Clipping Diário

28 | Março | 2025

SIDERURGIA

Globo Online - RJ   28/03/2025

Negociadores brasileiros e americanos já se reuniram quatro vezes, e há outras conversas programadas, para um acordo que tire o Brasil da linha de frente da guerra comercial deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As prioridades são a taxação em 25% sobre o aço e a aplicação de tarifas recíprocas pelos EUA contra o Brasil.

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que, diante da falta de perspectiva em torno de um entendimento a curto prazo, não se pode descartar a possibilidade de a Casa Branca optar por uma tarifa linear. Ou seja, que atinja todos os bens da pauta de exportações do Brasil.

Embora não seja algo dado como certo, é possível que todos os produtos exportados para os EUA sejam sobretaxados. Uma das razões é que, para adotar alíquotas recíprocas a bens que têm imposto maior do que o aplicado nos EUA, casos do etanol e dos automóveis do Brasil, será necessário examinar cada um dos milhares de itens que entram naquele país, processo que seria trabalhoso e demorado.

Também não há, até o momento, uma previsão clara sobre a data em que as tarifas recíprocas entrarão em vigor. No próximo dia 2 de abril, automóveis de todos os países exportados para os EUA terão uma alíquota de 25%. O percentual é menor do que o aplicado pelo Brasil, de 35% mas, de acordo com um executivo do setor automotivo, é muito pequena a quantidade de veículos brasileiros que vão para os EUA.

Aço

Interlocutores do governo Lula ouvidos pelo GLOBO avaliam que há perspectivas positivas para um acordo que permita que uma determinada quantidade de produtos siderúrgicos entre no mercado americano sem a sobretaxa, por um regime de cota. O que passar do volume acertado será tributado em 25%. Porém, a expectativa é que isso ocorra em alguns meses, e não em poucas semanas, como esperavam autoridades e representantes do setor privado do Brasil.

Em reunião com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, logo após o anúncio da tarifa de 25% sobre aço e alumínio, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, chegou a pedir o adiamento da medida por um mês, com o argumento de seria preciso tempo para uma negociação. Uma autoridade do governo brasileiro revelou que os americanos negaram o pedido, pois a sobretaxa era para o mundo inteiro, e não apenas para o Brasil. Assim, haveria pressão de outros países para a postergação.

A sobretaxa de 25% sobre aço e alumínio passou a vigorar no último dia 12, mas as negociações começaram uma semana antes, com uma reunião entre Alckmin, Greer e o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick. O governo brasileiro alega que o Brasil não é uma ameaça às indústrias americanas, porque as economias dos dois países são complementares. E ressalta que o que vai para os EUA é matéria-prima para o aço, e não produto acabado.

O governo do Brasil afirma, ainda, que a balança comercial entre os dois países, de US$ 80 bilhões, é favorável aos EUA. No ano passado, houve um saldo positivo de cerca de US$ 200 milhões para os americanos. Outro argumento usado pelos negociadores é que, dos dez produtos que o Brasil mais exporta para os EUA, oito deles têm alíquota zero.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   28/03/2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira, 27, que o governo mantém sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2,3% este ano, apesar de o Banco Central (BC) ter revisto sua projeção de 2,1% para 1,9% no Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado horas antes.

“Eu não vi o relatório, mas nós continuamos com a previsão de crescimento da economia brasileira na forma da lei orçamentária, nós não revimos ainda o PIB (Produto Interno Bruto), nós continuamos acreditando num crescimento acima de 2%”, disse o ministro. Em fevereiro, a Secretaria de Política Econômica (SPE) revisou a projeção para o PIB de 2025 de 2,5% para 2,3%.

Haddad disse que os dois órgãos são sérios e têm liberdade de fazer prognósticos, mas reiterou que são apenas “aproximações” — apesar de as estimativas da SPE, segundo ele, terem ficado mais próximas do cenário realizado nos últimos dois anos.

“Eu penso que a Secretaria de Política Econômica tem feito um bom trabalho de dois anos para cá no sentido de se aproximar mais fidedignamente das projeções do que foi realizado. Nossas projeções têm sido bastante próximas do que de fato está acontecendo na economia brasileira. Mas enfim, todo o subsídio é bem-vindo, sobretudo de órgãos públicos com respeitabilidade técnica para informar a população”, afirmou.

O ministro também reiterou que tem o mesmo objetivo do BC de cumprir o regime de metas de inflação. “As declarações que eu dei recentemente a respeito da conduta do Banco Central vão na mesma direção, então eu não vejo dissonância entre as falas, muito pelo contrário, nós estamos com o mesmo objetivo de cumprir o novo regime de metas que foi inaugurado, que é o abandono do ano e a favor da meta contínua, justamente para dar ao Banco Central uma inteligência maior na trajetória de percepção da meta”, comentou.

Haddad disse ainda que o IBGE tem uma metodologia consagrada para o cálculo da inflação e que o próprio Banco Central já avalia núcleos de inflação nas suas análises, desconsiderando certos itens voláteis. O ministro foi questionado sobre a declaração dada esta semana pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, em que elogiou o foco do Federal Reserve (Fed, banco central americano) nas decisões sobre política monetária ao núcleo de inflação, que exclui itens voláteis como alimentos e energia.

“Na verdade, o Banco Central avalia os núcleos de inflação, muitas vezes eles desconsideram certa volatilidade de determinados preços, quer dizer, a análise dos núcleos já leva em consideração efeitos sazonais, determinado comportamento em virtude de choques externos, como é o caso de condições climáticas. O Banco Central tem uma metodologia de observância dos núcleos que efetivamente vão ao encontro daquilo que o vice-presidente imagina”, comentou Haddad.

Veja - SP   28/03/2025

Calibrar a Selic, a taxa básica de juros do país, é o principal e, em realidade, basicamente o único mecanismo utilizado pelo Banco Central brasileiro na sua missão de impedir o descontrole da inflação e mante-la dentro das metas estabelecidas pelo país. Para o ex-diretor do BC Luís Eduardo Assis, trata-se de um leque muito pequeno – além de pouco eficaz em muitas situações – dentro de todas as ferramentas de política monetária que a literatura sobre o assunto já prevê e a que bancos centrais de diversos países recorrem. “A política anti-inflacionária brasileira é um samba de uma nota só; só tem a Selic”, disse Assis em conversa com VEJA. Assis foi diretor de política monetária do Banco Central entre 1990 e 1991 e já passou pela cúpula de grupos financeiros como Citibank, HSBC e Fator, além de integrar o conselho de grandes empresas.

A taxa de juros se consolidou nas últimas décadas, de fato, como a principal ferramenta no controle da inflação em todo o mundo. A noção básica e quase inexorável é que, quanto maiores os juros, mais caro fica o crédito, o que desestimula o consumo e os investimentos, vai aos poucos esfriando a economia e a demanda até, por fim, reduzir uma inflação que esteja mais alta do que o desejável.

Para Assis, entretanto, esse remédio não é plenamente eficiente em muitas situações, em especial quando as altas de preços são causadas por choques de oferta ou fenômenos externos, sobre os quais os juros domésticos têm pouco efeito. Por atuarem sozinhos, os juros acabariam tendo que ficar altos demais em determinados momentos de picos ou persistência inflacionária – como acontece atualmente no Brasil, onde a inflação deve passar quase o ano inteiro acima dos 5%, para uma meta que é de 3%, a Selic está acima de 14%, o maior nível em uma década, e, para dificultar ainda mais, o governo nada na direção contrária ampliando o crédito e turbinando a renda da população.

“Esse instrumento de combate à inflação que tem sido utilizado nos últimos anos pelo Banco Central é bastante ineficaz”, disse ele sobre o sobe e desce da taxa básica de juros. “Boa parte da inflação brasileira tem relação com preços internacionais de commodities (como petróleo e alimentos), que têm a ver também com a taxa de câmbio e as mudanças climáticas, e esses são fenômenos que não obedecem à política monetária. A Selic alta ou baixa não vai impedir que o preço dos produtos agrícolas suba se tiver uma seca ou uma inundação.”

Entre os recursos complementares mencionados pelo economista, e pouco usados ou inexistentes na agenda contra a inflação do BC, estão medidas de enxugamento de crédito e também o afinamento na contabilidade da inflação. Desde 1999, quando foi estruturado o sistema de metas e controle da inflação no Brasil, a missão do BC é colocar o IPCA, indicador oficial de preços calculado pelo IBGE, dentro da meta.

Em outros países, como nos Estados Unidos, por exemplo, o Federal Reserve, banco central do país, se guia não pelo índice de preços bruto, como é o nosso IPCA, mas nos chamados núcleos desse índice, que são manipulações estatísticas que retiram do resultado os itens mais voláteis, como alimentos, energia ou passagens aéreas, e, assim, evita a influência de choques pontuais na decisão dos juros, que têm efeito no médio e longo prazo.

É uma proposta que, em meio aos juros altíssimos, à crise de preços nos alimentos e o desespero do governo em limar a inflação em aceleração enquanto sua aprovação derrete, tem sido sugerida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Tecnicamente, faz sentido, mas o ‘timing’ é visto com ressalvas por economistas, já que, se feito de maneira atabalhoada, a adoção dos núcleos poderia antes levar a uma crise de credibilidade e de câmbio do que a um alívio na rigidez da política monetária.

Outra particularidade do Banco Central brasileiro mencionada por Assis é de a autarquia ter um mandato único: sua missão é essencialmente manter a inflação na meta. Em outros BCs, também caso do Fed, a autoridade monetária deve vigiar tanto os aumentos da inflação quanto do desemprego, o que, na prática, acaba contrabalanceando as altas dos juros. “A atividade econômica é um mandato secundário para o Banco Central no Brasil, bem secundário”, disse Assis.

“São coisas que se fazem no mundo inteiro, que estão no livro-texto. Não é tablita, não é congelamento de preços”, disse o economista. “A ampliação do escopo da política anti-inflacionária poderia ser discutida no Brasil, mas acho difícil que entre na pauta atualmente.”

Todas são medidas, de acordo com ele, que poderiam ajudar a moderar os juros no momentos de inflação em alta. Mas, todas elas juntas, ainda assim são apenas paliativos para um dos principais problemas: ter um governo que segue estimulando a economia e ampliando os gastos públicos ao mesmo tempo em que o país tem o problema de uma inflação alta para resolver.

“A política monetária está sendo antagonizada pela política fiscal , tanto pela ampliação dos gastos quanto, mais recentemente, pela ampliação do crédito“, disse Assis. “O resultado disso são juros que precisam ser mais altos e por mais tempo.”

Globo Online - RJ   28/03/2025

A balança comercial brasileira pode perder US$ 3 bilhões em um cenário de tarifa recíproca similar a que o Brasil impõe aos EUA, de 5,8% e, em caso extremo, até US$ 10 bilhões em 2026, caso haja imposição de 25% de cobrança sobre importados brasileiros pelos americanos. Os números fazem parte de um relatório do BTG Pactual, assinado pelos economistas Iana Ferrão e Pedro Oliveira.

o de aeronaves, que tem 63,2% dos americanos como compradores;

O impacto no Brasil seria mais amplo neste cenário mais severo, e causaria impacto no mercado de aeronaves, no agronegócio (incluindo proteínas), açúcar, etanol, bens de capital e até mesmo commodities, como petróleo, celulose e minerais.

Além das tarifas

Na visão do banco brasileiro, a redução de barreiras internas poderia pressionar a indústria nacional. Segundo os economistas, “diversos setores nacionais estão protegidos por medidas não tarifárias, como barreiras sanitárias, licenças, cotas e exigências burocráticas, que dificultam a concorrência estrangeira, mesmo quando a tarifa não é proibitiva”.

Caso haja obrigação de reduzir essas restrições, as indústrias de metais, têxteis e de vestuário, de máquinas e equipamentos, de madeira e produtos plásticos seriam os mais afetados.

Segundo os economistas, são justamente as barreiras não tarifárias que podem fazer com que os EUA sejam incentivados a retaliar com tarifas aos produtos brasileiros.

Chances grandes de tarifas recíprocas, diz Fitch

O documento da agência de classificação de risco Fitch afirma que as maiores diferenças entre as tarifas cobradas aos produtos americanos no Brasil ocorrem no setor de produtos metálicos e de vestuário, onde as tarifas cobradas aos exportadores americanos possuem diferencial de mais de dez pontos percentuais.

Segundo relatório, em média, os exportadores americanos pagam 7,1% em tarifas no Brasil, enquanto os importadores americanos pagam taxa de 2,7%, alcançando um diferencial, portanto, de 4,4 pontos percentuais.

No cálculo realizado pela Fitch, o maior diferencial acontece nos seguintes setores:

Além de itens variados, onde importadores americanos pagam tarifas de 0,9%, enquanto os exportadores americanos pagam 11%

Globo Online - RJ   28/03/2025

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, admitiu nesta quinta-feira um cenário incômodo na economia, com inflação acima da meta de 3% e juros altos, depois da subida da Selic para 14,25% ao ano, na semana passada.

— O BC tem consciência de um momento mais incômodo, com a Selic caminhando para patamares mais elevados, com inflação ainda acima da meta — afirmou. — Desde dezembro, depois dos 300 base points (3 pontos percentuais), estamos ingressando em um patamar de Selic que é contracionista com alguma segurança, mesmo para quem tem juro neutro mais alto.

Depois de elevar a Selic em dois pontos percentuais apenas neste ano, durante a sua gestão, integrantes do governo Lula passaram a culpar o mandato de Roberto Campos Neto. Perguntado sobre isso, Galípolo disse que o ex-presidente do BC foi generoso.

— Sobre o nosso processo de decisão, já tinha dito em dezembro, que o Roberto havia sido generoso que, em dezembro, eu pudesse assumir um protagonismo. Para além disso, todos os diretores têm autonomia. As decisões têm sido unânimes já há algum tempo. Não cabe a mim fazer comentários sobre falas do presidente (Lula) e do (Fernando) Haddad (ministro da Fazenda) — afirmou.

Para Galípolo, há um estranhamento no Brasil sobre a convivência com taxa de juros elevados e um dinamismo da economia.

— Temos convicção que o remédio funciona, mas a questão é porque precisa de doses maiores do remédio. Vamos precisar revisitar uma série de pontos, fazer reformas, para ter transmissão mais desimpedida. Isso conversa com a discussão do cavalo de pau.

Ele afirmou que há "clareza" do compromisso do BC na persecução da meta de inflação, cujo teto é de 4,5%.

— Acho curioso falar em suavização da meta depois de entregar 3 pontos de alta da Selic. Olhar para juro real elevada para o patamar histórico — afirmou.

Galípolo disse que o BC ainda não considera o novo crédito consignado e nem a reforma do Imposto de Renda nos seus cenários para inflação e crescimento.

— Temos visto desde lançamento do consignado estimativas que têm variado muito e diminuíram desde o lançamento. Há dúvidas sobre o quanto isso é fluxo novo de crédito ou mudança de dívida velha para nova. Mas é uma medida que vem olhando mais para uma questão estrutural do que conjuntural. Uma agenda antiga de substituir linha de alto custo do que baixo custo.

A entrevista é a primeira de Galípolo desde que tomou posse como presidente do BC, em janeiro. Antes, ele havia falado em dezembro, ainda como diretor de Política Monetária.

A fala vem uma semana depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar a taxa básica de juros, a Selic, de 13,25% para 14,25% ao ano.

Nesta quinta, o Banco Central reduziu a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil este ano de 2,1% para 1,9%. Além disso, o BC sinalizou que só vê a inflação perto da meta (3,0%) no segundo semestre de 2027, conforme suas projeções oficiais, que levam em conta as estimativas da taxa Selic extraídas do Boletim Focus. No fim deste ano, a autoridade monetária calcula um risco de 70% de a inflação superar o teto da meta (4,5%), de 50% no relatório anterior, em dezembro.

Na ata divulgada na terça, o BC reconheceu que os dados dos últimos meses continuaram indicando sinais de "incipiente moderação do crescimento" econômico, mas sugeriu "parcimônia" nas conclusões.

O Copom ainda destacou que o distanciamento das expectativas de inflação da meta de 3%, o que no jargão econômico se chama de desancoragem, sobretudo em prazos longos, torna a convergência mais desafiadora e "exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado".

A entrevista ocorre oficialmente para comentar o novo Relatório de Política Monetária (RPM). O RPM foi criado a partir do decreto que instituiu a meta de inflação contínua e substitui o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que era publicado pelo BC desde 1999.

O Estado de S.Paulo - SP   28/03/2025

Embora todas as vozes do mercado financeiro joguem a culpa das instabilidades da economia brasileira na política fiscal, o futuro do Brasil merece uma discussão menos ideológica. Não que eu ache que o fiscal está bem, não está. Só que um país maduro não pode ficar elegendo bodes expiatórios e deixar de ver o conjunto da economia e da política econômica.

Temos uma trajetória de elevação da taxa Selic, o juro básico da economia. A taxa está sendo elevada para reduzir a escalada inflacionária esperada desde 18 de setembro de 2024. Esta reunião do Copom elevou a Selic de 10,5% ao ano para 10,75%. Neste momento, as expectativas de mercado, capturadas pelo Boletim Focus, indicavam IPCA de 3,95% para o ano de 2025. Já as projeções divulgadas na ata do Copom falavam em 3,7%.

Naquele setembro de 2024, o Copom enunciava um novo ciclo de expansão da Selic, embasado nas considerações de que: “O cenário, marcado por resiliência na atividade, pressões no mercado de trabalho, hiato do produto positivo, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas, demanda uma política monetária mais contracionista.” (transcrito da ata da reunião de 18/09/2024).

Seis meses se passaram. Agora a Selic está em 14,25% e a ata do Copom indica IPCA de 5,2% para 2025. Já o mercado, como mostra o Boletim Focus, aposta em 5,66%, em sua última versão. Se a Selic de 15% esperada pelas instituições informantes do Focus se confirmar, teremos uma taxa de juro real de quase 9% ao ano.

É crucial notar que, em setembro passado, a taxa de juro já era uma das mais altas do mundo, situando-se entre 5,5% e 6%. Mas a política do Copom, se concluído o ciclo de alta iniciado em setembro, levará a uma taxa de juro real 3% ao ano mais elevada.

Qualquer um que olhe esses dados tem o direito de ficar perplexo. Essa política teria um custo anualizado de mais de R$ 170 bilhões. E o resultado, enquanto instrumento de política, é pífio: trazer a inflação esperada anualizada de 3,97% (em setembro de 2024) para 5,2% (em março de 2025), segundo as atas do Copom. Sim leitor, é isso que você leu.

Aqui, vale ressaltar que a política de metas tem muito a colaborar com a economia, ao oferecer um balizamento para os agentes econômicos que formam os preços. Mas não comungo da ideia de que a meta tem de ser a menor possível, desrespeito à realidade. Muito menos que ela deva ser atingida custe o que custar.

É lógico que foi um período difícil e que a instabilidade ficou estampada com os destemperos do governo Trump. Mas não dá para esquecer que o governo Lula assumiu o jogo da política monetária com metas de inflação. Em tendo assumido, seu dever é ter políticas para harmonizar o comportamento dos preços. Leitor, por favor, não confunda essa harmonização com manipulação do índice, uma excrescência. Não se cura a doença (a inflação) esmurrando o termômetro (o IPCA).

A maior prova de que o governo não tem uma política efetiva para harmonizar o IPCA é a própria enxurrada de medidas tomadas quando os preços dos alimentos se mostraram fora de controle. De estoques reguladores a eliminação de tarifas de importação, o governo buscou controlar as trajetórias que já tinham construído a instabilidade no preço dos alimentos.

Num outro campo, os preços administrados parecem ser tudo, menos administráveis. O episódio quase insólito de Itaipu é um fato estilizado, mas não isolado. O último IPCA mensal presenciou aumento dos preços de energia elétrica de 16,80%, representando 0,56 ponto porcentual do índice geral de 1,31%. Isso significa que o subitem respondeu por 38,9% da alta do IPCA em fevereiro.

O absurdo é que isso decorreu de um bônus de Itaipu transferido às contas de luz, no mês de janeiro, que produziu uma queda de 14,21% para este componente. Não é possível que a política econômica não possa harmonizar o processo, diluindo os repasses ao consumidor no tempo. Aliás, é ainda mais absurdo que o consumidor tenha pago antes, para receber o tal bônus de devolução depois.

Outro elemento de grande importância foi a volatilidade cambial. Mas isso, cada vez mais, cheira a pura especulação. Nada pode explicar que a taxa de câmbio de R$ por US$ tenha aumentado R$ 0,60 em três meses. Muito menos se pode explicar a inércia do Banco Central, que apenas observou os processos especulativos, como se a gestão cambial não fosse de sua responsabilidade. Prova disto é que a taxa retornou ao patamar de R$ 5,70/ R$ 5,75, mesmo com um ambiente, no comércio internacional, totalmente hostil.

É o centro da política econômica. Com uma taxa de juro mantida, de forma já perene, num patamar real tão elevado, não haverá desenvolvimento, talvez curtos ciclos de crescimento do consumo. Sem políticas consistentes para a produção, os preços, seja os administrados (como a energia), seja os flexíveis (como os alimentos), o IPCA seguirá aos solavancos. Para honrar a meta desnecessariamente restritiva de 3% ao ano, a taxa de juro real seguirá nas nuvens. Esqueçamos o desenvolvimento.

Diário do Comércio - MG   28/03/2025

O governo central registrou déficit primário de R$ 31,673 bilhões em fevereiro, uma melhora em relação ao saldo negativo de R$ 58,267 bilhões no mesmo mês de 2024 que reflete uma restrição preventiva em gastos públicos e um adiamento no pagamento de precatórios, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (27).

O resultado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, foi um pouco pior do que o esperado pelo mercado, conforme pesquisa da Reuters, que apontava para um déficit de R$ 30,4 bilhões no mês.

No acumulado do ano, o governo central registrou um superávit primário de R$ 53,184 bilhões, ante saldo positivo de R$ 21,195 bilhões nos dois primeiros meses de 2024.

De acordo com o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o resultado das contas públicas está melhor neste início de ano, em linha com estratégia do governo de ser mais contracionista no primeiro semestre.

Ceron afirmou que a restrição provisória em gastos públicos até que o Orçamento de 2025 seja sancionado dá conforto ao governo para reavaliar as contas apenas em maio para definir se será necessário promover algum bloqueio de verbas. Inicialmente, havia previsão de uma reavaliação extemporânea a ser feita em abril.

“O resultado está melhor, está em linha com o que tínhamos anunciado de tentar ser o mais contracionista possível nesse primeiro semestre para colaborar com as ações da política monetária”, disse.

Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

Diante do atraso na votação do Orçamento, que foi aprovado semana passada, o governo vem promovendo um aperto na execução das contas federais até a sanção do texto. A regra prevê uma restrição dos desembolsos mensais de despesas não obrigatórias de ministérios a 1/18 do total previsto para o ano, uma limitação mais forte do que a de 1/12 prevista em lei.

Ceron acrescentou que pagamentos de precatórios foram postergados para os próximos meses de forma intencional para não adicionar pressão inflacionária neste momento e colaborar com a atuação do Banco Central.

Por outro lado, ele afirmou que há uma tendência de o governo antecipar os pagamentos do 13º a beneficiários do INSS. Segundo ele, uma decisão sobre o tema pode sair nos próximos dias, com pagamentos que devem ser feitos em alguma janela entre abril e junho.

O governo tem como meta um resultado primário neutro em 2025, com intervalo de tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2025, o equivalente a R$ 30,97 bilhões, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo novo arcabouço fiscal.

O saldo negativo de fevereiro do governo central resultou de um déficit de R$ 8,732 bilhões do Tesouro, um saldo negativo de R$22,950 bilhões da Previdência Social e um superávit de R$ 8,9 milhões do Banco Central.
Receitas e despesas

Os dados do Tesouro mostraram que o governo central teve em fevereiro uma receita líquida de R$ 143,785 bilhões, acima dos R$ 132,713 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior, com destaque para os ganhos reais de 1,4% e 7,5%, respectivamente, na Receita Administrada pela RFB e na arrecadação líquida para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

Já a despesa total do governo central foi de R$ 175,459 bilhões no mês, ante R$ 190,980 bilhões em fevereiro de 2024, com destaque para a forte queda real de 49% nos gastos com outras despesas obrigatórias, que exclui benefícios previdenciários e despesa pessoal e encargos sociais.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   28/03/2025

Os preços futuros do minério de ferro subiram nesta quinta-feira, impulsionados pela demanda sazonal de aço na China superando as preocupações com a guerra comercial provocada pelas novas tarifas impostas pelos EUA.

O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 1,28%, a 789 iuanes (US$108,63) a tonelada.

No início da sessão, os preços atingiram 792 iuanes, o maior valor desde 17 de março.

O minério de ferro de referência para abril na Bolsa de Cingapura subia 1,02%, a US$103,4 a tonelada.

A temporada de pico de construção nos meses de março e abril levou a uma recuperação sazonal do consumo total de aço, sustentando os preços no curto prazo, disse a corretora Hexun Futures em nota.

A produção de metais quentes em março aumentou em 56.700 toneladas, para 2,3626 milhões de toneladas no mês a mês, e o consumo diário de minério importado aumentou em 67.900 toneladas no mês, disse a consultoria chinesa Everbright Futures em nota.

A produção de metal quente é normalmente usada para avaliar a demanda de minério de ferro.
Ainda assim, a incerteza associada a tarifas tem pesado sobre os mercados de commodities, disseram os analistas do ANZ.

Na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 25% sobre carros e caminhões leves importados a partir da próxima semana, fazendo com que as ações das montadoras caíssem e, ao mesmo tempo, enfraquecendo os mercados de forma geral na quinta-feira.

Enquanto isso, os lucros industriais da China caíram nos dois primeiros meses de 2025 devido às persistentes pressões deflacionárias e à escalada da guerra comercial com os Estados Unidos.

Ainda assim, o vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang, prometeu na quinta-feira apoio político mais forte para a economia, que, segundo ele, estava no caminho certo para atingir a meta de crescimento deste ano.

Revista Mineração - SP   28/03/2025

Diversos Projetos de Lei relevantes para o setor da mineração foram priorizados na Agenda Legislativa 2025 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), lançada esta semana. O documento aborda temas como tributação, sustentabilidade, política industrial, inovação, comércio exterior e relações do trabalho, reunindo 135 projetos de lei acompanhados e monitorados pela CNI, sendo 90 de interesse geral do setor industrial e 45 que atendem a demandas de setores industriais específicos, como a mineração.

Neste ano houve um aumento significativo das pautas do setor mineral na agenda legislativa da CNI. Na agenda de 2024, apenas um Projeto de Lei de interesse do setor foi incluído na pauta enquanto, em 2025, estão incluídos:
PL 1369/2024 que trata da obrigatoriedade de caução para atividades de mineração, com um posicionamento divergente; PL 2780/2024 que busca instituir a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos; e o PL 4975/2023 que busca criar incentivos para o financiamento e a promoção de investimentos em pesquisa mineral.

Entre os projetos relacionados à mineração priorizados pela CNI estão o PL 016/2022, com posição convergente, busca limitar o valor das taxas de fiscalização aos custos efetivamente incorridos pelos órgãos fiscalizadores. Já o PLP 102/2024, com posição divergente, obriga que os processos de licenciamento ambiental da mineração passem obrigatoriamente pelo Ibama, além do PL 2159/2021, que trata da Lei Geral de Licenciamento Ambiental em que há o compromisso da CNI para incluir a mineração na Lei.

“O PL do Licenciamento Ambiental gera insegurança jurídica e a injustificável quebra de isonomia de condições entre os setores econômicos e coloca a mineração de grande porte em um limbo normativo e legal que prejudica novos investimentos e a continuidade e ampliação de importantes projetos em andamento”, destaca o presidente da ABPM Luis Maurício Azevedo, que também é vice-presidente o Comitê de Mineração da CNI, o COMIN.

Sobre o PLP 102/2024, Azevedo alerta que atribuir à União da competência administrativa para o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades minerárias de alto risco ambiental gera um precedente perigoso ao subverter a lógica que norteia a divisão de competências estabelecida pela lei, para fixar uma regra específica para uma determinada classe de empreendimentos.

“Aberto este precedente, outras exceções poderão ser criadas, sob a premissa de que os estados não possuem capacidade de licenciar empreendimentos, cujos processos são complexos e exigem expertise técnica, e todos sabemos que os licenciamentos podem subverter a lógica da razoabilidade e serem politizados como é caso da pesquisa do petróleo na margem equatorial,” pondera Azevedo.

O PL 01369/2024, da deputada Duda Salabert (PDT/MG), versa sobre caução socioambiental em atividades de mineração para recuperação de ambiente degradado, cuja posição da CNI é divergente, apoiada por notas técnicas da ABPM, que avalia essa exigência comprometerá a viabilidade da implantação de novos projetos e criará obstáculos desnecessários para o desenvolvimento do setor, uma vez que, a imposição de garantias para o fechamento de mina poderia ser melhor definida nos Planos de Fechamento de Mina e das atividades de fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM).

“A Agenda Legislativa da Indústria reconhece o papel do setor como uma indústria de base, fornecedora de insumos para todas as cadeias produtivas nacionais. Sem dúvida a mineração desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento nacional e a transição energética. Esperamos que nossos parlamentares se sensibilizem por essas pautas e contribuam para um ambiente de negócios favorável à mineração”, destaca Azevedo.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   28/03/2025

Segmento mais prejudicado pela taxação extra de 25% nas importações dos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump, as fabricantes de autopeças instaladas no Brasil declararam nesta quinta-feira, 27, “preocupação” com a medida, mas aguardam mais detalhes para avaliar os efeitos. Hoje, as taxas de importação americanas variam de zero a 2,5%.

A taxação inclui também os veículos, mas as montadoras locais não têm exportações de carros completos para os EUA. O setor, porém, prevê impactos nos negócios em razão de mudanças que devem ocorrer no mercado automotivo global.

O mercado americano é o segundo maior para as autopeças brasileiras, que enviam seus produtos para mais de 200 países. Fica atrás da Argentina e representa 17,5% das exportações do setor. Ainda assim, o Brasil é deficitário na balança comercial com os EUA há vários anos.

Em 2024, os EUA importaram US$ 1,37 bilhão em componentes do Brasil, e exportaram US$ 2,24 bilhões, uma diferença de US$ 870 milhões. Em janeiro deste ano, o déficit está em US$ 1,43 bilhão, com o envio de US$ 568,7 milhões em peças aos EUA.

O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) aguarda a publicação do teor da legislação para analisar mais detalhadamente possíveis impactos, informou a entidade em nota.
Incertezas e equívoco

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também avalia com suas associadas eventuais implicações da medida. Recentemente, o presidente da entidade, Márcio de Lima Leite, disse que o setor enfrenta desafios diários em relação às medidas que vêm sendo anunciadas por Trump, como a taxação para aço e alumínio em fevereiro e, agora, para carros e componentes.

“A pior palavra para o setor automotivo é incerteza, e é isso que estamos vivendo hoje”, disse. Segundo Leite, várias montadoras instaladas nos EUA estão revendo suas estratégias e podem surgir novas oportunidades para o Brasil, mas também ameaças. Uma delas é em relação ao desenvolvimento de tecnologias ou de veículos, hoje feitos em conjunto com outros mercados globais. “Isso pode se refletir no Brasil”.

Há temores também que as medidas restritivas anunciadas por Trump possam resultar em uma entrada maior de carros de outros países no mercado brasileiro, especialmente da China, comprometendo assim a competitividade do veículo nacional.

A Anfavea ressalta que modelos a combustão importados pagam 35% de Imposto de Importação no País. Para elétricos, a taxa ficou zerada por alguns anos, mas, desde janeiro, começou a ser cobrada gradualmente e está prevista para chegar aos 35% em julho de 2026. Há meses a entidade vem pedindo ao governo a antecipação do retorno do imposto cheio.

O executivo lembrou que, ao ser questionado sobre suas expectativas com o governo americano, logo após a eleição de Trump, respondeu que, em razão do seu primeiro mandato, já conhecia e sabia mais ou menos a linha que ele iria seguir. “Mas eu estava completamente equivocado.”
Motor do Corolla feito no Brasil

Entre as montadoras, a Toyota do Brasil é uma exceção, pois desde setembro de 2022 exporta para a subsidiária dos Estados Unidos motores 2.0 Dynamic Force, usados no Corolla. É a única montadora nacional que fornece componentes para o mercado americano.

Na ocasião, para atender a demanda - inicialmente de 45,6 mil motores ao ano -, a fábrica de Porto Feliz (SP) ampliou a produção mensal de 13 mil para 17 mil unidades ao mês e contratou cerca de 150 funcionários. Hoje emprega mais de 600 pessoas. O grupo não informou se o número previsto de motores foi exportado e nem o volume atual.

Na decisão divulgada ontem, Trump assinala que a medida visa atrair mais fabricantes para os EUA, gerando renda e empregos locais. Estão envolvidos na sobretaxa sedãs, utilitários esportivos, SUVs, minivans e vans de carga). Entre as autopeças já estão relacionados motores, transmissões, peças de trem de força e componentes elétricos, mas a lista pode aumentar.

Portal Fator Brasil - RJ   28/03/2025

Acordos representam mais de R$ 250 milhões em receita anual e refletem a execução da estratégia de agregação de valor.

A multinacional Tupy será responsável pelo desenvolvimento e produção de componentes estruturais para caminhões extrapesados 13 litros para duas montadoras que, em conjunto, detêm cerca de 50% do mercado brasileiro nesta categoria.

Um dos projetos contempla fundição, usinagem e pré-montagem de cabeçote de motor, e terá início em 2027.

O outro contrato, com produção a partir de 2028, é referente à fabricação de bloco que será utilizado nas gerações mais recentes de um dos motores mais vendidos no mundo.

A estimativa é que, quando alcançarem todo o potencial contratado, esses acordos gerem receitas adicionais de R$ 250 milhões por ano. Todos os serviços serão realizados no Brasil, com à substituição de peças importadas da Europa, o que contribui para o aumento do conteúdo local dos veículos.

—Ambos os projetos refletem a confiança das montadoras na excelência dos serviços oferecidos e nossa capacidade de agregar valor. Hoje, a Tupy é uma companhia singular no mercado, que reúne em um só fornecedor serviços de fundição, usinagem, montagem, validação técnica e atividades de engenharia associadas— comenta Fernando de Rizzo, CEO da Tupy.

Tupy — Multinacional brasileira que desenvolve e produz componentes estruturais em ferro fundido de alta complexidade geométrica e metalúrgica. Essas soluções de engenharia são aplicadas nos setores de transporte, infraestrutura, agronegócio e geração de energia e contribuem para a qualidade de vida das pessoas, promovendo acesso à saúde, saneamento básico, água potável, produção e distribuição de alimentos e comércio global. Sua produção está concentrada nas fábricas brasileiras em Betim (MG), Joinville (SC) e em São Paulo (SP), e, no exterior, nas cidades de Aveiro, em Portugal, e em Saltillo e Ramos Arizpe, no México. Além disso, possui escritórios comerciais no Brasil, Alemanha, Holanda, Itália e EUA. | www.tupy.com.br

IstoÉ Dinheiro - SP   28/03/2025

O Sindipeças, entidade que representa a indústria de autopeças, manifestou preocupação com as últimas tarifas anunciadas pelo governo norte-americano, que, além de carros, atingem com uma taxa de 25% componentes automotivos importados pelos Estados Unidos.

A associação dos fabricantes de autopeças diz que aguarda a publicação do completo teor da medida para analisar seus possíveis impactos em detalhe. Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações de autopeças produzidas no Brasil, atrás apenas da Argentina. No ano passado, foram exportados ao país US$ 1,37 bilhão em peças automotivas, 17,5% do total, conforme relatório de balança comercial publicado pelo Sindipeças.

O Brasil, por outro lado, também importa muitas peças dos Estados Unidos: US$ 2,24 bilhões em 2024, 10,7% do total de componentes comprados do exterior. Ou seja, há um déficit do lado brasileiro nesta balança – o Brasil importa US$ 872 milhões a mais do que vende ao mercado norte-americano.

“A Abipeças Associação Brasileira da Indústria de Autopeças e o Sindipeças, entidades que representam a indústria de autopeças no Brasil, veem com preocupação a adoção de tarifa adicional de 25% sobre todos os veículos importados pelos Estados Unidos, com vigência a partir de abril. Algumas peças automotivas também serão sobretaxadas, semanas depois, com possibilidade de aumento de itens na lista inicial. As entidades aguardam a publicação do completo teor da legislação para analisar mais detalhadamente possíveis impactos”, diz a nota, na íntegra.

A Anfavea, entidade que representa as montadoras, aguarda mais detalhes das tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para comentar potenciais impactos. Os Estados Unidos não são um destino relevante dos carros exportados pelo Brasil – o País não embarca automóveis com regularidade para lá. Há uma preocupação das montadoras, porém, de as tarifas promoverem um desvio dos carros, até então importados pelos Estados Unidos, a mercados sem o mesmo nível de proteção tarifária.

Por isso, a Anfavea vem cobrando o retorno imediato das alíquotas cheias, 35%, do imposto cobrado na importação de veículos híbridos e elétricos, que vêm, principalmente, da China. Esse imposto vem subindo gradualmente desde janeiro do ano passado, com retorno às alíquotas de 35% em julho de 2026.

O Estado de S.Paulo - SP   28/03/2025

A tarifa de 25% sobre carros e autopeças anunciadas na quarta-feira, 26, pelo presidente americano, Donald Trump, terá efeitos de longo alcance sobre as montadoras nos Estados Unidos e no restante do mundo.

Mas haverá diferenças importantes com base nas circunstâncias de cada empresa.

Tesla

A empresa administrada pelo confidente de Trump, Elon Musk, fabrica os carros que vende nos Estados Unidos em fábricas na Califórnia e no Texas. Como resultado, é talvez a menos exposta a tarifas.

Mas a empresa compra peças de outros países — cerca de um quarto dos componentes em valor de seus carros vêm do exterior, de acordo com a Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário.

Além disso, a Tesla está lutando com a queda nas vendas ao redor do mundo, em parte porque as atividades e declarações políticas de Musk afastaram compradores de carros moderados e liberais. Alguns países podem tentar retaliar as tarifas de Trump mirando a Tesla. Algumas províncias canadenses já pararam de oferecer incentivos para compras de veículos elétricos da Tesla.
GM

A maior montadora dos EUA importa muitos de seus carros e caminhões mais vendidos e lucrativos, especialmente do México, onde tem várias grandes fábricas que produzem modelos como o Chevrolet Silverado. Cerca de 40% das vendas da GM nos Estados Unidos no ano passado foram de veículos montados no exterior. Isso pode tornar a empresa vulnerável às tarifas.

Mas, diferentemente de outras montadoras, a GM registrou lucros fortes nos últimos anos e é considerada pelos analistas como tendo uma boa situação financeira. Isso pode ajudá-la a suportar as tarifas melhor do que outras empresas, especialmente se os impostos de importação forem removidos ou diluídos por Trump.

Ford

A Ford é muito menos dependente de carros importados do que muitos de seus rivais. Ela fabrica cerca de 80% dos veículos que vende nos Estados Unidos no país. Como resultado, ela estaria relativamente isolada das tarifas de 25% sobre veículos importados.

Mas a empresa ainda depende de fábricas estrangeiras para peças importantes como motores. Uma fábrica da Ford em Ontário (Canadá), por exemplo, fabrica motores para algumas de suas picapes. A Ford vem perdendo bilhões de dólares em veículos elétricos. Um de seus três modelos movidos a bateria, o Mustang Mach-E, é produzido em uma fábrica perto da Cidade do México.
Stellantis

A empresa dona da Chrysler, Dodge, Jeep e Ram, usa fábricas no exterior, no México em particular, para montar alguns modelos populares como as picapes Ram. Outro modelo, a minivan Chrysler Pacifica, é feita em Ontário (Canadá).

A Stellantis, criada pela fusão da Fiat Chrysler e da Peugeot em 2021, também tem lutado com vendas lentas e está procurando um novo presidente executivo. Esses desafios colocam a empresa, com algumas outras como a Nissan, em maior risco, especialmente se as tarifas permanecerem em vigor por meses ou anos.
Toyota

Como outras montadoras japonesas, a Toyota é muito dependente dos Estados Unidos e vendeu 2,3 milhões de carros no país no ano passado. Cerca de 1 milhão desses veículos foram feitos em outros países, muitos deles no Canadá, México e Japão. Isso pode ser um grande problema para a empresa e montadoras como Subaru e Mazda, com as quais a Toyota trabalha de perto.

Mas a Toyota, a maior fabricante de automóveis do mundo, está em uma posição melhor do que outras fabricantes de automóveis. Ela é lucrativa e considerada por analistas como uma das empresas mais bem administradas na indústria automobilística global.
Volkswagen

A maior montadora da Europa pode ser realmente prejudicada pelas tarifas porque tem apenas uma fábrica nos Estados Unidos, em Chattanooga, Tennessee, onde fabrica os veículos utilitários esportivos Atlas e ID.4. Ela importa muitos de seus carros, incluindo Audis e Volkswagens do México e Porsches da Alemanha.

A empresa tem enfrentado dificuldades financeiras nos últimos anos porque suas vendas caíram drasticamente na China, onde as montadoras nacionais cresceram rapidamente ao introduzir muitos veículos elétricos e híbridos acessíveis. A Volkswagen esperava fazer incursões nos Estados Unidos, mas as últimas tarifas de Trump podem tornar essa tarefa difícil ainda mais difícil.

Hyundai e Kia

As companheiras estáveis sul-coreanas obtiveram ganhos impressionantes em vendas nos Estados Unidos nos últimos anos. As empresas também investiram em uma nova fábrica de veículos elétricos na Geórgia que está começando a aumentar a produção, o que pode ajudá-las a evitar tarifas em alguns modelos.

Na segunda-feira, 24, o presidente executivo da Hyundai, Euisun Chung, anunciou na Casa Branca com Trump que sua empresa investiria outros US$ 21 bilhões nos Estados Unidos, incluindo uma nova fábrica de aço na Louisiana. Embora a Hyundai e a Kia agora tenham três fábricas na Geórgia e no Alabama, elas não conseguirão evitar tarifas sobre as centenas de milhares de carros que importam para os Estados Unidos. Muitos desses veículos vieram da Coreia do Sul, que negociou um acordo comercial com os Estados Unidos em 2007, que foi atualizado durante o primeiro mandato de Trump.

c.2025 The New York Times Company

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Valor - SP   28/03/2025

As vendas voltaram a subir dois dígitos, mesmo com o avanço no varejo das marcas asiáticas concorrentes

Dona da Brastemp e Consul, a Whirlpool dá sinais de ter virado a página em termos de resultados, após dois anos difíceis. As vendas voltaram a subir dois dígitos, mesmo com o avanço no varejo das marcas asiáticas concorrentes, e no ano passado, a empresa registrou o maior lucro para o quarto trimestre em 13 anos.

Para 2025, já há uma maior desaceleração na demanda, e há risco de que esse desaquecimento se estenda para o segundo semestre, segundo o comando do grupo. Além disso, fabricantes chineses passaram a produzir no país no ano passado, o que deve tornar o mercado mais competitivo, e margens podem ficar mais pressionadas.

O gerente geral da companhia, Gustavo Ambar, e vice-presidente da empresa na América Latina, disse que a estratégia definida permite manter o plano de destinar de 3% a 4% do valor da receita para investimentos em 2025 — a média anual da fabricante. E caso seja necessário uma revisão nos desembolsos, Ambar acredita que é possível defender os planos de investimentos junto aos sócios controladores, pela relevância do mercado brasileiro para a matriz.

“De outubro para cá começamos a descer a montanha, agora [a alta na venda do setor] está na casa de 5%, e em 2024 a [consultoria] GfK mostrava 12% em volume em refrigeração, fogões e lavadoras”, disse. “Posso inferir que se juro continua a subir, o mercado deve começar a cair no segundo semestre.”

De acordo com dados publicados pelo grupo nesta semana, foram R$ 278,3 milhões de lucro líquido de outubro a dezembro, frente a uma perda de R$ 67,2 milhões um ano antes, para uma receita líquida de vendas e serviços que cresceu 11,6%, para R$ 3,85 bilhões no período.

No acumulado do ano passado, se viu algo bem semelhante, com lucro acelerando mais rápido que a venda. Foram R$ 910,7 milhões em lucro líquido, três vezes e meia superior a 2023, para uma receita que avançou 12,6%.

É um desempenho diferente de 2022 e 2023, em que a venda viveu altos e baixos e o lucro caiu nos dois anos seguidos, pressionado por despesa financeira em alta, após escalada da Selic, e Argentina em hiperinflação. A Whirlpool S.A. controla a operação naquele país.

Razões do ganho

Tanto no trimestre quanto no ano, a explicação da melhora está no ganho operacional, no custo e despesa avançando menos que as vendas, e em números melhores pelo lado financeiro. O aumento em volume vendido que foi decisivo nos números, com o segmento de eletrodomésticos (fogões, refrigeradores) voltando a acelerar mais rápido no país em 2024.

É fato também que entraram na linha do lucro cerca de R$ 125 milhões da venda de uma operação de locação de purificadores, mas é um peso menor frente ao lucro de R$ 908 milhões.

Além disso, naturalmente o mercado todo voltou a respirar melhor, e não só o grupo, o que também favoreceu a rival direta Electrolux e as marcas asiáticas, que após anos de promessas, começaram a produzir no país. A chinesa Midea, por exemplo, que tem despejado milhões em mídia no país, abriu a sua maior fábrica de eletrodomésticos no Brasil em 2024 (são três no total).

Mas a Whirlpool também passou a escolher melhor as suas batalhas em termos de foco e alocação de recursos, como diz Ambar. E isso fez a diferença para retorno sobre capital e rentabilidade. A margem operacional passou de 2,8% para 7,6% entre 2023 e 2024.

Ultimo “boom”

De acordo com o executivo, o último grande “boom” de vendas veio entre 2009 e 2011, quando foi mantida a política de redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no setor, para fazer o país crescer via aumento de consumo e gastos. Desde então, chegou a haver um aumento na demanda entre 2020 a 2021, anos de pandemia, mas menos relevante.

A questão é que, a “ressaca” que a empresa viveu, diz Ambar, passada a pandemia foi incompatível com o tamanho do crescimento do mercado durante a crise sanitária. “Foi bem desproporcional frente ao pico, porque todo o mercado teve tabelas de aumentos de 40%, 50%, pelo alto nos insumos globais, o que foi gerando uma demanda reprimida até 2024.”

Ambar conta que há quatro anos, o grupo colocou foco em todas as categorias, e depois reviu a postura, passando a focar mais em refrigeração, lavadoras e fogões — uma forma de rentabilizar melhor o capital que ficou mais caro no mundo. Nos EUA, a controladora passar por uma reestruturação, revendo gastos e cortando despesas.

“Pusemos gasolina em todas as linhas, mas percebemos depois que você não vai conseguir ganhar em todas, então decidimos não jogar em todas as frentes, mas em fazer escolhas e colocar recurso material e pessoas nas coisas certas”, disse.

No Brasil, a empresa saiu do segmento de locação de purificadores de água, com a conclusão da venda do negócio para a Culligan Latam na metade de 2024 (ela continua na venda dos equipamentos). Ainda reduziu ganhos com a unidade de máquinas para bebidas com gás no ano passado, após falta de peças e inflação de custos, e também diminuiu investimentos no segmento das cervejeiras.

Em projetos que deixaram de fazer sentido, se era necessário reposição de pessoal, isso deixou de ser feito, e a reposição aconteceu em áreas mais estratégicas, mas também em menor número.

“No mundo, passamos a focar em KitchenAid, e em sermos mais fortes nas Américas, especialmente Brasil, México, EUA e Canadá, e em parte da Índia”, diz ele. “No país, Consul fizemos um trabalho de revisão de custos, e na Brastemp, em diferenciação da marca”, afirma o executivo, também vice-presidente do grupo na América Latina.

Linha engessada

Com isso melhor definido, avançou um trabalho que trouxe frutos no ano passado — e o grupo vai tentar explorar isso também em 2025. Passado o auge da escalada de custos globais durante a covid-19, a Whirlpool tratou de buscar soluções que tornassem suas linhas de produção menos engessadas. A empresa têm fábricas em Rio Claro (SP), Joinville (SC), e Manaus (AM) e três centros de distribuição.

Percebeu que era preciso ser mais rápida e versátil na produção para ajustar a estrutura de forma a atender a demanda do momento, e ampliou a robotização e flexibilização de linhas. “De dois anos para cá, compramos uma ‘briga saudável’ com fornecedores para serem mais flexíveis no fornecimento de insumos.”

Paralelo a isso, o balanço anual mostra que o custo com esses insumos (aço, alumínio, plásticos) e materiais de consumo, que andava estável após o pico em 2021, voltou a subir pela alta nas vendas, mas em ritmo abaixo da receita (8% frente a 12% da venda em 2024), o que melhorou o lucro bruto.

Sobre as despesas com vendas gerais e administrativas, também subiram menos que a receita, 11%, o que mostra algum ganho em alavancagem operacional, apesar da alta também de dois dígitos.

Ano de 2025 sob pressão

Para 2025, sobre essa questão das matérias-primas, assim como sobre o desempenho de vendas — com taxa Selic podendo chegar a 15% ao ano no fim de 2025 — o cenário pode voltar a ficar mais difícil para a Whirlpool.

O presidente americano Donald Trump, definiu 25% de tarifa de importação do aço no mundo para os EUA, para proteger o mercado local, o que pode elevar a inflação do insumo nos EUA. Aço é um dos principais componentes dos refrigeradores. E a controladora americana — apesar de poder ser favorecida por um fechamento do mercado de consumo aos chineses por Trump — já sentiu a alta da inflação nas vendas nos últimos anos.

No Brasil, o mercado de aço foi inundado por produtos chineses, dizem as siderúrgicas, e apesar de uma possível efeito positivo em preço, as fabricantes de aço têm feito pressão junto ao governo para elevar as barreiras, e tem revisto planos de produção de aço desde 2024. Mas não diminuíram suas tabelas, segundo entidade do setor.

Risco fiscal e inflação

Daqui para frente, para economistas, esse ambiente mais tenso se soma a um maior nível de incerteza sobre a condução da política econômica no país, por conta de um afrouxamento do governo na condução da política fiscal e da alta da Selic, na tentativa do Banco Central de segurar a inflação.

Segundo o executivo da Whirlpool, o segmento viveu dilema quando o dólar bateu nos R$ 6 em novembro, e com a manutenção desse patamar por meses, vieram os repasses aos produtos, na faixa de 5% a 8%, mesmo nível repassado pela Whirlpool. A cotação de boa parte dos insumos do setor é dolarizada. “Se voltar a passar de R$ 6, virá mais pressão e repasses.”

A demanda por duráveis ainda tem dependência direta de crédito parcelado com juros, de um produto com alto valor unitário — uma geladeira Consul pequena, de 260 litros, vendida pelo Magazine Luiza, não hoje sai por menos de R$ 2,4 mil no site.

A ideia, no quadro “macro” atual, é manter investimentos na faixa de 3% a 4% da receita anual da empresa, como ocorre há tempos, e essa projeção está mais perto de 4% hoje. O que faz a controladora manter desembolsos nessa faixa é o fato de o mercado brasileiro ser mais atrativo para os americanos, afirma Ambar.

América Latina x EUA

Apesar dessa relevância, a situação global do grupo é complicada. Em conversa com analistas em janeiro, a direção afirmou que o desempenho não está no nível que era esperado. As vendas caíram 1,4% na América do Norte na época de Natal e Black Friday, de outubro a dezembro, com efeito negativo de mix vendido e preços. Houve cortes de gastos no ano passado e há um esforço de tentar melhorar margem com lançamentos neste ano.

No acumulado de 2024, o grupo americano registrou queda de 14,6% nas vendas líquidas, para US$ 16,6 bilhões, efeito, em parte reflexo da saída de certos mercados no exerior, e houve recuo de 18,7% no quarto trimestre.

O prejuízo alcançou US$ 305 milhões em 2024, revertendo o lucro líquido de US$ 488 milhões em 2023.

Balanço global publicado em fevereiro mostra que Brasil e México vêm sustentando a venda da América Latina, e a região tem a segunda maior taxa de crescimento global, de 7,3% (excluindo câmbio) no quarto trimestre, e lidera em termos de ganho de margem frente a 2023, frente a todas as outras regiões.

Para 2025, estão previstos cerca de 40 lançamentos para Brastemp e Consul, na mesma faixa dos últimos dois anos, com a maior parte voltada para o segundo semestre, que apesar do desafio do risco de desaceleração, é o período mais forte da indústria.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Infomoney - SP   28/03/2025

A rentabilidade dos imóveis residenciais no Brasil subiu para 19,1% ao ano em 2024, comparado aos 16,4% no ano anterior. É o que indica um novo levantamento do QuintoAndar em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Segundo o estudo, esse retorno é resultado da soma do rendimento estimado com o aluguel (6,2%) e da média de valorização dos imóveis no período (12,9%). Esse aumento significa que um apartamento de 50 m², que tenha sido comprado por R$ 365 mil há um ano, por exemplo, teria rendido, em média, quase R$ 70 mil em 2024.

A análise desenvolvida sugere que a combinação entre valorização patrimonial e renda gerada pelo aluguel posiciona o imóvel residencial como uma opção competitiva de investimento no contexto pós-pandemia”, afirma André Braz, economista do FGV IBRE, em nota.

O estudo mostra um aquecimento gradual do mercado imobiliário desde a pandemia de Covid-19, sendo possível perceber uma recuperação consistente no valor dos aluguéis em algumas capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte desde 2020, com ganhos similares aos do período pré-crise sanitária.

Além disso, essas capitais lideraram a rentabilidade bruta do setor no ano passado. Em Belo Horizonte, a estimativa chegou a 26,6% ao ano, enquanto o São Paulo e Rio de Janeiro registraram rentabilidades de 17,2% e 12,9%, respectivamente. Já em relação aos valores de venda, houve uma tendência geral de queda, sendo BH uma exceção, reflexo da nova dinâmica do mercado imobiliário, com alta de juros e ajustes na demanda.

A análise da FGV Ibre sugere que o desempenho do mercado imobiliário residencial pode ser uma alternativa interessante complementar de investimento, ainda que seja preciso levar em conta a questão da liquidez. A característica de proteção contra a inflação, renda periódica via aluguel e potencial de valorização patrimonial reforça o papel estratégico do setor.

Apesar de uma boa rentabilidade dos imóveis, Thiago Reis, gerente de Dados do Grupo QuintoAndar, reforça que o setor ainda está abaixo do seu potencial total de transações, dada a falta de acessibilidade ao crédito para grande parte da população. Para ele, equilibrar o mercado e torná-lo mais inclusivo e eficiente, é primordial enfrentar o déficit habitacional do País.
Valor médio dos imóveis caiu

Embora o mercado tenha observado uma alta na rentabilidade, há ressalvas: o estudo mostra que o valor médio dos imóveis caiu – em termos reais – nesse período.

O preço médio do metro quadrado em 2024 foi de R$ 8,9 mil, abaixo dos R$ 12,3 mil de 2020, considerando o ajuste da inflação, o que representa uma queda de cerca de 28%.

Infomoney - SP   28/03/2025

Ruan Argenton, analista do setor imobiliário da XP, participou do programa Morning Call da XP e explicou as potenciações revisões do Minha Casa Minha Vida (MCMV), apesar do programa apresentar a melhor performance de sua história.

“Quando se olha janeiro de 2025, aumentou a meta de contratações para o MCMV, que foi para 2,5 milhões até 2026 – essa meta era de 2 milhões”, explicou o analista.

“A gente deve ter em 2025 e 2026 anos acelerados de contratações já que até 2024 foi feita a metade desse número”, disse. Mas, ele explicou que se tem um potencial de demanda em 2025 que é diferente do cenário de 2024.
Argenton relatou que o grupo 3 do Minha Casa Minha Vida sofreu uma queda de demanda por uma limitação para as unidades usadas. “E os grupos 1 e 2 do MCMV, que comportam as rendas mais baixas do programa, elas devem sofrer um pouco mais com o cenário de desaceleração econômica”, acrescentou.

“Então, está tendo um cenário de demanda enfraquecida dentro do MCMV com uma meta muito ambiciosa do governo”, pontuou.

O programa tem hoje três faixas de renda familiar bruta mensal limite para os três grupos. “Essas faixas têm diferenças de taxas de juros entre elas. O que se percebe é que desde 2023 essas faixas estão inalteradas, no mesmo valor. E o salário mínimo já foi revisado duas vezes (no período)”, ressaltou o analista.

Segundo ele, pode haver um aumento dessas faixas de renda do MCMV em cerca de 7,5% cada uma, o que representa uma absorção considerável de famílias nas diferentes faixas, que seriam beneficiadas com taxas de juros menores – as taxas de juros caem na medida que atendem faixas de renda mais baixa, como os grupos 1 e 2 do programa.

Grupo 4

“Boa parte das famílias brasileiras está enquadrada na faixa 1 e 2. E elas são bastante sensíveis ao comprometimento de renda. E qualquer coisa que gere melhora no comprometimento de renda, isso é significativamente importante à demanda”, ressaltou.

Outro ponto destacado pelo analista seria a criação de um novo grupo, o 4. De acordo com Ruan Argenton, o grupo 4 surgiu porque foi realocado um orçamento de R$ 15 bilhões de um fundo que era dedicado ao pré-sal e foi remanejado para inflar o MCMV. “Isso criou uma oportunidade de o programa ser estendido”, explicou.

Ele explica que o grupo 4 atenderia faixas de renda de R$ 8 mil a R$ 12 mil e crescimento máximo por unidade vendida de R$ 400 mil ou R$ 500 mil.

“Por mais que essa medida pareça temporária, pela característica do orçamento, os ganhos de capacidade de compra são relevantes”, destacou.

Em relatório, a XP destacou que a criação de uma nova faixa 4 poderia aumentar a demanda por operadores de rendas variadas. Na visão da equipe de análise , a Tenda (TEND3) – seguida pela MRV&Co (MRVE3) e Plano&Plano (PLPL3) – é a que mais se beneficiará das possíveis revisões dos limites de renda dos grupos 1 e 2 devido à sua exposição significativa a faixas de renda mais baixa, o que pode levar a ganhos de VSO (Vendas sobre Oferta) e melhor seleção de clientes.

É provável que a Cury (CURY3) e a Direcional (DIRR3) se beneficiem também da criação da faixa 4, dada (i) a melhor acessibilidade nesse segmento e (ii) a inclusão completa de seus portfólios de empreendimentos nas condições do MCMV. “Se aprovado, acreditamos que isso poderá melhorar o desempenho de lançamentos no curto prazo e fortalecer as perspectivas de crescimento de ambas as empresas”, avalia.

FERROVIÁRIO

Exame - SP   28/03/2025

Imagine viajar da cidade do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo em 105 minutos, em um trem-bala que se desloca a 320 km/h, a um custo de R$ 500 pela passagem. Transformar esse sonho antigo do brasileiro em realidade é tarefa do CEO da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo. Economista formado pela Universidade de Brasília (UnB), ele foi diretor da Agência Nacional da Transporte Terrestre (ANTT) e presidente Empresa de Planejamento e Logística (EPL).

Em entrevista exclusiva à EXAME, ele contou os detalhes do ambicioso projeto que tem orçamento estimado em R$ 60 bilhões para construir a infraestrutura necessária ao longo de um traçado de 417 quilômetros e que pretende começar a operação em 2032. A TAV Brasil é a empresa autorizada pelo governo a construir e explorar o projeto pelo período de 99 anos.

A possibilidade de construção do trem de alta velocidade exclusivamente pelo setor privado passou a existir em 2021, com a aprovação pelo Congresso do marco legal ferroviário, que estabeleceu o modelo de autorização.

A legislação permitiu a TAV Brasil celebrar, em 2023, um contrato com o governo para construir e explorar o serviço por 99 anos. Neste modelo não é necessário a licitação de um projeto. Todo esse processo é conduzido pelo operador privado que recebeu a autorização.

Por duas vezes, durante a gestão de Dilma Rousseff, o governo tentou, sem sucesso, licitar o projeto. Na primeira tentativa, o Executivo contrataria uma empresa ou consórcio para construir e operar o trem-bala e, como contrapartida, o projeto seria financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entretanto, o leilão não recebeu propostas efetivas.

Sem sucesso no primeiro modelo, o governo definiu que construiria a infraestrutura e contrataria um operador, que pagaria para explorar o serviço. Mais uma vez, o projeto não saiu do papel.

Quatro estações entre Rio e São Paulo

O projeto do trem-bala entre Rio e São Paulo prevê a construção de quatro estações ao longo do trajeto de 417 quilômetros, afirmou Figueiredo. Além das estações entre Rio e São Paulo, haverá uma parada em Volta Renda (RJ) e outra em São José dos Campos (SP).

Os pontos exatos dependem da aprovação das prefeituras. No caso de Rio e São Paulo, a ideia é que sejam construídas na região central ou aproveitem estruturas já existentes para contribuir no processo de revitalização dessas áreas.

Segundo o CEO TAV Brasil, uma viagem entre todo trajeto tem custo estimado em R$ 500. Quem fizer uma o trajeto de ida e volta entre Rio e São Paulo deve gastar R$ 1.000. Já um deslocamento para Volta Redonda ou para São José dos Campos será a metade do preço: R$ 250 por trecho e R$ 500 ida e volta.

Com 38 milhões de habitantes, 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e mais de 40 destinos turísticos, os dois estados têm potencial de alavancar o crescimento com a execução do projeto. Nas contas TAV Brasil, o trem de alta velocidade tem potencial de adicionar R$ 168 bilhões ao PIB, criar 130 mil empregos diretos e indiretos, além de garantir R$ 46 bilhões em impostos até 2055.

Exploração imobiliária

Diante do custo de R$ 60 bilhões em investimentos para construção das linhas, terminais, compra de trens e sistemas operacionais, o projeto traz uma inovação em relação aos anteriores: a possibilidade de exploração imobiliária nas proximidades das estações. Com isso, o empreendimento passa a gerar receita adicional, com potencial estimado em R$ 27,3 bilhões.

A Lei de Ferrovias permite que terrenos junto às estações sejam desapropriados para criar uma área estendida em que é possível construir empreendimentos imobiliários próximos a ferrovias, como shoppings, centros empresariais e hotéis.

Segundo a TAV, ainda é possível adquirir terrenos privados para desenvolvimento imobiliário ou para evitar altos custos de desapropriação. Por exemplo, negociar com proprietários, áreas para aproveitar o crescimento da operação ferroviária. O mesmo se aplica a outras estações e imóveis estratégicos na faixa de domínio, se vantajoso.

Um caso de sucesso dessa inovação ocorreu na Coreia do Sul, na estação entre as cidades de
Cheonan e Asan, que fica a 100 quilômetros da capital Seoul. A estação foi inaugurada em 2003 e por meio dos empreendimentos imobiliários foi possível criar uma cidade que hoje tem 600 mil habitantes.

Chineses, espanhóis e fundos árabes no páreo

Após garantir a autorização do governo para o projeto, a empresa agora trabalha, segundo Figueiredo, para finalizar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para, posteriormente, pleitear licenças prévias, entre elas a ambiental, para iniciar a obra.

Em paralelo, o executivo tem negociado com empresas chinesas, espanhóis e fundos árabes para viabilizar os R$ 60 bilhões em investimentos necessários para obra, compra dos trens e sistemas de operação. Os nomes das companhias não podem ser revelados, diante dos acordos de confidencialidade estabelecidos entre as partes.

“Estamos em conversas com os espanhóis, que construíram muitas linhas de trens da alta velocidade. Também estamos conversando com empresas chinesas, que oferecem um pacote completo de equipamentos, construção e sistemas de operação. Ainda há conversas com fundos árabes. No fim, podemos fechar com um dos três ou ter uma estrutura combinada entre os três”, disse.

Atualmente, segundo Figueiredo, os chineses estão na vanguarda da tecnologia. O primeiro trem de alta velocidade foi inaugurado no Japão, em 1964, com ligação entre a capital Tokio e Osaka. Na Europa, a primeira linha em começou operar na França, entre Paris e Lyon, em 1981.

Os chineses inauguraram a primeira linha em 2008, entre as cidades de Pequim e Tianjing. De lá para cá, a China construiu 40 mil quilômetros de linhas para trens de alta velocidade dos 60 mil quilômetros existentes no mundo.

“Em todas as conversas, os possíveis parceiros apontam a necessidade de apoio local do governo brasileiro. É importante que o governo diga que o projeto é prioritário ou entre no Programa de Aceleração do Crescimento. Isso traz agilidade para os processos de licenciamento, desapropriação e financiamento”, disse.

Segundo Figueiredo, esse pedido formal já foi feito ao Ministério dos Transportes. A pasta avalia o pleito. Pelo cronograma da empresa, o processo de conclusão dos estudos técnicos ocorrerá até o fim de 2026. O planejamento prevê o início das operações em 2032 para, enfim, o sonho do trem-bala se tornar realidade.

Revista Ferroviaria - RJ   28/03/2025

NT Expo – A 23ª edição da NT Expo – Negócios nos Trilhos, um dos principais encontros do setor metroferroviário da América Latina, – que acontecerá de 22 a 24 de abril, no Distrito Anhembi, em São Paulo – será palco para debates e inovações que impactam diretamente o setor, reunindo os principais players da indústria e associações setoriais que desempenham um papel fundamental na formulação de políticas e no desenvolvimento ferroviário do país.

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), Vicente Abate, a NT Expo representa uma oportunidade única de conectar expositores e um público altamente qualificado, interessado nas inovações tecnológicas para um transporte ferroviário mais sustentável e eficiente. “Neste ano, a pauta da Abifer é mostrar ao público do evento as prioridades estabelecidas pela Frente Parlamentar para o Fortalecimento da Indústria Ferroviária Brasileira, lançada em 19 de junho de 2024, em Brasília”, diz Abate.

Investimentos, projetos e desafios da CCR na mobilidade urbana O projeto de renovação de 560 km de vias da MRS Da expansão da Malha Norte às obras na Malha Paulista: os projetos da Rumo no setor ferroviário TIC Trens: o sonho começa a virar realidade SP nos Trilhos: os projetos ferroviários na carteira do estado

A Frente Parlamentar apontou como prioridades a modernização da frota ferroviária, substituindo equipamentos com mais de 50 anos por modelos tecnológicos sustentáveis, que reduzirão significativamente o consumo de combustível e a emissão de CO², além de aumentar a produtividade e a segurança operacional. A iniciativa busca também isonomia tributária para equilibrar a competitividade do setor e o apoio ao plano do Ministério dos Transportes para elevar a participação ferroviária na matriz logística do Brasil de 27% para 40% até 2035.

Já a diretora executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Ana Patrizia Gonçalves Lira, destaca a importância da NT Expo como um espaço essencial para o debate de temas cruciais para a mobilidade urbana. “O evento impulsiona o transporte de passageiros ao reunir especialistas e autoridades que buscam soluções para os desafios do setor, seja no campo regulatório, seja na melhoria da experiência dos usuários”, afirma.

A ANPTrilhos terá um papel ativo no evento e contará com um espaço exclusivo para interagir com associados e fornecedores. Ana destaca que entre as pautas prioritárias da associação para 2025 estão o incentivo ao financiamento do transporte estruturante nas cidades, além da busca por marcos regulatórios mais claros que garantam maior segurança jurídica ao setor. “Outra pauta importante é difundir a necessidade de uma governança integrada do sistema de transporte coletivo nas cidades brasileiras, abrangendo a parte modal, tarifária e administrativa”.

Passando para o segmento de transporte ferroviário de cargas, o diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Davi Barreto, ressalta que as ferrovias são peça-chave para tornar o Brasil mais competitivo e ambientalmente mais sustentável.

Ele pontua que é fundamental posicionar o setor ferroviário como protagonista na agenda de combate às mudanças climáticas, em especial neste ano em que o Brasil sediará a COP-30. Isso porque os trens emitem 85% menos gases de efeito estufa que caminhões, de forma que a redução das emissões do setor de transportes no Brasil e no mundo depende do aumento das operações das ferrovias.

“Direcionar recursos públicos e trazer novas fontes de financiamento, como o Fundo Clima para o setor ferroviário são pautas que defendemos, por entender que precisamos prover à sociedade um transporte mais barato, eficiente e de baixo impacto ambiental”, diz Barreto.

O presidente da ANTF também reforça que 2025 deve ser um ano de investimentos expressivos no setor ferroviário, impulsionado pelas renovações antecipadas dos contratos de concessão e por projetos greenfield como a Transnordestina, Ferrovia de Integração Centro-Oeste, Ferrovia Vicente Vuolo e Ferrovia de Integração Oeste-Leste.

Congresso NT Expo

Vicente Abate (ABIFER), Ana Patrizia Gonçalves Lira (ANPTrilhos) e Davi Barreto (ANTF) são palestrantes convidados do Congresso NT Expo que reunirá líderes da indústria, representantes governamentais, empresários e especialistas para debater a ampliação e a modernização da infraestrutura ferroviária no país.

“As associações setoriais desempenham um papel fundamental na construção de uma agenda estratégica para o desenvolvimento da cadeia ferroviária no Brasil. A NT Expo é um espaço essencial para que esses atores compartilhem conhecimento, alinhem prioridades e impulsionem políticas que favoreçam a modernização e a expansão do setor. Fortalecer o transporte ferroviário significa investir em um modal mais eficiente, sustentável e competitivo, capaz de reduzir custos logísticos e contribuir para a descarbonização da matriz de transportes do país”, comentou o head do portfólio de Infraestrutura e Tecnologias da Informa Markets, Fernando D’Ascola.

A programação do Congresso NT contará com painéis de temas estratégicos, como o impacto econômico da expansão ferroviária no transporte de cargas, o projeto da ferrovia transoceânica, a inteligência artificial nos trilhos, a cibersegurança e a implementação do 5G no transporte ferroviário. E ainda o painel internacional “Insights globais: tendências para o setor ferroviário e cases de sucesso”, com participação do vice-presidente da International Heavy Haul Association (IHHA), Antonio Merheb.

Entre os palestrantes convidados estão também a professora do Departamento de Engenharia de Transportes da USP, Rosângela dos Santos Motta, o engenheiro no departamento de Transporte e Logística da área de Infraestrutura do BNDES, Edson José Dalto, o secretário-geral ALAF Brasil, Jean Pejo, o presidente-executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), Luiz Henrique Baldez e o CEO da RV Conecta Infra, Rodrigo Vilaça.

NT Expo – Negócios nos Trilhos – 23ª Edição

Data: 22 a 24 de abril de 2025.

Local: Distrito Anhembi, São Paulo/SP.

Horário: das 13 às 21h.

NAVAL

Exame - SP   28/03/2025

A cabotagem, o transporte de cargas entre portos do mesmo país, tem se tornado cada vez mais importante no Brasil, especialmente após o lançamento do BR do Mar, um programa do governo que foi sancionado em 2022 para incentivar o uso desse modal. Consequentemente, aumenta a concorrência, reduz custos e torna a cabotagem uma opção mais acessível para as empresas brasileiras.

No país, onde mais de 80% da população vive perto da costa, a cabotagem reduz custos de transporte, melhora a segurança das mercadorias e ainda emite quatro vezes menos CO2 do que o transporte rodoviário.

É nesse cenário de crescimento que a Norcoast entrou no mercado. Criada em 2024, a empresa é a primeira nova operação de cabotagem no Brasil em 20 anos. Formada pela parceria entre a Hapag-Lloyd e a Norsul, a joint-venture já conquistou 20% de market share e tem 400 clientes ativos.

Mirando R$ 1 bilhão de faturamento em 2025, o dobro do resultado do ano anterior, a Norcoast movimentou mais de 70 mil TEUs — a unidade equivalente a contêineres de 20 pés (aprox. 6 metros) — em um ano de operação. São cerca de 4 mil campos de futebol enfileirados.

A joint-venture que fortalece a Norcoast

A Norcoast nasceu da parceria entre duas grandes empresas: a Hapag-Lloyd e a Norsul, uma das mais tradicionais operadoras de cabotagem no Brasil. Fundada em 1963 pelo norueguês Erling Lorentzen, começou transportando trigo da Argentina para o porto de Santos e foi a primeira empresa a introduzir o comboio oceânico e o transporte de cimento no país.

Gigante do setor, a alemã Hapag-Lloyd começou oficialmente em 1847, focando no transporte de passageiros e mercadorias entre Alemanha e EUA. No século seguinte, em 1970, conquistou o nome atual na fusão com a empresa alemã Norddeutscher Lloyd e passou a focar no transporte de contêineres. De lá para cá, se fundiu com outras três empresas: a americana CP Ships, a latina CSAV e a asiática United Arab Shipping Company.

Quase dois anos após o início do BR do Mar, essas empresas anunciaram uma joint-venture para fundar a Norcoast. "O mercado estava pedindo por uma mudança. Nossa chegada trouxe uma proposta de valor diferente, mais focada em flexibilidade e sustentabilidade", diz o CEO Fabiano Lorenzi.

Navio da Norcoast: empresa movimentou 70.000 TEUs em um ano de operação

Expansão pelos mares

A empresa já está presente em seis portos brasileiros: Paranaguá (PR), Itajaí (SC), Santos (SP), Suape (PE), Pecém (CE) e Manaus (AM). Ela possui quatro navios, cada um com capacidade para 3.500 TEUs. O quadro de funcionários é de aproximadamente 300 colaboradores dentro e fora do navio.

Em 2025, a joint-venture está focada em consolidar sua operação e continuar apostando na inovação tecnológica para melhorar a experiência do cliente. A empresa pretende expandir as operações para outras regiões do Brasil, atendendo tanto grandes embarcadores quanto pequenas empresas que ainda estão começando a usar a cabotagem como modal de transporte.

"Estamos em um setor com muito potencial de crescimento. O Brasil tem uma costa enorme [cerca de 8.000 km], e a cabotagem é a solução logística do futuro", afirma Lorenzi.

Portal Fator Brasil - RJ   28/03/2025

O processo foi disputado por 22 competidores e o vencedor foi o grupo Tsakos. As embarcações, com 150 mil toneladas de porte bruto cada, serão construídas no estaleiro Samsung, na Coreia do Sul. O contrato tem valor de US$ 2 bilhões para os nove navios durante os próximos 15 anos e segue modelo de afretamento a casco nu.

A Transpetro fechou novos contratos para avançar na modernização da sua frota de navios aliviadores com a contratação de nove navios de posicionamento dinâmico de alta tecnologia da classe Suezmax DP2. As embarcações irão dobrar a capacidade atual de alívio das plataformas do Sistema Petrobras de 700 mil toneladas de porte bruto (TPB) para 1,35 milhão de TPB até 2028.

Atualmente, a Transpetro opera sete aliviadores de posicionamento dinâmico e dobrará a capacidade operacional com essas novas embarcações, que contarão com inovações tecnológicas e melhor eficiência energética, adequadas ao aumento de produção de sua holding.

A contratação dos novos aliviadores de posicionamento dinâmico foi realizada por meio de consulta internacional ao mercado conduzida pela TIBV, subsidiária holandesa da Transpetro, e concluída em março de 2025.

O processo foi disputado por 22 competidores e o vencedor foi o grupo Tsakos. As embarcações, com 150 mil toneladas de porte bruto cada, serão construídas no estaleiro Samsung, na Coreia do Sul. O contrato tem valor de US$ 2 bilhões para os nove navios durante os próximos 15 anos e segue modelo de afretamento a casco nu.

A expansão da frota de navios aliviadores de alta tecnologia irá recompor a frota da TIBV e acompanhar o crescimento da produção nacional de petróleo prevista pela Petrobras. Dois desses navios aliviadores serão entregues em 2027, e os outros sete, em 2028.

— Navios aliviadores são navios tanque especialmente desenvolvido para transportar óleo das plataformas “FSO, FPSO” para as refinarias—.

A Transpetro é pioneira na solução de navios de posicionamento dinâmico para a Petrobras desde 2010, quando iniciou afretamentos desse tipo de embarcação para alívio das plataformas.

Os navios contratados — Utilizados para alívio de plataformas que produzem petróleo em águas profundas e ultraprofundas, os nove navios de posicionamento dinâmico da classe Suezmax DP2 fazem parte de uma nova geração de navios, que garantem maior eficiência energética e menor emissão de gases que provocam o efeito estufa.

As embarcações são mais econômicas e possuem estabilidade adicional para a saída de águas ultraprofundas, garantindo maior eficiência durante a operação e fortalecendo a segurança.

As novas embarcações terão itens adicionais de eficiência energética, como motores de baixa emissão de NOx (Tier III), sistema de carregamento pela proa (BLS), preparação para combustíveis alternativos, como metanol e etanol, e conexão com energia em terra (shore-power) em terminais eletrificados.

Esse pacote tecnológico permitirá a redução em até 30% nas emissões de gases poluentes, atendendo as determinações da Organização Marítima Internacional (IMO) e reforçando o compromisso da Transpetro com a descarbonização de suas operações.

— A Transpetro segue sua nova trajetória de ampliação da capacidade logística, investindo em tecnologia de ponta e garantindo que o Sistema Petrobras amplie sua produção de petróleo de maneira sustentável e com menos emissões —afirma o diretor de Transporte Marítimo, Jones Soares.

Expansão da frota — Desde 2023, a Transpetro tem ampliado investimentos para consolidar seu protagonismo como maior operador logístico multimodal da América Latina.

Em fevereiro deste ano, companhia assinou o primeiro contrato do Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras para aquisição de quatro navios da classe Handy, que serão construídos pelo consórcio dos estaleiros Rio Grande (RS) e Mac Laren (RJ), no Brasil.

Navios gaseiros — Também em 2025, no âmbito do mesmo programa, a Transpetro lançou a licitação pública internacional para a aquisição de oito navios gaseiros com capacidade de sete mil, dez mil e 14 mil metros cúbicos em dois lotes.

A companhia pretende ampliar em 25% a capacidade logística de cabotagem até 2030.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   28/03/2025

O governo federal avalia uma proposta do Ministério de Minas e Energia (MME) sobre a possibilidade de venda de óleo excedente em áreas do pré-sal não contratadas nos campos de Atapu, Mero e Tupi.

A informação foi publicada pela Folha de São Paulo e confirmada pelo Estadão/Broadcast. A expectativa apontada é de uma arrecadação entre de até R$ 37 bilhões, disseram integrantes do governo.

O certame em avaliação tem como referência os chamados Leilões do Excedente da Cessão Onerosa, em áreas do pré-sal.

O contrato firmado entre a Petrobras e o governo federal em 2010, por exemplo, autorizava a companhia a explorar jazidas de petróleo em seis áreas na região, em até cinco bilhões de barris. Porém, com novos estudos na região, foi descoberto que o volume contido nas áreas contratadas era maior que o acordado.

Ou seja, o excedente é o volume que ultrapassa os patamares contratados para serem produzidos no contrato de cessão onerosa. Na gestão do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro houve licitação do volume de óleo remanescente.

Infomoney - SP   28/03/2025

O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Pietro Mendes, apresentou um estudo que prevê a geração de US$ 56 bilhões em investimentos, uma arrecadação governamental de US$ 200 bilhões e mais de 300 mil empregos com a liberação da exploração na Margem Equatorial brasileira.

No documento, Mendes destaca que a licença do Ibama para que a Petrobras (PETR3;PETR4) inicie atividades no local precisa sair até abril deste ano para que a perfuração seja concluída até outubro, quando vence o contrato da sonda que será deslocada da bacia de Campos para o Amapá, afretada da Foresea.

O mercado espera que, após o retorno do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do Japão, uma reunião entre ele, ministros e o presidente do Ibama resolva o impasse. Isso poderia impulsionar as ações da Petrobras, caso se confirme a emissão da licença.
A exploração da Margem Equatorial é fundamental para a Petrobras recompor as reservas de petróleo no Brasil, que começarão a declinar na próxima década.

“O único ponto pendente do processo de licenciamento é o tempo de resposta a eventual fauna oleada, que está sendo equacionado pela Petrobras com a construção do novo Centro de Reabilitação de Despetrolização de Fauna (CRD)”, informa a apresentação, realizada enquanto Pietro, também presidente do Conselho de Administração da Petrobras, exercia o cargo de ministro interino, em substituição a Alexandre Silveira, que estava em viagem com o presidente Lula ao Japão.

A partir de 7 de abril, o CRD poderá ser vistoriado, informa o estudo.

‘Novo pré-sal’

O documento destaca que a Margem Equatorial pode conter um “novo pré-sal”, em similaridade com as descobertas da Guiana e Suriname, e que o poço que será perfurado, o FZA-M-59, foi adquirido em uma licitação do governo (11ª Rodada de Licitações) pela Petrobras, com 30%, e a BP, com 70%.

Por este motivo, argumenta o estudo, não há porque haver negativa da licença.

A demora da emissão da licença ambiental fez a BP desistir da parceria com a Petrobras, em 2021.

Ainda na apresentação, Mendes destaca que os recursos destinados para a bacia Foz do Amazonas, pela Petrobras, equivalem ao dobro dos empregados nas bacias de Campos e Santos para centenas de poços. “É a maior estrutura de resposta do País”, informou.

Segundo o estudo, a Petrobras já investiu R$ 1 bilhão na perfuração do poço, sendo o aluguel da sonda estimado em cerca de US$ 400 mil por dia.

RODOVIÁRIO

Valor - SP   28/03/2025

Gestoras avaliam plataforma, que deve incluir BR-381; grupos analisam leilão da Concer, segundo pessoas a par do tema

O Opportunity planeja ampliar sua atuação no setor rodoviário. A gestora, que neste ano conquistou sua primeira concessão no setor, em consórcio com a 4UM, estuda formar uma plataforma com a sócia para os novos leilões. Além disso, o grupo se prepara para estruturar um braço de construção voltado ao segmento, segundo fontes.

Nesse arranjo, o Opportunity também deverá entrar com uma participação na concessionária da BR-381 em Minas Gerais, a chamada “Rodovia da Morte”, afirmam pessoas a par do tema. A 4UM havia conquistado sozinha esse projeto, que foi licitado em agosto do ano passado e teve contrato firmado com a União no início deste ano.

A 4UM entrou no setor de concessões rodoviárias por meio de um Fundo de Investimentos em Participações (FIP) formado pelas famílias Malucelli, Salazar, Federmann e Backheuser, donas das construtoras J.Malucelli, Aterpa, Senpar e Carioca Engenharia, respectivamente.

No arranjo, as empresas de engenharia ficaram de fora do controle direto da operadora rodoviária, porém entram na parte de estudos e de execução das obras. Nesse contexto, o Opportunity estaria se preparando para também formar um braço de engenharia, a princípio voltado a rodovias, segundo uma fonte.

Na licitação da BR-381, a primeira do grupo, a companhia concorreu justamente contra o Opportunity, que perdeu a disputa na ocasião. No leilão seguinte, realizado em setembro, as empresas surpreenderam o restante do mercado ao formarem um consórcio para disputar juntas a concessão da Rota dos Cristais, em Minas Gerais - o grupo, porém, perdeu a concorrência para a francesa Vinci. Em dezembro, o consórcio voltou a perder outra licitação, do Lote 3 do Paraná, para a CCR.

Gestora poderá entrar com participação na concessão da ‘Rodovia da Morte’

Em fevereiro deste ano, as empresas venceram o leilão da Rota Agro Norte, concessão federal de estradas em Rondônia, no qual apresentaram a única proposta.

A ideia de consolidar a parceria, incluindo a BR-381 no acordo, já estava na mesa desde o ano passado, mas agora ganhou corpo com a conquista do primeiro contrato conjunto. Os dois sócios já combinaram de atuar preferencialmente juntos no setor rodoviário e começaram a se movimentar para estruturar o arranjo, disseram fontes. Uma pessoa a par do tema diz que a formação de uma plataforma fará mais sentido quando uma terceira concessão for conquistada, para que haja mais captura de sinergias e centralização de operações.

Hoje, as duas empresas já estão estudando a licitação da BR-040, entre Juiz de Fora (MG) e Rio de Janeiro, afirma a fonte. O projeto, que é fruto da relicitação da Concer (Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora-Rio de Janeiro), deverá ser leiloado pelo governo federal no dia 30 de abril. O principal desafio do contrato é justamente a parte de engenharia, devido à obra da nova subida da serra de Petrópolis.

Procurados pela reportagem, Opportunity e 4UM preferiram não se manifestar.

TOP