizado os chamados protestos “Tesla Takedown” para expressar seu descontentamento com o papel de Musk

“Esta ação está sendo negociada com base em sentimentos agora e a pressão negativa está vencendo; há mais espaço para a ação cair nos próximos 30, 60 dias”, disse Brian Mulberry, gerente de portfólio de clientes da Zacks Investment Management Inc., que supervisiona cerca de US$ 21 bilhões em ativos. As ações “podem facilmente cair para US$ 200 ou até menos no curto prazo”.

Zacks tinha mais de 270.000 ações da Tesla em 31 de dezembro, e Mulberry disse que poderia ver as ações voltando a ficar acima de US$ 400 no ano que vem. Mas ele está ficando de fora por enquanto.

Ele não está sozinho. Como o preço caiu abaixo de US$ 230 esta semana, abaixo dos US$ 400 há menos de dois meses, analistas de Wall Street — mesmo alguns daqueles com recomendação de compra — têm assumido uma postura mais cautelosa. Na semana passada, pelo menos quatro analistas reduziram suas metas de preço para a Tesla, enquanto outros dois analistas otimistas de longo prazo alertaram sobre vendas fracas e sentimento “negativo”.

Uma das poucas fontes de suporte foram os comerciantes de varejo que estão entre os fãs mais confiáveis de Musk. Esses pequenos investidores compraram, na rede, US$ 2,8 bilhões em ações da Tesla desde a última terça-feira, de acordo com Emma Wu, estrategista quantitativa e de derivativos globais do JPMorgan Chase & Co.

Mas mesmo aqui, houve sinais de dor. O autor de uma das principais postagens na terça-feira no fórum Reddit para traders da Tesla escreveu: “Continuo segurando, mas neste ponto estou começando a duvidar da minha decisão.”

O problema que os investidores enfrentam é que há poucos eventos no horizonte que possam melhorar o sentimento.

Atualizações sobre o carro totalmente autônomo da Tesla ou seu robotaxi não são esperadas tão cedo. E a preocupação de Musk com o Departamento de Eficiência Governamental deu origem a preocupações de que ele está distraído demais para administrar sua empresa automobilística.

A forte oposição da atual administração republicana aos veículos elétricos significa problemas para a demanda nos EUA. E as vendas da Tesla também estão caindo globalmente, com relatos terríveis vindos da China, Europa e Austrália. Em muitos lugares, o envolvimento crescente de Musk com a política global é visto como algo que prejudica a marca da empresa .

As quedas foram tão drásticas que vários analistas reduziram suas estimativas de entrega do primeiro trimestre, com Joseph Spak, do UBS, alertando na segunda-feira que as expectativas atuais de lucro estão parecendo muito altas. O analista da Evercore ISI, Chris McNally, cortou sua estimativa para o ano inteiro de entregas de veículos para 1,75 milhão, de 1,88 milhão, em um relatório publicado na quarta-feira.

Embora essas preocupações tenham pesado sobre as ações da Tesla desde o início deste ano, as ações realmente perderam força à medida que o apetite mais amplo por risco diminuiu nas últimas semanas em meio a crescentes incertezas sobre as políticas comerciais de Donald Trump e temores de uma desaceleração econômica.

“A Tesla agora é uma proxy para o comércio de Trump e, a menos que o mercado esteja disposto a recompensar Trump e Musk por seus esforços, essa ação continuará caindo”, disse Adam Sarhan, fundador da 50 Park Investments. “Não há piso para essa ação agora.”

As mesas viraram rapidamente para a Tesla. Depois que Trump foi eleito em novembro, as ações da Tesla rapidamente se tornaram as maiores beneficiárias dessa vitória no mercado de ações. As ações saltaram mais de 90% em pouco mais de um mês, apesar do fato de que a perspectiva para os negócios da empresa continuou a piorar.

Mesmo após o recuo da onda Trump, a Tesla ainda está sendo negociada a um múltiplo significativamente maior do que outros pares de mega capitalização. As ações estavam sendo negociadas a 75 vezes os lucros futuros no fechamento de segunda-feira, em comparação com uma média de 25 vezes para as chamadas ações Magnificent Seven. O membro médio do S&P 500 é negociado a cerca de 20 vezes os lucros.

A alta valorização e a popularidade da Tesla entre os traders de risco e momentum tornam as ações vulneráveis a vendas drásticas, mas também significam que qualquer recuperação, quando ocorrer, pode ser rápida e massiva.

Por enquanto, até mesmo os touros estão encontrando pouco em que se segurar.

Nos mercados de opções, a maior parte do fluxo vem de investidores que buscam investidores que buscam se proteger contra perdas adicionais, com puts sendo negociadas no nível mais alto em relação às calls otimistas desde o choque de volatilidade no início de agosto. A volatilidade implícita de um mês na segunda-feira atingiu o nível mais alto desde o final de 2022, quando as ações caíram para perto de US$ 100. Tanto a distorção quanto a volatilidade se recuperaram um pouco na terça-feira, junto com as ações.

“A Tesla está em queda livre agora, o que torna a compra de quedas difícil para aqueles com horizontes de tempo de curto prazo”, disse Mark Newton, chefe de estratégia técnica da Fundstrat, e um touro de longo prazo na ação. “Mas aqueles que tentam ser rápidos em vender aqui para comprar de volta em alguns dias estão jogando um jogo perigoso.”

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   13/03/2025

Custo nacional da construção por metro quadrado foi de R$ 1.803,90 no período

A inflação medida pelo Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) ficou em 0,23% em fevereiro, ante 0,51% um mês antes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O indicador acumula aumento de 4,39% nos 12 meses até fevereiro, ante 4,31% nos 12 meses imediatamente anteriores.

O custo nacional da construção por metro quadrado em fevereiro foi de R$ 1.803,90, sendo R$ 1.039,82 relativos aos materiais e R$ 764,08 à mão de obra. Em janeiro, esse custo totalizava R$ 1.799,82.

A parcela dos materiais subiu 0,29%, após incremento de 0,18% em janeiro. Já a parcela da mão de obra aumentou 0,14% em fevereiro, seguindo elevação de 0,97% um mês antes. Não houve acordos firmados no período.

O resultado acumulado em 12 meses encerrado em fevereiro ficou em 3,48% na parcela dos materiais e 5,64% na parcela da mão de obra.

Veja - SP   13/03/2025

As novas regras de financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF), implementadas em novembro do ano passado, estão provocando uma mudança no mercado imobiliário. Com a redução da cota de financiamento e limites mais restritivos, incorporadoras e construtoras passaram a buscar alternativas no mercado privado. O reflexo disso foi um salto de 141,8% no volume de crédito para construtoras e incorporadoras concedido por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), como mostra o desempenho da gestora Multiplike.

Entre as principais alterações adotadas pela Caixa, estão a diminuição da cota máxima de financiamento pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), que passou de 80% para 70%, e pela Tabela Price, que caiu de 70% para 50%. Além disso, o banco limitou a R$ 1,5 milhão o valor de imóveis financiados pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e restringiu o acesso ao crédito para clientes com financiamentos habitacionais ativos.

Diante dessas limitações, os FIDCs ganharam força para o setor da construção civil. A Multiplike concedeu 155,4 milhões de reais em crédito para construtoras entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, um salto em relação aos 64,2 milhões de reais do trimestre anterior. “Apesar dos impactos negativos das restrições da Caixa para o setor da construção civil, observamos um movimento intenso de migração de recursos para os FIDCs, em um fluxo nunca visto anteriormente”, diz Volnei Eyng, CEO da Multiplike.

A Caixa Econômica decidiu limitar o financiamento imobiliário porque a demanda por crédito estava muito alta, e o banco precisava equilibrar suas contas. Até setembro de 2024, já havia emprestado R$ 175 bilhões para habitação, um aumento de quase 30% em relação ao ano anterior. A instituição também enfrentou desafios com o aumento dos saques da poupança e limitações nas Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), reforçando a necessidade de conter a liberação de novos recursos.

Com esse cenário, a tendência é que os FIDCs continuem ganhando espaço como uma ferramenta estratégica para financiamentos imobiliários. “Mesmo que a Caixa volte a flexibilizar o acesso ao financiamento no futuro, nossos clientes tendem a permanecer, pois as companhias que fazem negócios com FIDCs pegam recursos mais de uma vez, mantendo um fluxo contínuo de operações”, diz Eyng.

O Estado de S.Paulo - SP   13/03/2025

A gestora de recursos Multiplike espera atingir R$ 1,5 bilhão em operações de crédito para o setor de construção este ano. Se confirmado, isso representará elevação de 50% na comparação com o realizado no ano passado. Fundada em 1999, a empresa atua na antecipação de recebíveis e oferta de capital de giro para construção civil, agronegócio e indústria. No seu histórico tem R$ 40 bilhões em financiamentos.

O crescimento projetado para o setor da construção neste ano tem como pano de fundo o encolhimento do financiamento bancário para projetos imobiliários. Com juros mais altos e funding escasso, os bancos têm priorizado a liberação de empréstimos para aquisição da casa própria pelos consumidores finais. Em paralelo, o crédito para construtoras está mais restrito e concentrado nas empresas com quem as instituições financeiras já tem relacionamento e onde enxergam governança mais sofisticada.

Isso impõe um desafio para as demais construtoras, que precisam de capital de giro para compra de terrenos e execução das obras. “Temos percebido a linha de crédito dos bancos mais estreita. Isso envolve deixar de dar crédito para as empresas que têm rating menor e direcionando para aquelas de rating maior. Qualquer brecha dos grandes bancos abre espaço para um volume de recursos muito grande”, diz o presidente da Multiplike, Volnei Eyng.
Executivo espera mercado aquecido

Apesar das volatilidades da economia, Eyng espera que o mercado imobiliário permaneça aquecido, o que incentiva o lançamento de novos empreendimentos. “Apesar da Selic alta, o crescimento do PIB está bastante robusto. Neste ano, o PIB deve crescer menos, mas continuar positivo. Não veremos recessão. E as famílias querem sair do aluguel, vão continuar comprando imóveis”, prevê.

Os recursos da Multiplike vem de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) obtidos, principalmente, junto a investidores institucionais. Na outra ponta, o crédito é liberado para construtoras de médio porte, com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 150 milhões, que têm dificuldade de acessar o crédito bancário.

Um dos pontos de atenção pela frente é o comportamento da inadimplência das empresas, já que os juros mais altos pesam no serviço da dívida. Hoje, a carteira da Multiplike está em 0,8%, nível considerado bastante saudável. “Com a Selic maior, a inadimplência pode aumentar, sim. Não vivemos dentro de uma bolha. Mas está dentro do preço”, comenta o presidente da gestora.

FERROVIÁRIO

Grandes Construções - SP   13/03/2025

O governo federal poderá fazer uma relicitação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), dividida em trechos, caso não chegue a um acordo para a renovação antecipada da concessão com a atual administradora da malha ferroviária, a VLI Logística, revelou o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio.

Em entrevista ao Diário do Comércio durante a cerimônia de início das operações da Via Cristais, concessionária do grupo francês Vinci Highways, nova operadora da BR-040 entre Belo Horizonte e Cristalina (GO), o diretor da agência disse que as negociações entre o Ministério dos Transportes e a VLI continuam, mas que o ministro da pasta, Renan Filho (MDB), trabalha com outras alternativas.

A opção seria uma nova licitação da FCA, com divisão de trechos que seriam levados a leilão em busca de outros interessados. Nesta semana, a agência Infra S.A. começou a entregar ao Ministério dos Transportes os estudos de viabilidade de uma possível relicitação dos trechos da ferrovia por lotes.

O diretor da ANTT afirmou que os estudos serão comparados na mesa de negociações com a proposta que a VLI apresentar e que a decisão será tomada em breve.

“O objetivo é realmente fazer algo mais interessante para o olhar público, justamente naquele processo de valorar as propostas da concessionária e também a modelagem dos estudos. Está num momento muito importante das tratativas, que, em breve, no final deste mês, mais tardar no início do outro, tem uma definição de política pública”, declarou Theo Sampaio.

O diretor da agência garantiu que, caso o Ministério dos Transportes não chegue a um acordo para renovação antecipada da concessão da FCA à VLI, a ferrovia será concedida a novos operadores.

A Ferrovia Centro-Atlântica é a maior linha férrea em extensão do Brasil, com 7,2 mil quilômetros ao longo de sete estados e o Distrito Federal (DF).

Além de Minas Gerais, a FCA passa pela Bahia, Espírito Santo, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe. A ferrovia é responsável por cerca de 65,3% das 61,2 milhões de toneladas de cargas transportadas pela VLI em todas suas ferrovias.

Em Minas Gerais, estado onde a maior parte das cargas da FCA são transportadas, a estimativa da companhia de logística é que, caso a renovação antecipada da concessão aconteça, o volume transportado aumente 32% ao longo do novo ciclo – a capacidade dos trilhos mineiros da Ferrovia Centro-Atlântica sairia das atuais 35,8 milhões de toneladas para 47,3 milhões de toneladas.

As projeções da VLI no volume de carga transportada na FCA em Minas Gerais se devem a estudos de demanda que projetam o crescimento de setores como o agronegócio e a siderurgia. A empresa possui atualmente 70 clientes, sendo 40 somente no Estado.

IstoÉ Dinheiro - SP   13/03/2025

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou na sessão desta quarta-feira, 12, o prazo de 90 dias para o Ministério dos Transportes elaborar para cinco concessões de ferrovias, próximas do fim contratual, os respectivos planos de ação para a “continuidade da prestação do serviço público e a preservação do patrimônio ferroviário”.

Foi votada nesta quarta-feira uma representação sobre as malhas Sul, Centro-Atlântica, Transnordestina, Oeste e Tereza Cristina. Os contratos de 30 anos estão perto do encerramento e, conforme avaliação apresentada na sessão, não há decisão sobre os rumos de cada concessão.

“Como primeira alternativa, o MT Ministério buscaria prorrogar os cinco contratos de concessão com empresas com histórico reiterado de inadimplência contratual e abandono de trechos ferroviários. Alguns dos referidos contratos são objeto de avaliações que podem acarretar a declaração de caducidade”, apontou o relator, ministro Jorge Oliveira.

Foi determinada a autuação de processos administrativos para cinco concessões de ferrovias próximas do fim contratual. Os planos de ação deverão ser tratados com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da Infra S.A. Eles precisam conter descrição de etapas, a definição de prazos e a indicação dos responsáveis pelas ações necessárias para responder ao término iminente dos contratos.

Outras determinações

O Ministério dos Transportes também deverá realizar estudos e propor ações sobre os “riscos associados” aos processos de prorrogação, relicitação ou nova licitação das malhas. No processo decisório, a pasta comandada por Renan Filho e a ANTT precisam, obrigatoriamente, levar em consideração o histórico de cumprimento das metas de produtividade e segurança, bem como a inadimplência e o alto índice de abandono de trechos ferroviários.

O Tribunal de Contas determinou a avaliação de todos os requisitos que possam “desaconselhar” a continuidade das atuais operações das concessionárias, bem como outras questões, como a maior dificuldade de entrada de novos agentes de mercado no setor ferroviário.

Para a Casa Civil da Presidência da República, foi recomendada a adoção de medidas, normativas ou legislativas, para “garantir a estabilidade, coerência e integridade dos planos setoriais de infraestrutura e logística de transportes ao longo do tempo”.

A Corte também pede que o Plano Plurianual e as Leis Orçamentárias Anuais sejam elaborados com alinhamento aos planos setoriais de infraestrutura de transportes. Isso para permitir, segundo o TCU, que “o ciclo e o processo orçamentário prevejam os recursos públicos necessários para o alcance dos objetivos e metas de longo prazo fixados no planejamento de infraestrutura”.

Em outra frente, foi recomendado à Casa Civil o estabelecer instrumentos de enforcement e acompanhamento periódico das metas e objetivos de longo prazo fixados pelos planos setoriais de infraestrutura de transportes.

PETROLÍFERO

Valor - SP   13/03/2025

Apesar de todos os esforços e investimentos em curso, a escolha ainda não é entre explorar petróleo interno ou consumir energia renovável, mas entre explorar petróleo interno ou importá-lo

Enquanto o Brasil ostenta uma matriz elétrica predominantemente renovável, o setor de transportes expõe as fragilidades de uma matriz energética que ainda depende fortemente de petróleo. Se a participação dos fósseis na matriz elétrica está em torno de meros 10%, na matriz energética, ela sobe para cerca de 50%, com destaque para o petróleo, que representa há anos quase 35% de toda a energia que o Brasil consome.

Em novembro, o Brasil sediará a COP30, em Belém, e vem se colocando como um país avançado nas pautas de descarbonização. Tem muitos motivos para isso, principalmente a matriz elétrica cada vez mais limpa e a queda do desmatamento. Porém, mesmo com as vitórias e avanços, é necessário identificar a inércia na dependência do petróleo, que continua ocupando um terço da matriz de toda a energia que consumimos.

Para enfrentar a necessidade de descarbonizar e garantir o abastecimento da ampla e crescente frota brasileira de automóveis e caminhões, há várias respostas. Primeiramente, ampliar o uso de biocombustíveis e, ao mesmo tempo, aumentar sua eficiência energética. Em segundo lugar, promover a substituição do transporte de carga feito por caminhões pelo modal ferroviário. Em terceiro, substituir os combustíveis fósseis pela energia elétrica, que, no caso do Brasil, é gerada por fontes renováveis.

Ao analisar os setores responsáveis pela forte dependência dos produtos derivados do petróleo no Brasil, fica evidente o papel central do setor de transportes, cuja participação no consumo relativo de petróleo vem aumentando nos últimos trinta anos. Dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram um constante aumento do consumo de derivados de combustíveis de petróleo, de 564 milhões de metros cúbicos (m3) em 2000 para 941,5 milhões de m3 em 2023. O destaque vai para o diesel e a gasolina, com um consumo em 2023 de 412 milhões de m3 e 289,5 milhões de m3, respectivamente.

Houve também um forte aumento do etanol hidratado (aquele vendido diretamente nos postos de gasolina), de 62 milhões de m3 em 2012 para 112,5 milhões em 2023. Esse dado reflete a expansão da frota de automóveis em circulação, que passou de 76 milhões de veículos em 2012 para 115 milhões em 2022, um aumento de 51% em 10 anos. Um crescimento que deve continuar com o desejado aumento do poder de compra das classes menos privilegiadas. Assim, mesmo com o expressivo aumento na sua produção e consumo, os biocombustíveis (etanol hidratado, anidro misturado na gasolina e biodiesel) representavam no final de 2022 só 21,5% do total de consumo de combustíveis no Brasil.

E não é que o país ficou parado. Desde 2023, o Brasil tem intensificado esforços para acelerar o processo de transição energética com propostas para modernizar a infraestrutura do país investindo em sustentabilidade, inovação tecnológica e desenvolvimento econômico. Por meio de programas como o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a Nova Indústria Brasil (NIB), o Renova Brasil, Mover (Mobilidade Verde e Inovação) e o Plano Nacional de Hidrogênio (PNH2), até 2026, mais de R$ 2 trilhões devem ser direcionados à ampliação da produção de energia renovável e fortalecimento de setores estratégicos para o desenvolvimento nacional. Ou seja, não há nenhuma comparação possível com o “drill, baby, drill” do governo Donald Trump, que quer aumentar a produção de petróleo, em detrimento de investimentos na transição energética.

Mas a realidade é que estamos diante de uma frota de 2,18 milhões de caminhões movidos a diesel. Essa frota tem uma idade média de 12,2 anos, ou seja, com motores bastante ineficientes em comparação com a tecnologia disponível, o que se agrava pela infraestrutura rodoviária também problemática.

Isso coloca na agenda a necessidade da retomada, de forma enérgica, do projeto ferroviário brasileiro. O Novo PAC institui como prioritária a expansão da infraestrutura ferroviária nacional. Com R$ 94,2 bilhões em investimentos previstos até 2026, obras como a Ferrovia Integração Oeste-Leste (Fiol), a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e a Transnordestina foram retomadas, após um hiato de 6 anos.

Por fim, o projeto que tem se destacado em relação à energia limpa é o da produção do hidrogênio verde. O Plano Nacional de Hidrogênio (PNH2) pretende tornar realidade a produção de hidrogênio a partir de fontes renováveis, como a solar e eólica. Mas da mesma forma que as ferrovias, a introdução em larga escala de hidrogênio verde como combustível ainda precisa de muito chão para ser uma realidade.

A venda de carros elétricos no Brasil cresceu 111% entre janeiro e julho de 2024, com 270 mil unidades, ou seja, cerca de 7% da venda de carros no país. Em comparação com a frota de automóveis a combustão, os carros elétricos ainda possuem uma participação muito pequena: apenas 0,2% da frota nacional. Informações do setor automobilístico preveem que, até 2034, sejam investidos R$ 63 bilhões para a produção de carros híbridos e elétricos no país, sobre um total de investimentos no setor de R$ 127 bilhões. Embora notem-se, portanto, crescentes investimentos das montadoras na produção de carros elétricos e híbridos no Brasil nos últimos anos e uma tendência de continuidade nos próximos anos, em sintonia com as políticas do governo federal, por muitos anos o Brasil vai precisar de garantir abastecimento de gasolina.

Não há uma solução mágica, e a transição não será rápida. Toda essa realidade precisa ser enfrentada antes que o Brasil possa deixar de se preocupar em garantir o fornecimento de petróleo e abrir mão da exploração de ricas reservas de petróleo, como é o caso da Margem Equatorial, para não prejudicar o desenvolvimento do país e/ou sua soberania energética.

A escolha, apesar de todos os esforços e investimentos em curso, ainda não é entre explorar petróleo interno ou consumir energia renovável, mas entre explorar petróleo interno ou importar petróleo. Isso não invalida, evidentemente, uma discussão técnica sobre a forma ambientalmente mais responsável de prospectar e, posteriormente, explorar o petróleo. A Petrobras, porém, tem muita expertise e não deveria ter dificuldade em encontrar a melhor solução.

Giorgio Romano Schutte é professor da Ufabc e coordenador do GT Energia do Observatório da Política Externa e Inserção Internacional do Brasil (OPEB).

Igor Fuser é professor da Ufabc e autor do livro “Energia e Relações Internacionais” (Editora Saraiva).

RODOVIÁRIO

InfraRoi - SP   13/03/2025

O consórcio 4UM/Opportunity venceu o leilão da BR-364/RO e deve investir R$ 10,23 bilhões em duplicações, terceiras faixas, passarelas, novos acessos a portos e obras de conservação em 686,7 quilômetros da rodovia, que liga Porto Velho (RO) a Vilhena, na divisa com o estado do Mato Grosso. O certame foi o primeiro de uma estrada federal de Rondônia e a décima concessão promovida pelo Ministério dos Transportes na atual gestão.

De acordo com o projeto que foi à leilão, o Consórcio 4UM/Opportunity vai administrar a BR-364/RO pelos próximos 30 anos. Dentre as melhorias que deverão ser implementadas pela concessionária estão a duplicação de 107,57 quilômetros de estradas, construção de 190,597 quilômetros de faixas adicionais e 17,7 quilômetros de marginais.

Também estão previstas 24 passarelas para passagens de pedestres, 90 pontos de paradas de ônibus e 24 passagens de fauna, além de três Pontos de Parada de Descanso (PPDs), que irão ofertar acomodações seguras para que caminhoneiros e demais profissionais do transporte de cargas possam fazer pausas para descanso, inclusive durante a noite.

A proposta ainda apresentou 0,05% de desconto sobre a Tarifa Básica de Pedágio. Com isso a tarifa ficará em R$ 0,19 por quilômetro de pedágio.
Obras na BR-364/RO já devem começar

As obras e serviços de melhoria da BR-364/RO deverão começar imediatamente após a assinatura do contrato de concessão. No entanto, os usuários só irão começar a pagar o pedágio depois que a rodovia atender a parâmetros de segurança e conforto ao rolamento definidos pelo Programa de Exploração da Rodovia.

Dentre as ações previstas para serem executadas de imediato, estão:
Colocação de sinalização vertical e horizontal Intervenções no pavimento, drenagem e terraplenos Roçada e reformulação da faixa de domínio da rodovia Instalação de serviços de socorro médico e mecânico Colocação de equipamentos de proteção e segurança na margem de domínio Serviços de inspeção de tráfego e combate a incêndio Serviços de apreensão e retirada de objetos e animais da pista e faixa de domínio.

Conforme o cronograma pré-estabelecido no projeto do Ministério dos Transportes, essas ações irão ocorrer ao longo de um ano. Isso significa que o primeiro pedágio deverá ser cobrado somente a partir do último trimestre de 2026.

Em proposta única, a 4UM/Opportunity arrematou o leilão da Rota Agro Norte (Lote CN 5). Integram o grupo o 4UM Fundo de Investimentos – que possui sede no Paraná e reúne ações das empresas MLC, Aterpa e Senpar – e o Grupo Opportunity, controlador da Monte Rodovia.

A 4UM é especializada em investimentos de longo prazo. Em 2024 a empresa venceu também o leilão da BR-381/MG. Já o Grupo Opportunity é responsável pelas concessionárias Bahia Norte (CBN), Rota do Atlântico (CRA) e Rota dos Coqueiros (CRC), todas na região Nordeste, além de operar o Porto de Santos, em São Paulo.
Arco Norte

A BR-364 integra o Arco Norte, que abrange os portos e eixos dos estados de Rondônia, Amapá, Amazonas, Pará e Maranhão. Esta rodovia é considerada estratégica do ponto de vista econômico, pois responde pelo escoamento de toda a produção agropecuária de Rondônia e parte do Centro-Oeste, ao se conectar com a hidrovia do Madeira, de onde segue para o exterior pelos portos do Norte.

Diante da alta demanda, a BR-364/RO possui um intenso fluxo de caminhões pesados. Isso faz com que, mesmo em bons padrões de conservação, atualmente mantidos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), a ausência de duplicações resulte em trânsito lento, desgaste acelerado do pavimento e risco aos moradores e demais pessoas que trafegam e vivem às margens da BR-364/RO.

Outro aspecto que marca a BR-364/RO tem relação com o isolamento rodoviário do Norte do país. Ela liga Rondônia ao restante do Brasil, além de ser praticamente a única conexão do Acre e Amazonas com os demais estados brasileiros.

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