Grandes Construções - SP 19/03/2025
As exportações de sucata ferrosa, insumo usado na fabricação de aço, atingiram em fevereiro 57.775 toneladas, retração de 22% em relação às 74.099 toneladas do mesmo mês de 2024, conforme dados divulgados pelo Ministério da Economia, Secex.
Nos primeiros dois meses deste ano, as exportações alcançaram 117.099 toneladas, queda de 22,8% em comparação às 151.604 toneladas em igual período de 2024. No ano passado, as exportações já haviam registrado desaceleração, com total de 690 mil toneladas, menos 13,8% em relação ao volume recorde de 2023, quando chegaram a 800 mil toneladas.
“O cenário de incertezas permanece nos mercados interno e externo, diante do aumento da importação do Brasil de aço chinês, cujo processo de produção é um dos mais poluentes do mundo, e das novas tarifas de exportação ao produto brasileiro impostas pelo governo dos EUA”, afirma Clineu Avarenga, presidente do Instituto Nacional da Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5,5 mil empresas recicladoras que praticam a economia circular, reinserindo insumos no ciclo da reciclagem para transformação.
No mercado interno, também não se verifica reação na demanda, o que, segundo o Inesfa, demonstra a desaceleração da economia. “A diminuição da geração de sucata e o achatamento na margem dos recicladores são outros fatos que vêm deixando apreensivo o setor”, diz Alvarenga.
O quadro de dificuldades trouxe situação rara no mercado de sucata: os preços internos chegaram a superar no início do ano os externos e estão atualmente com valores equivalentes. “O Brasil está se adequando a uma nova realidade”, diz Alvarenga.
Isenção de impostos - O Inesfa está otimista com a possível aprovação pelo Senado do Projeto de Lei 1.800/2021, do deputado federal Domingos Sávio, que traz apensada a proposta do deputado federal Vinicius de Carvalho, para isentar recicladores e cooperativas de catadores do pagamento de PIS e Cofins na venda de materiais reciclados à indústria de transformação.
O PL já foi aprovado em todas as comissões da Câmara dos Deputados e aguarda a análise do Senado Federal. A expectativa é de que a Comissão de Meio Ambiente (CMA) da Casa analise e aprove o PL ainda em março. Em seguida, o projeto será avaliado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Após essas etapas, irá direto à sanção presidencial.
“A aprovação do PL.1800/2021 trará grande alívio ao ciclo da reciclagem e mostrará ao mundo, no ano da COP30, realizada no Brasil, a disposição do Legislativo e do Executivo brasileiros em incentivar um setor tão importante ao meio ambiente”, diz Alvarenga.
A PEC da Reciclagem, de 2024, que altera a Constituição Federal para corrigir o tratamento injusto concedido pela reforma tributária aos agentes que atuam no setor de reciclagem, também está avançando. Conforme Alvarenga, a PEC já tem cerca de 60 assinaturas favoráveis de parlamentares e deve receber inúmeras novas adesões neste ano. “A aprovação da PEC alinharia o Brasil aos países do Hemisfério Norte, que estimulam o ciclo da reciclagem e a economia circular há muitos anos.”
Economia circular - O Inesfa participou no mês passado da primeira reunião do Fórum Nacional de Economia Circular, convocada pelo governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O Inesfa é a associação que ocupa assento e vem representando o segmento da reciclagem, a convite do órgão governamental.
Ao todo, a previsão é que ocorram mais dois encontros antes da COP30, que será realizada no mês de novembro, em Belém (Pará). “No fórum, destacamos a importância da PEC da Reciclagem, que vai trazer benefícios em três aspectos, social, ambiental e econômico”, destacou o presidente do Inesfa.
O Estado de S.Paulo - SP 19/03/2025
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne nestas terça e quarta-feira, deve elevar a taxa básica de juros em 1 ponto porcentual, segundo projeção unânime do mercado. Com isso, a taxa vai a 14,25% ao ano, o maior patamar desde outubro de 2016 (quando também estava em 14,25%). O aumento dos juros, desde o início do ciclo de altas, chegará a 3,75 pontos.
A dúvida é o que vem pela frente. A avaliação dos analistas é a de que o comitê vai abandonar o forward guidance na sua comunicação. Ou seja, vai deixar de comunicar os próximos passos da política monetária e condicionar as próximas decisões à evolução dos dados econômicos — ou ficar mais data dependent, no jargão do mercado. A maior parte dos analistas projeta que o ciclo de alta termine com a Selic em 15%, mas a avaliação é a de que o BC quer deixar as portas abertas para qualquer ajuste.
“O Copom deve migrar para uma comunicação mais data dependent, buscar a sua flexibilidade, porque é isso que normalmente se faz quando se aproxima do fim do ciclo”, diz a CEO e economista-chefe da consultoria Buysidebrazil, Andrea Damico. “Não faz sentido dar um guidance agora, mas ele ainda precisa ser duro, para o mercado não achar que não vai aumentar os juros na reunião seguinte.”
Para Damico, o Copom deve repetir a mesma sinalização dada em janeiro. Na última ata, o comitê disse que, para além de março, “a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta” e vai depender da evolução das suas projeções e das expectativas de inflação, do hiato do produto (o espaço para a economia crescer sem pressionar a inflação) e do balanço de riscos (os fatores que podem fazer a inflação ficar acima das projeções ou abaixo delas).
Os economistas consultados pelo Estadão/Broadcast veem várias razões para que o comitê adote uma postura data dependent. Depois da rápida elevação de 3 pontos porcentuais nos juros desde dezembro, e em meio à incerteza doméstica e externa, o BC deve buscar flexibilidade para ajustar os seus passos à evolução do cenário nos próximos meses, eles dizem.
Desde a última reunião, a economia deu sinais mais fortes de esfriamento, com o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescendo abaixo do esperado no quarto trimestre e a maioria dos indicadores de alta frequência (que mostram a atividade econômica em prazos mais curtos) mostrando desempenho menor do que o previsto em janeiro. O mercado já reduziu as estimativas para o PIB de 2025.
Recentemente, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, disse que há sinais de moderação na economia, mas ponderou que é cedo para cravar uma tendência. Ele afirmou que é importante acompanhar a evolução dos números para traçar os cenários de inflação.
A cotação do dólar também mostrou algum alívio, caindo da casa dos R$ 6,00 para abaixo de R$ 5,80. Os preços de commodities (matérias-primas com cotação internacional) — em especial, do petróleo — também diminuíram, sugerindo uma menor pressão sobre a inflação. “Muito provavelmente, o modelo do BC deve mostrar uma queda de 0,2 a 0,3 ponto porcentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no horizonte relevante, voltando de 4% para 3,8%”, afirma Damico.
Em contrapartida, as expectativas de inflação do mercado continuaram subindo, de 5,50% para 5,66% em 2025 e de 4,22% para 4,48% em 2026. A inflação corrente não deu sinais de trégua: o IPCA acumulado em 12 meses acelerou de 4,56% em janeiro para 5,06% em fevereiro, 0,56 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. A inflação de serviços subjacentes avançou de 5,95% para 6,22%.
O cenário externo também continua incerto, diante da ampla aplicação de tarifas pelo governo do presidente Donald Trump nos Estados Unidos, com efeito ainda desconhecido sobre a inflação e a atividade global. Também há dúvidas sobre como os bancos centrais desenvolvidos — em especial, o Federal Reserve (Fed, dos EUA) — vão reagir às mudanças.
“O BC ainda precisa fazer um pouco na política monetária antes de poder parar e observar”, diz o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano. Ele espera que o Copom sinalize nesta reunião um ajuste de menor magnitude dos juros em maio, mas reconhece a chance de que os próximos passos fiquem em aberto. “Ainda precisamos de mais informações sobre a atividade para caminhar para um balanço de riscos mais simétrico.”
Serrano espera alta da Selic a 14,75% no fim do ciclo, com um último ajuste de 0,50 ponto em maio.
Balanço de riscos
Além das sinalizações sobre os próximos passos, o mercado está especialmente atento às atualizações no balanço de riscos, que tem assimetria apontando um cenário de alta desde setembro. A maioria dos economistas espera que essa assimetria permaneça, mas há quem aponte a chance de que a evolução do cenário global entre como um vetor de baixa e equilibre a balança.
“O BC poderia adicionar ao balanço, como um fator baixista, o risco de a incerteza econômica global reduzir a confiança, diminuir o impulso para a atividade e acabar em uma pressão menor de preços”, explica o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier. “Se o Copom fizer isso, o balanço fica com três fatores para cada lado, mais simétrico. Mas, pensando nesta fase do ciclo e em deixar espaço para um ajuste adicional da Selic em maio, a tendência deve ser manter o balanço assimétrico.”
Xavier espera que o Copom aumente os juros em 1 ponto porcentual nesta quarta-feira e deixe os próximos passos em aberto, reforçando que a magnitude total do ciclo será ditada pelo seu “firme compromisso de convergência da inflação à meta”. O ABC projeta que a Selic vai subir até 15%, com um aumento final de 0,75 ponto em maio.
Infomoney - SP 19/03/2025
A alta do Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) desacelerou mais do que o esperado em março, a 0,04%, após avançar 0,87% em fevereiro, em resultado puxado pelo forte recuo dos preços de matérias-primas brutas, de acordo com os dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira (18).
Analistas consultados pela Reuters esperavam uma alta de 0,53% na base mensal.
Em 12 meses, o IGP-10 passou a subir 8,59%.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, teve baixa de 0,26% em março, depois de subir 1,02% no mês anterior.
“Nos preços ao produtor, a incerteza global intensificada pela guerra comercial dos Estados Unidos levou à queda dos preços do minério de ferro em março, impactando a retração do IPA”, disse André Braz, economista do FGV IBRE.
: IPCA sobe 1,31% em fevereiro, maior nível para o mês em 22 anos
Os itens que mais contribuíram para o resultado do IPA foram minério de ferro (0,42% para -2,12%), bovinos (3,30% para -3,55%) e carne bovina (-3,56% para -4,53%).
A queda no IPA veio na esteira do recuo dos preços no grupo de Matéria-Primas Brutas, que tiveram deflação de 1,36% em março, após subirem 1,49% no mês anterior.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do índice geral, acelerou, registrando alta de 1,03% no mês, depois de avançar 0,44% em fevereiro.
No IPC, houve acréscimo em cinco das oito classes que compõem o índice: Habitação (-0,44% para 2,77%), Alimentação (0,87% para 1,31%), Vestuário (-0,46% para 0,24%), Comunicação (0,08% para 0,40%) e Despesas Diversas (0,53% para 0,84%).
A tarifa de eletricidade residencial e o aluguel residencial foram os itens com a variação positiva de maior destaque no IPC, subindo 11,31% e 3,32%, respectivamente, em março, ante as quedas de 4,49% e 1,01% no mês anterior.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) desacelerou sua alta, subindo 0,43% em março, depois de um avanço de 0,55% em fevereiro.
O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.
Globo Online - RJ 19/03/2025
O Banco Central deve elevar hoje a taxa básica de juros, a Selic, para 14,25% ao ano, o maior nível desde agosto de 2016. Dessa forma, cumprirá a previsão de três altas de 1 ponto percentual feita pelos próprios diretores do BC na reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom).
Para os próximos encontros, a autoridade monetária deve mudar a sinalização, indicando altas menores ou deixando a porta aberta para avaliar os dados à frente, segundo analistas.
Todos os 26 economistas ouvidos pela Bloomberg, assim como a curva de juros futuros, esperam que o Copom cumpra a previsão. Com o movimento definido, as atenções se voltam para o comunicado. Os especialistas avaliam que o documento deve manter um tom de cautela, sem alterar o balanço de riscos assimétrico para alta da inflação.
Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, acredita que autoridade deve sinalizar pelo menos um novo ajuste em maio, ainda que de menor magnitude. Cassiana Fernandez, economista do JPMorgan, avalia que o Copom deve ficar “mais lacônico” sobre decisões futuras, elevando o grau de liberdade e dependência de dados para as próximas decisões.
Em meio aos sinais de desaceleração da atividade econômica e à queda do dólar desde o Copom anterior, os contratos de juros futuros sinalizam uma desaceleração do ritmo de elevação para 0,5 ponto percentual em maio. Um último aumento, de 0,25 ponto percentual, em junho, levaria a Selic no fim do ciclo de alta para 15%.
Quinta alta no governo Lula
O diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, disse em 7 de março que uma moderação do crescimento pode estar começando, enquanto o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou em 12 de fevereiro que o BC caminha para colocar juros em um patamar restritivo com segurança.
O movimento desta semana deve ser a quinta elevação seguida de juros dentro do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem enfrentado queda em suas taxas de aprovação, atribuída sobretudo à alta dos preços dos alimentos. Apesar do aperto monetário, as expectativas inflacionárias continuam muito acima da meta de inflação, de 3% ao ano. Para este ano, os economistas projetam um IPCA de 5,66%.
Veja comentários de outros analistas:
Alberto Ramos, economista-chefe para America Latina do Goldman Sachs
Devido à alta incerteza doméstica e externa, Ramos acredita que o Copom provavelmente sinalizará que o ciclo de aperto não terminou. Para ele, a magnitude das altas será dependente de dados, com ciclo total determinado pelo firme compromisso de atingir a meta.
Denis Ferrari, gestor de renda fixa da Kinea
O Copom não deve fazer sinalizações para a próxima reunião, avalia Ferrari:
— Se o BC puser o balanço assimétrico e deixar em aberto, se os dados melhorarem, ele para o aperto. Se os dados se mantiverem como estão e o balanço fica assimétrico, ele dá mais uma. Se os dados piorarem com balanço assimétrico, ele dá mais uma e talvez dê outra em junho.
Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management
Para a economista, o comunicado deve vir sem guidance (previsão), mas tentando adotar tom mais neutro. Ela avalia que os diretores do BC que compõem o Copom devem deixar muita coisa “em aberto” e ficará mais dependente de dados da conjuntura, particularmente à atividade doméstica e o cenário internacional.
Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do banco Pine
O comunicado deverá ressaltar o aumento da incerteza global com o início do governo Trump e que os próximos passos são dependentes dos dados, avalia o economista, mas ressalta: o BC adotará cautela redobrada diante do cenário inflacionário atual.
O Estado de S.Paulo - SP 19/03/2025
Até onde o Banco Central pretende subir a taxa Selic é o grande foco de atenção ao fim da reunião do Copom nesta quarta-feira, 19, uma vez que uma alta de 1 ponto porcentual, para 14,25%, já está sacramentada. Resta saber, no comunicado que acompanhará a decisão, qual será a sinalização para os próximos passos do atual ciclo de aperto monetário.
De um lado, exacerbou-se a incerteza do ambiente externo, particularmente o que vai acontecer, de fato, com a guerra comercial do presidente Donald Trump, diante do seu vaivém na adoção das tarifas de importação. Ninguém sabe ao certo qual o impacto dessa política econômica dos EUA, se será apenas inflacionária ou se jogará o mundo numa recessão. Os principais bancos centrais ainda estão debatendo a estratégia adequada para reagir aos efeitos das medidas de Trump.
De outro, do ponto de vista doméstico, as expectativas de inflação seguem bem acima da meta ao longo do horizonte relevante para o Copom. É verdade que, após um período de piora acelerada, essas expectativas começaram a se estabilizar, porém num patamar desconfortavelmente elevado. E, se as projeções de inflação permanecerem nesse nível, o custo para trazê-las de volta à meta será mais salgado, incluindo uma desaceleração mais profunda da economia. Sem falar que, na inflação corrente, os preços subjacentes, como os de serviços, ainda apontam pressão adiante.
Na visão dos analistas, o fator doméstico – expectativas de inflação desancoradas – é o mais urgente para ser combatido pelo Copom neste momento. E, mesmo levando em conta a estimativa dos analistas de uma Selic subindo para 15% ao fim deste ano, conforme a pesquisa Focus, até as projeções de inflação do Copom seguiriam muito acima da meta. Ou seja, não dá para encerrar o ciclo a 14,25%. Assim, o que importa é saber o quanto acima desse patamar a Selic pode subir.
A aposta é de o comunicado dizer que o ciclo de aperto seguirá, mas que, dado o nível já bastante restritivo dos juros, o ritmo de alta será mais moderado na reunião de maio. Isso seria interpretado como uma indicação de que a alta seguinte seria de 0,50 ponto.
Espera-se, também, que o Copom deixe em aberto a possibilidade de outra alta dos juros em junho. Se isso não acontecer, a leitura será de que a sinalização terá sido mais suave.
Há quem defenda que o BC precise já levar em conta um esfriamento maior da economia brasileira. Até agora os dados têm sido mistos, ou seja, a evidência não corroboraria uma preocupação preponderante com a atividade. O foco ainda precisa ser a inflação.
Monitor Digital - RJ 19/03/2025
O ministro do Comércio da China, Wang Wentao, disse que as políticas comerciais do país em relação aos parceiros comerciais, incluindo a União Europeia, têm sido consistentemente estáveis e deu boas-vindas às empresas europeias para aumentarem seus investimentos na China.
Wang fez as observações na segunda-feira durante uma reunião com o CEO da Airbus, Guillaume Faury, de acordo com um comunicado divulgado pelo ministério nesta terça-feira.
Embora a economia global enfrente sérios desafios, a tendência positiva de longo prazo da economia chinesa permanece inalterada, à medida que a economia desfruta de forte resiliência, enorme potencial e vitalidade, disse Wang, acrescentando que a China está confiante em sua capacidade de continuar a alcançar um crescimento econômico estável.
Ele disse que, apesar das mudanças no ambiente externo, as políticas e expectativas da China permanecem estáveis.
A China continuará a promover a abertura de alto nível, otimizar o ambiente de negócios e incentivar vigorosamente o investimento estrangeiro, disse o ministro.
Wang expressou a esperança de que as empresas europeias, incluindo a Airbus, aproveitem as oportunidades para aumentar seus investimentos na China e aprofundar a cooperação industrial em uma tentativa de contribuir com mais produtos e serviços de qualidade para a China e para o resto do mundo.
Faury disse que a Airbus está na China há mais de 30 anos e tem se comprometido a desenvolver seus negócios e parcerias no país.
Como uma empresa multinacional, a Airbus espera estabilidade e certeza no desenvolvimento econômico global e não deseja ver incertezas decorrentes de quaisquer políticas de tarifas adicionais, disse Faury.
A Airbus mantém-se otimista com relação ao mercado chinês e continuará a expandir seus investimentos e sua presença no país para um melhor desenvolvimento no futuro, acrescentou Faury.
Infomoney - SP 19/03/2025
A Super Semana começa nesta quarta-feira (19) com decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, e se estende até sexta-feira (21) com reuniões dos bancos centrais do Reino Unido, Suíça, Japão, China, Taiwan, Chile e Paraguai.
Em comum, os membros dos colegiados de política monetária dos nove países pesarão as incertezas que marcam o cenário global atualmente, em especial o elefante na sala: as idas e vindas do presidente americano, Donald Trump, em torno das tarifas e o impacto delas sobre a inflação.
: Expectativas de inflação acima da meta são “esculhambation”, diz Kanczuk, do ASA
Nos EUA, a expectativa é que o Federal Reserve deixe a taxa básica de juros americana inalterada no intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano. A avaliação de especialistas é que é pouco provável que o Fomc, o colegiado do Fed, cite as tarifas (ou Trump) em seu comunicado, mas todos estarão de olho nas projeções macroeconômicas para inflação, crescimento econômico e juros, que são divulgadas a cada duas reuniões pelo Fomc.
Na última divulgação, o Fed sinalizou dois cortes de juros neste ano, e a dúvida é se esse cenário irá permanecer. “Acredito que o conjunto dessas revisões deve trazer uma inflação um pouco mais elevada em 2025”, aponta Tomás Urani, economista do Santander. “Acho que continuarão a indicar dois cortes para este ano, mas talvez com alguma dúvida em torno disso, como uma sinalização de menos cortes para os anos seguintes ou uma taxa de longo prazo um pouco mais elevada.”
Para Urani, o Fed não mencionará diretamente as tarifas, já que o cenário é de incerteza. “Muito do que foi falado em termos de tarifas ainda não foi implementado, está mais para incerteza”, diz o especialista em economia internacional.
Na avaliação de Fabio Kanczuk, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e atual diretor de macroeconomia do ASA, independentemente da comunicação do Fed, a tendência é que o banco central dos EUA não realize os dois cortes de juros que haviam sido sinalizados para 2025. “O Trump vai colocar tarifas mesmo, e ainda vêm as tarifas recíprocas. É um cenário inflacionário, e dificulta a chance de corte de juros nos Estados Unidos.”
Comunicação para próximas reuniões é dúvida no Copom
No caso da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), a expectativa é de alta de 1 ponto percentual na taxa básica, a 14,25% ao ano. Esse será o último aumento que já havia sido contratado pelo BC no ano passado, antes de Gabriel Galípolo assumir a presidência do Banco Central.
Entre os economistas, a dúvida que fica é se o Banco Central sinalizará que vai dar início à redução de juros no próximo encontro, em maio.
“Esperamos que as autoridades sinalizem, pelo menos, um novo ajuste, ainda que de menor magnitude, na reunião de maio”, afirmou o Itaú em relatório. “Dada a grande distância da inflação e das expectativas em relação à meta e os sinais ambíguos da atividade econômica, deixar, na comunicação do Copom, a porta aberta para o final do ciclo de ajuste implicaria correr demasiado risco inflacionário.”
Para Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Warren Investimentos, o principal ponto que será analisado na decisão do Banco Central é a comunicação. “Consideramos que o Copom deve indicar que antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros na reunião de maio, refletindo o estágio avançado do ciclo de aperto monetário, cujos efeitos cumulativos se manifestarão ao longo do horizonte relevante.”
Na avaliação de Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, a decisão mais prudente seria manter o cenário em aberto para avaliação da evolução da economia brasileira.
“Também é essencial monitorar o desfecho das medidas tarifárias adotadas pelo novo governo dos Estados Unidos e seus possíveis efeitos, como uma inflação mais elevada no país e uma eventual guerra comercial. No entanto, antes de incorporar esses riscos ao cenário, o Copom deve aguardar a materialização de seus impactos, especialmente sobre a economia brasileira.”
Em relatório, o Goldman Sachs apontou que espera que o Copom indique que continuará subindo os juros nas próximas reuniões.
“Dada a elevada incerteza doméstica e externa, o Copom provavelmente indicará que o ciclo de aperto não terminou, mas que a magnitude do(s) aumento(s) da taxa de política dependerá dos dados, com o ciclo geral de aperto determinado pelo firme compromisso de atingir a meta de inflação”, afirmou o banco.
Expectativas de inflação acima da meta
Nos outros países, além das incertezas em torno das tarifas americanas, os bancos centrais avaliarão também expectativas de inflação que, em boa parte dos casos, se mantém acima da meta.
“Temos um cenário no mundo em que a inflação se mantém com dificuldades de convergir para a meta”, aponta Urani. “Essa inflação mais pressionada muito afora tem a ver com o fiscal mais expancionista em alguns países e mercado de trabalho resiliente em diversas regiões”, diz ele.
Uma das reuniões mais importantes será a do BoE (Banco da Inglaterra), que acontece nesta quinta-feira (20). Com o agravamento das notícias sobre a inflação, espera-se que o banco central mantenha as taxas de juros estáveis em 4,5%.
Quem também deve deixar a taxa de juros inalterada é Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês), em decisão que deverá ser anunciada na virada de hoje para amanhã.
Valor - SP 19/03/2025
Foram 30 operações do tipo no ano passado, um aumento de 42,85% em relação a 2023, segundo levantamento realizado pela KPMG
As fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) na indústria mineral no Brasil, no ano passado, mostram que está em curso um movimento de investidores em busca de ativos ligados a minerais críticos. Pesquisa da empresas de consultoria KPMG mostra que em 2024 foram 30 operações de M&A entre empresas de mineração no país, alta de 42,85% em relação a 2023. O total de acordos foi o maior dos últimos 20 anos.
O conceito de mineral crítico inclui níquel, cobre, lítio, nióbio, cobalto e terras raras, mas a relação pode ser maior e variar dependendo de necessidades industriais específicas de cada país e de contextos geopolíticos. Esses produtos servem a diversas finalidades como a produção de carros elétricos, mas também são insumos para a fabricação de equipamentos de energia solar e eólica.
O levantamento da KPMG reforça a ideia de que está em andamento no país tendência segundo a qual mineradoras buscam ativos em meio ao cenário de transição energética. Na semana passada, o Valor mostrou que, considerando apenas os mandatos que estão na rua neste momento, as operações no Brasil têm potencial de somar, juntas, até R$ 15 bilhões, segundo estimativas de mercado.
A pesquisa da KPMG aponta que, das 30 operações em 2024, 12 foram de estrangeiros comprando, de brasileiros, empresas estabelecidas no Brasil. Outras seis foram de companhias brasileiras comprando, de estrangeiros, empresas estabelecidas também no país, enquanto cinco foram operações domésticas.
As demais sete operações foram divididas entre brasileiros comprando, de estrangeiros, empresas no exterior; estrangeiros adquirindo, de estrangeiros, companhias no Brasil; e estrangeiros comprando, de brasileiros, empresas no exterior.
Guilherme Coimbra, sócio da KPMG responsável pelo estudo, destaca que houve transações menores, de compra, inclusive, de companhias que muitas vezes têm apenas um ativo minerário em área com potencial para exploração de minerais críticos. “O primeiro movimento que a gente vê são minerais críticos, gente comprando áreas de lítio, gente comprando projetos no Centro-Oeste, que tem muita coisa de terras raras também. Esse é um processo que conseguimos ver”, afirma Coimbra, para quem o recorde de M&As no setor no ano passado foi “um claro desdobramento” da demanda por minerais críticos.
Coimbra acredita que a busca por minerais críticos vai continuar aquecida globalmente nos próximos anos, fruto de uma demanda que não deve arrefecer, a despeito de eventuais guinadas governamentais que voltem a incentivar o uso de combustíveis fósseis ou de geração de energia não renovável. O sócio da KPMG pondera que grandes empresas seguem investindo em pesquisa e desenvolvimento que terminam por ampliar o uso desses minerais críticos em produtos que existem.
“Vai mudar a dinâmica de como o carro é construído [com mais componentes elétricos]. Isso é uma coisa que veio pra ficar”, acrescenta Coimbra, lembrando que as reservas minerais brasileiras se inserem neste processo como uma garantia aos investidores de um ativo que garanta uma oferta futura. “A tendência é o investidor garantir um volume de suprimento para frente. Quando a gente olha dentro das empresas, a tendência é que elas tentem garantir projetos [para exploração desses minerais críticos]”, ressalta Coimbra.
O especialista diz ainda que o Brasil precisa vencer alguns problemas de investimento em infraestrutura, de forma a facilitar a implementação de projetos. “Se tivermos um escoamento e uma infraestrutura melhores, poderemos crescer bastante. Os minerais raros têm uso inclusive na agricultura. Se conseguirmos andar com uma agenda positiva na infraestrutura, com juros menores, temos um caminho muito favorável”, pondera.
Coimbra afirma que, atualmente, esses novos usos minerais estão transformando toda a indústria de mineração, com enriquecimento em ligas mais resistentes para construção civil, por exemplo. “O céu é o limite com a questão de inovação e de segurança. A expectativa que eu tenho é de crescimento [nas operações de consolidação do setor]”, diz, lembrando ainda que a busca por minerais críticos pode ser menos sensível ambientalmente, uma vez que o uso de barragens é menor.
O Mecânico - SP 19/03/2025
A Mercedes-Benz do Brasil segue avançando com a customização de caminhões e ônibus, com isso, a empresa ampliou a área do Custom Tailored Center (CTC), em sua fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, que passa a contar também com um espaço próprio para veículos elétricos.
Atendimento aos mercados interno e externo
“O expressivo volume de mais de 15.000 caminhões customizados, entre agosto de 2015 e outubro de 2024, significa uma média de 1.666 unidades por ano”, destaca a vice-presidente de Operações de Caminhões e Agregados da Mercedes-Benz do Brasil, Erica Daumichen. “Desse volume, cerca de 11.500 caminhões foram comercializados no mercado interno e 3.500 foram exportados, sendo cerca de 50% para países da América Latina e 50% para outros continentes”, completa.
Com a ampliação da área, a expectativa é manter a produção em cerca de 80% para o mercado interno, 15% para América Latina e 5% para o segmento overseas. 85% das customizações são de caminhões e 15% de chassis de ônibus. Setores como mineração, madeireiro, construção e transporte de bebidas são os que mais puxam a vendas de caminhões customizados. Já no caso dos ônibus, as maiores solicitações envolvem micros e articulados.
Exame - SP 19/03/2025
O desejo da Volkswagen é fabricar mais carros na América do Norte. Agora, enquanto Donald Trumpembarca em uma guerra comercial que agita a indústria automobilística global, o cálculo da montadora alemã se tornou mais complicado.
Nessa mesma época do ano passado, a empresa estava considerando expandir uma fábrica no Tennessee, usar uma fábrica que está planejando na Carolina do Sul ou impulsionar as operações no México. Os executivos agora estão olhando principalmente para opções no sudeste dos EUA, segundo a Bloomberg.
Dona de Porsche, Audi e da nova marca de veículos elétricos Scout, está tentando criar uma estratégia para a nova era tarifária. Ela está considerando uma expansão de sua fábrica em Chattanooga, Tennessee, e olhando para outros locais no sudeste dos EUA para compensar o risco de tarifas mais altas.
A nova fábrica de US$ 2 bilhões da Scout em Blythewood, Carolina do Sul, deve iniciar a produção em 2026.
Falta de clareza no horizonte
Uma decisão final pode estar longe e depende da perspectiva para as tarifas Trump. O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, disse que está esperando por clareza sobre a política comercial de Trump antes de decidir como prosseguir com os investimentos nos EUA. "Algo concreto precisa ser colocado na mesa", disse Blume durante a coletiva de imprensa anual da empresa na semana passada.
A indústria, na verdade, está se preparando para o que está por vir depois de ganhar um tempo extra de um mês do presidente Trump, que prometeu taxar as montadoras que não tenham planos de investir mais nos EUA.
A mudança nos planos da Volkswagen simboliza um pouco a desordem por dentro das indústrias automobilística e de autopeças - isso enquanto o setor tenta antecipar as consequências das novas tarifas dos EUA. Embora o resultado final esteja longe de ser claro, os impactos são imediatos: decisões de investimento estão sendo adiadas enquanto executivos esperam por clareza e o os custos estão começando a subir em uma parte da economia em que a demanda já está limitada.
O Estado de S.Paulo - SP 19/03/2025
A fabricante chinesa BYD anunciou na segunda-feira, 17, ter lançado um sistema capaz de recarregar um veículo elétrico em cinco minutos, tempo equivalente ao que levaria para abastecer um carro a combustão. O tempo de cinco minutos é um terço do que leva um Supercharger da Tesla para carregar um veículo da empresa do bilionário Elon Musk, até então, o carregador mais rápido de veículos elétricos disponível no mercado.
O dispositivo da BYD é denominado Super e-Plataform. Ele tem potência de carregamento de 1.000 kW, energia equivalente a 200 chuveiros elétricos ligados ao mesmo tempo. Os Supercharges da Tesla têm entre 250 kW a 300kW. Os Super e-Plataforms carregam, a cada segundo, carga suficiente para um veículo elétrico rodar a distância de dois quilômetros.
Atualmente, dependendo do modelo do veículo e do carregador, recarregar completamente um carro elétrico pode variar de 4 horas a 24 horas, embora seja possível carregar apenas parcialmente, o que demanda menos tempo.
No comunicado à imprensa, Wang Chuanfu, presidente e CEO da BYD, diz que a intenção da montadora é a de tornar o carregamento de veículos elétricos tão rápido e conveniente quanto abastecer um carro a gasolina.
Por ora, a inovação estará restrita ao mercado chinês, para os modelos Han L e Tang L, conhecidos no Brasil como Tan, que já estão disponíveis em pré-venda. Essas novas versões chegam ao mercado asiático em abril e são dotados de motores de 580 kW, que podem atingir 305 km/h. Eles aceleram de 0 a 100 km/h em 2,7 segundos.
Para suportar a carga, os veículos tiveram adaptações, sobretudo nos componentes elétricos, incluindo um motor de 30.000 RPM – só para efeito de comparativo, o modelo Y da Tesla tem potência máxima de 6.800 RPM. Ele ainda é dotado de chips de potência de carbeto de silício (SiC), elemento considerado tão duro quanto o diamante.
“Esse novo motor não apenas aumenta significativamente a velocidade do veículo, mas também reduz drasticamente o peso e o tamanho em relação aos outros motores, elevando a densidade de potência”, declarou Luo Hongbin, Vice-Presidente Sênior da BYD, em comunicado da empresa.
Para suportar a demanda de carregamento ultrarrápido, a BYD também introduziu uma bateria com canais ultrarrápidos para íons, reduzindo a resistência interna pela metade e permitindo uma corrente de carregamento de até mil amperes.
Segundo a BYD, a bateria é a primeira do mundo a alcançar uma arquitetura de alta tensão de 1.000V para veículos de passageiros em produção em massa, possibilitando a maior potência de carregamento já vista em veículos do tipo.
A empresa planeja instalar 4 mil estações de carregamentos ultrarrápidos na China. Eles serão dotados de resfriamento líquido. Não foi informado se e quando a tecnologia estará disponível para o Brasil.
Realidade distante
Para Cassio Pagliarini, da Bright Consulting, a tecnologia é muito bem-vinda, porém, para ter êxito, depende de alguns fatores,que vão da infraestrutura necessária ao desenvolvimento dos veículos para receber um carregamento muito intenso e de curta duração. Aqueles disponíveis hoje não estão preparados para essa nova tecnologia.
Isso pode levar o comparativo proposto pela montadora – de equivaler o tempo de recarga de um carro elétrico ao de um veículo em veículo em combustão – ser uma realidade cara e que só será implementada em sua totalidade daqui a alguns anos no Brasil.
“Teríamos de criar uma infraestrutura que existes hoje nos EUA e Canadá”, afirma.
Só para efeito comparativo, a rede de supercarregadores da Tesla variam de 250 kW a 300kW. É como se 60 chuveiros – com potência de 5kW– funcionassem simultaneamente. No caso da BYD, seriam como 200 chuveiros ficassem ligados ao mesmo tempo.
“Ou seja, em primeiro lugar, a velocidade do carregamento depende não só do veículo, mas do ponto do carregamento também. Além da infraestrutura, é necessário pensar na transmissão dessa energia”, afirma Pagliarini, engenheiro que atuou por 40 anos em cargos de liderança em montadoras como Ford, Renault e Hyundai.
Segundo ele, embora os prédios tenham condições de receber essa carga, é necessário pensar na previsão não somente do edifício, mas de toda a região onde ele está, e de quantos usarão a nova tecnologia, já que ela não é adaptável aos veículos elétricos que já estão rodando, mas apenas aos novos.
“Se você pegar os veículos mais sofisticados e caros, então sim, seria vantajoso. Porém, é para uma minoria de veículos que estão habilitados, e somente veículo premium. Vai evoluir? Sim, mas eu não acredito que nos próximos cinco anos que seja implementado um sistema de carregamento tão rápido(para todos)”, diz.
Infomoney - SP 19/03/2025
Toronto, no Canadá, não está mais fornecendo incentivos financeiros para veículos Tesla comprados como táxis ou para caronas compartilhadas devido às tensões comerciais com os EUA, disse nesta segunda-feira (17) a prefeita da cidade, Olivia Chow.
A cidade está promovendo a adoção de veículos elétricos adquiridos como veículos de aluguel, oferecendo aos motoristas e proprietários uma redução nas taxas de licenciamento e renovação até o final de 2029, para ajudar a reduzir as emissões.
Mas, a partir de 1º de março, os veículos Tesla não serão mais elegíveis aos incentivos, disse Chow em uma entrevista coletiva.
“Os veículos para aluguel, como táxis, terão que encontrar um tipo diferente de carro”, disse ela à Reuters após a coletiva de imprensa. “Há outros carros elétricos que eles poderiam comprar.”
A exclusão continuará até que as questões comerciais com os EUA sejam resolvidas, disse ela.
A Tesla não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Chow afirmou à Reuters que a decisão foi tomada como resposta ao CEO da Tesla, Elon Musk, que é um dos principais conselheiros do presidente dos EUA, Donald Trump. Trump pediu a anexação do Canadá e impôs tarifas sobre produtos do país, irritando os canadenses.
“Nós certamente dissemos que se você quiser comprar um Tesla, vá em frente, mas não conte com o dinheiro do contribuinte para subsidiá-lo”, disse a prefeita.
Chow afirmou ainda que o impacto financeiro da mudança não seria grande.
“É mais simbólico”, acrescentou.
O Estado de S.Paulo - SP 19/03/2025
A combinação entre as cada vez mais frequentes ondas de calor e o crescimento da economia, com geração de emprego e aumento da renda, fez a indústria de eletroeletrônicos crescer 29% em 2024, na comparação com o ano anterior. Foram comercializadas 117,7 milhões de unidades de diferentes produtos, como geladeiras, televisores, ventiladores e filtros, entre outros, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) divulgados na segunda-feira, 17.
O destaque foi o ar-condicionado, que registrou um recorde histórico de 5,9 milhões de unidades fabricadas, aumento de 38% entre 2023 e 2024, fazendo com que o Brasil saltasse da quinta para a segunda posição entre os maiores fabricantes do produto no planeta, atrás apenas da China.
“São dois fatores preponderantes que fizeram com que a gente alcançasse esses resultados. O primeiro é o econômico. Tivemos aumento na geração de empregos, controle maior da inflação no primeiro semestre do ano passado, redução da taxa de juros em parte do ano, o que facilita a aquisição dos nossos produtos, que normalmente são parcelados, e a parcela precisa caber no bolso da população. Outro fator preponderante foi o climático. A elevação das temperaturas fez com que a população buscasse conforto, comodidade e bem-estar”, afirmou Jorge Nascimento, presidente da Eletros, após participar de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria a Comércio, Geraldo Alckmin, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Palácio do Planalto.
No caso da linha marrom, que inclui televisores, o ano passado registrou a maior produção dos últimos 10 anos, e a segunda maior produção da história, com 13,5 milhões de unidades vendidas, com aumento de 22% em relação a 2023. Na linha branca, que abrange geladeiras, fogões, refrigeradores e máquinas de levar, a indústria nacional registrou crescimento de 17% em 2024, com 15,6 milhões de unidades, praticamente os mesmos indicadores do período pré-pandemia.
Valor - SP 19/03/2025
Para viabilizar esse plano, o governo propôs destinar R$ 15 bilhões do Fundo Social para o Programa Minha Casa, Minha Vida
Depois da proposta de isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas com renda de até R$ 5 mil e o lançamento da linha de crédito do consignado privado, o governo pretende elevar para até R$ 12 mil a faixa de renda do programa Minha Casa, Minha Vida para alavancar os financiamentos habitacionais e fazer um novo afago à classe média.
A avaliação é de que o uso dos recursos do Fundo Social – composto com recursos dos royalties de petróleo - no programa poderá abrir espaço para cumprir promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de elevar o teto de renda para R$ 12 mil. Atualmente, o valor corresponde a R$ 8 mil.
Para viabilizar esse plano, o governo propôs destinar R$ 15 bilhões do Fundo Social para o Programa Minha Casa, Minha Vida. Ontem, o Ministério do Planejamento enviou um ofício à Comissão Mista de Orçamento (CMO) solicitando remanejamento de recurso. A verba iria para a faixa 3 do programa que inclui famílias com renda entre R$ 4.400,01 e R$ 8.000 ao mês.
Com essa destinação, os recursos do FGTS que iriam para esse público migrariam para a nova faixa de renda. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, essa seria uma forma de compensar, pelo menos no curto prazo, a queda dos recursos da caderneta de poupança como funding para os financiamentos imobiliários.
Além de atender a classe média, a equipe do Ministério das Cidades está calculando o impacto do reajuste das faixas de renda 1 e 2 do MCMV para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS). Em agosto, o limite de renda bruta familiar mensal da faixa 1 subiu de R$ 2.640 para R$ 2.850; a faixa 2 passou de R$ 2.640,01 a R$ 4.400,00 para R$ 2.850,01 até R$ 4.700,00 e faixa 3 foi ajustado de R$ 4.400,01 a R$ 8.000,00 para R$ 4.700,01 até R$ 8.000,00.
Esses valores, no entanto, ainda não são aplicados nos financiamentos com recursos do FGTS porque não foram aprovados pelo Conselho Curador do fundo. A próxima reunião ordinária do conselho está marcada para o dia 15 de abril, mas nada impede de convocação de uma extraordinária. A aprovação do reajuste, válido apenas para imóveis do programa bancados por recursos orçamentários, é aguardado com grande expectativa para construtoras.
O MCMV foi lançado em 2009 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi utilizado como vitrine eleitoral dos governos petistas. Em 2020, o governo de Jair Bolsonaro substituiu a iniciativa pelo Casa Verde Amarela. Em 2023, com o retorno de Lula ao poder, o programa foi repaginado e voltou a ter o nome original.
IstoÉ Dinheiro - SP 19/03/2025
O aumento mais brando no custo da mão de obra na construção desacelerou a inflação do setor dentro do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de março, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) passou de uma elevação de 0,55% em fevereiro para uma alta de 0,43% em março.
O Índice que representa o custo de Materiais, Equipamentos e Serviços saiu de um aumento de 0,39% em fevereiro para uma alta de 0,48% em março. Os gastos com Materiais e Equipamentos tiveram aumento de 0,52% em março, enquanto os custos dos Serviços tiveram elevação de 0,18% no mês.
Já o índice que representa o custo da Mão de Obra passou de um aumento de 0,79% em fevereiro para uma alta de 0,36% em março.
“No âmbito do INCC, quase todos os grupos desaceleraram, com exceção de Materiais e Equipamentos, que registrou alta de 0,52%, impulsionada pelo aumento nos preços de Materiais para Instalação”, observou Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.
Exame - SP 19/03/2025
O leilão da concessão da Linha 10-Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), previsto para dezembro de 2025, vai resultar na construção da Linha 14-Ônix, que vai conectar, pela primeira vez, as regiões do ABC Paulista e Guarulhos à zona leste da cidade de São Paulo, com investimento estimado de R$ 13,1 bilhões.
O projeto tem a dinâmica do que se chama de investimento cruzado no mercado de concessões. A empresa deverá operar e investir em melhorias em um ramal já existente (a Linha 10-Turquesa), ao mesmo tempo que terá que construir e operar um novo ativo (a Linha 14-Ônix).
A nova linha metroferroviária terá 41 km de extensão e 23 estações e integração com diversas outras linhas da Região Metropolitana de São Paulo: 3-Vermelha (Corinthians-Itaquera), 10-Turquesa (ABC), 11-Coral (Corinthians-Itaquera), 12-Safira (São Miguel Paulista), 13-Jade (Bonsucesso) e 15-Prata (Sapopemba).
“Nosso objetivo é oferecer um transporte público integrado, acessível e sustentável. A nova estrutura também permitirá conexões diretas com outros modais, ampliando o acesso da população a diferentes regiões do estado de forma mais rápida e integrada. A construção da Linha 14 representa um marco da nossa gestão”, afirma o governador Tarcísio de Freitas.
A nova linha terá duas estações com trecho elevado, 18 com estações subterrâneas e três estações na superfície. A estimativa é que o projeto será concluído em até 10 anos, até 2040, com a implementação dividida em três fases.
Fase 1: Hospital Jardim Helena e Rio das Pedras Fase 2: Estações Rio das Pedras e ABC Fase 3: Estações Hospital Jardim Helena e Bonsucesso
A linha permitirá viajar de Guarulhos ao ABC em 1h30, com intervalos de 5 minutos.
Além da construção da linha 14-Ônix, o projeto inclui a modernização da Linha 10-Turquesa, com mais R$ 6 bilhões em investimentos. O Lote ABC-Guarulhos faz parte do Programa de Parcerias de Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP). O projeto teve as audiências públicas concluídas no início de março, com previsão de publicação do edital no terceiro trimestre de 2025.
Os estudos para viabilizar a concessão da Linha 14-Ônix e da modernização da Linha 10-Turquesa estão sendo realizados pela International Finance Corporation (IFC), instituição do Banco Mundial voltada ao desenvolvimento do setor privado em mercados emergentes, com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco Mundial.
Veja quais serão as estações da futura linha 14-Ônix
Bonsucesso - Estação Elevada Pimentas - Estação Elevada Sacramento - Estação Subterrânea Hospital Jardim Helena - Estação Subterrânea São Miguel Paulista - Estação Subterrânea Vila Jacuí - Estação Subterrânea Imperador - Estação Subterrânea Cidade A. E. Carvalho - Estação Subterrânea Corinthians-Itaquera - Estação Subterrânea Hospital Santa Marcelina - Estação Subterrânea Parque do Carmo - Estação Subterrânea Rio das Pedras/Aricanduva - Estação Subterrânea Jardim Itápolis - Estação Subterrânea Sapopemba - Estação Subterrânea Parque Oratório/Nevada - Estação Subterrânea Hosp. Da Mulher/Cidade dos Meninos - Estação Subterrânea Jardim Sorocaba - Estação Subterrânea ABC - Estação Subterrânea Estádio - Estação em Superfície Miguel Couto - Estação em Superfície Macedo Soares - Estação em Superfície Vila Luzita - Estação em Superfície Jardim Irene - Estação em Superfície
Revista Ferroviaria - RJ 19/03/2025
Controlada pela VLI, a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) está em processo de renovação da concessão, já que o contrato atual está previsto para terminar em 2026. No final de 2024, o governo federal realizou uma série de audiências públicas para apresentar, à população, questões relacionadas à extensão do vínculo.
A ferrovia é controlada pela VLI Logística — que tem Vale e o fundo da Brookfield como maiores acionistas — desde 1996. O contrato está previsto para terminar em 2026, mas uma negociação prevê a extensão da vigência por mais 30 anos, com investimentos de quase R$ 24 bilhões.
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Mas agora, o governo federal também está avaliando a relicitação do trecho, visando um acordo vantajoso para o poder concedente.
A via é considerada a maior malha ferroviária em extensão e alcance do Brasil, com 7.856,8 km de extensão. Atravessa Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e o Distrito Federal. A renovação abrange 5.725 km de trilhos, incluindo os corredores Centro-Leste, Centro-Sudeste, Minas-Bahia e Minas-Rio.
Na proposta de renovação da VLI está a devolução à União do trecho que passa pelo Espírito Santo, de Itaboraí (RJ) a Vitória. Mesmo não operando nesse trecho, a empresa movimenta cargas no Espírito Santo, via permissão de passagem pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), em acordo com a Vale. Isso permite o transporte de produtos de regiões de Minas Gerais pela FCA, que se conecta com a EFVM até chegar aos portos da Grande Vitória para escoamento dos volumes.
O Ministério dos Transportes informou que está trabalhando ativamente para solucionar as questões da renovação da FCA. E detalhou que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizou seis audiências públicas — Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Salvador (BA) e Goiânia (GO) — e recebeu contribuições acerca das demandas logísticas dessas regiões para a construção de uma política com a participação de todos.
Mesmo assim, o ministério ainda considera a possibilidade de relicitação da malha. “A renovação também poderá ser uma alternativa, mas é preciso um entendimento entre as partes com um acordo vantajoso para o poder concedente”, informou o Ministério dos Transportes, em nota.
Já a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que está acompanhando, junto ao Ministério dos Transportes, o andamento das possíveis soluções para o trecho que abrange a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Atualmente, a agência está na fase de análise das contribuições recebidas durante o período de audiência pública.
A VLI, por sua vez, informou que as negociações referentes à renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica seguem regularmente junto à ANTT e ao Ministério dos Transportes.
A empresa detalhou que ao longo do tempo, através de um processo aberto e transparente, apresentou um “conjunto de propostas maduras e equilibradas nos aspectos operacional e econômico, de amplo espectro e com volume expressivo de investimentos, que podem gerar desenvolvimento e renda para milhões de brasileiros”.
“Essas propostas incluem elementos de vantajosidade, como outorga; investimentos para melhoria de mobilidade urbana e indenizações referentes à devolução de trechos, que poderão ser destinados a outras finalidades de infraestrutura; entre diversos outros benefícios. Acreditando na vantajosidade da renovação da concessão, a companhia reafirma a abertura ao diálogo sempre demonstrada sobre os comentários recebidos ao longo do processo”, afirmou a VLI, em nota.
TN Petróleo - RJ 19/03/2025
A Transpetro fechou novos contratos para avançar na modernização da sua frota de aliviadores com a contratação de nove navios de posicionamento dinâmico de alta tecnologia da classe Suezmax DP2. As embarcações irão dobrar a capacidade atual de alívio das plataformas do Sistema Petrobras de 700 mil toneladas de porte bruto (TPB) para 1,35 milhão de TPB até 2028.
Atualmente, a Transpetro opera sete aliviadores de posicionamento dinâmico e dobrará a capacidade operacional com essas novas embarcações, que contarão com inovações tecnológicas e melhor eficiência energética, adequadas ao aumento de produção de sua holding.
A contratação dos novos aliviadores de posicionamento dinâmico foi realizada por meio de consulta internacional ao mercado conduzida pela TIBV, subsidiária holandesa da Transpetro, e concluída em março de 2025.
O processo foi disputado por 22 competidores e o vencedor foi o grupo Tsakos. As embarcações, com 150 mil toneladas de porte bruto cada, serão construídas no estaleiro Samsung, na Coreia do Sul. O contrato tem valor de US$ 2 bilhões para os nove navios durante os próximos 15 anos e segue modelo de afretamento a casco nu.
A expansão da frota de navios aliviadores de alta tecnologia irá recompor a frota da TIBV e acompanhar o crescimento da produção nacional de petróleo prevista pela Petrobras. Dois desses navios aliviadores serão entregues em 2027, e os outros sete, em 2028.
A Transpetro é pioneira na solução de navios de posicionamento dinâmico para a Petrobras desde 2010, quando iniciou afretamentos desse tipo de embarcação para alívio das plataformas.
Os navios contratados
Utilizados para alívio de plataformas que produzem petróleo em águas profundas e ultraprofundas, os nove navios de posicionamento dinâmico da classe Suezmax DP2 fazem parte de uma nova geração de navios, que garantem maior eficiência energética e menor emissão de gases que provocam o efeito estufa.
As embarcações são mais econômicas e possuem estabilidade adicional para a saída de águas ultraprofundas, garantindo maior eficiência durante a operação e fortalecendo a segurança.
As novas embarcações terão itens adicionais de eficiência energética, como motores de baixa emissão de NOx (Tier III), sistema de carregamento pela proa (BLS), preparação para combustíveis alternativos, como metanol e etanol, e conexão com energia em terra (shore-power) em terminais eletrificados.
Esse pacote tecnológico permitirá a redução em até 30% nas emissões de gases poluentes, atendendo as determinações da Organização Marítima Internacional (IMO) e reforçando o compromisso da Transpetro com a descarbonização de suas operações.
“A Transpetro segue sua nova trajetória de ampliação da capacidade logística, investindo em tecnologia de ponta e garantindo que o Sistema Petrobras amplie sua produção de petróleo de maneira sustentável e com menos emissões”, afirma o diretor de Transporte Marítimo, Jones Soares.
Expansão da frota
Desde 2023, a Transpetro tem ampliado investimentos para consolidar seu protagonismo como maior operador logístico multimodal da América Latina.
Em fevereiro deste ano, companhia assinou o primeiro contrato do Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras para aquisição de quatro navios da classe Handy, que serão construídos pelo consórcio dos estaleiros Rio Grande (RS) e Mac Laren (RJ), no Brasil.
Também em 2025, no âmbito do mesmo programa, a Transpetro lançou a licitação pública internacional para a aquisição de oito navios gaseiros com capacidade de 7 mil, 10 mil e 14 mil metros cúbicos em dois lotes.
A companhia pretende ampliar em 25% a capacidade logística de cabotagem até 2030.
Sobre a Transpetro - Operando 48 terminais (27 aquaviários e 21 terrestres), cerca de 8,5 mil quilômetros de dutos e 33 navios, a Transpetro é a maior subsidiária da Petrobras. A empresa é a maior companhia de logística multimodal de petróleo, derivados e biocombustíveis da América Latina.
A Transpetro presta serviços a distribuidoras, à indústria petroquímica e demais empresas do setor de óleo e gás. A carteira da subsidiária da Petrobras conta com mais de 160 clientes.
A Tribuna - SP 19/03/2025
A proposta para o Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, que ficará na área STS10, a ser arrendada no cais do Saboó, ao lado do Parque Valongo, no Porto de Santos, prevê que a empresa vencedora construa no local a infraestrutura necessária para receber os maiores navios do mundo. São embarcações da classe Triple E, com 400 metros de comprimento, por 59 de largura, 73 de altura, com capacidade para transportar até 18 mil TEU (unidade de medida de um contêiner padrão de 20 pés).
Conforme consta na minuta do contrato, entre os investimentos obrigatórios do concessionário está a construção de um cais de atracação compatível com esses navios gigantes, ainda inéditos em Santos. Atualmente o cais santista já recebe os da classe New Panamax (366 metros e 14 mil TEU), mas não com capacidade total devido à falta de estrutura e profundidade necessárias. No Tecon Santos 10, haverá exigência de extensão de cais suficiente para atracação simultânea de três navios da classe New Panamax e um da classe Panamax (294 metros e 5 mil TEU). A profundidade dragagem precisará ser de 17 metros.
Ainda conforme os documentos liberados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o cais do Tecon Santos 10 deverá ter dois berços de 823 metros até o quarto ano de contrato, um terceiro berço de 1,2 km até o sexto ano e o quarto berço, de 1,5 km, até o oitavo ano de arrendamento. O investimento estimado é no terminal é de R$ 5,6 bilhões para um contrato de 25 anos, que pode ser prorrogado.
Mais infraestrutura
O arrendatário também terá que investir, até o final do oitavo ano de contrato, em um pátio de contêine-res e carga geral e vias de circulação para 3,5 milhões TEU/ano, além de novos pátios (retroárea) de, no mínimo, 130 mil metros quadrados (m²), drenagem, pavimentação, rede elétrica, iluminação e combate a incêndio. Também estão previstas vigas de rolamento para atender ao trânsito de transtêineres (guindastes para cargas).
A empresa que assumir o terminal terá, ainda, que construir um pátio regulador de tráfego, de 87,8 mil m2, a 50 km de distância do terminal, até o sexto ano de contrato e investir em área de recepção e expedição de caminhões até o oitavo ano. Essa área deverá conter gates automatizados e sistema de agendamento para evitar filas nas vias externas de acesso ao Porto.
Ramal ferroviário
A minuta de contrato do Tecon Santos 10, divulgada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), também prevê a implantação de um ramal ferroviário de conexão com o Porto, obra que poderá ser substituída pelo pagamento de outorga adicional de R$ 24,5 milhões à Autoridade Portuária de Santos (APS). O prazo para construir o ramal ou pagar o valor termina no oitavo ano de arrendamento.
Além disso, o arrendatário terá que, até o quarto ano de contrato, instalar um sistema de tratamento de água e outro sistema de subestação de energia, com fácil acesso para a Autoridade Portuária. A nova infraestrutura deverá suprir a demanda de iluminação pública no trecho da Avenida Engenheiro Augusto Barata, conhecida como Retão, no bairro da Alemoa.
Audiência pública virtual
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) realiza nesta terça (18), às 14h30, a audiência pública virtual sobre o arrendamento do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, na área do STS10, no Porto de Santos. A transmissão ao vivo será pelo canal da agência no YouTube.
Conceituado como um megaterminal, o ativo deverá ampliar a movimentação de contêineres do Porto de Santos em 50%. O leilão está previsto para acontecer entre outubro e dezembro deste ano.
A licitação será presencial e o maior valor de outorga será o critério de escolha da proposta mais vantajosa para o arrendamento da área de 621,9 mil metros quadrados (m2) no cais do Saboó, na Margem Direita do complexo portuário. O contrato estabelece investimentos obrigatórios e uma movimentação anual de 3,5 milhões de TEU (unidade de medida de um contêiner padrão).
“O empreendimento foi reestruturado recentemente pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e pela Antaq e está desenhado para ser o maior terminal do Porto de Santos, consolidando-se como essencial para atender à demanda de movimentação e armazenagem de contêineres e carga geral no complexo portuário”, afirma o MPor, em nota.
Ajustes
O diretor da Graf Infra Consulting e professor de MBA de Gestão Portuária da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rodrigo Paiva afirma que são importantes alguns ajustes na modelagem disponibilizada para garantir a capacidade desejada e atendimento rápido aos navios.
“Um estudo de manobras será essencial para viabilizar a implantação do terminal versus expansões programadas de outros players. Será necessário garantir também um giro eficiente do pátio para se atingir a capacidade projetada”.
Consulta
O período de consulta pública continua aberto e se estenderá até as 23h59 do dia 24 de março exclusivamente por meio do formulário eletrônico disponível no site da Antaq.
As minutas jurídicas e documentos técnicos do Tecon Santos 10 estão disponíveis no link bit.ly/3ReoYvx.
Será permitido anexar imagens digitais, tais como mapas, plantas e fotos exclusivamente pelo e-mail anexo_audiencia022025@antaq.gov.br mediante identificação do contribuinte e no prazo estipulado.
Terminal de cruzeiros
O futuro concessionário do Tecon Santos 10 terá que arcar com um valor de outorga inicial de R$ 1,19 bilhão destinado a subsidiar a transferência do Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, de Outeirinhos para o Valongo. O equipamento turístico para cruzeiros será instalado ao lado do STS10, na água, em frente ao Parque Valongo.
A Autoridade Portuária de Santos (APS) retomou em outubro esse projeto na água, que era a proposta inicial, apresentada em 2022, porque o Governo Federal decidiu fazer o leilão de todo o STS10 para contêineres, não sobrando espaço para o Concais em terra.
Portos e Navios - SP 19/03/2025
O estado do Piauí contará com aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos para fortalecer sua infraestrutura portuária e hidroviária. O anúncio foi feito pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, durante reunião com o senador Marcelo Castro, nesta terça-feira (18). Os recursos serão destinados à revitalização do Porto de Luís Correia e à construção da hidrovia do Parnaíba, projetos que devem impulsionar o desenvolvimento econômico da região.
A hidrovia do Parnaíba é vista como essencial para a economia do estado, facilitando o transporte de cargas e reduzindo custos logísticos para os produtores locais. Além disso, permitirá o transporte de passageiros entre cidades ribeirinhas, estimulando o comércio e a mobilidade.
Já a modernização do Porto de Luís Correia, um terminal de uso privado (TUP), busca fortalecer a movimentação de mercadorias, beneficiando o escoamento de minérios, pescados e produtos agrícolas. O projeto também deve contribuir para o turismo e impulsionar cadeias produtivas ligadas à indústria.
Durante a reunião, foi debatida a conectividade aérea do estado, incluindo a retomada de voos para municípios piauienses. O governo federal segue em negociações com companhias aéreas para ampliar e melhorar a malha aérea regional.
Valor - SP 19/03/2025
Ministro de Minas e Energia afirmou que a redução de preço só ocorrerá com a “renegociação dos contratos” de distribuição e de transporte
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, voltou a defender nesta terça-feira (18) a mudança de regras no mercado de gás natural para estimular a redução do preço do combustível usado na geração de energia elétrica e como insumo para a indústria de base.
Durante evento sobre o tema, realizado na sede do Ministério de Minas e Energia, Silveira afirmou que a redução de preço só ocorrerá com a “renegociação dos contratos” de distribuição, segmento responsável pela entrega do produto ao consumidor final, e transporte, que forma rede de gasodutos para transportar grandes volumes dos centros de produção para as diferentes regiões do país.
“Precisamos de um marco regulatório confiável e que remunere adequadamente os investimentos”, afirmou o ministro de Minas e Energia, no evento “Experiências Internacionais em Gas Release e Plano de Infraestruturas de Gás Natural e Biometano”.
No discurso, o titular da pasta de Minas e Energia afirmou que o gás natural é energia para “alavancar a indústria nacional” e é considerado o “combustível para a nova economia” no apoio ao processo de descarbonização.
“É surreal pensar que o preço do gás natural é de US$ 2,5 por milhão de BTU na cabeça do poço e custar US$ 14,50 por milhão de BTU ao consumidor final”, disse Silveira aos participantes do evento. “Hoje, vamos publicar nota técnica da EPE [Empresa de Pesquisa Energética] com metodologia da remuneração máxima sobre a infraestrutura de gás”, acrescentou.
Para o ministro, é possível reduzir o valor do acesso à infraestrutura de escoamento e às plantas de processamento de US$ 8,58 para US$ 1,80 por milhão de BTU. “Daqui para frente, a remuneração será adequada ao capital investido”, ressaltou.
Segundo o ministro, o governo trabalha para reduzir o custo do gás natural por decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Recebi o desafio do nosso presidente Lula de baratear o gás natural. Estamos seguindo exemplos internacionais de sucesso. O ‘gas release’ é um passo importante nessa direção. É uma iniciativa ousada para quebrarmos os monopólios do gás natural. Estamos seguindo exemplos internacionais de sucesso”, afirmou Silveira, ressaltando a referência internacional de regulação do setor para promover maior competição nesse mercado.
Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Petro Notícias - SP 19/03/2025
Anote a data do dia 25 de março, na próxima semana, quando a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), vai abrigar mais uma iniciativa de estímulo à indústria de óleo e gás brasileira. Desta vez, a Rede de Oportunidades Óleo, Gás e Naval (RdO), um programa da federação com o objetivo apoiar a indústria fornecedora fluminense a se aproximar de modo qualificado de grandes demandantes, vai abordar gasodutos e oleodutos. O encontro terá a parceria da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S.A. (TBG), que apresentará suas oportunidades e seus requisitos de compras de bens e serviços. Para lembrar, neste ano a Firjan já promoveu RdO com a Petrobrás e a Transpetro. O evento será o Centro de Convenções da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – Av. Graça Aranha 1 – Centro do Rio, a partir das 15h. O empresário que deseja participar do Rede de Oportunidades com a TBG deve se inscrever no link https://www.firjan.com.br/eventos/rede-de-oportunidades-com-tbg-firjan.htm
Paulo Fernandes, presidente da Liderroll.
Há pouco mais de duas semanas, o Petronotícias publicou uma reportagem especial tratando de uma proposta bem aceita pelas boas empresas deste segmento, tratando de formas para se acelerar a construção de novas vias de dutos, com uma abordagem mais moderna, como a construção de gasodutos e oleodutos aparentes, uma ideia proposta pelo empresário Paulo Fernandes, presidente da Liderroll, empresa especializada no segmento, com experiência internacional:
“ É claro que esta proposta traz uma nova abordagem, como a ligação da TBG com seus possíveis fornecedores. Com certeza a Liderroll estará presente para ouvir e também participar. Acredito que a presidente da companhia, Angélica Laureano, uma profissional séria e respeitada pelo mercado, possa estar também presente para levar toda sua experiência, assim como as outras grandes empresas do setor. A Firjan lidera muitas ações neste aspecto e isto é muito importante, porque tem profissionais de alto nível, como a Karine Fragoso, sempre presente com uma palavra de orientação. Uma pessoa que todo mercado de óleo nutre um grande respeito“, disse Fernandes.
Karine Fragoso -Gerente de óleo e dás da FIRJAN
Programação/Agenda
14h30 – Início do credenciamento
15h – Abertura/boas-vindas
15h30 – Apresentação Firjan Rede de Oportunidades
15h40 – Apresentação TBG – Oportunidades, Desafios e Tendências
16h30 – Encerramento das palestras e início do Networking
16h50 -Mesas individuas
18h30 – Encerramento
Valor - SP 19/03/2025
Os contratos futuros de petróleo fecharam esta terça-feira (18) em queda, após operarem a maior parte do dia no campo positivo. A inversão no movimento de alta veio no decorrer da tarde, após a Casa Branca divulgar os detalhes da conversa entre Donald Trump e o presidente russo Vladimir Putin, indicando um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, retirando o prêmio de risco geopolítico embutido no preço do petróleo.
No fechamento, na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos futuros para o petróleo WTI (referência dos Estados Unidos) de abril caíram 1,01%, a US$ 66,90 por barril. Na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent (referência mundial) para entrega em maio registrou queda de 0,72%, a US$ 70,56 por barril.
De acordo com o comunicado compartilhado pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, Trump e Putin falaram sobre a necessidade de paz e um cessar-fogo na guerra da Ucrânia. “Ambos os líderes concordaram que este conflito precisa terminar com uma paz duradoura. Eles também enfatizaram a necessidade de melhorar as relações bilaterais entre os Estados Unidos e a Rússia”, disse.
“Os líderes concordaram que o movimento para a paz começará com um cessar-fogo de energia e infraestrutura, bem como negociações técnicas sobre a implementação de um cessar-fogo marítimo no Mar Negro, cessar-fogo total e paz permanente. Essas negociações começarão imediatamente no Oriente Médio”, diz o comunicado.
Money Times - SP 19/03/2025
Em busca de reduzir o preço do gás natural, o Ministério de Minas e Energia discute a possibilidade de cortar valores cobrados pelo acesso ao escoamento e processamento do insumo no Brasil, o que teria impactos na Petrobras (PETR4), operadora dos principais ativos.
Em evento nesta terça-feira o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse ser possível reduzir o preço do acesso de US$8,58 por milhão de BTU para US$1,80 por milhão de BTU, sem considerar a venda de líquidos.
Sem mencionar a Petrobras ou outras empresas, Silveira citou que o sistema atual encarece o insumo.
“O preço do gás natural na cabeça do poço é baixo no Brasil. O que encarece o preço para o consumidor final são as infraestruturas nacionais”, afirmou Silveira, ao participar da abertura do evento Experiências Internacionais em Gas Release e Plano de Infraestruturas de Gás Natural e Biometano, em Brasília.
“É surreal pensar que o preço do gás natural é de US$2,5 por milhão de BTU na cabeça do poço e custar US$14,50 ao consumidor final”, afirmou.
A Petrobras domina a operação dos gasodutos de escoamento do insumo produzido em alto-mar, de onde vem a maior parte da produção nacional, embora a empresa tenha vendido anteriormente suas principais redes de transporte, como TAG e NTS. A companhia também opera unidades de processamento do gás em terra.
“Também vamos enfrentar as cláusulas abusivas dos contratos do sistema de escoamento e de processamento de gás”, ressaltou Silveira.
Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.
A estimativa de redução de custos foi anunciada por Silveira com base em nota técnica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que deve ser publicada nesta terça-feira.
A nota técnica deve trazer uma metodologia para calcular a remuneração máxima referente ao acesso do escoamento e processamento de gás.
O estudo da EPE vem como resultado de um trabalho do governo federal para tornar o gás natural mais competitivo no Brasil.
A diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, Heloísa Borges, explicou à Reuters que um dos diagnósticos apontados no âmbito do Programa Gás para Empregar, do governo federal, foi o elevado custo para acesso às infraestruturas de escoamento e processamento de gás natural.
“O Decreto do Gás para Empregar endereçou esse ponto quando trouxe a previsão de definição de critérios que garantam uma remuneração justa e adequada, de modo a incentivar investimentos, garantir a viabilidade econômica da cadeia do gás e proteger os interesses dos consumidores”, afirmou Borges.
O estudo a ser publicado pela EPE, segundo a diretora, tem base na análise de diversas metodologias disponíveis, buscando apresentar uma que concilie as questões regulatórias e econômico-financeiras, de forma que haja simultaneamente um preço de acesso que garanta a competitividade do gás e um retorno financeiro adequado ao investidor.
“O estudo se insere no contexto de progressivos esforços que visam promover a formação de um mercado concorrencial de gás natural no Brasil”, adicionou.
Gás mais barato
Em seu discurso, Silveira pontuou ainda que recebeu o desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de baratear o gás natural e destacou também que o programa federal Gas Release é um “passo nessa direção”, que busca quebrar monopólios do gás natural.
O Gas Release, segundo o ministério, é um dos tipos de programas de venda compulsória por meio de leilões que devem ser desenhados para dinamizar o processo de introdução da concorrência na indústria do gás natural, especialmente nas etapas iniciais de abertura do mercado.
“É uma iniciativa ousada para quebrarmos os monopólios do gás natural. Precisamos de um mercado mais inteligente, merecemos preços justos e serviços melhores. Isso só acontecerá com a renegociação dos contratos de distribuição, com remuneração mais adequada. Um punhado de fornecedores não pode deter o controle de todo o mercado brasileiro”, disse o ministro.
Valor - SP 19/03/2025
Há a possibilidade de criar rota para o transporte do gás natural de Vaca Muerta utilizando tanto o Gasoduto Norte quanto o Gasbol
A Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA) recebeu a tarefa do governo federal de realizar em 2025 o primeiro leilão de volumes de gás natural da União no mercado. Responsável por representar a União em contratos do pré-sal, a estatal deve iniciar a entrega dos volumes contratados em 2027.
De acordo com dados oficiais obtidos pelo Valor, a oferta de gás pela PPSA deve ficar em 300 mil de metros cúbicos (m3) por dia em 2026. O montante deve saltar para 1,1 milhão de m3 /dia em 2027, com pico de oferta de 3,4 milhões de m3 em 2031.
Nos anos subsequentes, a quantidade de gás ofertada na costa brasileira começará a cair gradativamente em conjunto com o declínio da produção dos campos do pré-sal - movimento que justifica a busca por novas fronteiras de exploração de petróleo e gás no país, como na região da Margem Equatorial.
A expectativa do governo é que, até a realização do leilão, a PPSA já tenha avançado nas negociações com a Petrobras sobre o custo de acesso da infraestrutura de escoamento do gás natural dos blocos de produção até a costa brasileira. A Petrobras é dona - ou detém majoritária da participação societária - dos gasodutos de escoamento (Rotas 1, 2 e 3) e das Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGNs).
Além de buscar a revisão de preços, a PPSA tentará derrubar o que o governo considera como “cláusulas abusivas” estabelecidas nos mesmos contratos de uso dos ativos de escoamento e processamento do gás do pré-sal. Segundo relato de fonte oficial que acompanha o assunto, a Petrobras impõe multas contratuais em questões que fogem à responsabilidade dos usuários que contrataram o acesso aos ativos. “São assumidos riscos sobre aspectos que a PPSA não controla”, explicou uma fonte ao Valor.
s penalidades impostas pela Petrobras, segundo o Valor apurou, correspondem a 250% das tarifas contratadas. Essas cobranças envolvem, por exemplo, situações de interrupção na operação dos gasodutos ou das UPGNs ou se for detectado problemas de qualidade ou de especificações técnicas do gás transportado. Isso ocorre mesmo sem a PPSA produzir o gás natural ou operar o gasoduto - atividades que geralmente são assumidas pela Petrobras por seu protagonismo na exploração do pré-sal.
Outra cláusula considerada abusiva é a cobrança de garantia financeira da PPSA, para o caso de não honrar o pagamento dos contratos, se a estatal do pré-sal enfrentar dificuldade financeira.
Procurada, a Petrobras não deu retorno até o fechamento desta reportagem.
InfraRoi - SP 19/03/2025
A concessionária Ecovias Noroeste Paulista começa ainda este mês as obras de ampliação da Rodovia Washington Luís (SP-310) na região de São José do Rio Preto, de acordo com o governo estadual. O projeto inclui a construção de terceira faixa, viadutos, marginais e iluminação em um trecho que vai de Cedral a Mirassol. O investimento previsto é de cerca de R$ 455 milhões, e a conclusão está programada para o segundo semestre de 2027.
Serão implantados 15,8 quilômetros de vias marginais em São José do Rio Preto (entre os kms 436 e 446), Cedral (km 425) e Mirassol (km 448). Além disso, a rodovia ganhará 26,3 quilômetros de terceira faixa nos dois sentidos, em trechos entre os kms 428 e 436 e do km 444 ao km 452.
O que vai mudar na Washington Luís
Uma das principais mudanças será a reformulação do trevo que liga a Washington Luís à Rodovia Transbrasiliana (BR-153), com novas alças de acesso e viadutos para melhorar o fluxo de veículos. Os acessos a São José do Rio Preto também serão modernizados.
O projeto também prevê a construção de 11 viadutos para melhorar a mobilidade e segurança na rodovia. Entre eles, um será no entroncamento com a BR-153, enquanto outros serão distribuídos em pontos estratégicos, como os quilômetros 437, 439, 440 e 442.
A terceira faixa será construída, em sua maior parte, no canteiro central, evitando desapropriações laterais. Também estão previstas obras de recuperação do pavimento ao longo de todo o trecho concedido.
Com a ampliação da rodovia, a expectativa é de que o tráfego fique mais organizado, separando o fluxo de veículos de longa distância do tráfego local. A melhoria na infraestrutura também deve aumentar a segurança e reduzir o risco de acidentes, além de impulsionar a economia regional com a geração de empregos diretos e indiretos.
Mais obras na altura de São Carlos
A Ecovias Noroeste Paulista também vai ampliar o trecho da Washington Luís em São Carlos (SP) com 19,2 quilômetros de faixas adicionais, sendo 10 km no trecho norte (sentido capital-interior) e 9 km no sul (interior-capital). As obras ocorrerão entre o km 227+800, próximo ao trevo para Descalvado, e o km 242+500, na divisa com Ibaté.Com previsão de conclusão para abril de 2027, o investimento na obra ultrapassa R$ 150 milhões e inclui infraestrutura como iluminação na marginal, drenagem, sinalização e pavimentação.
A terceira faixa também será implantada no canteiro central da rodovia e o projeto ainda prevê a construção de uma marginal com 3,1 km – sendo 2,3 km na pista norte e 0,77 km na pista sul – conectando a Avenida Getúlio Vargas, no Jardim Novo Horizonte, até a Rua Teotônio Vilela, no Jardim Tangará. Também serão implantados 3,9 km de ciclovias/calçadas e duas novas passarelas nos quilômetros 231+100 e 236+200, complementando a infraestrutura já existente.
Uma nova Área de Descanso para Caminhoneiros (ADC) será construída no km 252, na região de Ibaté. O projeto ainda contempla o alargamento e a adequação de Obras de Arte Especiais (OAEs), como viadutos e pontes, melhorando a segurança e a fluidez do tráfego.
A ampliação da rodovia trará benefícios diretos à segurança e mobilidade, reduzindo o tempo de viagem e os riscos de acidentes, especialmente devido ao alto volume de veículos pesados na região. A nova marginal absorverá parte do trânsito urbano, desafogando a rodovia e melhorando o fluxo nos horários de pico. Além disso, a obra impulsionará a eficiência logística da região de São Carlos, facilitando o transporte de mercadorias e otimizando o deslocamento dos motoristas.
Valor - SP 19/03/2025
Repactuação da Eco101, aditivos da Imigrantes e novo leilão da EcoSul são projetos de expansão; R$ 50 bilhões já estão contratados
Marcello Guidotti: “O momento é difícil para esse tipo de operação [venda de ativos]” — Foto: Gabriel Reis/Valor
Com R$ 50 bilhões de investimentos contratados, a Ecorodovias deverá priorizar os ativos que já opera, e não novos leilões de rodovias, de acordo com Marcello Guidotti, diretor-presidente da companhia.
Hoje há três principais projetos de crescimento, afirmou o executivo, em conversa com o Valor. São eles: a construção de uma terceira rota entre a capital paulista e a Baixada Santista, um megaempreendimento já em negociação com o governo de São Paulo; a nova licitação da EcoSul, concessão no Rio Grande do Sul que chega ao fim em 2026 e será novamente leiloada; além da repactuação da Eco101, concessão da BR-101 no Espírito Santo, cujo acordo com o governo federal deverá destravar R$ 7 bilhões em obras a partir de junho deste ano.
A renegociação da Eco101 acaba de entrar na reta final. O acordo foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na semana passada e agora será oferecido ao mercado, em um processo competitivo no qual outros grupos poderão disputar o contrato - um mecanismo inovador criado para solucionar concessões problemáticas. A concorrência foi marcada para 26 de junho.
Guidotti, porém, não espera competição. “Tem bastante oportunidades no mercado primário, de novos leilões. A gente não espera [outros] interessados, mas é um processo que está lá, os documentos serão públicos, e vamos estar preparados”, disse. O investimento previsto na Eco101 já está contemplado no cálculo de R$ 50 bilhões de obras do grupo.
A companhia chegou a tentar uma repactuação também do contrato da EcoSul, que inclui 457 km de estradas no Rio Grande do Sul e chega ao fim em março de 2026. Porém, a negociação, que poderia estender esse prazo, foi negada pelo governo, que optou por um novo leilão - este, segundo o presidente, certamente interessará ao grupo.
Por fim, estão em curso discussões com o governo de São Paulo para incorporar novos investimentos ao contrato da Ecovias dos Imigrantes, que opera o sistema Anchieta-Imigrantes. O principal deles seria a construção de uma terceira ligação entre a capital e a Baixada Santista.
A empresa já foi autorizada pelo Estado a estudar o projeto executivo e a buscar as licenças ambientais do empreendimento, etapa que deverá se estender até meados de 2026. Só então haverá uma decisão final sobre a efetiva contratação. Por enquanto, a companhia não tem o valor da obra, mas o governo tem falado em ao menos R$ 6 bilhões.
“Esperamos que na segunda metade de 2026 seja possível discutir a contratação”, disse Guidotti. Se tudo correr bem, a obra poderia começar entre o fim do ano que vem e o início de 2027. Em uma estimativa inicial, a construção deverá levar cerca de quatro anos, segundo ele.
Caso a inclusão da obra se confirme, há diversas possibilidades na mesa para o reequilíbrio, que poderá incluir um aporte do Estado e uma nova ampliação do prazo do contrato. A própria receita adicional que a Ecorodovias teria com a nova ligação seria uma compensação pelo investimento.
Para Guidotti, a principal meta da Ecorodovias para os próximos anos é executar as obras contratadas - um desafio que ele avalia ser mais de engenharia do que financeiro, mesmo no atual cenário de juros. Segundo ele, a empresa tem caixa para fazer frente às obrigações de 2025 e tem conseguido financiamento em boas condições no mercado.
A empresa encerrou 2024 com uma dívida líquida de R$ 16 bilhões, 19,3% maior do que no ano anterior. O endividamento de curto prazo terminou o ano em R$ 5,5 bilhões, enquanto o caixa do grupo era de R$ 4 bilhões.
A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), encerrou o ano passado em 3,4 vezes. Trata-se de uma redução em relação aos anos anteriores: em 2023, o indicador era de 3,5 vezes e, em 2022, de 4,3 vezes. Com o início de grandes obras no curto prazo, o índice poderá voltar a um pico de 4,5 vezes entre 2028 e 2029 - patamar que Guidotti diz ser normal para uma empresa de infraestrutura.
A Ecorodovias também estuda vender participações em ativos do portfólio para ganhar fôlego, porém, o presidente afirma que o cenário atual não tem se mostrado favorável. “Estruturamos um processo, acho que o momento é talvez difícil para esse tipo de operação. Mas não foi algo planejado para ser necessário, obrigatório. Foi uma forma de sondar o mercado”, disse, destacando que a ideia não é se desfazer dos contratos, mas sim atrair sócios. Um novo “follow-on” também não está na mesa neste momento e tampouco é necessário, disse ele.
No último trimestre de 2024, a Ecorodovias registrou lucro líquido de R$ 142 milhões, aumento de 20,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Ebitda avançou 26,2%, para R$ 1,15 bilhão, e a receita operacional líquida cresceu 5%, para R$ 2,79 bilhões, no período.
Em meio a um momento de transformação do mercado rodoviário, com uma proliferação de novas concessões e a entrada de novos atores, Guidotti afirma que a meta de longo prazo da Ecorodovias é se manter como um grupo de referência no setor rodoviário, tanto pelo tamanho quanto pela entrega de resultados. Outros segmentos da infraestrutura estão descartados, diz ele.