Valor - SP 18/03/2025
Em janeiro, as empresas entraram com um processo contra o governo, argumentando que a recomendação para bloquear a fusão foi influenciada por interesses políticos
A Nippon Steel e a U.S. Steel receberam uma extensão no processo judicial sobre sua possível fusão, permitindo que as negociações com o governo dos Estados Unidos por uma resolução amigável continuem por mais tempo.
O Departamento de Justiça dos EUA apresentou um pedido para prorrogar em 21 dias os prazos para divulgação de documentos no processo movido pelas duas siderúrgicas, após o governo tentar bloquear a fusão.
O argumento oral na ação judicial também foi adiado para 12 de maio, em vez de 24 de abril, segundo um documento protocolado na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês).
A extensão tem como objetivo permitir que o governo conclua as discussões em andamento com as empresas sobre a fusão, evitando a necessidade de uma decisão judicial definitiva, afirmou o documento.
A siderúrgica japonesa Nippon Steel anunciou, em dezembro de 2023, a compra da produtora de aço U.S. Steel. O Comitê de Investimentos Estrangeiros analisou o negócio e, como resultado, o então presidente Joe Biden emitiu uma ordem bloqueando a transação por preocupações com a segurança nacional.
Em janeiro, as empresas entraram com um processo contra o governo, argumentando que a recomendação para bloquear a fusão foi influenciada por interesses políticos. Segundo as empresas, Biden teria tomado a decisão para ganhar apoio do sindicato United Steelworkers (USW) nas eleições presidenciais.
O presidente Donald Trump declarou, em fevereiro, que não se oporia a uma participação minoritária da Nippon Steel na U.S. Steel.
IstoÉ Dinheiro - SP 18/03/2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não tem intenção de criar isenções sobre as tarifas de aço e alumínio e disse que taxas recíprocas e setoriais serão adotadas em 2 de abril.
No mês passado, Trump aumentou as tarifas sobre as importações de aço e alumínio para 25%, sem isenções ou exceções, em uma medida que foi projetada para ajudar a indústria dos EUA e, ao mesmo tempo, contribuir para uma escalada da guerra comercial.
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Falando a repórteres no Air Force One, Trump disse que as tarifas recíprocas sobre os parceiros comerciais dos EUA virão junto com tarifas sobre automóveis.
“Em certos casos, ambos”, disse Trump quando questionado se vai impor tarifas setoriais e recíprocas em 2 de abril. “Eles nos cobram e nós os cobramos. Então, além disso, nos automóveis, no aço, no alumínio, teremos alguns adicionais”, disse ele.
Trump já havia dito anteriormente que adotará tarifas recíprocas a amigos e inimigos dos EUA no início de abril.
CNN Brasil - SP 18/03/2025
Em carta ao chefe do USTR (escritório de representação comercial da Casa Branca), Jamieson Greer, a principal entidade representativa do aço nos Estados Unidos definiu o Brasil como a “China da América Latina” e acusou o governo brasileiro de “subsidiar pesadamente” a indústria siderúrgica local.
O ofício foi encaminhado pelo presidente da Steel Manufacturers Association (SMA), Philip Bell, no âmbito da consulta pública do USTR para “avaliar e identificar qualquer prática comercial injusta ou sem reciprocidade” por parte de outros países.
O presidente Donald Trump impôs tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio de todos os fornecedores para o mercado americano, incluindo o Brasil, que abriu negociações com a Casa Branca.
Bell começa sua carta dizendo que os Estados Unidos tiveram um déficit de 18 milhões de toneladas de aço em 2024. Nos últimos dez anos, segundo, as importações no setor superaram as exportações em 200 milhões de toneladas.
O executivo afirma, citando números da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que o mundo tem um excesso de capacidade de 644 milhões de toneladas em 2025.
De acordo com ele, essa “sobra” está gerando uma oferta de produtos siderúrgicos que caracteriza um surto de importações pelos Estados Unidos, não apenas da China, mas de uma série de outros parceiros comerciais.
Um longo trecho no ofício de 40 páginas, então, é dedicado especificamente ao Brasil.
O país, segundo Bell, tem uma capacidade de produção de 50,9 milhões de toneladas — mas produziu apenas 31,8 milhões de toneladas em 2023.
Apesar da capacidade ociosa, a associação afirma que as siderúrgicas brasileiras anunciaram recentemente um plano de R$ 100 bilhões para expandir sua produção.
As exportações americanas de aço para o Brasil, diz a carta, são dificultadas por uma tarifa média de 12,6% — mas que pode ir para 20% e até 35%, dependendo do produto.
Além disso, argumenta a SMA, o Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) — uma taxa sobre o valor do frete cobrado por companhias de navegação que usam os portos brasileiros — tira a competitividade do aço americano no Brasil.
“O Brasil também subsidia pesadamente sua indústria siderúrgica doméstica. Isso dá aos produtores brasileiros vantagens injustas no comércio global e torna mais difícil para os produtores americanos competir com o Brasil em terceiros mercados”, diz Bell na carta.
Em seguida, o executivo destaca o papel do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na concessão de linhas de crédito subvencionadas.
Ele cita o Finame – Baixo Carbono, uma linha de crédito oferecida pelo BNDES para a compra de sistemas de geração de energia fotovoltaica e eólica, aquecedores solares, ônibus e caminhões elétricos, equipamentos com maiores índices de eficiência energética.
Além do BNDES, o governo brasileiro tem “mais de 120 empresas estatais”, continua a carta, que menciona setores como óleo e gás, eletricidade, transportes e bancos. Ela se refere ao Brasil como “a China da América Latina”.
O aço exportado pelo Brasil aos Estados Unidos é principalmente de produtos semi-acabados, que depois são aproveitados pela própria indústria siderúrgica na confecção de bens finais — como chapas, tubos e fios — para a construção civil, fabricantes de automóveis, gasodutos, torres de transmissão de energia.
De acordo com a carta da SMA, dois dos terços do investimento e dos empregos no setor vêm da produção especificamente de semi-acabados.
Nesse caso, 70% das importações americanas de placas de aço vieram do Brasil. O presidente da associação chama isso de “suprimento desnecessário” no ofício ao USTR.
IstoÉ Dinheiro - SP 18/03/2025
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu a previsão de crescimento do Brasil em 2025, de 2,3% para 2,1%, e para 2026, de 1,9% para 1,4%, de acordo com o Interim Economic Outlook. As estimativas anteriores foram realizadas em dezembro. Segundo o relatório, a redução da velocidade da economia do País no biênio deve ocorrer devido à elevação de juros pelo Banco Central e por efeitos ao nível de atividade provocados pela alta de tarifas a aço e alumínio exportados aos EUA.
“É esperado que a expansão no Brasil desacelere em relação ao seu recente ritmo rápido, pois o impacto do aperto da política monetária e das tarifas mais altas sobre as exportações de aço e alumínio para os Estados Unidos reduzirá o crescimento de 3,4% em 2024 para 2,1% em 2025 e 1,4% em 2026.”
A redução das projeções para o produto interno bruto do Brasil pela OCDE ocorre em contexto no qual a instituição prevê uma moderação da economia global em 2025 e 2026 devido “a maiores barreiras comerciais” nos países membros do G20 e “aumento de incertezas geopolíticas e de políticas pesando sobre investimento e gasto de famílias.”
A OCDE prevê que o crescimento global baixará de 3,2% em 2024, para 3,1% em 2025 e 3,0% em 2026.
Em relação à inflação no Brasil, a OCDE aumentou suas projeções de 4,2% para 5,4% em 2025 e de 3,6% para 5,3% em 2026. O documento destaca que o Banco Central tem elevado os juros no País “para assegurar que as expectativas de inflação continuem bem ancoradas.”
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico destacou que a taxa de desemprego “está particularmente baixa” no Brasil e Turquia, em comparação ao período 2018-2019, biênio anterior à pandemia.
O Estado de S.Paulo - SP 18/03/2025
Esta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá se reunir e o mercado projeta um aumento de um ponto percentual na Taxa Selic, elevando o juro básico da economia para 14,25%. Embora os juros no mercado sejam bem superiores a esse, ela serve como orientação para a definição das demais taxas. No atual cenário, faça muito bem as contas antes de comprar em várias vezes. E não recorra ao crédito rotativo dos cartões.
Entre agosto de 2020 e janeiro de 2021, em plena pandemia de coronavírus, a Selic ficou em 2%, a fim de estimular o crescimento econômico. Em março de 2021, retomou sua trajetória de elevação, interrompida em agosto de 2023, e foi caindo até julho do ano passado. De lá para cá, já aumentou 2,75 pontos percentuais, e este aumento poderá chegar a 3,75 pontos percentuais nesta quarta-feira, a se confirmar o índice que será definido pelo Copom.
Mais do que uma sopa de números, o que interessa ao consumidor é perceber que os juros estão muito elevados, e que isso se reflete, por exemplo, nos empréstimos e financiamentos. Na prática, ficam mais caros, por exemplo, financiamentos para comprar um carro ou uma casa, duas compras que envolvem grandes somas de dinheiro.
Portanto, antes de qualquer decisão de compra, faça e refaça as contas. E, mais do que o orçamento doméstico e de avaliação de quanto tem investido em aplicações ou do seu saldo no Fundo de Garantia, avalie também se confia em continuar no emprego ou se sua microempresa terá faturamento suficiente para pagar contas mais salgadas.O ideal seria comprar sempre à vista. E, nos casos de casa própria e automóvel, ter condições para dar uma entrada significativa, da ordem de 30% a 40%. Assim, teria mais fôlego para pagar as prestações.
É claro que não há como escapar de despesas obrigatórias - condomínio, aluguel, prestações da casa, escola dos filhos, luz, água, gás, impostos -, nem de gastos essenciais, como alimentação, medicamentos, transporte, vestuário básico.
Mas sempre é possível comparar preços e evitar, ao máximo, as compras por impulso. Seja rigoroso no orçamento doméstico e adie gastos que não sejam urgentes. Assim que a inflação der sinais de estar mais controlada, haverá a possibilidade de estabilidade e até de redução da Taxa Selic. Em algum momento, essa queda chegará aos juros em geral, abrindo novamente o horizonte para o consumo menos restritivo.Fique atento ao noticiário econômico, e não avance o sinal.
Globo Online - RJ 18/03/2025
O presidente Donald Trump afirmou que imporá tanto tarifas recíprocas amplas quanto tarifas adicionais específicas para setores a partir de 2 de abril. A bordo do Air Force One, Trump disse a repórteres que, “em certos casos, ambos” os tipos de tarifas serão aplicados a produtos estrangeiros importados pelos Estados Unidos.
— Eles nos cobram, e nós cobramos deles, e além disso, sobre automóveis, aço e alumínio, vamos impor tarifas adicionais — disse Trump no domingo.
As declarações indicam que o presidente americano pretende avançar com um regime tarifário mais agressivo, apesar das medidas iniciais terem abalado os mercados financeiros e tensionado alianças internacionais.
Trump já afirmou anteriormente que seu governo está preparando o que ele chamou de “tarifas recíprocas” — que aplicariam tarifas às importações de cada país com base em uma taxa calculada considerando as barreiras tarifárias e não tarifárias impostas por esses países aos EUA.
Mas o presidente também declarou que quer fortalecer indústrias estratégicas dos EUA, como automóveis, aço, alumínio, microprocessadores e produtos farmacêuticos. Ainda não está claro se essas tarifas setoriais serão incorporadas às tarifas recíprocas ou adicionadas separadamente.
— 2 de abril é um dia de libertação para o nosso país. Estamos recuperando parte da riqueza que presidentes muito, muito tolos entregaram porque não faziam ideia do que estavam fazendo — afirmou.
Trump já impôs uma tarifa de 20% sobre a China, além de uma taxa de 25% sobre aço e alumínio. Ele também anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos canadenses e mexicanos, mas posteriormente concedeu uma prorrogação de um mês para bens que estivessem em conformidade com o acordo comercial americano, conhecido como USMCA, negociado durante seu primeiro mandato.
Ele também afirmou que o setor de energia canadense e a potassa, um fertilizante essencial, sofreriam apenas um imposto de 10%.
IstoÉ Dinheiro - SP 18/03/2025
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,796 bilhão na segunda semana de março. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 17, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,559 bilhões e importações de US$ 5,763 bilhões.
No mês, o superávit acumulado é de US$ 4,826 bilhões e, no ano, de US$ 6,760 bilhões.
Até a segunda semana de março, a média diária das exportações registrou alta de 31% em relação à média diária do mesmo mês de 2024. O resultado se deu devido ao crescimento de 44,0% em Agropecuária, que somou US$ 4,09 bilhões; crescimento de 15,6% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 2,99 bilhões e, por fim, crescimento de 31,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 7,31 bilhões.
Já as importações tiveram crescimento de 17,9% na mesma comparação, com crescimento de 52,2% em Agropecuária, que somou US$ 0,29 bilhão; queda de -20,0% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 0,45 bilhão e, por fim, crescimento de 19,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 8,85 bilhões.
Agência Brasil - DF 18/03/2025
As previsões do mercado financeiro para a expansão da economia e o índice de inflação em 2025 foram reduzidas, de acordo com a edição desta segunda-feira (17) do Boletim Focus. A pesquisa é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Para este ano, a expectativa para o crescimento da economia caiu de 2,01% para 1,99%. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB - a soma dos bens e serviços produzidos no país) passou de 1,7% para 1,6%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.
Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.
A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,98 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 6.
Inflação
A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – caiu de 5,68% para 5,66% este ano. É a primeira redução na projeção após mais de 20 elevações.
Para 2026, a projeção da inflação subiu de 4,4% para 4,48%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,78%, respectivamente.
A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.
Puxada pela alta da energia elétrica, em fevereiro, a inflação oficial ficou em 1,31%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o maior resultado desde março de 2022, quando tinha marcado 1,62%, e o mais alto para um mês de fevereiro desde 2003 (1,57%). Em 12 meses, o IPCA soma 5,06%.
Juros básicos
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A alta do dólar e as incertezas em torno da inflação e da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros na reunião de janeiro, o quarto aumento seguido da Selic, que consolida um ciclo de contração na política monetária.
Em relação às próximas reuniões, o Copom já confirmou que elevará a Selic em um ponto percentual, para 14,25% ao ano, na reunião que ocorre esta semana, mas não informou se as altas continuarão na reunião de maio, apenas que observará a inflação.
Até o fim deste ano, a estimativa do mercado financeiro é que a taxa básica suba para 15% ao ano. Para 2026, 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida para 12,5% ao ano, 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
Money Times - SP 18/03/2025
A Vale (VALE3), apesar das incertezas em torno do minério de ferro (e da China), ainda é a favorita do Itaú BBA, que reiterou compra para o papel, com preço-alvo de R$ 75, abrindo potencial de alta de 33% em relação ao fechamento da última sexta-feira (17).
Para a corretora, a ação pode render 11% em dividendos para 2025 a 2027, o que é elogiado por analistas. Daniel Sasson, que assina o relatório, diz que a empresa está focada em diminuir custos ao mesmo tempo que reavalia projetos futuros, podendo se traduzir em proventos mais gordos para o acionista.
O BBA afirma ainda que a mineradora está fazendo o esforço para ‘vender seu peixe’ para investidores estrangeiros, agora que a maioria dos problemas foi resolvido, como a escolha do CEO, a renovação da concessão de ferrovias e o acordo da multa de Mariana.
“Acreditamos que a Vale está se tornando uma história mais clara de crescimento da produção, redução de custos, otimização de capex e desalavancagem, o que pode levar a uma reclassificação e uma redução do desconto em relação aos pares australianos”.
E como ficará a oferta?
Do lado da produção e demanda, a Vale diz que trabalha com cenário de produção flexível para se preparar e se proteger do sobe e desce do minério de ferro.
Nesta segunda, inclusive, o contrato futuro caiu 1,14% após ter disparado mais de 2% na sexta. As atenções estão voltadas para o plano da China para reaquecer a economia do país.
Seja como for, a empresa acredita que um declínio potencial nas taxas de produção de aço da China (estabilizando entre 900-950 milhões de toneladas nos próximos 5-10 anos) pode ser compensado por uma maior produção na Índia, Oriente Médio, e Sudeste Asiático.
Dividendos da Vale; vai ou não vai?
Apesar dos elogios do Itaú BBA, outra casa está mais pessimista com a ação. Na semana passada, o UBS-BB iniciou a cobertura com preço-alvo de US$ 10,5 para as ADRs e recomendação neutra.
Entre os pontos de cautela da corretora está a perspectiva para o minério de ferro. Segundo os analistas, enquanto os preços se manterão estáveis, a oferta nos principais produtores, entre eles Brasil, Austrália e África, deve continuar aumentando.
Nos cálculos dos analistas, a oferta da commodity crescerá 1%, enquanto os preços ficarão em US$ 100.
Com a China, o UBS-BB acredita que o estímulo gere um modesto impulso de demanda que compense parcialmente a fraqueza no setor imobiliário.
Outro problema diz respeito a multa de Mariana e Brumadinho, que chega a R$ 170 bilhões, cerca de US$ 30 bilhões, o que pode atrapalhar o caixa da empresa.
Valor - SP 18/03/2025
Analistas têm esperado que, depois de um período de sobreoferta de aço, a China coloque em prática os planos de reduzir a produção siderúrgica em 2025
Analistas de mercado esperam que o minério de ferro se estabilize no patamar dos US$ 100 por tonelada daqui em diante. Para o Goldman Sachs, esse deve ser o preço médio da “commodity” no primeiro semestre de 2025, com os fundamentos de mercado relativamente equilibrados até ultrapassarem a fase de excesso de oferta de aço, o que deve ocorrer, segundo o banco, no fim do ano.
O UBS BB, por sua vez, acredita que a sobreoferta siderúrgica se manterá por mais tempo. Na sexta-feira (14), o futuro de minério de ferro negociado em Dalian subiu 2,32%, a US$ 109,59 a tonelada.
Os analistas têm esperado que, depois de um período de sobreoferta de aço, a China coloque em prática os planos de reduzir a produção siderúrgica em 2025. O cenário ainda pode ficar mais delicado com uma eventual escalada da guerra comercial entre os Estados Unidos e o país asiático.
Há, ainda, a expectativa de que o governo chinês inicie uma reforma econômica com uma série de medidas que reduzam a capacidade de maneira mais ampla, o que gera dúvidas sobre os efeitos nos preços do minério de ferro.
Para o Goldman Sachs, a previsão é que o declínio na produção de aço bruto chinês até o fim do ano faça com que os estoques de minério de ferro aumentem no último trimestre, o que, para o banco, pode levar os preços a se aproximarem dos US$ 90 por tonelada.
O UBS BB afirma que o minério de ferro deve se manter entre US$ 90 e US$ 100 por tonelada pelos próximos três a quatro anos. “No cenário base, esperamos que haja um excedente de minério no mercado até 2028, mas que deve se equilibrar com os altos custos atuais. Não esperamos que haja redução significativa na curva de custo com mão de obra, consumíveis e frete, com melhorias de produtividade ainda desafiadoras sem um aumento no volume”, disse o banco, em relatório.
Para o UBS BB, há um risco de a cotação ficar mais perto dos US$ 90 por tonelada se a demanda por aço na China cair de maneira significativa entre 2025 e 2026. Para levar o preço do minério de ferro para acima dos US$ 120 por tonelada, na visão da instituição, seria necessário que a demanda por aço e a produção aumentassem na China, o que poderia acontecer caso um futuro programa de estímulos seja eficiente.
O banco destaca a expectativa de aumento de oferta de cerca de 20 milhões de toneladas por parte de países como a Austrália, com nove milhões de toneladas, o Brasil, com mais 9 milhões, e outras regiões como África, Ucrânia e América do Norte, com 2 milhões.
Conforme o Citi, ainda não está claro como a China irá implementar as reformas econômicas: “Estamos céticos sobre um possível novo ciclo de forte desempenho do minério de ferro. Nosso caso base assume que a demanda geral por aço na China permanecerá moderada”. O banco também estima os preços da “commodity” em US$ 100 por tonelada até o fim de 2025.
“Os preços do minério de ferro historicamente acompanharam ralis do aço a curto prazo, já que os investidores normalmente associam esses momentos a um incentivo para uma produção de aço mais forte e uma onda de reposição de estoques de minério de ferro. No entanto, sem uma melhora significativa na demanda por aço ou minério de ferro (e considerando que a reforma chinesa funcione como uma restrição regulatória à produção), qualquer potencial rali nos preços do minério de ferro deve ter vida curta e ser visto como uma oportunidade de venda”, afirma o Citi em relatório.
Infomoney - SP 18/03/2025
Os contratos futuros do minério de ferro caíram nesta segunda-feira, conforme a divulgação de uma série de dados imobiliários da China aumentou as preocupações com um cenário incerto para a demanda do minério, já obscurecido pela guerra comercial global.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com queda de 1,14%, a 778,5 iuanes (US$107,55) a tonelada.
O minério de ferro de referência para abril na Bolsa de Cingapura recuou 2,29%, para US$101,6 a tonelada.
Os preços das novas residências na China caíram em fevereiro, apesar de uma série de estímulos dados pelo governo e promessas de novas medidas, enquanto o início de novas construções medido pela área construída — frequentemente monitorado como um indicador da demanda de aço — diminuiu 29,6%, após uma queda de 23,0% em 2024.
A crescente incerteza sobre o aumento potencial da produção de metal quente, um indicador-chave da demanda de minério de ferro, também tem pesado sobre os preços do ingrediente siderúrgico.
A produção de metal quente deverá mostrar ligeira alta este mês, levando a um acúmulo de estoques no porto nas próximas semanas, disseram analistas da Jinrui Futures em uma nota.
Siderúrgicas chinesas têm exercitado mais “autodisciplina” na produção até agora neste ano, mesmo diante de lucros relativamente atraentes, disseram uma siderúrgica e um trader, que solicitaram anonimato pois não estão autorizados a falar com a imprensa.
As siderúrgicas da China, o maior produtor e consumidor de aço do mundo, têm enfrentado pressão crescente devido à escalada dos atritos comerciais, principalmente após as novas tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
A produção de aço bruto da China nos dois primeiros meses de 2025 caiu 1,5% em relação ao ano anterior, mostraram dados oficiais nesta segunda-feira.
O Estado de S.Paulo - SP 18/03/2025
Primeiro executivo contratado do mercado para presidir a Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos, Igor Calvet toma posse do cargo no mês de vem determinado a dar um basta no crescimento da importação de carros chineses. Logo de partida, quer uma resposta definitiva para saber se governo vai antecipar ou não a cobrança das alíquotas cheias (35%) do imposto de importação dos carros híbridos e elétricos, que vêm, em sua maioria, da China. O pleito foi levado há seis meses para a Camex.
”A partir do momento em que eu assumir de fato a Anfavea, será uma cobrança minha em relação ao governo, obviamente muito respeitosa, mas para que alguma decisão seja tomada. Ou sim, ou não”, disse o executivo, que será o segundo presidente mais novo da história da Anfavea, em entrevista à Coluna do Estadão.
Em tom de crítica, Calvet ressaltou que, embora tenham anunciado investimentos e comprado fábricas que estavam desativadas, as montadoras chinesas não iniciaram produção no País, sendo que uma, recentemente, adiou a inauguração.
Além do pedido de recomposição total imediata do imposto de importação sobre os automóveis eletrificados, a Anfavea, conta Calvet, deve concluir nas próximas semanas a análise de viabilidade de um pedido de investigação sobre a prática de dumping dos carros chineses no Brasil. Ele antecipa que, em dois meses, a entidade provavelmente vai concluir um estudo sobre a competitividade dos veículos brasileiros em mercados da América Latina, onde as montadoras também perdem espaços para os asiáticos.
Além da concorrência com os chineses, o cenário de insegurança econômica no Brasil preocupa o setor. Juros altos reduzem a venda de veículos leves, pesados e máquinas. “Se não tiver agenda de ajuste fiscal, e aí eu não sei precisar qual é a magnitude, mas o setor vai ser impactado, sobretudo no ano que vem, porque a expectativa de juros não vai ceder. Eu não acho que vai chegar ao fechamento de fábricas, mas terá diminuição da demanda”.
Confira abaixo os principais pontos da entrevista
O senhor assume no dia 21 de abril, num momento de insegurança no cenário econômico, com inflação e juros altos. Até que ponto isso esmaga a indústria do automóvel?
O cenário econômico atual não tem impedido o crescimento, mas porque o crescimento do setor estava represado. Viemos de um período de baixa muito grande por causa da pandemia. Em 2013, tivemos um mercado de 3,8 milhões de veículos. No ano passado bateu 2,6 milhões. Estamos chegando nos níveis pré-pandemia agora. O setor cresceu, em 2024, em relação a 2023, 14,1% nos emplacamentos. A nossa produção cresceu quase 10%. Esse ano, a gente prevê ainda um crescimento do setor, mas provavelmente metade do que foi ano passado. Estamos prevendo entre 6% e 7% de aumento. Então você está dizendo que vai ser tudo muito bem? Não, não vai ser tudo bom. O setor vai continuar crescendo, mas porque vem de uma base ruim e represada.
E o impacto deste cenário econômico atual?
O cenário atual, no mínimo, impede um crescimento maior. Em que sentido? Uma
de juros de 15%, que é o que a gente esta esperando, talvez 14,5% ou 15% no final do ano, é ruim para todos os segmentos da Anfavea. Temos pesados (ônibus e caminhões), leves e máquinas agrícolas e rodoviárias. Para os três segmentos, que são mercados completamente distintos, juros é fundamental. É preciso a prestação caber no bolso. Nesse mercado de pessoa física, houve um incremento de 30% no crédito no ano passado. Mas o apetite do banco cresce enquanto a inadimplência não crescer. Ainda vemos um espaço nesse ano para um pequeno crescimento do crédito. Mas o crédito de todo ano passado e até o começo desse ano, em várias compras que estão sendo feitas, não captura os juros futuros mais altos que estamos falando.
E quando passar a captar esse juro futuro?
Aí eu acho que a curva começa a se inverter, a inadimplência pode começar a ficar mais alta e aí a gente tem um represamento do crédito. Acho que para o ano que vem já tem esse perigo, se a economia não der conta de reduzir juros, inflação também. Ajuste fiscal é fundamental para isso. Se não tiver agenda de ajuste fiscal, e aí eu não sei precisar qual é a magnitude dessa agenda, o setor vai ser impactado, sobretudo no ano que vem, porque a expectativa de juros não vai ceder.
Será impactado ano que vem principalmente onde? Porque a gente vem de uma sequência de fechamento de fábricas.
Eu não acho que vai chegar ao fechamento de fábricas no Brasil ainda, e aliás, eu vou ter que trabalhar contra isso todos os meus dias. Mas eu digo em diminuição da demanda. O setor de máquinas agrícolas, por exemplo, tem o Plano Safra, que em geral tem uma equalização das taxas de juros. Mas se imaginar que a Selic vai ser 15%, 14,5%, 14,25%, é muito alto. O governo vai precisar equalizar muito. Se o produtor rural não tiver garantia, por exemplo, de uma boa safra, ou se o preço das commodities não for bom, ele adia investimento. Mesma coisa para grandes frotistas do setor de caminhões. A venda de caminhões é feita assim: se o PIB vai bem, venda de caminhões vai bem. Se a economia está crescendo, você tem gente investindo, caminhão rodando, e aí o pessoal aumenta a frota.
Há algum outro temor no setor?
Hoje há diminuição da demanda não só no Brasil, como no mundo. Mas temos também a entrada de novos competidores no mercado, com novas marcas chegando a cada dia. Então o mercado absorve mais marcas. Só que com volumes cada vez menores. Temos que fazer o bolo crescer para todo mundo continuar agindo. Então, quando vemos um cenário econômico difícil, um cenário geopolítico difícil, novas marcas entrando e a demanda diminuindo, no fundo, seguramos um, dois, três, quatro anos. No fim das contas, é ruim para todo mundo.
China hoje é a dor de cabeça de vocês, para a indústria nacional de automóveis?
Não tem nada para ser contra a China, eu sou a favor da China. A Anfavea não terá discriminação com empresa de nenhuma origem de capital. Pode ser chinês, belga, americano, pode ser holandês. Os nossos associados, majoritariamente, são de capital estrangeiro. O que eu tenho dito é o seguinte: o limite do nosso ânimo com marcas é a capacidade que elas têm de vir aqui e produzir no País. Somos a associação dos fabricantes e não a associação dos importadores. Se vem para o Brasil, cumpra-se o que foi prometido, o investimento prometido. Produza aqui. Eu não posso aceitar que venham apenas usufruir do mercado brasileiro sem as contrapartidas ou mesmo sem a mesma estrutura que nós temos aqui de custos. Porque vivemos em um País com seus altos e baixos durante décadas. A China pode ser solução. Se vier, fizer o investimento. Hoje em dia, as empresas chinesas, sobretudo de veículos leves, não estão na Anfavea porque nenhuma delas ainda produz no País. Inclusive, recentemente, uma delas anunciou uma nova postergação do início da fabricação no País.
Vocês solicitaram à Camex para antecipar a retomada integral do imposto de importação dos veículos elétricos. Como está esse pleito?
De outubro para cá, esse tema tem sido retirado da pauta de discussões da Camex, mensalmente. Isso nos preocupa demais. A partir do momento em que eu assumir de fato a Anfavea, será uma cobrança minha em relação ao governo, obviamente muito respeitosa, mas para que alguma decisão seja tomada. Ou sim, ou não. Estamos aqui num processo de muita insegurança. Vários mercados já se fecharam, Canadá tem 106% de tarifa, Estados Unidos, 100%, Europa está chegando a 48%, a Índia, 75%.
Vocês falam em insegurança no mercado sem decisão sobre a antecipação das tarifas, mas o escalonamento já estava programado. O que mudou?
O que mudou é que eles anteciparam as importações, em volume que não estava no radar, para aproveitar a tarifa mais baixa. Então precisa antecipar o aumento da taxação. Para você ter uma ideia, só da China, importamos 40 mil veículos em 2023. Em 2024, importamos 120 mil. Cresceu três vezes em um ano. Estimamos um estoque de 40 mil veículos. Fica no estoque e chega ao fim do ano precisa vender. Está vendendo o carro aqui com preço inferior ao que vende no mercado de referência? É essa investigação que estamos fazendo. Porque, se ocorre isso, tem um dano à indústria nacional muito forte. E pode, inclusive, sair do mercado por conta de uma atitude dessa por um tempo prolongado.
Será possível manter os investimentos que vocês programaram em novas tecnologias?
Nós anunciamos, em 2024, R$ 180 bilhões de investimento em diversificação da nossa linha de produção, linha de produtos. Para quê? Para essas novas tecnologias entrarem e você manter o mercado aqui completamente aberto. E aí a pergunta que eu faço é quantos de nós, com esse cenário, vão continuar mantendo e concretizando os seus investimentos? É um ponto importante que eu acho que tem que ficar no radar do governo brasileiro. Nas próximas semanas também, possivelmente, estamos finalizando análise de viabilidade para entrar com um pleito de antidumping, medidas antidumping. Muito provavelmente nos próximos dois meses, oito semanas, um estudo de competitividade nas exportações.
O que levou a esse estudo de competitividade de exportações?
Nós estamos perdendo participação no mercado que tradicionalmente era das nossas exportações. Nós temos plantas aqui no Brasil e exportávamos para os países: Colômbia, México, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile. Vamos descobrir nas próximas oito semanas a estimativa do que podemos fazer pra retomar esses mercados. Para isso, no mercado automotivo, precisamos muito do governo. O governo tem que ter um plano de exportação vinculado à política industrial. Não adianta você publicar o Mover [programa de estímulos às montadoras] e não ter uma visão de exportação vinculada a esse plano industrial. Porque aí fica faltando uma perna.
O que o governo poderia fazer, por exemplo?
Esse mercado é extremamente regulado por acordos internacionais. Só conseguimos exportar, por exemplo, para Argentina porque existe um acordo de complementação econômica específico. Só conseguimos exportar ao México porque tem um acordo específico. Então abrir mercados e fortalecer, e melhorar os acordos, é fundamental. Ouvi uma história de que eventualmente há a tentativa de diminuir índices de conteúdo regional desses acordos. Nós somos contra isso, porque você pode estar triangulando mercados, permitindo que outros fabricantes de outras origens vão lá. Porque diminui o índice de coisas produzidas na região. Isso nós somos contrários.
IstoÉ Dinheiro - SP 18/03/2025
Empresa informa que meta inicial era cortar 12 mil empregos. Setor enfrenta desaceleração da demanda por veículos elétricos e a concorrência chinesa crescente.A Audi, fabricante de carros de alto padrão pertencente ao Grupo Volkswagen, cortará 7.500 empregos na Alemanha até o final de 2029, num momento em que a indústria automobilística do país luta contra a desaceleração da demanda por veículos elétricos e a crescente concorrência chinesa.
A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (17/03) pela empresa juntamente com o conselho dos funcionários, após extensas negociações. A medida, acompanhada outros cortes financeiros para os funcionários, visa reduzir gastos e economizar para a automobilística mais de 1 bilhão de euros (R$ 6,2 bilhões) por ano no médio prazo.
“As condições econômicas estão se tornando cada vez mais difíceis, a pressão competitiva e as incertezas políticas estão apresentando imensos desafios à empresa”, disse a Audi em comunicado.
A empresa e os representantes dos empregados tiveram uma série de desentendimentos em torno do plano de redução de gastos, mas conseguiram chegar a um acordo. O presidente da organização trabalhista, Jörg Schlagbauer, informou que a empresa planejava originalmente eliminar 12 mil empregos.
“A Audi precisa se tornar mais rápida, ágil e eficiente. Uma coisa é clara: isso não será possível sem ajustes na força de trabalho”, disse o presidente do conselho administrativo da automobilística, Gernot Döllner, embora ressalvando que “não haverá demissões por motivos operacionais até o final de 2033” e que “em tempos econômicos difíceis, essas são boas notícias para todos os funcionários”.
O atual programa de segurança no emprego, que exclui demissões compulsórias, será estendido até o final de 2033. Anteriormente, ele era válido até o final de 2029. A Audi também disse que planeja investir 8 bilhões de euros em suas unidades na Alemanha.
Os primeiros 6 mil empregos deverão ser eliminados até 2027, com outros 1.500 a serem cortados no fim de 2029. Ainda está em aberto como os cortes afetarão as unidades da empresa em Ingolstadt, próxima a Munique, e Neckarsulm. perto de Stuttgart. “Estamos posicionando Ingolstadt e Neckarsulm para serem robustas e flexíveis visando a desafiadora transição para a mobilidade elétrica”, frisou Döllner.
Gigantes alemãs promovem demissões em massa
O anúncio da Audi é o mais recente de uma série de demissões em massa planejadas por diversas grandes empresa alemãs.
Em outubro, a Volkswagen anunciou o fechamento de ao menos três fábricas na Alemanha. Outra fabricante de carros de alto padrão, a Porsche, informou em fevereiro deste ano que demitirá 1.900 funcionários em duas fábricas em solo alemão até 2029.
A multinacional alemã de produtos eletrônicos Bosch anunciou em novembro de 2024 que planeja cortar 5.500 empregos, atribuindo a decisão à crise na indústria automobilística. Mais de dois terços desse empregos, em torno de 3.800, estão na Alemanha.
No mesmo mês, a divisão europeia de siderurgia do conglomerado industrial alemão Thyssenkrupp informou que também pretende desligar 11 mil funcionários nos próximos seis anos, reduzindo sua força de trabalho no setor de aço de 27 mil para 16 mil funcionários.
A divisão Thyssenkrupp Steel Europe (TKSE), sediada em Duisburg, no oeste da Alemanha, justificou a decisão citando dificuldades causadas pelo aumento das importações baratas de aço, especialmente da Ásia, que geraram uma “pressão significativa sobre a competitividade”.
Globo Online - RJ 18/03/2025
Donald Trump quer manter as montadoras chinesas fora dos Estados Unidos, mas isso não as impedirá de dominar o resto do mundo. Elas já estão dominando. De Bangcoc a Joanesburgo e São Paulo, as ruas estão cada vez mais congestionadas com compactos, crossovers e SUVs baratos fabricados por empresas como Great Wall, BYD, Chery e SAIC.
Embora se espere que o governo Trump proteja as três grandes fabricantes automotivas dos EUA de rivais chineses, e o Canadá e a União Europeia tenham imposto tarifas sobre veículos elétricos fabricados na China, os compradores em mercados emergentes recebem os carros e caminhões chineses de portas abertas — representando uma nova ameaça às montadoras globais famintas por crescimento.
Oscar Mabuela, um web designer de 29 anos que mora na África do Sul, é o tipo de cliente que os executivos automotivos em cidades distantes como Detroit, Tóquio e Wolfsburg sempre desejaram. Ao comprar um carro novo este ano, ele considerou um Volkswagen Polo hatchback, um dos veículos mais vendidos no país — mas desistiu por medo de sequestro ou roubo.
Em vez disso, ele comprou um SUV Haval Jolion Super Lux movido a gasolina, um modelo recente da Great Wall, por 350.000 rands sul-africanos (US$ 19.300). Até mesmo um Jolion novo começa em US$ 25.000, bem abaixo do preço médio de um carro novo no país, de cerca de US$ 27.500.
"Eu consigo ter todas as tecnologias que são extras nas marcas conhecidas", disse Mabuela.
Mabuela não está sozinho. Compradores como ele ajudaram os fabricantes de automóveis chineses a conquistar participação de mercado a uma velocidade impressionante. Na África do Sul, os veículos fabricados na China representam quase 10% das vendas, ou cerca de cinco vezes o volume vendido em 2019. Na Turquia, as marcas chinesas responderam por uma participação de 8% nos primeiros seis meses de 2024, subindo de praticamente zero em 2022. No Chile, elas representaram quase um terço das vendas de automóveis por vários anos seguidos.
A China envia mais veículos ao exterior do que qualquer outro país, e suas exportações de carros de passageiros aumentaram quase 20%, para 4,9 milhões apenas em 2024, de acordo com a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis — subindo de menos de 1 milhão em 2020.
"Os fabricantes de automóveis chineses entraram em muitos mercados globais com veículos de alta qualidade e preços competitivos", disse Abby Chun Tu, analista da S&P Global Mobility para pesquisa automotiva, em Xangai. "É a mesma estratégia que funcionou para as marcas sul-coreanas e japonesas, mas eles também têm a vantagem de software avançado e muitos recursos — mesmo em seus modelos de mercado de massa."
Gigantes inquietos
Enquanto os líderes nos EUA e na Europa há muito tempo estão preocupados com a possibilidade de a China se tornar um vendedor dominante de veículos elétricos, os dados da associação de fabricantes de automóveis chineses mostram que os veículos movidos a gasolina representaram quase 80% das exportações totais de veículos no ano passado.
Muitos mercados menos desenvolvidos não têm estações de carregamento ou uma rede elétrica confiável o suficiente para suportar modelos totalmente eletrificados. Mas as montadoras chinesas encontraram nesses lugares um mercado pronto para carros movidos a gasolina que não podem mais vender na China em grandes volumes.
A participação de mercado global dos fabricantes de automóveis chineses fora de seu país de origem deve subir de 3% hoje para 13% em 2030, de acordo com a AlixPartners. Incluindo a China, essa participação mundial salta para 33%, e na África e no Oriente Médio deve atingir 39% até lá.
Em uma conferência realizada em fevereiro pela empresa de investimentos Wolfe Research, os chefes da Ford e da General Motors reconheceram a pressão competitiva exercida nos mercados em desenvolvimento.
"Nossas operações no exterior estão muito bem, mas os chineses estão chegando a esses mercados agora, globalizando a cadeia de suprimentos", disse Jim Farley, CEO da Ford, aos investidores. "Em mercados emergentes como a Índia, especialmente na América do Sul, eles estão sendo dominados pelos chineses", afirmou, se referindo especificamente aos veículos elétricos fabricados na China.
A Ford se retirou de vários mercados em desenvolvimento nos últimos anos, incluindo a Índia e a Indonésia, e cessou a produção de veículos no Brasil, onde sua antiga fábrica foi adquirida pela BYD. A montadora traçou uma linha no chão, no entanto, para seus negócios na África do Sul e na Tailândia, com plantas que produzem centenas de milhares de picapes Ranger anualmente.
"Temos que pensar em proteger o futuro disso", disse Farley.
A GM também vê os chineses como uma ameaça séria. Mas a CEO Mary Barra está escolhendo suas batalhas. Enquanto isso, a montadora com sede em Detroit é oportunista o suficiente para exportar modelos feitos por sua própria joint venture chinesa para mercados emergentes como o Brasil. Barra disse que trabalhar com fabricantes de automóveis chineses em alguns produtos permite que a GM concorra melhor em mercados "onde os chineses estão muito presentes".
A Stellantis, que possui as marcas Chrysler e Ram, também está cooperando com um parceiro chinês na Europa e planeja introduzir seus modelos no Oriente Médio e na América do Sul.
A participação de mercado da Jeep na América Latina ainda supera a de seu concorrente chinês mais próximo, respondendo por um quinto dos veículos vendidos, de acordo com a pesquisadora Jato Dynamics. Em comparação, a Chery tem a maior participação entre os fabricantes chineses, com 2,1%.
Ao mesmo tempo, no ano passado, a empresa culpou a concorrência da China por uma queda de 30% nas remessas da região Ásia-Pacífico no terceiro trimestre.
Chamando atenção
O marketing inteligente também ajudou as montadoras chinesas a ganharem vantagem. No Brasil, onde os carros chineses se tornaram uma visão tão familiar nas estradas quanto os modelos Chevy e Toyota, a Great Wall criou uma página no Mercado Livre, popular plataforma de comércio eletrônico, e criou anúncios estrelados por Alok, um dos principais músicos e DJs brasileiros. O rival BYD promoveu seus carros em um anúncio com imagens do herói nacional e maior jogador de futebol de todos os tempos, o Pelé.
Embora essas campanhas tenham ajudado a gerar burburinho, os preços baixos continuam sendo o principal atrativo. Luiz Palladino, engenheiro de 61 anos que já teve veículos da GM e da Honda no passado, e atualmente dirige um Haval H6 EV, comparou o veículo com carros de luxo muito mais caros.
"Na hora que entrei no carro eu pensei, está na linha de BMW, Audi, acabamento de carro de primeira", disse. "Tem tudo que eu quero".
As marcas chinesas ganharam espaço no Brasil em 2015, quando o governo isentou veículos elétricos e híbridos de um imposto de importação de 35%. Para contornar a reintegração desses impostos, a BYD e a Great Wall agora estão construindo fábricas no Brasil — em locais onde a Ford e a Daimler já tiveram plantas.
"Eles acharam uma oportunidade de transformar o Brasil em um hub da ocidentalização dos seus veículos", disse Ricardo Roa, sócio-líder de setor automotivo na KPMG Brasil. Do Brasil, "é uma facilidade para conseguir atingir os mercados sul-americanos: Argentina, Chile, Colômbia, Peru".
Alguns compradores de carros brasileiros dizem que se afastaram dos modelos chineses devido a preocupações com confiabilidade e serviço, bem como a disponibilidade de peças. Paula Barros, gerente de produtos financeiros em São Paulo, desistiu dos planos de comprar um carro elétrico fabricado na China por preocupações com a infraestrutura de carregamento insuficiente e possíveis problemas para adquirir peças quando algo quebrar.
"Não existem peças de reposição em sua amplitude aqui no Brasil, necessitando de importação”, disse ela, “e, caso venha a acontecer algo, eu teria de esperar de 30 a 60 dias para a chegada do componente".
Surto elétrico
As maiores montadoras da Ásia também estão tentando se defender das novatas chinesas. A Toyota desfruta de uma participação de 17,4% no Oriente Médio e na África, mas está sendo perseguida pela Chery e pela Geely, que reivindicaram participações de 5,3% e 2%, respectivamente, de acordo com a Jato Dynamics. A Toyota está sentindo uma pressão semelhante no Sudeste Asiático, onde controla 35,7% do mercado, mas a Geely e a SAIC estão conquistando participações de 5,1% e 1,4%, respectivamente.
Assim como no Brasil, a China aproveitou as políticas projetadas para incentivar as vendas de veículos elétricos para expandir sua presença no mercado automotivo da Tailândia. A participação das marcas chinesas no país, longamente conhecido como “a Detroit do Sudeste Asiático”, cresceu para 13,3% no último trimestre de 2024, ante apenas 5,5% dois anos anteriores, de acordo com a S&P Global Mobility. Mais revelador: a participação da China no mercado de veículos elétricos tailandês nesse mesmo período aumentou de 22% em 2022 para 71%.
A Tailândia cortou impostos de importação sobre veículos elétricos, adicionou subsídios para compradores e concedeu grandes isenções fiscais para investimentos em fábricas. Como resultado, as vendas de veículos elétricos aumentaram mais de 600% em 2023 em relação ao ano anterior, atingindo 73.568 unidades e conquistando quase 9,5% das vendas totais de carros de passageiros, de acordo com a Federação das Indústrias da Tailândia. As vendas de veículos elétricos caíram ligeiramente para 66.732 no ano passado, mas sua participação nas compras totais de veículos subiu para quase 12%.
A Toyota e outras montadoras japonesas, que passaram décadas construindo investimentos e infraestrutura para a produção de veículos movidos a gasolina, demoraram a se adaptar. A Subaru parou de produzir carros no país no ano passado, e a Suzuki planeja fechar sua planta tailandesa até o final de 2025. A Nissan também fechará uma das duas linhas de montagem de veículos na Tailândia este ano. Isso deixou uma abertura para rivais chineses menos conhecidos.
No primeiro de 11 dias da feira Bangkok Motor Expo no final de novembro, a Toyota, a Ford e a Honda dividiram espaço com a BYD, a Great Wall, a MG da SAIC e a Geely, que estava fazendo sua estreia no mercado tailandês. Wiyawit Petra, um empresário de 57 anos, disse que a reputação global da BYD, a presença de fabricação local e os preços baixos o abriram para a ideia de tentar algo diferente.
"Eu dirigi Toyota e Honda a vida toda, mas agora quero abrir meu coração para algo novo”, afirmou durante a exposição, olhando para um SUV híbrido plug-in Sealion 6 da BYD. “Ele também é acessível, então vale a pena o risco."
Exame - SP 18/03/2025
A montadora chinesa BYD anunciou um avanço significativo no mercado de veículos elétricos: um sistema de recarga que promete abastecer um carro em apenas cinco minutos, aproximando-se do tempo necessário para abastecer um veículo a combustão.
Durante um evento realizado em Shenzhen, Wang Chuanfu, presidente e fundador da BYD, revelou que a nova tecnologia permite que o sedã Han L recupere 470 quilômetros de autonomia em apenas cinco minutos de recarga. Os primeiros modelos com esse sistema começarão a ser vendidos no próximo mês.
A novidade representa um grande desafio para a Tesla, que até então dominava o mercado de carregamento rápido. Os superchargers da empresa de Elon Musk conseguem adicionar cerca de 275 quilômetros em 15 minutos, uma velocidade significativamente menor do que a da BYD.
Outras montadoras, como a Mercedes-Benz, também estão investindo em melhorias, com a nova linha CLA prometendo 325 quilômetros em 10 minutos de carga.
A BYD também anunciou que construirá mais de 4.000 estações de recarga adaptadas para essa nova tecnologia, garantindo infraestrutura para os motoristas que desejam usufruir do carregamento ultra-rápido. Os primeiros modelos a contar com essa inovação serão o Han L e o SUV Tang L, com preços iniciais de 270.000 yuan (cerca de US$ 37.338) e 280.000 yuan, respectivamente.
Outro diferencial da nova plataforma da BYD é o desempenho dos veículos. O sistema permitirá que os carros atinjam 100 km/h em apenas dois segundos, aumentando ainda mais a competitividade da marca no mercado global.
O lançamento ocorre em um momento de forte crescimento para a BYD, que registrou mais de 318.000 unidades vendidas no último mês, um aumento de 161% em relação ao ano anterior. Com uma fatia de quase 15% do mercado automotivo chinês, a empresa se consolidou como a maior fabricante de veículos na China, ultrapassando rivais tradicionais.
A nova tecnologia da BYD também deve impactar o setor de baterias, atualmente liderado pela CATL. Concorrentes como a Li Auto estão utilizando baterias de última geração da CATL para oferecer carregamento rápido, mas ainda em tempos superiores aos alcançados pela BYD.
Com inovações que incluem avanços também em assistência à direção, a BYD continua a ampliar sua presença no setor, consolidando-se como uma ameaça cada vez maior à Tesla e outras gigantes da indústria automotiva.
Globo Online - RJ 18/03/2025
O governo Lula pretende criar mais uma faixa no Minha Casa, Minha Vida (MCMV) para atender famílias de classe média. Atualmente, o programa tem três linhas e beneficia núcleos familiares com renda de até R$ 8 mil. A expectativa é ampliar a renda familiar para até R$ 12 mil.
Os juros deverão ficar um pouco acima da taxa cobrada na Faixa 3 e serão de 8% ao ano ano, mais a Taxa Referencial (TR). Haverá um desconto para quem é cotista do FGTS, como é praxe hoje no MCMV. O valor máximo do imóvel, hoje em R$ 350 mil, também deverá subir.
Os detalhes estão sendo discutidos entre os ministros das Cidades, Jader Filho, da Casa Civil, Rui Costa e representantes da Fazenda e da Caixa Econômica Federal. Segundo interlocutores do Planalto, Lula pediu pressa.
O MCMV é financiado com recursos do FGTS nas Faixas 2 e 3 para concessão de financiamentos e de subsídios, desconto a fundo perdido para permitir que o valor da prestação caiba no orçamento familiar. Na Faixa 1, em que o imóvel é praticamente doado, a verba vem da União, via Fundo de Arredamento Residencial (FAR).
Para ampliar o púbico atendido e sem margem no FGTS, governo propôs ao uma alteração na proposta orçamentária — que ainda não foi votada — para injetar R$ 15 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal nas atuais faixas do programa.
Embora a medida seja uma promessa antiga do presidente Lula, a medida está sendo acelerada em meio à queda de baixa popularidade do presidente, que atingiu o índice mais baixo de aprovação de todos os seus mandatos.
Outro problema é a escassez da poupança, utilizada como fonte de financiamento de imóveis pela classe média.
Hoje, na Faixa 1, o teto de renda bruta mensal familiar é de R$ 2.850. Nessa grupo, é possível conseguir um imóvel pelo programa com 95% de subsídio do governo federal.
Na Faixa 2, a renda da família precisa ficar entre R$ 2.850,01 até R$ 4.700. Nesse caso, há um subsídio de até R$ 55 mil e os juros são mais baixos.
Já na Faixa 3, a renda vai de R$ 4.700,01 até R$ 8 mil. Nesse caso, não há subsídio
Valor - SP 18/03/2025
Recursos iriam para a faixa 3 do programa, voltado para a classe média
O governo propôs destinar R$ 15 bilhões do Fundo Social ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), segundo dados obtidos pelo Valor. O novo remanejamento solicitado pelo Executivo consta em ofício enviado pelo Ministério do Planejamento à Comissão Mista de Orçamento (CMO). Os recursos iriam para a faixa 3 do programa, voltado para a classe média, que inclui famílias com renda entre R$ 4.400,01 e R$ 8.000 ao mês.
Na semana passada, ao fazer outras propostas de mudança na peça orçamentária, o governo já havia previsto usar pouco mais de R$ 20 bilhões do Fundo Social para ações de financiamentos de investimentos em infraestrutura social e apoio a projetos de mitigação e adaptação à mudança do clima. Agora, parte desse recurso vai ao MCMV.
O uso desses recursos foi possível após o governo editar uma medida provisória, atendendo a uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que regulamentou o uso no Orçamento de R$ 20 bilhões de recursos que estão parados no fundo, o chamado superávit financeiro.
Segundo o Valor apurou, ainda vão ocorrer reuniões para debater qual será o uso específico para o programa. Está descartado dar subsídio à Caixa Econômica Federal, já que o banco público não tem problemas habitacionais neste início de ano
Procurado, o Ministério das Cidades não respondeu. Segundo técnicos do Ministério da Fazenda, não há impedimentos do uso de recursos do Fundo Social no programa habitacional, já que se trata de moradia de interesse social.
As mudanças ocorrem enquanto o Congresso ainda negocia a votação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa), que está atrasada. O relator do projeto, senador Angelo Coronel (PSD-BA), e a cúpula do Congresso mantêm o cronograma de votação ainda para esta semana.
Em almoço na segunda-feira com os presidentes das Casas, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), e a ministra de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, Coronel comprometeu-se a correr para finalizar o texto para protocolá-lo, no máximo, nesta terça-feira (18).
O regimento interno prevê que a apreciação do relatório do Ploa só poderá ocorrer três dias úteis após a sua distribuição. Fontes técnicas ligadas a CMO ponderam que esse prazo pode ser reduzido caso haja acordo político.
Caso o Orçamento não seja votado nesta semana, a deliberação ficará para a primeira semana de abril devido a viagem de Motta e Alcolumbre ao Japão acompanhando a comitiva do presidente Lula.
Agrolink - RS 18/03/2025
O projeto Ferrogrão (EF-170) prevê a construção de uma ferrovia ligando o município de Sinop, em Mato Grosso, ao distrito de Miritituba, no Pará. O trajeto principal conta com aproximadamente 933 km de extensão, além de dois ramais complementares: Santarenzinho, com 32 km, e Itapacurá, com 11 km. A ferrovia foi planejada como alternativa para otimizar o escoamento da produção agrícola do Mato Grosso em direção aos portos do norte do país.
A proposta de implantação da Ferrogrão surgiu a partir da necessidade de reduzir a dependência do transporte rodoviário, especialmente na BR-163, uma das principais vias de escoamento da safra de grãos. A ferrovia foi articulada desde o governo do ex-presidente Michel Temer e avançou com a publicação da Lei 13.452/2017, que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim para permitir a passagem da ferrovia.
O processo de viabilização da ferrovia encontrou desafios ao longo dos anos. Em março de 2021, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão cautelar do projeto. A ação questiona a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, que resultou na conversão da Medida Provisória 758/2016 e destinou 862 hectares do Parque Nacional do Jamanxim para a Ferrogrão e a BR-163.
Na ação, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) argumentou que a exclusão da área do parque por meio de medida provisória fere normas constitucionais. Segundo a legenda, qualquer alteração em unidades de conservação exige a promulgação de lei em sentido formal. O partido também alega que a mudança nos limites do parque viola o artigo 216 da Constituição, que protege o patrimônio cultural, e contraria o artigo 231, ao impactar povos indígenas da região.
A discussão sobre o projeto segue em debate no governo e no setor produtivo. O agronegócio defende a construção da ferrovia como uma alternativa para otimizar a logística de exportação e reduzir os custos operacionais.
Em novembro de 2024, o Ministério dos Transportes encaminhou à Infra S.A. uma diretriz para acelerar o licenciamento ambiental da Ferrogrão e de outros projetos ferroviários. O documento, assinado pela Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário e pela Secretaria de Sustentabilidade, estabeleceu que a União assumiria o licenciamento, com o objetivo de dar maior segurança jurídica e viabilizar os empreendimentos.
O impacto da infraestrutura logística sobre o setor agropecuário é um dos principais fatores impulsionadores da Ferrogrão. No texto “Os desafios da colheita da safra 24/25: atrasos, chuvas e logística impactaram os produtores de soja de Mato Grosso” publicado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), o vice-presidente da Aprosoja-MT, Luiz Pedro Bier, destaca a precariedade da estrutura atual. "A falta de infraestrutura no estado do Mato Grosso, e eu digo principalmente da região leste por ser onde eu planto, é enorme. A falta de armazéns faz com que os caminhões fiquem dois a três dias na fila para descarregar. A carroceria do caminhão acaba sendo um instrumento de armazenagem para o produtor rural, que precisa contratar duas ou três vezes mais caminhões do que realmente seria necessário por causa das filas. E tem ainda o gargalo das estradas não pavimentadas, que ainda são bem comuns no estado. Apesar de que nos últimos anos tivemos uma grande quantidade de asfalto em estradas sendo construídos, nossa necessidade ainda está muito aquém do ideal", afirmou.
Ele também mencionou os custos adicionais para os produtores devido às dificuldades logísticas. "Os caminhões cobram mais caro porque ficam parados na fila esperando para descarregar. Então é um custo que é direto no produtor, e ele sente isso no dia a dia", comentou Luiz Pedro Bier.
Apesar do potencial econômico da ferrovia, estudos apontam desafios em sua implementação. Um relatório do Instituto Socioambiental (ISA) identificou falhas metodológicas na Análise Socioeconômica de Custo e Benefício (ACB) da Ferrogrão, incluindo omissões em externalidades relevantes e uma definição inadequada do escopo da análise. Segundo o documento, esses fatores comprometem a confiabilidade dos resultados apresentados sobre a viabilidade do projeto.
A relevância da Ferrogrão para o desenvolvimento da infraestrutura do país tem sido defendida por diversas lideranças. O ex-ministro Aldo Rebelo, em entrevista à Band, criticou a demora na execução do projeto. "A situação é inaceitável, como nós podemos testemunhar, porque o governo brasileiro já anunciou há alguns dias a impossibilidade de iniciar a obra ainda no atual mandato do presidente Lula. Na verdade, traduzindo em bom português, nós vivemos um processo de sabotagem contra a infraestrutura do Brasil no lugar mais sensível da economia nacional. O Brasil não pode aceitar essa situação, as corporações não podem bloquear o desenvolvimento do Brasil", afirmou Rebelo.
O projeto da Ferrogrão segue como um dos principais investimentos em logística ferroviária do país, representando uma alternativa estratégica para o transporte de cargas agrícolas e uma possível solução para os gargalos enfrentados pelo setor produtivo.
Exame - SP 18/03/2025
O segundo trem da frota da Linha 17-Ouro chegou ao Pátio Água Espraiada, zona sul de São Paulo, no domingo, 16. O equipamento, fabricado pela BYD Skyrail, foi transportado de Santos por meio de uma operação logística que envolveu oito carretas – cinco para os vagões e três para as estruturas de conexão.
A Linha 17-Ouro, com 6,7 km de extensão, será o segundo monotrilho de São Paulo e é projetada para transportar até 90 mil passageiros por dia. A operação da linha vai conectar o Aeroporto de Congonhas à Estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda, com integração também à Linha 5-Lilás na estação Campo Belo.
Serão ao todo 8 novas estações: Morumbi, Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo, Vereador José Diniz, Brooklin Paulista, Aeroporto de Congonhas e Washington Luís.
O Governo prevê um pacote de investimentos de R$ 5,8 milhões para a implantação da linha de monotrilho, que deve entrar em operação em 2026.[/grifar]
O Pátio Água Espraiada, onde o primeiro trem já realiza testes, agora recebe a montagem do novo trem. Após a retirada dos carros das carretas, um braço mecânico os posiciona nas vigas para que a composição seja montada.
Assim que finalizada, a composição passará por testes dinâmicos e estáticos nas vias, além de processos para obter o certificado de segurança. A previsão é de que todos os trens sejam submetidos a esses testes antes de integrarem a operação, que começará em 2026.
Os trens da Linha 17-Ouro são projetados para operar de forma totalmente automatizada, utilizando o sistema UTO (Unattended Train Operation) e o sistema de controle TCMS (Train Control and Monitoring System). Além disso, a tecnologia CBTC (Communication-Based Train Control) garante maior segurança e eficiência.
O modelo inclui recursos como intercomunicação direta com o Centro de Controle Operacional (CCO), câmeras de vigilância, sistemas de combate a incêndio e baterias de tração que permitem a movimentação até a próxima estação em caso de falta de energia.
Portos e Navios - SP 18/03/2025
A SBM Offshore anunciou a chegada do FPSO Alexandre de Gusmão ao Campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, na última terça-feira (4). O navio-plataforma, que saiu do cais do estaleiro Cosco Shipping (Qidong) Offshore, na China, será a nona da SBM a operar no Brasil. O primeiro óleo do FPSO, localizado a uma distância de aproximadamente 190 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, está previsto para ainda este ano.
O navio-plataforma tem capacidade de produção de 180 mil barris de óleo por dia (bpd) e compressão de 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia. O Campo de Mero é operado pela Petrobras (38,6%), em parceria com a Shell Brasil (19,3%), TotalEnergies (19,3%), CNPC (9,65%), CNOOC (9,65%) e PPSA (3,5%), como representante da União na área não contratada.
Em outubro passado, a SBM também anunciou a chegada do FPSO Almirante Tamandaré, que tem capacidade de produção de 225 mil barris de petróleo por dia (bpd) e 12 milhões de metros cúbicos de gás, sendo o primeiro a operar no país com a notação Sustainability-1 emitida pela Bureau Veritas, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Com tecnologias de ponta, o Almirante Tamandaré opera no Campo de Búzios, na Bacia de Santos, no litoral do Rio de Janeiro. No último dia 15 de fevereiro, o navio plataforma entrou em produção.
Juntos, os dois FPSOs, afretados pela Petrobras, marcam nova etapa na história da exploração e produção de petróleo, aumentando a produção de petróleo nacional e representando um novo capítulo na atuação a SBM Offshore no país.
“Estamos comprometidos em investir no Brasil, o principal mercado da companhia no mundo, e contribuir com o desenvolvimento do setor de O&G. Atualmente, as unidades projetadas e/ou de propriedade da SBM Offshore são responsáveis por cerca de 17% da produção nacional de petróleo, e esse número chegará a 30% com as novas unidades em operação”, disse Jonas Lobo, gerente-geral da SBM no Brasil.
Infomoney - SP 18/03/2025
A Petrobras (PETR3;PETR4) informou nesta segunda-feira que identificou a presença de hidrocarbonetos em poço exploratório no bloco Aram, no pré-sal da Bacia de Santos, segundo comunicado.
O poço 4-BRSA-1395-SPS está localizado a 245 km da cidade de Santos (SP), em profundidade d’água de 1.759 metros.
A Petrobras é a operadora do bloco e detém 80% de participação, em parceria com a empresa chinesa CNPC (20%).
“O poço está em perfuração e o intervalo portador de hidrocarboneto foi constatado através de perfis elétricos, indícios de gás e amostragem de fluído, que serão posteriormente caracterizadas por meio de análises laboratoriais”, afirmou a Petrobras.
Segundo a empresa, esses dados permitirão avaliar o potencial e direcionar as próximas atividades exploratórias na área.
O bloco Aram foi adquirido em março de 2020, na 6ª rodada de licitação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sob o regime de Partilha de Produção.
Infomoney - SP 18/03/2025
O Goldman Sachs Group Inc. se juntou a outros bancos nesta segunda-feira (17) para cortar as previsões de preços do petróleo, já que Wall Street vê cada vez mais um colchão para o petróleo bruto na faixa de US$ 60.
O Goldman inicialmente manteve as projeções de preços anteriores quando a Opep+ confirmou os planos de aumentar a produção de petróleo no início deste mês, mas com o crescimento econômico dos EUA sob crescente pressão, o banco reduziu seu preço previsto em uma nota. Sua faixa esperada para o Brent foi reduzida de US$ 70 a US$ 85 para US$ 65 a US$ 80 o barril.
“Esperamos que o Brent fique acima de US$ 70 o barril nos próximos meses”, mas “não vemos mais US$ 70 como o piso de preço”, escreveu o chefe de pesquisa de commodities Daan Struyven. Os futuros do Brent estão atualmente oscilando em torno de US$ 71.
A revisão do Goldman segue rebaixamentos nas últimas semanas pelo Morgan Stanley e Bank of America Corp., que veem o Brent na faixa alta de US$ 60 durante o segundo semestre.
O Citigroup Inc. e o JPMorgan Chase & Co. têm previsto que os preços terminariam o ano na faixa média ou baixa de US$ 60 há algum tempo. Além de Wall Street, as principais casas de negociação de petróleo, como o Vitol Group e o Gunvor Group — que tiveram uma postura otimista em relação ao petróleo bruto nos últimos anos — também ficaram mais pessimistas.
O recuo do petróleo foi comemorado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e oferece alívio para consumidores e bancos centrais após anos de inflação galopante. Mas representa riscos financeiros para os produtores da indústria de óleo de xisto americana e para a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, liderada pela Arábia Saudita.
O Citigroup tem sido o mais pessimista do grupo há muito tempo, projetando que o petróleo bruto terá uma média de US$ 60 o barril no segundo e terceiro trimestres antes de cair ainda mais, para US$ 55 no quarto.
As avaliações preliminares de Wall Street para o próximo ano sugerem pouco espaço para alta, com o JPMorgan antecipando que o petróleo bruto terá uma média de US$ 61 o barril — e pode até chegar a US$ 50, enquanto Trump pressiona para manter os barris russos e iranianos com sanções no mercado.
Valor - SP 18/03/2025
Com a assinatura do acordo, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou e autorizou a publicação do edital do processo competitivo, por meio de leilão a ser realizado em 26 de junho de 2025
A Ecovias 101, controlada da Ecorodovias, assinou um acordo com a União e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para solução consensual das “controvérsias” relativas ao contrato de concessão da rodovia BR-101 entre Espírito Santo e Bahia (BR-101/ES/BA).
Com a celebração do termo de autocomposição (ou acordo consensual), a ANTT aprovou e autorizou a publicação do edital do processo competitivo, por meio de leilão a ser realizado em 26 de junho de 2025.
O critério de julgamento da melhor proposta do leilão será pelo menor valor da tarifa de pedágio, para a alienação de 100% das ações da Ecovias 101.
Após a conclusão do processo competitivo, será celebrado o aditivo ao contrato de concessão com o vencedor do leilão, garantindo a continuidade da prestação dos serviços públicos na BR-101/ES/BA.
O leilão havia sido previsto pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ao aprovar, em setembro do ano passado, a repactuação da concessão rodoviária.
Na época, o TCU exigiu a realização de uma concorrência pelo contrato repactuado — processo no qual, além da Ecorodovias, outros grupos interessados poderão disputar a concessão, sob os novos termos. A ideia é mitigar o risco moral de a renegociação beneficiar uma empresa específica.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 18/03/2025
Um longo trabalho realizado pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e de sua agência vinculada Invest Minas foi concretizado no dia 13 de março, com a inauguração da fábrica da Oxbo do Brasil Equipamentos Agrícolas em Uberaba, no Triângulo Mineiro.
A empresa investiu R$ 50 milhões no projeto que vai gerar cerca de 70 empregos diretos já no primeiro ano de funcionamento.
Em Uberaba, a unidade de 96 mil metros quadrados da multinacional vai desenvolver, fabricar e dar assistência técnica a colheitadeiras de café, equipamentos de sementes de milho e outras máquinas. A companhia também fornece equipamentos para colheita de acerola, ervilha e milho verde no Brasil.
O evento de inauguração no município contou com a presença de representantes do Governo de Minas, além do CEO da Oxbo, Roel Zeevat.
Para a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Mila Corrêa da Costa, a inauguração reforça a proatividade do Governo de Minas na atração de investimentos.
"Implementar um ambiente favorável à competitividade de negócios é fundamental para aproveitarmos da melhor forma a diversidade de riquezas e de setores produtivos do nosso estado. Essa fábrica da Oxbo é mais um projeto que vem reforçar a economia do estado e gerar oportunidades para o Triângulo Mineiro", destaca.
Negociação - O trabalho realizado pelo Governo de Minas com a Oxbo começou em 2021, quando a Invest Minas apresentou as oportunidades e a competitividade do estado para atrair empresas do setor.
Entre as vantagens estão o tratamento tributário setorial, o financiamento pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), a infraestrutura e os inúmeros imóveis disponíveis para alocação do projeto em diversos municípios mineiros, culminando com a escolha por Uberaba.
“A instalação da Oxbo em Uberaba representa um marco para a região. A empresa produzirá colheitadeiras agrícolas de alta tecnologia, atendendo diversos setores, especialmente o cafeeiro. A planta industrial, que ocupará uma área de 96 mil metros quadrados no Distrito Industrial II, implementará processos de manufatura avançados. A chegada da Oxbo vai fortalecer a economia local e consolidar Uberaba como polo de inovação no agronegócio”, garantiu o diretor de Atração de Investimentos da Invest Minas, Ronaldo Alexandre Barquette.