Clipping Diário

26 | Março | 2025

INDA

O Estado de S.Paulo - SP   26/03/2025

Pouco mais de uma semana após a Gerdau anunciar a aquisição da distribuidora de aços Kloeckner, a ArcelorMittal fechou a compra da totalidade da catarinense Tuper, uma das maiores processadoras do insumo do País, ambas por valores não revelados. No ano passado, a CSN já tinha adquirido na mesma área 30% da Panatlântica, por R$ 150 milhões.

Por trás do movimento está o reposicionamento das siderúrgicas no setor de distribuição e centros de serviços, frentes importantes de acesso a clientes e venda de produtos acabados e, portanto, mais caros e com maior margem de lucro. Nos últimos anos, todas as grandes siderúrgicas vêm montando e dando peso a estruturas de atuação nesse segmento, que também permite a venda em menores quantidades para indústrias que não têm porte para compras diretas.

Os centros de distribuição e serviços já respondem por quase metade da distribuição de aço no País. O volume de aço plano vendido no ano passado por empresas associadas do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA) foi de 3,84 milhões de toneladas.

A ArcelorMittal já detinha 40% da Tuper, fatia adquirida em 2016. Com a aquisição dos 60% restantes, a empresa passa a ser subsidiária integral da maior produtora de aço do mundo.

A operação foi submetida neste mês de março à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e as empresas têm a expectativa de que a avaliação do Cade seja concluída nos próximos 60 a 90 dias.

Localizada no município de São Bento do Sul (SC), a Tuper atua na fabricação de tubos de aço carbono com costura, peças e componentes automotivos, conjuntos soldados, telhas, andaimes, estacas tubulares, escoras metálicas, perfis e tubos para andaimes, entre outros, com uma capacidade de processamento de 826 mil toneladas por ano. A empresa tem 54 anos de atividades e emprega aproximadamente 1,8 mil funcionários.

SIDERURGIA

Portal Fator Brasil - RJ   26/03/2025

E fortalece posição no setor siderúrgico. No ano, a companhia ampliou a produção de aço verde e manteve solidez financeira em meio a desafios do mercado.

A Aço Verde do Brasil (AVB) registrou crescimento de 6,8% na receita líquida em 2024, alcançando R$ 1,84 bilhão. O volume de vendas de laminados cresceu 1,8%, enquanto o total de aço comercializado, incluindo semiacabados, avançou 10,7%. Apesar do impacto das importações e do cenário econômico mais adverso, a companhia manteve margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, da sigla em inglês) de 30,3%, com um Ebitda ajustado de R$ 558 milhões.

De acordo com Gustavo Rozenbaum Bcheche, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da AVB, os números refletem a eficiência operacional e a estratégia de diversificação da empresa. —A expansão do volume de vendas e a gestão planejada de custos foram fundamentais para garantir nossa competitividade, mesmo diante do aumento da concorrência no mercado interno — afirma.

As vendas de vergalhão e fio-máquina cresceram em 2024, impulsionadas pela demanda principalmente na região Sudeste. O mercado interno continuou sendo o destino prioritário da produção, com destaque para os segmentos de construção civil e indústria.

Investimentos para ampliação da capacidade produtiva de aço verde — Em 2024 a empresa também deu continuidade ao seu plano de expansão industrial, com destaque para a ampliação da produção da aciaria — em cerca de 30%. Hoje a Aço Verde do Brasil possui capacidade instalada de 858 mil toneladas de tarugo e 720 mil toneladas de aço verde por ano.

Foram investidos cerca de R$ 360 milhões em CAPEX ao longo do ano, um crescimento de 13,4% em relação a 2023. A AVB também manteve um índice de alavancagem controlado em 0,8x Ebitda, com dívida líquida de R$ 441,8 milhões.

Para reforçar sua estrutura de capital, a companhia ainda realizou a primeira emissão de debêntures verdes do setor siderúrgico nacional, captando R$ 200 milhões. Os recursos estão sendo aplicados em projetos ambientais e de infraestrutura produtiva sustentável. As debêntures representaram 17% da dívida bruta total.

Tais iniciativas devem impulsionar a eficiência energética e reforçar o compromisso da empresa com a sustentabilidade na produção siderúrgica. Atualmente a AVB possui um dos menores índices de emissão de CO2 no mundo na indústria do aço, e o menor do Brasil, segundo dados da WorldSteel Association. —A solidez financeira e a estratégia sustentável garantem à AVB um diferencial competitivo no setor de aços longos. Nossa prioridade é seguir crescendo de forma responsável, alinhando produção e inovação— conclui Gustavo Bcheche.

IstoÉ Dinheiro - SP   26/03/2025

A União Europeia (UE) afirmou que está limitando a quantidade de aço livre de tarifas que seus Estados membros podem importar, como parte dos esforços do bloco para proteger sua indústria siderúrgica das altas exportações e das barreiras comerciais dos EUA.

A Comissão Europeia afirmou que está restringindo as importações de aço isento de tarifas ao reduzir a chamada taxa de liberalização de 1% para 0,1%, e eliminou o mecanismo de transferência que permitia aos países transferirem cotas não utilizadas para o próximo trimestre.

As medidas devem entrar em vigor em 1º de julho e têm como objetivo ajudar as siderúrgicas europeias a impulsionar a produção e recuperar a participação de mercado perdida, bem como aumentar o emprego e o investimento em aço de baixo carbono, informou a Comissão nesta terça-feira.

Petro Notícias - SP   26/03/2025

Mesmo sob a expectativa das sanções americanas do aumento de 25% nas taxas para importar o aço brasileiro, a produção nacional não parece ter sentido qualquer impacto nos primeiros dois meses de 2025. Agora, a decisão já é uma realidade e vamos precisar aguardar os números alcançados nos próximos meses para se ter um novo cenário real das vendas brasileiras para os Estados Unidos. Em janeiro e fevereiro os números foram bem positivos: a produção de aço bruto cresceu 0,9% nos dois primeiros meses do ano, na comparação com 2024, atingindo 5,5 milhões de toneladas. A informação é do Instituto Aço Brasil. As vendas internas elevaram-se 6,6% no bimestre, para 3,4 milhões de toneladas. Importações atingiram 1 milhão de toneladas, uma alta de 25,6% no período, e exportações atingiram 1,8 milhão de toneladas, avanço de 10,7%. O consumo aparente de produtos de aço cresceu 12%, para 4,3 milhões de toneladas.

Na comparação com o mês anterior, a produção caiu 3,3% em fevereiro, totalizando 2,7 milhões de toneladas. As vendas internas registraram leve alta de 0,4%, alcançando 1,7 milhão de toneladas, enquanto as exportações recuaram 1,7%, somando 892 mil toneladas. As importações caíram 15%, para 469 mil toneladas. Como resultado, o consumo aparente de produtos siderúrgicos caiu 2,4%, para 2,1 milhões de toneladas. O Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA), medido pelo Instituto Aço Brasil, fechou março em 32,3 pontos, uma queda de 2,4 pontos em relação a fevereiro. Este foi o quinto recuo consecutivo na confiança dos CEOs do setor. O índice segue bem abaixo da média histórica de 53,0 pontos, indicando falta de confiança no setor.

Brasil Mineral - SP   26/03/2025

A China, maior produtor mundial, teve produção estimada de 78,9 milhões de toneladas, um declínio de 3,3% em relação a fevereiro do ano passado.

A produção mundial de aço bruto para os 69 países que reportam à World Steel Association (worldsteel) foi de 144,7 milhões de toneladas em fevereiro de 2025, uma queda de 3,4% em relação a um ano antes. A China teve produção estimada de 78,9 milhões de toneladas, um declínio de 3,3% em relação a fevereiro do ano passado. Índia e Japão produziram 12,7 e 6,4 milhões de toneladas, com acréscimo de 6,3% e recuo de 8,5%, respectivamente, enquanto a Coreia do Sul produziu 5,2 milhões de toneladas e registrou leve aumento de 0,7% comparada com fevereiro de 2024. Ásia e Oceania responderam por 107,3 milhões de toneladas do total, um decréscimo de 2,6% sobre o mesmo mês de 2024.

A América do Norte e América do Sul produziram 8,2 milhões de toneladas e 3,4 milhões de toneladas de aço bruto em fevereiro de 2025, o que significa recuos de 6,3% e 3,2%, respectivamente, em relação ao mesmo mês do último ano. A produção dos Estados Unidos chegou a 6 milhões de toneladas, 7% a menos que em fevereiro de 2024, enquanto a produção brasileira somou 2,7 milhões de toneladas no segundo mês de 2025, ou 1,6% inferior ao mesmo mês do último ano. Estima-se que a Rússia tenha produzido 5,8 milhões de toneladas em fevereiro, queda de 3,4% e o Irã produziu 1,7 milhão de toneladas no mês e viu sua produção despencar 21,8% em fevereiro de 2025. Já a Turquia produziu 2,9 milhões de toneladas e caiu 5,6% em fevereiro de 2025, enquanto os países da União Europeia somaram 10,1 milhões de toneladas, um recuo de 7,1% sobre fevereiro do último ano. No primeiro bimestre de 2025 houve uma produção de 302 milhões de toneladas de aço, um recuo de 2,2% quando comparado ao mesmo período do último ano.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   26/03/2025

O quadro desafiador para a inflação exige restrição monetária maior e por mais tempo que em outros momentos, segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira, 25. “O cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas desancoradas para prazos mais longos e exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, diz o documento.

O colegiado ressaltou que as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, elevaram-se novamente em todos os prazos, indicando desancoragem adicional e tornando assim o cenário de inflação mais adverso.

“A desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do comitê e deve ser combatida”, enfatizaram seus membros no documento, acrescentando que, na reunião da semana passada, foi ressaltado que ambientes com expectativas desancoradas aumentam o custo de desinflação em termos de atividade.

O Copom repetiu, na ata, que antevê um novo aumento “de menor magnitude” na taxa Selic no seu próximo encontro, de maio. A sinalização já constava no comunicado divulgado na última quarta-feira, 19. Na decisão, o Banco Central aumentou os juros em 1 ponto porcentual, de 13,25% para 14,25% ao ano.

O colegiado também reforçou que, a partir de maio, o tamanho total do ciclo será ditado pelo seu “firme compromisso de convergência da inflação à meta” e dependerá da evolução do cenário.

A elevação sinalizada pelo Copom em maio colocaria a taxa em ao menos 14,50%, o maior nível desde os 14,75% atingidos em julho de 2006, ainda no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mercado espera altas de 0,5 ponto porcentual em maio e de 0,25 ponto em junho, que levariam os juros a 15,0% no fim do ciclo de aperto, segundo o último relatório Focus.

O Copom também repetiu as projeções de inflação que já haviam sido divulgadas no comunicado da última quarta-feira. O comitê espera que o IPCA atinja 3,9% no acumulado de 12 meses até o fim do terceiro trimestre de 2026, horizonte relevante da política monetária. A estimativa está acima do centro da meta, de 3%, e considera elevação de 3,8% para os preços livres e de 4,2% para os administrados.

O BC espera que o IPCA encerre 2025 em 5,1%, acima do teto da meta, de 4,5%. As estimativas consideram altas de 5,4% nos preços livres e de 4,3% nos administrados este ano.

Todas as projeções do BC partem do cenário de referência, com trajetória de juros extraída do relatório Focus e bandeira verde de energia elétrica em dezembro de 2025. A taxa de câmbio começa em R$ 5,80 e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC). Os preços do petróleo seguem aproximadamente a curva futura por seis meses e, depois, sobem 2% ao ano.
Ciclo não está encerrado

O Copom disse ainda que pretende diminuir o ritmo das altas da Selic a partir da próxima reunião, mas que o ciclo de aperto monetário ainda continuará. “O comitê, em sua comunicação, optou por conjugar três sinalizações sobre a condução de política monetária, caso se confirme o cenário esperado. Primeiramente, julgou que, em função do cenário adverso para a dinâmica da inflação, era apropriado indicar que o ciclo não está encerrado”, pontuou.

Ainda no trecho que tratou da discussão da condução da política monetária, o colegiado apresentou sua segunda sinalização: em função das defasagens inerentes ao ciclo monetário em curso, o comitê também julgou apropriado comunicar que o próximo movimento seria de menor magnitude. Além disso, completou que, diante da elevada incerteza, optou-se por indicar apenas a direção do próximo movimento.

“Na análise do comitê, o cenário se desenrolou de tal maneira que a indicação anterior de elevação de 1 ponto porcentual na taxa Selic se mostrava a decisão apropriada. Julgou-se que o aperto monetário era requerido para a convergência da inflação à meta em um cenário marcado por expectativas desancoradas, projeções elevadas de inflação e resiliência na atividade”, justificou sobre a alta de 13,25% para 14,25% do juro básico determinada na semana passada.

Parcimônia

Na ata, o Copom diz que o arrefecimento da economia é um ponto fundamental para que o Banco Central entregue sua tarefa de levar à inflação à meta determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). “O comitê segue avaliando que o cenário-base prospectivo envolve uma desaceleração da atividade econômica, a qual é parte do processo de transmissão de política monetária e elemento necessário para a convergência da inflação à meta”, enfatizou.

Os dados referentes aos últimos meses, conforme a ata, seguem oferecendo sinais sugerindo uma incipiente moderação do crescimento, em linha com o cenário-base do colegiado. “O comitê reforçou que alguns indicadores mais recentes, como de serviços, indústria ou população ocupada têm indicado moderação de crescimento após extraordinária resiliência no mercado de trabalho e na atividade econômica”, salientou.

O documento ressaltou que o Produto Interno Bruto (PIB), ajustado sazonalmente, cresceu 0,2% no último trimestre de 2024 na comparação com o trimestre anterior, após crescimento de 1,3% e 0,7% nos segundo e terceiro trimestres do ano, respectivamente. Na mesma base de comparação, conforme a ata, do lado da demanda agregada, houve redução do consumo das famílias, após uma sequência de 13 aumentos consecutivos.

Segundo o colegiado, dados de percepção, como indicadores de confiança e pesquisas de sentimento de crédito, têm sugerido uma desaceleração maior do que aquela observada nos dados objetivos. “Mais ainda, os dados objetivos coincidentes têm apresentado resultados mistos a depender do setor ou da pesquisa”, ponderou.

Sobre o mercado de trabalho, a cúpula do BC comentou que, além da volatilidade inerente aos dados, observa-se redução na margem da população ocupada, mas em ambiente de desemprego baixo e rendimentos elevados. “Ainda que dados recentes sugiram alguma moderação, o mercado de trabalho permanece aquecido”, concluiu.

O comitê se comprometeu a seguir acompanhando a atividade econômica e reforçou que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta. Já no parágrafo cinco, o documento pontuou que o cenário prospectivo de inflação segue “desafiador” em diversas dimensões.

O Estado de S.Paulo - SP   26/03/2025

O Banco Central quer ver sinais mais evidentes de desaceleração do PIB antes de pensar em interromper o ciclo de alta dos juros. Esse é um dos principais recados da ata do Copom divulgada nesta terça-feira, 25, que reforçou que a Selic vai subir novamente em maio, ainda que em “menor magnitude”.

Outro ponto importante, como pontuou a Ativa Corretora para o Estadão/Broadcast, é que o cenário exige “restrição monetária maior e por mais tempo do que outro apropriado”. Isso indica que os juros vão subir para além da reunião de maio.

“O cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas desancoradas para prazos mais longos e exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, diz o comitê.

Para a próxima reunião, a leitura principal do mercado é a de que a Selic subirá em 0,5 ponto (ritmo mais brando do que o aumento de 1 ponto das últimas três reuniões). Com isso, os juros vão atingir 14,75%, um patamar mais alto do que o pior momento do governo Dilma Rousseff.

De um lado, o Banco Central está preocupado com o efeito da dose cavalar de juros que já aplicou à economia. A preocupação é legítima, porque o controle da inflação precisa acontecer com o menor custo possível para o nível de atividade, incluindo o mercado de trabalho e os investimentos.

Mas, de outro, reconhece que o cenário para a inflação “segue desafiador em diversas dimensões”. Por isso, indicou uma nova alta da Selic, em maio, mesmo depois de subir a taxa de 10,5%, em setembro, para 14,25%, este mês.

“O comitê acompanhará o ritmo da atividade econômica, fundamental na determinação da inflação, em particular da inflação de serviços; o repasse do câmbio para a inflação, após um processo de maior volatilidade da taxa de câmbio; e as expectativas de inflação, que apresentaram desancoragem adicional e são determinantes para o comportamento da inflação futura”, disse o BC.

Sobre o ritmo de atividade, o BC elaborou um longo parágrafo, em que afirma enxergar sinais “incipientes” de moderação do crescimento, mas também afirma que o PIB do primeiro trimestre deve vir forte, em função da safra agrícola. De toda forma, enfatizou que o consumo das famílias teve uma primeira queda, após subir por 13 trimestres consecutivos.

O BC afirmou, mais uma vez, que o cenário é de elevada incerteza. Pelo lado externo, há as políticas erráticas do presidente americano Donald Trump, os riscos geopolíticos, e agora o aumento de gastos com defesa da Europa, que podem pressionar as taxas de juros globais.

Internamente, houve novo recado de que incerteza no campo fiscal tem tido impacto sobre os preços dos ativos, leia-se, dólar, além de afetar as expectativas dos agentes econômicos. Por isso, cobrou, mais uma vez, que as políticas fiscal e monetária sejam “harmoniosas”. Como o BC vem apertando os juros, o pedido é para que o Ministério da Fazenda faça o mesmo com os gastos.

O BC também deu três sinalizações à frente. Primeiro, disse que vai continuar subindo os juros, e que o ciclo não está encerrado. Segundo, que a alta vai ser menor, em função de todo aumento que já foi feito. Terceiro, que, como há incertezas, ele quer tempo para decidir os próximos passos.

Não há dúvidas que o BC persegue a inflação e que vem seguindo à risca o manual de política monetária. O olhar para o PIB faz sentido, porque a inflação de serviços só vai cair com a piora do mercado de trabalho.

A grande dúvida é: Lula e Sidônio vão permitir a desaceleração da atividade a um ano das eleições ou vão adotar novas medidas de estímulos que vão atrapalhar o trabalho do Banco Central? Esse risco permanece em aberto.

Money Times - SP   26/03/2025

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse nesta terça-feira (25) que o Brasil deve crescer abaixo de 3% neste ano, mas que superará as projeções atuais do próprio governo, acrescentando ainda que vê espaço para cortes na taxa de juros pelo Banco Central no segundo semestre de 2025.

“Ouso dizer que provavelmente não vamos chegar a um crescimento de 3%, mas vamos crescer acima das projeções que nós mesmo estamos fazendo”, disse Tebet em entrevista ao programa “Bom dia, ministra”, do CanalGov, apontando que o agronegócio deve impulsionar o Produto Interno Brasileiro (PIB) em 2025.

Na semana passada, o Ministério da Fazenda manteve suas projeções de fevereiro de que o PIB brasileiro crescerá 2,3% neste ano e 2,5% em 2026.

A ministra também avaliou que o patamar atual da inflação — com taxa anual de 5,06% em fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — é “muito alto”, o que o governo não pode aceitar, defendendo a perseguição do centro da meta de 3%, mesmo que não seja possível ser atingida.

Ela disse acreditar, por outro lado, que medidas recentes apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o empréstimo consignado para trabalhadores formais e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, não devem impactar a inflação ou a trajetória da taxa de juros.

“Não vejo essas medidas que o presidente e a equipe econômica têm apresentado como algo que vai impactar a inflação Não vejo as medidas do consignado e do Imposto de Renda tendo algum impacto para efeito de estimativa do Banco Central em relação aos juros”, afirmou.

Tebet defendeu ainda que, a depender do cenário externo e doméstico, há espaço para que o Banco Central possa começar a reduzir a taxa de juros a partir do segundo semestre deste ano.

Em março, o Comitê de Política Monetária elevou a taxa Selic em 1 ponto percentual pela terceira reunião consecutiva, a 14,25% ao ano, sinalizando que deve realizar pelo menos mais um aumento de menor magnitude no próximo encontro, em maio.

Cenário fiscal e emendas parlamentares

Na entrevista, a ministra reforçou que o governo tem o compromisso de cumprir a meta de déficit primário zero para este ano, apontando que somente a revisão de fraudes e erros em programas sociais deve ser suficiente para atingir o objetivo.

Para 2026, no entanto, quando a meta fiscal do governo será de um superávit primário de 0,25% do PIB, Tebet afirmou que será preciso “colocar outros elementos na mesa”, pedindo “ajustes fiscais robustos no futuro”.

Ela disse, ainda, que a questão das emendas parlamentares é um grande problema no país, defendendo uma rediscussão sobre o montante reservado ao Congresso no Orçamento.

“Acho que houve um avanço em relação às emendas parlamentares com mais transparência e rastreabilidade mas o montante é muito pesado e inviabiliza que muitas ações necessárias cheguem na ponta.”

O Estado de S.Paulo - SP   26/03/2025

76% dos veículos elétricos e híbridos plug-in comercializados no mundo são chineses, isso sem nem estarem nos EUA. No Brasil, 82% dos carros eletrificados vendidos em 2024 foram de montadoras chinesas.

A China é o maior mercado de varejo online do planeta há 12 anos seguidos. Shein, Temu e AliExpress já estão no Brasil, e o TikTok Shop chegará em breve. A Temu, inclusive, passou a Magalu e é o 5º e-commerce mais acessado em nosso país.

A economia digital chinesa representa 40% do seu PIB, o dinheiro físico praticamente não existe e a taxa de penetração dos pagamentos por QR code é de 90%. Eles ainda são os maiores produtores de painéis solares do mundo, têm mais de 100 cidades com mais de 1 milhão de habitantes e constroem 50% dos arranha-céus do planeta.

Além disso, anunciaram o CR450, o trem mais rápido já desenvolvido que atinge 450 km/h. Divulgaram um superávit comercial de quase U$ 1 trilhão, o maior que o mundo já viu. E ainda quebraram o recorde de temperatura do seu reator de fusão nuclear chamado “sol artificial” ao manter 120 milhões de graus Celsius por 1.066 segundos – isso aproxima o país de criar uma fonte de energia limpa e ilimitada como a do Sol.

E mais... Com as recentes descobertas, o país tem agora a segunda maior quantidade de reservas conhecidas de lítio, atrás apenas do Chile. Está construindo em Mianyang, de acordo com imagens de satélite, um laboratório de pesquisas em fusão nuclear 50% maior que o National Ignition Facility dos EUA. E em Pequim, o maior centro de comando militar do planeta, 10 vezes maior que o Pentágono.

Mas tudo isso não aconteceu por acaso. Nos últimos 45 anos, 3 fases marcaram a economia chinesa.

Made in China (1980-2000): durante essas duas décadas, a China se consolidou como a fábrica do mundo. Com mão de obra barata e infraestrutura crescente, atraiu empresas globais para produção em larga escala.

Copy to China (2000-2015): o país começou a importar inovações do Ocidente. Startups e empresas chinesas copiavam produtos de sucesso de outros países e criavam versões locais para atender o enorme mercado doméstico.

Copy from China (2015-2025): a China passou de seguidora a líder, exportando inovações e tendências globais. Agora, empresas ocidentais aprendem e se inspiram em seus modelos. Setores como mobilidade elétrica, superapps, e-commerce e fintechs foram profundamente influenciados pelo mercado chinês. O jogo, definitivamente, virou.

Infomoney - SP   26/03/2025

O indicador que mede a produção industrial caiu pelo quarto mês consecutivo, de 48,9 pontos em janeiro para 48,0 pontos em fevereiro, aponta a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira, 25.

Apesar desta redução, o número de empregados na indústria cresceu na mesma comparação, saltando de 49,6 pontos para 50,3 pontos. Apesar dos sinais de desaquecimento, ainda há expectativas positivas para 2025, demonstradas pela contratação de novos trabalhadores.

No caso da produção industrial, o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explicou que o recuo no indicador é normal entre janeiro e fevereiro. Em 2025, ele foi mais acentuado, o que acendeu um alerta para o desempenho do setor. “Os empresários estão preocupados com a evolução da taxa de juros, por exemplo. Segundo eles, isso vem segurando a demanda e, consequentemente, a produção”, avalia.
A Utilização de Capacidade Instalada (UCI) se manteve em 69% em fevereiro ante janeiro. O resultado é um ponto porcentual acima do patamar registrado no mesmo mês do ano passado e indica que a indústria carrega, no início do ano, o bom nível de atividade que foi registrado durante a maior parte do ano passado.

Ainda de acordo com a sondagem, o índice de evolução do nível de estoques está em 49,4 pontos em fevereiro. O indicador está acima do patamar de janeiro, mas ainda abaixo da linha divisória de 50 pontos, que aponta que houve queda dos estoques em relação ao mês anterior. Já o índice de estoque efetivo em relação ao planejado pelas empresas se comportou de forma semelhante, e fechou fevereiro em 49,6 pontos, ainda abaixo no nível planejado. A pesquisa destaca que o estoque de produtos acabados das indústrias ficou abaixo do planejado em 10 dos últimos 12 meses.

A Sondagem Industrial ainda aponta que as expectativas da indústria para o ano seguem positivas. Na passagem de fevereiro para março, o índice de expectativa de demanda registrou avanço de 0,5 ponto, enquanto o índice de expectativa de exportação registrou queda de 0,8 ponto. Já os índices tanto de expectativa de compras de matérias-primas quanto de número de empregados mantiveram-se estáveis

“Destaca-se que, apesar dos comportamentos distintos dos índices em março, as expectativas da indústria seguem todas positivas: os empresários esperam crescimento da compra de matérias-primas, do número de empregados, da demanda e da exportação nos próximos seis meses”, diz a nota.

Já o índice de intenção de investimento registrou recuo de 0,5 ponto, para 57,5 pontos em março. No primeiro trimestre de 2025, a intenção de investimento se mantém um pouco menor que a registrada em dezembro de 2024, quando se situava em 58,8 pontos.

A sondagem foi realizada no período de 6 a 17 de março e foram ouvidas 1.474 empresas, sendo 591 pequenas, 530 médias e 353 grandes.

MINERAÇÃO

Portal Fator Brasil - RJ   26/03/2025

As empresas de mineração realizaram, no acumulado de 2024, 30 operações de fusões e aquisições, um aumento de mais de 40% em relação ao mesmo período de 2023 (21). Esse resultado é o maior dos últimos 20 anos, de acordo com levantamento da KPMG com 43 setores da economia brasileira.

—O estudo apresenta que, em 2024, foram realizadas 30 operações de fusões e aquisições no setor de mineração, um crescimento de 40% em relação a 2023. Isso aconteceu, principalmente, em função dos projetos que envolveram terras rasas e minerais críticos, no contexto de descarbonização. Também houve um volume de negócios fechados por empresas menores com potencial de crescimento em longo prazo, envolvendo investidores internacionais —analisa o sócio da KPMG, Paulo Guilherme Coimbra.

O levantamento apontou ainda que, das 30 operações de 2024, o maior número (total de 12) foi de transações do tipo CB1, ou seja, estrangeiro adquirindo, de brasileiros, uma empresa estabelecida no Brasil. As outras transações foram seis CB3 (Empresa de capital majoritário brasileiro adquirindo, de estrangeiros, capital de empresa estabelecida no Brasil), cinco domésticas, três CB4(Empresa de capital majoritário estrangeiro adquirindo, de estrangeiros, capital de empresa estabelecida no Brasil), três CB5 (Empresa de capital majoritário estrangeiro adquirindo, de brasileiros, capital de empresa estabelecida no exterior) e uma CB2 (Empresa de capital majoritário brasileiro adquirindo, de estrangeiros, capital de empresa estabelecida no exterior).

AUTOMOTIVO

Valor - SP   26/03/2025

A maior montadora do mundo reavalia sua estratégia diante da desaceleração da demanda global por veículos elétricos

A Toyota adiou a construção de uma fábrica de baterias no sudoeste do Japão. A maior montadora do mundo reavalia sua estratégia diante da desaceleração da demanda global por veículos elétricos.

O presidente da Toyota, Koji Sato, viajou na terça-feira (25) para a província de Fukuoka, o local da fábrica planejada, e se encontrou com o governador Seitaro Hattori.

Hattori disse que espera assinar um acordo de localização neste outono -- um evento originalmente agendado para abril. Não se sabe qual será o impacto da mudança no início planejado das operações em 2028, de acordo com Hattori.

Embora a Toyota tenha dito que eventualmente avançará com a construção, ela reconsiderará os produtos que serão fabricados no local, bem como a escala.

A fábrica estava programada para fabricar baterias para os veículos elétricos Toyota mais modernos. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria planeja fornecer subsídios para a construção da fábrica.

A fábrica da Toyota em Miyata, província de Fukuoka, tem uma capacidade de produção anual de 430 mil veículos, com 90% dos carros destinados à Ásia e Europa. Ela monta principalmente modelos Lexus, marca de luxo da companhia que está no centro da estratégia de veículos elétricos da Toyota.

A nova fábrica deve produzir baterias com alcance de 1 mil quilômetros, o que superaria significativamente os veículos elétricos atuais.

Queda da demanda global

A demanda global por carros elétricos se tornou mais difícil de prever. A GlobalData rebaixou sua previsão de vendas de veículos elétricos para 2030 em 540 mil veículos, para 32,18 milhões. Embora o mercado de veículos elétricos esteja desacelerando nos Estados Unidos, ele está se expandindo na China.

Quando se trata de carros, "a escolha, em última análise, recai sobre o cliente, e estaremos preparados para responder a qualquer coisa que surgir", disse Yoichi Miyazaki, diretor financeiro da Toyota.

Em 2023, a Toyota anunciou planos para aumentar as vendas globais de veículos elétricos para 1,5 milhão de unidades por ano até 2026. Mas, no ano passado, a Toyota notificou os fornecedores de peças para se prepararem para uma produção de 1 milhão de veículos em 2026. Este ano, a meta de produção foi reduzida ainda mais, para 800 mil.

A Toyota também enfrenta a ameaça persistente de tarifas dos Estados Unidos. A montadora construiu sua primeira fábrica de baterias americana na Carolina do Norte, e as remessas começarão no mês que vem. A Toyota começará produzindo baterias para veículos híbridos, que estão tendo vendas robustas.

De olho na China

Na China, a Toyota está partindo para a ofensiva em veículos elétricos, mesmo com outras montadoras não chinesas reduzindo as operações. A Toyota está erguendo uma fábrica de veículos elétricos totalmente própria da Lexus em Xangai, programada para começar a operar em 2027.

A Toyota lançou, este mês, um veículo elétrico com preço de, aproximadamente, 110 mil yuans (US$ 15.200) para o mercado chinês, sendo o modelo de veículo elétrico de menor custo lançado pela empresa.

A estratégia da Toyota é gerar lucros estáveis com híbridos. Suas vendas globais de híbridos no ano passado saltaram 21%, para 4,14 milhões de unidades, dando a ela uma participação de mercado estimada de cerca de 60%.

Enquanto isso, as vendas de veículos elétricos da Toyota em 2024 foram de apenas cerca de 140 mil veículos, ou 1,4% do mercado global.

Hattori ainda tem grandes esperanças para a nova fábrica de baterias em Fukuoka.

"A longo prazo, contribuirá para a criação de empregos e crescimento, bem como para o desenvolvimento da economia local", disse o governador.

IstoÉ Dinheiro - SP   26/03/2025

As vendas da Tesla na União Europeia (UE) tombaram pelo segundo mês consecutivo em fevereiro, apesar do aumento geral na demanda por carros elétricos de outra montadoras.

Registros de novos carros da Tesla, um indicativo das vendas, sofreram queda anual de 47% em fevereiro, a 11.743 unidades, segundo a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, conhecida como ACEA. O fraco desempenho da montadora de Elon Musk contrasta com um avanço geral de 24% nas vendas de veículos elétricos na UE em fevereiro, impulsionado principalmente pela demanda na Alemanha, detalhou a ACEA.

Os dados mais recentes vêm depois do tombo de 50% nas vendas que a Tesla sofreu na UE em janeiro, fator que levou a ação da empresa a despencar no mês passado. A ação acumulou mais perdas desde então.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Globo Online - RJ   26/03/2025

A Mota-Engil, maior conglomerado de construção de Portugal, está comprando todas as ações da Empresa Construtora Brasil (ECB), a sexta maior empreiteira brasileira. A transação ocorre 13 anos após os europeus adquirirem metade do negócio da família Rezende por € 29 milhões em valores atuais (cerca de R$ 180 milhões ao câmbio de hoje).

Fundada em 1945, a ECB está sediada em Belo Horizonte e, ao longo das décadas, foi responsável por obras como as do Aeroporto de Londrina (PR), Rodovia Fernão Dias, BR-262 e parte da Ferrovia Carajás, encomendada pela Vale no Pará.

Nos últimos anos, a companhia também passou a operar em segmentos como os de petróleo e gás e "subsea" (construção submarina). Em 2023, por exemplo, conseguiu o contrato de revitalização da malha de gás da Petrobras na Bacia de Campos, no Rio.

No ranking do ano passado da revista especializada O Empreiteiro, referência nesse mercado, a ECB aparece como a sexta maior construtora do Brasil, com faturamento de R$ 1,56 bilhão em 2023. Acima dela aparecem OEC (antiga Odebrecht), Acciona, LCM, Andrade Gutierrez e Construcap.

Já o grupo Mota-Engil, que tem negócios em múltiplos continentes, faturou o equivalente a R$ 36 bilhões no ano passado e está avaliado em € 1 bilhão na Bolsa de Lisboa.

Até então, os portugueses compartilhavam o controle da ECB com a família Rezende. Com a compra da outra metade, os Rezende — que também têm negócios importantes no segmento de pecuária de corte — sairão do negócio.

Infomoney - SP   26/03/2025

As vendas de novas residências unifamiliares nos Estados Unidos se recuperaram em fevereiro, uma vez que o clima mais quente e a queda nas taxas de hipoteca geraram maior demanda, mas a crescente incerteza sobre as perspectivas para a economia pode restringir novos ganhos.

As vendas de casas novas subiram 1,8%, para uma taxa anual ajustada sazonalmente de 676.000 unidades no mês passado, informou o Departamento de Comércio nesta terça-feira.

O ritmo de vendas de janeiro foi revisado para cima, para uma taxa de 664.000 unidades, em relação às 657.000 unidades informadas anteriormente.

Economistas consultados pela Reuters previam que as vendas de novas moradias, que representam cerca de 15% das vendas de casas nos EUA, aumentariam para uma taxa de 679.000 unidades. As vendas de novas residências são contadas na assinatura de um contrato. Em fevereiro, elas subiram 5,1% na base anual.

O preço médio das novas moradias caiu 1,5%, para US$ 414.500 em fevereiro, em relação ao ano anterior.

Globo Online - RJ   26/03/2025

O mercado de locação de imóveis residenciais segue aquecido no pós-pandemia. Com o preço do aluguel em alta e os imóveis se valorizando ano a ano, a rentabilidade desse tipo de investimento alcançou 19,1% ao ano em 2024. Os dados são de um estudo elaborado por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) e do QuintoAndar, divulgado nesta terça-feira.

A pesquisa mediu a rentabilidade média em três principais polos metropolitanos (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte). Num exemplo prático, um apartamento de 50 metros quadrados comprado por R$ 365 mil no início de 2024 teria rendido, em média, quase R$ 70 mil no ano passado, considerando aluguel e valorização do imóvel.

Os economistas calcularam a rentabilidade ao combinar os ganhos com aluguel, que subiram 6,2% no ano, com a valorização dos imóveis, que foi de 12,9% no período. A soma dá 19,1%.

Para fazer o cálculo, os pesquisadores se basearam em contratos do QuintoAndar e no Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), da Abecip em parceria com o FGV IBRE, que estima a variação dos preços de venda a partir de laudos de financiamentos imobiliários fornecidos pelos bancos.

O objetivo da pesquisa, que será realizada anualmente, é fornecer subsídios para investidores e para a formulação de políticas públicas. Resultados iniciais apontam que a valorização patrimonial e a renda gerada pelo aluguel posicionam o imóvel residencial como uma opção competitiva de investimento.

— Focamos no período pós-pandemia para entender a dinâmica do mercado de locação e, por consequência, entendemos a rentabilidade imobiliária, que era uma lacuna de discussão no mercado imobiliário — conta Thiago Reis, gerente de Dados do Grupo QuintoAndar.

Com juros altos, alugar imóveis torna-se mais rentável

Uma combinação de fatores ajuda a explicar por que a locação de imóveis tem sido tão demandada. A alta da taxa básica de juros, a Selic – atualmente em 14,25% ao ano – acaba por encarecer o crédito imobiliário, restringindo o financiamento de longo prazo e desestimulando a compra de imóveis.

Além disso, aumento de custos com insumos e mão de obra no setor da construção civil acabam pressionando os valores de novos empreendimentos. Isso reduz o lançamento de novos imóveis e amplia o repasse das pressões ao preço final dos imóveis.

O retorno ao trabalho presencial e os movimentos de revitalização em grandes centros urbanos também aumentam a demanda pelo aluguel. Outro fator relevante foi a valorização dos imóveis em algumas regiões específicas. Um exemplo é Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, onde a oferta limitada encontrou uma demanda aquecida.

— Boa parte das empresas já voltou a plena atividade presencial e isso atrai as pessoas de volta para os grandes centros urbanos. Então você tem uma demanda mais forte — explica André Braz, economista do FGV Ibre. — Quem está ofertando imóvel para alugar está numa fase melhor.

Se, por um lado, o aumento do aluguel pressiona o orçamento do inquilino, por outro, confirma o imóvel residencial como opção para investidores. Num exercício realizado pelos pesquisadores, a comparação entre a rentabilidade do imóvel residencial e o Tesouro Selic 2026 mostra que o aluguel não só garante uma rentabilidade acima da inflação, como agrega ganhos via valorização patrimonial.

— Não é um mercado para amadores. É um mercado que tem muito risco e que precisa ser bem acompanhado. Mas agora temos mais dados para avaliar não só qual região está valorizando, como também em qual bairro vale a pena observar oportunidades, tanto para quem quer comprar para morar, quanto para quem quer investir — diz Braz.

Rentabilidade em BH supera RJ e SP

Os preços dos aluguéis se recuperaram no pós-pandemia, refletindo a retomada do setor imobiliário. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, os aluguéis registraram valorização consistente nos últimos anos, atingindo níveis similares aos do período pré-crise sanitária.

Em termos de comparação, a rentabilidade foi mais significativa em Belo Horizonte, onde chegou a 26,6% no ano passado, sendo 5,7% a.a. de rendimento do aluguel e 20,9% de valorização patrimonial.

Já em São Paulo, a estimativa chegou a 17,2% ao ano, sendo 6,2% com rendimento de aluguel e 11% de valorização patrimonial. No Rio, a rentabilidade total ficou em 12,9% ao ano, sendo 6,2% de rendimento do aluguel e 6,7% de valorização patrimonial.

Os bairros mais rentáveis para locação residencial

O estudo também identificou oportunidades de retorno em bairros menos valorizados, como Jardim São Luís e Sapopemba, em São Paulo, e Penha, no Rio. Segundo Braz, do FGV IBRE, bairros mais afastados tendem a ser mais acessíveis do que os grandes centros, e por vezes têm rentabilidade maior em áreas tradicionalmente menos valorizadas.

A pesquisa não mensura possíveis efeitos do crescimento do uso do Airbnb, plataforma de aluguel por temporada. No entanto, Braz, do FGV IBRE, explica que o serviço de aluguel por curta temporada tende a impactar a oferta de imóveis e contribuir para o aumento nos preços de locação, especialmente em áreas com alta demanda turística.

Perspectivas

A expectativa é que a rentabilidade no mercado de locação de imóveis residenciais se mantenha aquecida nos próximos anos. Com a taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% ao ano, a tendência é que o brasileiro, especialmente o de classe média, adie a decisão de comprar um imóvel novo.

— Pela dinâmica de juros, esse é um mercado que vai permanecer aquecido por algum tempo. Pode ser que a rentabilidade aumente, tanto porque o valor do imóvel para vender não tende a subir muito, quanto porque o preço do aluguel tende a subir. A rentabilidade ganha um impulso extra — conclui Braz.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   26/03/2025

O governo federal tem enfrentado dificuldades para contratar empresas especializadas em construções de ferrovias, o que tem atrasado obras e elevado os custos desses projetos, por causa da ausência de um sistema específico de preços que detalhe cada item que compõe uma obra ferroviária.

Passados 171 anos desde que o Brasil lançou sua primeira ferrovia –a Estrada de Ferro Mauá, inaugurada por Dom Pedro 2º em 1854– não foi criada até hoje uma tabela de preços que oriente as compras públicas na hora de contratar esses serviços.

Investimentos, projetos e desafios da CCR na mobilidade urbana O projeto de renovação de 560 km de vias da MRS Da expansão da Malha Norte às obras na Malha Paulista: os projetos da Rumo no setor ferroviário TIC Trens: o sonho começa a virar realidade SP nos Trilhos: os projetos ferroviários na carteira do estado

Na ausência de uma lista básica dos custos ferroviários, o governo tem recorrido, ao longo dos anos, a uma adaptação de uma tabela de preços de rodovias.

O chamado Sicro (Sistema de Custos Rodoviários) é um banco de preços e composições unitárias usado pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) como referência para obras de infraestrutura. Sua utilização é exigida pelo TCU (Tribunal de Contas da União) na hora de o governo lançar licitações para contratar obras públicas.

As dificuldades causadas por essa ausência de sistema específico de preços foram evidenciadas pela estatal Infra S.A, em um ofício da semana passada, no qual o órgão vinculado ao Ministério dos Transportes detalha o andamento das obras ferroviárias do país. A Folha teve acesso ao documento.

Segundo a Infra S.A., “é notório que o Sicro enfrenta críticas significativas do setor ferroviário, de concessionárias e prestadores de serviço” e “as considerações sobre produtividade e cotações de preços frequentemente divergem dos valores reais apurados em campo”.

Ao falar de metas de contratação e avanço de obras em 2025, a estatal afirma que sua “preocupação reside na possibilidade de ausência de licitantes habilitados e nos riscos econômicos dos contratos, o que levaria a rescisões”, além da necessidade de reestudar e relicitar as obras.

“Um fator crucial para essa preocupação é a obrigação de aplicação do Sicro (Sistema de Custos Rodoviários), cujas limitações têm sido um desafio constante para a Infra S.A., exacerbadas pelas restrições impostas pelos órgãos de controle”, afirma a estatal, no documento que foi encaminhado à Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário (SNTF), vinculada ao Ministério dos Transportes.

Em seu ofício, a estatal pede que o tema do Sicro seja tratado junto ao Dnit, para resolver de uma vez por todas a questão dos preços ferroviários, que nada tem a ver com os de rodovias. “Toda alteração proposta merece ser devidamente lastreada em estudos técnicos e evidências que as justifiquem. Assim, exige-se estudos extensos para alterações nas composições referenciais, o que consome tempo e recursos”, diz a Infra S.A.

Para resolver o problema, a estatal pediu ao Ministério dos Transportes que acione o Dnit, órgão gestor do Sicro, sobre “a necessidade urgente de revisão e aprimoramento do sistema”, para incluir os custos ferroviários.

“É fundamental que o Dnit envide esforços para evitar distorções nos custos e composições referentes às obras ferroviárias, garantindo que os orçamentos referenciais reflitam as condições reais do mercado e permitam a realização de licitações bem-sucedidas”, afirma a Infra S.A. “A modernização do Sicro é crucial para assegurar a viabilidade e celeridade de projetos como a Fiol, evitando prejuízos ao erário e garantindo a entrega de infraestrutura de qualidade para o país.”

Atualmente, a Infra está à frente da construção de trechos da Fiol (Ferrovia Oeste-Leste), na Bahia, e da Transnordestina, que interliga estados da região Nordeste, além de administrar outras construções, com a Fico (Ferrovia Centro-Oeste), que a Vale executa em Mato Grosso.

Neste ano, o orçamento público previsto para as obras que executa é de R$ 500,8 milhões. A maior parte desse valor, um total de R$ 478,99 milhões, será destinada às obras da Fiol 2, trecho de 485 km localizado entre Caetité e Barreiras, na Bahia. A meta é alcançar 76% de execução desse traçado até o fim do ano.

Na Ferrovia Transnordestina, em seu trecho de Pernambuco, entre Salgueiro e Suape, a Infra S.A. está em fase inicial de retomada, com necessidade de licenciamento ambiental e desapropriações. O plano prevê R$ 19,04 milhões de investimento neste ano. Há ainda repasses ligados ao acompanhamento da Fico, em Mato Grosso, para gerenciamento das obras e questões ambientais e fundiárias. No futuro, o governo planeja conceder Fiol e Fico em um único pacote.

Por meio de nota, o Dnit declarou que tem realizado ações para incluir, em suas tabelas, custos unitários de serviços ferroviários de uma tabela de referência da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o Sistema de Custos Referenciais Ferroviários (Sicfer). Na prática, trata-se de um trabalho de longo prazo e que tem sido realizado por meio da FGV (Fundação Getulio Vargas).

“O cronograma para a incorporação das composições de custos unitários do Sicfer no Sicro deve se estender ao longo dos próximos 30 meses, conforme previsto em contrato entre o Dnit e a Fundação Getúlio Vargas”, afirmou a autarquia.

Apesar das críticas sobre as limitações do sistema atual, o Dnit declarou que o Sicro mantém um “repositório de preços de insumos e serviços, além de metodologias diversas, que oferece suporte à orçamentação de obras de engenharia para os três modos de transporte sob a sua responsabilidade, quais sejam: rodoviário, ferroviário e aquaviário”.

O órgão federal disse ainda que, “com relação ao insucesso de terceiros na utilização do Sicro como ferramenta para orçamentação de obras de engenharia”, não tem como avaliar as reais causas dos ocorridos e que sua execução orçamentária anual tem superado a marca de 90%, em média, ao longo dos últimos 15 anos.

Revista Ferroviaria - RJ   26/03/2025

O leilão do chamado Lote Alto Tietê, concessão de mobilidade urbana que reúne as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), deverá ser disputado pela CCR e pela Comporte. A concorrência deverá ser realizada nesta sexta-feira (28).

A entrega de propostas foi feita nesta terça (25), na sede da B3, no centro de São Paulo, por representantes dos dois grupos. Também foi realizado no local um protesto de sindicatos contrários à concessão, organizado pelo Comitê de Luta Contra a Privatização da CPTM (CLCP).

Investimentos, projetos e desafios da CCR na mobilidade urbana O projeto de renovação de 560 km de vias da MRS Da expansão da Malha Norte às obras na Malha Paulista: os projetos da Rumo no setor ferroviário TIC Trens: o sonho começa a virar realidade SP nos Trilhos: os projetos ferroviários na carteira do estado

Segundo fontes, a francesa Transdev também vinha estudando o projeto. O grupo havia se associado ao BTG, que teria desistido recentemente de entrar na licitação, deixando o consórcio de fora da disputa. Procurado, o BTG não quis se manifestar, e a Transdev não se pronunciou até o momento.

A concessão de 25 anos prevê R$ 14,3 bilhões de investimentos.

Na disputa, vencerá o grupo que oferecer o maior desconto sobre as contraprestações que o Estado deverá pagar ao concessionário, cujo montante máximo foi calculado em até R$ 1,49 bilhão ao ano. Além disso, está previsto o pagamento de um aporte público para viabilizar as obras, com valor estimado em R$ 10 bilhões.

A CCR é apontada como favorita na disputa. Uma fonte avalia que para a Comporte a prioridade deverá ser o próximo leilão de mobilidade urbana do governo paulista, das linhas 10-Turquesa e 14-Ônix.

Há cerca de um ano, a Comporte conquistou, em consórcio com a chinesa CRRC, a concessão da Linha 7-Rubi e do Trem Intercidades Campinas, em um leilão sem concorrência. A empresa, da família Constantino, também opera o Metrô de Belo Horizonte.

Já a CCR é o maior operador privado de mobilidade urbana. Em São Paulo, a empresa tem as concessões das linhas 4, da linha 5 e das linhas 8 e 9. O grupo também é responsável pelo VLT Carioca, no Rio de Janeiro, e pelo Metrô Bahia. Após um período com postura mais conservadora em leilões, a companhia conquistou, no fim do ano passado, o contrato de concessão rodoviária da Nova Sorocabana. A companhia também passa por um processo de busca por sócios para sua divisão de mobilidade urbana para potencializar a expansão no segmento, porém, fontes afirmam que a operação deverá ficar para o próximo ano.
Novos investimentos

No lote que será licitado na sexta, as três linhas da CPTM já estão em operação, mas o novo contrato prevê diversas expansões e reformas. Uma das grandes ampliações é a da Linha 13, que hoje chega ao aeroporto de Guarulhos e irá até o bairro de Bonsucesso, em Guarulhos. Na outra ponta da linha, na Zona Leste da capital, também está prevista uma extensão com ao menos mais duas estações – a ampliação poderá incluir outras seis estações, até a Mooca, mas esta parte está fora dos investimentos obrigatórios iniciais. O projeto também prevê uma linha expressa do centro ao aeroporto.

A rota que receberá o maior volume de investimentos será a Linha 11, que ganhará uma extensão em Mogi das Cruzes. Também serão eliminados cruzamentos dos trilhos com vias rodoviárias e haverá reformas e ampliações de estações. Na Linha 12, também haverá uma expansão até Suzano e investimentos nas estações.

Valor - SP   26/03/2025

O contrato, chamado Lote ABC Guarulhos, tem investimento estimado em R$ 19 bilhões

Rafael Benini, secretário estadual: “O edital deverá sair entre junho e julho” — Foto: Divulgação

Além do leilão desta semana, o governo de São Paulo planeja fazer ainda em 2025 ao menos mais uma licitação de mobilidade urbana, das linhas 10-Turquesa e 14-Ônix da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), segundo Rafael Benini, secretário paulista de Parcerias em Investimentos.

O contrato, chamado Lote ABC Guarulhos, tem investimento estimado em R$ 19 bilhões. “Já fizemos a audiência e consulta pública e agora estamos fechando o projeto. O edital deverá sair entre junho e julho, para termos o leilão ainda neste ano”, diz ele.

O contrato contempla a expansão da linha 10 - que hoje já está em funcionamento e conecta o centro da capital a Rio Grande da Serra, passando pela região do ABC Paulista - e a construção linha 14-Ônix, que deverá ligar Guarulhos a Santo André.

Segundo fontes, um consórcio formado pela Comporte e pela chinesa CRRC tem forte interesse no projeto. A percepção é que a concessão seria estratégica para o grupo asiático, porque o investimento inclui a compra de trens e material rodante, que é produzido pela empresa. Outro grupo que também está analisando o projeto, ainda segundo fontes, é um consórcio de grupos europeus, entre os quais estariam Sacyr, We Build e Keolis.

Procurada, a Comporte preferiu não se manifestar. A Sacyr e a WeBuild não se pronunciaram sobre o tema até o momento. A reportagem não conseguiu contato com a CRRC e a Keolis.

Ainda neste ano, o governo paulista também pretende ao menos lançar o edital de outra concessão de mobilidade, do Trem Intercidades (TIC) Sorocaba, segundo Benini. “Esse projeto deve ter audiência e consulta pública em abril, e edital na praça entre setembro e outubro, com leilão até o começo do ano que vem”, afirma o secretário. O contrato tem um investimento estimado em R$ 10 bilhões.

Para fontes do setor, no caso do TIC Sorocaba a CCR deverá estar entre os interessados, dado que o projeto tem sinergia com uma concessão já operada pelo grupo, das Linhas 8 e 9. Porém, a percepção é que tudo dependerá da disponibilidade de capital da companhia, que iniciou um processo de busca de sócios para sua divisão de mobilidade urbana.

Na visão de Benini, o ritmo do calendário de leilões do setor dependerá do apetite do mercado. “Temos uma série de projetos, que vão caminhar de acordo com a disponibilidade de recursos, com a capacidade do setor privado de absorver os leilões. Se vermos que o mercado está empapuçado, a gente segura”, diz.

No cenário macroeconômico, o secretário avalia que a maior preocupação para a viabilidade dos projetos do setor é a trajetória do câmbio. “O cenário deu uma melhorada em relação ao início do ano. Em mobilidade, o dólar é o que pesa mais, principalmente na compra do material rodante. No caso das linhas 11, 12 e 13 [que serão licitadas nesta semana], não tem tanto esse peso, mas nos próximos será um fator relevante”, diz ele.

A depender do cenário, o governo estadual também planeja avançar com mais dois projetos de mobilidade urbana. Um deles é a concessão para a construção da Linha 16-Violeta, que poderá conectar as zonas leste e oeste da capital. A espanhola Acciona já manifestou interesse no projeto e está fazendo estudos para entregar ao Estado, por meio de um PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse). Para Benini, a previsão é ter os estudos em maio, para que a consulta pública seja iniciada ainda neste ano.

Por fim, há também planos para viabilizar a construção da Linha 20-Rosa, o que seria feito por meio de uma concessão em lote com a Linha 1-Azul, já em operação. O secretário afirma que a ideia é lançar a consulta pública desse empreendimento em setembro deste ano. “Este é um projeto mais complexo, seriam mais de R$ 20 bilhões de investimentos.”

NAVAL

Globo Online - RJ   26/03/2025

O Tribunal de Contas da União (TCU) detectou indícios de irregularidades e direcionamento em quatro licitações da Petrobras para a contratação de embarcações no valor de R$ 16,5 bilhões e cobrou explicações da companhia, que foi alertada sobre a possibilidade de os certames serem suspensos caso as suspeitas sejam comprovadas.

A advertência foi dada em um parecer da unidade técnica AudContratações no fim de janeiro, obtido com exclusividade pela equipe da coluna. O caso é relatado na corte contábil pelo ministro Walton Alencar.

Conforme antecipado pelo colunista Lauro Jardim, o TCU foi provocado por uma denúncia da Associação Brasileira dos Usuários dos Portos, de Transporte e Logística, segundo a qual as empresas Bram Offshore Transportes Marítimos e a Starnav Serviços Marítimos foram beneficiadas em concorrências abertas no ano passado para o afretamento e construção de 12 embarcações OSRV, voltadas para a contenção de derramamentos de óleo em alto mar.

As duas são as maiores do setor no Brasil e detêm 55% da frota usada pela petroleira neste segmento.

De acordo com os técnicos do TCU, “pode ter havido direcionamento em benefício da empresa Bram Offshore” nas duas primeiras concorrências, e “há também indícios de um possível beneficiamento” da Bram e da Starnav nas outras duas licitações.

O documento destaca ainda que “as supostas irregularidades apontadas pelo denunciante afetam o interesse público e podem caracterizar fraude à licitação”.

Por isso, os técnicos pediram a abertura de uma investigação, que está em curso e é sigilosa.

Histórico

Um dos principais indícios de direcionamento apontado pelos técnicos do TCU é que a segunda licitação, anunciada em julho, foi aberta logo depois de a Bram ter sido eliminada no primeiro certame, por ter apresentado uma proposta baseada em uma planilha de diárias de aluguel da frota com valores desatualizados.

Essa primeira licitação tinha sido aberta em abril para o afretamento de até cinco navios em dois lotes. Concorreram 26 empresas, mas dez foram desclassificadas, entre elas a Bram.

No mesmo dia em que a companhia foi eliminada, a Petrobras já anunciou que não analisaria as propostas do segundo lote de navios, justamente aquele em que a Bram disputava. A medida surpreendeu os concorrentes porque o edital dizia que o segundo lote só poderia ser descartado houvesse condições para que todo o primeiro lote fosse preenchido.

De acordo com o parecer do TCU, algumas concorrentes chegaram até a oferecer diárias abaixo das praticadas em maio de 2024.

Mesmo assim, ao final do processo, em 19 de agosto, a Petrobras só ficou com uma embarcação, da Bravante. Com isso, na prática, a empresa sinalizou à indústria que não necessitaria de mais de uma embarcação. Só que não.

A segunda concorrência

Para estranheza dos técnicos do TCU, 16 dias depois da eliminação da Bram e enquanto a primeira licitação ainda estava em curso, a Petrobras abriu a segunda concorrência, prevendo a contratação de outras quatro embarcações para serem entregues na mesma data das que estavam sendo pedidas na licitação anterior.

E mais uma vez, houve mudanças de regras que chamaram a atenção. Inicialmente a concorrência previa dois lotes, de quatro e duas embarcações cada, respectivamente. Mas, em 20 de agosto, dia seguinte ao anúncio de que a Petrobras só ficaria com um navio do primeiro certame, o edital foi modificado.

De acordo com o parecer, as especificações técnicas da nova licitação eram “idênticas” à anterior, “para o qual a referida empresa [Bram] havia apresentado, antes de sua eliminação, a proposta mais atrativa” – antes de ser eliminada por causa da planilha desatualizada.

A Bram, então, se apresentou imediatamente para a segunda concorrência. Segundo a denúncia apresentada pela entidade de usuários de portos ao TCU, na a comissão de licitação chegou inclusive a divulgar um comunicado enfatizando a mudança na planilha de cotação.

“Além de abrir a mesma oportunidade (com as mesmas datas) que a EMPRESA BENEFICIADA I [Bram] havia perdido na Oportunidade 1, deixou o aviso no sistema da Petronect alertando que a planilha de cotação havia sido atualizada, evitando, assim, que a empresa cometesse o mesmo erro”, diz a denúncia formalizada pela associação.

Com a mudança de regras, a segunda concorrência, aberta para o afretamento de seis navios divididas em quatro lotes (A, B, C e D), passou a ser uma espécie de espelho do lote B do primeiro certame – para o qual a Bram havia apresentado a melhor proposta, a despeito de sua desclassificação posterior.

Desta vez, a empresa não só não foi desclassificada como venceu em dois lotes. Os valores destes contratos em específico, que preveem três embarcações, não foram divulgados pela companhia e nem detalhados pelo TCU.

Ainda assim, a companhia ainda abriu mais duas licitações para o afretamento de embarcações - uma para navios do tipo OSRV e outra para o suporte a plataformas, do tipo PSV, anunciadas respectivamente em abril e setembro de 2024. Desta vez, o objetivo era contratar até seis e dez navios nas respectivas concorrências – ou seja, a Petrobras sinalizou o possível afretamento de mais 16 navios, na previsão menos conservadora.

Mais mudanças

De acordo com os técnicos do TCU, a terceira concorrência teve novas mudanças nos critérios do edital, que beneficiaram tanto a Bram quanto a Starnav. Agora, a mesma companhia poderia ser contratada em lotes distintos e o limite de navios contratados por empresa foi ampliado de quatro para seis.

Em setembro, veio a quarta licitação, que reproduziu as mesmas especificações do certame aberto um mês antes, e que já tinha sido vencido pela Bram e a Starnav.

Para o TCU, isso garantiu “excessiva vantagem às empresas vencedoras, que se beneficiaram do ganho de escala e puderam oferecer taxas diárias muito atrativas” na nova licitação, prejudicando a competitividade entre as demais concorrentes.

As duas empresas também levaram esse último contrato, que não havia sido assinado até a publicação deste texto.

Ao final de todo o processo, Bram e Starnav ficaram com seis embarcações cada uma, pelo valor total de R$ 16,5 bilhões. A operação prevista é de 12 anos.

O parecer do Tribunal de Contas da União alerta ainda a Petrobras “quanto à possibilidade de o TCU vir a conceder medida cautelar para a suspensão do ato ou procedimento impugnado, caso haja indicativo de afronta às normas legais e/ou possibilidade de ocorrência de prejuízos à administração”.

Após a manifestação dos técnicos, a Petrobras respondeu aos questionamentos do TCU, mas o conteúdo do caso é mantido sob sigilo. A equipe do blog apurou que o material ainda está sendo processado pela área técnica. A movimentação mais recente registrada na busca processual do tribunal ocorreu na última sexta-feira (21).

Relembre: Entidade denuncia empresa ligada a Marçal por se passar como seguradora sem registro

Questionada pela equipe do blog sobre as suspeitas levantadas pelo parecer técnico do Tribunal de Contas da União, a companhia não esclareceu quais respostas encaminhou à corte durante as oitivas, mas declarou que “prestou e continua prestando” ao tribunal contábil “os esclarecimentos solicitados dentro dos prazos estabelecidos” e frisou que “permanece à disposição das demais autoridades competentes para fornecer informações adicionais”.

Além disso, a Petrobras afirmou que as licitações são pautadas “pela isonomia e competitividade, sem qualquer favorecimento a empresas específicas” e que todas as contratações seguem “critérios previamente definidos” pelo edital. Destacou, ainda, que “adota rigorosos mecanismos de compliance” com o objetivo de garantir que as licitações “atendam aos mais elevados padrões de integridade e às melhores práticas de governança corporativa”.

Procuradas, a Bram e a Starnav não se manifestaram até o fechamento da reportagem. O espaço segue aberto.

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   26/03/2025

O crescimento da demanda global por petróleo desacelerou significativamente em 2024, com o consumo aumentando apenas 0,8% (1,5 EJ ou 830 mil barris por dia), atingindo 193 EJ, após um salto de 1,9% em 2023. O dado faz parte de um novo estudo apresentado no início desta semana pela Agência Internacional de Energia (AIE). Pela primeira vez na história, a participação do petróleo na demanda total de energia caiu para menos de 30%, cinquenta anos após atingir seu pico de 46%.

Em 2024, os insumos petroquímicos e a aviação foram responsáveis por cerca de metade do crescimento da demanda por petróleo em termos energéticos (em termos volumétricos, a participação dos insumos petroquímicos foi ainda maior, cerca de 70%). Após uma forte recuperação com o fim dos lockdowns da Covid-19, o crescimento do consumo de petróleo no setor de transporte rodoviário desacelerou consideravelmente nos últimos anos. Desde 2022, esse setor contribuiu com apenas 5% do crescimento da demanda global por petróleo em termos energéticos.

Apesar da desaceleração, o consumo global de petróleo em 2024 foi 1,3% superior ao nível de 2019. Esse crescimento, porém, foi quase inteiramente impulsionado pela demanda por insumos petroquímicos, que subiu mais de 12% nos últimos cinco anos. A maior parte desse crescimento ocorreu na China, onde o consumo de insumos petroquímicos aumentou mais do que o crescimento líquido total da demanda mundial de petróleo.

Já o uso de petróleo para transporte rodoviário, aviação e navegação permaneceu praticamente estável em relação a 2019, apesar de um crescimento acumulado do PIB global de cerca de 14% no período de cinco anos. Esse dado destaca o impacto de fatores como a adoção de veículos elétricos, melhorias na eficiência energética e o aumento do trabalho remoto.

A demanda por biocombustíveis líquidos aumentou 0,2 EJ em 2024 em relação a 2023, alcançando mais de 4% do consumo global de combustíveis para transporte. Brasil, Índia, Indonésia e Estados Unidos representaram 90% desse crescimento. O Brasil, sozinho, respondeu por quase metade da expansão, impulsionado por políticas de incentivo à mistura de biocombustíveis e pelo aumento da demanda por combustíveis de transporte.

Nos Estados Unidos, que contribuíram com 20% do crescimento global, a alta foi sustentada por medidas federais e estaduais. Índia e Indonésia, juntas, representaram mais 20% do crescimento, refletindo mandatos de mistura mais elevados e o aumento do consumo de combustíveis.

Demanda por petróleo nos principais mercados

Nos países desenvolvidos, a demanda por petróleo ficou praticamente estável em 2024, caindo apenas 0,1%, em comparação com a redução de 0,7% em 2023. No entanto, a demanda permaneceu 5,4% abaixo dos níveis de 2019. A maior parte dessa queda ocorreu no consumo de combustíveis rodoviários, devido a padrões de eficiência mais rígidos, ao aumento da participação de veículos elétricos e ao trabalho remoto, que compensaram o crescimento econômico modesto.

Nos Estados Unidos, a demanda por petróleo ficou estável em 2024, após um leve aumento em 2023. O consumo ainda é 4,3% inferior ao de 2019, com o uso não relacionado a petroquímicos caindo 7%, enquanto a demanda por insumos petroquímicos aumentou quase 18%. O trabalho remoto teve um impacto particularmente forte no consumo de gasolina nos EUA, devido à grande dependência do transporte rodoviário pelos trabalhadores.

Na União Europeia e no Japão, o consumo de combustíveis para transporte também foi limitado por fatores semelhantes. No caso da UE, a demanda de petróleo em 2024 ficou 7% abaixo do nível de 2019, enquanto no Japão a queda foi ainda maior, 11,8% inferior ao período pré-pandemia, após um recuo de 4,4% apenas em 2024.

Já na África e na América Latina, o crescimento da demanda em 2023 e 2024 foi muito desigual. A combinação de preços elevados do petróleo e um dólar forte criou desafios para os países importadores. Em várias economias emergentes, houve disrupções significativas no consumo de combustíveis, muitas vezes ligadas a dificuldades econômicas mais amplas – como na Argentina e no Sri Lanka – ou ao fim de subsídios governamentais, como no Egito, Nigéria e Paquistão. Como resultado, a demanda por petróleo caiu na África em 2023 e 2024, enquanto na América Latina, o crescimento foi quase totalmente impulsionado pelo Brasil.

Em 2023, a China registrou um crescimento recorde da demanda por petróleo, 1,4 milhão de barris por dia (mb/d), impulsionado pelo fim dos lockdowns, pelo aumento da mobilidade e pela demanda reprimida por viagens aéreas. No entanto, em 2024, o crescimento fora do setor petroquímico estagnou.

Nos demais mercados emergentes da Ásia, a demanda por combustíveis continua crescendo. A Índia (+3,4%) foi o maior motor global do crescimento da demanda por petróleo em 2024, enquanto a Ásia do Sudeste (+2,6%) também registrou um aumento significativo. O crescimento econômico dinâmico da Índia, aliado à urbanização e ao aumento da posse de automóveis, elevou a demanda por petróleo em 11,6% acima dos níveis de 2019. O consumo de gasolina na Índia cresceu impressionantes 41,7% (+310 mil barris por dia) entre 2019 e 2024.

Infomoney - SP   26/03/2025

Os contratos futuros do petróleo fecharam o pregão nesta terça-feira, 25, em queda em NY, depois que a Casa Branca anunciou ter chegado a acordos separados com Ucrânia e Rússia para garantir a navegação segura no Mar Negro e implementar a proibição de ataques contra instalações de energia nos dois países. O Brent terminou o dia próximo da estabilidade.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato de petróleo WTI para maio caiu 0,16% (US$ 0,11), fechando a US$ 69,00 o barril. O Brent para junho, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), subiu 0,03% (US$ 0,02), alcançando US$ 72,39 o barril.

Ainda que o mercado assimilasse os acordos, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que “se houver novos alertas aéreos, mais atividade militar no Mar Negro, mais manipulações e ameaças russas, será necessário adotar novas medidas diretamente contra Moscou”.

Negócios transcorreram ainda sob impacto das tarifas “secundárias” sobre países que importaram petróleo bruto venezuelano, anunciadas na segunda-feira pelos EUA. Tais tarifas podem afetar apenas China, Índia, França, Alemanha e Itália, que juntas compraram menos de 600 mil barris por dia de petróleo venezuelano em 2024.

“Embora as sanções sejam um fator de alta no curto prazo, a produção dos EUA continua próxima de níveis recordes e, se houver um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, é muito provável que as restrições ao petróleo e gás russos sejam aliviadas, o que mais do que compensaria esse impacto,” afirma em nota Dennis Kissler, do BOK Financial.

“As tarifas dos EUA sobre o petróleo bruto venezuelano lançam novas dúvidas sobre a confiabilidade da oferta global”, observa Elliot Busby, da Rystad Energy. “No entanto, com a Opep+ Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados preparada para aliviar os cortes de produção a partir de abril, o impulso nos preços é contido pelo fato de haver barris disponíveis para compensar as perdas.”

Segundo Kieran Tompkins, da Capital Economics, “a capacidade ociosa da Opep+ e sua aparente disposição para aumentar a produção reduzem parte dos riscos de uma possível disrupção no mercado” causada pela política externa do presidente Donald Trump.

Valor - SP   26/03/2025

Alvos dessas “tarifas secundárias” poderão variar muito, uma vez que o petróleo venezuelano vai para os EUA, Espanha, Índia e o mercado paralelo

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira (25) que pretende impor tarifas de 25% a qualquer país que compre petróleo da Venezuela, com o objetivo de sufocar a venda de petróleo venezuelano no mercado internacional.

Os alvos das chamadas “tarifas secundárias” poderão variar muito, uma vez que diversos países dependem do petróleo bruto venezuelano.

A seguir, veja quem são os maiores compradores do petróleo venezuelano:

China

O petróleo venezuelano é mais estratégico para a China do que para qualquer outro país, já que Pequim domina o comércio no mercado paralelo e, por isso, tende a ser a maior afetada pelas sanções de Trump.

Em 2024, a Venezuela produziu em média 921 mil barris de petróleo bruto por dia, segundo dados da consultoria Lipow Oil Associates. Desse total, 351 mil barris por dia foram enviados para a China no ano passado, o principal destino estrangeiro para o petróleo venezuelano.

Estados Unidos

Apesar das sanções impostas à Venezuela, os EUA ainda figuram entre os principais compradores do petróleo venezuelano. Atrás apenas da China, o país recebeu 228 mil barris por dia da Venezuela em 2024.

Segundo dados do Departamento de Comércio americano, as importações de petróleo e gás da Venezuela somaram US$ 5,6 bilhões em 2024.

O fluxo se intensificou após a suspensão temporária das sanções pelo governo Biden, em 2023. No entanto, as restrições voltaram a vigorar em abril de 2024, após acusações de que o presidente do país, Nicolás Maduro, não realizou eleições livres e justas.

Ainda assim, o petróleo venezuelano continua chegando ao mercado americano mesmo depois que as sanções foram restabelecidas, devido a uma licença de joint venture que a Chevron recebeu para bombear petróleo lá.

Ainda não está claro se ou como os EUA seriam impactados pelas tarifas que Trump ameaçou se continuarem a comprar petróleo venezuelano, mesmo que venha pela Chevron.

Índia e Espanha

A Índia e a Espanha também estão entre os principais compradores de petróleo venezuelano, ambos cobertos pelas licenças concedidas à Chevron, assim com os EUA.

Em 2024, o país comprou cerca de 61 mil barris por dia de petróleo da Venezuela, segundo a Kpler. Enquanto isso, a Espanha recebeu quase 60 mil barris por dia no mesmo período.

RODOVIÁRIO

Valor - SP   26/03/2025

O MT (Ministério dos Transportes) anunciou nesta terça-feira (25) que fechou um acordo de repactuação de contrato com a Arteris, concessionária da Régis Bittencourt. O processo foi realizado no âmbito da Secretaria de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos (SecexConsenso), do TCU (Tribunal de Contas da União).

O acordo, segundo a pasta, prevê que o contrato atual se estenda por oito anos além do prazo inicial, podendo ser encerrado em 2041. Os investimentos ao longo de 15 anos de contrato podem chegar a R$ 10 bilhões.

A rodovia foi concedida em 2008, junto com a BR-381. Ela passa por 17 municípios e por um dos biomas mais importantes do Brasil: a Mata Atlântica. Segundo a secretária nacional de transportes rodoviários, Viviane Esse, a BR-116 entre São Paulo (SP) e Curitiba (PR) é o principal eixo de ligação entre a região Sudeste e o Mercosul, mas enfrenta sérios problemas principalmente em período chuvoso.

O acordo faz parte da lista de revisão de dez concessões de rodovias já firmadas e que o governo federal pretende repactuar neste ano. A expectativa é de que esse movimento de otimização dos contratos de concessão rodoviária federal, além de outras quatro concessões novas, gere investimentos de R$ 110 bilhões neste ano. Paralelamente, estima-se a geração de 1,6 milhão de empregos, entre diretos e indiretos.

Nos cálculos do MT, nos próximos três anos, R$ 26,5 bilhões podem ser investidos pelas empresas. Com os acordos, o que se pretende é viabilizar obras paralisadas e obrigações suspensas, além de novas ações não previstas nos contratos originais. As mudanças serão feitas por meio de aditivos contratuais, dando como contrapartida a prorrogação dos contratos com prazos adicionais de cinco, dez e 15 anos, dependendo de cada caso.

Além da Régis, a lista de estradas com contratos revisados inclui Fluminense, Via Bahia, Fernão Dias, Via Brasil, Planalto Sul, Transbrasiliana, Ecosul, Rodovia do Aço, Concer, Eco101 e MSVia.

O processo de negociação com as empresas inclui a renúncia a processos judiciais, administrativos e arbitrais existentes. Entre as principais obras já previstas estão 1.566 quilômetros de duplicações, dos quais sendo 437 quilômetros têm previsão de ocorrer entre 2024 e 2026.

Há ainda 849 quilômetros de construção de faixas adicionais para vias já existentes, além de construção de pontos de parada de descanso para motoristas de caminhão em nove concessões.

As revisões foram autorizadas a partir de uma portaria publicada pelo Ministério dos Transportes, em agosto de 2023. Como muitos contratos de concessão foram firmados nos anos 1990, vários se baseavam em premissas econômicas, sociais e técnicas desatualizadas.

O processo de otimização tem atuação conjunta das concessionárias com o Ministério dos Transportes, TCU, AGU (Advocacia-Geral da União), ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e Infra S.A.

Agência Senado - DF   26/03/2025

Durante audiência pública realizada nesta terça-feira (25), os senadores da Comissão de Infraestrutura (CI) criticaram o processo que envolve a concessão do trecho da BR-364 em Rondônia que liga a capital Porto Velho a Vilhena . O debate ocorreu a partir do pedido feito pelo presidente da comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO) (REQ 6/2025 - CI).

A discussão passou pelos impactos da concessão no escoamento da produção agropecuária e no transporte de pessoas e pelos custos envolvidos para a população e para o setor produtivo do estado. Primeiro a falar, Marcos Rogério salientou a importância da BR-364 como a principal via econômica e social de Rondônia, mas alertou para pontos críticos da concessão proposta.

— O modelo precisa ser amplamente discutido, porque há aspectos que podem prejudicar o estado pelos próximos 30 anos, período da concessão. O agronegócio de Rondônia será gravemente afetado devido aos altos custos e ao baixo volume de obras previstos. Isso afeta toda a cadeia de consumo e resultará no aumento dos preços nos supermercados — ponderou.

O senador lembrou que, dos cerca de 700 quilômetros de extensão da rodovia, apenas 107 quilômetros serão duplicados. Ele defendeu a revisão do cronograma de obras, a reavaliação das tarifas de pedágio e a criação de mecanismos de fiscalização permanente com participação da sociedade civil.

— Além de ser insuficiente, a duplicação será realizada de forma lenta. No quarto ano da concessão, apenas 14 quilômetros de rodovia estarão duplicados, o que é insuficiente para atender à demanda da região. É necessário garantir que a concessão atenda às reais necessidades de Rondônia, sem onerar excessivamente a população e os produtores.
Contraponto

Diretor-geral em exercício da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio defendeu a concessão ao ressaltar que a BR-364 é um corredor logístico fundamental para o estado. Ele explicou que estão previstas obras de ampliação e melhorias e que, além da duplicação, são previstos quase 200 quilômetros de faixas adicionais.

— A previsão é que a concessionária assuma a rodovia entre maio e junho deste ano, com início imediato das melhorias na pavimentação e sinalização, antes mesmo da cobrança de pedágio — argumentou.
Questionamentos

O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Rondônia (CREA-RO), Edison Rigoli, questionou a fala do representante da ANTT e refutou os dados apresentados. Ele criticou a falta de discussão mais ampla com a sociedade rondoniense e chamou a atenção para os impactos econômicos da concessão.

— O estado já tem a tarifa aérea mais cara do país e agora também será taxado no deslocamento terrestre. Em breve, haverá também pedágio na hidrovia do Rio Madeira. Parece que o governo quer ilhar Rondônia — lamentou.

Antonielly Rottoli, que é integrante da diretoria da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Rondônia), citou os altos custos da concessão para o setor produtivo.

— Um caminhão bitrem pagará cerca de R$ 1 mil em uma viagem entre Vilhena e Porto Velho. Além disso, a tarifa para veículos leves será de R$ 130, um valor inaceitável para uma rodovia com trechos precários — reclamou.
Preocupações

O senador Jaime Bagattoli (PL-RO), que é caminhoneiro e produtor rural, disse não acreditar que a concessão vá trazer benefícios para a população do estado. Ele defendeu a suspensão do processo até que seja realizado um novo estudo.

— Não houve licitação de fato, apenas um grupo participou. Seremos obrigados a engolir, goela abaixo, 190 quilômetros de terceira faixa e apenas 107 quilômetros de duplicação por 30 anos. Não podemos aceitar isso. O setor produtivo deste país não pode mais pagar essa conta, que é cara demais e nos estrangula, em termos de produção e logística — afirmou.

O senador Sérgio Petecão (PSD-AC), por sua vez, frisou que a BR-364 também tem importância para o Acre. Ele defendeu que seja realizado um debate mais aprofundado com a população.

— Ninguém aqui é contra melhorias na rodovia, mas precisamos de transparência sobre os custos que serão repassados à população. As informações que tenho é que esse trecho é complexo, o fluxo de carros e caminhões é muito grande e isso reflete no meu estado, a reclamação é constante. Tudo ocorreu às pressas, a população e municípios afetados devem ser ouvidos nesse debate sobre a concessão — concluiu.
Rodovia

A BR-364 foi a primeira ligação rodoviária do estado de Rondônia com o resto do país. Ela foi inaugurada em 1960, ligando Porto Velho a Cuiabá (MT) e a Rio Branco (AC). Hoje, em sua extensão total, a rodovia vai de Mâncio Lima (AC), no extremo oeste do Acre, a Limeira (SP).

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