Jornal de Brasília - DF 14/03/2025
Os anúncios frágeis de Donald Trump e a inundação de aço chinês no mercado brasileiro preocupam mais as siderúrgicas instaladas no país do que as próprias tarifas impostas pelos Estados Unidos. Isso porque, segundo quem acompanha o setor, dificilmente as empresas americanas conseguirão suprir a demanda pelo aço brasileiro no curto prazo.
As tarifas de 25% sobre todo aço que chega aos EUA começaram a valer nesta quarta-feira (12), apesar das tratativas do governo brasileiro com a Casa Branca para adiar a cobrança. Agora, até nova ordem, as empresas brasileiras não terão mais exportações isentas de impostos -os americanos aceitavam receber 3,5 milhões de toneladas de aço semiacabado sem tributação.
Nesta quarta, o Instituto Aço Brasil afirmou que as tarifas trarão perdas não só para a indústria de aço brasileira, mas também para a indústria americana e defendeu negociações entre os dois governos. Já o Ipea divulgou um estudo que aponta perdas de US$ 1,5 bilhão nas exportações brasileiras.
As siderúrgicas instaladas no Brasil são as maiores fornecedoras de aço semiacabado para os EUA -no ano passado, foram 3,4 milhões de toneladas, 60% do total importado pelos americanos. Esse produto é processado por siderúrgicas americanas, que o adaptam para as indústrias manufatureiras locais, como a automobilística.
O segundo maior fornecedor de aço semiacabado para os americanos são as siderúrgicas instaladas no México, que enviaram no ano passado 1,1 milhão de toneladas para o outro lado da fronteira. No ano passado, os EUA compraram 5,6 milhões de toneladas de aço semiacabado de todo o mundo.
A ideia de Trump com as tarifas é reduzir essas importações e incentivar as indústrias locais a aumentarem suas produções. Hoje, as siderúrgicas americanas produzem a cerca de 75% de sua capacidade, e Trump espera que as tarifas aumentem esse valor para ao menos 80%.
É improvável, no entanto, que as empresas americanas tenham capacidade e velocidade suficientes para substituírem essas importações. Isso porque os EUA também importam 20,6 milhões de toneladas de aço pronto para a indústria manufatureira e, segundo especialistas, é exatamente parte dessas importações que as siderúrgicas americanas escolherão substituir a médio prazo.
Além disso, o salto de cinco pontos percentuais na produção americana desejado por Trump adicionaria apenas 5,4 milhões de toneladas à produção anual do país, número bem inferior ao total importado pelos americanos.
“Isto seria insuficiente para substituir todas as importações, portanto, haveria espaço para manutenção de algum volume de importações, que precisa compensar o custo adicional da tarifa”, diz Germano Mendes de Paula, professor da Universidade Federal de Uberlândia.
“Mesmo assim, as exportações brasileiras serão afetadas, mas o tamanho do impacto depende do nível do preço do aço nos Estados Unidos, que ainda não mostrou estabilização”, acrescenta. Os preços do produto nos EUA, aliás, vem subindo nas últimas semanas.
Um exemplo das operações entre siderúrgicas brasileiras e americanas é a venda de aço semiacabado produzido nas usinas da ArcelorMittal no Espírito Santo e no Ceará para a Calvert, siderúrgica no Alabama de propriedade da própria Arcelor. No Brasil, o grupo consegue produzir até 15,5 milhões de toneladas de aço semiacabado, sendo que parte da produção ajuda a alimentar sua usina americana.
Além disso, a Ternium envia seu aço semiacabado fabricado no Rio de Janeiro para o México, onde ele é processado e enviado para os EUA ou comercializado no mercado local.
Carlos Jorge Loureiro, presidente do Inda (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço) aponta que, como a taxação de Trump é global, o produto brasileiro ainda terá competitividade com os dos demais países. Assim, como as indústrias americanas não conseguirão substituir grande parte das importações, elas precisarão continuar importando aço brasileiro. Isso, no entanto, poderia fazer a inflação americana crecer.
“Não é porque se criou imposto que eles vão comprar no mercado doméstico, pois lá não existe disponibilidade de placa de aço (produto semiacabado) para venda”, diz Loureiro.
O mesmo, porém, não deve acontecer com as exportações brasileiras de produtos acabados para os EUA.
Antes das tarifas de Trump, as siderúrgicas instaladas no Brasil podiam vender 687 mil toneladas de aço acabado isento de imposto, mas a taxação reduzirá a competitividade do produto brasileiro -o país é apenas o oitavo maior vendedor desse tipo de aço para os EUA.
Entre as empresas brasileiras, a mais afetada com isso, segundo analistas, deve ser a CSN, que exporta aço de maior valor agregado para os EUA. Ainda assim, o impacto não deve ser tão grande, já que 70% da produção da siderúrgica é comercializada no mercado brasileiro.
Até agora, aliás, as tarifas de Trump não afetaram os contratos futuros do aço vendido no Brasil, segundo o dono de uma grande consumidora de aço da ArcelorMittal.
“Mas a gente sempre tem que trabalhar no ponto teórico, porque nada em relação a taxa é definitivo com o Trump, já que ele muda de opinião rapidamente”, pontua Loureiro. Ele se refere ao vai e vem do presidente americano, que já chegou a decretar e suspender tarifas sucessivas vezes nas últimas semanas.
A indefinição de Trump em relação às tarifas, por sinal, preocupa mais os investidores do que as próprias tarifas. Isso porque sem uma definição clara de qual será o impacto das medidas nas importações americanas, siderúrgicas e indústrias dependentes de aço tendem a adiar investimentos.
“As empresas podem considerar atrasar as suas compras de aço, porque elas preferem ver se alguma negociação vai ser feita, e isso provocaria redução de demanda”, afirma Larissa Wachholz, especialista sênior do Cebri e sócia da consultoria Vallya Participações.
Outra preocupação do setor que sobressai o receio das tarifas de Trump é a inundação de aço acabado chinês no mercado brasileiro. Com menor demanda interna por aço nos últimos anos, as siderúrgicas chinesas aumentaram a venda de seus produtos (mais baratos do mundo) para a América Latina. Hoje, a China é responsável por 60% das importações brasileiras, que vem crescendo ano a ano.
“O grande problema da siderurgia brasileira é a importação da China e não as tarifas americanas, já que os EUA vão ter que continuar importando nossas placas”, diz Loureiro, presidente do Inda. O setor defende que o governo brasileiro retire as cotas fixadas no ano passado e taxe em 25% todo aço chinês que entre no país.
Segundo a Alacero (Associação Latino-americana do Aço), a China exportou mais de 110 milhões de toneladas de aço acabado e semiacabado em 2024, das quais 14,2 milhões foram para a região -aumento de 129% em relação a 2024.
“Os países que não compreenderem os efeitos no mercado internacional da irrupção do gigante asiático serão os mais expostos a uma onda de inundação da sobreprodução da China, com a correspondente ameaça a toda a cadeia de valor”, diz Ezequiel Tavernelli, diretor executivo da Alacero.
Valor - SP 14/03/2025
As tarifas de 25% sobre produtos de aço e alumínio impostas na quarta-feira pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devem pressionar para cima os preços de aproximadamente US$ 150 bilhões em importações, pesando sobre os lucros das montadoras e outras empresas americanas.
Os Estados Unidos importam cerca de um quinto do aço que consomem. O Canadá responde por mais de 20% dessas importações em peso, mais do que qualquer outra economia, seguido pelo Brasil com 16% e União Europeia com 7%. O Canadá também é o principal fornecedor de alumínio para os Estados Unidos.
Como o custo direto das tarifas recai sobre os importadores, elas significarão custos mais altos para os fabricantes, principalmente na indústria automobilística dos Estados Unidos.
A Wolfe Research, sediada nos Estados Unidos, espera que a tarifa de 25% aumente o preço dos produtos de aço em até 16% acima da média de 2024. Os preços do alumínio, que já estão em alta, devem quase dobrar.
O analista de pesquisa da Nomura Securities, Anindya Das, estima o impacto nos lucros operacionais fiscais de 2025 das montadoras considerando uma alta de 10% nos preços do aço e do alumínio em comparação com a média de 2024.
As empresas americanas Ford e General Motors seriam as mais impactadas, de acordo com esta análise, enfrentando retração de 3% a 4% no lucro operacional se não pudessem repassar seus custos por meio de preços mais altos.
A Toyota sofreria um impacto de 0,5%, enquanto a Subaru, que lida com grande parte de sua produção na América do Norte, chegaria a cerca de 2% de perda no lucro operacional.
Alguns dos fabricantes de peças afiliados da Toyota trazem aço do Japão para uso em instalações de produção nos Estados Unidos, e houve pedidos para que a empresa cobrisse os custos mais altos das tarifas.
"As tarifas são um fator que está fora do controle deles, então responderemos adequadamente", disse um executivo da Toyota.
O Japão pressionou por isenções às tarifas. "Os produtos de aço e alumínio do Japão não prejudicam a segurança nacional dos Estados Unidos", disse o secretário-chefe do gabinete de governo, Yoshimasa Hayashi, aos repórteres na quarta-feira. "Pelo contrário, produtos japoneses de alta qualidade são difíceis de substituir e essenciais para tornar o setor de manufatura dos Estados Unidos mais competitivo, além de contribuir muito para a indústria e o emprego nos Estados Unidos."
Com base nos códigos de classificação nas proclamações tarifárias do governo Trump no mês passado, as taxas cobrem um total de 289 categorias, excluindo a sobreposição entre as listas de aço e alumínio, de acordo com o Alerta de Comércio Global da União Europeia.
Esses itens — que incluem artigos de cozinha e esportivos — totalizaram US$ 151 bilhões em importações no ano passado, cerca de 4,5% do total dos Estados Unidos.
A China teve a maior exposição, com US$ 35 bilhões, seguida pelo México, com US$ 30,6 bilhões, a União Europeia, com US$ 20,3 bilhões, e o Canadá, com US$ 17,1 bilhões. O Japão ficou em sétimo lugar, com US$ 7 bilhões. Contando os membros da União Europeia como países individuais em vez de um único bloco, 27 economias tiveram exposição superior a US$ 500 milhões.
Para evitar as tarifas, as exportações de aço e alumínio que antes iam para os Estados Unidos poderiam ser vendidas em outros mercados. Jakob Stausholm, presidente-executivo da mineradora anglo-australiana de minério de ferro Rio Tinto, disse no mês passado que vender alumínio em outros mercados, como a Europa, é uma opção.
Tadashi Imai, presidente da Federação de Ferro e Aço do Japão e presidente da Nippon Steel, disse recentemente que a maior preocupação são as tarifas "que contribuem para a queda do mercado causada pelas exportações excessivas da China".
Com a economia da China em crise, os fabricantes de aço têm vendido produtos que não podem ser absorvidos pelo mercado interno a preços baixos em outros lugares. Se eles enfrentarem barreiras maiores nos Estados Unidos, esses produtos podem acabar fluindo para outros países.
Os Estados Unidos também são o maior exportador mundial de sucata de ferro e aço, e preços mais altos para sucata do país provavelmente repercutiriam no mercado global.
"O impacto a curto prazo será pequeno, mas pode se tornar maior a longo prazo", disse um representante da produtora japonesa de alumínio UACJ.
Embora a empresa geralmente fabrique produtos destinados aos Estados Unidos dentro do país, ela importa pequenas quantidades de alguns itens com requisitos específicos do Japão. Pode levar de três a quatro anos para começar a produzir alternativas nos Estados Unidos, de acordo com a UACJ.
Outras empresas estão se voltando para materiais totalmente diferentes. A Coca-Cola disse no mês passado que trocaria algumas embalagens de alumínio por plástico se as tarifas entrassem em vigor.
IstoÉ Dinheiro - SP 14/03/2025
A CSN apresentou prejuízo líquido de R$ 85 milhões no quarto trimestre de 2024, uma melhora de 110% em relação ao prejuízo registrado no mesmo período de 2023.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciação) ajustado ficou em R$ 3,335 bilhões, queda de 8% em relação ao visto um ano antes. Já a receita líquida somou R$ 12,026 bilhões, com alta de 0,2%.
No ano, a empresa acumulou prejuízo líquido é de R$ 1,538 bilhão, revertendo lucro de R$ 403 milhões de 2023. O Ebitda ajustado foi de R$ 10,230 bilhões em 2024, queda de 14,1% ante o ano anterior. A receita líquida, por sua vez, totalizou R$ 43,688 bilhões no ano, com queda de 3,9% ante 2023.
No quarto trimestre, a companhia registrou vendas de aço que somaram 1,175 milhão de toneladas, alta de 10,4% ante o mesmo trimestre de 2023. As vendas de minério de ferro somaram 10,731 milhões de toneladas, com queda de 3,7% ante o visto um ano antes.
A dívida líquida consolidada da empresa atingiu é de R$ 35,704 bilhões no trimestre, com alta de 16,4% sobre o mesmo período de 2023.
Consultor Jurídico - SP 14/03/2025
O Superior Tribunal de Justiça recebeu nesta semana as contrarrazões da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) ao recurso extraordinário apresentado pelo Grupo Ternium no caso da Usiminas. O grupo ítalo-argentino recorreu depois que foi condenado ao pagamento de uma indenização à CSN por ter omitido que assumiu o controle da Usiminas.
Discussão sobre o controle da Usiminas será julgada pelo STJ
A condenação, em junho do ano passado, também ocorreu porque a Ternium não providenciou a oferta pública de ações (OPA) aos acionistas minoritários, como determina a Lei das Sociedades Anônimas (SAs).
A defesa da CSN destaca que a própria Ternium confirmou oficialmente a troca efetiva no controle da Usiminas ao emitir um comunicado ao mercado, em 30 de março de 2023, confessando o descumprimento da obrigação, a partir da entrada do grupo ítalo-argentino no comando da siderúrgica de Minas Gerais.
O Grupo Ternium, por sua vez, defende-se argumentando que não houve a alienação — já que o grupo de controle da Usiminas permaneceu. Assim, alega a Ternium, o grupo apenas passou a fazer parte do bloco.
Posse camuflada
“Se antes precisou disfarçar o seu poder de controle por meio de direitos de fato e contratuais, hoje o Grupo Ternium comanda sozinho, por meio da titularidade de 49,5% das ações da Usiminas (…), passando a ser titular, enfim formal e ostensivamente, de 49,5% das ações ordinárias, representativas de 61,3% do bloco de controle. Ou seja, deixou às claras a situação denunciada pela CSN há tempos: o Grupo Ternium controla a Usiminas”, diz a CSN.
“A Ternium formalmente adquiriu uma participação minoritária da companhia vinculada a um bloco majoritário, mas, paralelamente, celebrou com os demais membros do bloco de controle (em especial a Nippon) negócios jurídicos que acabavam por concentrar, de forma perene, o controle da companhia nas suas mãos”, afirma a defesa da companhia.
Os advogados também pedem que o recurso extraordinário da Ternium “não seja admitido, dada a existência de vários óbices para tanto, com especial destaque à ausência de prequestionamento, à impossibilidade de rever interpretação de norma infraconstitucional que fundamenta a decisão recorrida, a impossibilidade de reexame de matéria fático-probatória e de reinterpretação de cláusulas contratuais, conforme previsão das Súmulas n.º 279/STF e 454/STF, respectivamente”.
Valor - SP 14/03/2025
Movimento dos EUA pode levar grandes produtores, como Japão, Coreia do Sul e China, a redirecionar mais produção ao mercado indiano, impactando ainda mais o preço da commodity no país
Por Valor, com Nikke
A Índia se prepara para um aumento nas importações siderúrgicas devido à nova tarifa de 25%, aplicada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre todo o aço importado pelos americanos. O movimento pode levar grandes produtores, como Japão, Coreia do Sul e China, a redirecionar mais de sua produção para o mercado indiano, impactando ainda mais o preço da commodity no país.
A tarifa de 25% sobre as importações de aço dos EUA entrou em vigor na quarta-feira (12) e pode estimular Japão e Coreia do Sul a "desviar mais importações para a Índia", segundo nota da S&P Global Ratings enviada a investidores, na semana passada. Os dois países e a China são fonte de cerca de 80% do aço importado pela Índia.
A situação pode impactar ainda mais os já baixos preços do aço na Índia, que, nos últimos anos, têm sido derrubados pela entrada de aço acabado, grande parte vindo da China.
O custo do aço laminado a quente de Mumbai, um referencial usado para os preços do aço acabado na Índia, caiu quase 15% entre o início de 2024 e o fim dezembro, para 47.250 rúpias (US$ 542) por tonelada, segundo a Argus Media, uma firma que reúne preços de commodities e inteligência de mercado, em relatório de fevereiro.
No "cenário negativo", os preços do aço na Índia ainda poderiam chegar a cair mais 6% por tonelada, caso as tarifas dos EUA de fato levem a um redirecionamento das exportações para a Índia, segundo a nota da S&P Global.
"A demanda por aço na Índia continuou a crescer, mas o ímpeto perdeu força e os preços locais permaneceram sob pressão em função das importações baratas", disse o executivo-chefe da produtora indiana Tata Steel, T. V. Narendran, em teleconferência sobre os resultados no fim de janeiro.
"Estamos pedindo medidas de salvaguarda, que podem ser impostas imediatamente para nos ajudar", disse ele a repórteres, à margem de um evento da Associação Nacional das Empresas de Software e Serviços (Nasscom, na sigla em inglês), um grupo lobista do setor de tecnologia, em fevereiro.
Entre abril de 2024 e janeiro de 2025, a Índia importou um total recorde de 8,3 milhões de toneladas de aço acabado, um aumento de mais de 20% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do governo indiano.
"Sem uma tarifa de salvaguarda, prevemos queda entre 6% e 8% nos preços do aço no próximo ano fiscal (que se encerra em março de 2026), além da queda nos preços que já vimos", disse Sehul Bhatt, diretor de energia e commodities da firma de serviços de inteligência de mercado Crisil.
O governo estuda uma tarifa temporária, na forma de um imposto de salvaguarda de 15% a 25% sobre as importações de aço, disse o ministro do Aço e Indústrias Pesadas da Índia H. D. Kumaraswamy, à agência "Reuters" em fevereiro.
Esse imposto de proteção ajudaria especialmente a reduzir a entrada de importações de aço acabado do Japão e da Coreia do Sul, que têm acordos comerciais com a Índia e, portanto, são isentos de tarifas alfandegárias básicas, segundo Jashandeep Chadha, analista de ações da corretora Nomura. Os dois países fornecem cerca de metade do total das importações de aço indianas.
"Embora a investigação possa levar até seis meses, acreditamos que o ministério pode decidir aplicar uma tarifa provisória neste período, parecida [à aplicada no ano fiscal de 2016]", disse Chadha, da Nomura, em outra nota a investidores.
A Índia impôs uma tarifa de proteção temporária de 20% sobre as importações de aço em 2015, que levou o Japão a entrar com uma queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Por outro lado, Chadha, da Nomura, também moderou as expectativas de que ocorra um grande redirecionamento de exportações como resultado das tarifas dos EUA. Segundo a analista, a queda das exportações de aço chinesas ao mercado dos EUA e as dificuldades de substituir produtos siderúrgicos especializados do Japão e da Coreia do Sul, poderiam forçar as fábricas nos EUA a manter os fornecedores atuais, mesmo com preços mais altos.
Globo Online - RJ 14/03/2025
Representantes dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump terão o primeiro encontro, nesta sexta-feira, desde que passou a valer formalmente a taxação de 25% das importações de aço e de alumínio pelos Estados Unidos.
A reunião será realizada no Itamaraty com secretários do Ministério de Indústria e Comércio e de Relações Exteriores e emissários do Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
O encontro terá caráter técnico e envolverá apenas representantes de segundo escalão, sem a presença do ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin e do chanceler, Mauro Vieira, que está em viagem à África.
No governo, a reunião é vista como o primeiro passo de uma negociação que deverá ser longa para tentar neutralizar os efeitos negativos das medidas norte-americanas.
Será um primeiro contato após a formalização das tarifas e não há expectativa de resultados imediatos. Enquanto tenta mitigar os efeitos negativos das medidas, integrantes da equipe de Lula afirmam que um dos pontos sensíveis das conversas é de que o governo norte-americano é bastante imprevisível.
Em nota divulgada na quarta-feira, o governo brasileiro afirmou que vai avaliar "todas as possibilidades de ação no campo do comércio exterior" para responder à aplicação de tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio.
O governo lamentou a decisão do presidente americano, Donald Trump, e disse que vai defender os interesses brasileiros junto à Organização Mundial do Comércio.
Além de adotar a taxa de 25%, os EUA também cancelaram todos os acordos vigentes até então. O Brasil, por exemplo, tinha um acerto de cotas de importação com o governo americano.
Segundo o Itamaraty, a medida terá "impacto significativo sobre as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA". Em 2024, o volume foi da ordem de US$ 3,2 bilhões. A nota também menciona que os EUA mantêm um superávit comercial de longa data com o Brasil, que foi, em 2024, da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens.
Valor - SP 14/03/2025
Com Trump, tarifas visam simplesmente a barrar a entrada de produtos estrangeiros, com o intuito de forçar os exportadores a produzirem em solo americano. Não faz sentido e não vai dar certo
Aço e alumínio são alvos preferenciais intermitentes dos Estados Unidos em suas relações comerciais com o Brasil. Com Donald Trump no comando da maior economia do mundo, não foi diferente, embora a sanção aplicada tenha sido drástica - 25% de tarifa de importação - e generalizada, envolvendo todos os principais fornecedores desses produtos. Antes de Trump, medidas dessa natureza visavam a proteger a produção doméstica de exportadores competitivos, agressivos e/ou altamente subsidiados. Com Trump, visam simplesmente a barrar a entrada de produtos estrangeiros, com o intuito de forçar os exportadores a produzirem em solo americano. Não faz sentido e não vai dar certo.
Os EUA produzem cerca de 90 milhões de toneladas de aço e importam de 20% a 25% do consumo doméstico. A indústria siderúrgica do país deixou de ser competitiva, e, com o aumento drástico dos preços dos importados, não conseguirá suprir localmente a demanda. O país terá caminho livre para aumentar seus preços até o limite da tarifa, com a qual pretende manter os competidores em desvantagem. O Brasil foi em 2024 o segundo maior exportador de aços semiacabados para os EUA, com 4,1 milhões de toneladas, com receita de US$ 4,67 bilhões. O maior fornecedor americano, o Canadá, vendeu 6 milhões de toneladas no ano passado.
Isoladamente, os efeitos da tarifa americana sobre esses produtos não são muito relevantes, embora ela atinja fortemente os produtores brasileiros. Segundo cálculos do Ipea, o Brasil pode deixar de faturar com a barreira tarifária US$ 1,5 bilhão. As exportações totais do país cairiam 0,03%, e o PIB, 0,01%. Não se trata só de perdas e danos, mas, como qualificou o governo brasileiro, de medida “injustificada e equivocada”, tomada unilateralmente por um tradicional parceiro comercial brasileiro.
O Brasil, corretamente, resolveu adiar reações ao início da vigência de restrições, na quarta-feira, e apostar na via da negociação. A melhor linha de resistência foi a defesa de cotas, com a qual o aço brasileiro garantiu, livre de tarifas, vendas de 3,5 milhões de toneladas de aços semiacabados e 687 mil toneladas de aços laminados, em 2018, no primeiro mandato de Trump. A cota seria um meio termo aceitável, pois permitiria aos EUA dosar com precisão as fatias de importações necessárias que não poderiam ser atendidas pela oferta doméstica.
Ao estabelecer a mesma sanção para todos os grandes exportadores, Trump poderá escolher quem serão seus fornecedores favoritos. Não está claro, talvez nem para o próprio Trump, como fazer isso. Acordo comercial como o que tem com o Canadá e o México daria a resposta natural, mas o presidente americano só o respeita quando lhe convém. O fato de os EUA terem superávit comercial com o Brasil seria, em tese, uma vantagem brasileira no caso.
Mas a guerra comercial está apenas começando, e a sequência prometida para abril pode trazer dissabores ainda maiores ao Brasil. Trump promete “reciprocidade” no tratamento a parceiros comerciais - mesmas tarifas aplicadas pelos EUA que as incidentes sobre importações americanas nos países exportadores. Como a tarifa média americana é uma das menores do mundo, pouco mais de 3%, e a do Brasil, uma das maiores (quase 13%), há espaço para perda de competitividade generalizada da pauta brasileira, se a medida for aplicada. Uma ressalva: apesar de a tarifa média nominal do Brasil ser alta, se olhada a tarifa efetivamente praticada sobre as importações americanas, ela é de 2,7%, segundo a Amcham.
Por outro motivo - a lei antidesmatamento europeia -, o PL 2088/23, com substitutivo da relatora, a senadora Tereza Cristina (PP), ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro, pegou carona na guerra tarifária de Trump e ganhou agilidade no Senado. Patrocinado pela bancada ruralista, o texto original exigia que países exportadores para o Brasil tivessem de cumprir padrões ambientais equivalentes aos brasileiros, no caso de imposição de “restrições ambientais, de qualquer ordem, ao comércio internacional”.
Tereza Cristina argumentou, com razão, que tal tratamento equivalia ao que a UE estava dispensando aos demais países com sua legislação “protecionista”. O conserto proposto é menos esdrúxulo e mais punitivo. Estabelece a possibilidade de suspensão de “concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual de países que imponham restrições ambientais unilaterais”. A lei seria aplicada quando outros países interferissem “nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil” por medidas comerciais unilaterais e quando estas tivessem por base requisitos ambientais “mais onerosos do que os parâmetros, normas e padrões de proteção ambiental adotados pelo Brasil”. Não é muito diferente do que Trump está fazendo com seus parceiros comerciais.
O Brasil já tem sistemas de defesa comercial, que sempre podem ser aperfeiçoados, mas o projeto de lei como está, além de sacramentar o pífio padrão de cumprimento das normas ambientais vigentes como norma de comércio com outros países, ainda retira a flexibilidade existente para se negociar disputas comerciais. É dispensável para um país que sempre foi muito protecionista.
Valor - SP 14/03/2025
Segundo a direção, empresa entra no ano com forte desempenho nos principais segmentos e rígido controle de custos, seguindo a tendência do 4º tri de 2024
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) prevê redução gradual de sua alavancagem ao longo de 2025, impulsionada pelo fortalecimento do resultado operacional e por medidas estruturantes para geração de liquidez. Segundo Antonio Marco Campos Rabello, diretor financeiro e de relações com investidores, a empresa entra no ano com um forte desempenho nos principais segmentos e um rígido controle de custos, seguindo a tendência do quarto trimestre de 2024.
Confira os resultados e indicadores da CSN e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360
O momento difícil da siderurgia mundial, com a sobreoferta de aço chinês, e os desembolsos feitos pela companhia para diversificar seus negócios pressionaram o endividamento da CSN. A empresa anunciou venda de participação na CSN Mineração para a japonesa Itochu, reciclagem de capital, diligência em aquisições e não distribuiu dividendos em maio de 2024.
O quarto trimestre de 2024 fechou com alavancagem (relação dívida líquida/lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 3,24 vezes. A meta era encerrar o ano de 2025 abaixo três vezes.
“A nossa projeção interna já nos levaria sozinha a atender ao ‘guidance’ [projeção] de alavancagem abaixo de três vezes, que anunciamos no final do ano passado”, afirmou Rabello, durante teleconferência, nesta quinta-feira (13).
A empresa também estuda iniciativas adicionais para acelerar esse processo, incluindo projetos da CSN Infraestrutura, que podem gerar resultados e liquidez ainda em 2025, além de outras operações estratégicas previstas para os próximos anos.
O executivo destacou que a estratégia financeira da companhia visa a equilibrar a desalavancagem com novos investimentos, aproveitando a flexibilidade financeira para continuar expandindo suas operações de forma sustentável.
“O próprio ativo de energia e a própria siderurgia, em outros momentos, também podem ser alvos de alguma parceria, também minoritária. Todas as possibilidades estão sendo analisadas de forma criteriosa e vão ser implementadas nos seus momentos próprios”, disse.
Infomoney - SP 14/03/2025
A CSN (CSNA3) e seu braço de mineração, CSN Mineração (CMIN3), divulgaram na última quarta-feira (12) seus respectivos resultados do quarto trimestre de 2024. Às 10h21 (horário de Brasília), os papéis CSNA3 subiam 6,49%, a R$ 9,02, enquanto CMIN3 avançava 10,61%, a R$ 5,84.
No geral, o JPMorgan avalia que os desempenhos foram sólidos e superaram as expectativas, razão pela qual já esperava uma reação positiva dos investidores aos números anunciados.
A CSN reportou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 3,3 bilhões, superando as expectativas do banco e do consenso em 8,8% e 14,9%, respectivamente.
Para o JPMorgan, o resultado positivo foi impulsionado pelo forte desempenho das principais unidades de negócios, principalmente Siderurgia, Mineração (CMIN) e Cimento.
O Ebitda da CSN Mineração de R$ 2,0 bilhões também superou as expectativas do JPMorgan e do consenso (9,3% e 19,6%, respectivamente), com os custos C1 (da mina ao porto) surpreendendo com níveis baixos de $20,4/t.
Quanto ao fluxo de caixa (FCF), a CSN teve um consumo de caixa de R$ 1,2 bilhão (excluindo o efeito único da venda da participação da CSN Mineração), impulsionado principalmente por maiores despesas. A mineradora teve a tendência oposta, com o FCF calculado pelo JPMorgan de R$ 1,2 bi representando um retorno anualizado de 15,2%.
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O JPMorgan reiterou recomendação de neutra para CSN e preço-alvo de R$ 12, enquanto manteve classificação de venda para CSN Mineração.
O Itaú BBA comenta que o Ebitda de R$ 3,3 bilhões, 17% acima da sua estimativa de R$ 2,9 bilhões, foi impulsionada principalmente por resultados melhores do que o esperado na divisão de mineração, e a melhora sequencial foi ajudada pelas divisões de mineração e siderurgia.
Os pontos negativos, segundo BBA, foram: i) a geração de fluxo de caixa (FCF) negativo de R$ 1,7 bilhão; e ii) o aumento da dívida líquida/Ebitda para 3,5 vezes.
O Itaú BBA manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12.
Já o BBI atribui o crescimento do Ebitda aos resultados mais fortes do que o esperado em todas as divisões. No segmento de minério de ferro, apesar dos menores volumes sequenciais e custos mais altos, preços realizados materialmente mais elevados levaram o Ebitda a aumentar em quase 80% no trimestre. Ao mesmo tempo, as margens na siderurgia atingiram os dois dígitos pela primeira vez desde o 1T23, ajudadas por uma combinação de custos mais baixos e preços e volumes ligeiramente mais altos (apesar da sazonalidade mais fraca).
Em cimento, na avaliação do BBI, o forte desempenho de custos e a maior realização de preços mais do que compensaram os menores volumes, gerando outro aumento de 10% no Ebitda — com a divisão agora respondendo por cerca de 12% do Ebitda total da empresa no 4T24, contra 7% no 4T23.
Por outro lado, o BBI destaca que a CSN mais uma vez queimou caixa, em meio a altas despesas com juros e investimentos — levando sua alavancagem reportada para 3,5x a relação Dívida Líquida/Ebitda (crescimento de 0,2 vez no trimestre).
O BBI manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 9.
O Estado de S.Paulo - SP 14/03/2025
Se o governo não aprimorar suas políticas macroeconômicas, especialmente no controle dos gastos fiscais para conter a trajetória da dívida pública, a inflação tende a piorar antes de melhorar. Ex-diretores do Banco Central alertam que, quanto mais adverso for o cenário, maior será a necessidade de um aperto monetário.
“O BC está se mostrando contracionista e deve continuar fazendo isso. Se o governo continuar gastando e não reverter a tendência fiscal, o juro vai ter de continuar subindo. Vamos ter uma inflação mais alta e uma atividade cada vez mais fraca. É um cenário complicado”, diz Reinaldo Le Grazie, ex-diretor de Política Monetária do BC e sócio da Panamby Capital, para quem é preciso cuidado com questão inflacionária que, no Brasil, tem potencial de revisitar dois dígitos.
“Eu, como analista, diria que a inflação este ano é de 6%. Não acho baixo. De 6% para 10% é um tirinho, como foi de 2014 para 2015 (de 6,41% para 10,67%) e também de 2020 para 2021 (de 4,52% para 10,06%). Se escapar, a inflação vai fácil”, ressalta Le Grazie. “E aí o juro vai ter de combater essa inflação de 10%. Esse nível não sabemos qual será”.
Para Sérgio Werlang, professor da FGV EPGE e ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, a inflação não deve passar tão rapidamente para outro nível. “Basta ver o tempo que a inflação brasileira ficou perto de 6% na época do Alexandre Tombini.”
No entanto, ele destaca que a coisa muda se estivermos em um ambiente de dominância fiscal (quando a alta dos juros não faz efeito sobre a inflação). Simulação feita com dados de dezembro mostra que a inflação para esse cenário seria entre 7,5% e 8% ao ano. “Daí, para bater dois dígitos, de fato, seria um ‘pulinho’“.
Esse é um risco se a dinâmica da dívida bruta/PIB seguir no ritmo atual, prossegue o professor, e não houver queda razoável do juro real. “O real pode se desvalorizar muito com a desconfiança em relação à sustentabilidade da relação dívida/PIB”, diz Werlang.
Ninguém acredita
Na visão do ex-diretor de Política Econômica do BC e chefe de macroeconomia do ASA, Fabio Kanczuk, para gerar efeito de desaceleração e trazer a inflação pelo menos para o redor da meta, de 3%, seria necessário elevar a Selic até 18%. “Mas a impressão que dá é que o Banco Central vai até uns 15%”, diz, explicando que o nível mais alto de juro seria necessário para domar as expectativas de inflação para 2028, que voltaram a subir. “Ninguém mais acredita que o Banco Central vai entregar a meta”.
Para Le Grazie, não dá mais para a inflação ir para 4%. “Se o BC subir o juro, se o governo aliviar o pé, nós estamos falando que a inflação de 2026 cai. Mas a deste ano vai ser 6%, não tem mais jeito de ser abaixo disso. Então, a questão é que eu não duvido que o BC vá subir o juro. Mas subir para 18%, 20%, 25%? Aonde vai parar?”, diz o sócio da Panamby Capital, para quem o BC vai fazer o que for necessário para conter a inflação.
Werlang diz acreditar que o Banco Central está aguardando a resposta deste ciclo de alta sobre a atividade econômica. Se for verificado até a próxima reunião que a queda é maior do que se imaginava, a autoridade pode parar de elevar o juro e ficar um tempo vendo qual será o impacto disso na inflação.
IstoÉ Dinheiro - SP 14/03/2025
A economia mundial caminha para uma desaceleração com prejuízos generalizados, e o Brasil não é uma exceção, com o País provavelmente tendo perdas por conta da preocupação excessiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o aço. Além disso, o juro alto, a inflação resistente e o contexto de disputa presidencial que já se desenha para as eleições de 2026 complicam o quadro para o País, na avaliação de economistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) no I Seminário de Análise Conjuntural, realizado pelo Ibre/FGV e pelo Estadão, nesta quinta-feira, 13.
Para o chefe do Centro de Estudos Monetários do Ibre/FGV, José Júlio Senna, a chance de que Trump alcance o objetivo de “fazer a América grande novamente”, girando em torno da perspectiva de reconstrução da indústria americana, “é quase zero, mínima realmente”. “É até curioso, porque no mundo inteiro o segmento industrial destruiu empregos”, afirmou.
Ele ressaltou que os indicadores dos primeiros meses de governo Trump já mostram uma desconfiança maior. “O acordo comercial entre Canadá, México e EUA foi negociado pelo próprio Trump na sua primeira administração, então ele mesmo assume e desfaz: como você vai confiar num país desse tipo?”, questionou.
Senna avaliou que a tributação “excepcional” sobre aço e alumínio vem do pensamento de uma frase do próprio Trump de que o “país que não tem aço não é país”. Assim, o presidente quer produzir aço dentro dos EUA, “o que é uma visão estreita em uma situação que poderia ser resolvida de outra maneira”.
‘IPCA mostra inflação super resistente’
Enquanto isso, no Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra uma inflação “super resistente”, o que indica um “momento desafiante para a política econômica”. Contudo, os objetivos políticos estão vindo na contramão do que a gestão de uma política econômica recomendaria, na avaliação de Armando Castelar, pesquisador associado do Ibre/FGV.
“Há um processo de desaceleração que até certo ponto surpreendeu. Os primeiros dados que estamos vendo, PIB (Produto Interno Bruto), indústria, serviços, estão vindo relativamente fracos. E, não obstante, a inflação segue bastante alta. É verdade que fevereiro foi influenciado por dado de Itaipu, mas nos últimos 12 meses você vê uma inflação resistente”, afirma Castelar.
Ele destacou ainda que “a própria ministra do Planejamento (Simone Tebet) disse nesta semana que o arcabouço não é sustentável daqui a dois anos, então o próprio governo vem apontando insustentabilidade fiscal”.
‘O Brasil pode ter alta bem forte do PIB no 1º tri por agro e consumo’
O Brasil pode ter um crescimento “bem forte” do PIB no primeiro trimestre de 2025 vindo do agro e com alguma recuperação no consumo, segundo a coordenadora do Boletim Macro do Ibre/FGV, Silvia Matos.
Ela observou que o Brasil ainda está crescendo muito acima do potencial e tem déficit primário (saldo negativo entre a arrecadação e as despesas do governo, fora juros) e dívida elevada e crescente.
Na avaliação dela, a expectativa no trimestre é de uma desaceleração no consumo das famílias, mas ponderou que no início do ano há reajuste do salário mínimo em termos reais e o governo tem feito medidas adicionais para acelerar o consumo. “Então temos visão um pouco cautelosa sobre o ritmo (de consumo) das famílias, porque mostra o quanto a demanda do Brasil está pressionada, e isso reflete em mais ou menos inflação”, afirmou.
Para 2025 fechado, a expectativa do Ibre/FGV é de que o crescimento do PIB fique “em torno de 1,7%”. Contudo, será um dado mais “equilibrado”, com commodities (matérias-primas cotadas em dólar), agricultura, indústria extrativa (expectativa de crescimento forte em petróleo em 2025 e 2026) e investimento, que mostrou sinal de recuperação já em 2024.
Matos ressaltou que “é importante que a parte da demanda, consumo, desacelere porque senão efeitos vão continuar na questão da inflação”.
‘Adiante, não em maio, o BC terá de pausar alta da Selic’
O Banco Central (BC) terá de pausar o ciclo de aperto monetário depois de maio “e dizer que não pode botar o juro em 17%, 18%”, segundo o chefe do Centro de Estudos Monetários do Ibre/FGV, José Julio Senna. “Acho que o BC vai ter de fazer o que bancos centrais do mundo fizeram no pós-pandemia: elevar juros (até certo ponto) e dizer que ‘fiz o que dá para fazer, juros está em território restritivo e com isso vou conseguir a convergência da inflação'”, afirmou.
A tese ocorre na esteira de que o BC vive um dilema para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A autoridade monetária precisa, ao mesmo tempo, manter firmeza, assegurando a reforçando de que a meta da inflação é de 3% – mas também sabendo que não pode ir longe demais, porque ficaria “totalmente insustentável”.
Para Senna, a reunião do BC em maio é a chave, considerando que a reunião de março já conta com o forward guidance (tendência) de alta de 100 pontos-base (1 ponto porcentual). “Mercado aposta em alta de 50 pontos-base (0,50 ponto porcentual) no Copom de maio, o que é um bom call, mas meu viés é de alta. Acho que alta da Selic em maio pode ser de 75 pontos-base (0,75 ponto porcentual), em vez de 50 pontos-base”, disse.
Ele avaliou que a desaceleração econômica não tende a ser muito forte. O dilema do BC ocorre, segundo Senna, em um contexto em que o “fiscal não ajuda e a estabilidade de preços não é o objetivo do governo como um todo”.
Ele afirmou ainda que em 2025 e 2026 as reformas provavelmente terão menos discussão, menos espaço para debate, porque “a questão eleitoral e política acaba dominando, e acabamos perdendo oportunidade de aproveitar o nosso potencial”.
‘A grande âncora na expectativa de contas públicas é presidente não ser reeleito’
Armando Castelar, pesquisador associado do Ibre/FGV observou que a grande âncora nas expectativas das contas públicas é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ser reeleito. A constatação se apoia na tese de que isso poderia levar o Brasil “a um governo com políticas fiscais mais conservadoras”.
Castelar relembrou que, quando a pesquisa Datafolha, em fevereiro, apontou aumento na rejeição do governo Lula, “todos os ativos se valorizaram de forma significativa, com a visão de que haveria troca de governo e isso geraria mudança na política fiscal, em direção a uma política mais conservadora”.
Por isso, o pesquisador também considera que a política fiscal do governo irá reagir às pesquisas eleitorais, focando no aumento de popularidade. “Se tiver aumento da popularidade do governo, isso reduz pressão na política fiscal. Mas paradoxalmente pode gerar mais pressão sobre o preço dos ativos”, ponderou.
IstoÉ Dinheiro - SP 14/03/2025
A inflação dos EUA desacelerou no mês passado pela primeira vez desde setembro e uma medida do núcleo de inflação (que exclui os itens mais voláteis) caiu para o nível mais baixo em quatro anos, apesar de as tarifas adicionais sobre aço e alumínio – que entraram em vigor ontem – sejam uma ameaça para os preços.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) foi a 2,8% em fevereiro, em base anualizada, de acordo com o relatório do Departamento do Trabalho americano divulgado nesta quarta-feira, 12. É uma queda em relação aos 3% registrados no mês anterior. Os preços básicos, que excluem as categorias voláteis de alimentos e energia, aumentaram 3,1% em relação ao ano anterior, abaixo dos 3,3% registrados em janeiro. O valor é o mais baixo desde abril de 2021.
As quedas foram maiores do que os economistas esperavam, de acordo com uma pesquisa do provedor de dados FactSet. No entanto, os preços permanecem mais altos do que a meta de 2% do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A inflação instável pode criar problemas para o presidente Donald Trump, que prometeu durante a campanha do ano passado “acabar com a inflação”.
Na base mensal, a inflação também ficou muito abaixo do esperado. Os preços ao consumidor aumentaram 0,2% em fevereiro em relação ao mês anterior, abaixo do 0,5% registrado em janeiro. E os preços básicos subiram apenas 0,2%, abaixo do aumento de 0,4% em janeiro.
Os preços dos alimentos permaneceram inalterados no mês passado em relação a janeiro, o que trouxe algum alívio para os consumidores que enfrentam um aumento de 25% nos preços dos alimentos em relação a quatro anos atrás. O custo dos ovos, entretanto, aumentou 10,4% em fevereiro em relação ao mês anterior e o produto está quase 60% mais caro do que há um ano.
A gripe aviária forçou os agricultores a abater mais de 160 milhões de aves. O preço médio dos ovos atingiu US$ 4,95 (R$ 28,80) a dúzia em fevereiro, um recorde. O preço estava consistentemente abaixo de US$ 2 (R$ 11,60) por dúzia há décadas, antes da doença.
E com Trump impondo – ou ameaçando impor – uma ampla gama de tarifas sobre as importações de Canadá, México, China, Europa e outros países, a maioria dos economistas prevê que o crescimento dos preços provavelmente permanecerá elevado este ano.
As tarifas agitaram os mercados financeiros e podem desacelerar drasticamente a economia, com alguns analistas elevando as apostas no risco de uma recessão. Muitos economistas esperam que a inflação caia este ano sem os impostos de importação, mas, com as tarifas, eles preveem que a inflação permanecerá elevada até o fim deste ano.
Trump prometeu impor tarifas recíprocas a todos os países que cobrarem impostos sobre as exportações dos EUA em 2 de abril. Os economistas do Yale Budget Lab calculam que essas tarifas, por si só, poderiam elevar a taxa tarifária média dos EUA ao seu nível mais alto desde 1937 e custar às famílias médias até US$ 3,4 mil (R$ 19,8 mil).
O Estado de S.Paulo - SP 14/03/2025
As guerras comerciais simultâneas do presidente Donald Trump com o Canadá, o México, a China e a União Europeia representam uma enorme aposta econômica e política: que os americanos vão suportar ortarão meses ou anos de dor econômica em troca da esperança distante de reindustrializar o coração americano.
Isso é extremamente arriscado. Nos últimos dias, Trump reconheceu, apesar de todas as suas previsões confiantes de campanha de que o país vai “crescer como nunca antes”, que os Estados Unidos podem estar caminhando para uma recessão, alimentada por sua agenda econômica. No entanto, em público e em particular, ele tem argumentado que “um pequeno distúrbio” na economia e nos mercados é um pequeno preço a ser pago para trazer de volta os empregos na área de manufatura para os Estados Unidos.
Seus parceiros políticos mais próximos estão dobrando a estratégia. “As políticas econômicas do presidente Trump são simples”, escreveu o vice-presidente JD Vance na segunda-feira, 10, nas mídias sociais. “Se você investir e criar empregos nos Estados Unidos, será recompensado. Diminuiremos as regulamentações e reduziremos os impostos. Mas se você construir fora dos Estados Unidos, estará por sua própria conta.”
A última vez que Trump tentou algo assim, durante seu primeiro mandato, foi um fracasso. Em 2018, ele impôs tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, sustentando que estava protegendo a segurança nacional dos Estados Unidos e que as tarifas acabariam por criar mais empregos nos Estados Unidos. Os preços subiram e houve um aumento temporário de cerca de 5 mil empregos em todo o país. Durante a pandemia, algumas das tarifas foram suspensas e hoje o setor emprega aproximadamente o mesmo número de americanos que empregava na época.
Mais preocupante, porém, foi a série de estudos que se seguiram mostrando que o país perdeu dezenas de milhares de empregos - mais de 75 mil, segundo um estudo - nos setores que dependiam das importações de aço e alumínio. A produção por hora das siderúrgicas americanas também caiu, enquanto a produtividade da manufatura em geral nos Estados Unidos aumentou.
O experimento que Trump está tentando fazer agora é muito maior. E as tarifas retaliatórias que estão sendo impostas aos fabricantes dos EUA - com os europeus mirando o uísque bourbon do Kentucky, bem como barcos e motocicletas Harley-Davidson fabricados em Estados-pêndulo como Michigan e Pensilvânia - são primorosamente projetadas para causar dor nos lugares onde os apoiadores de Trump mais a sentirão.
“Se Trump está levando a sério o que diz sobre manter essas tarifas, ele está apostando sua presidência no sucesso delas e na paciência do povo americano, em um momento em que o povo não parece estar em um estado de espírito paciente”, disse William Galston, pesquisador do Brookings Institution.
A realidade é que os argumentos de Trump para a imposição de tarifas estão espalhados por todo o mapa, conforme uma série de executivos de empresas reclamaram - nunca de forma oficial - após visitarem a Casa Branca nas últimas semanas. Michael Froman, representante comercial dos EUA de 2013 a 2017 e agora presidente do Council on Foreign Relations, separa os argumentos de Trump em três categorias.
“Quando o presidente pensa em tarifas, ele geralmente está pensando em três coisas: influência, receita e reindustrialização”, disse Froman na quarta-feira, 12.
“A influência está funcionando, por enquanto”, disse ele. O México e o Canadá elaboraram planos para reduzir a quantidade de fentanil (uma droga sintética) que cruza a fronteira, mesmo que estejam entregando a Trump programas que implementaram anteriormente, mas que foram reempacotados ou revividos em resposta às suas exigências.
Estranhamente, o Canadá foi atingido por algumas das tarifas mais duras, embora muito pouco do fentanil que entra nos Estados Unidos passe pela fronteira canadense. (O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, que está deixando o cargo, disse na semana passada: “O que ele quer é ver um colapso total da economia canadense, porque isso facilitará a nossa anexação.”)
Mas Froman afirma que a Casa Branca já está vendo retornos decrescentes de sua estratégia. “Você pode fazer isso uma ou duas vezes e trazer as pessoas para a mesa”, disse ele, “mas em algum momento os países dizem ‘vamos retaliar’, como o Canadá e a União Europeia fizeram agora”.
Trump também adora a ideia de que as tarifas geram receitas. Em seu discurso de posse, ele falou com admiração do presidente William McKinley, que promoveu tarifas enormes na década de 1890, e argumentou que esse período foi um ponto alto para a política econômica americana. “Em vez de tributar nossos cidadãos para enriquecer outros países, cobraremos tarifas e impostos de países estrangeiros para enriquecer nossos cidadãos”, disse Trump em 20 de janeiro. “Para esse fim, estamos estabelecendo o Serviço de Receita Externa para coletar todas as tarifas, impostos e receitas. Serão enormes quantidades de dinheiro entrando em nosso Tesouro, vindas de fontes estrangeiras”.
Mas, novamente, os fatos nem sempre se resolvem dessa forma. Embora o governo dos EUA tenha recebido mais de US$ 60 bilhões em tarifas da China no primeiro mandato de Trump, ele também compensou os agricultores americanos que foram atingidos por tarifas retaliatórias impostas por Pequim. Isso custou quase o mesmo valor.
A justificativa final que Trump oferece para as tarifas é que elas trarão empregos de volta aos Estados Unidos. Esse é um conceito profundamente enraizado em sua psique e em sua história política; ele expressa pouco interesse em examinar estudos empíricos que possam confundir o quadro.
É claro que, por mais que Trump queira que todos os produtos sejam fabricados nos Estados Unidos, há um motivo pelo qual as nações fazem comércio umas com as outras. Algumas têm uma vantagem comparativa para fabricar determinados produtos. Outras estão em um estágio diferente de desenvolvimento. E, às vezes, as nações não querem ficar presas à produção de produtos de baixa tecnologia quando poderiam subir na hierarquia.
As cidades ao norte de Boston dominaram o setor de calçados do país durante todo o século XIX; hoje, elas são mais conhecidas por startups de software, escritórios de advocacia e alguns dos imóveis mais caros do país.
Mas na visão de mundo de Trump, como ele mesmo reconheceu em uma entrevista em 2016, é a manufatura tradicional que importa. A década de 1950, disse ele, era seu ideal, quando a manufatura e o poder americanos reinavam supremos.
Ele não se impressiona quando os economistas que atacam seus planos tarifários apontam que as peças de automóveis podem passar uma dúzia de vezes pela fronteira com o Canadá antes da instalação final em um veículo produzido nos Estados Unidos, que será mais caro devido às suas tarifas sobre o Canadá. Ou que projetos sofisticados para os semicondutores mais avançados serão enviados para a Taiwan Semiconductor, a fabricante de chips mais bem-sucedida do mundo, antes que os chips sejam produzidos em Taiwan - mesmo que a propriedade intelectual inerente ao projeto seja americana.
Uma coisa que Trump e seu antecessor, Joe Biden, têm em comum é o desejo de trazer essa fabricação de chips de volta para os Estados Unidos. A abordagem de Biden foi a Lei CHIPs, aprovada com apoio bipartidário e que destinou mais de US$ 50 bilhões em fundos federais para impulsionar os investimentos nas mais avançadas fábricas de semicondutores. Na verdade, o conceito teve início no primeiro mandato de Trump, embora, no final de seu discurso ao Congresso na semana passada, ele o tenha descartado.
“Sua lei CHIPs é uma coisa horrível, horrível”, disse ele aos legisladores. “Nós doamos centenas de bilhões de dólares e isso não significa nada. Eles pegam nosso dinheiro e não o gastam.”
A solução são as tarifas, concluiu ele. Se os próprios chips forem fabricados nos Estados Unidos, eles estarão livres de tarifas.
Seu problema é de tempo. Leva anos para construir as instalações mais avançadas de chips. (A Intel acabou de atrasar em pelo menos quatro anos uma fábrica que inicialmente prometeu que seria inaugurada em Ohio em 2025 ou 2026). E, mesmo quando elas forem construídas, os Estados Unidos ainda dependerão de Taiwan para obter cerca de 80% de seus semicondutores mais avançados.
Não está claro se os eleitores estarão dispostos a esperar tanto tempo pelos resultados.
O Estado de S.Paulo - SP 14/03/2025
A China sugeriu um “diálogo” com os Estados Unidos para resolver as crescentes tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo impondo tarifas sobre as importações uma da outra nas últimas semanas.
“A China e os Estados Unidos devem adotar uma atitude positiva e cooperativa em relação às suas diferenças e disputas nos campos econômico e comercial”, disse a porta-voz do Ministério do Comércio, He Yongqian, em uma entrevista coletiva semanal.
“Mas é preciso enfatizar que qualquer forma de comunicação e consulta deve ser baseada no respeito mútuo, na igualdade e no benefício mútuo”, acrescentou.
“Ameaças e intimidações são contraproducentes. Espera-se que os Estados Unidos e a China trabalhem juntos para retornar ao caminho certo de resolução de problemas por meio do diálogo e da consulta”, disse ele.
Desde que retornou ao poder em janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas a grandes parceiros comerciais, como China, Canadá e México, alegando que esses países não conseguiram conter o fluxo de fentanil e outros precursores químicos de drogas.
Trump impôs inicialmente tarifas adicionais de 10% sobre as importações chinesas e neste mês as aumentou para 20%.
Pequim respondeu com tarifas de até 15% sobre uma série de produtos agrícolas dos EUA, como soja, carne suína e frango.
A China, maior produtora de aço do mundo, também anunciou na quarta-feira que tomará “todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses contra novas tarifas dos EUA sobre importações de aço e alumínio.
CNN Brasil - SP 14/03/2025
Como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) entre 2013 e 2020, Roberto Azevêdo esteve frente a frente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para negociar com o republicano durante sua primeira passagem pela Casa Branca.
À época, Azevêdo foi a Washington em busca de aproximar os EUA da OMC. O hoje presidente global de operações da Ambipar relembrou o caminho que escolheu para conquistar a atenção de Trump: “Trazer uma vitória para ele”.
“Quando fui conversar com ele, a primeira coisa que coloquei na minha cabeça é que tenho que trazer uma vitória pra ele, mas que não seja minha derrota. Comecei a expor a necessidade de os Estados Unidos se engajarem na OMC, e que isso era bom pra ele. Acho que seria uma tremenda vitória reformar o sistema de dentro, a conversa foi boa”, contou Azevêdo ao WW.
Com experiência de décadas em negócios e relações comerciais internacionais, o ex-OMC avalia que a negociação mais difícil é aquela na qual não há “química” entre as partes. “A racionalidade desaparece”, enfatizou.
Desse modo, considerando as divergências entre a gestão Trump e a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além da dinâmica estabelecida pelo republicano em sua diplomacia, “em que as decisões são quase pessoais”, Azevêdo afirmou que “é muito difícil [estar preparado]” para essas negociações.
Mas reforçou que o que falta numa conversa com o norte-americano é “entregar para ele uma vitória da qual você também se beneficia”.
Reação do Brasil
Autoridades dos EUA e brasileiras terão uma reunião nesta sexta-feira (14) para debater o atual cenário comercial entre os dois países, sobretudo a questão das tarifas sobre o aço e o alumínio.
Na virada de terça-feira (11) para quarta (12), o governo Trump levantou taxas de 25% sobre a importação dos metais. O Brasil é o 2º maior fornecedor de aço e ferro dos EUA, perdendo apenas para o Canadá.
Azevêdo reiterou que “é difícil de lidar com um cenário desse”, e que “o Brasil não é o único que está sendo surpreendido”, destacando os ataques que o presidente dos EUA direcionou a dois de seus maiores parceiros comerciais e vizinhos: o México e o Canadá.
Ainda assim, enfatizou sua certeza de que o Itamaraty vem se preparando para isso desde o começo.
“O governo brasileiro vai ter que entender essa dinâmica e vão tentar da melhor maneira possível negociar num ambiente que é quase o pior possível para o negociador”, pontuou.
O ex-diretor-geral da OMC ainda apontou que grande parte dos avanços na relação entre EUA e Brasil foram permitidos pela iniciativa do setor privado.
O setor privado brasileiro também buscou se posicionar frente à tarifa do aço e do alumínio.
O Instituto Aço Brasil diz apostar no diálogo para reverter taxa — assim como foi feito em 2018, quando Trump, em seu primeiro mandato, também havia levantado restrições às compras da liga metálica.
Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) vê como prejudicial a uma “parceria histórica” a tarifa, e aponta para uma “total falta de percepção” dos EUA sobre a relação que possui com o Brasil.
Impacto nos EUA
Comparando o primeiro mandato do republicano com o atual, Azevêdo observou que “os eixos centrais” da doutrina Trump foram mantidos: desregulamentação, redução de impostos, protecionismo e a busca pela reindustrialização dos EUA.
“Mas muita coisa mudou do Trump 1”, pontuou. “No primeiro momento, havia um cuidado maior com o impacto disso na economia americana. […] A equipe dele tinha muita gente que entendia o que ele queria, mas não compartilhava 100% das ideias. Ele prestava muita atenção no mercado de capital. […] Isso mudou muito hoje.”
Para Azevêdo, são óbvios os argumentos do porquê não seria benéfico investir nesta “suposta guerra comercial”.
“O comércio é uma via de mão dupla. […] E o argumento é evidente. Agora, ele entender e aceitar é outra conversa. Ele se recusa a aceitar que é o consumidor americano que vai pagar pelas tarifas, diz que quem vai pagar é o exportador. É uma irracionalidade de conveniência”, disse.
O ex-OMC apontou que o cenário atual ainda não é o ponto final da guerra comercial ventilada por Trump.
“Ainda temos alguns passos na implementação das medidas, tem muita negociação. Meu temor é quando essas discussões forem escalando e acabar numa perda de controle. Aí, efetivamente, estaremos em uma guerra comercial”, concluiu.
Money Times - SP 14/03/2025
O Comitê de Política Monetária (Copom) deve elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual (p.p.) tanto na reunião de março quanto na de maio deste ano, afirma o UBS BB. Assim, a taxa subirá dos atuais 13,25% para 15,25% — patamar em que deve se manter pelo restante do ano.
Os membros do Comitê já haviam anunciado a intenção de aumentar os juros em 1 p.p. no encontro da semana que vem, do dia 19 de março. No entanto, eles deixaram as próximas decisões dependentes de dados.
“Os dados recebidos, como a inflação acima da previsão de curto prazo e as projeções não ancoradas, levarão eventualmente o Copom a aumentar outros 1,00 p.p. em 7 de maio”, dizem os economistas Alexandre de Azara, Fabio Ramos e Rodrigo Martins.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,31% no mês de fevereiro — a projeção do UBS era de 1,23%. Já a inflação no ano acumulou alta de 1,47%, enquanto em 12 meses avançou para 5,06%.
Já as expectativas para o índice seguem em processo de desancoragem. O último Boletim Focus indicou que os economistas consultados pelo Banco Central (BC) elevaram as apostas para o IPCA deste ano de 5,65% para 5,68%. Para 2026, 2027 e 2028, as projeções são de 4,40%, 4% e 3,75%, respectivamente.
Apesar de esperar mais uma alta robusta em maio, o UBS BB não espera que o Copom sinalize esse aumento já na reunião de março, mas que continue dependente dos dados.
Já em relação aos cortes futuros, Azara, Ramos e Martins dizem que o cenário de estagflação não é suficiente para permiti-los este ano, devido às perspectivas de inflação que permanecem acima da meta.
A casa afirma que o IPCA deve permanecer acima do limite superior do objetivo perseguido pelo BC — de 3% com margem de tolerância de 1,5% — até março de 2026. O pico de 5,5% deve ser atingido em abril deste ano.
O Estado de S.Paulo - SP 14/03/2025
A inflação que o governo “segurou” em janeiro, com a redução pontual nas contas de luz, voltou com força em fevereiro – como previsto – e lançou a taxa do mês ao maior nível dos últimos 22 anos. A alta de 1,31% em fevereiro, que empurrou o acumulado em 12 meses para 5,06%, é uma prova cabal da inutilidade de manobras da gestão lulopetista. Se em janeiro, com a “mãozinha” do bônus da usina de Itaipu, o barateamento de 14,21% nas tarifas de energia conteve o IPCA em 0,16%, no mês seguinte a recomposição do mesmo bônus devolveu tudo e mais um pouco.
A cada mês a evolução dos preços mostra ao presidente Lula da Silva que de nada adiantam medidas populistas para conter a inflação. Será inócuo zerar a taxa de importação do café e de outros produtos alimentícios, assim como é irrealista querer controlar o preço dos combustíveis ou forçar atacadistas e varejistas a atrelarem suas decisões de negócios à vontade do governo. Mas Lula não se convence. Ao contrário, prefere exercitar uma retórica belicosa ameaçando tomar uma “atitude mais drástica” caso não encontre uma “solução pacífica”.
A inflação de fevereiro não foi um ponto fora da curva. O IPCA, que tradicionalmente nesta época é pressionado pelos reajustes das mensalidades escolares, sofreu impacto ainda maior das tarifas de energia elétrica residenciais, que responderam por 0,56 ponto porcentual do IPCA geral. E o mais preocupante são as tendências de alta observadas nos núcleos das taxas, como são chamadas as medidas estatísticas que desconsideram impactos temporários, como a sazonalidade das mensalidades escolares, por exemplo.
Recente reportagem do Broadcast/Estadão mostrou que as estimativas do mercado financeiro estão concentradas na manutenção do IPCA acima do teto da meta (4,5%) até setembro de 2026, quando iniciará um recuo lento. O principal temor dos analistas é o de que novos estímulos fiscais acelerem ainda mais a alta dos preços. A preocupação não é despropositada, haja vista algumas medidas recentes, como a liberação de R$ 12 bilhões por meio do FGTS, o incentivo ao empréstimo consignado privado e, talvez, em 2026, a isenção tributária para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
Medidas de estímulo ao consumo surgem em grande número, impulsionadas por mantras característicos de Lula, como “quero mais crédito para o povo” e “dinheiro circulando nas mãos das pessoas faz a economia crescer”, entre outros de mesma natureza. No entanto, ao sobreaquecer a economia e gerar uma demanda artificial sem um correspondente aumento na produção e na produtividade, o governo ignora um princípio essencial para o crescimento sustentável: o equilíbrio fiscal.
Em recente entrevista ao Flow Podcast, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou considerar importante o governo federal voltar a apresentar contas no azul. “Tem gente que discorda disso; tem gente que quer fazer mais rápido”, comentou, reconhecendo não haver consenso em torno da calibragem da política fiscal. Embora Haddad tenha defendido a ideia de que o ajuste “não precisa ser recessivo” – e para isso voltou a defender a tributação dos super-ricos como contrapartida a eventuais cortes de gastos –, a cruzada pela política fiscal tem sido, pelo que se observa no governo Lula da Silva, uma batalha isolada da equipe econômica.
A perspectiva de um IPCA pressionado até as vésperas da eleição presidencial do ano que vem aumenta a apreensão sobre o comportamento do Palácio do Planalto em relação à política autônoma do Banco Central (BC). Desde o início de seu terceiro mandato, Lula da Silva torpedeou a direção do Banco Central pelos juros altos. A partir da posse de seu indicado, Gabriel Galípolo, na presidência do banco, iniciou uma trégua, mas o futuro é incerto. Em junho, a meta de inflação irá estourar novamente, como já antecipou a própria direção do BC. Para o mercado, em agosto o acumulado do IPCA em 12 meses deve chegar a 5,82%. Pelo andar da carruagem, a volta da pressão política sobre a autoridade monetária é questão de tempo.
O Estado de S.Paulo - SP 14/03/2025
Desde que assumiu a presidência, Donald Trump tem dominado o noticiário com anúncios diários de medidas radicais. Tudo estava em sua campanha de uma forma ou de outra: tarifas, deportações e cortes de gastos. Ele havia avisado, embora muitos não acreditassem.
Algumas dessas medidas representam um choque de oferta para empresas americanas. Com mão de obra e insumos mais caros devido às restrições migratórias e tarifas, a tendência nos Estados Unidos é de aumento de preços. Este cenário – de inflação, juros e dólar mais altos – tem sido apontado pela Eurasia Group, desde o ano passado, como o principal risco internacional para a economia brasileira em 2025.
Entretanto, há uma novidade significativa: o temor de que Trump esteja mudando as coisas rápido demais começa a afetar o entusiasmo dos empresários por novos investimentos. A premissa geral, no mercado e na política americana, era de que a agenda “America First” estimularia as empresas e aceleraria – e não reduziria – as expectativas de crescimento. Cortes de impostos e redução de regulamentações liberariam o “espírito animal” dos empresários.
Contudo, a confiança está sendo abalada a cada nova tarifa contra parceiros comerciais e com cada decisão repentina de fechamento de órgãos governamentais. Empresas que estabeleceram suas cadeias de produção na zona de livre comércio da América do Norte estão incertas, enquanto Canadá e México lutam para evitar tarifas; o clima é de pausa nos investimentos e revisão de despesas.
É cedo para afirmar se haverá, de fato, uma recessão nos EUA, ou quanto essa recessão viria acompanhada de pressões inflacionárias que dificultariam a resposta do banco central norte-americano. O ponto é que a incerteza aumentou, tornando o cenário mais imprevisível. Contudo, quanto mais o empresariado americano pisar no freio, maior a probabilidade de que o cenário político no Brasil também mude, favorecendo o governo, pelo menos no curto prazo. Isso porque, quanto menor a demanda na economia americana, maior a chance de queda dos preços das commodities e do dólar, o que reduziria - em vez de aumentar - a inflação.
A inflação é justamente o principal problema de Lula, especialmente de alimentos. As medidas recentemente anunciadas, como a isenção de tarifas de importação de produtos como carne e açúcar, serão inócuas. A solução para esse problema depende de uma queda mais acentuada do dólar e dos preços das matérias-primas. Isso, é claro, assumindo que não haja uma crise mais intensa nos mercados, que poderia anular todo o potencial de ganhos para moedas de países emergentes como o Brasil.
Portanto, é importante estar atento à instabilidade dos mercados internacionais. Se confirmados, os sinais de mudança no cenário econômico e financeiro terão mais impacto sobre a governabilidade e as eleições de 2026 do que a reforma ministerial, ainda em curso.
CNN Brasil - SP 14/03/2025
Os leilões de infraestrutura marcados para 2025 totalizam R$ 73 bilhões em investimentos, segundo levantamento exclusivo da consultoria Radar PPP cedido à CNN. O valor está distribuído entre 61 licitações.
Desse total, 39 leilões estão agendados e 22 já aconteceram. Há R$ 65 bilhões previstos para licitações futuras e R$ 8 bilhões já foram contratados — com a maior parte do valor (R$ 6,4 bilhões) concentrado na concessão da BR-364 em Rondônia, que teve martelo batido no último dia 27.
Entre os leilões agendados, o principal destaque é a concessão dos serviços de água e esgoto para 126 municípios do Pará. O leilão está marcado para o dia 11 de abril e o empreendimento prevê R$ 18,7 bilhões em investimentos.
Também se destaca a concessão ferroviária das linhas 11 (Coral), 12 (Safira) e 13 (Jade) em São Paulo, cujo leilão está previsto para 28 de março, com R$ 14,3 bilhões em investimentos previstos.
Ainda no estado, o certame do túnel submerso Santos-Guarujá acontecerá em 1º de agosto, com o projeto prevendo R$ 6,9 bilhões.
Entre as rodovias, está marcado o certame de concessão de estradas estaduais no Mato Grosso do Sul (MS-040, MS-338, MS-395), para 8 de maio, com R$ 6,9 bilhões em investimentos; e o leilão de seis lotes no Mato Grosso, que acontece nesta sexta-feira (14), com previsão de R$ 7,6 bilhões.
O dado diz respeito aos leilões marcados até esta quinta-feira (13).
Novas licitações devem avançar e ter seus certames agendados, aumentando o montante de investimentos previstos para o ano, destaca o sócio da Radar PPP, Guilherme Naves à CNN.
R$ 77 bilhões foram destravados em 2024
O ano de 2024 teve a assinatura de 204 contratos de concessão “pura” ou de parcerias público-privadas (PPPs), que resultaram em compromissos de investimento de R$ 77,3 bilhões, segundo a Radar PPP
Entre os setores, aquele responsável pelo maior montante foi o de rodovias: quatro projetos totalizaram R$ 26,8 bilhões.
Na sequência aparecem os segmentos de água e esgoto, com R$ 24,6 bilhões, distribuídos em 20 contratos; mobilidade urbana, com R$ 16,2 bilhões em 11 contratos; e resíduos sólidos, com R$ 2,5 bilhões em 15 contratos.
CNN Brasil - SP 14/03/2025
Os preços dos contratos futuros de minério de ferro se recuperaram nesta quinta-feira (13), impulsionados por uma onda de cobertura de posições vendidas à medida que a demanda de curto prazo da China continua resiliente, embora preocupações com a escalada das tensões comerciais tenham limitado a alta de preços.
O contrato de referência de abril do minério de ferro na Bolsa de Cingapura subiu 1,23%, para US$ 101,90 a tonelada.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 0,45%, a 780 iuanes (US$ 107,68) a tonelada.
“Os preços estão basicamente se movendo entre US$ 95 e US$ 110 por tonelada, e sempre que caem abaixo de US$ 100 se recuperam em seguida devido à cobertura de posições vendidas”, disse um trader de minério de ferro baseado em Pequim, pedindo anonimato pois não está autorizado a falar com a imprensa.
“No curto prazo, a produção de metais quentes ainda está se recuperando, então é improvável que haja uma queda drástica nos preços, embora a pressão de queda seja mais intensa na segunda metade do ano, com a entrada em operação de mais oferta.”
A produção de metais quentes, normalmente usada para medir a demanda de minério de ferro, aumentará ainda mais em março devido às margens de aço atrativas, disseram os analistas da Hongyuan Futures em nota.
No entanto, os crescentes atritos comerciais contra produtos de aço baratos da China continuam a ser um obstáculo para a demanda de aço e ingredientes de fabricação de aço.
Os preços do minério de ferro recuaram na quarta-feira, uma vez que o sentimento do mercado foi piorado por novas especulações sobre o plano da China de cortar a produção de aço bruto em um esforço para resolver os problemas de excesso de oferta que assolam o setor.
Veja - SP 14/03/2025
Os riscos geopolíticos dispararam no radar das empresas de mineração neste ano, refletindo as turbulências internacionais em diversas regiões do globo. A constatação é da pesquisa “Top 10 business risks and opportunities for mining and metals”. Trata-se de um estudo realizado anualmente pela consultoria EY com executivos da cúpula das principais mineradoras do mundo. Na edição de 2025, publicada nesta quinta-feira 13, os riscos geopolíticos surgem em terceiro lugar, o que corresponde a um salto de quatro posições em relação à pesquisa de 2024.
“Mais governos estão priorizando a autossuficiência em setores estratégicos, como a mineração, para reforçar a segurança nacional”, afirma o estudo da EY. Entre os exemplos citados pela consultoria, estão a decisão do Japão de subsidiar mais da metade dos custos de produção de minerais críticos, e o anúncio da Arábia Saudita de destinar 182 milhões de dólares a incentivos à mineração.
“O abastecimento mundial de minerais e metais estratégicos é altamente concentrada, criando complexidade geopolítica e enfatizando a importância das cadeias de fornecimento transparentes”, afirma a EY. A transparência é ainda mais necessária, diante do ressurgimento de um viés nacionalista em diversos países, como o movimento “Make America Great Again” promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou à Casa Branca no último dia 20 de janeiro. Duas consequências do nacionalismo são a imposição de sobretaxas e o recrudescimento da guerra comercial entre diversos países.
O aumento de tarifas de importação não é a única ferramenta à disposição, já que os governos podem recorrer a mudanças na legislação para limitar ou acelerar as atividades de mineradoras estrangeiras, seja em seu próprio território, seja impondo restrições não-tarifárias às importações. “Nos próximos doze meses, as políticas e regulamentações dos novos governantes provavelmente vão acelerar as incertezas geopolíticas”, diz o estudo.
Na outra ponta, as preocupações e oportunidades geradas pela inovação apresentaram a maior queda em 2025, na comparação com a edição do ano passado. Esse tópico desceu cinco posições no ranking, ocupando agora a última posição entre os dez maiores riscos e oportunidades do setor de mineração.
Isso não significa, necessariamente, que as empresas investirão menos em inovação nos próximos doze meses. A EY explica que 54% das empresas consultadas pretendem realizar grandes investimentos nessa área, sendo que 15% dos participantes informaram que a verba para inovação será, pelo menos, 20% maior que a de 2024. “Mas muito do foco permanece sobre áreas de baixo risco”, diz a pesquisa, que cita que 45% dos executivos ouvidos disseram que os esforços de inovação serão concentrados em melhorias de processo e em fontes alternativas de energia.
No Brasil, as mineradoras priorizaram outros riscos e oportunidades. No topo da lista das brasileiras, está a preocupação com aumentos de custos e de produtividade. Na pesquisa global, esse item aparece em sexto lugar. Segundo a EY, a disparada do dólar no ano passado, que acumulou uma alta de 27% frente ao real, e a inflação em alta pesam sobre os custos da companhias locais. Com isso, obter ganhos de produtividade é questão de sobrevivência. “A cada tonelada de minério retirada da terra, a próxima tonelada extraída será mais cara, mais funda e com a necessidade de mais processamento”, afirma Afonso Sartorio, líder de Energia e Recursos Naturais da EY Brasil.
A questão fica ainda mais difícil, diante da redução dos teores de minério nas minas em atividade. Assim, para manter a produção, os custos de extração sobem. Não é por acaso, portanto, que a segunda maior preocupação das empresas brasileiras é o esgotamento das reservas. No ranking global, a maior preocupação das mineradoras em 2025 é a gestão de capital. A gestão ambiental vem em segundo lugar, e o esgotamento de jazidas, em quarto. Apesar da alta dos juros promovida pelo Banco Central, os custos de capital ocupam apenas a sexta posição na lista de preocupações e riscos das empresas brasileiras. Em parte, isso é explicado pelo fato de as grandes mineradoras nacionais terem acesso ao mercado internacional de capitais, podendo captar recursos mais baratos que os disponíveis por aqui.
A pesquisa da EY ouviu 353 executivos de grandes mineradoras em todo o mundo, com faturamento anual acima de 1 bilhão de dólares. Presidentes, vice-presidentes e diretores-executivos representaram 35% da mostra.
Valor - SP 14/03/2025
Escritório Pogust Goodhead, que representa as vítimas, espera que uma decisão saia em junho ou julho deste ano
Terminou nesta quinta-feira (13) o julgamento de mérito em Londres da ação contra a mineradora BHP, pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015, que culminou na morte de 19 pessoas e uma tragédia ambiental sem precedentes no país. A sentença deve ser anunciada nos próximos meses.
O escritório Pogust Goodhead, que representa as vítimas, espera que uma decisão saia em junho ou julho deste ano. Caso seja favorável às vítimas, a expectativa é que o processo entre em uma segunda fase, entre outubro de 2026 e março de 2027, sobre o valor das indenizações. Em seguida, haveria uma terceira etapa, ainda sem data, na qual cada reclamante precisará provar seus danos individuais antes que qualquer pagamento seja feito, o que pode ocorrer após 2028.
O escritório informou que, se ganhar a causa, vai pedir a antecipação de parte do pagamento da indenização para as vítimas, para que elas recebam a partir de 2026.
Nesta semana, as duas partes apresentaram suas considerações finais. A BHP é sócia da Vale na Samarco, que operava a barragem em Mariana. Na ação, 630 mil pessoas afetadas pelo rompimento da barragem pedem indenizações, avaliadas em 36 bilhões de libras (mais de R$ 268 bilhões). Se uma das partes decidir apelar da sentença, pode ser aberto um novo processo.
Durante o julgamento, a BHP alegou que prestou assistência financeira a 432 mil pessoas, além de empresas e comunidades indígenas, junto com Vale e Samarco. As ações de indenização e reparação ficaram a cargo da Fundação Renova.
Os advogados das vítimas afirmam que os atingidos não estão satisfeitos com as medidas adotadas até agora. “A BHP vem repetindo a mesma coisa todos os anos, que criou a Fundação Renova [para fazer a reparação], que é falsa, e foi dissolvida no novo acordo feito no Brasil. Estavam oferecendo R$ 1 mil por atingido logo depois da tragédia e R$ 10 milhões para a prefeitura de Mariana, em troca da desistência de qualquer ação contra as empresas. Hoje, na repactuação oferecem R$ 1,2 bilhão para Mariana e R$ 35 mil por atingido”, afirmou a jornalistas Tom Goodhead, diretor-geral da Pogust Goodhead.
O advogado disse ainda que o acordo de repactuação assinado no Brasil pelas empresas e o governo federal, de R$ 170 bilhões, não vai interferir na decisão da justiça de Londres.
“O único impacto é que a BHP vem à justiça inglesa dizer que não tem nenhuma responsabilidade sobre o que aconteceu em Mariana, mas no Brasil assinou com Vale e Samarco o acordo de repactuação de R$ 170 bilhões. Dá para acreditar? Talvez sejam apenas muito generosos”, ironizou Goodhead.
Juliano Duarte, prefeito de Mariana (MG), criticou o acordo fechado no Brasil, alegando que nenhum prefeito foi ouvido e o valor foi um décimo do valor total dos prejuízos dos municípios atingidos pela lama. “Pelo acordo do Brasil, Mariana vai receber R$ 1,2 bilhão em 20 anos. Com a condenação na Inglaterra podemos receber R$ 28 bilhões, sendo que R$ 1,2 bilhão poderia ser pago logo após o resultado do julgamento, como antecipação”, afirmou o prefeito.
Gelvana Rodrigues, uma das vítimas que participa da ação, disse estar aliviada com o fim do julgamento. “A Inglaterra é o único lugar que a gente espera que eles sejam condenados. Já fico aliviada que a Justiça vai ser feita”, afirmou.
O julgamento no Reino Unido começou em 21 de outubro de 2024 e entrou em recesso no fim de janeiro, sendo retomado neste mês. Também em outubro do ano passado, o governo federal assinou a repactuação do acordo de Mariana com as empresas no valor de R$ 170 bilhões, sendo R$ 132 bilhões em recursos novos.
No Brasil, a Justiça absolveu a Samarco, a Vale e a BHP de qualquer responsabilidade pela tragédia, em novembro do ano passado. O Tribunal Regional Federal de Belo Horizonte considerou que as provas não eram “determinantes” para responsabilizar as empresas.
Procurada, a BHP informou que desde o primeiro dia, apoia a Samarco para a garantir compensação e reparação justas e abrangentes para as pessoas e o meio ambiente atingidos pelo rompimento da barragem.
“Nos últimos nove anos, a Samarco e a Renova, apoiadas pela BHP Brasil e Vale, forneceram assistência financeira emergencial e pagaram indenizações a aproximadamente 432.000 pessoas, empresas locais e comunidades indígenas e tradicionais, e está reparando o meio ambiente, moradias e infraestrutura impactadas. Aproximadamente 200.000 requerentes no Reino Unido já receberam um total de R$ 9,5 bilhões por meio dos programas indenizatórios disponíveis no Brasil”, diz a BHP em nota.
A empresa também afirmou que mais de 70 mil pessoas já se inscreveram para um novo e definitivo sistema indenizatório conduzido pela Samarco no Brasil, e que este seria o “caminho mais rápido e eficiente para o recebimento de indenizações”. “Além disso, 26 municípios também assinaram o acordo no Brasil, 15 dos quais são requerentes do Reino Unido e retiraram (ou estão em processo de retirada) suas demandas no Reino Unido”.
A BHP afirmou estar confiante em relação à sua defesa no Reino Unido e às evidências apresentadas. “Continuaremos a nos defender no caso, respeitando o processo legal inglês. A BHP não está envolvida em nenhuma negociação de acordo em relação ao processo inglês e continua certa de que o trabalho em andamento no Brasil desde 2015 é o melhor caminho para garantir uma reparação completa e justa para as pessoas atingidas e para o meio ambiente”, conclui a BHP em nota.
IstoÉ Dinheiro - SP 14/03/2025
A produção de motos teve crescimento de 25,8% em fevereiro, frente ao mesmo mês do ano passado, chegando a 176,7 mil unidades. Na comparação com janeiro, a alta foi de 6,4%.
O balanço foi divulgado nesta quinta-feira, 13, pela Abraciclo, entidade que representa as montadoras de motocicletas instaladas no polo industrial de Manaus (AM), onde é feita a maior parte da produção do veiculo no País.
Nos dois primeiros meses do ano, foram produzidas 342,8 mil motos, um crescimento de 21,7% ante o primeiro bimestre do ano passado.
Ao comentar o balanço, o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, atribuiu o desempenho ao planejamento estratégico das montadoras, que se preparam melhor para as dificuldades do transporte de cargas durante o período de seca na região.
O executivo destaca também a ampliação da capacidade de produção do setor para atender a demanda, puxada nos últimos anos pela expansão dos serviços de entrega (delivery) e pela busca do consumidor por veículos mais baratos e econômicos.
Para 2025, a expectativa da entidade é de crescimento de 7,5% da produção, para 1,88 milhão de motos.
Vendas
As vendas de motos, de 156 mil unidades no mês passado, subiram 14,4% frente a fevereiro de 2024 e 2,6% na comparação com janeiro.
Com isso, o volume no primeiro bimestre chegou a 308 mil motocicletas, alta de 10,1% em relação aos dois primeiros meses do ano passado.
Valor - SP 14/03/2025
A montadora enfrenta vendas fracas e redução de custos de suas operações inchadas
A marca homônima da Volkswagen adiou sua meta de lucratividade em três anos, enquanto a montadora enfrenta vendas fracas e redução de custos de suas operações inchadas.
A VW agora visa uma margem operacional de 6,5% em 2029, em vez do ano que vem, pois corta capacidade e funcionários para compensar a menor demanda na Europa e na China. Os retornos da marca caíram para 2,9% no ano passado, disse quinta-feira, o menor desde 2020.
“Enfrentamos e continuaremos a enfrentar ventos contrários significativos, crescimento menor do que o esperado em mercados-chave e inflação persistente”, disse o diretor financeiro da marca, David Powels, durante uma ligação discutindo os lucros da VW.
A queda nas vendas na China e a concorrência cada vez mais acirrada na Europa — que ainda não retornou aos níveis de demanda pré-pandemia — pesaram na lucratividade da VW. Os esforços de recuperação anteriores foram prejudicados por lançamentos fracassados de veículos elétricos.
O CEO do grupo, Oliver Blume, fechou um acordo com sindicatos no final do ano passado para tornar a marca mais eficiente. As medidas incluem o corte de capacidade em suas unidades alemãs em várias centenas de milhares de unidades e a redução da força de trabalho em mais de 35.000 nos próximos cinco anos. A marca está projetando uma margem operacional de mais de 4% este ano e 5,5% em 2027.
A VW está planejando vários EVs econômicos para conquistar os consumidores pressionados da Europa, mas o primeiro deles — um EV abaixo de 25 mil euros apelidado de ID. 2all — não será entregue até o ano que vem. A marca também tem grandes esperanças para o ID. EVERY1 de 20 mil euros, um EV compacto que deve começar a ser produzido em dois anos em Portugal.
“Com carros pequenos, a expectativa de margem de 6,5% é grande”, disse Powels, acrescentando que está confiante de que a marca alcançará esses retornos até 2029.
Valor - SP 14/03/2025
Entidade argumenta que a expansão dos saques do Fundo pode comprometer sua sustentabilidade e prejudicar milhões de brasileiros que dependem do crédito habitacional
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) reforçou sua preocupação com a coexistência do novo crédito consignado privado e do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que inclui a antecipação, pelos bancos, desses recursos do Fundo aos trabalhadores. Segundo a entidade, a extinção do saque-aniversário é necessária para “garantir a sustentabilidade” do Fundo.
O novo crédito consignado privado prevê, futuramente, o uso de parte dos recursos do FGTS como garantia do empréstimo com desconto em folha de pagamento. Ainda será regulamentada a possibilidade de uso como garantia de até 10% do saldo no FGTS e de 100% da multa rescisória em caso de demissão
Com a existência de ambas as linhas, a Abrainc argumenta que a expansão dos saques do Fundo pode comprometer sua sustentabilidade e prejudicar milhões de brasileiros que dependem do crédito habitacional para conquistar sua casa própria.
Na visão da Abrainc, é necessária a descontinuação do saque-aniversário, uma vez que o trabalhador já terá acesso a uma nova modalidade de crédito com taxas competitivas.
“O empréstimo do ‘consignado saque-aniversário’ bloqueia os recursos antecipados pelos cotistas, o que compromete o acesso dos trabalhadores ao saldo de suas contas do FGTS na hora de comprar imóveis e em situações de emergência. Precisamos ainda considerar que, no consignado e-Social (novo consignado privado), 10% dos recursos do cotista também serão bloqueados”, disse a Abrainc.
A associação acrescenta que o FGTS “já sofre com os efeitos negativos do saque-aniversário”. Segundo eles, a modalidade já retirou mais de R$ 142 bilhões do fundo, comprometendo sua destinação original: financiar moradias para a população de baixa renda, obras de saneamento e infraestrutura.
O percentual de beneficiários do programa “Minha Casa, Minha Vida” (MCMV) que usam o FGTS para dar entrada no imóvel caiu de 73% em 2020 para 30% em 2024, diz a Abrainc. “Caso as duas medidas sigam de forma paralela irá comprometer a geração de empregos e renda de forma significativa. A construção contribuiu com 7% do PIB e 10% dos empregos no Brasil”, acrescentaram.
Valor - SP 14/03/2025
Ferrovia é vista como essencial para o transporte de produtos como grãos, fertilizantes, cimento, combustíveis, minério e outros, da região de Matopiba, que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia
A ferrovia Transnordestina está em fase decisiva para sua conclusão, com investimentos garantidos e uma estrutura de financiamento sólida, afirmou, nesta quinta-feira (13), Antonio Marco Campos Rabello, diretor financeiro e de relações com investidores da CSN. A ferrovia é um empreendimento conjunto da siderúrgica e do governo federal.
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Segundo o executivo, o projeto conta com autorizações de financiamento, incluindo recursos do governo, e deve ser finalizado em pouco mais de dois anos.
“Hoje, a Transnordestina tem basicamente todo o seu ‘funding’ equacionado, com financiamento de longo prazo e custo reduzido, e também vem com uma liberação do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Além disso, metade dos recursos captados será transformada em ‘equity’ [participação acionária] dentro do projeto, garantindo uma ferrovia moderna e desalavancada desde o início”, afirmou Rabello, em teleconferência com acionistas e investidores.
No trecho entre o Complexo Industrial e Portuário de Pecém, no Ceará, e Eliseu Martins (PI), a ferrovia pertence à Transnordestina Logística, subsidiária da CSN. A obra já possui R$ 600 milhões em caixa e deve receber R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre de 2025, além de mais R$ 1 bilhão no fim do ano.
Com 80% dos trechos já contratados, o avanço do projeto reforça a expectativa do executivo de que a ferrovia será um ativo estratégico para o futuro da companhia – e para o escoamento de cargas no Nordeste brasileiro.
A Transnordestina é vista como essencial para o transporte de diversos produtos, como grãos, fertilizantes, cimento, combustíveis, minério, entre outros, da região conhecida como Matopiba, que engloba os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A Tribuna - SP 14/03/2025
O Porto de Santos poderá subir de posição no ranking dos maiores portos do mundo com o futuro Terminal Portuário Logístico (TPL), um terminal de uso privado (TUP) da Triunfo Participações e Investimentos. O complexo porto-ferroviário será instalado na Área Continental de Santos e movimentará 20 milhões de toneladas por ano, quase o total movimentado pelo Porto de Vila do Conde (Pará) em 2024, que foi de 19 milhões de toneladas. O projeto está em fase de elaboração de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima).
Escala mundial
Para o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, o TPL “confirma a importância crescente do Porto de Santos para o cenário econômico do Brasil e com potencial ainda maior de expansão em escala mundial”.
Pomini diz que o TPL confirma a tendência de interesse do setor privado na região. “Por isso, propusemos um aumento inédito na poligonal do Porto Organizado, que saltará, em alguns anos, dos atuais 8 milhões de metros quadrados para mais de 20 milhões de metros quadrados, abrindo perspectivas para novos investimentos deste tipo, multipropósitos, integrados ao nosso projeto de ampliação do modal ferroviário, que recebe aporte de R$ 1 bilhão da Fips (Ferrovia Interna do Porto de Santos)”.
O terminal
O TPL foi autorizado por meio do contrato de adesão 02/2022, firmado com a União e intermediado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Em 2024, a Antaq deferiu o pedido da Triunfo prorrogando a adesão por mais dois anos. O investimento previsto no empreendimento é de R$ 5,3 bilhões.
Licenças
“O empreendimento se encontra na fase de elaboração do Estudo e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima), necessários para a obtenção da Licença Prévia a ser emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). A construção terá início após a obtenção de todas as licenças”, informou a Triunfo em nota.
A companhia quer movimentar toda a carga exclusivamente por ferrovia “minimizando problemas no trânsito. O projeto foi concebido para que toda a carga prevista para o terminal possa ser movimentada por esse modal”.
Localização deve minimizar gargalos logísticos
O diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da empresa, Dorival Pagani Junior, afirma que o futuro complexo porto-ferroviário está alinhado ao Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos e à Lei de Uso de Ocupação de Solo da Cidade. “A área da região denominada como Barnabé-Bagres foi considerada prioritária sobre as demais do interior do estuário”, afirmou.
Pagani pontua que a localização atende à demanda futura de carga, sendo afastada dos centros urbanos, mitigando gargalos logísticos.
Os acessos rodoviários são pela Ilha de Barnabé, pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni e Rio-Santos. Já o aquaviário é pelo canal de navegação do Porto, área nas bacias de evolução e giro e área de manobra e atracação.
Por fim, o acesso ferroviário é via ramal operado pela MRS, contando ainda com ramais internos e um túnel. Além disso, será construída uma pera ferroviária, cruzando oito linhas ferroviárias que receberá trens com até 80 vagões.
O empreendimento contará com quatro terminais em terra, um para cada tipo de carga: grãos, celulose, combustíveis e fertilizantes. Os produtos serão escoados por cinco berços de atracação de navios, sendo dois para combustíveis, um para grãos, um para celulose e um para fertilizantes.
Reunião pública
O estudo preliminar de impacto ambiental do TPL será apresentado em reunião pública na próxima terça-feira, às 18 horas, no Teatro Procópio Ferreira (Avenida Dom Pedro l, 350, no Jardim Tejereba), em Guarujá.
Petro Notícias - SP 14/03/2025
A Transpetro ampliou sua presença na logística marítima brasileira ao registrar 959 operações de transbordo de petróleo e derivados entre navios (ship to ship) em 2024. O número representa um aumento de 9,2% na comparação com 2023. Assim, a Transpetro consolidou 70% de participação no mercado de ship to ship. O crescimento foi impulsionado, sobretudo, pelas regiões Norte e Nordeste, onde a demanda por soluções logísticas eficientes tem crescido.
Como já é de conhecimento do mercado, o ship to ship consiste na transferência de carga entre embarcações atracadas lado a lado, utilizando apenas um berço, o que agiliza o fluxo portuário e reduz custos operacionais. A Transpetro realiza essas operações em 13 localidades no Brasil, permitindo o uso de navios de maior porte e uma redução de até 30% nos custos de transporte.
O gerente executivo de Desenvolvimento de Negócios e Comercialização da Transpetro, Gustavo Rosindo, atribui o avanço ao plano estratégico da companhia. “A Transpetro investe em novas oportunidades de negócios, parcerias estratégicas e diversificação de clientes para fortalecer sua posição no mercado. O avanço das operações no Norte e Nordeste demonstra nossa capacidade de adaptação e compromisso com a eficiência logística, permitindo que a empresa continue crescendo de forma sustentável”, destaca.
No Norte, o crescimento das operações foi de 32% em 2024 quando comparado ao ano anterior, passando de 247 para 325 operações. O destaque ficou para as operações realizadas em Itacoatiara (AM) e Manaus (AM), impulsionadas pela infraestrutura logística e pela localização estratégica na Amazônia.
No Nordeste, o Ceará registrou um salto de duas para 14 operações, enquanto São Luís avançou de quatro operações para 17, reforçando esses polos como essenciais para o escoamento da produção nacional. No Maranhão, a Transpetro poderá ainda aumentar a sua eficiência e atendimento a partir da ampliação das operações ship to ship para mais um berço no Porto de Itaqui. No último mês de fevereiro, a companhia participou de uma operação piloto que possibilitará a atracação de mais uma embarcação no porto e a realização de duas operações ship to ship simultâneas.
Valor - SP 14/03/2025
País é um dos principais com operações de exploração e produção de petróleo na Margem Equatorial
Em busca de uma cooperação entre os países, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, teve uma reunião nesta quinta-feira (13) com o presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, em Houston, nos Estados Unidos. A Guiana é um dos principais países com operações de exploração e produção de petróleo na Margem Equatorial. Chambriard e Irfaan Ali discutiram oportunidades de integração regional e de parcerias no país vizinho.
Ambos participam da Ceraweek, evento de energia promovido pela consultoria global S&P. A Petrobras teve reuniões também com outros países no âmbito da Ceraweek, como a Namíbia, onde a companhia já manifestou interesse em blocos exploratórios, e a Costa do Marfim.
Em sua fala no fórum na terça (11), o presidente da Guiana fez uma espécie de propaganda de seu país e convidou presidentes de grandes companhias, incluindo a Petrobras, a colocarem as oportunidades por lá no radar: “Nossa história vai além do óleo e gás. O petróleo é responsável por grande parte do desenvolvimento do país, mas coloquem a Guiana nos seus radares. Temos mais blocos [de exploração de petróleo] para leilão.”
Em 2023, a Petrobras chegou a manifestar interesse em um leilão de áreas da Guiana, mas não adquiriu blocos. A americana Exxon é a petroleira que domina a produção do hidrocarboneto na Guiana.
A Guiana se tornou em 2024 o quinto maior exportador de petróleo da América Latina, de acordo com a agência Reuters, atrás apenas de Brasil, México, Venezuela e Colômbia. Irfaan Ali disse, na terça (11), que considera uma parceria para exportar óleo cru aos Estados Unidos para ser refinado e retornar ao país sul-americano como combustível. A Guiana não tem refinarias e, segundo a Reuters, tem discutido parcerias com a República Dominicana para construir uma pequena unidade.
Presidente da Petrobras, Magda Chambriard — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Globo Online - RJ 14/03/2025
A CCR quer fazer caixa e participar de novas rodadas de concessão de rodovias, ativos de maior margem de ganho. No ano passado, a empresa já havia tornado público seu plano de se desfazer de concessões de aeroportos e de procurar sócios minoritários para sua operação de mobilidade, durante o CCR Day, no qual foram discutidas metas da empresa até 2035.
Ainda assim, a empresa, que tem um portfólio composto por 17 aeroportos no país, além de linhas de metrô, trens e VLT no Rio, não tem pressa em negociar seus ativos.
A companhia contratou o banco Itaú BBA e a Lazard, assessoria financeira especializada em fusões e aquisições, para tratar dos aeroportos. Os bancos BTG e Goldman Sachs buscarão interessados, inclusive estrangeiros, em investir nos ativos de mobilidade.
Mais de 49% das ações da CCR são negociadas em Bolsa. No ano, os papéis sobem mais de 13%. Entre os acionistas com maior participação estão Soares Penido, Votorantim, Itaúsa e Grupo Mover (ex-Camargo Corrêa).
Investimento realizado
Ontem, a empresa prestou esclarecimentos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM, órgão regulador do mercado) e afirmou que “não obstante a contratação dos assessores financeiros”, reitera que “não há qualquer negociação sobre potenciais movimentos ocorrendo no momento”, qualquer acordo vinculante ou perspectiva concreta de efetivação de operação.
— Com várias concessões em curso, muitas empresas estão reavaliando seus ativos. Fazem caixa e reciclam portfólios para entrar nas próximas rodadas — diz Juan Landeira, diretor senior da A&M Infra.
Um analista que prefere não se identificar lembra que a CCR decidiu ficar fora da disputa da sétima rodada de concessões de aeroportos e perdeu a chance de levar Congonhas, que poderia trazer mais sinergia aos terminais que a empresa administra nas regiões Sul e Sudeste.
Mas, para ele, o fator principal para a venda é a margem de ganho, muito maior em concessões de estradas, diz o analista, do que com os terminais aéreos ou ativos de mobilidade urbana. Na conferência de resultados da empresa relativos a 2024, o comando da CCR disse que o período foi fundamental para as obrigações de obras em 14 aeroportos. Ou seja, o grande bloco de investimentos que era necessário na primeira fase já foi feito.
Entre os terminais que fazem parte do portfólio da CCR estão: Curitiba, Belo Horizonte, Goiânia, São Luís e Pelotas. Por ano, são transportados 43 milhões de pessoas nesses terminais. Entre os ativos de mobilidade estão o VLT no Rio, as linhas amarela (linha 4) e lilás (linha 5) do metrô de São Paulo, as linhas 8 (diamante) e 9 (esmeralda) dos trens da antiga CPTM e o metrô da Bahia. A concessão de barcas no Rio que a empresa detinha encerrou-se em fevereiro.
Outro analista a par do tema afirma que a CCR pretende rever seu portfólio, mas não vai se desfazer de ativos “a preço de banana”. Procurada, a CCR não comentou o assunto.
IstoÉ Dinheiro - SP 14/03/2025
O País deve colher neste ano mais soja, milho, algodão, sorgo, arroz e feijão. Se confirmadas as projeções, a colheita será recorde para a soja e para o algodão. Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de fevereiro, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
São esperados aumentos em 2025 para a soja (alta de 13,4%, para um recorde de 164,4 milhões de toneladas) e o milho (8,8%, para 124,8 milhões de toneladas).
O milho 1ª safra terá alta de 10,3%, para 25,3 milhões de toneladas, e o milho 2ª safra terá aumento de 8,4%, totalizando 99,5 milhões de toneladas.
As projeções são de aumentos também para o arroz (9,0%, para 11,5 milhões de toneladas), feijão (9,6%, para 3,4 milhões de toneladas), algodão (1,8%, para um novo recorde de 9,0 milhões de toneladas) e sorgo (3,7%, para 4,1 milhões de toneladas). O trigo deve encolher 3,8%, para 7,2 milhões de toneladas.
A safra agrícola de 2025 deve totalizar um recorde de 323,8 milhões de toneladas, 31,1 milhões de toneladas a mais que o desempenho de 2024, um aumento de 10,6%.
Em relação ao levantamento de janeiro, houve um recuo de 0,5% na estimativa, 1,6 milhão de toneladas a menos.