Globo Online - RJ 27/03/2025
Na mesma semana em que fechou a compra da fabricante de tubos de aço Tuper, como revelou a coluna, a siderúrgica multinacional ArcelorMittal está adquirindo agora o controle de mais uma tradicional companhia catarinense: a Dânica, empresa sediada em Joinville que vende soluções termoisolantes, de telhas a divisórias de escritório.
A aquisição do controle se dará de forma indireta, já que a ArcelorMittal vai absorver a Brazil Steel, holding do empresário espanhol Pedro Jesús Echegaray Larrea, que detém o controle da Dânica. Echegaray Larrea comprou o negócio em 2020 da gestora Pátria Investimentos e, desde então, é também CEO da Dânica.
A companhia catarinense entrou em recuperação judicial há três anos, reagindo aos impactos de um incêndio que atingiu sua fábrica em Aparecida de Taboado (MS), em 2019, e da pandemia de coronavírus. O plano de recuperação foi homologado no fim de 2023 e prevê o pagamento de uma dívida de R$ 47 milhões em até 20 anos.
Em 2022, a companhia registrou um faturamento líquido de R$ 178 milhões e um prejuízo de R$ 47 milhões. Além das operações no Brasil, a companhia também mantém uma fábrica no México.
Com a aquisição, a ArcelorMittal vai ampliar seu portfólio no segmento de painéis e telhas termoacústicas.
Valor - SP 27/03/2025
Tarifas do primeiro mandato se mostraram um verdadeiro tiro no pé: a modesta reindustrialização dos setores protegidos gerou uma desindustrialização generalizada
O governo de Donald Trump está empenhado em redesenhar os pilares da economia americana e até mesmo a ordem econômica mundial. Internamente, sua principal estratégia tem sido a imposição de barreiras comerciais agressivas, em uma tentativa errática de reindustrializar o país. No entanto, essa abordagem repete erros do passado e tem pouca chance de dar certo.
Estudos sobre a política comercial do primeiro governo Trump, particularmente envolvendo tarifas sobre aço e alumínio importados, mostram que essas medidas geraram mais prejuízos do que benefícios. Tarifas costumam ser vistas como um equilíbrio entre ganhos para produtores domésticos e perdas para consumidores, mas quando aplicadas a insumos produtivos, acabam ampliando distorções ao longo da cadeia produtiva. As tarifas de 2018 reduziram as importações de aço, mas elevaram os preços desse insumo pagos pelas indústrias americanas, prejudicando a manufatura e tornando-a menos competitiva.
Artigo de Russ and Coxi1 reúne evidências e mostra que cerca de metade da tarifa de 25% foi repassada aos preços domésticos, reduzindo a competitividade dos exportadores americanos. Esse aumento nos custos de produção está diretamente associado a um menor crescimento das exportações e a dificuldades crescentes para competir no próprio mercado interno.
O mesmo artigo revela que, um ano após a imposição das tarifas, houve a criação de mil empregos no setor siderúrgico, um resultado esperado. No entanto, cita um estudo do Federal Reserve Board of Governors que estima que, até meados de 2019, as tarifas reduziram o emprego manufatureiro em setores que utilizam aço e alumínio em 0,6%, o que equivale a uma perda de cerca de 75.000 postos de trabalho. Um verdadeiro tiro no pé: a modesta reindustrialização dos setores protegidos gerou uma desindustrialização generalizada. Esse número não inclui as perdas adicionais entre exportadores afetados por tarifas retaliatórias de outros países.
Agora, o segundo governo Trump, além de reintroduzir tarifas de 25% sobre a importação de aço e alumínio, impôs tarifas de 20% sobre todas as importações da China e anunciou medidas semelhantes contra México e Canadá, estas em fase de renegociação. Como resposta, a China aplicou tarifas retaliatórias sobre produtos americanos. México e Canadá seguirão pelo mesmo caminho. Dada a interdependência das economias norte-americanas e a integração das cadeias produtivas, essas barreiras comerciais agressivas tendem a desorganizar a produção, aumentar os custos e gerar mais desemprego.
Além disso, a globalização tem sido um dos principais motores da inovação americana. Os EUA concentram uma parcela desproporcional do investimento global em pesquisa e desenvolvimento, impulsionado principalmente por multinacionais. A presença global dessas empresas amplia seus retornos à inovação, pois mercados maiores oferecem mais oportunidades de monetizar novas tecnologias. Os EUA também são o principal destino de investimento estrangeiro direto, o que fortalece ainda mais esse ciclo virtuoso. O acesso ao vasto mercado americano impulsiona a inovação global, beneficiando tanto empresas quanto trabalhadores e consumidores.
Políticas comerciais e industriais que estão sendo implementadas simplesmente não se sustentam
O protecionismo, ao contrário do que defende o governo Trump, enfraquece a inovação nos EUA e no resto do mundo, empobrecendo todos. Livre comércio e globalização não são jogos de soma zero - pelo contrário, geram ganhos mútuos. Além disso, as políticas de Trump vão além da economia: o governo também tem atacado universidades e centros de pesquisa, cortando drasticamente verbas ou interrompendo o financiamento de estudos científicos. Este setor é o segundo pilar da inovação americana e, por isso, o impacto negativo dessas políticas sobre a pesquisa básica e desenvolvimento tecnológico pode ser profundo.
A ideia de que Trump conseguirá redesenhar a economia americana na direção desejada parece pouco plausível - e nem seria necessário. Até recentemente, os EUA desfrutavam de pleno emprego, crescimento robusto e inflação controlada. Além disso, como já discutido neste espaço inúmeras vezes, economias modernas são impulsionadas pelo setor de serviços, enquanto a manufatura perde relevância relativa.
A redução do peso da indústria nos EUA foi acompanhada pela expansão de setores como saúde, educação e tecnologia da informação. Hoje, o setor de saúde representa quase o dobro da manufatura em participação no PIB. Essas transformações refletem tanto inovação e avanço tecnológico, que reduzem os custos dos serviços, quanto mudanças nos padrões de consumo: à medida que a renda cresce, a demanda por serviços aumenta mais rapidamente do que por bens industriais. Tentar reverter esse processo é fútil e oneroso.
As políticas comerciais e industriais que estão sendo implementadas simplesmente não se sustentam. A teoria econômica e as evidências disponíveis indicam que essas medidas têm poucas chances de sucesso. Pelo contrário: o impacto líquido sobre a indústria será negativo, a inovação e o crescimento serão prejudicados e os preços subirão.
1) Steel Tariffs and U.S. Jobs Revisited, econofact.org/steel-tariffs-and-u-s-jobs-revisited
Pedro Cavalcanti Ferreira é professor da EPGE-FGV e diretor da FGV Crescimento e Desenvolvimento.
Renato Fragelli Cardoso é professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE-FGV).
CNN Brasil - SP 27/03/2025
Documento apresentado pelo governo brasileiro ao Representante de Comércio dos Estados Unidos aponta que a tarifa sobre o aço aplicada pelo governo norte-americano viola regras legais da Organização Mundial do Comércio (OMC) e pode alimentar uma espiral negativa de medidas recíprocas com potencial de prejudicar severamente a relação entre os dois países.
O documento, que é público, foi apresentado em uma consulta aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em fevereiro para que empresas, cidadãos e outros interessados nas questões tarifárias pudessem enviar suas questões.
O documento brasileiro foi oficialmente apresentado pelo governo aos técnicos norte-americanos na primeira rodada de negociações dos dois países.
No texto, o Brasil reconhece os esforços do governo dos EUA em promover desenvolvimento industrial e a criação interna de empregos, mas salienta que essas medidas deveriam seguir os acordos atuais existentes entre os dois países.
“O Brasil urge que os Estados Unidos deem prioridade ao diálogo e cooperação em vez da imposição unilateral de restrições comerciais, que trazem o risco de alimentar uma espiral negativa que pode prejudicar severamente nossa relação comercial mutuamente benéfica”, diz o texto.
O governo brasileiro ressalta ainda que todas as tarifas aplicadas na importação de produtos pelo Brasil seguem os parâmetros da OMC, inclusive a do etanol, citado nominalmente pelo governo dos EUA como uma tarifa alta — 18%.
“No mesmo setor de etanol e açúcar de cana, os EUA mantêm uma tarifa de US$ 340 por tonelada (o equivalente a aproximadamente 80% de taxas), o que penaliza as exportações brasileiras. O Brasil não aplica nenhuma tarifa de 80%”, aponta o documento.
O texto também levanta um dos principais argumentos usados até agora pelo governo brasileiro: a tarifa média do Brasil para importações norte-americanas é de 2,75%, com vários produtos com taxa zero.
Até o momento, o Brasil tenta negociar a imposição da taxa sobre o aço e o alumínio, que entrou em vigor em 12 de março. Mas, de acordo com uma fonte, há uma preocupação maior com o que o governo norte-americano deve anunciar na próxima semana.
O Brasil foi citado como um dos países que aplicaria altas tarifas contra os EUA, especialmente em etanol e madeira, e pode ser penalizado agora mais uma vez. Há o temor que mais produtos entrem nessa lista, ou que todas as exportações brasileiras passem a ser taxadas, o que já foi aventado pela Casa Branca.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou que, se não houver outra maneira, o governo brasileiro deve retaliar os EUA. Mas a ordem, por enquanto, é tentar resolver a questão na mesa de negociações.
O Estado de S.Paulo - SP 27/03/2025
O Brasil teve déficit de US$ 8,758 bilhões na conta corrente em fevereiro, após um saldo negativo de US$ 8,655 bilhões em janeiro, informou o Banco Central.
O rombo foi menor do que a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, negativa em US$ 9,0 bilhões. Todas as estimativas do mercado indicavam saldo negativo, de US$ 11,30 bilhões a US$ 3,730 bilhões.
O déficit foi o maior para o mês desde 2014, quando as transações correntes tiveram saldo negativo de US$ 8,905 bilhões. A conta corrente tem saldo deficitário de US$ 17,318 bilhões no acumulado do ano. No acumulado de 12 meses, o rombo passou de 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro para 3,28%, o maior nível desde maio de 2020, quando ficou em 3,46%.
A balança comercial teve déficit de US$ 979 milhões no mês passado, segundo a metodologia do BC. A conta de serviços teve déficit de US$ 3,889 bilhões. A conta de renda primária ficou negativa em US$ 4,104 bilhões, e a conta financeira, negativa em US$ 9,931 bilhões.
O BC espera um déficit de US$ 58,0 bilhões nas transações correntes este ano, o equivalente a 2,7% do PIB, segundo o mais recente Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Os números serão atualizados no Relatório de Política Monetária (RPM) amanhã.
Dívida externa
O Banco Central estima que a dívida externa brasileira atingiu US$ 350,793 bilhões em fevereiro. A dívida externa era de US$ 346,483 bilhões em janeiro e de US$ 347,534 bilhões em dezembro, calcula a autarquia.
A dívida externa de longo prazo atingiu US$ 265,827 bilhões em fevereiro, enquanto o estoque de curto prazo ficou em US$ 84,966 bilhões.
A entrada líquida de Investimentos Diretos no País (IDP) somou US$ 9,30 bilhões em fevereiro. O resultado superou o teto da pesquisa feita pelo Projeções Broadcast, de US$ 7,370 bilhões. A mediana era de US$ 5,50 bilhões, e o piso, de US$ 3,90 bilhões. Em janeiro, o IDP havia somado US$ 6,501 bilhões.
No acumulado do primeiro bimestre de 2025, a entrada líquida de IDP soma US$ 15,802 bilhões. Em 12 meses, atingiu US$ 72,459 bilhões, o equivalente a 3,38% do Produto Interno Bruto (PIB).
O BC espera entrada líquida de US$ 70 bilhões em IDP em 2025, o equivalente a 3,2% do PIB, segundo o mais recente Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Os números serão atualizados no Relatório de Política Monetária (RPM) amanhã.
Fluxo cambial
O fluxo cambial total do Brasil está negativo em US$ 7,530 bilhões em fevereiro, até o dia 24. O fluxo financeiro é negativo em US$ 7,676 bilhões, e o comercial, positivo em US$ 146 milhões.
O canal financeiro — que reúne investimentos diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamentos de juros, entre outras operações — teve compras de US$ 35,433 bilhões e vendas de US$ 43,109 bilhões no período.
Na conta do comércio exterior, houve importações de US$ 12,544 bilhões e exportações de US$ 12,690 bilhões. Nas exportações, estão inclusos US$ 1,480 bilhão de adiantamento de contrato de câmbio (ACC), US$ 3,214 bilhões em pagamento antecipado (PA) e US$ 7,996 bilhões nas demais operações.
IstoÉ Dinheiro - SP 27/03/2025
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em alta mais uma vez, ainda como reflexo da avaliação de que o Banco Central precisará ser mais rigoroso na política monetária para compensar a pressão inflacionária e o estímulo econômico vindo de medidas do governo. Esta percepção já começa a se refletir na precificação para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), com apostas crescentes e majoritárias de que a Selic possa subir 0,75 ponto porcentual em maio.
O Copom vem surpreendendo os investidores desde a semana passada ao enfatizar que o quadro inflacionário está mais adverso e sinalizar ao menos mais um aumento da Selic em maio. O mercado esperava uma ênfase maior do colegiado nas chances de desaceleração da economia e, consequentemente, uma postura menos rigorosa da política monetária.
A preocupação do Copom com os canais de crédito também captou a atenção dos investidores, em particular diante do esforço do governo para lançar o crédito consignado a trabalhadores do setor privado, segundo Claudio Pires, sócio-diretor da MAG Investimentos. “Os primeiros números que estão saindo demonstram que o apetite por crédito é muito alto. É um pouco mais de gasolina na fervura da atividade econômica e da inflação”, afirmou.
Luciano Telo, executivo-chefe de investimentos do UBS Global Wealth Management, ressaltou que o tom do Copom é duro e preocupado com a inflação, e que o colegiado indicou que estará atento a “novidades expansionistas” tanto do ponto de vista fiscal quanto de crédito. “Quando o Copom garante que vai ter mais uma alta, fala em preocupação com o crédito ser mais expansionista, a assimetria vira para mais juros, não para menos”, acrescentou.
O Banco Central terá mais uma oportunidade para guiar os mercados na quinta, quando será divulgado o Relatório de Política Monetária, que substitui o Relatório Trimestral de Inflação – rebatizado como Relatório de Política Monetária (RPM). O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e o diretor de política econômica, Diogo Guillen, falarão em entrevista coletiva a partir das 11 horas.
A taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 subiu a 15,165%, de 15,122% no ajuste anterior.
O DI para janeiro de 2027 aumentou a 15,145%, de 15,033%, e o para janeiro de 2029 fechou em alta de 14,900%, de 14,740% no ajuste anterior.
Infomoney - SP 27/03/2025
O presidente dos EUA, Donald Trump, começou o seu segundo mandato há dois meses com uma economia robusta, crescimento do PIB entre 2,5% e 3% e baixas taxas de desemprego. O mercado apostava na continuidade desse ciclo positivo, impulsionado por cortes de impostos e estímulos fiscais.
No entanto, em poucos meses, essa perspectiva mudou drasticamente: analistas, agora, discutem o risco até mesmo de uma possível recessão econômica.
Para Paulo Leme, chairman do Comitê Global de Alocação de Ativos da XP Advisor e professor residente de Finanças da Universidade de Miami, a imprevisibilidade das políticas de Donald Trump foi um fator determinante para essa mudança de percepção entre os investidores.
“Eu acho que a palavra que resume o (atual) momento é incerteza; a outra é imprevisibilidade. E o mercado precifica risco, ele não sabe precificar a incerteza”, disse, em entrevista ao InfoMoney, no começo desta semana.
Segundo ele, o governo Trump priorizou tarifas e restrições comerciais ao invés de cortes tributários, gerando um ambiente de incerteza.
Investidores e empresas, dessa forma, passaram a adotar uma postura mais cautelosa, o que impactou os indicadores econômicos e trouxe volatilidade aos mercados, gerando correções nas Bolsas de NY.
Diante tamanho grau de incerteza, Leme ressalta que tanto os dirigentes do Federal Reserve (FED) – para decidirem os rumos dos juros – quanto analistas e empresários estão em compasso de espera, até que haja clareza por parte da equipe econômica de Donald Trump sobre os rumos das tarifas, estímulos fiscais e cortes de impostos nos EUA.
Um dos riscos deste cenário, conforme Leme, é a repetição do que aconteceu nos anos 1970, quando os Estados Unidos conviveram com uma economia estagnada ou em recessão, ao mesmo tempo em que a inflação subia e o FED cortava juros.
Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida por Paulo Leme ao InfoMoney:
InfoMoney: No começo do ano, o senhor disse, durante o Onde Investir do InfoMoney, às vésperas do início do governo Trump, que ele tinha um excelente ponto de partida, com alta do PIB, baixo desemprego e situação patrimonial das famílias e das empresas sólida. Só que, passados dois meses, já se fala em uma possível recessão – ou no mínimo numa redução do ritmo de crescimento. O que aconteceu, na opinião do senhor, para essa virada de perspectiva?
Paulo Leme: Antes de mais nada, dando um passo atrás, sendo um gestor, você tem que ser objetivo e tem que ser intelectualmente honesto e isento. Então, você está operando sob incerteza, tentando fazer previsões baseadas em uma série de hipóteses, e algumas não se cumpriram.
O estado geral da economia americana segue excelente, muito bom. No entanto, a sequência com que a implementação da política econômica do governo Trump está vindo e, especialmente, a intensidade – e tudo compactado em dois meses – surpreendeu.
Eu achava que ele (o governo) atacaria mais pela parte de estímulo fiscal, através dos cortes de impostos das empresas e da pessoa jurídica, e, na realidade, ele entrou mais pelo lado das tarifas.
E aí era necessário trazer mais algumas hipóteses: se ia ser algo mais abrangente, mais limitado, mais estratégico, de negociação. E eu acho que a velocidade e a abrangência, na proposição de tarifas, sugerem que talvez ele queira ir muito mais além do que eu esperava.
E tudo isso começa a conectar com a Agenda 47 – o America First, um programa dentro do Partido Republicano, algo muito mais ambicioso, visando realmente uma mudança dramática da ordem internacional, que foi construída após a Segunda Guerra Mundial, com Bretton Woods, com os acordos da OTAN e, inclusive, toda a parte de política comercial.
Eu acho, portanto, que ele está se caracterizando por uma mudança muito forte do status quo dentro dos Estados Unidos, com o apoio do Elon Musk, no Doge (Departamento de Eficiência Governamental), entrando em todas as agências, vasculhando todos os gastos e ameaçando aqueles que achavam que tinham um emprego garantido. E a parte da aprovação dos impostos não veio.
“Então eu acho que a palavra que resume tudo é incerteza, a outra é imprevisibilidade. E o mercado precifica risco, não sabe precificar a incerteza.”
O mercado queria acreditar que seria uma tarifa aqui, duas lá. Mas quando começa uma sequência (de anúncios tarifários) se começa a descartar a hipótese inicial de que isso era algo estratégico, pequeno e, agora, parece ser algo muito maior.
Isso se traduz em volatilidade no mercado, com o estilo dele (de negociação) de avançar, recuar; ver como o parceiro responde, reage. E isso deixa o mercado atordoado.
Tivemos duas semanas de queda muito profunda (da Bolsa), ainda não é um drawdown, que caracteriza um bear market, mas foram correções importantes no S&P e no Nasdaq.
InfoMoney: Como ficam as empresas e qual é o impacto disso tudo para o PIB?
Leme: Do lado empresarial, o que se vê é que o ruído leva a ações e a consequências de decisões de investimento. Por exemplo, se você acha que vai levar uma ‘tarifada na cabeça’ nos seus insumos importados, se busca estocar insumos importados.
E o que está se vendo? O PIB americano negativo, porque as empresas estão importando e isso aumenta o déficit em conta corrente; e a estocagem é contracionista para o PIB. Então, você está vendo o PIB caindo menos 1,8%, mesmo com a economia indo muito bem, porque o setor privado se antecipa.
“Esse jogo estratégico de xadrez entre o Trump e a sua equipe e os empresários e o mercado, ele pode ter efeitos reais imprevisíveis.”
Então, algo que não estava no nosso radar nem do mercado, que era o ‘R’, de recessão, começou agora. A única dúvida é a probabilidade a se atribuir a essa hipótese: de 20%, 30%, 50% Então ela (a recessão) passou a ser a pauta em discussão.
InfoMoney: Como isso se reflete para as estratégias dos gestores?
Leme: Nossa leitura, como gestor, é ter que incorporar essas novas informações e há muita imprevisibilidade. Nossa recomendação (começo do ano) era muito direcional, ou seja, otimista com bolsa americana, otimista com dólar. Então, isso quer dizer que o gestor está com uma gestão muito ativa.
E agora eu e o GAAC (Comitê Global de Alocação da XP) estamos recomendando uma postura mais neutra, ou seja, você ‘colar’ nos benchmarks e, basicamente, sem gerar alfa. É uma estratégia passiva, porque se o mercado cai, você cai, se o mercado sobe, você sobe; mas você não vai estar numa posição desconfortável, que você subestimou as políticas e possivelmente um impacto na economia, em uma posição contrária que deixou o cliente atropelado.
Então, por isso que eu acho que a gente já respondeu muito rapidamente (à mudança de cenário), inclusive em termos de posicionamento em carteira.
InfoMoney: E como o senhor avalia essa estratégia de anuncia tarifa, volta atrás Isso gera problemas tanto internos nos EUA quanto pode trazer consequências para a economia global. Quem podem ser os ganhadores e os perdedores desse movimento?
Leme: Pergunta excelente e, estendendo essa pergunta, vamos adicionar também um eixo na linha do tempo: Quem que ganha e perde no começo, no meio e no fim?
Então, voltando à pergunta, eu não sei; é imprevisível.
Se ele (Trump) vai fundo, até o final, de realmente romper com as instituições, voltaremos a um cenário parecido ao dos anos 30, quando se teve o Smoot-Hawley Act, onde o presidente do Congresso, a Câmara e o Senado colocaram uma barreira de tarifas de importação altíssima.
Isso era muito uma pauta agrícola e levou a uma guerra comercial que não parava. Uma guerra de estabilidade cambial, que é considerada, inclusive, um agravante pior do que as crises bancárias, o abandono da indexação do dólar ao valor do ouro e toda a corrida bancária que você teve (na época).
Então, o que eu quero dizer é que eu não sei se isso aqui são 2, 10, 20, 50 tarifas, se só vai ser por 15 minutos, ou se realmente é a agenda 47. Se nós formos na direção da agenda 47, com mudanças profundas, esse jogo, sob a ótica da teoria dos jogos, é de perde-perde.
“Ou seja, ninguém ganha, todos perdem e você gera uma incerteza muito grande, leva a recessões e a uma desestabilização do sistema financeiro também.”
Então não interessa a ninguém. Se é uma tarifa, duas tarifas, depende. Se você tem poder de monopólio, de monopsônio (oposta ao monopólio) no mercado, depende se você é grande, depende se você é pequeno.
Mas eu diria que em um cenário de médio e longo prazo, ao se desestabilizar uma ordem centrada, que tem como eixo central os Estados Unidos, quem ganha é a China. Ou seja, ao esculhambar tudo, derrubar tudo, se tem uma reaglutinação de forças.
E, até do ponto de vista diplomático, vai ser importante saber como o Brasil vai se posicionar, nesse mundo que está se reconstruindo. E quem serão os parceiros do Brasil? Vamos manter uma neutralidade? Vamos nos aliar com um (país), ou com ninguém; teremos uma neutralidade à lá Suíça.
Portanto, no médio e no longo prazo, quem mais tende a perder, são os Estados Unidos.
InfoMoney: Por quê?
Leme: Isso acontece por que é um privilégio ter padrão monetário internacional. Ao emitir a moeda global (o dólar), você pode cobrar o imposto inflacionário sobre o mundo inteiro, podendo emitir muito mais dívida pública. Portanto, financiar um déficit muito maior nominal, porque você é a referência.
Ou seja, quando se fala da dívida brasileira, isso se compara ao spread da dívida brasileira em relação a quê? Ao treasury (dívida pública americana) de 10 anos. Então, a demanda por recursos do treasury é infinita. Dessa forma, se pode emitir, emitir (dívida), ter déficits Assim, um déficit de 7,5% e uma dívida pública de 120% (como acontece nos EUA), seria um número que inviabilizaria o Brasil. E esse não é o caso dos EUA.
“Ao desestabilizar o sistema de comércio internacional, as instituições e a arquitetura global, pós Breton Woods, ele pode perder esse privilégio de ser o emissor da moeda (global), sobretudo em um momento de internacionalização de novas moedas digitais.”
Daí, não se precisa mais do real, nem do euro ou do franco suíço. Você pode converter, sem ter uma conta, em um país de moeda não conversível e não precisa do dólar para fazer essas conversões.
E pra quem isso não interessa? Para os Estados Unidos.
InfoMoney: Ainda no contexto das tarifas, uma das possíveis consequência é o impacto para a inflação nos EUA. Como o senhor enxerga o potencial dessas elevações sobre os preços e, eventualmente, sobre as próprias decisões de política monetária do FED?
Leme: A resposta é depende. Indo para a parte mais fácil, não há dúvida de que um aumento simples, uniforme, digamos de 10%, sobre todas as importações americanas – considerando que a percentagem dos importados no PIB é de 13% – levaria a um aumento, de uma vez só, de 1,3 pontos percentuais da inflação.
E se isso vai colar ou não, vai depender se a economia está crescendo ou se ela está indo para uma recessão.
Então, indo ao nosso caso, que era o cenário inicial (do começo do ano) – que haveria também um estímulo fiscal, a economia cresceria até mais com investimentos do setor privado, com a demanda agregada acelerando e o hiato do produto fechando – esse aumento de tarifas, em cima de uma economia que já está em pleno emprego e aquecendo e com pressões salariais vindo do fechamento da imigração, seria inflacionário.
E aí você teria uma ‘pivotada’ (mudança de direção) do FED, que fala em cortes de juros, mas, agora, a conversa é: ‘ok, quando vai ser o primeiro aumento de taxa de juros?’
Agora você pode olhar outro cenário Isso porque o pacote fiscal não veio, há problemas no Congresso para coordenar esse pacote fiscal e, ao mesmo tempo, o que você está planejando, em matéria tarifária, é muito mais agressivo e já se começa a ver um arrefecimento (da economia), com expectativas (de crescimento) caindo.
InfoMoney: Por isso já se fala em recessão?
Leme: Acho que já se pode começar a falar sobre uma desaceleração ou até mesmo uma estagnação ou recessão. E aí você tem o pior dos dois mundos: um aumento do índice de preços e, ao mesmo tempo, uma forte desaceleração da economia americana.
E aí, o que o FED faz? Se for um aumento de tarifa pequeno, você vai ficar preocupado com atividade e desemprego. Então, o FED vai ter que cortar juros, com inflação alta, e aí se vai ao pior dos dois mundos, que é a estagflação.
“Ou seja, uma economia estagnada ou em recessão e, ao mesmo tempo, como nos anos 70, com a inflação subindo e o FED tendo que cortar juros.”
Há uma solução diferente também, onde você tem um pouco de aumento de tarifa, mas desorganiza a economia americana, e a economia global. Aí, o FED corta juros, mas como está deprimindo a demanda agregada, começa a gerar ociosidade e aí você não tem um surto inflacionário e tem só recessão.
Então, há três cenários e vai tudo depender de como o governo Trump vai avançar nestes diferentes fronts.
InfoMoney: Em resumo, há diferentes possibilidades de cenário
Leme: Eu vou me apegar ao que o presidente do FED, Jerome Powell, disse na coletiva da semana passada, de que há um cenário extremamente difícil.
“Tanto é assim que houve algo que me deixou perplexo: mudaram as projeções de crescimento e de inflação, mas a trajetória dos juros segue a mesma ”
Como assim? E a resposta dele (Powell) foi: ‘a gente não sabe o que vem pela frente em matéria de tarifas e estamos com um elevado grau de incerteza. A única coisa que sei é que estamos em um bom lugar, as taxas de juros já caíram estamos bem posicionados. Se puder, a gente corta um pouco mais (os juros), mas, por enquanto, vamos aguardar, como todos os analistas, empresários, até que haja uma definição da equipe econômica (de Trump) para onde eles vão – seja, na parte tarifária, de estímulos fiscais e cortes de impostos.’
Então, dependendo do que saia (de medidas do governo Trump), vamos ter diferentes respostas do FED, e diferentes condições de mercado.
IstoÉ Dinheiro - SP 27/03/2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou, nesta quarta-feira, 26, que, em muitos casos, as tarifas recíprocas serão “menores do que as tarifas que parceiros comerciais vêm nos cobrando há décadas”.
Trump também disse que as tarifas recíprocas terão como alvo “todos os países”, e não apenas 15% das nações que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que poderiam ter prioridade na ação de 2 de abril.
Trump afastou preocupações sobre preços mais altos para carros ou efeitos sobre as montadoras dos EUA da cobrança de tarifas de 25% sobre todos os carros não fabricados no país, dizendo que as montadoras com fábricas nos EUA ficariam “eletrizadas” com as tarifas.
Globo Online - RJ 27/03/2025
A proposta de modernização do Novo Marco Legal das Concessões e das Parcerias Público-Privadas (PPPs) ganhou destaque e repercutiu entre os agentes do setor recentemente. Embora ainda estejam em fase de discussão, as alterações previstas apontam no sentido de melhorar a atratividade dos projetos e aumentar a segurança jurídica do setor.
A atual Lei de Concessões, que completa 30 anos em 2025, permitiu um grande avanço para o desenvolvimento de projetos de infraestrutura. No entanto, ao longo do tempo, o ambiente regulatório evoluiu, e o mercado se adaptou. A experiência permitiu verificar quais pontos funcionam e quais precisam ser melhorados. Muito foi aprendido com os casos de sucesso e fracasso. Assim, a atualização da lei torna-se necessária para adaptar-se à nova realidade.
Entre as modificações previstas, destacam-se o reequilíbrio econômico-financeiro emergencial e o compartilhamento de riscos. Esses instrumentos buscam tratar aspectos tradicionalmente sensíveis nas concessões brasileiras, com foco na previsibilidade contratual.
O reequilíbrio emergencial é uma demanda do setor que permite a sustentabilidade dos projetos no caso da ocorrência de grandes eventos que impactem o caixa no curto prazo. Em termos práticos, os mecanismos tradicionais de reequilíbrio, já previstos nos contratos de concessão, costumam ser muito demorados, levando anos até ser resolvidos. Nesse período, a concessionária deve continuar cumprindo suas obrigações, suportando também os impactos do evento extraordinário sobre a geração de caixa, o que muitas vezes torna a operação insustentável.
Tomemos como exemplo uma concessão rodoviária afetada por chuvas extraordinárias que causaram o desmoronamento de barreiras e a queda de pontes. Além de reconstruir os trechos, a concessionária deve cumprir as obrigações originalmente previstas, sob pena de ser afetada por multas ou penalizações decorrentes do não atingimento de metas.
A demora no reequilíbrio compromete ainda mais o caixa, o que acaba por impossibilitar o cumprimento de tais metas. O reequilíbrio emergencial permitiria o restabelecimento de receitas em tempo hábil para evitar o aprofundamento da crise. Nesse sentido, o mecanismo torna os projetos financeiramente mais resilientes.
O compartilhamento de riscos aumenta a atratividade dos projetos para o parceiro privado. Uma vez que os investidores são avessos ao risco, quanto menor for a parcela a eles alocada, menor será a rentabilidade exigida para assumir a operação.
O mecanismo, portanto, possibilita que um conjunto de investimentos seja realizado pelo parceiro com menor rentabilidade, resultando em menor tarifa a ser paga pelos usuários. Além disso, tem o potencial de aumentar a quantidade de interessados, atraindo grupos que antes optavam por não investir tendo em vista o elevado risco percebido sobre os projetos.
Importante notar que nem o reequilíbrio emergencial nem o compartilhamento de riscos são novidades no setor. Os novos contratos da Agência Nacional de Transportes Terrestres e do estado de São Paulo já trazem tais dispositivos. O texto da reforma tributária também prevê o reequilíbrio cautelar como mecanismo para garantir a viabilidade dos contratos de longo prazo.
Com a previsão legal, porém, tais mecanismos inovadores deixam de ser exclusividade de entes que estão na vanguarda dos processos regulatórios e passam a ser a regra. Dessa forma, todos os estados e municípios também terão de adotar essas normas, o que aumentará a segurança jurídica e a atratividade do setor de infraestrutura como um todo.
CNN Brasil - SP 27/03/2025
O presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, disse em entrevista ao CNN Talks que o volume de investimentos contratados em concessões de infraestrutura no último biênio é positivo, mas ainda não suficiente para suprir as lacunas logísticas do país.
Vander Costa participou do CNN Talks “Os Desafios para o Avanço da Infraestrutura no Brasil: Caminhos para o Crescimento”, em Brasília.
“O desafio é manter o volume de investimento que vem entrando nos últimos dois anos. A gente continua trabalhando para convencer o governo de que precisa manter este ritmo”, disse.
O Ministério dos Transportes calcula que foram contratados entre 2023 e 2024 cerca de R$ 100 bilhões em investimentos em concessões de rodovias.
Segundo o representante, a captura destes investimentos foi possível também pois o governo aperfeiçoou suas modelagens. Para Vander, a gestão federal deve apostar em formatos “possíveis” para concessões, em vez de “ideais”.
Globo Online - RJ 27/03/2025
Após desacelerar em fevereiro, a inflação de alimentos deve voltar a pisar no acelerador, novamente, pressionada pelo preço dos ovos e do café que não param de subir. A expectativa para o IPCA-15, a prévia da inflação de março, que será divulgada amanhã pelo IBGE, é que o grupo Alimentação e Bebidas acelera de 0,61%, registrado em fevereiro, para 1,42%. Para a alimentação em domicílio a estimativa é de alta de 1,55% ante a uma alta de 0,63% no mês anterior, diz Matheus Dias, pesquisador do FGV Ibre, que projeta uma variação de 0,61% para o IPCA-15. Ele explica, no entanto, que apesar da inflação de alimentos preocupar, a tendência é que depois de uma aceleração em março e abril, a taxa de acomode:
- A inflação de alimentos deve começar a desacelerar a partir de maio, seguindo a sazonalidade normal dos alimentos. Considerando o cenário atual de que não teremos novos choques no clima, nem no câmbio - explica Dias.
É a resiliência da inflação de serviços que representa 37% da estrutura de ponderação do IPCA o que mais preocupa. Os serviços tem um peso mais relevante na formação da inflação: alimentação em domicílio responde por cerca de 16%. O segmento, diz o economista, é o verdadeiro protagonista da manutenção da inflação em patamares mais elevados. Entre os serviços com maior representatividade no IPCA se destacam aluguel residencial, condomínio e alimentação fora de casa. Quando observamos a evolução de preços desses itens, nos últimos cinco anos, se revela uma história de resistência à desaceleração, marcada por uma estabilidade elevada e até aceleração, ressalta Dias:
- Dá para observar que a inflação de alimentos tem uma volatilidade nos impactos, que acabam sendo resultado das variações percentuais muito fortes sejam positivas ou negativas. Por sua vez, os serviços possuem maior resistência em cair, mantendo um impacto sempre positivo sobre o IPCA. Isso tudo acumulado em 12 meses.
Dias chama atenção para o fato que a inflação de serviços tem maior peso entre as faixa de renda mais alta (com renda entre 15.180 e R$ 50 mil), representando em média 44% da inflação para esse grupo. Para as famílias de renda baixa (que ganham entre um e cinco salários mínimos), não passa de 25%, mostra análise feita a partir do IPC-FGV. De outro lado, o peso da inflação de alimentos é 11% da cesta inflação dos mais ricos, enquanto as famílias de baixa renda gastam 22% dos ganhos com alimentos, o que faz com esse grupo sinta mais no bolso a alta desses preços.
- Em ambos os grupos, no entanto, consomem serviços em uma porção não desprezível, o que tona ainda mais preocupante a dificuldade em controlar a inflação de serviços - reforça o pesquisador do FGV Ibre.
Infomoney - SP 27/03/2025
Os preços futuros do minério de ferro subiram nesta quarta-feira, sustentados pela demanda sazonal pelo ingrediente de fabricação de aço, embora cortes de produção por parte de algumas siderúrgicas chinesas tenham limitado novos ganhos.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 0,19%, a 780 iuanes (US$107,38) a tonelada.
O minério de ferro de referência de abril na Bolsa de Cingapura avançava 0,61%, a US$102,2 a tonelada.
As principais empresas siderúrgicas produziram 2,75 milhões de toneladas de aço bruto por dia em março até o momento, marcando um aumento mensal de 1,6%, disse a corretora Hexun Futures, citando estatísticas da Associação de Ferro e Aço da China.
Altos-fornos que haviam sido reformados retomaram a produção em março, enquanto a média diária de produção de ferro fundido se recuperou mês a mês, disse a Hexun em nota separada.
Ainda assim, os preços do minério de ferro permaneceram estáveis, apesar de o setor ter entrado na temporada usual de pico de construção, disseram analistas da ANZ, acrescentando que os ganhos foram compensados por sinais de fraqueza no mercado de aço.
A Rizhao Iron & Steel planeja concluir o desmantelamento de quatro altos-fornos de 1.080 metros cúbicos no início de abril, removendo uma produção anual de metal quente de 1,9 milhão de toneladas, de acordo com a consultoria Fubao e uma pessoa familiarizada com o assunto.
A Rizhao Steel não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Isso ocorre no momento em que várias siderúrgicas da região de Xinjiang, na China, iniciaram cortes de produção, segundo notícias locais, depois de Pequim ter declarado intenção de reduzir a capacidade em um setor que há muito tempo sofre com excesso de capacidade.
Brasil Mineral - SP 27/03/2025
O objetivo da empresa está integrado à estratégia de inovação para trazer mais segurança, eficiência e sustentabilidade para o negócio.
A Vale iniciou parceria estratégica com o Cubo Itaú para selecionar startups do portfólio do hub que desenvolvam soluções para desafios específicos da mineração. O objetivo da empresa está integrado à estratégia de inovação para trazer mais segurança, eficiência e sustentabilidade para o negócio. No dia 24 de março, lideranças da Vale apresentaram desafios para as startups criarem soluções com foco em automação, reciclagem e eficiência energética. Segundo o vice-presidente executivo técnico da Vale, Rafael Bittar, a inovação é uma alavanca fundamental para a mineração do futuro. “Ao integrar o ecossistema de startups do Cubo Itaú e tecnologias disruptivas, poderemos acelerar iniciativas que tornem as operações mais sustentáveis e com impactos positivos nas comunidades locais”, afirma Rafael Bittar.
A Vale investe cada vez mais em inovação aberta, ampliando o intercâmbio com startups, e acelerando o uso de tecnologias disruptivas na operação da companhia. A parceria com o Cubo Itaú existe desde 2023, quando o Fundo Vale passou a ser membro do hub. A parceria da Vale, firmada agora, complementa a atuação. Enquanto a mineradora terá o desafio de impulsionar desafios que gerem negócios, o Fundo Vale seguirá como um ativador e fomentador do sistema, levando agendas do tema de floresta e clima para o Cubo. Este papel foi reconhecido recentemente pelo próprio Cubo, que no último dia 20 premiou o Fundo Vale com uma menção honrosa pelo fomento ao ecossistema.
A Vale já atuou em colaboração com mais de 70 startups nos últimos cinco anos e quer seguir avançando em inovação aberta. Em 2022, a companhia criou a Vale Ventures, iniciativa de corporate venture capital que comprometeu US$ 100 milhões em capital para investimentos em startups de tecnologia pioneiras que busquem soluções sustentáveis para a mineração. A empresa colabora, ainda, com uma rede diversificada de parceiros, incluindo hubs de inovação e empreendedorismo nos locais onde atua e universidades, compartilhando recursos e conhecimento para impulsionar a inovação na mineração. Além das parcerias, a Vale também conta com 12 hubs de inovação internos que são porta de entrada para novas ideias para capturar os desafios das operações.
Valor - SP 27/03/2025
A indústria automotiva esperava notícias melhores, como um adiamento na implementação, uma porcentagem menor ou isenções, o que mostra que o setor não está preparado para as tarifas propostas
O presidente Donald Trump impôs tarifas de 25% sobre todos os carros fabricados fora dos Estados Unidos, uma medida muito mais ampla do que os fabricantes de automóveis esperavam. Ele também anunciou um plano para tornar os juros de empréstimos para automóveis dedutíveis do imposto de renda, assim como os juros de hipotecas.
As ações das montadoras americanas caíram após o anúncio do presidente. As ações da General Motors e da Tesla caíram 3,12% e 5,58%, respectivamente. As ações da Stellantis caíram 3,55%. No pós-mercado de Nova York, por volta das 20h, os papéis da GM e da Stellantis continuavam a cair — 6,85% e 3,68%, respectivamente —, já os da Tesla se recuperavam — subiam 0,74%.
A indústria esperava notícias melhores, como um adiamento na implementação, uma porcentagem menor ou isenções. O setor automotivo não parece preparado para as tarifas propostas, e os riscos antes do anúncio já eram altos.
Lucros podem evaporar
As tarifas de Trump sobre as importações do Canadá e do México ameaçavam desestabilizar a indústria automobilística, destruindo bilhões em lucros. Isso continua sendo um problema, mas, agora, outras montadoras que importam veículos da Europa e da Ásia enfrentam um destino semelhante.
É relativamente fácil entender como os lucros podem evaporar. Milhões de carros são importados anualmente para os Estados Unidos. Além disso, 50% ou mais das peças de muitos modelos populares montados nos EUA vêm do Canadá e do México.
Não está claro se as peças de automóveis do Canadá e do México fazem parte do plano. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Custos mais altos, carros mais caros
As estimativas de aumento de custo devido às novas tarifas chegam a milhares de dólares por carro novo. Custos mais altos podem se transformar em preços mais altos, reduzindo a demanda por novos veículos, ou podem reduzir as margens de lucro.
O impacto, no entanto, não seria uniforme. O Chevy Equinox é fabricado no México. O Toyota RAV4 é montado em Ontário, Canadá. O Ford Escape é fabricado em Kentucky (EUA). Não é fácil desfazer mais de 30 anos de livre comércio.
A Tesla é a menos exposta às tarifas, já que produz todos os veículos vendidos nos EUA dentro do país. Para a Ford, essa taxa é de cerca de 80%. Para GM e Stellantis, o número é de cerca de 55%. Hyundai e Kia importam cerca de 65% de suas vendas nos Estados Unidos. No entanto, a maioria dessas importações vem da Coreia do Sul, que enfrenta tarifas de importação inexistentes ou reduzidas.
Wall Street dormiu no ponto
Wall Street e os investidores pareciam desatentos ao risco das tarifas, preferindo acreditar que os piores cenários não se concretizariam. Antes da negociação desta quarta-feira (26), as ações da Ford Motor e da General Motors haviam caído apenas 2% e 3% desde a eleição de 5 de novembro.
A maioria dos especialistas do setor automotivo não acreditava que as tarifas seriam implementadas, disse o analista do RBC Tom Narayan, acrescentando que seriam “destrutivas para a indústria automobilística”. Ele caracterizou as tarifas de 25% como um possível “desastre”, mas de “baixa probabilidade”.
O nível tarifário de 25%, agora uma realidade, tem um alcance mais amplo ao redor do mundo. Assessores do presidente Trump disseram que as tarifas gerariam US$ 100 bilhões em receita anual para o governo. Isso implica tarifas sobre US$ 400 bilhões em vendas de automóveis, dando aos investidores uma noção da magnitude da decisão.
Wall Street estava apenas esperando para ver o que aconteceria. Atualmente, espera-se que os lucros das principais montadoras dos EUA e das empresas de autopeças permaneçam estáveis em 2025. Nenhum impacto significativo das tarifas foi incluído nas projeções.
O analista do UBS Joseph Spak já havia preparado alguns cenários. “Dependendo da hora em que você olha para a tela do mercado de ações, as tarifas automotivas estão chegando ou não”, escreveu Spak nesta quarta-feira (26) antes do anúncio. Ele projeta o impacto das tarifas de 25% sem alívio para a indústria e sem aumentos de preços pelos fabricantes de automóveis. Nesse cenário, tanto a Ford quanto a GM teriam prejuízo em 2025, segundo Spak. Não seria possível recuperar cerca de US$ 18 bilhões em custos adicionais.
O cenário mais brando imaginado envolve tarifas de 25% sobre peças e carros que não cumprem as leis comerciais existentes. Isso eliminaria menos de 15% do lucro operacional projetado.
No geral, Wall Street espera que Ford, GM, Stellantis e Tesla gerem cerca de US$ 32 bilhões em lucro operacional em 2025, montante praticamente estável em relação a 2024. Incluindo os principais fornecedores de autopeças, o lucro operacional seria de aproximadamente US$ 37 bilhões para 2025.
“Acreditamos que as tarifas propostas pela administração são amplamente impulsionadas pela frustração com o fato de os EUA importarem mais de três vezes o valor dos automóveis que exportam”, escreveu o analista da CFRA Garrett Nelson, em um relatório recente, acrescentando que o México é um exportador mais significativo para os Estados Unidos do que o Canadá.
O presidente Trump quer que mais produtos sejam fabricados no país, mas levaria anos e dezenas de bilhões em investimentos para reorientar completamente a produção na América do Norte. É difícil estimar o quão punitivas as tarifas precisam ser para atingir seus objetivos. Os investidores e a indústria estão prestes a descobrir se 25% serão suficientes.
As ações da Ford e da GM caíram mais cedo nesta quarta-feira (26), antecipando o anúncio das tarifas. As ações da GM fecharam em queda, mas as da Ford se recuperaram no fim do dia, fechando em alta de 0,10%, cotadas a US$ 10,30 por ação — mas, no pós-mercado de Nova York, caíam 4,56% por volta das 20h17. Os índices S&P 500 e Dow Jones caíram 1,12% e 0,31%, respectivamente.
Valor - SP 27/03/2025
Ivan Espinosa, novo CEO da Nissan — Foto: Reprodução: Nikkei Asia
A Nissan não terá "tabus" quando se trata de explorar parcerias para aumentar sua competitividade, de acordo com Ivan Espinosa, que será o novo executivo-chefe (CEO) da fabricante de automóveis a partir da próxima semana.
A Nissan está buscando parceiros que possam levá-la para "a próxima era da tecnologia", disse Espinosa, atualmente diretor de planejamento da Nissan, em uma conversa com jornalistas na terça-feira.
"Nos próximos dez anos, precisamos realmente nos concentrar em desenvolver nossa própria capacidade de produzir e entregar o carro inteligente", disse ele, referindo-se ao uso de inteligência artificial e outras tecnologias para melhorar a experiência de dirigir e recursos autônomos.
Ele sugeriu uma abertura para parcerias não limitadas às fabricantes de automóveis tradicionais, que ele disse não terem algumas características e competências de alto nível. A parceria com esses insiders poderia desbloquear sinergias e distribuir custos em vendas, tecnologia de trem de força e investimento em bateria, "Mas há outra parte acontecendo, que é, com quem você deve fazer parceria para desenvolver esse carro inteligente no futuro?"
Espinosa assumirá o comando da empresa em dificuldades menos de dois meses após abandonar as negociações de fusão com a Honda, um plano que muitos investidores viram como uma possível solução de longo prazo para sua competitividade enfraquecida. A Nissan disse que ainda está comprometida em colaborar em tecnologias de eletrificação e software automotivo com sua rival japonesa.
"A primeira coisa que me veio à mente quando me ofereceram o cargo é que um executivo-chefe normalmente está lidando com uma ou duas grandes crises em sua carreira, mas eu tenho que lidar com quatro ou cinco", disse o mexicano de 46 anos que foi nomeado para ser o próximo líder da empresa no início deste mês.
Espinosa destacou a necessidade de abordar "uma profunda crise moral" dentro da empresa, juntamente com a implementação de medidas de recuperação inicialmente anunciadas por seu antecessor, Makoto Uchida, que deixará o cargo no fim deste mês.
"Estamos, no momento, sem empatia na Nissan", disse ele. "É meio que da natureza humana. É muito fácil começar a apontar o dedo uns para os outros" quando os negócios estão difíceis, disse ele.
"Algumas das mensagens que troquei pessoalmente com os novos membros do comitê executivo são a necessidade de trabalhar como uma única equipe", disse Espinosa. "Precisamos trabalhar juntos, de mãos dadas, com uma única direção, para que possamos ser rápidos, determinados, sem mais hesitação sobre o que devemos fazer."
A Nissan também deve acelerar a tomada de decisões e os lançamentos de produtos. Por exemplo, a montadora atualmente leva cerca de 55 meses para desenvolver um novo carro, mas tentará encurtar esse tempo para cerca de 37 meses ou menos, disse ele.
Espinosa, que entrou na Nissan em 2003 e hoje atua no comitê executivo da Nissan, admitiu "arrepender-se" por não ter pressionado antes por mudanças culturais e outras mudanças internas. "Mudar uma grande empresa como a Nissan não é fácil, mas estou determinado a fazer isso. Agora tenho a capacidade de fazê-lo, e tenho muito claro em minha mente o que precisa mudar."
Uma questão urgente para a Nissan é gerar receita. Ela espera um prejuízo líquido de 80 bilhões de ienes (US$ 532 milhões) para o ano fiscal que termina este mês, levando-a ao vermelho pela primeira vez em quatro anos. As principais agências de classificação de crédito rebaixaram o rating da Nissan para o grau especulativo, e com uma perspectiva negativa.
A empresa atualizará sua linha de produtos em mercados-chave, incluindo os Estados Unidos, onde está lutando com o declínio nas vendas. Para o ano fiscal que começa em abril, ela lançará um modelo híbrido plug-in do utilitário esportivo Rogue no país para lidar com a ausência de híbridos, um tipo de veículo cada vez mais popular.
A Nissan também está desenvolvendo um modelo de nova geração do seu sistema híbrido e-Power, buscando aumentar a eficiência de combustível quando o carro estiver viajando em alta velocidade em até 15% em relação ao sistema atual. A tecnologia atualizada chegará aos consumidores americanos no ano fiscal de 2026, por meio de um novo modelo Rogue.
Em veículos elétricos, a empresa está desenvolvendo uma nova versão do carro-chefe Leaf, com aerodinâmica, gerenciamento de energia e autonomia de direção aprimorados. Ela lançará o novo modelo nos Estados Unidos no ano fiscal de 2025 compatível com o Padrão de Carga da América do Norte (Nacs) da Tesla, o primeiro para um Nissan elétrico.
Espinosa também espera abordar o fraco poder da marca Nissan, que também foi responsabilizado pelo fraco desempenho comercial da empresa.
"Minha visão para o portfólio, daqui para frente, é ter talvez cinco ou seis modelos orientados para a marca que devem ir para o mais próximo possível de todos os mercados, carros que realmente descrevem o que a Nissan representa", disse ele aos repórteres. Modelos como o Patrol SUV, o esportivo Z e o Leaf podem ajudar os clientes a entender que "Nissan é emoção, Nissan é tecnologia", disse Espinosa, especialista em produtos de longa data.
Infomoney - SP 27/03/2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (26) novas tarifas sobre a importação de automóveis, sendo para “todos os carros que não são fabricados nos EUA”.
As tarifas entrarão em vigor em 2 de abril e a arrecadação começa no próximo dia 3.
Ele acrescentou: “Mas se você construir seu carro nos Estados Unidos, não haverá tarifa”.
Trump disse também que as novas tarifas de 25% sobre carros e caminhões leves importados pelos EUA serão permanentes.
Mais cedo, Trump afirmou que “as montadoras de automóveis já estão voltando ao nosso país”.
Trump também mencionou que os EUA estão “chegando perto dos US$ 5 trilhões em investimentos empresariais” desde que assumiu o cargo no fim de janeiro.
Na terça-feira, o presidente dos EUA havia informado o valor de US$ 4 trilhões em investimentos e prometido novos anúncios para hoje.
Infomoney - SP 27/03/2025
A Tesla começará as vendas na Arábia Saudita no mês que vem, anunciou a fabricante de carros elétricos em seu site nesta quarta-feira (26).
A companhia de veículos elétricos de Elon Musk negocia em outros países do Oriente Médio, mas não na Arábia Saudita, o maior mercado da região do Golfo.
Donald Trump disse este mês que provavelmente faria sua viagem para a Arábia Saudita, depois de pedir ao reino em janeiro para gastar mais de US$ 1 trilhão na economia dos EUA, ao longo de quatro anos, incluindo compras militares.
O evento de lançamento da Tesla em Riad, agendado para 10 de abril, servirá para a companhia exibir seus veículos elétricos (EVs) e produtos movidos a energia solar.
O lançamento ocorre enquanto a Tesla vê as vendas de EVs caírem na Europa, atribuídas ao apoio de Musk a políticos de extrema direita, e a marca tem sido alvo de manifestantes nos Estados Unidos por sua liderança de cortes radicais no governo federal.
Na Arábia Saudita, as vendas de veículos elétricos têm sido lentas, com um relatório de 2024 dos consultores PwC colocando-as em apenas 1% de todas as vendas de carros.
Um mês após a disputa com Musk se tornar pública, o fundo soberano da Arábia Saudita – PIF – anunciou um investimento de mais de US$ 1 bilhão na Lucid, tornando-se o investidor majoritário em uma das startups de EV que buscam desafiar a Tesla.
O PIF de US$ 925 bilhões também investiu em uma marca doméstica de EV que ainda não foi lançada, chamada Ceer.
No entanto, grandes veículos que consomem muita gasolina continuam sendo a norma nas estradas sauditas, onde o combustível é barato e a infraestrutura para carregar um EV continua sendo uma raridade, tornando a travessia de suas longas estradas desérticas quase impossível no automóvel.
Infomoney - SP 27/03/2025
Quarta maior empresa de aluguel de equipamentos do mundo, a francesa Loxam vai investir, por meio de sua subsidiária no Brasil, um montante de R$ 30 milhões para ampliar suas operações. A companhia, que atua em 30 países, tem faturamento global de 2,4 bilhões de euros (cerca de R$ 14,4 bilhões, pela cotação de hoje) e se apresenta como única multinacional do setor a atuar no mercado brasileiro. Junto com o investimento, a empresa anunciou a unificação de suas operações no país sob uma mesma marca.
Com isso, as empresas sob o guarda-chuva da subsidiária brasileira, Degraus e Motormac Rental, passam a operar com uma mesma razão social, Loxam do Brasil. A companhia francesa desembarcou no país em 2015, com a aquisição da Degraus Andaimes e Máquinas. Em 2023, o grupo adquiriu a Motormac, empresa gaúcha de aluguel de máquinas e equipamentos. Os valores das transações não foram revelados.
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Já os R$ 30 milhões de investimento anunciados serão utilizados na aquisição de geradores de energia, equipamentos de compactação de solo, compressores de ar e plataformas elevatórias. A previsão é que o novo maquinário comece a chegar ao Brasil a partir de abril.
“O Brasil é um mercado estratégico para a Loxam, e essa consolidação reforça nosso compromisso de longo prazo com a região. Estamos ampliando investimentos e fortalecendo nossa estrutura para oferecer um portfólio ainda mais robusto aos clientes brasileiros”, afirmou José Rubias, diretor de operações de subsidiárias do Grupo Loxam, em comunicado.
A companhia possui 26 filiais distribuídas no Brasil e prevê a inauguração de mais uma em Vitória (ES), no mês de novembro.
IstoÉ Dinheiro - SP 27/03/2025
O Índice de Confiança da Construção (ICST) subiu 0,7 ponto porcentual na passagem de fevereiro para março, a 95 pontos, após dois meses de retração, informou nesta quarta-feira, 26, a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, a média móvel trimestral do índice recuou 1,7 ponto.
“O primeiro trimestre de 2025 encerra com uma melhora na confiança setorial: houve pequena alta dos indicadores de expectativas e de avaliação do ambiente atual de negócios. No entanto, o movimento de março não foi disseminado pelos segmentos setoriais e não recuperou a queda dos dois primeiros meses”, afirmou, em nota, a coordenadora de Projetos da Construção do Ibre/FGV, Ana Maria Castelo.
Ela ainda observa que a sondagem de março também apontou novamente uma desaceleração da atividade, mas que isso deve ser revertido, uma vez que as indicações são de retomada das contratações de mão de obra, mantendo o mercado de trabalho pressionado.
Houve, nesta leitura, avanço de 0,5 ponto no Índice de Situação Atual (ISA-CST), a 94,2 pontos, e houve crescimento de 0,8 ponto no Índice de Expectativas (IE-CST), a 96 pontos. O avanço do ISA-CST foi puxado pela alta do indicador de situação atual dos negócios, que subiu 0,7 ponto, a 93,5 pontos, e pelo indicador de volume de carteira de contratos, que subiu 0,3 ponto, a 94,8.
Já no IE-CST, os dois componentes avançaram: o indicador de demanda prevista nos próximos três meses subiu 0,4 ponto, a 98,2 pontos, e o indicador de tendência dos negócios teve alta de 1,2 ponto, a 93,7 pontos.
O Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) da Construção caiu 1,1 ponto porcentual, para 79,5%. O Nuci de Mão de Obra recuou 1,5 ponto e o Nuci de Máquinas e Equipamentos retraiu 1,2 ponto.
O Estado de S.Paulo - SP 27/03/2025
Agentes do mercado imobiliário e financeiro estão prevendo uma demanda “absurda” no leilão pela Prefeitura de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da Operação Consorciada Urbana Faria Lima, previsto para acontecer até a metade do ano. Se vender todo o estoque de títulos, o certame pode movimentar em torno de R$ 3 bilhões.
Muitos empreendimentos não saíram do papel nos últimos anos justamente pela falta de títulos que lhes permitissem aproveitar melhor o terreno. Portanto, é esperada que a maior fonte de demanda venha das empresas que já têm terrenos na região ou opções de compra de áreas, contando com projetos já avançados. Essa demanda, por si só, seria suficiente para consumir grande parte do estoque de Cepacs que será leiloado, dizem fontes.
“Este será o último leilão da Faria Lima. Há uma demanda absurda. Todas as incorporadoras precisam de Cepacs. Há ao menos uns cinco a seis projetos dependendo deste leilão para prosseguir”, afirmou uma fonte que atua na ponta das vendas e falou reservadamente com a Coluna. “O tamanho do leilão chama atenção porque há muita demanda que já está lá, vinda de empresas que já estão no jogo”, apontou outra fonte, de consultoria imobiliária.
Empresa da família Dellape Baptista é candidata
Entre as apontadas como candidatas naturais a participar do futuro leilão de Cepacs está a Partage, empresa de propriedades comerciais da família Dellape Baptista, uma das fundadoras da farmacêutica Aché. Ela já é dona de alguns andares nos prédios mais caros da Faria Lima, como o Birmann 32 (o prédio da baleia) e o Plaza Iguatemi (em frente ao shopping). Além disso, possui o terreno onde funcionou o clube Arena XP, quase na esquina com a Avenida Juscelino Kubitschek. Hoje a área está ociosa, mas com potencial para se transformar em um empreendimento de classe AAA no futuro.
Outra possível participante é a Stan, dona do terreno cercado de tapumes na esquina da Faria Lima com a Cidade Jardim. O local deve abrigar um prédio corporativo no futuro, cujo porte final dependerá da quantidade de Cepacs empregados no projeto. A Bolsa de Imóveis, tradicional empreendedora da região, também é vista como potencial participante do leilão, já que possui ao menos três projetos dentro do perímetro da Operação Faria Lima.
Algumas quadras também devem passar por transformações significativas. É o caso do quarteirão onde ficava o antigo Octavio Café. A família Quércia, dona do imóvel, chegou a negociar a sua venda para a Helbor no ano passado, mas o negócio não se concretizou. Agora, os Quércia têm estudado desenvolver um empreendimento por conta própria ali.
Largo da Batata também é alvo
O Largo da Batata também será uma zona de transformação. A gestora Jacarandá Capital possui uma área equivalente a dois quarteirões ali, resultado de uma série de aquisições de casas e pequenos comércios que, no futuro, serão demolidos para dar lugar a um novo complexo imobiliário. Para isso, a gestora negocia com incorporadoras. O local já é relativamente perto do núcleo que concentra mais escritórios triplo A na Faria Lima (entre Cidade Jardim e JK) e tem metrô por perto, o que representa um grande atrativo para futuros projetos.
Além das construtoras e fundos de investimento, o leilão de Cepacs pode atrair até um bancão. O Itaú Unibanco é o dono do Edifício Faria Lima 3.500, adquirido em 2024 por R$ 1,5 bilhão, tornando o imóvel conhecido como o prédio de escritório mais caro do Brasil. Ali funciona o seu braço de investimento, o Itaú BBA. Pois bem, esse edifício pode ganhar um “puxadinho”. Isso porque o imóvel tem uma área construída que equivale a cerca de 2,5 vezes o terreno, mas ele poderia chegar a 4,0 vezes mediante acréscimo de Cepacs. O prédio foi construído pela Tishman Speyer (a mesma do Rockefeller Center, em Nova York) e já tem fundação e estrutura preparada para receber mais andares.
No entanto, a nova safra de empreendimentos vai depender do preço final dos Cepacs. A estimativa é que ele saia por R$ 17,6 mil, valor igual ao do último leilão. Por enquanto, não está claro se o valor terá que ser atualizado pela inflação. Incorporadores calculam que o custo de novos prédios (terreno + obra + Cepacs) já está saindo por R$ 36 mil a R$ 38 mil por metro quadrado, um nível próximo do valor de venda dos últimos empreendimentos. “O setor já está no limite. Se subir muito o valor do Cepac, a conta já não fecha”, estimou um consultor.
Valor - SP 27/03/2025
Empresa recebeu autorização para iniciar o processo, com declaração de utilidade pública dos imóveis que terão que ser retirados para dar lugar à linha, que deverá demandar R$ 1,5 bilhão de investimento
O projeto da Cedro Participações de construir um ramal ferroviário em Minas Gerais, com caráter totalmente privado, deverá avançar para a fase de desapropriações. A empresa recebeu autorização para iniciar o processo, com a publicação da declaração de utilidade pública dos imóveis que terão que ser retirados para dar lugar à linha, que deverá conectar as cidades de Mateus Leme e Mário Campos.
Trata-se de uma “short line”, ou seja, um ramal de menor porte que deverá se conectar a uma malha nacional, no caso, a da MRS. O empreendimento deverá demandar R$ 1,5 bilhão de investimento.
O projeto ainda tem um longo caminho para efetivamente sair do papel. Pelo cronograma, a ideia é iniciar as obras em 2028, afirmou Marcus Santarém, diretor de desenvolvimento de negócios da Cedro.
“A iniciativa da Cedro surgiu a partir da lei das autorizações de ferrovias [de 2021]. Percebemos uma oportunidade na região de Serra Azul, em Minas Gerais. Quando observamos as cinco mineradoras da região, todo transporte é feito pela via rodoviária. Há um ônus no processo, muito acidente. Nos últimos quatro anos, na BR-381 nesse trecho houve 440 acidentes fatais. E tem um estrangulamento rodoviário, porque as mineradoras estão ampliando a carga”, disse ele.
A empresa entrou com o pedido para a autorização no fim de 2023 para a construção da “short line”. A autorização foi concedida em outubro de 2024, e o contrato de adesão foi firmado em novembro.
A companhia também decidiu já iniciar os estudos de licenciamento ambiental, que deverão ser protocolados em setembro deste ano, além das análises de topografia e sondagens para a elaboração do projeto básico.
Se tudo correr bem, as obras seriam iniciadas em 2028, com duração de cerca de 2,5 anos, o que significa o início da operação em 2030, segundo Santarém.
Ao longo dos últimos anos de estudos, a empresa já fez ajustes no traçado da linha, que deverá ter cerca de 30 km de extensão. A expectativa é que o ramal tenha capacidade de movimentar 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
Com as desapropriações, o projeto da Cedro deverá se tornar uma das primeiras iniciativas de autorização ferroviária federal a caminhar — dentre uma longa lista de obras bilionárias anunciadas pelo governo federal. Em setembro de 2022, o então Ministério dos Transportes chegou a anunciar que 89 propostas de ferrovias privadas, com investimentos projetados de R$ 258 bilhões, haviam sido protocolados. Desde então a cifra era vista no mercado de infraestrutura com muito ceticismo e, até o momento, as autorizações do governo federal ainda não decolaram. Nesse segmento, as chamadas “short lines” são vistas como os projetos mais viáveis do gênero, por serem de porte menor e menos complexas.
Segundo Santarém, esta é a única iniciativa de “short line” da Cedro, mas o mercado tem potencial. “É um projeto que tem demandado muito trabalho, estamos usando para adquirir bagagem, porque não somos do meio. Mas obviamente, se houver novas oportunidades, teremos interesse.”
CNN Brasil - SP 27/03/2025
O secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, afirmou em entrevista ao CNN Talks, que os projetos para concessões ferroviárias do governo federal seguem se mostrando atrativas apesar dos juros altos.
Santoro participou do CNN Talks “Os Desafios para o Avanço da Infraestrutura no Brasil: Caminhos para o Crescimento”, em Brasília”Apesar de os juros terem subido no Brasil, todos os nossos processos seguem se mostrando atrativos para parceiros nacionais e internacionais. Contratamos mais de R$ 100 bilhões até aqui”, disse.
A taxa Selic está em 14,25% ao ano, patamar restritivo a investimentos e potencialmente danosos à atratividade de projetos em infraestrutura.
Santoro destacou que a carteira do Ministério para este ano engloba R$ 160 bilhões. Também é uma novidade para este ano a possibilidade de “pontapé inicial” nos leilões ferroviários.
Há previsão de que o certame da EF-118, ferrovia de 575 quilômetros que ligará os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, aconteça em dezembro.
Portos e Navios - SP 27/03/2025
A Vale firmou um acordo com a Wabtec Corporation para a compra de 50 locomotivas da série Evolution, que serão destinadas à Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e à Estrada de Ferro Carajás (EFC). A aquisição faz parte da estratégia da empresa para modernizar sua frota ferroviária e avançar em seu programa de descarbonização. As locomotivas serão fabricadas em Contagem (MG), com entregas previstas a partir de 2026.
O plano prevê a integração de 36 locomotivas EVOBBW na EFVM e 14 ES58Aci na EFC, ambas com capacidade para operar com maiores proporções de biodiesel, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa. Vale e Wabtec também planejam testes para aumentar essa proporção no futuro. As locomotivas Evolution contam com motores a diesel avançados e tração AC, oferecendo até 50% mais capacidade de tração, redução de até 6% no consumo de combustível e emissões de CO2, além de manutenção mais espaçada e eficiente. O modelo já opera na EFC e agora será incorporado também à EFVM.
CNN Brasil - SP 27/03/2025
O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, disse que o projeto da Ferrogrão está “parado nas mãos do governo federal”. A declaração foi realizada nesta quarta-feira (26) durante o evento CNN Talks Caminhos para o Crescimento .
A Ferrogrão liga as regiões produtoras de grãos do Mato Grosso aos portos do Arco Norte, no Pará. A ideia é de que os trilhos fortaleçam a rota para exportação de soja e milho.
O projeto da ferrovia está no Supremo Tribunal Federal (STF) devido a uma ação do Psol, que questiona a destinação de parte do Parque Nacional do Jamanxim (PA) a iniciativa da estrada de ferro.
Na avaliação de Mauro Mendes, a pendência da ferrovia no STF traz insegurança para o ativo, uma vez que o torna menos atrativo para o investidor.
Para tentar avançar no tema, o governo federal instituiu um grupo de trabalho sobre a Ferrogrão, de modo a se debruçar, em especial, aos aspectos de viabilidade socioambiental e econômica do projeto.
Durante o evento, o governador disse também que há viabilidade e demanda para a coexistência de três ferrovias no estado: Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), para a malha ferroviária da Rumo e para a construção da Ferrogrão. De acordo com Mauro Mendes, o estado produz 100 milhões de toneladas de grãos que precisam ser escoados.
Infomoney - SP 27/03/2025
O leilão do lote Alto Tietê, que reúne as linhas 11, 12 e 13 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), deve ser disputado pela CCR (CCRO3) – pela ViaMobilidade – e pela Comporte nesta sexta-feira (28).
A entrega da proposta foi feita ontem (25), na sede da B3.
De acordo com o Valor, a empresa francesa Transdev também estudou o projeto, mas teria desistido recentemente da licitação.
A concessão será de 25 anos e demandará R$ 14 bilhões em investimentos. O vencedor será o licitante que oferecer o maior desconto nas contribuições do estado, sendo o valor máximo de R$ 1,49 bilhão por ano.
O governo também contribuirá com mais R$ 10 bilhões para viabilizar as obras.
A CCR é vista como a favorita para vencer este leilão, e acredita-se que a Comporte priorizará o projeto das Linhas 10 e 14 que serão leiloados em breve.
Na visão do Bradesco BBI, a CCR pode reforçar sua divisão de mobilidade urbana se ganhar o projeto.
O leilão
A sessão pública do leilão na sexta ocorrerá na B3, em São Paulo, e prevê um investimento de R$ 14,3 bilhões ao longo de 25 anos da futura concessão, com melhorias significativas para os passageiros e ampliação dos serviços prestados, de acordo com comunicado do governo estadual.
Ainda de acordo com a gestão estadual, a concessão trará melhorias operacionais, estruturais e tecnológicas para os passageiros, incluindo a requalificação das três linhas e a ampliação da rede ferroviária.
“Serão construídas oito novas estações e reformadas 24 já existentes, além da eliminação de todas as passagens em nível, que serão substituídas por passarelas, viadutos ou passagens subterrâneas, garantindo mais segurança para os passageiros e maior fluidez no trânsito urbano.”
Até 2040, a previsão é que as três linhas transportem juntas 1,3 milhão de passageiros por dia em média útil.” A concessão permitirá a redução do intervalo entre trens, garantindo uma operação mais eficiente nas diferentes linhas”, segundo o governo estadual.
Linhas já concedidas
As linhas 8 – Diamante e 9 – Esmeralda são operadas pela ViaMobilidade desde janeiro de 2022. Ao longo dos últimos anos, porém, ambas registraram inúmeras falhas e o Ministério Público de SP chegou a recomendar que o contrato fosse rompido. Em agosto de 2023, a concessionária assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MP se comprometendo a implementar melhorias.
Agência Camara - DF 27/03/2025
O Projeto de Lei 733/25, em análise na Câmara dos Deputados, cria um novo marco regulatório para o setor portuário brasileiro, em substituição ao que está em vigor desde 2013 (Lei 12.815/13). Com 151 artigos, o texto promove uma série de alterações na regulação, precificação dos serviços, contratação de mão de obra e licenciamento ambiental.
A proposta é de autoria do deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA) e replica o anteprojeto elaborado por uma comissão de juristas criada pela Câmara que estudou uma nova legislação para o setor portuário. O anteprojeto foi aprovado pela comissão no ano passado.
Iniciativa e burocracia
Lomanto Júnior disse que o PL 733/25 prestigia a livre iniciativa e reduz a burocracia, o que deve aumentar a competitividade do setor portuário brasileiro.
“Os portos desempenham um papel fundamental no comércio exterior e necessitam de um marco regulatório moderno que favoreça a eficiência, a segurança e a competitividade”, disse o parlamentar.
Licenciamento e preços
Uma das principais mudanças que o PL 733/25 traz é o licenciamento ambiental integrado dos portos públicos, o que dispensará as licenças individualizadas para a instalação de terminais portuários e de cruzeiros.
O texto também estabelece que os preços a serem praticados pelos terminais dos portos serão negociados livremente, desde que respeitadas as normas concorrenciais. Atualmente, as tarifas portuárias são estabelecidas ou supervisionados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Trabalhadores avulsos
Outra mudança importante é o fim da exclusividade da contratação de trabalhadores avulsos, via órgão gestor de mão de obra (Ogmo). O projeto permite ao operador privado contratar qualquer trabalhador portuário devidamente certificado para a profissão.
Além disso, o trabalhador poderá exercer sua função em qualquer porto do país, e não apenas no porto ao qual está ligado. A Antaq manterá um cadastro de todos os trabalhadores com certificação profissional.
Antaq, contratos, conselhos
O PL 733/25 traz ainda outras mudanças:
amplia os poderes da Antaq, para, por exemplo, conceder portos privados e regular os terminais retroportuários alfandegados (hoje à cargo da Receita Federal); obriga a União à implantar e gerir a Janela Única Aquaviária, um sistema digital que simplifica os procedimentos de estadia dos navios nos portos; prorroga todos contratos de arrendamento vigentes, de qualquer época, por até 70 anos; amplia as atribuições dos conselhos de autoridade portuária, como sabatinar os indicados à diretoria da autoridade portuária; permite à autoridade portuária celebrar contratos de transição para uso de área portuária até que sejam concluídos os procedimentos da outorga; permite ainda a criação da uma câmara de autorregulação para solucionar disputas entre atores portuários.
Conheça a tramitação de projetos de lei
Petro Notícias - SP 27/03/2025
A Petrobrás e a empresa americana de serviços NOV assinaram um acordo pré-comercial para o desenvolvimento de dutos flexíveis projetados para aplicações em águas profundas com altos níveis de CO2. A parceria tem como foco a criação de uma blindagem de aço inoxidável para combater a corrosão sob tensão (SCC, na sigla em inglês) causada pelo CO2. Trata-se de um desafio persistente nas operações submarinas de óleo e gás.
O contrato prevê que a Petrobrás invista no desenvolvimento e na qualificação dessa nova tecnologia, trabalhando em estreita colaboração com a NOV para garantir que a solução atenda aos rigorosos padrões da indústria. O projeto está voltado para o desenvolvimento de risers e linhas de fluxo de 6 e 8 polegadas, utilizados na produção e injeção de gás, que sejam capazes de suportar altos níveis de CO2 em ambientes de águas profundas.
“Trabalhando de perto com a Petrobrás, desenvolvemos uma solução inovadora e prática para as demandas do mercado. Este contrato é uma prova de como a colaboração impulsiona avanços tecnológicos que, no fim das contas, beneficiam toda a indústria”, afirmou o diretor sênior de desenvolvimento de novos produtos da unidade de Sistemas de Produção Submarina (SPS) da NOV, Jan Rytter.
Segundo a NOV, a nova tecnologia não apenas resolverá o problema da corrosão sob tensão, mas também preservará as principais características dos dutos flexíveis convencionais — como facilidade de instalação e compatibilidade com embarcações e infraestrutura existentes — garantindo uma integração eficiente e econômica aos projetos da Petrobrás.
Petro Notícias - SP 27/03/2025
A TechnipFMC anunciou um novo negócio no Brasil, na esteira do anúncio da decisão de investimento da Shell no bloco de Gato do Mato, na Bacia de Santos. A empresa franco-americana recebeu um grande contrato integrado de Engenharia, Suprimentos, Construção e Instalação (iEPCI) para o desenvolvimento submarino de Gato do Mato, localizado na costa do Rio de Janeiro, em profundidades entre 1.750 e 2.050 metros. O valor exato do negócio não foi divulgado, mas a TechnipFMC disse que o contrato passa de US$ 1 bilhão.
Em um comunicado ao mercado, a TechnipFMC explicou que, além da execução integrada, o projeto utilizará os sistemas de produção submarina configure-to-order (CTO) Subsea 2.0. A companhia afirma que a combinação dessas soluções permitirá uma gestão de projeto mais eficiente por meio de uma única interface, acelerando o tempo até a primeira produção de óleo.
“Ao longo de nossa parceria de 30 anos com a Shell, construímos um histórico sólido de entregas bem-sucedidas. Nosso sucesso na integração e industrialização de soluções inovadoras nos dá total confiança para fornecer a previsibilidade de cronograma que a Shell exige para este projeto de destaque no Brasil”, comentou o presidente da unidade de Subsea da TechnipFMC, Jonathan Landes.
Gato do Mato é uma descoberta de gás-condensado no pré-sal que abrange dois blocos contíguos: BM-S-54, um contrato de concessão assinado em 2005, e Sul de Gato do Mato, um contrato de partilha de produção (PSC) obtido em 2017. O consórcio responsável pelo projeto é formado pela Shell (operadora, com 50% de participação), Ecopetrol (30%), TotalEnergies (20%) e a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), que atua como gestora do contrato de partilha de produção.
A decisão final de investimento (FID) para o desenvolvimento em águas profundas foi anunciada na última semana. O projeto prevê a instalação de um navio-plataforma (FPSO), com capacidade para produzir até 120 mil barris de petróleo por dia, e está programado para entrar em operação em 2029.
Infomoney - SP 27/03/2025
Os preços do petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira, impulsionados por dados que mostram que os estoques de petróleo e de combustíveis dos Estados Unidos caíram na semana passada e por preocupações crescentes com uma oferta global mais restrita, após a ameaça dos EUA de impor tarifas aos países que compram petróleo venezuelano.
Os preços futuros do petróleo Brent subiram 1,05%, para US$73,79 por barril. Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA fecharam em alta de 0,94%, a US$69,65 por barril.
Em suas máximas da sessão, ambos os índices de referência subiram mais de US$ 1 por barril.
Os estoques de petróleo dos EUA caíram na semana passada, com as refinarias continuando a aumentar a produção, enquanto os estoques de gasolina e refinados também caíram, disse a Administração de Informação de Energia (AIE).
Os estoques de petróleo caíram em 3,3 milhões de barris para 433,6 milhões de barris na semana encerrada em 21 de março, disse a AIE, uma queda maior do que os 956.000 barris que os analistas esperavam em uma pesquisa da Reuters.
Na terça-feira, o comércio de petróleo venezuelano para o principal comprador, a China, foi paralisado depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas aos países que compram de Caracas. Dias antes, as sanções dos EUA visaram às importações chinesas do Irã.
Valor - SP 27/03/2025
Com R$ 4 bi de obras e recursos de acordo da Vale, projeto deve ser licitado em 10 de julho
MG tem ainda a licitação do lote Vetor Norte em junho, diz Bruno, secretário — Foto: Divulgação
O governo de Minas Gerais deverá publicar nesta sexta-feira (28) o edital da concessão rodoviária Ouro Preto-Mariana, que prevê cerca de R$ 4 bilhões de investimentos. O leilão deverá ser realizado no dia 10 de julho, na sede da B3, em São Paulo, afirmou ao Valor o secretário estadual de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno.
O projeto receberá recursos públicos, fruto do acordo de reparação firmado com a Vale, pelo desastre em Mariana. Serão destinados até R$ 2 bilhões à concessão, mas o montante poderá cair a depender da concorrência. O critério da licitação deverá ser o maior desconto sobre esse valor.
“Inicialmente a modelagem do projeto trazia uma tarifa elevada. O objetivo de incluir o aporte público foi garantir modicidade tarifária. Isso também torna a concessão mais atrativa, porque a exposição do investidor diminui, o que abre para mais interessados”, diz o secretário.
Os investimentos previstos no contrato incluem 119 km de duplicações, 30 km de terceiras faixas e 65 km de acostamentos. “São obras de engenharia complexas, por conta da topografia da região, de serra”, afirma.
Pelo cronograma, as intervenções estão concentradas nos seis primeiros anos da concessão - nesse período, deverão ser pagas as parcelas do aporte público, de até R$ 2 bilhões. O valor deverá ser dividido em seis desembolsos, liberados pelo governo de acordo com o avanço das obras.
Por conta do desafio de engenharia, Bruno diz que o projeto tem atraído empresas do setor, mas também grupos com outro perfil. “Grupos com perfil de construção têm vantagem, mas há também interesse de empresas financeiras e de operadores de infraestrutura”, diz.
Além do leilão do lote Ouro Preto-Mariana, o governo de Minas Gerais também já tem marcada uma outra licitação de concessão rodoviária, do lote Vetor Norte, que deverá ser realizada no dia 13 de junho e prevê investimentos de R$ 2,9 bilhões.
O secretário diz estar otimista para a atração de investidores também nesse projeto. “Vejo interesse de grupos que já estão atuando em Minas Gerais e têm interesse de expandir o portfólio, como a EPR, a Ecorodovias, a Via Appia [da Starboard ]. E mesmo quem entrou recentemente nas concessões federais do Estado, como a [francesa] Vinci. Temos tido procura de diversos grupos.”
Brendon Azevedo Ramos, presidente da Via Appia, diz que a empresa estuda tanto o lote Vetor Norte quanto o Ouro Preto-Mariana, mas que ainda não há decisão tomada sobre apresentar oferta - no primeiro projeto, a análise está em fase final.
Investimentos incluem 119 km de duplicações, 30 km de terceiras faixas e 65 km de acostamentos
O executivo avalia que o cenário de juros mais elevados e os riscos de engenharia do projeto podem dificultar a viabilidade. “Com certeza o cenário afeta, com a Selic subindo. Os projetos foram modelados com taxa Selic pouco acima de 10%, não tem um prêmio de risco alto. Então o risco do projeto também tem que ser baixo, mas vemos questões de ‘capex’ [investimento] que trazem mais risco. A gente vai olhar os fundamentos do negócio, não vamos assumir que vai melhorar o cenário”, diz ele.
Questionada sobre os projetos, a EPR diz que “tem como disciplina avaliar as oportunidades do setor, respeitando seu modelo de negócio”. A Ecorodovias afirma que “tem acompanhado e avaliado todos os programas de concessões de rodovias” e que seguirá focada “na execução dos investimentos já contratados e analisando novos projetos de forma seletiva”. A Vinci não respondeu até o momento.
O secretário diz que o governo mineiro está atento aos desafios trazidos pelo cenário macroeconômico, mas que acredita na viabilidade dos projetos. No caso do lote Ouro Preto-Mariana, o Estado trabalha com uma taxa interna de retorno do projeto de 11,26%. Ele também diz que a concessão inclui mecanismos de compartilhamento de riscos com o concessionário privado, que ajudam na atratividade.
Além disso, ele destaca que o Estado está perto de viabilizar a criação da nova agência reguladora de transportes, o que tem sido uma demanda das empresas. “Estamos próximos da aprovação em segundo turno [na Assembleia Legislativa] para a criação do órgão. Nossa expectativa é ter a aprovação em abril. Com isso, a agência reguladora poderá entrar em operação dentro de até seis meses, vamos acelerar ao máximo”, afirma. A ideia é que quando os novos contratos forem assinados, que o órgão já esteja em funcionamento. Para Ramos, da Via Appia, esse passo tem peso relevante na análise dos investimentos no Estado.
Além dos dois leilões rodoviários já agendados, o governo mineiro tem como meta fazer mais três licitações de estradas no segundo semestre. A ideia é lançar a consulta pública dos lotes Zona da Mata e Noroeste Mineiro entre junho e julho, para que os leilões sejam realizados até o fim de 2025. Em setembro também deverá ser aberta a consulta do lote Quadrilátero Ferrífero, com o objetivo de fazer a concorrência até o início do próximo ano, segundo o secretário. Somando os cinco leilões em preparação, a estimativa é contratar R$ 20 bilhões em investimentos no Estado.
Agrolink - RS 27/03/2025
A Reforma tributária pode trazer impactos diretos para o agronegócio, setor que representa cerca de 24% do PIB brasileiro e 23,7% da arrecadação tributária nacional. Segundo o artigo “Reforma Tributária: agronegócio enfrenta desafios e busca oportunidades em novo cenário” produzido pela Gerente de Inteligência Tributária da Synchro, Veridiana Selmi, o agronegócio é um dos segmentos mais afetados por essa reformulação. “Apesar de certas percepções de que o setor seria isento de tributos, ele sustenta uma carga tributária significativa e complexa, composta por tributos como ICMS, PIS/Cofins e Funrural. A expectativa é que a reforma tenha repercussões ambíguas, trazendo desafios expressivos, mas também oportunidades para o futuro” comenta Selmi.
Um dos principais pontos de atenção é o fim dos regimes especiais e benefícios fiscais. A substituição de tributos pode elevar a carga tributária do agronegócio. “Com a substituição de tributos como a Contribuição para o PIS, a Cofins e o ICMS pela CBS e pelo IBS, a carga tributária sobre o agronegócio pode aumentar para 11%, um salto significativo em relação à média atual, que gira em torno de 3% a 4%. Essa transição significa que produtos até então tributados com alíquotas reduzidas ou isentas para estimular a competitividade, como óleos vegetais e defensivos agrícolas, terão agora uma carga tributária unificada e elevada, com a exclusão de vários incentivos específicos”, afirma a gerente da Synchro.
Para pequenos produtores, a elevação nos custos ameaça a viabilidade da produção. “Com margens apertadas, esse aumento nos custos representa um desafio real para manter a viabilidade de sua produção. O aumento nos preços dos insumos e a dificuldade de repassar essas despesas extras ao consumidor, em um mercado de alta competitividade global, podem impactar toda a cadeia, desde a produção até a comercialização de alimentos”, destaca Selmi.
Outro fator de preocupação é a tributação sobre insumos agrícolas, que impacta diretamente os custos de produção e o preço do final dos alimentos. Atualmente, a Lei Kandir garante a não incidênciade ICMS sobre exportações, o que reduz o custo de muitos insumos essenciais. No entanto, a reforma pode eliminar esse benefício tributário, resultando no encarecimento de produtos, elevação do preço dos alimentos e afetando diretamente o consumidor final.
Além disso, a criação do chamado "Imposto Seletivo" poderá aumentar os custos de produção ao tributar bens considerados prejudiciais ao meio ambiente. Para Selmi, a medida pode desestimular práticas amplamente utilizadas para a produtividade agrícola em larga escala.
Apesar das preocupações, a reforma também traz opotunidades, como o princípio da não-cumulatividade, que permitirá aos produtores rurais aproveitarem integralmente os créditos tributários. “Eliminando o ‘efeito cascata’ presente hoje e reduzindo o custo final dos produtos. Isso significa que, em vez de pagar tributos sobre tributos em cada etapa de produção, o setor poderá aliviar parte da carga fiscal”, explica Selmi.
Outro aspecto positivo é a isenção da CBS e do IBS para produtos da cesta básica, como arroz, feijão, carnes e cereais. A medida assegura o acesso a alimentos essenciais com menor carga tributária. A decisão pode beneficiar tanto os consumidores quanto os produtores, além de fortalecer a competitividade do setor no mercado internacional. O agronegócio já responde por mais de 50% das exportações brasileiras e tem papel central na balança comercial do país.
Para enfrentar as mudanças, o setor precisará adaptar suas práticas fiscais e operacionais. “Adaptar-se a esse novo cenário tributário exigirá organização e, possivelmente, investimentos em tecnologia para otimizar o processo de compliance. As cooperativas, que frequentemente estão na linha de frente da arrecadação no agro, como a Cooperativa Alfa, que contribui com R$ 1 milhão em tributos diários, terão papel fundamental em disseminar essas práticas entre os produtores”, ressalta Selmi.
O cenário ainda exige atenção, já que as regulamentações finais definirão o real impacto sobre o setor. “A transformação do sistema tributário, se bem planejada, pode tanto consolidar o protagonismo do agronegócio na economia quanto abrir novas frentes para expandir sua competitividade global”, avalia Selmi.
No entanto, a necessidade de equilíbrio entre aumento de arrecadação e estímulo ao setor permanece como um dos desafios para o futuro do agro no Brasil.