Clipping Diário

31 | Março | 2025

SIDERURGIA

IstoÉ Online - SP   31/03/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, pela primeira vez, que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre as importações brasileiras de aço e alumínio. As novas tarifas entraram em vigor neste mês, afetando diretamente o Brasil, que é o segundo maior fornecedor de aço para o mercado norte-americano.

Além da apelação à OMC, Lula afirmou que o país considera sobretaxar produtos norte-americanos como forma de aplicar a “lei da reciprocidade”. A estratégia visa pressionar os Estados Unidos a reverem as tarifas ou, ao menos, retornar ao sistema anterior de cotas de exportação, que vigorou até recentemente. Até o momento, as negociações lideradas pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, não avançaram.

Durante visita ao Japão, Lula criticou duramente a política tarifária do presidente Donald Trump, argumentando que essas medidas prejudicam tanto o comércio global quanto o próprio mercado norte-americano, gerando inflação. A expectativa do governo brasileiro é tentar avançar nas negociações para evitar que outros produtos brasileiros sejam atingidos pelas novas tarifas que poderão ser anunciadas em breve pelos EUA.

Portal Fator Brasil - RJ   31/03/2025

Alta de 0,9% frente ao mesmo período do ano anterior. No mês de fevereiro a produção atingiu 2,7 milhões de toneladas, queda de 1,6% frente ao apurado no mesmo mês de 2024. As exportações em fevereiro foram 892 mil toneladas, ou US$ 678 milhões, alta de 29,3% e de 19,3%, respectivamente, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2024. No acumulado janeiro a fevereiro de 2025 a soma foi de 1,8 milhão de toneladas, ou US$ 1,3 bilhão, respectivamente, crescimento de 10,7% e de 6,9% na comparação com o mesmo período de 2024. As importações tiveram alta no mês e no ano, tanto em volume quanto em valor.

A produção em fevereiro de 2025 a produção brasileira de aço bruto foi de 2,7 milhões de toneladas, uma queda de 1,6% frente ao apurado no mesmo mês de 2024. Já a produção de laminados foi de 1,9 milhão de toneladas, 0,8% superior à registrada em fevereiro de 2024. A produção de semiacabados para vendas foi de 620 mil toneladas, uma retração de 18,4% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2024, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil.

Consumo e vendas — As vendas internas avançaram 8,1% frente ao apurado em fevereiro de 2024 e atingiram 1,7 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos siderúrgicos foi de 2,1 milhões de toneladas, 10,9% superior ao apurado no mesmo período de 2024.

Exportações — As exportações de fevereiro de 2025 foram de 892 mil toneladas, ou US$ 678 milhões, o que resultou em aumento de 29,3% e de 19,3%, respectivamente, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2024.

Importações — As importações de fevereiro de 2025 foram de 469 mil toneladas e de US$ 489 milhões, um aumento de 5,1% em quantum e redução de 0,3% em valor na comparação com o registrado em fevereiro de 2024.

Produção anual — A produção brasileira de aço bruto foi de 5,5 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a fevereiro de 2025, o que representa um aumento de 0,9% frente ao mesmo período do ano anterior. A produção de laminados no mesmo período foi de 3,9 milhões de toneladas, redução de 0,1% em relação ao registrado no mesmo acumulado de 2024. A produção de semiacabados para vendas totalizou 1,3 milhão de toneladas de janeiro a fevereiro de 2025, uma queda de 14,6% na mesma base de comparação.

Vendas — As vendas internas foram de 3,4 milhões de toneladas de janeiro a fevereiro de 2025, o que representa uma elevação de 6,6% quando comparadas com igual período do ano anterior.

Consumo — O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 4,3 milhões de toneladas no acumulado até fevereiro de 2025. Este resultado representa um aumento de 12,0% frente ao registrado no mesmo período de 2024.

Importações — As importações alcançaram 1,0 milhão toneladas no acumulado até fevereiro de 2025, um aumento de 25,6% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 1,0 bilhão e avançaram 15,2% no mesmo período de comparação.

Exportações — As exportações de janeiro a fevereiro de 2025 atingiram 1,8 milhão de toneladas, ou US$ 1,3 bilhão. Esses valores representam, respectivamente, crescimento de 10,7% e de 6,9% na comparação com o mesmo período de 2024.

Rio de Janeiro — O Rio de Janeiro produziu, em fevereiro, 811 mil toneladas de aço bruto, registrando um crescimento de 4,6% em relação à produção do mesmo mês do ano passado. O estado foi responsável por 29,8% da produção nacional de aço, no mês. Os dados são do Instituto Aço Brasil, que representa as empresas brasileiras produtoras de aço.

— O crescimento na produção de aço bruto em nosso estado demonstra a força da nossa indústria e a importância de seguirmos trabalhando para fortalecer a economia do Rio. Estamos reconquistando o protagonismo nacional, fazendo com que o estado ocupe posições cada vez melhores, atraindo ainda mais oportunidades de trabalho e renda ao povo fluminense —afirmou o governador Cláudio Castro(PL).

No acumulado do ano, de janeiro a fevereiro, o RJ acumula 1,6 milhão de toneladas, alta de 7,2% em relação ao mesmo período no ano passado, representando 29,5% da produção nacional.

— Em fevereiro, nas duas comparações, mensal e anual, tivemos resultados percentuais de crescimento acima de Minas Gerais, principal produtor nacional de aço — destaca a secretária interina de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, Fernanda Curdi.

Em 2024, o Rio de Janeiro produziu 8,8 milhões de toneladas de aço. Um crescimento de 2,4% em relação à produção de 2023, consolidando o estado como o segundo maior produtor do país: foi responsável por 26,2% da produção nacional, atrás apenas de Minas Gerais.

Na distribuição regional de aço de todos os tipos o ranking nacional fica com Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, respectivamente, nesta ordem. No ranking mundial o Brasil é o nono produtor de aço.

O Instituto Aço Brasil também divulgou o Índice de Confiança da Indústria do aço (ICIA), referente ao mês de março de 2025, o indicador caiu 2,4% ante o mês anterior, e atingiu 32,3 pontos, é a quinta queda seguida da confiança do segmento do aço, e distanciou ainda mais da média histórica de 53 pontos, — todos os componentes do ICIA continuam abaixo dos 50 pontos.

ECONOMIA

Globo Online - RJ   31/03/2025

O Banco Central (BC) divulgou nesta sexta-feira o relatório Firmus, que apresenta um panorama das expectativas econômicas para os próximos anos. O estudo revela que empresas fora do setor financeiro ajustaram suas projeções para a inflação (IPCA) de 2025, elevando-a de 4,2% em novembro de 2024 para 5,5% em fevereiro de 2025. Esse aumento indica que a inflação deve ser mais alta do que o previsto anteriormente, refletindo uma visão mais pessimista dos especialistas sobre a economia.

Além disso, a previsão para a inflação de 2026 também aumentou, passando de 4,0% para 4,5%. Para 2027, a expectativa foi mantida em 4,0%. Em relação ao crescimento da economia, o Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 se manteve em 2,0%, o que indica que a economia deve crescer, mas de forma mais lenta. A previsão para a taxa de câmbio também foi alterada, passando de R$/US$ 5,70 para R$/US$ 6,00, o que mostra que o real tende a se enfraquecer em relação ao dólar.

O relatório também mostra que as empresas estão mais pessimistas sobre a economia atual. A maioria delas está com uma visão "discretamente negativa", ou seja, não acredita que o cenário vá melhorar em breve. Mesmo com a expectativa de crescimento de alguns setores, as empresas estão com menos confiança no futuro e esperam aumentos elevados nos custos, como o preço da mão de obra e dos insumos, o que contribui para a inflação.

A Pesquisa Firmus foi criada para entender como as empresas não financeiras veem a economia e como isso pode afetar suas decisões de negócios. A pesquisa é feita quatro vezes ao ano (fevereiro, maio, agosto e novembro). A pesquisa ainda está em sua fase piloto, o que significa que está sendo testada para avaliar se as perguntas são claras e eficazes. Até agora, foram realizadas seis rodadas, sendo a última entre 10 e 28 de fevereiro de 2025, com 156 respostas completas, 20 a mais que na rodada anterior. Nesta edição, foram adicionadas perguntas sobre o custo de insumos e sobre a inflação de 2027, enquanto foram retiradas questões sobre o PIB e a inflação de 2024.

O relatório conclui que a economia brasileira enfrenta desafios, como a inflação mais alta, aumento no custo de vida e a possibilidade de uma moeda mais fraca. Isso exige atenção e cautela das empresas e da sociedade para os próximos meses.

O Estado de S.Paulo - SP   31/03/2025

Para o Banco Central (BC), a taxa de inflação se aproximará do centro da meta de 3% fixada pelo governo somente depois do atual mandato, mais precisamente a partir do terceiro trimestre de 2027, para quando as projeções do banco apontam um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,1%. O atual presidente da instituição, Gabriel Galípolo, ainda estará no cargo, seja qual for o próximo governo, já que, pela regra de não coincidência de mandatos, um dos principais pilares da autonomia do BC, sua gestão termina só em dezembro de 2028.

Até convergir para a meta, a inflação se manterá acima de 5% durante o ano de 2025 e orbitará próxima ao teto (4,5%) no início de 2026 antes de iniciar o recuo lento rumo ao objetivo, como mostrou o Relatório de Política Monetária do BC. Na primeira entrevista coletiva desde que assumiu o cargo, Galípolo reconheceu que o cenário não é confortável. “As expectativas nos incomodam muito”, admitiu.

A manutenção do rigor da política monetária, com juros de dois dígitos que, na estimativa do mercado, devem fechar este ano em 15%, é hoje uma incógnita, menos pelos sinais emitidos pela diretoria do BC e mais pela sanha eleitoreira de Lula da Silva. Galípolo – o escolhido de Lula para comandar o banco e que já foi chamado pelo petista de “menino de ouro” – continua a garantir que será diligente na missão de conduzir a inflação ao centro da meta, mas disse que o BC está “tateando” para saber se a taxa de juros está no nível contracionista suficiente para atingir o objetivo.

Na mesma manhã em que o relatório sobre a política monetária estava sendo apresentado, o IBGE divulgou a prévia da inflação de março (IPCA-15), que subiu menos do que a do mês anterior e mesmo assim elevou o acumulado da taxa em 12 meses para 5,26%, ou seja, muito além do limite máximo tolerado. O avanço contínuo da inflação parece desconsiderar os elevados juros básicos da economia (Selic), que já atingem 14,25% ao ano. Galípolo tem razão ao falar do incômodo com relação ao futuro.

No acompanhamento da economia, o governo Lula da Silva tem demonstrado um otimismo não compartilhado nas avaliações do BC, a autoridade monetária que tem como principal função preservar o poder de compra do real. A previsão oficial de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Ministério da Fazenda é de 2,3% neste ano. O ministro Fernando Haddad já fala em 2,5%, mas o relatório do BC acaba de baixar de 2,1% para 1,9% a sua previsão.

Para a política de juros, a queda na atividade é positiva, já que o desempenho da economia acima de seu potencial tem sido um dos principais impulsionadores da inflação e, por consequência, da alta de juros necessária para contê-la. Mas o banco considera os sinais de moderação na economia ainda “incipientes”.

As nuances que evidenciam as diferenças de análise dentro do governo preocupam. No mesmo dia da divulgação do relatório do BC e do IPCA-15, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, apresentou as contas do governo no primeiro bimestre, um superávit de R$ 53,184 bilhões, o melhor resultado desde 2022. Ceron chegou a comentar que a despesa do governo caiu num esforço de harmonização da política fiscal com a monetária, mas acabou por admitir que o atraso na aprovação do Orçamento – e a consequente restrição compulsória dos gastos – pesou no resultado.

A conciliação das políticas monetária (em atual estágio contracionista) e fiscal (expansionista) é uma reivindicação recorrente do BC para reunir esforços na mesma direção de controlar a inflação, mas não é a isso que o País tem assistido.

O fato de que o governo avalia antecipar o 13.º dos aposentados é mais uma prova de que Lula da Silva continua empenhado em injetar recursos na economia, apesar da necessidade de conter o consumo, conforme manifestou o Comitê de Política Monetária do BC. As iniciativas do governo vão em sentido contrário, como o programa de incentivo ao empréstimo consignado privado que, ao menos nesta primeira etapa, é voltado ao aumento da demanda. Se isso vai alimentar a inflação, é problema do próximo presidente.

O Estado de S.Paulo - SP   31/03/2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assegurou nesta sexta-feira, 28, que o governo vai trabalhar na reconstrução do superávit primário, ou seja, buscar arrecadar mais do que gasta.

Ao lembrar que o Orçamento deste ano prevê um pequeno superávit de 0,1% do PIB - que foi visto como superestimado por especialistas -, o ministro sustentou que o reequilíbrio das contas públicas é necessário para uma melhor trajetória da dívida pública, que hoje preocupa o mercado.

“Vamos continuar trabalhando na reconstrução do superávit primário, que a gente entende que tem que ser reconstruído justamente para voltar às boas em relação à trajetória da dívida”, disse Haddad em encerramento da conferência promovida pela Arko Advice e Galapagos Capital.

“E é meio que um passe de mágica quando isso acontece. A hora que todo mundo perceber que a coisa está indo no caminho certo, você precipita o negócio. Você tem um efeito de precipitação, aí as agências de risco, que já estavam animadas com o Brasil, vão ficar mais animadas”, acrescentou o ministro.

Ele afirmou que os economistas, considerando suas previsões iniciais, antes da tragédia no Rio Grande do Sul, erraram em R$ 80 bilhões o déficit primário do ano passado.

Conforme Haddad, o caminho correto para estabilizar a dívida, que pode parecer não ser o mais curto, é o de moderação e persistência no cumprimento das metas. Segundo o ministro, não é fácil convencer as pessoas de que é preciso ter austeridade nas contas públicas, mas lembrou dos resultados positivos colhidos nos dois primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citando a queda, na época, da dívida líquida, o pagamento da dívida externa e o acúmulo das reservas cambiais.

“Eu sempre gosto de passar uma mensagem realista, por isso que a primeira parte da resposta é ‘temos problemas, temos aí uma conta para pagar’. Mas, ao mesmo tempo, defender o óbvio: a economia brasileira, quando ela é bem tratada, ela devolve em dobro o que você deu pra ela, porque tem muita oportunidade no Brasil. É um país cheio de oportunidades. Então, tratar com carinho a economia brasileira vale muito a pena.”
Preços vão reagir e BC vai sair de situação ‘muito restritiva’, diz Haddad

Haddad disse que a inflação tende a responder ao aumento dos juros, abrindo espaço para o Banco Central (BC) “sair” de uma política monetária “exageradamente restritiva”.

Ao comentar a deflação registrada pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) em março, o ministro observou que os preços do atacado são os primeiros a reagir a uma acomodação da inflação. “Ele começa com o IGP, e depois vai chegar ao IPCA, vai chegar ao consumidor”, disse Haddad.

“Eu acredito que os preços vão reagir à política monetária. E assim que isso acontecer, o Banco Central vai se sentir confortável de sair de uma situação de taxa muito restritiva, exageradamente restritiva”, acrescentou.

Durante o painel da conferência, Haddad salientou que o Brasil tem condições de crescer perto da média global sem pressão inflacionária. O ministro ressaltou que a situação brasileira está completamente diferente da de um país em crise.

Sobre a surpresa de economistas com a forte geração de vagas mostrada hoje pelo Caged, onde são registradas as admissões e os desligamentos de trabalhadores com carteira assinada, Haddad entende que não deveria haver motivos para sustos, já que, com a supersafra agrícola, haveria contratações.

Arcabouço fiscal é flexível e pode ser reforçado

O ministro da Fazenda voltou a dizer hoje que as regras do arcabouço fiscal podem ser reforçadas se as condições da economia mudarem.

Ele reafirmou que se sente “muito confortável” com os parâmetros atuais do arcabouço, e que a arquitetura da regra é flexível, de modo que suas metas podem ser apertadas por um futuro governo. “Amanhã, alteram-se as condições, você pode apertar mais. Vamos supor que as condições econômicas mudem para pior, você pode apertar um pouco mais”, comentou o ministro.

Haddad ressaltou que o governo vai cumprir até o fim do mandato, com tranquilidade, as métricas atuais do arcabouço.

“Mas esse tipo de debate vai ser colocado. E é normal que o governo que entrar em 2027, seja o mesmo, seja outro, pode falar ‘olha, vou ter que apertar um pouco mais o cinto, porque eu preciso endereçar uma trajetória de estabilidade mais forte’”, disse. “Isso pode acontecer. Mas a arquitetura é boa justamente porque ela é flexível”, assinalou o ministro da Fazenda.

Dólar

O ministro da Fazenda disse que não consegue enxergar equilíbrio na economia americana sem alguma desvalorização do dólar. “Não consigo ver por onde o equilíbrio vai acontecer sem o dólar passar por algum processo de desvalorização”, disse o ministro, acrescentando que as tarifas que estão sendo anunciadas pelo presidente Donald Trump não vão resolver os problemas da economia dos Estados Unidos.

“Pelo contrário, acredito que a tarifa possa agravar a situação”, ressaltou. Para o ministro, a desvalorização do dólar pode ser gradual e, talvez, já neste ano, mesmo que os juros não caiam tanto quanto o previsto na maior economia do mundo. Se isso acontecer, acrescentou, as pressões sobre o Banco Central no Brasil vão diminuir

Após participar do evento, Haddad reiterou a jornalistas que o dólar já caiu bastante e pode se acomodar em patamar mais baixo. “Não é meu papel prever em que patamar ele vai encontrar um equilíbrio, porque o câmbio no Brasil não é fixo, é variável. Mas eu acredito, conforme eu disse aqui nesse encontro, que há um cenário externo que talvez em alguns meses venha a beneficiar o Brasil”, reforçou o ministro.

Infomoney - SP   31/03/2025

Se o dólar se mantiver no patamar atual, a queda nos preços de commodities como minério, bovinos e carnes bovinas, mostrada no IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) de março, pode dar suporte a um crescimento menor da inflação oficial nos próximos meses.

A avaliação é do economista André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV/Ibre, que lembrou que as carnes já mostraram queda de 0,77% no IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é a prévia do índice oficial de inflação e que foi divulgado ontem pelo IBGE.

O IGP-M deste mês, que foi divulgado pela FGV/Ibre nesta sexta, mostrou recuo de 3,99% nos preços dos bovinos e de 5,50% nas carnes bovinas. O minério de ferro caiu 3,64% no período, e o arroz em casca teve queda de 9,11%. O índice geral recuou 0,34%.
“A queda de bovinos e carnes bovinas no IGP-M mostra potencial para que essa queda da carne bovina se sustente por mais tempo nas gôndolas do supermercado”, afirmou Braz.  Ele lembra que as carnes possuem um peso relevante dentro do IPCA, e que a disparada dos preços desse item influenciou o encarecimento de outras proteínas, como o ovo.

“O ovo é um destaque na inflação, até porque a carne ficou muito cara e as pessoas migram de uma proteína para outra, da cara para barata. É claro que isso não explica todo o aumento do ovo, mas é uma parte da explicação”, diz Braz.

IGP-M sobe 8,58% em 12 meses

Apesar das boas notícias trazidas pelo IGP-M de março, Braz lembrou que o indicador em 12 meses está subindo 8,58%, uma aceleração acentuada.

Daqui para a frente, o especialista afirma que tudo vai depender de se a desvalorização do real se sustentará ao longo do tempo, e se isso permitirá novas revisões para baixo do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo, que faz parte do IGP-M). Em março, o IPA foi puxado para baixo pelas carnes e pelo minério e recuou 0,73%.

“Vamos ver se daqui para a frente um câmbio mais estável, em torno de R$ 5,70, se mantém e abre espaço para que essa desaceleração da inflação se materialize em outros segmentos importantes do IPA, aplicando o rol de itens no IPCA que também podem apresentar esse efeito no curto prazo.”

O Estado de S.Paulo - SP   31/03/2025

Passou a significar pouca coisa repetir que as incertezas aumentaram. A mistura de percepções é de confusão e de escuridão. Para esta quarta-feira, o presidente Donald Trump prometeu um tarifaço alfandegário, cujas proporções ninguém consegue prever.

Governos, bancos centrais, consultorias e empresas ainda não têm ideia do que virá. É como dirigir à noite no meio de intenso nevoeiro em uma estrada mal sinalizada e coberta de neve.

Como sempre, nessas condições, há os que apostam que as coisas não serão tão drásticas, até porque o presidente Donald Trump ora ameaça com dentadas e, logo depois, sugere que tudo é negociável. Outras apostas são de que virá o caos na produção e nos fluxos de distribuição e, a partir daí, recessão e inflação (estagflação). E há a turma da coluna do meio, que também não sabe onde fica esse meio.

Não há clareza sobre qual é o objetivo estratégico de Trump com esse superprotecionismo. Se procura apenas certo reequilíbrio comercial entre países e blocos; se partirá para a imposição de nova posição hegemônica, dentro do seu princípio “America first”; ou se irá se contentar em passar a impressão de que está fazendo o que prometeu sem, no entanto, forçar demais a barra.

A ideia declarada é trazer de volta para os Estados Unidos empresas e investimentos em infraestrutura para criar mais empregos. No regime capitalista, investimentos sempre implicam assumir certos riscos. Mas, para navegar e tomar decisões, os dirigentes de empresas precisam de bússola e de GPS, instrumentos que hoje lhes foram negados.

Como um conselho deliberativo de uma empresa pode autorizar a instalação de uma fábrica de motores se não sabe quanto tempo podem durar essas tarifas. Uma fábrica dessas precisa de pelo menos quatro ou cinco anos para iniciar a produção.

O governo brasileiro parece confuso, tanto na avaliação das ameaças para o comércio exterior e para a economia do Brasil, quanto no tom de eventual reação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou por sugerir uma retaliação, dentro do princípio de reciprocidade. Na última quarta-feira, disse, no Japão, que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio, o que seria atitude potencialmente inútil.

Outra suposição de autoridades do governo, como a do vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, é a de que o Brasil não teria muito a temer, porque importa mais do que exporta para os Estados Unidos. Mas pode não ser por aí. Dificilmente o objetivo do presidente Trump se limitará a zerar um déficit comercial. Se for o de equalizar tarifas médias, o Brasil estará vulnerável.

A ordem econômica global que prevaleceu até aqui está ameaçada. Não dá para saber agora o que virá pela frente.

O Estado de S.Paulo - SP   31/03/2025

A indústria de transformação — aquela que usa matérias-primas para elaborar novos produtos — ganhou espaço no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024, após dois anos de retração. Em 2025, porém, a previsão é de que “ande de lado”, afetada pelo atual ciclo de aperto monetário, prevê o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

A participação da indústria de transformação no PIB brasileiro passou de 10,7% em 2023 para 10,8% em 2024. O resultado representa uma melhora, embora permaneça ainda muito aquém dos 13,6% vistos uma década antes, em 2013, segundo cálculos do Iedi obtidos com exclusividade pelo Estadão/Broadcast. Para a entidade, a base de comparação baixa favoreceu o movimento de alta.

“A gente teve uma recuperação, um crescimento, um dinamismo razoável no ano passado. Um dos fatores que mais cresceram no PIB foi a indústria de transformação. Mas em 2025 já tem um elemento importante de desaceleração, que é o nível de juros, que impacta em cheio a indústria. Porque a indústria é uma grande produtora de bens, seja para consumo, seja para investimentos. Os juros a gente sabe que bate nas duas pontas: porque encarece o financiamento, e porque amplia o custo de oportunidade do ponto de vista do investimento. Alternativas de aplicação financeira acabam ganhando preponderância frente aos projetos mobilizadores que acabariam virando Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB)”, justificou Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi.

Os cálculos do Iedi sobre a participação da indústria de transformação no PIB brasileiro têm como base os dados das Contas Nacionais Trimestrais apuradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas descontada a inflação setorial tanto da indústria quando do PIB em geral.

“Isso porque a participação da indústria pode cair no PIB pelo fato de os preços de bens industriais terem crescido menos do que os preços dos demais setores da economia. Por isso fazemos o ajuste”, explicou Cagnin.

O PIB da indústria de transformação brasileira cresceu 3,8% em 2024, após ter recuado nos dois anos anteriores: -0,5% em 2022 e -1,3% em 2023. Para 2025, Cagnin espera uma desaceleração forte na atividade econômica, via atual ciclo de elevação dos juros, com reflexos tanto na produção de bens duráveis quanto de bens de capital. No entanto, ele cita alguns elementos “mitigadores”, que podem sustentar ainda algum dinamismo, especialmente na primeira metade do ano, como a segunda fase do programa de depreciação acelerada na aquisição de bens de capital, desembolsos de aprovações já anunciada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), investimentos previstos em concessões de infraestrutura, além de ações governamentais que buscam impedir uma queda brusca no consumo.

“Tudo isso são fatores que ajudam a mitigar um pouco o efeito negativo de juros (elevados). Não vai resolver o problema, mas mitigar um pouco”, apontou Cagnin. “A subida de juros está forte, e os indicativos são que devem se manter nesse nível elevado por um bom tempo. E aí você vai erodindo as bases de repetir um dinamismo que tivemos em 2024. Então acomoda tudo, e a indústria é um desses eixos que tende a ser mais prejudicado nesse ambiente.”

Segundo o economista, há muitas dúvidas em relação a 2026, tanto por se tratar de ano eleitoral quanto por ser difícil ainda precisar o impacto das medidas anunciadas pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump sobre as trocas no comércio mundial.

“Em 2025, a perspectiva não é muito favorável para que essa curva da indústria sobre o PIB suba além dessa pequena variação, que é quase uma estabilidade, nem para que a gente consiga galgar posições no ranking internacional, porque a nossa indústria deve desacelerar neste ano também”, previu Cagnin.

O Brasil melhorou recentemente sua posição no ranking global da manufatura, embora sem ampliar sua participação no valor adicionado total do setor, mostra um estudo do Iedi com dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (United Nations Industrial Development Organization, a Unido).

Entre 2022 e 2023, o Brasil subiu da 16ª para a 15ª posição do ranking mundial da indústria manufatureira, construído a partir do valor adicionado do setor em dólares a preços constantes de 2015. Porém, o que explica essa melhora para o Brasil é a queda de três posições da Irlanda, o que também ajudou Turquia e Rússia a subirem no ranking.

“Em 2024, o Brasil deve melhorar de novo, mas isso depois deve se perder um pouco em 2025”, previu o economista.

A participação do Brasil no valor adicionado manufatureiro mundial passou de 1,22% em 2022 para 1,21% em 2023, devido a um ritmo de crescimento da indústria brasileira (alta de 2,1% em 2023) inferior ao do setor no mundo (avanço de 2,8%).

“Ter o 15º ou 16º parque industrial do mundo não é pouca coisa, está à frente de muito país importante. A gente sabe fazer, industrializar, produzir. Esse não é um conhecimento trivial de se acumular. Tanto é que a indústria no mundo inteiro é muito concentrada em poucos países. No fundo, as nações industriais de verdade são poucas. A gente tem empresas que sobreviveram a todas as adversidades que o ambiente econômico brasileiro já impôs ao negócio industrial. Não só são empresas que permanecem fortes no Brasil, como são empresas que já se internacionalizaram. Então também não têm nenhum tipo de restrição para uma concorrência internacional”, frisou Cagnin. “O que nos falta é fazer com que, por exemplo, do ponto de vista de bem primário, a gente consiga agregar valor, consiga industrializar. Porque agregar valor ao bem primário é sinônimo de industrializar a matéria-prima. É esse salto que a gente foi descarrilhando, que foi fazendo cada vez menos, e fomos exportando cada vez mais o produto in natura.”

IstoÉ Dinheiro - SP   31/03/2025

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira, 28, que o País deve aguardar o anúncio do tarifaço de Donald Trump, prometido para 2 de abril, mas que ele acredita que o Brasil deveria ficar de fora devido ao resultado positivo para os Estados Unidos na balança comercial entre os dois países. As declarações foram feitas durante participação na inauguração da nova fábrica de medicamentos da Fresenius Medical Care, em Jaguariúna (SP).

“Eu acho que nós deveríamos fazer o inverso e aproveitar novas oportunidades para a complementaridade econômica. O Brasil tem 200 anos de amizade e parceria com os Estados Unidos. Nos parece um equívoco o que foi feito. Nós tivemos uma conversa com o Howard Lutnick, que é o segundo responsável pelo Comércio Federal, e o embaixador Grier, e colocamos a nossa posição e pedimos um diálogo. Vamos aguardar o dia 2 de abril. Entendo que o Brasil devia estar fora de qualquer tributação, porque, na realidade, os Estados Unidos têm um grande superávit conosco”, disse Alckmin.

Ele frisou, em sua fala, que a balança comercial dos Estados Unidos com o Brasil é superavitária e que dos dez produtos mais exportados por eles para o País, oito não têm cobrança de qualquer tributação sobre importação.

Em relação ao aço e alumínio, frisou que a sobretaxa de 25% aplicada por Trump não é contra o Brasil, mas valeu para o mundo todo.

Ele seguiu pregando a cooperação entre os dois países e citou como exemplo o aço. “Nós somos o terceiro comprador do carvão siderúrgico americano. O terceiro comprador do carvão siderúrgico. Fazemos o semielaborado e vendemos para eles que fazem o elaborado. É uma cadeia integrada. Isso vai encarecer produtos nos Estados Unidos”, disse Alckmin.

Decisão do STF sobre Bolsonaro

Ele também foi questionado por jornalistas ao final do evento sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete pessoas réus. Eles vão responder por tentativa de golpe de Estado.

Alckmin preferiu destacar a importância da democracia. “Eu entendo que a democracia, ela foi salva, primeiro pela população brasileira, através do voto, a eleição da Constituição Brasileira, e salva também o Judiciário, que é o guardião da Constituição e o guardião da democracia. Democracia é onde o povo se manifesta, o povo é o grande protagonista. As ditaduras suprimem a liberdade em nome do pão, não dão o pão que prometeram e nem devolvem a liberdade que tomaram”, afirmou.

O Estado de S.Paulo - SP   31/03/2025

A carga tributária bruta (CBT) do governo geral atingiu 32,32% do PIB em 2024, aponta o Tesouro Nacional. Trata-se do maior patamar da série histórica, iniciada em 2010. O número representa uma elevação de 2,06 pontos porcentuais do PIB em relação ao estimado em 2023.

Os dados constam no Boletim de Estimativa da Carga Tributária Bruta do Governo Geral de 2024, publicado nesta sexta-feira, 28. O próprio Tesouro destaca que é a Receita Federal a área responsável pela publicação do dado oficial da carga tributária no Brasil.

“A elevação da CTB em 2024 foi influenciada pela reoneração de tributos federais e estaduais sobre combustíveis. Além disso, destaca-se a composição do crescimento econômico no ano, concentrado em serviços, consumo das famílias e importações”, aponta o documento.

Na decomposição por esfera de governo, a carga do governo central teve um aumento de 1,50 ponto porcentual do PIB de 2023 para 2024, indo a 21,43%. A carga dos governos estaduais cresceu 0,45 ponto, atingindo 8,50%. Já os governos municipais apresentaram um aumento de 0,12 ponto, alcançando 2,39%.

No caso da arrecadação federal, houve um aumento relevante, de 0,81 ponto na receita com tributos sobre bens e serviços, que refletem a alta do Cofins, com a reoneração de combustíveis, e as alíquotas de IPI. Também houve aumento de 0,50 ponto nos impostos de renda, na esteira da tributação de fundos exclusivos e offshore.

“Em relação à arrecadação federal, é importante considerar que uma parcela do montante arrecadado é transferida para os governos regionais. Em 2024, as transferências por repartição de receita corresponderam a 3,51% do PIB”, destacou o documento.

No caso das receitas oriundas do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), do total arrecadado, 1,10% do PIB refere-se à receita dos governos estaduais e municipais proveniente da retenção na fonte sobre os rendimentos pagos por esses entes a seus servidores e empregados. A competência de arrecadação é do governo central e esse tema está sendo discutido no âmbito da proposta do governo para ampliação da isenção do IR para R$ 5 mil.

Em relação ao aumento da carga na esfera estadual, ele se deveu à alta de 0,46 p.p. do PIB com o ICMS. “A carga tributária dos demais impostos e contribuições estaduais manteve-se relativamente estável entre 2023 e 2024", pontua. Já em relação aos governos municipais, o aumento da carga também reflete alta na arrecadação do ISS.

Metodologia

Esta edição da estimativa da carga tributária trouxe um aprimoramento metodológico relacionado à setorização do governo geral, para adequar a estatística produzida às melhores práticas internacionais. A alteração foi recomendada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu relatório da missão de assistência técnica realizada em agosto de 2024. A mudança foi feita de forma conjunta com o IBGE e Banco Central, “em um esforço para garantir a consistência entre os diferentes sistemas de estatísticas macroeconômicas”.

Segundo o Tesouro, esse aprimoramento metodológico consiste na revisão da setorização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e das entidades do Sistema S, que anteriormente eram consideradas unidades do governo geral e a partir de agora são classificadas, respectivamente, no setor de corporações públicas financeiras e no setor privado.

“De modo a garantir a consistência intertemporal, a alteração foi realizada em toda a série histórica, iniciada em 2010. Assim, essa mudança não impactou a variação da carga tributária de 2023 para 2024, mas teve efeito sobre o nível da carga tributária em toda a série histórica”, diz.

Com esse aprimoramento, o Brasil também passa a adotar as recomendações do Manual de Estatísticas de Finanças Públicas de 2014 do FMI – MEFP 2014, do Guia interpretativo de receitas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e na nova versão do manual do Sistema de Contas Nacionais (SNA 2025).

MINERAÇÃO

IstoÉ Online - SP   31/03/2025

A Bemisa, empresa fundada em 2007, avança em mais um projeto relevante de minério de ferro em Minas Gerais. Trata-se do projeto Pedra Branca, atualmente em implantação no Quadrilátero Ferrífero, local reconhecido por seus extensos depósitos de minério de ferro. A produção iniciará no segundo semestre deste ano.

O Projeto abrange uma área de aproximadamente 194,38 hectares e formam um polígono dentro dos municípios de Itabira, Bela Vista de Minas e João Monlevade, situados imediatamente a oeste da Mina de Andrade, operada pela Arcelor Mittal.

O desenvolvimento do projeto contou com extensa pesquisa geológica, incluindo duas campanhas de sondagem diamantada que totalizaram cerca de 10.000 metros distribuídos em mais de 90 furos. Esses estudos resultaram na estimativa de recursos, que estão em fase de certificação, de cerca de 130 milhões de toneladas (Mt), incluindo mais de 33 Mt de material de alta qualidade, com teores médios de 58,5% de ferro.

Pedra Branca irá contar com uma planta móvel de britagem e peneiramento, destinada ao processamento a seco dos minérios de alto teor. A Bemisa não utilizará barragens para a disposição de rejeitos.

Os investimentos para a implantação do projeto superam R$ 100 milhões e mais de 400 empregos serão criados em decorrência dessa operação. Com Pedra Branca, a Bemisa terá um total de três operações de minério de ferro em Minas Gerais, fortalecendo ainda mais seu posicionamento como um player relevante do mercado nacional de mineração.

Em plena capacidade, o projeto irá produzir anualmente 1,5 milhão de toneladas de Sínter Feed.
Sobre o grupo

Criado em 2007, o Grupo Bemisa foca no desenvolvimento de oportunidades minerais no Brasil, apoiado por anos de experiência no setor e por sua equipe atual de mais 1.700 colaboradores. O grupo possui 22 projetos distribuídos em sete estados, incluindo duas operações ativas de minério de ferro em Minas Gerais: o Complexo Baratinha, com capacidade anual de 3,5 milhões de toneladas por ano. Além disso, o Grupo possui uma operação de ouro em escala piloto no estado do Pará, próxima ao distrito polimetálico de Carajás.

A Bemisa já perfurou mais de 260 mil metros em seus projetos por meio de diversas campanhas de exploração, alcançando avanços significativos na estruturação de seus empreendimentos em diferentes substâncias minerais, incluindo minério de ferro, ouro, níquel, terras raras, cobre, fosfato e calcário. O Grupo Bemisa acredita no potencial da mineração no Brasil e está comprometido com o desenvolvimento sustentável dos ativos minerais no país.

Infomoney - SP   31/03/2025

Os preços futuros do minério de ferro caíram nesta sexta-feira em meio a preocupações crescentes com a guerra comercial, mas fecharam com ganho na base semanal, sustentados pelo fortalecimento da demanda pelo principal ingrediente da fabricação de aço na China, principal mercado consumidor do minério.

O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com queda de 0,19%, a 785,5 iuanes (US$108,13) a tonelada. O contrato ganhou 3,09% até agora nesta semana.

O minério de ferro de referência para abril na Bolsa de Cingapura recuava 0,14%, a US$103,35 a tonelada, ganhando 3,44% nesta semana até agora.
A produção de metais quentes registrou aumento de 10.200 toneladas em março, para 2,3728 milhões de toneladas mês a mês, enquanto o consumo diário de minério importado subiu 13.200 toneladas no mês, informou a corretora Everbright Futures.

A produção de metal quente é normalmente usada para avaliar a demanda de minério de ferro.
Houve melhora sazonal na demanda downstream, disse a corretora Galaxy Futures, acrescentando que a demanda para reposição de minério de ferro se manterá no curto prazo.

Na quinta-feira, o vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang, prometeu medidas de apoio mais fortes para a economia, conforme os formuladores de políticas chineses tentam amenizar o impacto das tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump.

Trump anunciou nesta semana uma tarifa de 25% sobre carros e caminhões leves importados a partir da próxima semana, fazendo com que as ações das montadoras asiáticas perdessem cerca de US$16,5 bilhões em valor.

Os EUA planejam impor tarifas recíprocas abrangentes sobre vários parceiros comerciais em 2 de abril.

AUTOMOTIVO

Globo Online - RJ   31/03/2025

Os compradores de carros estão chegando às lojas. As montadoras estão acelerando as remessas de novos veículos. Os revendedores estão se reunindo com seus concorrentes para trocar ideias sobre a melhor forma de lidar com a situação.

A Hyundai foi a primeira a agir, anunciando uma expansão de US$ 21 bilhões nos EUA no dia 24 de março.

O próprio Trump, perguntado na sexta-feira se os compradores de carros deveriam correr para comprar agora para se antecipar às tarifas, disse: “Não, acho que não”. Ele voltou a falar sobre a ideia de tornar dedutíveis os juros de empréstimos para carros fabricados nos EUA e previu que os fabricantes expandiriam rapidamente a produção no país.

Kevin Farrish, proprietário de uma concessionária Chrysler, Dodge, Jeep e Ram em Fairfax, Virgínia, diz que agora é a hora de se antecipar às tarifas. Ele afirma que a Stellantis aumentou a produção de suas picapes pesadas Ram, fabricadas no México, no final do ano passado, então há "abundante" oferta disponível.

“Os clientes agora vão ter a melhor seleção de carros antes das tarifas,” disse Farrish. “Se você estiver no mercado nos próximos três a quatro meses para comprar um carro, abril é o seu mês.”

Valor - SP   31/03/2025

Vendas no país asiático se recuperaram em março do período sazonalmente lento de janeiro a fevereiro

As chinesas da XPeng, Li Auto, Nio, Zeekr e Xiaomi — rivais da Tesla no mercado de veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês) — divulgarão suas entregas de março e do primeiro trimestre na terça-feira (1º). A gigante chinesa de veículos elétricos e baterias BYD divulgará as vendas na terça ou quarta-feira (2).

A Tesla não divulga as vendas mensais na China, mas apresentará os números de entregas mundiais para o primeiro trimestre na quarta-feira.

No geral, as vendas de veículos elétricos na China se recuperaram em março do período sazonalmente lento de janeiro a fevereiro, afetado pelos feriados do Ano Novo Chinês. As vendas devem continuar a aumentar na primavera, com as montadoras lançando modelos novos ou atualizados.

BYD, XPeng e Xiaomi têm ganhado impulso, enquanto a Nio em particular enfrenta dificuldades.

Vendas da BYD

A BYD divulgará as vendas de março e do primeiro trimestre na terça ou quarta-feira. As vendas totalizaram 322.846 em fevereiro e 300.538 em janeiro. As vendas combinadas de janeiro a fevereiro aumentaram 92,5% em relação ao ano anterior.

A maioria das vendas da BYD são de veículos “plug-in” (PHEVs), impulsionadas pela nova tecnologia híbrida de maior alcance.

As vendas no exterior estão crescendo, alimentadas pelo aumento da logística de exportação e por uma fábrica na Tailândia ainda em expansão.

Uma questão é se a BYD permanecerá como a número um em veículos totalmente elétricos a bateria (BEVs) no sazonalmente lento primeiro trimestre. Ela superou a gigante dos EVs dos EUA em quase 100.000 BEVs no último trimestre de 2024.

As vendas de BEVs de janeiro a fevereiro totalizaram 250.279, um aumento de 56,2% em relação ao ano anterior. Isso sugere que as vendas de veículos totalmente elétricos da BYD atingirão pelo menos 375.000 no primeiro trimestre, mesmo com as vendas estáveis de março.

Em 24 de março, a BYD relatou que os lucros do quarto trimestre aumentaram 73% em relação ao ano anterior. A receita cresceu 53% para RMB 274,9 bilhões (US$ 37,89 bilhões), o terceiro trimestre consecutivo de expansão acelerada.

No futuro, a BYD tem um cronograma ambicioso. A gigante chinesa de veículos elétricos está lançando o software de assistência ao motorista “God’s Eye” em toda a sua linha nas próximas semanas e meses. Também está revelando carregadores de 1.000 quilowatts capazes de carga completa em aproximadamente cinco minutos. Ambos devem impulsionar a imagem da marca e as vendas da BYD, com os carregadores acelerando as vendas de veículos elétricos em particular.

A BYD tem um grande número de novos veículos elétricos sendo lançados nos próximos meses em todas as faixas de preços.

Uma fábrica de montagem no Brasil deve iniciar suas operações em breve, e outra na Hungria será aberta possivelmente antes do fim do ano. Várias outras fábricas no exterior devem abrir em 2026, juntamente com a expansão contínua da fábrica de veículos elétricos e baterias na China.

A BYD vai operar vários outros navios transportadores de carros RoRo “roll on, roll off” [com rampas para facilitar o processo de carga e descarga] nos próximos meses, impulsionando ainda mais a logística global.

A BYD tem uma meta oficial de entrega de 5,5 milhões de EVs em 2025, um aumento de 29% em relação aos 4,272 milhões de 2024. Essa estimativa pode ser conservador.

Entregas da XPeng

As vendas da XPeng foram especialmente fortes para começar o ano. A XPeng entregou 30.453 EVs em fevereiro, um aumento de uma fração em relação aos 30.350 de janeiro. As vendas de janeiro a fevereiro aumentaram 375,2% em relação ao ano anterior. É possível, talvez provável, que as vendas do primeiro trimestre superem o recorde do quarto trimestre de 91.507, desafiando o período sazonalmente lento para quase todos os outros fabricantes de EV da China.

O bom momento da montadora pode ser atribuído ao sedã XPeng P7+ e especialmente ao sedã pequeno Mona M03. O M03 é o primeiro modelo da marca Mona mais acessível da XPeng.

O Mona M03 pode enfrentar mais concorrência em breve do próximo BYD Qin L, bem como de outros EVs mais acessíveis. A XPeng está lançando mais EVs e buscando uma expansão maior no exterior.

Entregas da Li Auto

As entregas de janeiro a fevereiro da Li Auto totalizaram 56.190, um aumento de 9,3% em relação ao ano anterior, com as vendas de fevereiro caindo em relação a janeiro.

A Li Auto vende principalmente veículos elétricos de longo alcance (EREVs), essencialmente uma forma de híbrido “plug-in” (híbrido). A montadora lançará vários utilitários BEV nos próximos meses.

Entregas da Nio

A Nio entregou 13.192 EVs em fevereiro, com sua relativamente nova submarca Onvo registrando mais declínios. Havia grandes esperanças para o Onvo L60, um rival do Model Y, da Tesla, que foi lançado no final do ano passado, mas as vendas já estão diminuindo.

A Nio lançará mais modelos da marca Nio e Onvo nos próximos meses e adicionará a marca Firefly, de carros mais acessíveis.

Entregas da Zeekr

A Zeekr entregou 31.277 veículos em fevereiro, queda de 25,6% em relação a janeiro em meio a declínios sequenciais nas vendas das marcas Zeekr e Lynk. A Zeekr assumiu recentemente o controle da Lynk. Ambas as marcas fazem parte da gigante automobilística chinesa Geely.

Entregas da Xiaomi

As entregas da Xiaomi ultrapassaram 20.000 por cinco meses consecutivos. Isso de acordo com a fabricante de celulares, que entrou no mercado de veículos elétricos no ano passado. Seu primeiro EV, o sedã SU7, é um claro rival da Tesla, superando o Model 3 em vendas nos últimos meses. No início de março, a Xiaomi começou as entregas do SU7 Ultra, uma variante de ponta. Tanto o SU7 quanto o Ultra têm longas listas de espera.

Neste verão, a Xiaomi planeja lançar o “crossover” YU7, enfrentando o Tesla Model Y.

Entregas da Tesla

As vendas da Tesla estão previstas para serem divulgadas na quarta-feira (2), com analistas cortando metas nas últimas semanas.

Um consenso de previsões de analistas compilado pela empresa estima as entregas do primeiro trimestre em 377.592. Esse total ficaria um pouco abaixo do ano anterior e o menor desde o terceiro trimestre de 2022.

As vendas do primeiro trimestre da Tesla são fracas por três fatores principais. Um, a gigante dos EUA se tornou mais dependente da China, então está mais exposta ao primeiro trimestre sazonalmente lento daquele país. Segundo, alguns compradores provavelmente estavam esperando pelo Model Y atualizado, que começou as entregas há cerca de um mês. Os tempos de espera são baixos na China e nos Estados Unidos. No entanto, nos EUA, a Tesla ainda está vendendo apenas uma série de lançamento de alto preço que vem com direção totalmente autônoma. Terceiro, a associação de Elon Musk com o governo Trump e cargos políticos causaram mais “destruição” da marca nos Estados Unidos e na Europa.

Ações de fabricantes chineses de veículos elétricos e da Tesla

As ações da BYD subiram 1,8% para US$ 51,82 na semana passada, atingindo brevemente uma alta recorde. Os papéis subiram 52,4% até 28 de março.

As ações da XPeng caíram 9,6% para US$ 19,70, um segundo grande declínio semanal consecutivo e se aproximando da cotação média dos últimos 50 dias. As ações atingiram a mais alta cotação em dois anos, de US$ 27,16, em 11 de março. As ações da XPEV ainda subiram 66,7% até agora neste ano.

As ações da Li Auto caíram 3,3% na semana passada para US$ 25,52, caindo abaixo da linha de 50 dias. As ações caíram por quatro semanas consecutivas, após uma breve retomada no final de fevereiro falhar. As ações da Li subiram 6,4% em 2025.

As ações da Nio caíram 16,7% na semana passada para US$ 3,75 em meio a uma grande oferta de ações. A Nio caiu 14% em 2025.

A ação da Zeekr caiu 10,35% na semana passada para US$ 24,26, agora decisivamente abaixo da linha média de 50 dias. As ações estouraram em 11 de março, mas isto perdeu força quase imediatamente.

A ação da Xiaomi caiu 83% para US$ 32,25 na semana passada após atingir um recorde de US$ 37,45 em 19 de março. A ação da XIACY subiu 45,2% em 2025.

A ação da Tesla se recuperou 6% para o patamar de US$ 263,55 na semana passada, quebrando uma sequência de nove semanas de perdas. As ações caíram da média móvel de 200 dias. A ação da montadora caiu 34,7% em 2025 até 28 de março, um dos piores desempenhos no S&P 500.

CNN Brasil - SP   31/03/2025

O presidente Donald Trump disse no sábado (29) que não se importa se as montadoras aumentarem os preços por causa de suas tarifas. Na verdade, ele as encorajou a fazer isso.

Questionado por Kristen Welker, da NBC News, em uma entrevista por telefone sobre se ele pressionou as montadoras a evitarem aumentar os preços depois que suas tarifas de 25% sobre carros e peças importadas entraram em vigor, Trump negou ter dito aos CEOs para controlar os custos.

“Não, eu nunca disse isso”, disse Trump a Welker. “Eu não poderia me importar menos se eles aumentassem os preços, porque as pessoas começariam a comprar carros americanos.”

O Wall Street Journal relatou na quinta-feira (27) que Trump fez uma ligação neste mês com CEOs de automóveis e os ameaçou com tarifas ainda mais pesadas se eles aumentassem os preços por causa dos impostos de importação. Mas Trump disse no sábado que espera que suas tarifas levem a preços mais altos, porque isso encorajará as montadoras a construir seus carros e peças nos Estados Unidos e persuadirá os clientes a comprarem americanos.

“Espero que eles aumentem os preços, porque se o fizerem, as pessoas vão comprar carros feitos nos Estados Unidos. Temos muitos.”

Trump disse que a mensagem que ele entregou aos CEOs foi para mudar a produção de volta para os Estados Unidos. As montadoras estrangeiras e nacionais montam muitos de seus carros e peças nos Estados Unidos, mas também fabricam veículos e peças no México e Canadá. Por décadas, uma zona de livre comércio na América do Norte efetivamente tratou os EUA, Canadá e México como um grande país.

“A mensagem é: ‘Parabéns, se você fizer seu carro nos Estados Unidos, você vai ganhar muito dinheiro. Se não fizer, você provavelmente terá que vir para os Estados Unidos, porque se você fizer seu carro nos Estados Unidos, não há tarifa’”, disse Trump a Welker.

As montadoras hesitaram em mudar a produção para os EUA por causa da grande despesa e da quantidade de tempo necessária para construir novas fábricas, contratar trabalhadores e ajustar as cadeias de suprimentos. E as tarifas intermitentes de Trump dão aos CEOs da indústria automobilística pouca confiança de que ele manterá seus planos a longo prazo.

A esse ponto, Trump disse no sábado que suas próximas tarifas recíprocas massivas que correspondem aos impostos de importação de países estrangeiros serão permanentes — mas que ele também está aberto a negociações.

“Absolutamente, elas são permanentes, claro”, disse ele sobre as taxas, que entrarão em vigor na quarta-feira (3). “O mundo vem roubando os Estados Unidos nos últimos 40 anos.”

Mas Trump disse mais tarde que negociaria as tarifas para baixo “apenas se as pessoas estivessem dispostas a nos dar algo de grande valor. Porque os países têm coisas de grande valor. Caso contrário, não há espaço para negociação.”

Especialistas da indústria automobilística disseram que as tarifas de Trump sobre veículos e peças, que entrarão em vigor na quinta-feira, aumentarão o custo de produção de todos os carros vendidos nos Estados Unidos — tanto os importados quanto os construídos em fábricas americanas — em milhares de dólares. Independentemente de as montadoras aumentarem os preços ou não, os preços dos veículos quase certamente aumentarão nos Estados Unidos devido a um desequilíbrio entre oferta e demanda.

As montadoras provavelmente reduzirão a produção de carros enquanto esperam para ver se as tarifas terão vida curta. Elas também podem estar preocupadas que o custo adicional das tarifas possa afastar alguns compradores em potencial.

O primeiro-ministro canadense Mark Carney disse a Trump na sexta-feira que sua nação retaliará os Estados Unidos com tarifas próprias se Trump prosseguir com suas taxas prometidas — potencialmente aumentando o que já está se transformando em uma guerra comercial feia e prejudicial. Trump disse no sábado que não adiaria as tarifas, mas pode estar aberto a um acordo, depois que elas entrarem em vigor.

O Estado de S.Paulo - SP   31/03/2025

Em um escritório improvisado que mais parece uma startup do que uma torre de marfim, Yossapong Laoonual, presidente honorário da Associação de Veículos Elétricos da Tailândia, adota um tom otimista. Apegar-se ao motor de combustão interna é “como continuar a usar carruagens puxadas por cavalos muito tempo após os veículos motorizados terem se tornado o padrão”, diz ele.

Uma caminhada pelo campus de Yossapong na Universidade de Tecnologia King Mongkut Thonburi, em Bangkok, faz com que esse otimismo pareça completamente natural. Três ônibus elétricos estão estacionados ao lado de um ponto de recarga. Placas detalham o plano de neutralidade de carbono da faculdade de engenharia.

Os governos do Sudeste Asiático estão apostando que Yossapong está certo. Muitos na região, especialmente na Tailândia, Indonésia e Vietnã, querem participar do crescimento global de veículos elétricos. Ao promover o investimento relativamente cedo, a ideia é que eles possam se tornar centros de produção cruciais, com benefícios indiretos, como a redução da poluição atmosférica mortal. Mas o sucesso está longe de ser garantido, e grandes somas estão sendo arriscadas. Muitos esquemas parecem um pouco imprudentes.

A Tailândia tem sido o mais agressivo dos três países, esperando que um mercado consumidor em expansão atraia a produção. De acordo com seu esquema “EV 3.0” introduzido em 2022, as compras são subsidiadas por meio de cortes de impostos e pagamentos diretos de até 150 mil baht (US$ 4,5 mil ou R$ 25 mil) por veículo, o que significa que os carros elétricos não custam mais do que os carros comuns. De quase nada, há alguns anos, sua participação nas vendas de automóveis aumentou para cerca de 15%.

Na Indonésia, essa participação é de 5%; o número mais baixo é explicado, em parte, pelo fato de o governo ter como alvo os produtores e não os consumidores. A Indonésia lançou uma série de incentivos, que vão desde isenções fiscais até vantagens de investimento. Mas o país também está tentando aproveitar ao máximo seu domínio sobre os minerais necessários para os veículos elétricos, usando proibições de exportação para forçar as empresas a produzirem localmente. Por exemplo, no caso do níquel, em que a Indonésia desfruta de um quase monopólio, a proibição de exportação de minério bruto que entrou em vigor em 2020 levou a investimentos em fundições.

Enquanto isso, o Vietnã está apostando na VinFast, sua campeã nacional. A empresa, fruto do principal conglomerado do Vietnã, que tem vínculos com o Estado, domina seu mercado doméstico desde 2022, quando começou a vender apenas veículos elétricos. Uma investida nos Estados Unidos fracassou - “as funções básicas não funcionam de forma confiável”, escreveu um dos críticos mais gentis do VF8 da VinFast -, mas novas expansões para a Índia e a Indonésia estão em andamento.

Em uma nova concessionária VinFast em Jacarta, os motoristas são convidados a adotar uma “imaginação sem limites”. A VinFast recebe algum apoio financeiro do Estado, incluindo um plano recente para subsidiar a eletricidade em 150 mil estações de recarga (em grande parte de propriedade da VinFast). Mais significativo é o apoio político. Como Marco Förster, da consultoria Dezan Shira & Associates, observa, a empresa é um “projeto de glória” ao qual os líderes do Vietnã estão profundamente ligados.

Cada abordagem encontrou suas próprias dificuldades. A Tailândia já é o maior produtor de automóveis do Sudeste Asiático, e as empresas automotivas japonesas dependem de seus fornecedores de peças automotivas. No entanto, os veículos elétricos exigem menos peças do que os carros comuns. Além disso, os fabricantes chineses de veículos elétricos na Tailândia dependem de peças fabricadas no país. Portanto, a política tailandesa corre o risco de uma redução líquida de empregos na fabricação de automóveis.

De forma preocupante, os fabricantes de peças do país já estão reclamando de uma queda acentuada nos pedidos. Em resposta, um novo esquema “EV 3.5” restringe os requisitos locais e reduz os subsídios. Os ministros também começaram a aumentar o apoio aos híbridos, para os quais os produtores japoneses da Tailândia são mais adequados.

Embora a estratégia industrial da Indonésia pareça ter atraído os fabricantes de veículos elétricos, a realidade é menos animadora. Entre 2016 e 2024, a Indonésia recebeu US$ 29 bilhões (R$ 165 bilhões) em investimentos estrangeiros diretos relacionados a veículos elétricos, de acordo com o Lowy Institute, um think-tank. No entanto, grande parte desse investimento é feito por empresas chinesas, que novamente montam veículos a partir de kits importados.

Em princípio, elas estão sujeitas a requisitos de conteúdo local que aumentam com o tempo, mas não está claro o grau de agressividade com que a Indonésia os aplicará. Os críticos acusam o governo de dar benefícios fiscais que valem muito mais do que os benefícios para os indonésios.

E a VinFast está enfrentando grandes dificuldades. Apesar do aumento das entregas e da receita, ela nunca teve lucro. A empresa vende carros com prejuízo acentuado; sua margem bruta é de 45% e os preços estão caindo, com as últimas reduções anunciadas em 2 de março. A VinFast só sobreviveu graças à generosidade de seu proprietário.

Pham Nhat Vuong, um bilionário que também dirige o conglomerado mais amplo, prometeu US$ 2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) de sua riqueza pessoal para a empresa. Ele também usou os recursos do conglomerado para sustentar sua subsidiária. Em 2023, cerca de 90% da receita da VinFast veio de vendas para outras empresas controladas por Vuong, de acordo com a Hunterbrook, um fundo de hedge e meio de comunicação.

Todos os três lugares enfrentam riscos semelhantes. Um deles é que - em um momento de excesso de oferta global de veículos elétricos impulsionado pela produção chinesa - os recursos sejam desperdiçados. Outro é que eles se vejam presos como centros de montagem, uma parte do processo com baixo valor agregado.

As vantagens que antes sustentavam a fabricação tradicional de automóveis, como boas redes de produção, podem ser menos importantes para os veículos elétricos, em que a maior parte do valor é agregada em software e engenharia elétrica, observa Pavida Pananond, da Thammasat Business School.

O problema subjacente é que o Sudeste Asiático está repleto de tomadores de tecnologia, ou seja, depende de conhecimento especializado estrangeiro, principalmente chinês. Os formuladores de políticas locais esperam combinar doações com requisitos de transferência de tecnologia. No entanto, é difícil fazer com que as empresas estrangeiras atendam a essas exigências devido ao pequeno tamanho dos mercados do Sudeste Asiático, bem como à capacidade dos chefes de colocar os países uns contra os outros, diz Tu Le, da Sino Auto Insights, outra consultoria.

A Indonésia, o maior mercado dos três, depende muito do investimento chinês, o que dificulta sua capacidade de ser dura com as empresas chinesas.

Os otimistas esperam que, com o tempo, os fabricantes de veículos elétricos da China se estabeleçam em alguns centros regionais, o que daria aos governos anfitriões mais influência na localização da produção, como a Tailândia fez com as montadoras japonesas na década de 1970. Mas o corolário é que, na melhor das hipóteses, apenas uma das apostas da política industrial de veículos elétricos do Sudeste Asiático poderá ter um grande retorno. Isso deixaria dois fracassos caros.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   31/03/2025

Estima-se que setor possa criar quase um milhão de empregos somente com os investimentos previstos para este ano

Viegas, da Concrejato: prospecção de novos contratos e projetos pelo Brasil — Foto: Rogerio Vieira/Valor

Desde o Marco Legal do Saneamento, em 2020, foram contratados R$ 161 bilhões em investimentos por meio dos leilões do segmento. Em 2025, são esperados mais R$ 70 bilhões. Os dados da Abcon Sindcon (Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto) revelam um mercado aquecido, que tem impulsionado a construção civil e o mercado de trabalho. “Com a previsão dos investimentos neste ano, podemos esperar a geração de quase um milhão de novos empregos em toda a cadeia”, diz Carlos Eduardo Lima Jorge Vice-Presidente de Infraestrutura da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).

Levantamento da Abcon Sindcon indica que, a se considerar a decomposição estimada das obras por setores da Classificação Nacional de Atividades Econômicas, cerca de 68% dos investimentos em saneamento são destinados à construção civil. O restante vai para máquinas, equipamentos elétricos de automação e controle, tubulações, entre outros. Atualmente, o setor da construção se prepara para atuar em novos projetos de água e esgoto em diversos Estados. Um exemplo é o Pará, cujo leilão de concessão está previsto para abril de 2025. Há perspectivas de novos negócios em Pernambuco, Rondônia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.

As s construtoras, por sua vez, vêm percebendo aumento de participação destas obras em sua receita. Representam 75% do backlog da Passarelli, que hoje e soma mais de R$ 5 bilhões. Apenas um contrato, firmado com a Sabesp, é de R$ 1 bilhão. Trata-se da modernização e ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Parque Novo Mundo, na capital paulista. A previsão de conclusão das obras da ETE é 2027, quando dobrará sua capacidade atual de atendimento de 1,2 milhão de pessoas, para 2,4 milhões. No pico dos trabalhos, a expectativa é de geração de 500 empregos diretos.

A Passarelli vai aplicar uma tecnologia desenvolvida pela empresa holandesa Royal HaskoningDHV, que diminui o consumo de energia entre 30% e 40% sobre métodos tradicionais e usa estruturas menores - com a mesma capacidade de tratamento das usinas convencionais - que podem gerar uma redução de até 20% nos custos gerais da obra e diminuir o tempo de execução do projeto. “Há grandes oportunidades tanto com o lado público, pelas novas licitações, quanto pelos contratos privados. São gerações de oportunidades efetivas para projetos de infraestrutura que ampliem o acesso ao tratamento de água e esgoto, salienta Paulo Bittar, CEO da Passarelli

Em São Paulo, a empresa também toca outras intervenções para a Sabesp, como modernizações de ETEs e a ampliação da coleta de esgoto da bacia do rio Tamanduateí, nos municípios de Santo André e São Paulo. E tem projetos no Rio de Janeiro, Ceará, Espírito Santo e Alagoas.

Há grandes oportunidades tanto no lado público, pelas novas licitações, quanto pelos contratos privados”

— Paulo Bittar

Outra empresa que vê o setor de saneamento como estratégico é a Carioca Engenharia , a frente de obras que somam, atualmente, cerca de R$ 445 milhões. “Em 2025, o saneamento já está representando 40% do faturamento. Em 2024, representou 42% e em 2023, 22%”, destaca Daniel Rizzotti, diretor geral da empresa. Entre as empreitadas sob gestão estão Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) em diversos municípios fluminenses, além de assentamento de redes e ligações domiciliares de água e esgoto. Esta última intervenção é para a concessionária Rio+Saneamento.

A Carioca Engenharia, que avalia novas obras - ETEs e sistema de esgotamento sanitário no estado do Rio - também atua em São Paulo, com intervenções no programa Integra Tietê, da Sabesp e do governo do Estado. No ano passado, a empresa entregou três ETEs no Estado do Rio de Janeiro: duas em Petrópolis e uma em São Pedro da Aldeia. “Apesar da euforia gerada pela quantidade de investimentos anunciados, uma questão que preocupa o setor é a falta de mão de obra qualificada, disponibilidade de equipamentos e empresas com know-how nesse segmento”, ressalta Rizzotti.

No caso da Concrejato, o aquecimento dos negócios no setor de saneamento levou a empresa a criar uma área específica para cuidar deste mercado, que vem ganhando cada vez mais espaço no portfólio da construtora. A Concrejato atua em projetos de água e esgotamento sanitário nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, para concessionárias como a Sabesp (SP) e Águas do Rio. Desde o fim de 2023, a empresa já conquistou seis contratos que, juntos, somam aproximadamente R$ 200 milhões de obras voltadas para combate a perdas, instalação de válvulas e macromedidores e implantação de redes e ligações de água e esgoto.

“O crescimento da Concrejato no mercado de saneamento básico está atrelado ao planejamento estratégico da companhia, que vem prospectando novos contratos e projetos em todo o Brasil”, afirma Eduardo Viegas, presidente da empresa.

FERROVIÁRIO

IstoÉ Dinheiro - SP   31/03/2025

Audiência pública marcada para hoje na Assembleia Legislativa de Minas Gerais vai debater o impacto econômico e social da construção de ramal ferroviário entre os municípios de Mateus Leme e São Joaquim de Bicas, na região de Serra Azul, a cerca de 50 quilômetro da capital Belo Horizonte.

O projeto, encabeçado pela Cedro Participações — conglomerado que reúne empresas das áreas de mineração, logística, agronegócios e saúde — prevê investimentos de R$ 1,5 bilhão em uma ferrovia de curta distância, conhecida no jargão do setor como shortline, com extensão de 26,47 quilômetros.

O projeto será conectado à Malha Regional Sudeste, garantindo acesso ferroviário ao Porto de Itaguaí (RJ), onde a Cedro também constrói um terminal destinado à movimentação de minério de ferro.

O Ramal Ferroviário Serra Azul, da Cedro, prevê o transporte de 25 milhões de toneladas de minério de ferro para exportação anualmente e deve retirar 5 mil carretas por dia das estradas da região, reduzindo emissões de gás carbônico (CO2) em cerca de 40 mil toneladas anuais.

Calcula-se que um dos principais impactos do projeto seja uma redução significativa dos acidentes de trânsito na BR-381, também conhecida como “Rodovia da Morte”. Só nos últimos três anos, foram registrados mais de 7.000 acidentes no trecho que corta a Serra Azul, sendo 440 fatais. Cinco trens com capacidade de carregar até 130 toneladas em 132 vagões vão operar no Ramal Ferroviário Serra Azul. Cada trem substitui o equivalente a 570 carretas.

Além da redução dos acidentes, o projeto também contribuirá para a geração de empregos na região. Prevê-se a criação de 4.000 postos de trabalho diretos e 3.000 indiretos. Haverá também um aumento na arrecadação tributária dos municípios.

Em meados de março, a Superintendência de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes caracterizou como bens de utilidade pública os imóveis localizados onde a Cedro Participações planeja construir seu empreendimento. Com isso, fica autorizada a desapropriação para que a obra de infraestrutura possa ser executada.

O mapeamento fundiário ainda está na fase de levantamento das propriedades por onde passará a ferrovia. No estudo do traçado está prevista a menor interferência possível das áreas povoadas e o aproveitamento de caminhos geográficos existentes, com o menor número de pontes, viadutos, extensão de túneis e cortes rochosos.

O projeto tem ainda o compromisso de buscar a maior gama de ações preventivas e mitigadoras de impactos, respeitando áreas de proteção ambiental e as comunidades locais. Estima-se que 188 famílias serão afetadas pela desapropriação. O início das obras do Ramal Ferroviário Serra Azul está previsto para 2028, e suas operações, em 2030.

Globo Online - RJ   31/03/2025

O Grupo Comporte venceu o leilão das linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em São Paulo. Foram leiloadas as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e a concessão terá duração de 25 anos com investimento estimado em R$14,3 bilhões, conforme informações divulgadas pela Secretaria Estadual de Participações e Parcerias. O leilão aconteceu nesta sexta, na B3, e teve forte esquema de segurança para evitar protestos.

Os grupos CCR e Comporte Participações foram os únicos a apresentar propostas. O critério para a escolha do vencedor foi o maior desconto sobre as contraprestações que o estado deverá pagar ao concessionário, cujo valor máximo foi estipulado em até R$ 1,49 bilhão anualmente.

A CCR ofereceu 1,45% de desconto, enquanto o Comporte ofereceu 2,57%, superando sua concorrente. Há previsão de um aporte público de aproximadamente R$ 10 bilhões para viabilizar as obras necessárias para melhorias nas três linhas. O governador Tarcísio de Freitas acompanhou o leilão na B3. O prefeito Ricardo Nunes também esteve presente.

O governador agradeceu aos dois concorrentes e disse que eles acreditaram na modelagem que o estado fez o projeto, independente de vencer ou não.

— Trouxemos gigantes de mobilidade para participar e isso é um indicador do sucesso. Podemos celebrar. A gente sabe que são muitas horas de estudo para chegar numa proposta e as pessoas não têm noção de que é desconto de 2,57% na contraprestação — afirmou.

Tarcísio lembrou que o Programa de Parcerias e Investimentos do estado já obteve mais de R$ 354 bilhões em investimentos contratados, enquanto a previsão inicial era chegar a R$ 220 bilhões. Entre os projetos que devem sair do papel este ano, está o túnel ligando Santos e Gaurujá, no litoral de São Paulo, disse o governador.

O governador afirmou que há poucos operadores no mundo e que o governo está fazendo um esforço grande para atrair estrangeiros. Ele disse que alguns operadores europeus estudaram as linhas, não formularam propostas, mas já se prepararam para estudar o próximo leilão, que deve ser das linhas 10 e 14.

— A gente tem a esperança, a convicção de que vai conseguir trazer novos operadores. Temos que buscar esses operadores da Europa, na Ásia — afirmou.

O advogado e sócio do escritório Vernalha e Pereira, Rodrigo Campos, especialista em leilões e concessões, observa que embora os descontos ofertados tenham sido percentualmente pequenos, o leilão atraiu dois licitantes de grande porte, mas ainda não se verificou a participação de novos grupos, especialmente estrangeiros.

— Os baixos descontos são compreensíveis. A cadeia de suprimentos do setor metroferroviário está naturalmente mais exposta a riscos macroeconômicos decorrentes de variações cambiais e taxas de juros, por ser composta em larga medida de componentes importados - diz.

Fundadores da Gol

O Grupo Comporte é administrado pela família do empresário Nenê Constantino, do setor de transporte brasileiro e fundador da Gol Linhas Aéreas. O grupo já tem a concessão o metrô de Belo Horizonte.

Também tem uma parceria com a China Railway Construction Corporation (CRCC) no Consórcio C2 Mobilidade Sobre Trilhos, que venceu o leilão do Trem Intercidades (TIC) e prevê investimentos de R$ 14,2 bilhões na construção da linha que conectará São Paulo a Campinas.

— A Comporte mais uma vez está feliz ao conquistar mais essa concessão. Agradeço à família Constantino que nos confiou a condição de fazer essa proposta — disse José Efraim Neves, diretor da Comporte após a vitória do grupo.

A Comporte Participações S.A é uma holding que controla diversas empresas de ônibus no estado de São Paulo. Entre suas operações estão a Viação Piracicabana e o VLT entre Santos e São Vicente através da subsidiária BR Mobilidade. A empresa também desenvolve aplicativos como Mobifácil e 4Bus para venda de passagens rodoviárias.

— Não houve lances de viva voz, o que demonstra o apetite da Comporte no setor e no ativo — avaliou o advogado Paulo Dantas, sócio do escritório Castro Barros, especialista em infraestrutura.

O Grupo CCR já opera duas linhas de trens e duas de metrô (4-Amarela e 5-Lilás) em São Paulo. O grupo assumiu a gestão das linhas 9-Esmeralda e 8-Diamante da CPTM em janeiro de 2022, através da ViaMobilidade e enfrentou diversos problemas na operação, como atrasos e até acidentes.

Tarcísio admitiu que houve muito problema nas linhas 8 e 9, mas as falhas vêm caindo paulatinamente e isso é reflexo do investimento.

— A partir do momento que você começa a fazer o investimento, há substituição de trechos críticos de via permanente. Na 8 e 9, havia 60 trechos críticos de via permanente que já foram corrigidos.

São linhas que receberam 36 trens novos e já estão 100% entregues. O serviço vai melhorando também palatinamente — disse ele, lembrando que haverá um período de 24 meses na transição entre a CPTM e o novo operador nas linhas concedidas nesta sexta.

O que vai mudar com a concessão

No total, serão construídas 10 novas estações e reformadas 24 já existentes, além da eliminação de todas as passagens em nível, que serão substituídas por passarelas, viadutos ou passagens subterrâneas, garantindo mais segurança para os passageiros e maior fluidez no trânsito urbano.

As linhas também passarão por investimentos na rede aérea, via permanente e sinalização, além da implantação de novos equipamentos e sistemas. Até 2040, a previsão é que as três linhas transportem juntas 1,3 milhão de passageiros por dia em média útil. Com os investimentos, o governo quer reduzir o intervalo entre os trens das três linhas.

No caso da Linha 11-Coral, a linha será estendida em quatro quilômetros, com o acréscimo da estação César de Sousa, em Mogi das Cruzes, e Barra Funda, em São Paulo. Outros quatro pontos de desembarque serão adicionados, em Bom Retiro, Pari e Lajeado, além da Penha, prevista nos planos de expansão da Linha 2-Verde do metrô. A promessa do governo é estabelecer o tempo de viagem da capital até Suzano em 3 minutos, e então de lá até César de Sousa em 6 minutos. Ao todo, 14 estações serão reformadas e três reconstruídas.

Na linha 12-Safira, os investimentos previstos passam por 2,7 quilômetros a mais na linha, que será estendida de Calmon Viana, em Poá, desembarque final, até Suzano. A concessionária deve ainda construir a estação Cangaíba e garantir o acesso a Gabriela Mistral, outra obra sob responsabilidade do metrô, na expansão da Linha 2-Verde. O intervalo máximo entre Brás e Itaquaquecetuba deve fica em 3 minutos e 15 segundos, e então de 6 minutos e meio até Suzano. Uma estação será reconstruída, outras 12 passarão por reformas.

A Linha 13-Jade é a que mais terá impacto, com 15,6 quilômetros de novos trilhos nos dois sentidos e seis novas estações, além de três reformas. A ideia é que passe a ligar a nova estação Gabriela Mistral, prevista no projeto de expansão da Linha 2-Verde do metrô, até Bonsucesso, em Guarulhos, em 10 minutos ao todo, passando pelos bairros de Jardim dos Eucaliptos, São João e Presidente Dutra. O Expresso Aeroporto passa a operar a cada 30 minutos, em vez de uma hora, incluindo conexão tripla com a Linha 2-Verde do metrô e a Linha 12-Safira da CPTM.

NAVAL

Portal Fator Brasil - RJ   31/03/2025

Além disso, a profundidade do canal de acesso será aumentada em até 16 metros.

O Governo do Estado de Santa Catarina, o Porto de São Francisco do Sul e o Porto de Itapoá lançaram um projeto para otimizar o acesso marítimo aos terminais do sudeste do Brasil.

Como parte de uma nova parceria público-privada, um projeto de dragagem foi planejado para ampliar e aprofundar o canal de acesso à Baía de Babitonga. O investimento estimado é de US$ 53 milhões e permitirá a atracação de embarcações de até 366 metros de comprimento, ante o limite atual de 336 metros. Além disso, a profundidade do canal será aumentada de 14 para 16 metros.

Com essa infraestrutura melhorada, os portos locais poderão acomodar navios Maxi-Neopanamax de 16.000 TEU em capacidade máxima, em contraste com os atuais navios Compact-Neopanamax de 14.000 TEU, que operam com restrições de calado. O porto de Itapoá, principal beneficiário do projeto, assumirá uma parcela significativa dos custos. A construção deve começar no final deste ano e ser concluída em 2026.

Em 2024, o Porto Itapoá movimentou um volume de 1,2 milhão de TEUs, o que representa um aumento de 19% em relação ao ano anterior. Entre as principais companhias marítimas que operam no terminal de contêineres “Tecon Santa Catarina”, em Itapoá, estão a Maersk, a CMA CGM e a MSC,

Atualmente, os maiores navios que operam no terminal são os navios “C-NPX” operados pela Cosco e CMA CGM, com capacidades de 14.100 e 13.300 TEUs, respectivamente, no serviço conjunto “ECSA”/”ESA2”/”SEAS2” para a Ásia. | MM

Veja - SP   31/03/2025

O estaleiro artesanal Fibrafort, de Santa Catarina, faturou cerca de 240 milhões de reais e produziu 617 embarcações em 2024. Atualmente, 10% do faturamento anual é proveniente de vendas para os Estados Unidos, mas a empresa trabalha para elevar esse percentual para 25% até 2030. A fábrica do estaleiro está localizada no litoral catarinense e emprega mais de 500 pessoas. O processo de fabricação de barcos utilizado pelo Fibrafort é totalmente manual, sem etapas automatizadas.

Valor - SP   31/03/2025

Pequim assedia grupo CK Hutchison para que desista de negociar terminais, mas quer evitar ação que confirme tese de que busca controlar passagem

O governo chinês está pressionando uma empresa privada de Hong Kong a cancelar um negócio bilionário sob a alegação de que ele causa prejuízos geopolíticos a Pequim. O órgão regulador de mercado do regime disse na sexta-feira que analisará o acordo do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison Holdings para vender dezenas de ativos portuários globais, incluindo dois no Canal do Panamá, para um consórcio liderado pelo fundo de investimento americano BlackRock.

O anúncio da Administração Estatal de Regulamentação de Mercado da China (SAMR) marca a mais recente reviravolta em uma saga que começou no início deste mês, quando o grupo controlado pela família do magnata Li Ka-shing concordou em descarregar os portos. O acordo - que veio na esteira das promessas do presidente dos EUA, Donald Trump, de “retirar” o controle do Canal do Panamá da China - gerou críticas implacáveis da mídia estatal chinesa.

“Notamos essa transação e a revisaremos de acordo com a lei para proteger a concorrência justa no mercado e salvaguardar o interesse público”, disse a SAMR em resposta a perguntas de uma agência de notícias estatal. O órgão não deu detalhes.

Xi não foi informado sobre venda, enquanto Trump monitorou processo — Foto: Zhan Zheng/Xinhua via AP

Bryan Mercurio, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK), especializado em direito econômico internacional e acordos comerciais bilaterais, disse ao “Nikkei Asia” - antes do anúncio da SAMR - que a China poderia adotar essa abordagem. Ele diz que a negociação “pode??ser mais relevante legalmente do que parece, já que pode forçar a alienação de ativos adquiridos por terceiros”, com eventuais rompimentos de contratos com clientes, sócios e fornecedores.

Os ataques da mídia, que retratam a transação como antipatriótica e contrária aos interesses da China, também continuaram na sexta-feira. A última edição do “Ta Kung Pao” - um jornal de Hong Kong controlado por Pequim que liderou a campanha contra a venda - incluiu uma história intitulada “Somente cruzando o rio junto com o estado, os empresários ganham respeito”. O artigo citou várias figuras pró-Pequim, bem como “cidadãos” comuns que expressaram opiniões de que salvaguardar a segurança e os interesses do estado deveria ser a prioridade.

Endosso do regime. Vários artigos do “Ta Kung Pao” sobre o assunto foram republicados na íntegra pelo site oficial conjunto do Bureau de Trabalho Conjunto de Hong Kong e Macau do Partido Comunista Chinês - o que implica que o governo os endossa. Na quarta e quinta-feira, o site republicou artigos enfatizando que as empresas destruirão sua própria fundação se ignorarem os interesses nacionais e devem ficar ao lado do estado contra a hegemonia e a intimidação.

Esperava-se que a CK Hutchison assinasse “documentação definitiva” com o consórcio BlackRock até a próxima quarta-feira. No entanto, o “South China Morning Post”, jornal independente de Hong Kong, relatou na sexta-feira à noite que a papelada não seria assinada nesta semana, e que quarta-feira não era considerada um “prazo real”, citando uma fonte anônima próxima ao conglomerado. O jornal acrescentou que isso não significava que o acordo estava cancelado, mas que os principais detalhes permaneciam indefinidos.

A pressão intensa lançou uma sombra sobre a CK Hutchison, todas as entidades do império de Li Ka-shing e a comunidade empresarial chinesa mais ampla. As autoridades de Pequim instruíram as empresas estatais a interromper novos negócios vinculados ao grupo sediado em Hong Kong, informou a Bloomberg na quinta-feira.

Executivos preocupados. Quando questionado sobre essa diretriz na noite de quinta-feira, Xu Yugao, secretário adjunto da empresa e conselheiro interno da CNOOC - um braço listado em Hong Kong de uma das três grandes empresas petrolíferas estatais da China - disse a repórteres e analistas que ele e muitos outros estavam “acompanhando” os acontecimentos em torno do acordo com grande interesse.

Ao mesmo tempo, ele disse que as negociações comerciais permaneceram “extremamente estáveis” sem “fatores externos de interferência”. Xu estava se referindo a um projeto conjunto de exploração de petróleo no Mar do Sul da China com a antiga Husky Energy, antiga empresa da CK Hutchison que recentemente se fundiu com o conglomerado de energia canadense Cenovus. Enquanto Xu disse que não tinha certeza se seu parceiro canadense está ligado ao magnata Li Ka-shing, a divulgação da CK Hutchison indica que ela é uma investidora na Cenovus.

Venda de ativos diminui grau da influência chinesa no quintal dos EUA”

— Claus Soong

Além das implicações geopolíticas da venda de 43 portos pela CK Hutchison em 23 países, avaliados em US$ 22,8 bilhões, especialistas dizem que o acordo levantou preocupações em Pequim sobre “perder a autonomia”. Relatórios sugeriram que o presidente chinês, Xi Jinping, não foi informado antes do anúncio da abertura das negociações, enquanto acredita-se que Trump tenha sido mantido informado do processo pelo CEO da BlackRock, Larry Fink.

“A venda impacta a Iniciativa Cinturão e Rota e diminui a influência chinesa no quintal dos EUA”, disse Claus Soong, analista do centro de estudos alemão Merics. “A imagem de Xi Jinping como um homem forte está danificada, pois Trump agora tem algo para se gabar, enquanto Xi nem foi consultado antes do acordo, e Pequim tem alavancagem limitada para deter esse processo”, disse ele.

Louis-Vincent Gave, sócio fundador e CEO da Gavekal Research, concordou.

“Pequim tem poucas, se é que tem, opções legais para sabotar o acordo”, disse Gave. Mas se ele for adiante, Li Ka-shing e seu império empresarial familiar “poderiam ser vistos como um grupo que desafiou Pequim e escapou impunes”. “Isso seria uma perda de prestígio estranha para Xi Jinping, levantando questões sobre consequências futuras para a família e o grupo”, disse.

Gave diz acreditar que a China está “lembrando às empresas de Hong Kong que Pequim deve ter voz ativa em decisões estratégicas importantes” e que ainda espera frustrar o acordo não apenas pressionando a CK Hutchison, “mas talvez pressionando a BlackRock”, que também tem interesses comerciais na China.

A CK Hutchison e a BlackRock não responderam imediatamente aos pedidos de comentários do Nikkei Asia.

‘Alavancas’ de pressão internas. Mercurio, da CUHK, disse que a CK Hutchison poderia concebivelmente se retirar e compensar a BlackRock usando uma cláusula de rescisão. Ele argumentou que a CK Hutchison “teria que reagir de acordo se a China puxasse alavancas econômicas internas”, considerando sua significativa exposição comercial no país, apesar de sua diversificação ao longo dos anos.

No entanto, Mercurio afirma que bloquear o acordo “serviria para confirmar a retórica de Trump de que a 'China' reforçava seu controle no canal do Panamá”.

Da mesma forma, ele enfatizou que se as autoridades locais de Hong Kong interviessem para bloquear a transação, “seria uma medida sem precedentes que poderia reforçar as alegações do presidente Trump e de outros de que o comércio, as finanças e as políticas de Hong Kong não são totalmente independentes do regime do Partido Comunista da China”.

O analista do CUHK disse também que todo o processo talvez tenha menos implicações para empresas estrangeiras ou setores específicos, como o financeiro, mas que “outros conglomerados de Hong Kong deveriam se precaver”.

Miao Jianmin, presidente do China Merchants Bank, reconheceu em um briefing anual de lucros na quinta-feira que "é difícil evitar qualquer influência da geopolítica" ao fazer negócios internacionalmente. Miao, que também é presidente do China Merchants Group - cuja unidade de operação portuária é um canal essencial para Pequim buscar ativos portuários no exterior - disse que esse era especialmente o caso em assuntos marítimos, transporte e portos.

Miao disse que a geopolítica é a “primeira coisa” que seu grupo considera ao expandir para o exterior e enfatizou que “manter uma boa comunicação com as autoridades reguladoras, a fim de se proteger de vários riscos” é de igual importância. (Colaboraram Peggy Ye, em Hong Kong, e Pak Yiu em Nova York)

CNN Brasil - SP   31/03/2025

A mineradora Itaminas anunciou nesta semana um acordo com o Porto Sudeste, uma das principais portas de saída da produção mineral do Brasil, para a exportação de minério de ferro.

A parceria permite a venda direta de quatro milhões de toneladas anuais. O contrato tem prazo de 10 anos, com possibilidade de expansão. As negociações começaram no ano passado.

A primeira leva de minério está prevista para ser exportada em maio.

Até então, a Itaminas enfrentava um gargalo de logística e conseguia escoar a produção somente após venda do seu minério para outras grandes mineradoras ou companhias especializadas no comércio global de commodities.

Thiago Toscano, CEO da Itaminas, explica que a parceria permite a empresa acessar diretamente o mercado global.

“Esta parceria coloca a Itaminas na vitrine internacional e abre o mundo para podermos negociar”, afirma. “Agora, ficamos no mesmo patamar das grandes mineradoras”.

A fatia de 4 milhões de toneladas por ano representa uma parcela da produção da mineradora. Para este ano, a Itaminas projeta produzir oito milhões de toneladas, expandindo para 10 milhões em 2026.

Por ora, o que não for escoado pelo Porto Sudeste seguirá o mesmo processo de venda para outras companhias.

Porém, a escalada da produção está alinhada com a possibilidade de expandir a cota de venda direta, explica o CEO da mineradora.

“Temos contratos que precisam ser cumpridos com as empresas, mas na medida que vai aumentando a produção, podemos renegociar a expansão do contrato com a Porto Sudeste”.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   31/03/2025

Pela nova legislação, foram estabelecidos os seguintes mecanismos de incentivo a investimentos em conteúdo local na cadeia de suprimento da indústria do petróleo e gás natural no Brasil:

- A possibilidade de transferência de excedentes de conteúdo local entre contratos para exploração e produção de petróleo e gás natural vigentes, inclusive em contratos oriundos da Rodada Zero de Licitações promovida pela ANP (que não possuem conteúdo local mínimo obrigatório). Ou seja, as contratações de bens e serviços nacionais que tenham excedido o mínimo obrigatório, em um contrato, podem ser utilizados para cumprimento dos índices de conteúdo local em outro contrato;

- A possibilidade de concessão de quotas diferenciadas de depreciação acelerada (que permitem uma dedução mais rápida dos gastos), referente à Lei nº 14.871/2024, para navios-tanque novos empregados nas atividades de navegação de cabotagem de petróleo e seus derivados, produzidos no Brasil e que cumpram índices mínimos de conteúdo local definidos na Resolução CNPE nº 15/2024, e nos termos regulamentados pelo Decreto nº 12.242/2024; e

- A possibilidade de redução do montante de royalties dos contratos de Rodada Zero para até 5% sobre o total da produção, conforme investimentos em novas unidades estacionárias de produção (UEPs) com conteúdo local, nos termos regulamentados pelo Decreto nº 12.362/2025.

Cabe à ANP: apurar, registrar e controlar a transferência de excedentes de conteúdo local mínimo entre contratos; mensurar e fiscalizar o cumprimento dos índices mínimos de conteúdo local dos navios-tanque; atestar a razoabilidade das diferenças de custos da nova UEP, sem e com conteúdo local; e atestar o certificado de conteúdo local da nova UEP para a redução de royalties.

A autorização de quotas diferenciadas de depreciação acelerada e da redução de royalties é de responsabilidade de outros órgãos da administração pública federal, como: Ministério de Minas e Energia; Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; e Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda.

Com a finalidade de prover transparência às atividades de competência da ANP e atender ao disposto na Resolução CNPE nº 15/2024, serão divulgadas informações de mensuração e fiscalização do conteúdo local realizado nas atividades de construção de navios-tanque, além de informações consolidadas de valores de conteúdo local excedente apurados e transferidos entre contratos e dados dos certificados de conteúdo local emitidos de UEP a ser alocada em contrato de Rodada Zero.

O que são conteúdo local, excedentes, UEP e royalties

Conteúdo local, nesse contexto, é a proporção entre o valor dos bens produzidos e dos serviços prestados no país, em relação ao total utilizado nas atividades de um contrato de exploração e produção de petróleo e gás natural. Em alguns casos, é estabelecido, no contrato, um percentual mínimo de conteúdo local a ser contratado.

Os excedentes de conteúdo local são definidos na Resolução ANP nº 726/2018 como sendo "o valor correspondente ao conteúdo local excedente, em moeda corrente nacional, em relação ao compromisso de conteúdo local estabelecido". Até a publicação da Lei nº 15.075/2024, os excedentes só podiam ser transferidos de uma fase para outra subsequente, dentro de um mesmo contrato.

Uma unidade estacionária de produção (UEP) corresponde a uma unidade de produção instalada no mar contendo um conjunto de instalações destinadas a promover a separação, tratamento, estocagem e escoamento dos fluidos produzidos e movimentados num campo de petróleo e gás natural – por exemplo, plataformas.

Os royalties são uma compensação financeira devida aos estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, em função da produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos.

Petro Notícias - SP   31/03/2025

A abertura do mercado brasileiro de gás natural ainda não se concretizou como esperado, mesmo quatro anos após a aprovação da Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021). A avaliação consta no estudo Gás Natural: uma avaliação da abertura do mercado brasileiro sob competência da União, apresentado nesta semana pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) durante um evento em Brasília. A entidade afirma que ainda falta uma regulamentação efetiva para o setor, bem como critica os sucessivos atrasos na agenda da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a concentração da comercialização na Petrobrás. Segundo a CNI, no Brasil, o gás natural chega às indústrias por US$ 20 por milhão de BTUs, em média. O valor é muito superior ao dos Estados Unidos, onde a molécula do gás custa cerca de US$ 2 por milhão de BTUs, e representa o dobro do preço praticado no mercado europeu, de cerca de US$ 10 por milhão de BTUs.

“Apesar do marco legal, a tarifa do gás natural no Brasil continua sendo uma das mais altas do mundo, o que representa um obstáculo à competitividade nacional. Assim, passados quatro anos da promulgação da lei, é necessário avaliar os resultados iniciais e as ações indispensáveis para que os ganhos potenciais da abertura do mercado desse importante insumo industrial se concretizem“, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.

O estudo apresenta recomendações para garantir uma abertura efetiva do mercado e estimular a competitividade no setor. A primeira delas é a ampliação do acesso transparente às infraestruturas essenciais. Para a CNI, é fundamental regulamentar o Artigo 28 da Nova Lei do Gás para assegurar que sistemas de escoamento e processamento sejam acessíveis de forma transparente, promovendo a concorrência e permitindo a entrada de novas empresas no mercado.

Na área de regulação do transportador independente, a confederação afirma que a ANP deve estabelecer critérios claros, conforme previsto no Artigo 5º da lei, evitando que a Petrobras mantenha privilégios no sistema de transporte, especialmente após a desobrigação de venda de sua participação na Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG). O estudo sugere também medidas contra práticas anticompetitivas devem ser adotadas para estimular a diversidade no setor, incluindo mecanismos como Gas Release e Capacity Release, que favorecem a entrada de novos agentes.

O estudo defende ainda a criação de um ponto virtual de negociação e a regulamentação de contratos de curto prazo são essenciais para aumentar a liquidez e fortalecer a competitividade. Além disso, diz o documento, o governo federal precisa garantir recursos adequados à ANP, especialmente para áreas estratégicas, como a Superintendência de Infraestrutura e Movimentação, assegurando a implementação eficaz da Nova Lei do Gás. Por fim, a CNI pede mais cautela na criação de novas regulações e um planejamento indicativo para reduzir a burocracia e incentivar a expansão da infraestrutura necessária.

Entre os principais desafios para a abertura do mercado de gás natural, o estudo aponta a regulamentação incompleta da Nova Lei do Gás, os atrasos na agenda da ANP e a falta de recursos humanos na agência. Além disso, a transparência no acesso às infraestruturas ainda é limitada, dificultando a entrada de novos players. A concentração na comercialização também persiste, já que muitos produtores continuam dependentes da Petrobras para o escoamento da produção. Por fim, o levantamento destaca a necessidade de um compromisso coordenado entre governo, reguladores e setor privado para garantir previsibilidade e atrair investimentos.

Petro Notícias - SP   31/03/2025

No ano em que celebra 10 anos, a PRIO anuncia um novo marco em sua trajetória: a perfuração do primeiro projeto greenfield da empresa, o campo de Wahoo, na Bacia de Campos. O anúncio foi feito pelo presidente da companhia, Roberto Monteiro, em seu perfil no LinkedIn.

“O projeto, que começou este mês, é um marco na nossa estratégia de desenvolvimento de campos maduros através de conexões submarinas (tiebacks) e reflete a crescente complexidade dos projetos que assumimos desde o início”, escreveu o executivo.

Conforme noticiamos, a PRIO havia recebido a licença para a perfuração no final de fevereiro. A atividade será realizada com a sonda Hunter Queen. Segundo os planos da petroleira independente, a produção do campo será viabilizada por uma conexão submarina (tieback) de cerca de 30km de extensão, ligando Wahoo ao FPSO Frade, que possui uma capacidade de processamento de 100 mil barris de óleo por dia.

Adquirido em março de 2021, Wahoo teve sua comercialidade declarada em dezembro do mesmo ano, após estudos de viabilidade. Embora já existam poços exploratórios que comprovam a presença de petróleo, a operadora anterior não desenvolveu a infraestrutura necessária para a produção. A PRIO acredita que a interligação com o FPSO Frade é crucial para o sucesso do projeto, pois sem essa estrutura, Wahoo seria inviável economicamente.

Valor - SP   31/03/2025

Os barris extraídos são altamente lucrativos, e a produção da empresa deve atingir 400.000 barris de óleo equivalente por dia

O Golfo do México é essencial para os planos do diretor-presidente da BP, Murray Auchincloss, de reconquistar a confiança dos investidores e afastar um poderoso ativista na Elliott Management, ele disse à revista “Barron’s” em uma entrevista em Londres.

A BP tem uma história no Golfo - há muito tempo é uma produtora líder com poços de ponta, e também é o local do evento mais devastador da empresa. O desastre da Deepwater Horizon de 2010 matou 11 trabalhadores e custou cerca de US$ 65 bilhões.

Quinze anos depois, a vantagem da BP é que ela já investiu cerca de US$ 7 bilhões de 2022 a 2025 lá. No ano passado, iniciou o projeto Kaskida para criar seu sexto hub no Golfo. Agora é hora de o dinheiro que a BP colocou no solo começar a render. Os barris extraídos são altamente lucrativos, e a produção da empresa deve atingir 400.000 barris de óleo equivalente por dia.

Junto com outros projetos de exploração no Oriente Médio, o aumento da produção deve turbinar o fluxo de caixa livre. Isso pode, então, ser transformado em dividendos e recompras — e afastar o desafio da Elliott, que construiu cerca de 5% de participação na empresa, de acordo com relatos. A Elliott não quis comentar.

“Temos o melhor do setor — uma taxa de crescimento anual composta de fluxo de caixa de 20% nos próximos três anos — e um preço de ação subvalorizado”, disse Auchincloss. A BP só divulgou projeções para os próximos três anos, mas o diretor-presidente espera que essa força continue.

“Muito além de 2027, vemos que podemos continuar a avançar nas maiores taxas de crescimento do setor”, acrescentou. “É isso que criará a remuneração para os acionistas.”

Auchincloss está apostando que o dinheiro pode ser a vantagem competitiva da BP. A rival Shell disse em 25 de março que pode aumentar o fluxo de caixa em pelo menos 10% ao ano até 2030 — cerca de metade da taxa que a BP está almejando. Até a Exxon e a Chevron só chegaram perto de 20% de crescimento do fluxo de caixa livre em 2022, ano em que os preços do petróleo dispararam depois que a Rússia invadiu a Ucrânia.

A questão é se os investidores vão comprar o argumento. Até agora, tudo bem — os retornos totais da BP aumentaram 18% em 2025. Parte disso, no entanto, pode ser atribuído apenas ao envolvimento da Elliott, já que as ações saltaram 7% no dia seguinte ao relato da participação do acionista ativista. Ainda é um começo decente. Em comparação, a Shell ganhou 16% este ano, a Exxon 9% e a Chevron 16%.

Mas também há obstáculos a superar. Auchincloss, que se tornou oficialmente diretor-presidente em janeiro de 2024, foi um arquiteto da estratégia de 2020 da BP, que exigia reduções na produção de petróleo e gás e mais investimentos em projetos renováveis que não tiveram desempenho.

Para ser justo, a BP definiu sua estratégia há cinco anos em meio a previsões de que a demanda por energia diminuiria rapidamente e estava se posicionando agressivamente para um mercado no qual a energia de baixo carbono dominaria. Não foi assim que as coisas aconteceram depois da pandemia de Covid-19 e da guerra na Ucrânia. O ambiente político é apenas o último dominó a cair, com o presidente Donald Trump pedindo que os EUA liberem todo o seu potencial energético.

“O mundo mudou”, disse Auchincloss. “Não há vento suficiente, nem energia solar suficiente para fornecer a energia de base. É por isso que mudamos a estratégia, e é por isso que agora estamos focados no crescimento de petróleo e gás.”

Há também menos pressão dos governos em direção às energias renováveis e uma ênfase maior na segurança energética.

“Você tem que seguir as nações nas quais opera, tem que seguir o que os presidentes e primeiros-ministros querem que você faça em nome deles”, disse ele.

Os investidores argumentam que o problema não é necessariamente a direção da BP em si sob a estratégia antiga. Em algum momento, a demanda por combustíveis fósseis começará a cair, e todas as grandes petrolíferas terão que descobrir como permanecer viáveis a longo prazo.

A fraqueza relativa da empresa nos últimos anos pode se resumir mais a muitos investimentos com desempenho ruim. Atribuir a mudança de estratégia a circunstâncias em mudança pode não agradar aos acionistas.

O desempenho abaixo do esperado da BP abriu a porta para especulações de que ela poderia se tornar um alvo de aquisição. No entanto, Auchincloss rejeitou sugestões de que a BP poderia ser forçada a se fundir com uma rival como a Shell.

Mas a Elliott, fundo de hedge administrado por Paul Singer, tem um histórico de agitar as coisas. Além da BP, ela está pressionando por mudanças no conselho da Phillips 66, a refinaria dos EUA. Ela também adquiriu participações na produtora canadense de areias petrolíferas Suncor Energy e na mineradora listada no Reino Unido Anglo American. No passado, ela realizou campanhas na Marathon Petroleum e na Hess.

A Elliott, que não tornou públicas quaisquer demandas pela BP , pode buscar mudanças no conselho e na equipe de gestão, informou a “Reuters” na semana passada, citando pessoas não identificadas que discutiram os planos. Outro pedido potencial pode ser para que os gastos sejam ainda mais reduzidos e para vendas adicionais de ativos.

A assembleia geral anual da BP está marcada para 17 de abril. Essa pode ser uma data importante para Auchincloss reforçar o apoio e para Elliott fazer seu próximo movimento.

Valor - SP   31/03/2025

Alguns assessores agora veem o preço do combustível fóssil como uma ferramenta crucial contra a inflação

Trump não descarta recessão em ‘período transitório’ — Foto: AP Photo/Ben Curtis

Há seis longos meses, quando Donald Trump estava em campanha para tornar-se o 47º presidente dos Estados Unidos (lembra-se disso?), ele prometeu materializar uma economia "vencedora" e derrubar a inflação. Parece que os eleitores acreditaram nele.

Não mais. Durante a semana, o Conference Board divulgou uma pesquisa mostrando que "a confiança do consumidor caiu para o menor patamar em 12 anos, bem abaixo da marca [...] que normalmente sinaliza uma recessão à frente". Ainda pior, os eleitores preveem que inflação superará os 6% em razão das tarifas alfandegárias de Trump - muito maior que a de 2024.

Esses números podem estar distorcidos por questões partidárias: os democratas estão particularmente pessimistas, segundo dados do centro de estudos Pew. Além disso, o valor das previsões de pesquisas sobre a confiança do consumidor é ambíguo.

No entanto, a pesquisa do Conference Board é corroborada por outros levantamentos. Além disso, nesta semana, Austan Goolsbee, um alto funcionário do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) advertiu que essa mudança na confiança tornará mais difícil cortar os juros, como Trump deseja ardentemente (em parte, para evitar uma explosão da dívida).

Então, o que a Casa Branca pode fazer? Uma solução óbvia seria reduzir a angústia e a incerteza quanto às tarifas alfandegárias. No entanto, não espere que isso ocorra tão cedo, ainda menos antes do que Trump chama de o "dia da libertação", 2 de abril. O presidente acha que "tarifas" é uma "palavra bonita", pois lhe deu poder de influência; e altos assessores, como Peter Navarro, negam que elas sejam inflacionárias.

No entanto, outro problema a ser observado é o preço do petróleo. Isso porque alguns assessores de Trump agora o veem como uma ferramenta crucial de combate à inflação - mesmo sendo, inadvertidamente, uma ferramenta que também revela as contradições de suas políticas econômicas.

No papel, a visão de Trump para os combustíveis fósseis parece clara. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, há tempos defende um plano econômico de "três flechas". O objetivo é um déficit de 3%, um crescimento de 3% e um aumento na produção de petróleo e gás equivalente a 3 milhões de barris por dia.

Bessent argumenta que o mantra "perfure, baby, perfure" de Trump impulsionará a indústria americana. Também aumentará o domínio geopolítico dos EUA, ao tirar poder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sobre a oferta e a determinação das cotações.

Ainda mais importante, preços mais baixos de gasolina podem atuar como uma força deflacionária para compensar o impacto das tarifas, em particular se combinados com uma desregulamentação. Ou pelo menos é o que se argumenta na "Trumplândia". Afinal, as fontes de energia não são apenas um grande componente dos gastos dos consumidores; os preços nos postos de gasolina são um dos termômetros mais visíveis da inflação para os eleitores. São uma heurística, como diria o psicólogo comportamental Daniel Kahneman.

E como preços mais baixos do petróleo também pressionariam economias de produtores como Rússia e Arábia Saudita, um benefício colateral seria o aumento do poder de influência de Trump nas negociações com esses países. Daí as conversas na Casa Branca de que o presidente deveria ter como meta um preço por barril de US$ 60 ou mesmo de US$ 50 - em comparação aos atuais cerca de US$ 70.

Existem, contudo, três grandes obstáculos. Um é que Trump não quer alienar tanto assim o governo saudita (embora alguns assessores achem que, para compensar essa eventual queda nas cotações, eles poderiam comprar petróleo saudita para recompor os estoques americanos).

Um segundo problema foi revelado nesta semana, em uma pesquisa extraordinária do Fed regional de Dallas. Ela mostra que produtores de petróleo de xisto vêem o caos econômico atual e o burburinho quanto aos preços como um "desastre" tão grande que estão se recusando a elevar a produção. Ou nas palavras de um dos consultados: "A ameaça de petróleo a US$ 50 pelo governo levou nossa empresa a reduzir investimentos em bens de capital para 2025 e 2026."

Embora a equipe de Trump tente contrabalançar isso com regras de licenciamento mais brandas e com ataques performáticos às fontes de energias renováveis, o JPMorgan calcula que o número de poços ativos teve leve queda recentemente. Trata-se de um contraste gritante, e irônico, com o governo Biden, quando o número de poços ativos deu um salto.

O terceiro problema é a própria posição geopolítica de Trump. Instabilidade no Oriente Médio - como os recentes ataques aos houthis - normalmente elevam o preço do petróleo. O mesmo vale para as tarifas. Nesta semana, por exemplo, os preços subiram após Trump ameaçar sanções (tarifas secundárias) contra qualquer um que compre petróleo venezuelano.

O próximo ponto a observar é o Canadá. Se Mark Carney, o novo primeiro-ministro canadense, quiser aplacar Trump, sua melhor aposta pode ser prometer vender (ainda) mais dos 6 milhões de barris diários que seu país produz aos EUA (o maior consumidor mundial), a preços baixos.

Como Trump gosta pessoalmente de Carney, isso pode funcionar. Não está claro, contudo, se Carney colaborará. Se ele não o fizer - e se Trump desencadear uma guerra comercial total -, isso pode destruir a política de energia barata (mesmo que uma recessão exerça pressão de queda sobre os preços, como usual).

Então, se você está confuso com o plano energético de Trump, não está sozinho. Ainda que fomentar essa confusão seja, em parte, uma tática deliberada para aumentar o poder de influência do governo, nem Trump pode ignorar para sempre as pesquisas sobre o humor dos consumidores.

Se as expectativas inflacionárias continuarem em alta, espere mais memes sobre o "perfure, baby, perfure". Sim, o lema em parte é um gesto de desafio trumpista, mas ainda poderia também se tornar um grito de desespero.

Valor - SP   31/03/2025

O Campo de Tanatau tem potencial de produção inicial já no ano de 2025 de, aproximadamente, 250 barris de óleo por dia e um volume de óleo por volta de 3,6 milhões de barris

A Azevedo & Travassos Energia (ATE) anunciou nesta sexta-feira (28) que recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar a produção antecipada do Campo de Tanatau, localizado no estado do Rio Grande do Norte.

Confira resultados e indicadores da Azevedo & Travassos e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360

A operação será conduzida pela Phoenix Óleo & Gás Natural Ltda., subsidiária indireta da companhia, e terá duração inicial de 12 meses. Com a medida, será possível escoar a produção do poço 1-PHO-1-RN, responsável pela descoberta do campo, além dos novos poços que devem ser perfurados no segundo semestre deste ano.

O Campo de Tanatau tem potencial de produção inicial já no ano de 2025 de, aproximadamente, 250 barris de óleo por dia e um volume de óleo por volta de 3,6 milhões de barris. Por conta da proximidade geográfica, o plano de desenvolvimento do campo prevê a utilização das instalações de produção do Campo de Concriz, o que reduz a necessidade de investimento em instalações de produção ou de armazenamento.

O Campo de Tanatau tem cerca de 8,3 quilômetros quadrados de extensão. A iniciativa marca mais um avanço nos projetos de exploração e produção da ATE e representa um passo na estratégia de expansão da empresa no setor de óleo e gás, já que o campo deve contribuir para o crescimento operacional da companhia.

Infomoney - SP   31/03/2025

A administração Trump revogou licenças e isenções que permitiam que empresas de energia ocidentais operassem na Venezuela, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto no sábado. A medida isola ainda mais o presidente venezuelano Nicolás Maduro do mercado mundial de petróleo.

A decisão abrange uma série de empresas, incluindo a petrolífera norte-americana Global Oil Terminals, liderada pelo magnata da energia Harry Sargeant III.

A espanhola Repsol e a francesa Maurel et Prom estão entre as outras empresas que devem encerrar as operações na Venezuela até 27 de maio, disseram as pessoas.
A decisão também tem como alvo licenças emitidas para empresas de gás venezuelanas que mantêm acordos com a estatal petrolífera PDVSA, disse uma das pessoas.

O Departamento do Tesouro dos EUA emitiu diferentes autorizações para empresas internacionais de petróleo e gás, incluindo licenças, isenções ou cartas de conforto, para permitir que conduzissem diferentes operações na Venezuela, como exportar petróleo da PDVSA, apesar das sanções.

A Sargeant’s Global Oil Terminals também deve encerrar as transações financeiras com a PDVSA até 2 de abril e pagar qualquer dívida restante devida pelas compras de óleo de asfalto. O Wall Street Journal relatou na sexta-feira à noite que a empresa de negociação de petróleo de Sargeant recebeu ordem de deixar a Venezuela, citando uma carta do Tesouro.

O governo Trump deu recentemente à Chevron um prazo de 27 de maio para encerrar suas operações com a Venezuela, como forma de pressionar o regime autocrático de Maduro a fazer reformas democráticas e aceitar o retorno de mais venezuelanos que migraram para os EUA.

Sargeant havia obtido inicialmente uma isenção de dois anos em maio do ano passado, permitindo que a Global Oil Terminals comprasse e transportasse asfalto para os EUA e o Caribe.

O Departamento do Tesouro dos EUA se recusou a comentar, e a Casa Branca, o Conselho de Segurança Nacional e o Departamento de Estado não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

Repsol, Maurel et Prom e PDVSA não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

RODOVIÁRIO

O Estado de S.Paulo - SP   31/03/2025

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou nesta sexta-feira, 28, o edital para a concessão de trechos das BRs 060 e 364 entre Goiás e Mato Grosso. O leilão federal será realizado em 14 de agosto, na B3, em São Paulo. O projeto nomeado como “Rota Agro” tem ao todo 490 km de rodovias. A previsão é de que sejam investidos R$ 4,4 bilhões em obras e outros R$ 2,8 bilhões em custos operacionais ao longo de 30 anos de concessão.

Entre as obras estão 45,62 km de duplicação e 150,92 km de faixas adicionais em pista simples. O projeto prevê 172 novos acessos, 30 paradas de ônibus, 17 rotatórias alongadas e 21 passagens de fauna.

A expectativa do governo é de que a concessão impacte positivamente o setor produtivo. Os trechos estão entre os mais importantes corredores logísticos para o escoamento de grãos, carnes e insumos agrícolas.

“A concessão da ‘Rota Agro’ é mais um passo rumo a um Brasil mais competitivo e conectado. Modernizar a infraestrutura é investir no futuro, garantindo que os produtos brasileiros cheguem com mais agilidade aos mercados internos e externos”, disse o diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio.

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