IstoÉ Dinheiro - SP 20/03/2025
A Comissão Europeia revelou um Plano de Ação destinado a fortalecer a competitividade e promover a descarbonização da indústria do aço e dos metais na Europa. O setor, considerado vital para a economia europeia, fornece insumos essenciais para áreas estratégicas, como automotiva, tecnologias limpas e defesa. No entanto, enfrenta desafios significativos, como altos custos de energia, concorrência global desleal e a necessidade de investimentos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, segundo o texto.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, destacou que “o aço de próxima geração, limpo, deve continuar a ser fabricado na Europa”, e reforçou a importância de apoiar os produtores europeus em um mercado global cada vez mais competitivo.
O plano propõe medidas concretas para garantir um suprimento de energia acessível e seguro, promovendo o uso de acordos de compra de energia e incentivando os Estados-membros a reduzir tarifas de rede e flexibilizar taxas de energia.
Além disso, busca acelerar o acesso à rede para indústrias intensivas em energia e aumentar o uso de hidrogênio renovável e de baixo carbono.
Para prevenir o vazamento de carbono, o Mecanismo de Ajuste de Carbono nas Fronteiras será reforçado, garantindo que indústrias fora da UE não “lavem” seus metais para parecerem mais sustentáveis. A Comissão também proporá a extensão do CBAM para produtos derivados de aço e alumínio até o final de 2025.
A proteção das capacidades industriais europeias é outra prioridade, com a Comissão propondo medidas de defesa comercial mais rigorosas, incluindo a avaliação da introdução da regra “melted and poured” para determinar a origem dos produtos metálicos. A circularidade também é um foco central, com metas para o uso de aço e alumínio reciclados em setores-chave e medidas para garantir a disponibilidade de sucata metálica, essencial para a produção de aço descarbonizado.
O plano ainda destina 150 milhões de euros do Fundo de Pesquisa para Carvão e Aço (2026-27) e 600 milhões de euros do Horizon Europe para apoiar a descarbonização, além de proteger os 2,6 milhões de empregos diretos e indiretos ligados ao setor, com políticas ativas de requalificação e transição justa.
Veja - SP 20/03/2025
Oito dias depois de o governo de Donald Trump anunciar tarifas de 25% sobre importações de aço e de alumínio provenientes de todos os países, incluindo o Brasil, o presidente Lula comentou nesta quarta-feira que a taxação dos produtos pelos Estados Unidos “não traz nada de bom para ninguém”.
O petista concedeu entrevista ao jornal O Povo, do Ceará, e foi questionado sobre o diálogo com Trump. “Taxar o aço e o alumínio, na forma como isso foi feito pelos Estados Unidos, não traz nada de bom para ninguém. Nosso governo considera essa uma medida equivocada e injustificada, pois afeta tanto as empresas daqui como as de lá, que trabalham há décadas em uma relação de parceria e complementaridade”, respondeu Lula.
“Para produzir aço aqui, importamos carvão siderúrgico dos Estados Unidos. A indústria norte-americana, por sua vez, depende de nosso aço semiacabado. Não há por que atrapalhar essa relação que funciona tão bem. Por isso, estamos trabalhando em conjunto com o setor privado para mostrar que essas medidas precisam ser revertidas e que a razão deve voltar a falar mais alto”, complementou.
Ele então reforçou o posicionamento anunciado pelo governo brasileiro na semana passada de avaliar o que pode ser feito no campo do comércio exterior, inclusive junto à Organização Mundial do Comércio. E disse que o Brasil segue “fortalecendo a importância de grupos como o Brics”.
“Os países do bloco reúnem mais de 3,6 bilhões de pessoas e são responsáveis por mais de um terço de todo o PIB do mundo. Nos últimos 20 anos, o comércio do Brasil com esses países aumentou em mais de 12 vezes. E certamente se tornará ainda mais forte agora, pois os países do Sul Global estão tendo cada vez mais certeza de que é na união entre eles, em seu trabalho parceiro e conjunto, que reside o futuro do desenvolvimento”, concluiu.
Diário do Comércio - MG 20/03/2025
A Aperam, fabricante de aço inox, captou R$ 1,5 bilhão junto ao Banco Mundial para investimentos na florestal por meio da subsidiária Aperam Bioenergia. A companhia, com planta em Timóteo, no Vale Aço, conta com florestas plantadas no Vale do Jequitinhonha. O anúncio da operação foi feito pela International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial.
O pacote de financiamento visa apoiar os esforços de descarbonização da Aperam por meio da produção sustentável de carvão vegetal – um combustível renovável para a fabricação de aço (substituindo o coque, amplamente utilizado).
O pacote de financiamento de 250 milhões de euros (cerca de R$ 1,5 bilhão) da IFC inclui até 150 milhões de euros de recursos próprios da IFC e até 100 milhões de euros em fundos mobilizados de outros credores, como o ING.
“Esse financiamento faz parte da estratégia mais ampla da IFC para promover a sustentabilidade na indústria siderúrgica. As indústrias de aço inoxidável, ligas e aço elétrico são pilares fundamentais da economia global, com aplicações em bens de capital, construção, energia, automotivo e transporte, manufatura e indústria em geral”, informou.
De acordo com o IFC, fomentará a aquisição de plantações complementares de eucalipto e a modernização dos fornos de produção de carvão vegetal da Aperam com tecnologias mais limpas e eficientes, potencializando a sustentabilidade das operações da Aperam BioEnergia.
Além disso, o investimento financiará a ampliação da capacidade do viveiro de mudas para atender à crescente demanda por mudas de alta qualidade de outras empresas florestais e o desenvolvimento de variedades de árvores melhoradas, que oferecem maior biomassa com menor consumo de recursos, como água.
Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.
Por fim, sendo uma inovação-chave, esse investimento ajudará a Aperam a ser pioneira na produção comercial em larga escala de bio-óleo, capturado a partir dos resíduos do processo de produção de carvão vegetal. Esse bio-óleo pode substituir produtos combustíveis sintéticos, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa e aprimorando a circularidade das operações da Aperam.
A Aperam BioEnergia administra 150.000 hectares de floresta, incluindo mais de 60.000 hectares de áreas de preservação de vegetação natural e corredores de vida selvagem. A Aperam substituiu completamente o carvão mineral por carvão vegetal proveniente de florestas certificadas pelo FSC em suas instalações de produção no Brasil, reduzindo significativamente sua pegada de carbono.
Esse investimento marca a primeira iniciativa da IFC para apoiar a sustentabilidade do setor de metais no Brasil.
“Com este investimento, continuaremos a impulsionar o setor com soluções inovadoras e responsáveis que não apenas reduzem nossa pegada de carbono, mas também promovem práticas de economia circular. Desde o aumento da participação de materiais reciclados em nossos produtos até o uso de nossas próprias florestas manejadas de forma sustentável para a captura de carbono, estamos tomando medidas concretas para gerar um impacto real.”, disse o CEO da Aperam, Timoteo Di Maulo.
“Ao investir em silvicultura sustentável e práticas de economia circular, estamos fortalecendo nossa liderança na fabricação de aço ambientalmente responsável, ao mesmo tempo em que contribuímos para os objetivos mais amplos de descarbonização do Brasil. Essa iniciativa ressalta nosso compromisso em oferecer soluções de aço de alto desempenho que estejam alinhadas com os padrões globais de sustentabilidade e gerem valor a longo prazo para todas as partes interessadas”, disse o CEO da Aperam South America, Frederico Ayres Lima.
IstoÉ Dinheiro - SP 20/03/2025
A União Europeia reforçará cotas de importação de aço para reduzir entrada de material no bloco em mais 15% a partir de abril, disse uma autoridade sênior da UE nesta quarta-feira, 19, em uma medida destinada a evitar que produtos siderúrgicos importados avancem sobre o mercado europeu depois que Washington impôs novas tarifas comerciais.
Os produtores de aço europeus, que já estão enfrentando altos preços de energia e concorrência da Ásia e outras regiões, alertam que a UE corre o risco de se tornar um local de dumping de aço desviado do mercado dos EUA, o que pode acabar com as siderúrgicas da Europa.
“Durante um período em que ninguém está respeitando as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) e todos se referem à segurança nacional… a UE não pode ser o único continente a deixar sua indústria desmoronar”, disse à Reuters o vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Stephane Sejourne.
Considerando que o mercado dos EUA está fazendo menos sentido comercial com a tarifa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump, Sejourne previu que produtores do Canadá, Índia e China procurarão vender volumes cada vez maiores de aço na Europa.
A Comissão Europeia vai propor nesta quarta-feira uma série de medidas relacionadas ao comércio para impulsionar sua indústria metalúrgica, parte de um novo Plano de Ação Europeu para Aço e Metais. Um rascunho do plano visto pela Reuters no início desta semana mostrou que a UE estava estudando restrições às importações.
Sejourne, que é responsável pela definição da estratégia industrial do bloco, disse que a primeira medida será reduzir as cotas de importação, conhecidas como salvaguardas, para vários tipos de aço a partir de 1º de abril, o que reduzirá os fluxos de entrada de material em aproximadamente 15%.
Os volumes importados dentro das cotas refletem os fluxos comerciais estabelecidos e não estão sujeitos a tarifas. Qualquer importação de aço fora da cota será atingida por uma tarifa de 25%. Desde julho de 2019, os volumes das cotas aumentaram em mais de 25%, pois o bloco está em conformidade com as regras da OMC.
Em 2024, a UE importou cerca de 60 milhões de toneladas de aço, das quais 30 milhões dentro da cota livre de tarifas.
A Comissão também estabelecerá novas medidas no terceiro trimestre para substituir as salvaguardas reforçadas, que, de acordo com as regras da OMC, não podem ser estendidas além de 30 de junho de 2026.
Sejourne disse que o novo mecanismo será muito mais rigoroso após os apelos do setor. Os detalhes ainda não foram definidos.
PRODUÇÃO EUROPÉIA
“Também temos o desafio de prever futuras tensões, guerras e pandemias, e vimos o que aconteceu no passado com o gás russo… Vamos evitar que o aço de amanhã se torne o gás de ontem”, disse Sejourne.
O vice-presidente executivo da Comissão Europeia disse que o bloco não quer depender de importações de aço em um momento em que inicia a reconstrução do complexo industrial militar da UE após a guerra na Ucrânia.
Para impulsionar ainda mais as medidas de defesa comercial existentes, espera-se que as regras de compras públicas sejam revisadas em 2026 para favorecer o aço europeu. A Comissão também introduzirá uma regra de “derretimento”, de acordo com o projeto do Plano de Ação para Aço e Metais. A regra impedirá os importadores de alterar a origem do metal por meio de “transformações mínimas”.
Entre as medidas não comerciais, um programa piloto com o Banco Europeu de Investimento para garantir contratos de energia de longo prazo dará prioridade aos produtores de aço e alumínio. Os detalhes serão anunciados no segundo trimestre de 2025.
“Queremos manter nosso aço na Europa e sermos capazes de reciclá-lo na Europa”, disse Sejourne. “É uma questão estratégica. Não existe indústria de defesa sem aço, não existe automóvel sem aço e queremos manter nossas indústrias.”
Globo Online - RJ 20/03/2025
De acordo com a edição de 2024 do Livro Azul da Infraestrutura da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o hiato de investimentos em infraestrutura no Brasil é de 2,27% do PIB por ano. Ou algo em torno de R$ 270 bilhões anuais, ao longo de dez anos. O setor com maior defasagem é transportes e logística, com hiato de 1,72% do PIB por ano.
Os investimentos em transportes e logística — rodovias, ferrovias, hidrovias, aeroportos, portos e mobilidade urbana — foram de R$ 63 bilhões no ano passado, em recursos públicos e privados. A necessidade, porém, é de R$ 264 bilhões ao ano durante dez anos. Por esses números, o hiato de investimentos é de R$ 201 bilhões a cada ano. Isso representa R$ 2 trilhões em dez anos.
É senso comum que o Brasil é um país rodoviário. Isso é verdade apenas em relação à composição da matriz de transportes, em que as rodovias representam 70% do total. A infraestrutura rodoviária, porém, está longe de ser adequada. O país conta com 1,8 milhão de quilômetros de rodovias, enquanto os Estados Unidos têm 6,6 milhões, a Índia 6,4 milhões e o pequeno Japão 1,2 milhão.
Apenas 220 mil quilômetros — ou 12,2% das rodovias federais, estaduais e municipais — são asfaltados. Desses, 32 mil quilômetros (14,5%) estão sob gestão privada. A parte sob gestão pública tem sérios problemas de manutenção e conservação — o que dificulta e onera o transporte de carga e passageiros.
Houve, nos últimos anos, substancial avanço nas concessões de rodovias ao setor privado. Se considerarmos as próximas concessões previstas, 19,1% das rodovias pavimentadas estarão sob gestão privada no final de 2025 — 32% das estradas federais e 15,4% das estaduais.
O movimento rumo às concessões é importante. Ele melhora a qualidade do serviço prestado à população, como comprovam as pesquisas realizadas pela Confederação Nacional do Transporte. O mesmo, no entanto, não se aplica às rodovias sob gestão pública, que não recebem os investimentos fundamentais e necessários.
A participação privada tem de avançar, mas não se podem deixar as estradas sob responsabilidade do Estado à míngua de investimentos. Mesmo com o avanço das concessões previsto para 2025, ainda restará 1,6 milhão de quilômetros de rodovias sob gestão pública — apenas 178 mil quilômetros pavimentados. A menos que se considerem aceitáveis as quedas de pontes, os deslizamentos de barreiras e as interrupções de trechos que a cada ano acarretam prejuízos materiais bilionários e causam a perda inaceitável de centenas de vidas, isso precisa mudar.
O desafio superlativo está em preencher o hiato de investimentos em transportes e logística, que não se limita ao modal rodoviário. É preciso ampliar a oferta de ferrovias para transporte de carga geral ou de passageiros e o transporte urbano sobre trilhos. E estimular outros modais na matriz de transportes.
Se o país mantiver os investimentos em transporte e logística nos mesmos R$ 63 bilhões de 2024, serão necessários 54 anos para zerar o hiato e ter uma matriz mais equilibrada. Como resolver o problema? É preciso pôr em prática ações disruptivas. É hora de menos emendas parlamentares, menos penduricalhos nos salários do funcionalismo público, menos indexação de despesas correntes, menos renúncia fiscal e mais investimentos em infraestrutura, que precisam ser priorizados nos orçamentos públicos.
Com o que se tem hoje, nem o ditado que sugere “fazer mais com menos” resolve. São necessárias ações que dependem dos três Poderes da República. Enquanto os recursos de União, estados e municípios não vêm para complementar os investimentos privados, o custo Brasil seguirá elevado. Isso reduzirá a competitividade, manterá a poluição do meio ambiente em níveis elevados e obrigará a maioria da população a gastar mais de três horas para ir e voltar do trabalho todo santo dia.
O Estado de S.Paulo - SP 20/03/2025
O Brasil já foi conhecido como o País da inflação, e isso pode ser comprovado nos livros de história econômica e na vida das pessoas que acompanharam a implementação de vários planos econômicos fracassados - Plano Cruzado (1986), Plano Bresser (1987), Plano Verão (1989) e Plano Collor (1990) -, todos com o objetivo comum de combater a inflação.
Durante a década de 1980, conhecida como a década perdida, e o início dos anos 90, convivemos com as maiores taxas de inflação já registradas na economia brasileira. O símbolo do descontrole da inflação no Brasil era o dragão da inflação, uma referência ao tamanho do problema, a voracidade com que os preços subiam e a dificuldade de combatê-la. O problema era tão grave que chegamos a ter uma inflação anual de 2.477,15%, em 1993. Do ponto de vista prático, ter uma inflação descontrolada implica em perda de poder de compra da moeda, dificuldade de formalização e execução de contratos, aumento das desigualdades sociais, dificuldade de realizar planejamento orçamentário, entre outros problemas.
Além das consequências negativas da inflação, tínhamos mecanismos de combate conflituosos. Em certo momento, tínhamos planos ortodoxos voltados para a redução do déficit público, por meio da redução do desequilíbrio fiscal e da diminuição da emissão de moeda.
Por outro lado, tínhamos os planos heterodoxos, que se opunham aos cortes de gastos e argumentavam que o aumento do crescimento econômico melhoraria as condições fiscais. Sem falar nas políticas de controle de preços que geravam distorções, filas, conflitos e mercados paralelos para a compra de produtos como o leite. A título de registro, nesse período, ambos foram postos em prática e ambos falharam.
Foi com a implementação do Plano Real que o controle da inflação chegou. Grande parte do sucesso do Plano Real no combate à inflação se deveu aos avanços no processo de abertura comercial, acomodação dos preços relativos a partir da adoção da Unidade Real de Valor (URV), adoção de uma âncora cambial como referência para as expectativas, reservas cambiais suficientes para dar estabilidade à âncora cambial, elevadas taxas de juros e à redução dos subsídios econômicos.
Mesmo após o controle da inflação, é importante ressaltar que o aumento dos preços ao longo dos anos é algo esperado, impulsionado por diversos fatores, como reajustes salariais, restrições comerciais, quebras de safras e condições econômicas adversas. De forma ilustrativa, entre 1995 e 2024, a inflação acumulada no Brasil foi de 598,5%, o que significa que o poder de compra de R$ 1,00 em 1995 equivalia a apenas R$ 0,16 em 2024.
Qual seria, então, um nível de inflação tolerável? Para evitar que os aumentos de preços saiam do controle, o Brasil implementou, em 1999, o regime de metas de inflação. Nesse sistema, o Conselho Monetário Nacional (CMN) é responsável por definir a meta de inflação para cada ano, ancorando as expectativas dos agentes econômicos, dando transparência às decisões e estabelecendo limites desejáveis para a variação dos preços. Cabe ao Banco Central, por meio da taxa Selic como principal instrumento de política monetária, o papel de adotar as medidas necessárias, contracionistas ou expansionistas, para garantir que a inflação permaneça dentro da meta estabelecida.
Quando a inflação está acima (abaixo) da meta, o Banco Central acaba atuando por meio de aumentos (reduções) na taxa de juros. Observando os dados históricos, percebe-se que, em 26 anos do regime de metas, a taxa de inflação ficou fora dos limites estabelecidos em oito ocasiões, sendo: 2001, 2002, 2003, 2015, 2017, 2021, 2022 e 2024. Entre essas ocorrências, a única vez em que o valor da taxa de inflação ficou abaixo do limite inferior da meta foi no ano de 2017.
É nesse ponto que chegamos ao nosso segundo personagem: o gato doméstico. A analogia se deve ao fato de que, ocasionalmente, o gato muitas vezes foge de casa, conhece a vizinhança, mas logo retorna ao lar. Da mesma forma, a inflação brasileira, em alguns momentos, ultrapassa os limites estabelecidos pelo Banco Central, mas, em períodos subsequentes, tende a retornar ao intervalo tolerável.
O fato de a inflação ter retornado, historicamente, para o limite estabelecido pelo CMN não quer dizer que devemos deixar de ser vigilantes ao desalinhamento dos preços no Brasil. Quanto maior a estabilidade dos preços, menor é a necessidade de submeter o paciente Brasil ao remédio amargo chamado de aumento de juros, gerando efeitos contracionistas na economia (redução de investimento, desaquecimento econômico, aumento da inadimplência e possibilidade de aumento do desemprego).
Além disso, é preciso que as políticas monetária e fiscal sejam coordenadas, evitando o efeito conhecido como enxugar gelo. De um lado temos uma política monetária focada no controle da inflação e de outro temos uma política fiscal expansionista, podendo ser a causadora da inflação. Nesse sentido, a independência do Banco Central passa a ter um papel importante para que o conselho de política monetária possa atuar de forma isenta e independente dos ciclos políticos. Lembrando que um dos objetivos do Banco Central é assegurar a estabilidade e o poder de compra da moeda nacional.
O mais importante é que superamos o período do dragão da inflação e hoje somos considerados, quando o tema é inflação, um gato doméstico. Só precisamos ficar vigilantes para que o gato não fique cada vez mais encorajado e passe a percorrer distâncias cada vez maiores, retardando a volta para casa.
IstoÉ Dinheiro - SP 20/03/2025
A alta do preço dos alimentos e da energia e as incertezas em torno da economia global fizeram o Banco Central (BC) aumentar mais uma vez os juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic, juros básicos da economia, em 1 ponto percentual, para 14,25% ao ano.
Em comunicado, o Copom afirmou que as incertezas externas, principalmente pela política comercial do país, suscitam dúvidas sobre a postura do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano). Em relação ao Brasil, o texto informa que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação no crescimento.
Segundo o Copom, a inflação cheia e os núcleos (medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia) continuam em alta. O órgão alertou que existe o risco de que a inflação de serviços continue alta e informou que continuará a monitorar a política econômica do governo.
“O comitê segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida segue impactando, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes.”, destacou o comunicado.
Em relação às próximas reuniões, o Copom informou que elevará a Selic “em menor magnitude” na reunião de maio e não deixou pistas para o que acontecerá depois disso.
“Para além da próxima reunião [a partir de junho], o Comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação”, ressaltou.
Além de esperada pelo mercado financeiro, a elevação em 1 ponto havia sido anunciada pelo Banco Central na reunião de janeiro.
Essa foi a quinta alta seguida da Selic. A taxa está no maior nível desde outubro de 2016, quando também estava em 14,25% ao ano. A alta consolida um ciclo de contração na política monetária.
Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto e duas de 1 ponto percentual.
Inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, ficou em 1,48%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o fim do bônus de Itaipu sobre a conta de luz e o preço de alguns alimentos contribuíram para o índice.
Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,87% em 12 meses, acima do teto da meta do ano passado. Pelo novo sistema de meta contínua em vigor a partir deste mês, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.
No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em março de 2025, a inflação desde abril de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em abril, o procedimento se repete, com apuração a partir de maio de 2024. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.
No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,5%, mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. O próximo relatório será divulgado no fim de março.
As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 5,66%, mais de 1 ponto acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 5,6%.
O comunicado do Copom trouxe as expectativas atualizadas do Banco Central sobre a inflação. A autoridade monetária prevê que o IPCA chegará a 5,1% em 2025 (acima do teto da meta) e 3,9% no acumulado em 12 meses no fim do terceiro trimestre em 2026. Isso porque o Banco Central trabalha com o que chama de “horizonte ampliado”, considerando o cenário para a inflação em até 18 meses.
O Banco Central aumentou as estimativas de inflação. Na reunião anterior, de janeiro, o Copom previa IPCA de 5,2% em 2025 e de 4% em 12 meses no fim do terceiro trimestre de 2026.
Crédito mais caro
O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico.
No último Relatório de Inflação, o Banco Central elevou para 2,1% a projeção de crescimento para a economia em 2025.
O mercado projeta crescimento um pouco menor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,99% do PIB em 2025.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Ao reduzir os juros básico
IstoÉ Dinheiro - SP 20/03/2025
O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) manteve suas taxas de juros inalteradas nesta quarta-feira (19), conforme esperado pelo mercado, mas alertou para uma maior “incerteza” no país e revisou suas previsões sobre o crescimento e a inflação.
Dois meses após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, o Fed manteve suas taxas entre 4,25%-4,50%.
Porém, “a incerteza sobre as perspectivas econômicas aumentou”, afirmou o comunicado do banco central americano, que mantém sua expectativa de realizar dois cortes nas taxas ao longo do ano.
Nesse contexto, o Fed reduziu sua previsão de crescimento para 2025 para 1,7% e elevou a projeção de inflação para 2,7%.
Anteriormente, previa um crescimento de 2,7% para este ano e uma inflação de 2,5%.
Após dois dias de reunião, o Fed demonstra menos confiança na saúde da economia dos Estados Unidos.
A projeção para o desemprego também foi revisada, passando de 4,3% para 4,4%.
– “Catástrofe” –
Desde a última reunião do Fed, em janeiro, que também manteve as taxas, o panorama mudou significativamente.
As empresas enfrentam novos aumentos de tarifas, os consumidores precisam monitorar os gastos e os investidores duvidam que os Estados Unidos possam sair ilesos das medidas econômicas impostas por Trump.
Além de uma ofensiva tarifária, marcada por reviravoltas constantes, o magnata republicano encarregou o bilionário Elon Musk de cortar postos no governo federal e reduzir gastos.
Até agora, com uma economia em crescimento e uma taxa de desemprego baixa, o Fed concentrou-se na luta contra a inflação, que permanece acima da meta de 2%, situando-se em 2,5% em janeiro, segundo seu índice preferido, o PCE.
No entanto, especialistas preveem um novo aumento da inflação, o que poderia levar a uma alta das taxas de juros. Juros elevados encarecem o crédito, reduzindo o consumo e os investimentos, o que, por sua vez, alivia a pressão sobre os preços. Ao mesmo tempo, os economistas esperam que a economia esfrie, o que poderia pressionar o Fed a reduzir os juros para estimular o crescimento.
Trump tem insistido na necessidade de um corte nos juros.
O status quo “é a política mais apropriada neste momento, já que não sabemos realmente até onde irão as tarifas e por quanto tempo”, disse à AFP o ex-presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, antes da reunião de terça e quarta-feira.
As iniciativas do presidente deixaram perplexo até mesmo o economista Michael Strain, do conservador American Enterprise Institute, que apoia vários aspectos do programa de Trump.
Agora, ele classifica a gestão econômica do governo como uma “catástrofe”.
“Antes era inconcebível que um presidente – incluindo Trump durante seu primeiro mandato – causasse deliberadamente tanto dano à economia”, afirmou em seu blog. “Felizmente, ele herdou uma economia sólida”, refletiu.
O Estado de S.Paulo - SP 20/03/2025
Depois de muito relutar, a China parece afinal estar admitindo que tem um grande problema de demanda. Por ocasião da divulgação das metas econômicas de 2025, na primeira semana de março, foi estabelecido que promover o consumo doméstico será a prioridade número um de 2025.
A economia chinesa vem maravilhando o mundo pela capacidade de competir de igual para igual com o que há de mais avançado no mundo ocidental, incluindo os Estados Unidos - e por vezes inclusive superando os países ricos tradicionais. Seja em equipamentos de energia renovável, veículos elétricos, trens de alta velocidade e, agora, inteligência artificial, parece não haver área em que os chineses não consigam penetrar e, frequentemente, dominar.
Mas há um temor de que a China esteja entrando - ou já tenha entrado - numa armadilha de liquidez, como a que tomou conta do Japão a partir da virada dos anos 80 para os 90. De forma semelhante, os dois países construíram seus milagres econômicos com base em muita poupança, exportação de manufaturados e investimentos maciços em infraestrutura - uma receita que tem como contrapartida o fraco consumo doméstico.
Ambos, cada um a seu tempo, tiveram booms nos mercados acionário e imobiliário que, a partir de certo ponto, desandaram. No Japão, houve um padrão claro de "estouro de bolha" na virada dos anos 80-90. Na China, o processo é mais estendido, mas a direção parece ser a mesma. E ambos os países se viram, em seguida, às voltas com o problema de inflação baixíssima e/ou deflação. Em termos estruturais mais profundos, a baixa natalidade (problema de ambos os países) e o crescimento populacional negativo também compõem a armadilha de estagnação deflacionária.
Não à toa se fala hoje em risco de "japonização da China". É interessante lembrar que o Japão, no final da década de 80, também maravilhava o mundo com seus avanços tecnológicos e industriais, e era visto com um rival dos Estados Unidos. A diferença é que, sendo o Japão democrático e aliado do bloco ocidental, a rivalidade nipo-americana não tinha o caráter belicoso da disputa entre Estados Unidos e China.
É verdade que, diferentemente do Japão, a China está longe da estagnação econômica, crescendo ao ritmo de 5% ao ano, a se dar crédito às estatísticas econômicas do país. Mas esse ritmo representa já uma queda significativa ante o crescimento em torno de 10% sustentado por décadas durante o milagre chinês. O Japão já era um país de renda alta quando seu crescimento minguou. O medo na China é que uma eventual desaceleração continuada leve o país a estagnar antes de atingir o padrão médio de vida dos países avançados.
O economista Livio Ribeiro, sócio-fundador da consultoria BRCG, e especialista em China, considera que, no curto prazo, a China está bem posicionada para cumprir a meta de crescimento em torno de 5% de 2025 - na verdade, ele considera que será até menos difícil do que cumprir a mesma meta em 2024.
A razão é que o carregamento estatístico de 2025 é maior e o governo chinês de antemão - possivelmente já se contrapondo ao choque das medidas de Trump - acionou ou programou diversas estratégias de estímulo monetárias, fiscais e creditícias.
Já em relação à "prioridade número um para o consumo", Ribeiro é mais cauteloso.
Ele até considera um bom sinal que o governo chinês finalmente tenha assumido publicamente que este é o problema.
A relutância oficial chinesa em relação a esse tema pode estar ligada à visão negativa do líder Xi Jinping sobre o que seriam os excessos de benevolência do estado de bem-estar de grande parcela dos países ocidentais - e obviamente a posição do presidente deve coincidir com a de parcela relevante do establishment chinês. Mas esta é uma questão complexa de economia política, sobre a qual somente é possível especular.
Concretamente, o plano para dinamizar o consumo chinês é composto por uma longuíssima lista de diretrizes, que inclui tópicos como promover aumento de salários, ampliar a renda do campo, aumentar a natalidade, incrementar transferências de renda, previdência e saúde pública, expandir serviços culturais e o turismo, estabilizar o mercado imobiliário, reforçar o direito a descanso dos trabalhadores, fortalecer o crédito ao consumidor etc.
Na interpretação de quem vê a carência de demanda como o maior problema econômico chinês (como Ribeiro), o consumidor do país poupa muito pelo temor quanto à sua renda futura, reforçado no caso dos jovens pelo alto desemprego nessa faixa etária. A queda do valor dos imóveis reduziu drasticamente o patrimônio de muitas famílias (já que o investimento imobiliário predomina como forma de poupança), ampliando o medo de se cair na pobreza e de não ter como prover para si mesmo na velhice - o que dirá de incorrer nos grandes gastos de criar filhos.
Em relatório recém-lançado da BRCG, Ribeiro aponta que o problema dessa nova disposição da China de bancar o consumo é que os diagnósticos parecem corretos, mas não há clareza sobre "como e quando novas políticas públicas serão postas em marcha, bem como os orçamentos a elas alocados".
Ele também identificou certo "déjà-vu" no plano, à medida que se reuniram diversos anúncios de iniciativas que já tinham sido divulgadas pelo governo chinês de forma dispersa - e, novamente, sem detalhamentos sobre implementação.
"O grau de atenção do governo ao problema do consumo interno aumentou, o que é favorável, mas uma atuação decisiva e efetiva ainda nos parece (muito) distante", conclui o analista.
IstoÉ Dinheiro - SP 20/03/2025
O Comitê de Política Monetária (Copom) diminuiu a sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o fim do terceiro trimestre de 2026, horizonte relevante da política monetária. A estimativa caiu de 4,0% para 3,9% no cenário de referência, distanciando-se do teto da meta, de 4,50%.
É a primeira redução na projeção do Banco Central para o IPCA no horizonte relevante desde que a métrica começou a ser divulgada, em julho de 2024.
Apesar da redução, a estimativa ainda indica que a trajetória da taxa Selic embutida no relatório Focus – com alta dos juros a 15% no fim do ciclo, em junho, e sem cortes ao longo de 2025 – seria insuficiente para fazer a inflação convergir ao centro da meta, de 3%, no período de seis trimestres observado pelo Banco Central (BC).
Nesta quarta-feira, o Copom aumentou a Selic em 1 ponto porcentual, de 13,25% para 14,25%, seguindo o forward guidance criado em dezembro e repetido na última reunião, de janeiro. A decisão era esperada por todas as instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast e por todos os participantes do Focus.
“O cenário mais recente é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, o que exige uma política monetária mais contracionista”, destaca o comunicado do Copom divulgado há pouco.
Desde a última reunião, de janeiro, a cotação do dólar usada pelo comitê nas suas projeções caiu de R$ 6,0 para R$ 5,80. As medianas do Focus para o IPCA de 2025 e 2026 subiram de 5,50% para 5,66% e de 4,22% para 4,48%, respectivamente, mas diminuíram o ritmo de alta.
A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2025 passou de 5,2% para 5,1%.
Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória de Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente.
Também nesse cenário de referência, o Copom ajustou as suas projeções para a inflação de preços livres em 2025 (5,2% para 5,4%) e manteve a projeção para o terceiro trimestre de 2026 (3,8%). A projeção para os preços administrados passou de 5,2% para 4,3% este ano e de 4,6% para 4,2% no horizonte relevante.
Juros reais
Apesar da alta de 1 ponto na Selic, o Brasil caiu da segunda para a quarta posição no ranking dos maiores juros reais elaborado pelo site MoneYou, com 8,79%. O País fica atrás da Turquia (11,90%), Argentina (9,35%) e Rússia (8,91%), e à frente de Indonésia (6,48%).
O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil – que não estimula, nem deprime a economia – é de 5,0%.
Globo Online - RJ 20/03/2025
Os juros continuarão subindo, mas em ritmo menor. Esse foi o principal recado do Banco Central ontem, embora não tenha indicado de quanto seria essa nova alta. O Copom preferiu se deixar livre para decidir, em 7 de maio, por dois motivos: no Brasil, os dados são imprecisos; e no exterior, a incerteza é enorme em função da política comercial do governo Donald Trump. Apesar do verdadeiro choque de juros que o BC já aplicou no país, nas últimas três reuniões, a economia continua crescendo. “Ainda que sinais sugiram uma incipiente moderação no crescimento”, diz o comunicado.
A inflação ficará acima do teto da meta no final do ano. Mas quanto? Ontem, o Ministério da Fazenda divulgou relatório falando em 4,9%. O BC usou os dados do mercado, que coleta através do Boletim Focus, e aponta que as projeções subiram muito: 5,7% para o final de 2025 e 4,5% em 2026.
Tem mais risco de a inflação permanecer alta, do que chance de ela cair além do previsto. É o que chamam de “assimetria do balanço de riscos”. Segundo o Copom, os riscos vêm de a inflação de serviços estar persistente, as expectativas estarem “desancoradas”, e a mistura de políticas econômicas internas e externas terem impacto inflacionário. A possibilidade de queda maior da inflação viria, segundo o comunicado, de uma redução da atividade econômica mais acentuada, ou de um cenário de menos inflação nas economias emergentes por causa da diminuição do comércio internacional.
Que a taxa iria para 14,25% era certo e sabido. Já estava pré-avisado no “forward guidance”, que é como definem essa informação de tendência dada pelo Banco Central. A grande curiosidade é o que acontecerá daqui para a frente. O que o Banco Central disse é que “diante do cenário adverso”, o Comitê de Política Monetária “antevê, em se confirmando o cenário esperado, um ajuste de menor magnitude na próxima reunião”. O BC deu essa indicação futura, mas não se comprometeu com taxa alguma.
Qualquer que seja a decisão da próxima reunião, os juros ficarão acima do nível de quando a inflação atingiu o patamar de dois dígitos, há dez anos. Os juros básicos da economia subiram de 13,75% para 14,25% em julho de 2015 e permaneceram nesse patamar até outubro de 2016, quando começaram a ser lentamente reduzidos. O Copom informa também que a elevação dos juros ainda não tem data para acabar. “O comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”.
Nos Estados Unidos, o Fed manteve a taxa de juros, revisou para cima a projeção da inflação e reduziu de 2,1% para 1,7% a previsão de crescimento para este ano. O PIB do próximo ano também foi revisto para baixo. O presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, explicou que a previsão de inflação subiu por causa das tarifas de importação. Em outras palavras, a política de Donald Trump já está causando estrago. Mas o Fed está achando que o impacto é provisório tanto que indicou dois cortes de juros ainda este ano. Powell atribuiu à incerteza a decisão de manter a taxa de juros.
No mercado financeiro brasileiro, a dúvida sobre a dimensão da próxima alta é total. As apostas variam entre alta 0,25, 0,50 ou 0,75 ponto percentual. O fato é que a inflação está sim persistente, e a economia tem conseguido manter o ritmo de crescimento apesar do aperto monetário. A inflação altíssima de fevereiro, de 1,3%, foi apenas um episódio. Não é tendência e vai cair no dado de março, mas ainda assim está persistentemente acima do teto da meta. O país está desacelerando em alguns indicadores, e nem poderia ser diferente. Todo mundo prevê menor crescimento este ano. Só que o PIB do primeiro trimestre deve ser alto, em parte pela atividade agrícola, revertendo a tendência de desaceleração captada no último trimestre do ano passado, em que o país cresceu 0,2%. No primeiro trimestre de 2025 pode crescer acima de 1%.
A queda da taxa de câmbio, que tem acontecido, vai ajudar bastante a redução da inflação que foi muito impactada pela disparada do dólar do final do ano. Mas ainda não será suficiente para levá-la de volta aos seus limites. Agora o Banco Central é presidido por Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Lula. Não se pode mais culpar “esse cidadão”, como Lula definia Roberto Campos Neto. Taxa de juros alta nunca será popular, mas muito mais impopular é a inflação alta.
O Estado de S.Paulo - SP 20/03/2025
Desta vez, ninguém esperava dos juros coisa diferente, porque já era caçapa cantada. O Copom aumentou os juros básicos (Selic) em 1 ponto porcentual para 14,25% ao ano, decisão tomada por unanimidade e que faz a Selic atingir o mesmo patamar registrado na crise econômica do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, que sofreu impeachment em agosto de 2016.
A intenção do Banco Central é aumentar os juros, em maio, “em menor magnitude”, que talvez seja 0,75 ponto porcentual (para 15,0% ao ano). Para as reuniões seguintes, não foram adiantados os passos (forward guidance). O Copom optou por esperar pelo comportamento futuro da inflação e da economia para, só então, tomar a decisão.
Mas parece improvável que esses níveis de juros sejam suficientes para empurrar a inflação para a meta.
A política fiscal do governo Lula continua a operar na contramão do Banco Central. Injeta dinheiro na economia via gastança, enquanto o Banco Central trabalha para enxugar dinheiro do mercado.
Esse jogo contra não deve parar, porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deu indicações suficientes de que vai intensificar a distribuição de bondades financeiras para as classes médias e para a população de baixa renda, porque está mais interessado em ganhar a boa vontade do eleitor, numa conjuntura em que vai perdendo aprovação, do que com a solidez dos fundamentos da economia. O efeito é mais demanda não acompanhada por mais produção. Essa sinuca vai descrita com a linguagem técnica habitual, no comunicado do Copom.
Ou seja, se a inflação tende a avançar porque o governo Lula não faz a sua parte, a probabilidade maior é de que o Banco Central terá de continuar a puxar pelos juros.
Outra fonte potencial de inflação, desta vez externa, está na política comercial protecionista adotada pelo presidente Donald Trump e nas medidas de reação a ela que vêm sendo tomadas pelos países parceiros. Falta saber como será a reação futura dos grandes bancos centrais. Nesta quarta-feira, depois de não mexer nos juros (fed funds), o Fed (banco central dos Estados Unidos) deu mostras de que continua esperando inflação, embora transitória, em consequência do aumento das tarifas aduaneiras.
Como das outras vezes, haverá chiadeira por aqui contra mais essa estocada da Selic. Vão dizer que essa quimioterapia envenena o doente e tira dele a vontade de enfrentar o câncer e tal. Mas é o que há. O Banco Central tem de defender a moeda.
Se é para ter um bode expiatório, o governo terá de encontrar outro e deixar de produzir descarrego sobre o Banco Central, como nos dois últimos anos, porque a maioria dos seus diretores está lá por escolha do presidente Lula.
IstoÉ Dinheiro - SP 20/03/2025
A elevação de 1 ponto percentual da taxa Selic (juros básicos da economia) recebeu críticas do setor produtivo. Segundo entidades da indústria, do comércio e centrais sindicais, os juros de 14,25% ao ano, no maior nível em quase dez anos, prejudicam a recuperação da economia e ameaçam o emprego e o consumo.
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) não tem outros efeitos além de prejudicar a economia. Segundo a entidade, a taxa alta desconsiderou a queda do dólar e da cotação do petróleo no mercado internacional, fatores que ajudam a segurar a inflação.
“Outros fatores vão contribuir para a redução da inflação e, por isso, não poderiam ter sido desconsiderados pelo Banco Central em sua decisão, avalia a CNI. Um deles seria a valorização cambial. O dólar, que fechou 2024 a R$ 6,19, passou a R$ 5,68, em 18 de março de 2025.”
O segundo é a queda no preço do petróleo, com o valor do barril Brent caindo de US$ 85, em outubro de 2024, para aproximadamente US$ 70, em março de 2025, destacou a CNI.
A Associação Paulista de Supermercados (Apas) pediu mais “parcimônia” ao Copom para calibrar melhor a política monetária e não prejudicar a economia.
“O Brasil já possui uma das maiores taxas reais de juros do mundo e, com a recente calibragem da Selic, torna ainda mais difícil fomentar o nível de investimento necessário para o país se manter competitivo internacionalmente neste cenário de neoprotecionismo. Além disso, os efeitos sobre os empregos e sobre o consumo das famílias são deletérios”, ressaltou a associação.
Apesar do impacto sobre o consumo, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) considerou que a decisão do Copom veio em linha com as expectativas do mercado financeiro. Para a entidade, o BC terá de aumentar os juros enquanto os gastos do governo estiverem altos. “Apesar da redução da cotação do dólar, houve aceleração da inflação, que se mantém acima da meta anual, num contexto de incertezas fiscais e expectativas inflacionárias ainda desancoradas, justificando uma política monetária mais contracionista”, afirmou a entidade.
Centrais sindicais
O aumento dos juros também foi criticado pelas centrais sindicais. Em nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) considerou que a decisão aumenta o aperto financeiro sobre a população.
“Há anos o Brasil mantém uma taxa básica de juros abusiva e que, além de influenciar nas altas taxas de juros de todo o sistema bancário, somente beneficia um pequeno grupo de rentistas. A última queda na Selic foi em maio do ano passado, que já estava num nível absurdo, de 10,50%”, destacou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.
Em nota, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, destacou que o Banco Central não mudou a política monetária sob a gestão do novo presidente, Gabriel Galípolo.
“A atual política econômica está destoando dos anseios da classe trabalhadora. Elevar os juros nesse momento traz mais incertezas. A decisão trará efeitos negativos sobre a criação de empregos e renda. Os juros continuam proibitivos e o Brasil perde outra chance de apostar na produção, no consumo e na geração de empregos”, diz Torres na nota.
O Estado de S.Paulo - SP 20/03/2025
Os assessores da Casa Branca estão se preparando para impor novas tarifas sobre a maioria das importações em 2 de abril, preparando o terreno para uma escalada nas hostilidades econômicas globais que o presidente Donald Trump chamou de “Dia da Libertação”.
Em seus dois primeiros meses no cargo, o presidente aumentou as tarifas sobre cerca de US$ 800 bilhões em importações da China, México e Canadá, embora as estimativas variem muito. Essas tarifas fizeram com que o mercado de ações disparasse e aumentaram os riscos de uma recessão nos EUA, ao mesmo tempo que provocaram retaliações contra as indústrias nacionais por parte dos parceiros comerciais.
Apesar da reação negativa, os assessores seniores de Trump estão agora prometendo publicamente criar um novo regime tarifário que imporia novas taxas sobre o comércio com a maioria dos países que negociam com os Estados Unidos. Uma pessoa familiarizada com o planejamento interno, falando sob condição de anonimato para refletir as deliberações privadas, confirmou que as autoridades do governo estão preparando tarifas sobre “trilhões” de dólares em importações.
A possibilidade de mais do que dobrar o escopo das tarifas de Trump alarmou economistas e alguns republicanos do Congresso, enquanto outros aliados da Casa Branca estão preocupados com os desafios logísticos de um novo e complicado regime de impostos de importação.
A natureza precisa dessas novas tarifas estimulou amplas discussões nos níveis mais altos da administração, com o vice-presidente JD Vance, o secretário de Comércio Howard Lutnick, o assessor da Casa Branca Peter Navarro e o secretário do Tesouro Scott Bessent, todos desempenhando um papel nas negociações, disse a pessoa familiarizada com os planos.
“Os últimos dois meses já prejudicaram as empresas e os consumidores americanos, mas o prazo de 2 de abril pode fazer com que tudo isso pareça uma tempestade em copo d'água”, disse Joseph Politano, analista de política econômica da Apricitas Economics. “Não sabemos exatamente o que eles vão fazer, mas, pelo que estão dizendo, parece funcionalmente como novas tarifas sobre todas as importações dos EUA.”
Os preparativos internos sugerem que Trump continua firme em sua tentativa de derrubar a ordem comercial global, apesar do desconforto cada vez maior entre os aliados no Capitólio e em Wall Street e da fúria total no exterior. Trump disse que as tarifas são necessárias para incentivar as empresas a transferir a produção de volta para os EUA e forçar concessões de parceiros comerciais estrangeiros, mas as consequências abalaram investidores e consumidores, levando a quedas em vários indicadores econômicos importantes.
“É um dia de libertação para o nosso país, porque vamos recuperar grande parte da riqueza que tão tolamente cedemos a outros países, incluindo amigos e inimigos”, disse Trump a repórteres na segunda-feira.
Trump apelidou o próximo estágio de sua guerra comercial de “tarifas recíprocas”. O presidente adotou a ideia pela primeira vez durante sua campanha presidencial de 2024, argumentando que outros países impõem barreiras comerciais muito mais altas às exportações dos EUA do que o governo dos EUA cobra sobre as importações. Trump disse que os EUA deveriam igualar essas tarifas com taxas “recíprocas” que, segundo ele, forçariam outros países a reduzir suas taxas sobre produtos fabricados nos EUA.
“Se a Índia, a China ou qualquer outro país nos impuser uma tarifa de 100% ou 200% sobre os produtos fabricados nos EUA, nós os impomos exatamente a mesma tarifa”, disse Trump em um vídeo divulgado durante a campanha presidencial. “Em outras palavras, 100% é 100%. Se eles cobrarem dos EUA, nós cobraremos deles - olho por olho, tarifa por tarifa, exatamente o mesmo valor.”
Embora muitos países protejam mercados específicos com altas barreiras comerciais, a maioria das economias avançadas mantém perfis tarifários semelhantes. Em uma base ponderada de comércio, a tarifa média dos EUA é de 2,2%. A do Japão é de 1,9% e a da União Europeia é de 2,7%, um pouco mais alta do que a média dos EUA, de acordo com a Organização Mundial do Comércio.
O plano recíproco de Trump poderia fazer com que a tarifa média dos EUA voltasse ao nível do início da década de 1930, de cerca de 20%, disse Edward Gresser, ex-funcionário do setor de comércio que agora é vice-presidente e diretor de comércio e mercados globais do Progressive Policy Institute. Gresser disse que as ações de Trump não teriam precedentes, e muitos especialistas argumentam que o presidente não tem autoridade para impor tarifas tão abrangentes sem a aprovação do Congresso.
A maneira exata de como esse plano funcionaria na prática tem consumido as autoridades do governo, que buscam levar adiante a visão ambiciosa do presidente.
O representante comercial dos EUA tem a tarefa de implementar o plano, mas não está claro se o escritório comercial tem a equipe ou a capacidade organizacional para impor tarifas retaliatórias exatas que correspondam ao que outros países cobram sobre mercadorias específicas, disse outra pessoa informada sobre o planejamento interno, que também falou sob condição de anonimato para refletir conversas privadas.
O que complica ainda mais o desafio é o fato de que o governo quer atacar uma série de práticas comerciais que considera injustas, não apenas as tarifas.
As autoridades do governo estão debatendo qual autoridade legal o presidente pode invocar para impor um sistema recíproco, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto, que falou sob condição de anonimato para discutir deliberações internas.
Trump tem o poder, de acordo com as leis comerciais existentes, de impor algumas tarifas imediatamente, como sobre os produtos da China, que estão cobertos por uma investigação de 2018 sobre as práticas comerciais chinesas. Uma lei comercial de 1930 permite que o presidente imponha tarifas de até 50% sobre produtos de um país que ele determine ter discriminado os produtos dos EUA.
Como será definida a ‘taxa tarifária’ para cada país
A imposição de novos impostos de importação sobre outros produtos pode exigir meses de trabalho preparatório. Jamieson Greer, o principal representante comercial do presidente, e o secretário de Estado Marco Rubio estão entre os mais atentos às questões legais que envolvem o plano de Trump, querendo que qualquer ação sobreviva a um desafio judicial, disse a pessoa. Navarro, o conselheiro sênior da Casa Branca para comércio e manufatura, está entre os que pressionam por uma ação rápida e agressiva.
As autoridades do governo consideraram uma proposta para agrupar todos os parceiros comerciais em um dos três grupos — alto, médio ou baixo — e atribuir uma alíquota tarifária de acordo. No entanto, a ideia foi rejeitada em favor da calibração de uma nova tarifa para cada parceiro comercial, segundo uma das pessoas. A ideia de classificar os países em três grupos, e sua rejeição, foi relatada pela primeira vez pelo Wall Street Journal.
Bessent, o secretário do Tesouro, disse no programa Mornings with Maria, da Fox Business, na terça-feira, que o governo considerará uma ampla gama de fatores ao determinar as tarifas sobre países estrangeiros, incluindo manipulação de moeda, “supressão de mão de obra” e outras “barreiras não tarifárias”.
Os EUA atribuirão um número a “cada país”, que será alto para alguns e baixo para outros, e ajudará a determinar sua taxa tarifária, disse Bessent. Bessent também expressou otimismo de que muitas tarifas não entrarão em vigor porque os países concordarão em alterar suas próprias tarifas de importação antes do anúncio de 2 de abril.
Um porta-voz da Casa Branca disse que os funcionários do governo estavam amplamente alinhados.
“Embora o plano final de tarifas recíprocas para 2 de abril ainda não tenha sido revelado pelo Presidente Trump, todos os membros do governo Trump estão alinhados para finalmente nivelar o campo de atuação das indústrias e dos trabalhadores americanos”, disse o porta-voz Kush Desai em um comunicado. “O presidente Trump montou a melhor e mais brilhante equipe comercial da história moderna dos Estados Unidos para reacender a grandeza americana, e eles estão trabalhando duro para seguir o mesmo manual.”
No horizonte, um abalo nos mercados globais
Por mais estruturado que seja, o novo regime tarifário provavelmente abalará ainda mais os mercados globais e uma economia doméstica já abalada pelas medidas comerciais repentinas de Trump. Em Wall Street, o índice S&P 500 perdeu mais de 8% no último mês; o Nasdaq, que tem alta tecnologia, caiu quase 13% no mesmo período.
“Acho que eles estão preocupados e devem estar preocupados”, disse o economista Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, que fornece análises de mercado, sobre como os investidores estão vendo o prazo de 2 de abril.
Um indicador amplamente observado da confiança do consumidor caiu na sexta-feira para sua marca mais baixa desde novembro de 2022, e a perspectiva de inflação de cinco anos dos americanos subiu para uma taxa anual de 3,9%, a mais alta desde 1993.
Na terça-feira, o governo informou que a produção industrial em fevereiro aumentou acentuadamente, atingindo seu nível mais alto em mais de dois anos. Mas os analistas disseram que o salto foi provavelmente uma reação temporária à enxurrada de anúncios de tarifas presidenciais.
“Os fabricantes correram para produzir bens em fevereiro antes que grandes tarifas sobre as importações pudessem ser impostas, bem como para atender a um aumento temporário induzido por tarifas nos pedidos de famílias e empresas”, escreveu Samuel Tombs, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics para os EUA.
O aumento provavelmente será de curta duração. Os novos pedidos caíram em fevereiro, uma vez que os fabricantes aumentaram os preços para compensar o custo mais alto dos metais e componentes chineses que usam para fabricar seus produtos, acrescentou Tombs, citando a última pesquisa do Institute of Supply Management.
Aumenta a fila por proteção tarifária contra concorrentes estrangeiros
Enquanto isso, vários setores — incluindo pescadores comerciais, produtores de árvores de Natal e fabricantes de doces e geleias — se alinharam nas últimas semanas para pedir ao governo Trump proteção tarifária contra concorrentes estrangeiros como parte das disputas comerciais do governo.
John Wyckoff, presidente da National Christmas Tree Association, pediu tarifas mais altas para as árvores de Natal artificiais, dizendo que 95% das árvores artificiais importadas vêm da China, “onde os custos de produção mais baixos decorrentes de mão de obra e materiais baratos permitem que os produtores estrangeiros subcotem os produtores nacionais”.
As importações de camarão congelado fizeram com que os preços domésticos caíssem para cerca de US$ 1,25 por libra (cerca de 454 gramas), em comparação com os cerca de US$ 3 na década de 1980, de acordo com a Southern Shrimp Alliance, que está buscando tarifas de proteção. O impacto da concorrência estrangeira está sendo sentido pelos motoristas de caminhão, fornecedores e processadores que atendem à frota de pesca comercial.
Michael Madriaga, vice-presidente da J.M. Smucker Co., reclamou que as tarifas da União Europeia, de até 24%, reduzem as vendas de geléias, compotas e marmeladas dos EUA no continente. No ano passado, os EUA enviaram para a Europa apenas US$ 295.614 desses itens, em comparação com quase US$ 238 milhões de produtos europeus similares enviados para os EUA, escreveu Madriaga, citando estatísticas do governo.
Keidanren, a organização empresarial japonesa, pediu às autoridades comerciais dos EUA que considerassem a parceria mais ampla entre Tóquio e Washington, observando que “nenhum país pode manter o domínio em todos os setores de tecnologia”.
Infomoney - SP 20/03/2025
Os analistas de mercado ouvidos mensalmente pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda projetam que o governo entregará um resultado primário com déficit de R$ 75,088 bilhões em 2025.
A estimativa mostra um cenário mais favorável em relação ao documento anterior, de fevereiro, que projetava um rombo de R$ 80 bilhões, mas ainda distante da meta fixada para este ano. Os dados constam do boletim Prisma Fiscal de março. As informações foram coletadas até o quinto dia útil do mês de março.
Inicialmente, o governo pretendia zerar o déficit em 2024 com o novo arcabouço fiscal, e gerar superávit já a partir de 2025. Mas, ainda no ano passado, decidiu alterar a meta fiscal para 2025 quando enviou o projeto de lei de diretrizes orçamentárias (PLDO) ao Congresso: de um superávit equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, agora o alvo é repetir o resultado neutro, de 0% do PIB.
Governo deve fechar fevereiro com déficit primário de R$ 31,7 bi, estima Câmara
Para 2026, a projeção do Prisma também mostra um resultado melhor em relação ao mês anterior. A expectativa do mercado é de déficit de R$ 79,468 bilhões – em fevereiro, a projeção era de rombo de R$ 83,3 bilhões. O governo espera que em 2026 já seja possível fechar as contas no azul, com um superávit fiscal de 0,25% do PIB.
Um dos objetivos da nova regra fiscal é perseguir superávits primários, partindo de um resultado neutro em 2024. A proposta substituiu o teto de gastos, com regras mais flexíveis para as despesas do governo. Os gastos só poderão crescer em até 70% do aumento da receita, dentro do intervalo de 0,6% a 2,5% acima da inflação.
O Prisma deste mês praticamente manteve as previsões do mercado para as receitas federais em 2025, com as projeções partindo de R$ 2,848 trilhões e passando para R$ 2,849 trilhões. Para 2026, a projeção para a arrecadação avançou, passando de R$ 3,027 trilhões para R$ 3,040 trilhões.
A estimativa para a receita líquida do Governo Central em 2025 se manteve praticamente igual, em R$ 2,302 trilhões, enquanto para 2026 também variou para cima, de R$ 2,454 trilhões para R$ 2,457 trilhões.
Pelo lado do gasto, a projeção de despesas totais do Governo Central este ano caiu de R$ R$ 2,383 trilhões para R$ 2,380 trilhões. Para 2026, a estimativa ficou igual, em R$ 2,541 trilhões.
A mediana das projeções dos analistas do Prisma para a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) teve resultados distintos para cada ano. Para 2025, a estimativa passou de 80,74% do PIB em fevereiro para 80,73% do PIB no relatório divulgado nesta quarta-feira. Para 2026, a projeção passou de 84,90% para 84,89%, na mesma comparação.
Dívida pública bruta do Brasil tem queda inesperada para 75,3% do PIB em janeiro
O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2025 estimava que a DBGG chegasse a 77,9% do PIB neste ano. A expectativa era de que a dívida bruta alcançasse 79,1% do PIB em 2026 e 79,7% do PIB em 2027. No relatório de Projeções Fiscais divulgado em dezembro, contudo, o Tesouro estimou que, neste ano, a DBGG vai chegar em 79,7% e em 2026 em 81,7%, indo a 81,8% em 2027.
Infomoney - SP 20/03/2025
Após a já antecipada alta de 1 ponto percentual na Selic anunciada nesta quarta-feira (19), persistem dúvidas entre os economistas sobre até onde o Banco Central está disposto a ir nesse atual ciclo de alta de juros. Normalmente, ao dar uma orientação de novo ajuste para cima, a leitura é de um comunicado mais duro (“hawkish”), mas a opção por deixar a expressão no singular “próxima reunião”, deixa aberta a possibilidade de uma interrupção em junho, embora isso não seja consenso.
O chamado “forward guidance” dessa noite foi: “diante da continuidade do cenário adverso para a convergência da inflação, da elevada incerteza e das defasagens inerentes ao ciclo de aperto monetário em curso, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, um ajuste de menor magnitude na próxima reunião”.
Durante a live do InfoMoney no Youtube, Rodolfo Margato, economista da XP, lembrou que havia um debate grande entre os analistas de mercado e os economistas a respeito da sinalização do Comitê para os próximos encontros. Alguns projetavam que não haveria nenhuma orientação e outros, como o caso do time econômico da XP, antevendo alguma sinalização sobre a necessidade de um ajuste monetário adicional.
“E aqui também tem um debate: será que vem 0,75 p.p. 0,50 p.p., 0,25p.p.. Acho que vai depender em grande medida da dinâmica da taxa de câmbio, que vem mostrando uma descompressão. Também a dinâmica da atividade doméstica, há alguns sinais de desaceleração na economia brasileira, no PIB, na produção industrial, nas vendas varejistas. Mas o Comitê trouxe que são sinais incipientes de moderação”, explicou.
Mas ele destacou que inflação corrente ainda está pressionada e que as expectativas de inflação estão desancoradas. “Então, a magnitude da próxima elevação de juros ainda tem bastante incerteza”, comentou, citando que o cenário base da XP é de uma alta de 0,75 p.p. em maio e uma última alta de 0,5 p.p. em junho.
Para Luis Cezario, economista-chefe da Asset 1, o comunicado trouxe duas mensagens importantes. “A primeira é que o plano do vôo do Comitê é reduzir o ritmo de alta de juros na próxima reunião. A segunda é que o balanço de riscos do cenário base do Copom permaneceu assimétrico para cima, a despeito dos sinais de desaceleração na atividade e da apreciação da taxa de câmbio ocorrida desde o início do ano.”
Assim Cezário avaliou a comunicação do Copom como ponderada. Segundo sua análise, é compreensível que com a taxa de juros real no nível atual, com sinais já evidentes de desaceleração da atividade e considerando que há as defasagens na transmissão da política monetária, o Copom indique que será mais cauteloso com a condução da política monetária daqui por diante.
“Por outro lado, com as projeções de inflação bem acima do centro da meta, a inflação corrente bastante pressionada e as expectativas de inflação mais desancoradas, era importante que deixasse claro que o ciclo de aperto monetário não está concluído”, disse, acrescentando que há uma incerteza enorme em relação aos efeitos das políticas do governo Trump sobre a atividade e inflação global, e isso também exige maior prudência por parte do Banco Central.
Atividade mais fraca
Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, disse ter observado a manutenção do tom mais duro e do viés altista na análise dos riscos para a inflação, apesar da melhora marginal no cenário, principalmente a valorização do real.
“Os sinais de desaceleração da atividade também tiveram menção secundária, e o Comitê continua focado nas expectativas de inflação, que, de fato, continuaram a trajetória de alta desde a última reunião.”
Dito isso, como ficam as projeções para a próxima reunião? Rafaela Vitória disse estar mantendo a expectativa de uma alta de 0,50 p.p., para 14,75%, encerrando o ciclo de aperto monetário. Para ela, a continuidade da desaceleração da atividade e o atual patamar de câmbio mais favorável devem contribuir para reverter, em parte, a elevação nas expectativas de inflação.
“A magnitude do aperto e o atual patamar de juro real já é bastante restritivo e suficiente para a convergência da inflação para a meta até 2026, que, na projeção do BC, está em 3,9%”, afirmou, ponderando que o risco de nova expansão fiscal e parafiscal deve continuar no radar, podendo impactar o processo de desinflação, tirando força da política monetária.
Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, também acredita que a alta adicional, porém em ritmo menor, citada pelo BC, deve significar um ajuste de 0,50 ponto para cima em maio.
“A justificativa para essa postura é a preocupação com a não convergência das expectativas de inflação. No nosso cenário, há espaço para altas além das sinalizadas, alcançando juma taxa básica de 15% e ficando com essa taxa até o final do ano. A decisão de hoje não altera esse cenário, mas claramente o viés é para juros mais elevados”, destacou.
Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG, por sua vez, projetou um aumento de 50 pontos-base na Selic, para 14,75% a.a. no encontro de maio. “Para além dessa reunião, o BC reforçou que qualquer ação será tomada levando em consideração o firme compromisso de trazer a inflação para a meta. Acreditamos que o aumento de 50bps de maio será o último movimento deste ciclo de alta de juros”, estimou.
Já na projeção de Danilo Passos, economista da WHG, o Copom anunciará uma alta de 50 bps na reunião de maio e uma alta final de +25 bps no Copom de junho, com a Selic alcançando 15,0% no final do ciclos.
Ao analisar o comunicado, Leonardo Costa, economista do ASA, destacou que o balanço de riscos do BC segue assimétrico e que entre os riscos altistas, destacam-se a desancoragem prolongada das expectativas, a resiliência da inflação de serviços devido a um hiato do produto positivo e políticas econômicas que pressionem a inflação, como uma taxa de câmbio mais depreciada.
“Já os riscos baixistas incluem uma desaceleração econômica doméstica mais intensa e um ambiente global menos inflacionário devido a choques no comércio e nas condições financeiras.”
Na opinião de Gesner Oliveira, economista e sócio da GO Associados e professor da FGV, o Copom mostrou hoje uma preocupação de um crescimento menor e uma taxa de inflação maior, com um risco à estagflação.
“É razoável supor que a próxima elevação possa ser da ordem de 0,50 p.p., passando a taxa de juros dos atuais 14,25% para 14,75%. Tanto no cenário externo quanto no cenário doméstico, persistem várias incertezas. Chama atenção também o destaque que se dá à nova política dos Estados Unidos em relação à guerra comercial, às tarifas de importação e à preocupação com seus impactos inflacionários e sobre a produção.”
Ariane Benedito é economista-chefe do PicPay, por sua vez, destacou que a pressão inflacionária deve continuar, com o IPCA de março consolidando-se acima de 5,4% no acumulado de 12 meses. “Para o mês, esperamos uma inflação de 0,52%. Diante desse contexto, consideramos coerente que o Banco Central mantenha o ciclo de alta, com um aumento adicional de 0,75 ponto percentual na reunião de maio, garantindo o alívio inflacionário e a convergência da inflação para a meta.”
Para ela, se as condições econômicas e o balanço de riscos se mantiverem inalterados ou se deteriorarem, nossa projeção para a taxa de juros ao final do ciclo de alta seguirá em 15%, sem expectativa de cortes ainda este ano. “Para a ata da reunião, esperamos uma análise mais detalhada sobre o recente alívio do câmbio, a leitura do Banco Central sobre os dados de alta frequência que indicaram desaceleração da atividade econômica em janeiro e os efeitos da política fiscal no horizonte relevante, disse.
Críticas da indústria e do comércio
Se os economistas ainda debatem o quanto os juros ainda precisam subir para que aconteça uma convergência da inflação e das expectativas rumo à meta, o setor produtivo não poupou críticas ao Banco Central.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a alta de 1 ponto anunciada hoje “não é necessária para controlar a inflação e prejudicará o ritmo de crescimento da economia”. A Selic
“O nível atual da Selic, que implica taxa de juros real de 8,5% a.a. (3,5 p.p. acima da taxa neutra estimada pelo Banco Central), já tem impactado fortemente a economia, que apresenta desaceleração mais aguda do que a prevista, tanto pela CNI, como por diversos analistas econômicos. Essa desaceleração intensa da economia já seria suficiente para controlar a inflação”, avaliou em nota Ricardo Alban, presidente da CNI.
Além de lembrar que o PIB do 4º trimestre de 2024 já havia crescido abaixo do esperado, ele citou que o disso, o aperto monetário em curso já se traduz em aumento efetivo da taxa de juros dos tomadores de crédito.
“Em setembro de 2024, quando o Copom começou a aumentar a Selic, a taxa de juros média era de 27,54% a.a. Em janeiro de 2025, passou para 29,82% a.a, diz o comunicado da confederação, destacando que os efeitos das quatro altas da Selic sequer se materializaram plenamente, uma vez que há uma defasagem temporal entre a alteração nos juros básicos e o impacto na economia.
Já Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS (Associação Paulista de Supermercados), disse em comunicado entender que o Copom deveria adotar uma ação mais parcimoniosa em relação ao ciclo de alta da taxa de juros, para não prejudicar a produção, o consumo e os investimentos domésticos.
“O Brasil já possui uma das maiores taxas reais de juros do mundo, e com a recente calibragem da Selic, torna ainda mais difícil fomentar o nível de investimento necessário para o país se manter competitivo internacionalmente neste cenário de neoprotecionismo. Além disso, os efeitos sobre os empregos e sobre o consumo das famílias são deletérios”, afirmou.
A nota da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), assinada pelo presidente Flávio Roscoe, disse reconhecer a importância do controle da inflação para a estabilidade econômica, mas também alertou para os impactos negativos dos juros elevados. “A elevação da Selic a níveis tão altos tende a restringir os investimentos produtivos, aumentar os custos de produção e reduzir a competitividade da indústria brasileira e mineira”, disse Roscoe.
Infomoney - SP 20/03/2025
Os contratos futuros do minério de ferro caíram pela terceira sessão consecutiva nesta quarta-feira, com as preocupações relacionadas às perspectivas de demanda na China, principal consumidor mundial de minério, dominando o sentimento de mercado na ausência de detalhes sobre medidas de estímulo previstas.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com baixa de 2,12%, a 760 iuanes (US$105,05) a tonelada, o menor valor desde 13 de janeiro.
O minério de ferro de referência para abril na Bolsa de Cingapura caiu 2,07%, para US$100,05 a tonelada, depois de atingir o valor mais baixo desde 12 de março, a US$99,75 a tonelada, no início da sessão.
“A queda mais acentuada nos dados de novas construções diminuiu a confiança do mercado, provocando um sentimento de risco mais amplo”, disse Chu Xinli, analista da China Futures.
O início de novas construções na China, medido pela área construída, diminuiu 29,6% em janeiro e fevereiro, após uma queda de 23% em 2024, mostraram dados oficiais na segunda-feira.
Além disso, a preocupação persistente com as perspectivas de demanda em meio à escalada de uma guerra comercial global desencadeada pelas novas tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, também vem pesando sobre os preços.
A Índia recomendou um imposto temporário de 12% sobre alguns produtos siderúrgicos por 200 dias, conhecido localmente como imposto de salvaguarda, em uma tentativa de reduzir as importações.
Já Taiwan disse que irá manter taxas antidumping sobre o aço inoxidável da China e da Coreia do Sul por cinco anos.
Auto Industria - SP 20/03/2025
Na média do mercado, o estoque de veículos leves entre montadoras e concessionárias está em 38 dias, volume informado pela Anfavea e considerado normal pelas duas partes. Mas nem todas as marcas estão em situação confortável. No caso da General Motors, o estoque é de 79 dias, ou seja, praticamente o dobro da média.
Não à toa, portanto, que a montadora tenha negociado lay-off na fábrica de Gravataí, RS, a partir de abril, além de ter paralisado operações lá por 30 dias, retomando produção na última segunda-feira, 17.
No caso das férias coletivas, a GM informou que a parada foi necessária para a atualização e modernização de processos em algumas áreas da produção, ações que devem contemplar a chegada do novo Onix em breve. Já em relação ao lay-off, admite que a medida visa alinhar a produção à demanda atual do mercado.
Valor - SP 20/03/2025
Redução da força de trabalho começará em 1º de abril, mesma data em que Ivan Espinosa assumirá o cargo de CEO, substituindo Makoto Uchida
A Nissan eliminará 20% dos cargos de alta gerência como parte de uma reestruturação contínua de sua liderança.
A montadora japonesa anunciou nesta quarta-feira (19) que os cortes visam criar uma organização mais enxuta e sem fronteiras. A decisão foi divulgada uma semana após Ivan Espinosa ser nomeado o novo diretor-presidente da empresa, uma mudança motivada pelo cancelamento da fusão planejada entre Nissan e sua rival Honda.
A Nissan não revelou o número exato de cargos que serão cortados. Segundo o site da empresa, a fabricante japonesa empregava mais de 133,5 mil funcionários até 31 de março.
A redução da força de trabalho começará em 1º de abril, mesma data em que Espinosa assumirá o cargo de CEO, substituindo Makoto Uchida.
Seguindo adiante, a Nissan afirmou que seus cargos de alta gerência passarão para um modelo de gestão unificado, eliminando a distinção entre executivos com e sem cargos oficiais. Todos os oficiais corporativos passarão a ser denominados executivos.
Além disso, a empresa anunciou mudanças em sua diretoria executiva.
Eiichi Akashi, atual responsável pelo planejamento de veículos e engenharia de componentes da Nissan, assumirá o cargo de diretor de tecnologia, substituindo Kunio Nakaguro.
Teiji Hirata, que atualmente lidera a divisão de engenharia de produção e desenvolvimento de veículos, sucederá Hideyuki Sakamoto como diretor de “monozukuri”, ficando responsável pela produção e gestão da cadeia de suprimentos.
Valor - SP 20/03/2025
Chancela de marcas conhecidas ajuda a atrair cliente de outras cidades, em momento de busca do luxo para fugir da classe média
Rodrigo Mauro, CEO da REM, que lança projeto com grife de decoração; gerentes treinadas para divulgar o prédio — Foto: Nilani Goettems/Valor
O mercado de alto padrão é tido como um espaço seguro para as incorporadoras quando os juros sobem, para se afastar do poder de compra achatado da classe média. Nos Jardins, em São Paulo, lançamentos que competem por esse público adotam parcerias com grifes e reforçam a oferta de serviços para se diferenciar e atrair clientes de outras cidades.
Pesquisa da consultoria Brain mostra que a região tem o terceiro maior valor do metro quadrado em lançamentos de luxo, com média de R$ 39,3 mil, atrás da Vila Nova Conceição e Itaim Bibi, bairros nobres de São Paulo. A média geral da cidade é de R$ 14,9 mil.
Mariana Cerone, professora do hub de luxo da ESPM, explica que associações com marcas já estabelecidas ajudam a atrair um público “novo rico”, que busca a chancela da grife para enviar uma sinalização dupla: para a classe à qual deseja pertencer, é um indicativo de que fazem parte da mesma comunidade. Já os consumidores de classe média, aspiracionais, reconhecem o valor da marca - e o poder de compra desse cliente.
A construtora REM lança neste mês o primeiro empreendimento da sua linha de luxo, o Altitude por Artefacto, com unidades de 70 a 205 m2, e preço que parte de R$ 41 mil por metro quadrado. Rodrigo Mauro, CEO da empresa, conta que a ideia é ter metade dos compradores vindos de outras regiões do país. Um chamariz para esse público, que pode não conhecer a empresa, é a parceria com a grife de decoração, que assina os móveis das áreas comuns e do estande.
Mauro treinou gerentes da marca para apresentar o prédio a clientes e inseriu o lançamento em uma mostra de decoração da Artefacto.
O condomínio será administrado pela consultoria CBRE, que abriu uma frente para residenciais. Será possível reservar serviços, como aulas com personal trainer e limpeza do imóvel. Cerone afirma que hospitalidade é algo “muito precioso” para o cliente de alta renda, que deseja morar em sua casa, mas com qualidade de hotel.
A seis quadras do empreendimento da REM, a incorporadora Mitre lançou, em dezembro, o Daslu Residences São Paulo, com unidades de 114 a 306 m2, e preços entre R$ 40 mil e R$ 45 mil por metro quadrado. A Mitre resgatou a Daslu de olho nessa hospitalidade, conta o vice-presidente de operações, Rodrigo Cagali. A empresa arrematou a marca por R$ 10 milhões em um leilão em 2021, mas seu plano não era se lançar no vestuário. “É uma marca brasileira, precursora do luxo por aqui, que tinha essa questão de receber bem”, afirma. “Financeiramente, achamos que valia o investimento”. O projeto terá serviços de hotelaria.
Cerone destaca que a loja da Daslu na Vila Nova Conceição tinha o papel de reunir as “socialites” da cidade, para além do consumo. “A comunidade Daslu é algo que estudamos até hoje”, diz. “Elas estavam ali tomando café, fazendo reuniões, era um espaço de convivência”. Para a professora, se o empreendimento conseguir devolver esse meio ao consumidor, terá “um caminho interessante para percorrer”.
Parcerias com marcas já estabelecidas ajudam a atrair um público ‘novo rico’ que busca status”
— Mariana Cerone
Segundo Cagali, o projeto também tem atraído interessados de fora de São Paulo, e a metragem, considerada pequena para o alto padrão, ajuda nisso, já que não será a residência principal do comprador. A incorporadora planeja licenciar a marca Daslu para itens de cama, mesa e banho, e vendê-los em uma loja no próprio empreendimento.
O passado polêmico da marca - Eliana Tranchesi, filha da fundadora, foi condenada por formação de quadrilha e falsidade ideológica, e o contador da empresa, por sonegação de impostos - não deve afetar a sua atratividade com o público que consome luxo, na análise de Cerone.
A duas quadras do projeto da Mitre, a Gafisa lançou, também em dezembro, o Allard Oscar Freire, empreendimento com 20 unidades de 430 m2 e tíquete a partir de R$ 30 milhões cada, além de outra torre com 30 unidades de 90 m2. Estima-se que o projeto seja o mais caro da cidade atualmente, por metro quadrado.
Allard vem de Alexandre Allard, o francês que idealizou o Cidade Matarazzo, empreendimento que reúne residencial, hotel de luxo, espaço de arte, restaurantes e clube, em São Paulo. A Gafisa participou da construção do empreendimento e a parceria volta agora, com Allard tendo contribuído para o conceito do prédio.
Nesse caso, é a própria Gafisa que está envolvida em disputas com acionistas e antigos parceiros de negócio. Segundo Cerone, ter a marca Allard junto ao projeto ajuda a desviar a atenção da incorporadora.
Sheyla Resende, CEO da Gafisa, afirma que seus clientes confiam na empresa. “Tem questionamentos, mas não sofremos por causa disso, é um cliente esclarecido, que entende o mercado financeiro”, afirma.
Os projetos de REM, Mitre e Gafisa também têm em comum o fato de trazerem lojas e restaurantes abertos ao público. No Allard, serão quatro andares de restaurantes e spa. Nos projetos da REM e da Mitre, há também vias internas de acesso a pedestres. Como ocupam esquinas - o da REM ocupa um quarteirão inteiro - esses espaços vão permitir que se “corte caminho” por dentro do empreendimento.
Essa acessibilidade é bem-vista entre urbanistas, mas pode causar estranheza nos compradores de alto padrão. Cagali conta que os clientes questionam como a segurança será garantida. “Temos uma consultoria em segurança que modelou tudo isso, mas todos, sem exceção, perguntam”. No Allard, há um espaço para táxis e motoristas no subsolo, longe da entrada aberta ao público, por exemplo.
Procurada pelo Valor, a Artefacto informou que esse é seu sétimo projeto em parceria com incorporadoras. Em nota, a empresa afirma que assinar empreendimentos com “importantes empresas” atesta sua motivação para inovar e incrementar o portfólio de negócios. Alexandre Allard também foi procurado, mas não concedeu entrevista.
O Estado de S.Paulo - SP 20/03/2025
O Tribunal de Contas da União (TCU) assinou nesta quarta-feira, 19, o termo de admissibilidade para analisar ajustes nos contratos de concessão de ferrovias geridas pela Vale. Os técnicos da Corte de Contas avaliarão os termos já firmados com o governo federal em que a companhia pode ter de pagar R$ 17 bilhões aos cofres públicos.
A negociação entre a Vale e o Executivo foi iniciada em janeiro do ano passado. O governo questiona o abatimento de ativos não amortizados no valor da outorga paga à União para renovação, por mais 30 anos, dos contratos das estradas de ferro Carajás e Vitória Minas. A ampliação do prazo de exploração foi firmada em 2021, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao Estadão/Broadcast, o secretário executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, disse que a etapa é crucial para chancelar as análises que foram feitas entre representantes do governo e da Vale por mais de um ano. “O que esperamos é que o TCU mantenha o valor (de R$ 17 bilhões). Mas podem identificar demandas de ajustes.”
Com a admissibilidade do pedido, uma comissão será formada sob a coordenação da Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos do TCU (SecexConsenso). O órgão avalia solicitações diversas para ajustes de contratos entre o governo e empresas privadas, já tendo aprovado acordos para rodovias, ferrovias e telefonia.
A comissão tem 90 dias para desenvolver a solução e, caso haja proposta, é aberto prazo de 15 dias para manifestação do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU). Depois disso, o ministro-relator tem 30 dias para levar a solução ao plenário.
“No momento em que estamos avançando cada vez mais com a tese do consensualismo na administração pública, principalmente em áreas que possam diminuir a litigância, assinamos a proposta de conciliação da Vale, uma das maiores empresas do Brasil”, afirmou o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo.
O pagamento dos R$ 17 bilhões é esperado pelo governo federal para financiar um plano de expansão da malha ferroviária. O plano está sendo prometido desde agosto de 2023, mas acabou tendo o anúncio adiado justamente pelo atraso nos acordos com as concessionárias de ferrovias.
Há acordos de ajustes firmados com duas empresas. Em dezembro de 2023, o TCU aprovou acordo com a Rumo para o pagamento de R$ 1,5 bilhão adicional pela renovação da concessão da Malha Paulista de ferrovia, feita em 2020. Depois disso, o governo também alcançou um acordo com a MRS para o pagamento de R$ 2,6 bilhões pela renovação da Malha Sudeste.
Exame - SP 20/03/2025
O Brasil precisa modernizar sua infraestrutura logística para manter a competitividade no agronegócio e na indústria. Nesse contexto, a proposta de uma ferrovia de quase mil quilômetros conectando Sinop (MT), um grande polo do agronegócio brasileiro, a Miritituba (PA) — parecia promissora, ao oferecer uma nova rota para o escoamento da produção pelo Arco Norte. Mas uma análise mais criteriosa mostra que o projeto pode ser um mau negócio tanto para investidores quanto para os cofres públicos.
Um estudo liderado pelo economista Claudio Frischtak, em parceria com o projeto Amazônia 2030, traz dados que devem acender um alerta vermelho para o setor empresarial. Segundo o estudo, Ferrogrão (EF-170): Lições para o Planejamento de Infraestrutura na Amazônia, a construção da ferrovia exigiria um investimento inicial de R$ 11,45 bilhões.
Porém, com os custos financeiros, operacionais e os desafios jurídicos envolvidos, sua Taxa Interna de Retorno (TIR) pode chegar a apenas 1,6% ao ano — muito aquém do esperado para atrair capital privado. Para que o projeto “feche a conta”, seria necessário um aporte público de R$ 32,5 bilhões, quase 90% do valor total.
Além do impacto econômico, o estudo destaca um complicador jurídico: o traçado atual atravessa o Parque Nacional do Jamanxim, uma área protegida cuja desafetação está suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Esse ponto jurídico ainda sem solução coloca um risco adicional sobre qualquer decisão de investimento.
A publicação traz ainda um mapa que ilustra com clareza o traçado da ferrovia e as áreas sensíveis por onde ela passaria, incluindo regiões indígenas, unidades de conservação — elementos que reforçam o potencial de judicialização e desgaste reputacional para empresas envolvidas e uma área que passaria boa parte do ano alagada.
O Brasil tem um histórico conhecido de megaprojetos de infraestrutura que acabam se tornando obras inacabadas ou financeiramente inviáveis. Insistir na ferrovia, sob as condições atuais, pode representar não apenas desperdício de recursos públicos, mas um ônus para empresas que priorizam critérios ESG e buscam estabilidade regulatória.
Apesar de ser apresentada como uma solução estratégica, a chamada “Ferrogrão” é, na prática, um projeto que tenta vender uma ilusão logística, mascarando interesses privados sob um verniz de desenvolvimento. Os próprios proponentes batizaram o empreendimento com um nome que sugere inovação, mas que, na verdade, esconde uma proposta de alto impacto ambiental e baixíssima eficiência econômica.
Na rota atual, a ferrovia está planejada para cortar 933 km de Floresta Amazônica preservada, com o argumento de ligar áreas produtoras do Centro-Oeste ao terminal fluvial de Miritituba, no Pará, às margens do Tapajós. Embora conste como prioridade no Plano Nacional de Logística 2035 (PNL), o estudo aponta que a ferrovia é, na verdade, a pior opção para o transporte de grãos da região.
Trata-se de um projeto que atende aos interesses de um pequeno grupo de produtores que, mais do que buscar eficiência logística, visam abrir um novo corredor de desmatamento, grilagem e especulação fundiária no coração da Amazônia.
Na prática, terra pública será convertida em área de invasão, violência, roubo de terras e pressão para transformar floresta preservada em áreas desmatadas para gado e monocultura. Alguns já batizaram o projeto de Ferrogrilo.
Sob a ótica logística, a ferrovia é redundante. Existem alternativas mais eficientes, econômicas e sustentáveis. Uma delas é a expansão da Ferronorte, conectando Lucas do Rio Verde (MT) aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), por meio da malha ferroviária já existente no Sudeste. Outra solução viável é a Ferrovia de Integração Centro-Oeste, que prevê ligar Vilhena (RO) à Ferrovia Norte-Sul, permitindo o escoamento da produção pelo porto de Itaqui (MA) e, futuramente, pelos portos da Bahia com a conclusão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).
Além de oferecerem rotas para portos maiores, mais eficientes e aptos a receber navios de grande porte — reduzindo custos logísticos e emissões —, essas alternativas têm mão dupla: facilitam não apenas a exportação, mas também o transporte de insumos e bens do Sul e Sudeste para o Centro-Oeste, estimulando um desenvolvimento mais integrado e sustentável.
Com tantas opções mais baratas e funcionais, a conclusão é evidente - a Ferrogrão não resolve um problema logístico. Ela cria um problema ambiental, jurídico e financeiro. Para investidores e executivos atentos às transformações do mercado global, a lição também é clara: infraestrutura na Amazônia precisa ser planejada com rigor técnico, viabilidade econômica e responsabilidade ambiental. Há alternativas mais eficientes e menos arriscadas para resolver os gargalos logísticos do país.
Além disso, também é bom lembrar que o Brasil tem outros gargalos logísticos - talvez até mais importantes. Qual realmente é a prioridade que o Brasil todo deve dar e o grau de sacrifício para a necessidade específica da exportação de soja do Mato Grosso? O último Plano Nacional de Logística divulgado pelo Ministério dos Transportes foi feito em 2018.
Ele mapeou cerca de 120 pontos críticos para circulação de mercadorias no país até 2025. Deles, apenas dois envolveriam rotas pela Amazônia. A maior parte das demandas não atendidas importantes do Brasil envolvem cargas entre as capitais e grandes cidades do Sul, Sudeste e Nordeste. As obras que beneficiariam de verdade a vida dos milhões de brasileiros e da maior parte da atividade econômica do Brasil estão em outro lugar. Vamos falar delas?
Grandes Construções - SP 20/03/2025
A Alstom celebra o marco histórico de 10 anos de operação de sua fábrica em Taubaté, interior de São Paulo. Este momento, comenta Suely Sola, diretora geral da Alstom Brasil, reflete o compromisso contínuo da empresa com a inovação, a excelência operacional e o desenvolvimento do setor ferroviário no Brasil e no mundo.
“Celebrar dez anos produzindo trens em nossa fábrica de Taubaté reafirma o compromisso da Alstom com o Brasil e com a entrega de soluções de mobilidade que conectam pessoas e transformam cidades. Essa conquista reflete a nossa capacidade de inovação e excelência operacional e o trabalho dedicado de um time altamente qualificado e comprometido em atender às demandas locais e globais com qualidade e sustentabilidade”, afirma Suely.
Inaugurada em 2015, a fábrica da Alstom em Taubaté é centro de excelência em produção de carros de trem em aço inoxidável e está estrategicamente instalada em um polo industrial, ao lado de duas importantes rodovias do país, a Dutra e a Carvalho Pinto, e próxima ao Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina.
A unidade foi responsável pela produção de 27 carros Citadis para o VLT do Rio de Janeiro, que foram fabricados em tempo recorde para as Olimpíadas no Brasil, em 2016 O projeto foi o segundo no mundo a ter um sistema 100% livre de catenária. Após a conclusão do contrato do VLT, a fábrica também produziu os carros NS16 para o Metrô de Santiago, no Chile.
Em 2022, após a assinatura de seis contratos nacionais e internacionais, a Alstom investiu R$ 100 milhões para ampliar o site, como parte da estratégia de crescimento da companhia.
Desde então, mais de 170 trens (mais de 940 carros) foram ou estão sendo produzidos pela Alstom em Taubaté para esses projetos, para as cidades de São Paulo (Brasil), Santiago (Chile), Taipei (Taiwan) e Bucareste (Romênia), destacando a capacidade da instalação de contribuir para projetos de mobilidade em nível global.
Nos últimos anos, a fábrica tem sido responsável pela produção de trens para diversos sistemas de transporte, incluindo:
• Linhas 8 e 9 da Rede de Trens Metropolitanos de São Paulo: fornecimento de 36 trens Metropolis, cada um com oito carros, com portas e corredores que oferecem excelente fluxo de passageiros e acessibilidade, para a modernização da rede, em contrato com a ViaMobilidade;
• Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo: produção de 22 trens Metropolis, cada um com seis carros, para a Linha Universidade (LinhaUni), em contrato com a concessionária Acciona Group, para a expansão do sistema metroviário da capital paulista;
• Linha 7 do Metrô de Santiago, Chile: produção de 37 trens Metropolis com 5 carros cada para a nova linha de metrô da capital chilena;
• Extensão da Fase 2 da Linha 7 do Metrô de Taipei, Taiwan: fabricação de 35 trens Metropolis, cada um com quatro carros, equipados com o sistema de sinalização CBTC Urbalis 400, SCADA e portas de segurança nas plataformas, para a Linha Verde Clara (LG) ou Wanda Zhonghe Shulin (Wanda);
• Fase dois da Linha Circular de Taipei, Taiwan: A fábrica de Taubaté produzirá 29 trens, totalizando 116 carros;
• Linha 5 do Metrô de Bucareste, Romênia: produção de 13 trens, totalizando 78 carros, para a expansão do sistema de transporte subterrâneo da cidade.
Além do investimento na unidade industrial para atender aos atuais projetos, a empresa fez uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI Taubaté para que 500 profissionais fossem capacitados para atuar diretamente na produção dos novos trens. Atualmente, a fábrica gera mais de 600 empregos diretos e cerca de 400 indiretos.
Valor - SP 20/03/2025
Documento aborda riscos como grilagem de terras públicas e especulação fundiária, direitos territoriais de povos e comunidades tradicionais, crimes ambientais e patrimônio cultural e arqueológico
Entidades ambientalistas seguem mobilizadas contra o projeto da Ferrogrão, com estudos retomados no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois de o Instituto Socioambiental (ISA) contestar a viabilidade da ferrovia em fevereiro, o Grupo de Trabalho Infraestrutura e Justiça Socioambiental (GT Infra) apresentará nesta quinta-feira (20) uma "análise crítica independente" sobre o projeto que se propõe ser uma nova opção de escoamento da safra de grãos do Centro-Oeste pelos portos do Arco Norte.
O novo parecer aborda riscos relacionados à grilagem de terras públicas e especulação fundiária; aos direitos territoriais de povos e comunidades tradicionais; aos crimes ambientais; e ao patrimônio cultural e arqueológico.
O traçado da nova ferrovia, se viabilizada, partirá de Sinop (MT) — um dos principais centro de produção de soja e milho do mundo — até Miritituba (PA) — onde estão terminais portuários de acesso à hidrovia no rio Tapajós, que desemboca no Atlântico.
Em recente atualização do status do processo dentro do governo, os estudos de viabilidade técnica e econômica ainda estavam para ser enviados ao Tribunal de Contas da União (TCU) pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), que será responsável por realizar o leilão.
A nova ferrovia é proposta como rota alternativa ao transporte de grãos por caminhões na BR-163 e às ferrovias com trajeto mais longo, rumo aos portos do Sudeste e Sul. A proposta de construir a Ferrogrão surgiu ainda no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, com a promessa de reduzir o preço do frete de grãos em 20% e as emissões CO2 do modal rodoviário.
Com a atualização mais recente dos estudos, o governo passou a indicar a possibilidade de frear os crescentes conflitos sociais e desmatamento na região, causados pelo aumento de tráfego de caminhões na BR-163. Isso porque a linha férrea não deve contar com estações intermediárias ao longo do curso, evitando o efeito "espinha de peixe" causado por estradas que cruzam a floresta amazônica.
De acordo com o GT Infra, os estudos da Ferrogrão contam com "fragilidade da governança territorial", o que representa um "risco significativo" para impactos socioambientais provocados pela possível instalação da ferrovia de 933 quilômetros. Para os técnicos envolvidos na iniciativa, o projeto "visa consolidar mais um corredor amazônico no modelo agro-mineral-exportador".
Em nota, o GT Infra informa que o estudo ressalta que a Ferrogrão implicará em "impactos socioambientais cumulativos e sinérgicos que não têm sido adequadamente analisados, incluindo o cenário de especulação fundiária e desmatamento" por integrar o Corredor Logístico Tapajós-Xingu, que inclui a BR-163 e a hidrovia no rio Tapajós.
Em comunicado, a entidade informa que o documento traz "conclusões e recomendações para subsidiar o debate sobre a viabilidade econômica e socioambiental do projeto, buscando fornecer subsídios técnicos para análises e diálogos mais aprofundados sobre a viabilidade da Ferrogrão, considerando as reais dinâmicas socioambientais da região amazônica".
O lançamento oficial do documento está marcado para esta quinta-feira (20), às 15 horas, na Universidade Federal do Oeste Paraense (UFOPA), em Santarém (PA). Está prevista rodada de debates sobre o conjunto de análises técnicas já produzidas com críticas ao projeto.
Petro Notícias - SP 20/03/2025
A produção de petróleo da União atingiu um novo recorde em janeiro no regime de partilha, alcançando 133 mil barris por dia (bpd) no período. O volume é referente aos oito contratos de partilha (122 mil bpd) e aos Acordos de Individualização da Produção (AIPs) das áreas não contratadas de Atapu, Tupi e Mero (11,2 mil bpd). O resultado representa um crescimento de aproximadamente 13% na comparação com o mês anterior, principalmente devido ao aumento da participação da União no campo de Sépia, após a recuperação de custos da plataforma P-85.
Além disso, a União também registrou recorde na sua parcela de gás natural, atingindo 436 mil metros cúbicos de gás natural por dia em janeiro, um avanço de quase 117% em comparação a dezembro. Esse aumento foi impulsionado pela ampliação das exportações de gás em Sépia, via Rota 3, e pelo retorno à operação do FPSO Cidade de São Paulo, em Sapinhoá. Os dados constam no Boletim Mensal da Produção, divulgado nesta quarta-feira (19) pela PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.).
Ainda em janeiro, a exportação de gás natural dos contratos de partilha de produção atingiu 4,39 milhões de m³ por dia, o maior volume já registrado, representando um crescimento de 48% em relação a dezembro. O aumento foi puxado pela ampliação das exportações de gás em Sépia, via Rota 3. Búzios foi o maior exportador, com 3,3 milhões de m³/dia, correspondendo a 76% do total. Desde 2017, a produção acumulada de gás natural com aproveitamento comercial soma 3,3 bilhões de m³, com a parcela da União totalizando 224 milhões de m³.
“O resultado da exportação de gás de janeiro é praticamente o triplo da média anual registrada em 2024, de 157 mil m³/dia. Em janeiro, já batemos recorde na comercialização do gás natural da União e é com base nessa curva ascendente que estamos trabalhando a formatação do 1º Leilão de Gás Natural da União, previsto para ocorrer no segundo semestre deste ano”, disse a presidente interina da PPSA, Tabita Loureiro.
A produção total sob contratos de partilha alcançou 1,14 milhão de barris por dia em janeiro, um crescimento de 5,7% na comparação mensal. O desempenho foi impulsionado pela maior estabilidade operacional nos campos de Mero, Atapu e Sépia, além do retorno das operações em Búzios após uma parada programada.
Búzios liderou a produção, com 482 mil bpd, seguido por Mero, que registrou 424,4 mil bpd. Desde o início da série histórica, em 2017, o volume acumulado produzido em regime de partilha já soma 1,07 bilhão de barris de petróleo, sendo que Búzios responde por mais da metade desse total. A parcela da União nesse período atingiu 66,8 milhões de barris, com 68% provenientes do campo de Mero.
Globo Online - RJ 20/03/2025
Um júri da Dakota do Norte, nos Estados Unidos, condenou hoje o Greenpeace a pagar uma indenização milionária por danos e prejuízos a uma empresa que processou a ONG por protestar contra a construção de um oleoduto, um caso que desafia o alcance da liberdade de expressão no país.
O veredicto é um duro golpe para o grupo ambientalista, que foi processado pela Energy Transfer (ET), operadora do oleoduto Dakota Access, por orquestrar uma campanha de violência e difamação contra a empresa.
"Gostaríamos de agradecer ao juiz e ao júri pela incrível quantidade de tempo e esforço que dedicaram a este caso", disse nesta quarta-feira a empresa, que deverá receber uma indenização de mais de 660 milhões de dólares (R$ 3,7 bilhões).
"Embora estejamos satisfeitos que o Greenpeace tenha que responder por suas ações, esta vitória é realmente para o povo de Mandan e de todo Dakota do Norte, que teve que viver com o assédio diário e as interrupções causadas pelos manifestantes que foram financiados e treinados pelo Greenpeace."
Após o anúncio do veredicto, a diretora executiva interina da Greenpeace USA, Sushma Raman, afirmou à AFP que "não é possível falir um movimento".
"Somos movidos por pessoas, não aceitamos financiamento corporativo ou governamental, somos inteiramente apoiados por indivíduos que dão pequenas quantias de dinheiro... as pessoas que alimentam organizações como o Greenpeace. Você não pode falir elas", acrescentou.
Há quase uma década, o povo indígena sioux de Standing Rock protagonizou um dos maiores protestos da história dos Estados Unidos contra a construção de um oleoduto.
Centenas de manifestantes nesses protestos ficaram feridos e outros tantos foram detidos, o que levou a ONU a manifestar sua preocupação com as supostas violações da soberania dos indígenas.
Apesar de ter entrado em funcionamento em 2017, a Energy Transfer seguiu com as ações legais contra o Greenpeace. Inicialmente, recorreu a um tribunal federal, onde pedia uma indenização de 300 milhões de dólares (R$ 1,7 bilhão na cotação atual), demanda que foi desconsiderada.
InfraRoi - SP 20/03/2025
O governo do Rio Grande do Sul vai investir R$ 164 milhões em obras de pavimentação e manutenção de rodovias na região da Fronteira Oeste. As ações visam melhorar a infraestrutura viária, impulsionar o desenvolvimento econômico e proporcionar mais segurança e conforto aos usuários das estradas.
Uma das obras em andamento é a pavimentação de 52 quilômetros da ERS-566, entre os municípios de Alegrete e Maçambará, que já conta com 41 quilômetros de revestimento asfáltico concluídos. O total dos serviços têm investimento de R$ 77 milhões do Estado, além de mais R$ 51 milhões oriundos de uma dação em pagamento de uma antiga área da CEEE. A estimativa é de que os trabalhos sejam concluídos em 2026.
Outro projeto é a pavimentação da rodovia ERS-176 no trecho entre Manoel Viana e o entroncamento com a BRS-287 (em Sobradinho). O estado já destinou R$ 3 milhões à execução das atividades iniciais da obra, como limpeza da área, remoção de vegetação e terraplenagem nos primeiros cinco quilômetros, após a interseção com a RSC-377. O recurso total estimado para pavimentar os 36 quilômetros é de R$ 69,9 milhões.
Quais serão as obras nas rodovias na Fronteira Oeste
Para a Secretaria de Logística e Transportes do Estado (Selt), a pavimentação da ERS-566 e da ERS-176 é um marco para a Fronteira Oeste, pois vai impulsionar o escoamento da produção agropecuária e facilitar o acesso aos serviços essenciais.
As obras estão sendo executadas pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), ligado à Selt, que também está realizando intervenções de manutenção e recuperação de rodovias na região, com um investimento total de R$ 33 milhões. Entre os trechos contemplados, estão:
ERS-168 (da BRS-287 a Bossoroca): recuperação do asfalto com reparos localizados, aplicação de nova camada asfáltica na pista e acostamentos, e pintura da sinalização. O serviço já foi concluído em 17 quilômetros. As equipes também estão realizando a limpeza das faixas de domínio entre Bossoroca e a interseção com a BRS-285.
RSC-377 (entre Alegrete e Manoel Viana): recuperação do asfalto com reparos localizados, aplicação de nova camada asfáltica e acostamentos e renovação da pintura da pista. Os serviços estão em andamento.
RSC-377 (da interseção da BRS-290 a Quaraí): limpeza de leiras, pontes e sarjetas, aplicação de camada asfáltica para recuperar a pista e nova pintura de sinalização. Os serviços estão execução.
VRS-834 (acesso a São Marcos, distrito de Uruguaiana): recuperação de erosões no talude com pedras, reposição de meios-fios, reparo em sistemas de drenagem e reparos localizados na pista. A obra abrange uma extensão de 5,9 km. Os serviços estão em andamento.
O diretor-geral do Daer, Luciano Faustino, destacou o compromisso do governo com a melhoria da infraestrutura viária: "Estamos empenhados em executar essas obras com qualidade e dentro do prazo, para que a população da Fronteira Oeste possa usufruir dos benefícios de uma malha rodoviária moderna e eficiente. Nosso objetivo é transformar a infraestrutura do Rio Grande do Sul, garantindo um futuro mais próspero para todos os gaúchos", salientou o dirigente.